Segunda, 14 de Janeiro de 2019 - 11:00

Leo Prates

por Guilherme Ferreira / Fernando Duarte / Rodrigo Daniel Silva

Leo Prates
Foto: Paulo Victor / Bahia Notícias

Ex-presidente da Câmara de Salvador e deputado estadual eleito, Leo Prates (DEM) disse que ainda não está decidido se vai ficar na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) ou se irá assumir uma secretaria na gestão do prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), como se especulou na semana passada.

“Se meu grupo achar que é interessante eu ir para a Assembleia Legislativa, eu irei. Se o meu grupo entender que é interesse eu estar na prefeitura, também jogarei. Então, está nas mãos do meu grupo político [o meu futuro]”, declarou. 

Em entrevista ao Bahia Notícias, Prates defendeu sua gestão na Câmara de Salvador. Disse ter “certeza” que o novo presidente da Câmara, Geraldo Júnior (SD), dará continuidade as medidas implementadas na sua administração. Além disso, afirmou que não queria ter controle do pleito interno do Legislativo, mas esperava ter mais conversas.  

“Eu esperava ter algumas conversas, [mas] realmente Geraldinho se articulou muito bem. Foi uma pessoa que articulou com precisão. É um candidato que nos agradava. Nós tivemos vários conversas. [...]  Acho que o que precipitou o processo foi a minha candidatura a deputado estadual, e a vedação à reeleição. Eu sempre dizia que o meu sonho era ter um candidato único e isso acabou acontecendo. Então, eu me sinto plenamente realizado”, pontuou. Confira a entrevista completa:




Entre as medidas tomadas como presidente da Câmara de Salvador, qual o senhor espera que o novo chefe da Casa, Geraldo Júnior, continue? O que o senhor não conseguiu cumprir e espera que Geraldo Jr. tire do papel?
O que eu gostaria de ter feito e não consegui, mas tenho certeza que o presidente Geraldo dará seguimento é a questão do convênio do Iphan. A burocracia acabou segurando, apesar de o deputado federal Cacá Leão ter feito a emenda e liberado. E tenho certeza que o presidente Geraldo dará a ordem de serviço para a recuperação e a requalificação dos prédios da Câmara. Eu quero estar do lado dele. Da parte de infraestrutura, é a mais importante obra da história da Câmara.

 

Foi bom para o senhor não votar o projeto polêmico de regulamentação do Uber na sua gestão?
Não considero desta forma. Para mim, seria bom que fosse votado na minha gestão. Qualquer tema polêmico é importante porque aproxima a população da Câmara, e isso foi um eixo importante da nossa gestão. Para a nossa gestão, era importante a votação. Porém, às vezes, a questão política sobrepõe à questão do interesse da gestão. Acredito que o presidente Geraldo vai conseguir aprovar e conseguirá encontrar um bom termo tanto para os taxistas quanto para o pessoal do Uber.

Todos os projetos do prefeito de Salvador, ACM Neto, foram aprovados na sua gestão. O senhor acha que foi garantido espaço na sua administração para a oposição?
Acredito que sim. Nós conseguimos, nos dois anos, acabar com os pareceres verbais em plenário. Nós demos espaços para as comissões debaterem. Então, [todos os projetos] foram [ao plenário] com pareceres das comissões e, em sua grande maioria, com audiências públicas. Em sua grande maioria, com emendas. O que mostra a força do Poder Legislativo. Acredito que a oposição ficou satisfeita. Eu nunca tomei uma medida autoritária. Acho que atendi a oposição e atendi a base do governo.

Geraldo Júnior, de maneira surpreendente, retornou à Câmara de Salvador e rapidamente conquistou apoios para chegar a presidente. O senhor esperava ter um controle maior da sua sucessão?
Eu não esperava ter controle. Eu esperava ter algumas conversas, [mas] realmente Geraldinho se articulou muito bem. Foi uma pessoa que articulou com precisão. É um candidato que nos agradava. Nós tivemos vários conversas. Sempre polarizou muito entre Geraldo e Kiki [Bispo] desde o início do ano. Acho que o que precipitou o processo foi a minha candidatura a deputado estadual, e a vedação à reeleição. Eu sempre dizia que o meu sonho era ter um candidato único e isso acabou acontecendo. Então, eu me sinto plenamente realizado. 




O senhor acredita que a influência da ACM Neto na bancada de oposição vai aumentar na Assembleia Legislativa da Bahia?
Não, porque na legislatura passada, o prefeito tinha ligado a ele: Luciano Ribeiro, Pablo Barrozo, Sandro Régis e Bruno Reis. Nós tivemos, por conta das circunstâncias políticas aqui na Bahia, uma redução da oposição e acabou que os “netistas”, como vocês gostam de dizer, ficando eu e Sandro Régis. Mas acredito que a bancada de oposição será independente. O prefeito respeita muito o Poder Legislativo e autonomia. Agora, ele é o maior líder do agrupamento da oposição e a opinião dele vai pesar muito. 

O senhor foi vice-líder de ACM Neto e viu a oposição criticar a “tratorada” na Câmara de Salvador. Agora, o senhor será da oposição na AL-BA. Será estranho viver com a “trotarada” do governo de Rui Costa?
Eu vou buscar a coerência [na Assembleia]. Minha primeira defesa vai ser que a tramitação normal seja respeitada e que o parecer verbal em plenário seja extirpado. Segundo que os debates sejam feitos na comissão. Então, que seja respeitada a autonomia do Poder Legislativo. A maioria sempre vencerá. A democracia é feita desta foram. Eu não considero isso um trator. Nos Legislativos, tem formas e conteúdo. A tendência é que o resultado seja o mesmo. Mas, na forma, a Assembleia ainda peca muito e temos que melhorar. Eu também não me posicionarei, enquanto oposição, contra os interesses da Bahia. O que for bom para a Bahia, a gente vai apoiar e aplaudir. Não tenho nada contra o governador Rui Costa e qualquer secretário. 

O senhor já pensou em chegar ao Executivo ou ir para Brasília?
Faço parte de um grupo político. Costumo brincar dizendo que chuto com a direita e a esquerda. Jogo em qualquer posição. Não tenho tradição política e já cheguei mais longe do que eu esperava. Fui assessor parlamentar do deputado federal ACM Neto, subsecretário, vereador, presidência da Câmara e deputado. Sou muito grato ao cidadão de Salvador e as oportunidades que o prefeito ACM Neto me deu. Eu não sou antipolítico. Eu sou político por vocação e não por falta de opção. Eu não gosto deste discurso antipolítico. Eu estudei e me preparei para chegar até aqui.
 


 

O senhor tem interesse de conquistar algum espaço na reforma do secretariado de ACM Neto?
Nós temos um projeto político que transformou Salvador. ACM Neto fez aquilo que eu acredito ser um governo de centro, equilibrando desenvolvimento econômico e social. Eu jogo na posição que for interessante para o meu grupo. Se meu grupo achar que é interessante eu ir para a Assembleia Legislativa, eu irei. Se o meu grupo entender que é interesse eu estar na prefeitura, também jogarei. Então, está nas mãos do meu grupo político [o meu futuro]. Eu ficarei na maior felicidade e dedicação, porque sei que estarei representando o povo da Bahia e o de Salvador. Estou disposto a contribuir.

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