Segunda, 23 de Dezembro de 2013 - 11:45

ACM Neto

por José Marques, Rodrigo Aguiar e Sandro Freitas

ACM Neto
“Calma, Porquinho”, pediu o prefeito ACM Neto (DEM) ao responsável pela Agência Geral de Comunicação (Agecom) de Salvador – menos conhecido pelo seu nome de batismo, Roberto Messias. O assessor apontou para o relógio quando percebeu que a entrevista já durava uma hora. Após a sinalização, Neto tomou um gole de água com limão e continuou a falar ao Bahia Notícias, a partir do assunto que havia interrompido: sua relação com o governador Jaques Wagner, do PT. “A gente se dá bem do ponto de vista pessoal. E essa é uma característica de Wagner, como também é minha, de saber cultivar as relações pessoais. Isso para o desespero de muitos que gostariam que a gente estivesse brigando e se matando”, deu de ombros. Perto de completar um ano à frente da gestão municipal, o democrata considera “a chuva” sua maior dor de cabeça, mais do que ter assumido após oito anos de mandato de João Henrique Carneiro (hoje PSL), que transitou por três partidos, flertou com um quarto e teve três contas rejeitadas pela Câmara de Vereadores. “Mesmo com a cidade preparada, os fenômenos naturais vão gerar problemas para ela. No entanto, isso não pode servir de desculpa para que a prefeitura não trabalhe. O nosso desejo é investir R$ 300 milhões em obras de drenagem até o semestre que vem para dar a Salvador condições melhores. O que não quer dizer que, se ano que vem chover tanto quanto choveu esse ano, não vai ter alagamento”, considerou. Ele adiantou as principais mudanças da capital que acontecerão a partir de 2014, como intervenções no trânsito, a concessão da Estação da Lapa – com provável retirada dos ambulantes do local – e a licitação do transporte público. Também relembrou medidas conflituosas que teve que tomar este ano, como as mudanças na cobrança do IPTU. Segundo o prefeito, se o Fórum Empresarial judicializar a questão, como fez em São Paulo, haverá um “descumprimento de acordo”. “Nós acatamos sugestões importantes do Fórum Empresarial e em contrapartida eles assumiram o compromisso de que não entrariam com ação contra o IPTU. Eu tomaria isso como um descumprimento de acordo sem precedentes”, avisou. ACM Neto também avaliou sua relação com a vice-prefeita Célia Sacramento (PV). Ao BN, ela disse que considera o companheiro “uma pessoa de esquerda”. E Neto, se considera próximo à linha ideológica de Lula? Saiba ao ler a entrevista da semana na íntegra:


Fotos: Max Haack / Agecom

Bahia Notícias – Que ponto o senhor destaca do Orçamento de 2014 da prefeitura de Salvador, aprovado pela Câmara Municipal?
 
ACM Neto – O orçamento que eu encontrei na prefeitura e com o qual eu tive que trabalhar ao longo de 2013 não foi preparado por essa gestão. Por isso mesmo eu tive que adotar, como providência, logo no início do governo, um contingenciamento muito grande para poder me preparar e equacionar um déficit de mais de R$ 500 milhões. O orçamento de 2014 é muito mais sólido. Distribui de maneira muito mais equilibrada entre as diversas áreas da prefeitura o que deve ser a nossa arrecadação e trará como principal notícia para a cidade a ampliação no volume de investimentos. Nos últimos anos, e não foi diferente em 2013, o orçamento ficou na casa de 2% e nós queremos elevar para 18% já em 2014. Isso significa que esse orçamento vai viabilizar o conjunto de ações, projetos e iniciativas que estão sendo pensados pela gestão e terão corpo e execução no ano de 2014. Essa é uma peça orçamentária muito mais com a cara do nosso governo e dos nossos projetos do que o orçamento de 2013 que eu herdei da gestão anterior.
 
BN – E em relação às emendas dos vereadores, como vai funcionar? Todos os vereadores vão ter R$ 1 milhão garantido?
 
