Opinião: Falta de brio do Bahia de Roger Machado em momento crítico volta a assustar
Foto: Reprodução / Twitter

O ano era 2017. O Bahia tinha perdido o primeiro jogo da semifinal da Copa do Nordeste para o Vitória em um jogo marcado por provocações ao goleiro Jean, revolta com a arbitragem e apagões no Barradão. O clima era de indignação coletiva e esse clima ficou à prova no jogo seguinte.

 

Assim como no primeiro jogo, estava na Arena Fonte Nova para cobrir a partida para o Bahia Notícias. Pude presenciar os jogadores entrando nas dependências do estádio dominados pela fúria. Um deles até quebrou uma das portas de acesso aos vestiários. Não me pareceu ser uma atitude que se aprove, mas no campo acabou que deu resultado. O Bahia se classificou e se sagrou campeão regional naquele ano.

 

Mesmo que não conseguisse superar o maior rival, é positivo se incomodar com resultados ruins e buscar coisas melhores no futuro. Diria que é até natural. Ali, talvez, foi a última demonstração de um Bahia mordido. O Bahia de Roger Machado, no entanto, parece não ter esse direito. Vale ressaltar: a diretoria do clube também tem culpa nisso.

 

O primeiro aviso veio no ano passado. Após uma sequência muito boa no Campeonato Brasileiro, a equipe começou a cair de rendimento e chegou a ficar nove partidas sem vencer, deixando o sonho de ir para a Libertadores distante. Nas palavras dos jogadores, as derrotas eram relativizadas. A mais simbólica entrevista foi a de Fernandão, querido pela torcida. 

 

"São nove jogos sem ganhar, mas fizemos um puta de um campeonato. O Bahia está de parabéns, os jogadores, comissão. Não estamos brigando por rebaixamento. Brigamos pela Libertadores", disse o camisa 20 após empate com o Atlético-MG.

 

A frieza voltou a ficar evidente na final da Copa do Nordeste. Com o técnico Roger Machado pouco ativo na beira do gramado e assistindo a derrota para o Ceará sem movimentações deixou os torcedores do Bahia assustados. Sem poder ir ao estádio por conta da pandemia, os tricolores se sentiram de mãos atadas por não poder fazer de perto o que o treinador não fez: motivar, gritar e principalmente se indignar. A falta disso fez um Bahia frio, que aceitou a derrota para um Ceará superior em campo e merecedor da taça.

 

Ao fim da partida, mais frieza, principalmente por supervalorizar o que não ocorreu. De fato a defesa do Ceará estava bem postada e conseguiu neutralizar o Bahia. Mas não é só o mérito do time de Guto. Também tem o demérito de um time tricolor sem alternativas, insosso e que não se permite novas ideias principalmente em um momento diferente por causa da paralisação do coronavírus.

 

Roger Machado tem potencial para ser um grande nome no futebol nacional, mas precisa rever conceitos, assumir erros e principalmente se incomodar com eles. Ainda dá tempo de aprender.

 

Foto: Max Haack / Ag. Haack / Bahia Notícias

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