Segunda, 10 de Agosto de 2020 - 06:15

Opinião: 49 taças e uma lição para Bellintani

por Ulisses Gama

Opinião: 49 taças e uma lição para Bellintani
Fotos: Felipe Oliveira / Divulgação / EC Bahia

Uma coisa não mudou nos anos de 1931 e 2020: o Bahia é o campeão baiano da temporada. O título estadual é parte da grande história do Esquadrão de Aço. Foi assim no ano de criação do clube, no hepta dos anos 70, no tetra entre 81 e 84, no tricampeonato entre 86 e 88, no fim de um jejum de 10 anos em 2012...

 

Exemplos não faltam. É inegável que o Bahia e o estadual tem uma ligação forte. Hoje, a competição claramente precisa de uma revisão que seja positiva para os clubes da capital, mas a história não pode ser minimizada como o presidente Bellintani fez em um gesto rude em forma de tweet.

 

Foto: Reprodução / Twitter

 

Quis que a diretoria tricolor precisasse da conquista pra amenizar a forte - e justa - cobrança que vem sendo feita sobre o futebol da equipe. E foi sofrido, com um Atlético de Alagoinhas jogando melhor. Santo Douglas... A consequência de tudo isso foi uma comemoração anêmica, com torcedores na dúvida se o melhor era sorrir ou ficar triste.

 

O formato do Campeonato Baiano tem que ser revisto, sim. Mas é preciso respeito com a história e com a torcida, que está chateada e merece respostas na sequência da temporada. Além disso, é preciso um passo de cada vez antes de querer o mundo.

 

DIEGO CERRI

 

É preciso falar sobre o diretor de futebol do Bahia, Diego Cerri.

 

A verdade é que o dirigente é pouco falado, inclusive pelo que vos escreve. 

 

Chegou ao clube em 2016, como gerente de futebol, e depois assumiu o cargo de diretor. Vejo Diego Cerri com pontos positivos e negativos. Vou citar o que vejo desses pontos.

 

Cerri tem a seu favor a participação no acesso de 2016, Copa do Nordeste de 2017 e o tricampeonato estadual entre 2018 e 2020. Se o dirigente é lembrado nas derrotas, é preciso citar os bons resultados. É preciso ser justo.

 

Ele também tem ao seu favor boas aquisições para o clube. Gregore, Paulinho, Zé Rafael, Élber, Gustavo... Esses nomes se tornaram ou podem se tornar ativos importantes. Vale lembrar que todo o trabalho do time de transição foi praticamente pago graças a uma venda.

 

Por outro lado, Cerri acumula desastres em contratações, parte delas endossadas pelos treinadores que ele próprio participou da contratação. Diego Rosa, Gustavo Ferrareis, Clayton, Rogério, Ezequiel, Guilherme, Wanderson...

 

O trabalho na base é questionável, por isso o aproveitamento de jogadores ainda é pouco(você, leitor, se lembra de quantos?). De 2017 para cá, a coordenação da base passou por Marcelo Lima, Marcelo Vilhena e hoje Roberto Braga é o coordenador. Fica difícil.

 

A tão falada falta de indignação do Bahia também passa pelo comando do futebol. Também vejo em Cerri um contentamento com pouco, como se tudo estivesse muito bem. 

 

O que o Bahia viveu nos últimos dias não foi fácil. 11 jogos em 17 dias, erros de avaliação do treinador Roger Machado, pressão da torcida mesmo sem tê-la por perto... Enfim, tempo para respirar. Quarta-feira se inicia o Campeonato Brasileiro e o torcedor não vai achar uma "p* temporada" ficar na segunda parte da tabela. Pensamentos e convicções precisam ser revistos.

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