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Após ser 'campeão de tudo', baiano Allan do Carmo mira Olimpíadas: 'falta a medalha olímpica'
O nadador baiano Allan Lopes Marmédio do Carmo, mais conhecido como Allan do Carmo, 25 anos, entrou para história ao se tornar o primeiro brasileiro a conquistar a Copa do Mundo de Maratonas Aquáticas, disputada este ano, em Hong Kong. Em entrevista ao Bahia Notícias, Allan conta que, apesar de jovem, já conquistou quase todos títulos possíveis na modalidade, mas ainda falta o grande desafio: uma medalha nos Jogos Olímpicos, o que pode ocorrer em 2016 no Rio de Janeiro. "Para ficar satisfeito, o meu foco agora são as Olimpíadas 2016, tentar classificar e buscar uma medalha. Já fui campeão baiano, brasileiro, sul-americano, medalhista de mundial e pan-americano, campeão do circuito mundial. Falta a medalha olímpica", declarou. Leia a entrevista completa.

Bahia Notícias: Conte como começou sua história na natação, o motivo de ter escolhido esse esporte.
Allan do Carmo: Eu comecei na natação com sete anos de idade na escolinha do clube Costa Verde, em Piatã, como uma atividade física paralela à escola. Na verdade, foi uma recomendação pedagógica. Eu aprontava muito na escola, então a professora pediu que eu fizesse uma atividade alternativa para poder gastar a energia. Quando comecei fui gostando, logo fui chamado para a equipe que treinava todos os dias e criei afinidade com o pessoal da modalidade.
 
BN: Quando foi que você começou a participar das competições?
AC: Em 1997 participei do Campeonato Baiano, depois o Norte/ Nordeste em piscina. Em 2003, passei a fazer um circuito que tinha na Bahia, que era o circuito do interior, que era formado por provas em Mangue Seco, Salinas e outras cidades do estado. Meu primeiro ano de circuito brasileiro foi em 2004, que eram 12 etapas. Começava aqui com a prova Mar Grande/ Salvador e fiquei em terceiro lugar, foi meu primeiro pódio brasileiro e na prova Mar Grande/ Salvador.
 
BN: Quando você começou na natação, em quem você buscava se espelhar?
AC: A minha grande referência é Luiz Lima, porque quando eu comecei era a grande estrela da maratona brasileira, um cara imbatível e eu dizia que um dia queria ser que nem ele, queria poder vencê-lo. Hoje espelho nas meninas que nadam comigo, como Poliana Okimoto, Ana Marcela, são pessoas que eu vivenciei, vivi momentos de superação, de vitória e todos são vitoriosos nas principais competições do mundo. 
 
BN: Quais as maiores dificuldades que enfrentou de quando iniciou na carreira até os dias atuais?
AC: Vida de atleta não é fácil. Primeiro que para começar a fazer um circuito desse os custos são muito caros, eu já sofri com a falta de patrocínio, mas hoje, graças a Deus não tenho esse problema. A rotina diária de um atleta é muito desgastante, é muito pesado acordar todos os dias às 5h para treinar, fazer aquecimento, depois academia, voltar para o treino da tarde, nesse meio ainda tem psicólogo, nutricionista, é muito desgastante física e psicologicamente.
 
BN: Como superou a dificuldade da falta de patrocínio?
AC: No começo, quando eu tinha 14 anos, meu pai e minha mãe me apoiavam muito em tudo, eles faziam feijoadas e festas para arrecadarem dinheiro para eu poder viajar para as competições. Começou a melhorar de verdade no ano de 2008, quando passei a ter patrocínio dos Correios e da Bahia Gás (cujos valores o atleta preferiu não revelar), que ajudaram a diminuir toda dificuldade e hoje estou tranqüilo em relação a isso. Era uma época complicada, a gente treinava todos os dias sem ter a certeza se vai viajar para competir, acho que todos atletas passam por isso. Mas, minha família sempre batalhou, fazia o possível e o impossível para participar das competições. 
 
BN: Quais são os próximos passos de Allan do Carmo?
AC: Tem o processo seletivo para a próxima Olimpíada e meu foco é esse. A primeira seletiva já começa dia 07 de dezembro. Ano que vem tem o mundial de Kazan na Rússia, que classifica, de fato para os Jogos Olímpicos e estou treinando para chegar lá. Caso eu me classifique para as Olimpíadas, espero poder trazer uma medalha. Estou treinando forte para isso.


BN: Ainda tem algum objetivo a ser conquistado este ano?
AC: Com certeza, tenho a final do Brasileiro dia 13 de novembro, que se eu ficar entre os três melhores colocados na primeira prova já me sagro campeão brasileiro, conquistando a tríplice coroa (brasileiro, sul-americano e mundial). Dia 21 de dezembro tem a travessia mar Grande/ Salvador que também quero ganhar.
 
BN: Qual sabor teve levar a Bahia ao lugar mais alto em um mundial?
AC: Uma sensação muito gostosa, uma emoção muito boa. Resultado de vários anos de luta, batalha, dedicação que foram revertidos em uma vitória como essa (o mundial). O reconhecimento das pessoas e de tudo, acho uma coisa muito prazerosa. Indica que tudo que deixei de fazer para me dedicar à natação deu resultado.
 
BN: O que falta para você ficar com a sensação de dever cumprido?
AC: Para eu ficar satisfeito, o meu foco agora é a Olimpíada 2016, tentar classificar e buscar uma medalha. Já fui campeão baiano, brasileiro, sul-americano, medalhista de mundial e pan-americano, campeão do circuito mundial. Falta a medalha olímpica. Mesmo quando eu ganhar uma medalha olímpico o prazer vai permanecer.
 
BN: Carreira de atleta geralmente não é longa. Você já pensa em aposentadoria?
AC: Ainda não penso em quando vou parar, a gente até comenta que vida de atleta é curta, mas para imaginar isso é difícil, não dá para fazer uma previsão. Ainda não penso nisso, prefiro deixar para resolver isso mais para frente.

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