ACM Neto – Evidentemente, o pagamento dessas emendas estará vinculado à arrecadação do município. Em se confirmando a previsão de receita, nós vamos efetuar o pagamento das emendas. E nós vamos trabalhar muito para que as receitas se confirmem. Estamos trabalhando em algumas regras de indicação das intervenções. Por exemplo: 15% do total deve ser indicado para a saúde e 25% para a educação. O nosso desejo é pagar um grande volume de recursos dessas emendas porque é um direito que o vereador tem de participar das prioridades do município. Eu me comprometi, logo no início do ano, quando propus o desenho de um novo tipo de relação com a Câmara de, por um lado, respeitar a autonomia do Legislativo e, por outro, abrir espaço para que os vereadores pudessem contribuir na definição das prioridades de governo. E a destinação desses R$ 1 milhão para os vereadores é uma forma de abrir espaço para que eles possam ser corresponsáveis pelo que o governo vai fazer na cidade. 
 
BN – A gente tem uma bancada de ampla maioria do governo. Devem vir reclamações da oposição caso não saia o pagamento. Como o senhor pretende trabalhar isso para que a minoria não diga “liberou do governo, mas não a nossa”?
 
ACM Neto – Eu já fui deputado de oposição, eu sei bem o que é isso (risos). Eu vou procurar agir de maneira muito democrática. A gente não cogita pagar apenas as emendas da base do governo. Pode ser que não se pague integralmente de todos os 43 vereadores, como é uma prática do próprio governo federal. Como você pode examinar, existem diferenças do pagamento nas emendas para cada parlamentar, mas não é desejo meu discriminar a oposição. É desejo manter uma relação boa com a oposição e, na medida que a oposição pretenda contribuir para a cidade, eu não vejo nenhum problema ou dificuldade das emendas da oposição também serem pagas.
 
BN – Não pode haver conflitos entre vereadores que são da mesma área de atuação? Como faz para solucionar esse tipo de ciumeira?
 
ACM Neto – Essas emendas deverão ter fundamentalmente o papel de levar ações de infraestrutura de município para comunidades bem carentes da cidade, como pavimentação de ruas, limpeza de canais, construção de multicentros de saúde. É isso o que eu tenho sentido no espírito dos vereadores. Uma coisa eu posso garantir, sem medo de errar: a cidade é tão grande que tem espaço para todos esses vereadores e para todas as emendas.
 
 
BN – Ano que vem é ano eleitoral. Que mudanças estão previstas para o secretariado municipal?
 
ACM Neto – A priori, o que deve acontecer é a saída dos secretários que vão disputar as eleições. Nós temos três secretários que vêm sinalizando o desejo de participar das eleições de 2014. Pode ser que nem todos confirmem, pode ser que todos confirmem, pode ser que algum a mais queira participar da eleição – o que eu não acredito. 
 
BN – Quem são esses três?
 
ACM Neto – [O secretário de Promoção Social e Combate à Pobreza Maurício] Trindade, [o secretário de Cidade Sustentável] Ivanilson [Gomes], que devem se candidatar a deputado federal, e [o secretário de Infraestrutura e Transporte José Carlos] Aleluia, que em determinados momentos cogita a possibilidade de ser candidato a um cargo majoritário como também a um cargo proporcional. Esses três secretários devem sair do governo para disputarem as eleições de 2014. Essa é uma decisão que também vai ter que ser conversada no momento adequado, mas eu não estou vivendo ainda nesse momento que vive o governo do Estado de mudança no primeiro escalão porque o meu prazo estabelecido vai ser na segunda quinzena de março. Vou discutir a substituição desses auxiliares e aproveitar para avaliar o resto da equipe e definir se cabe alguma mudança a mais – ou não. A priori isso não está cogitado, mas eu também não descarto. 
 
BN – O senhor anunciou também operações no trânsito na região do Iguatemi. Dá para detalhar um pouco quais intervenções serão essas e se há outras áreas da cidade previstas para sofrer intervenções?
 
ACM Neto – Em janeiro a gente começa a execução das obras para viabilizar essas intervenções. Pode ser que as obras não se concluam em janeiro, apesar de eu ter pedido para a Transalvador agilizar ao máximo para que essas intervenções sejam concluídas antes da retomada do período escolar, o que permite uma adaptação mais fácil da cidade, como por exemplo está acontecendo na Paulo VI, na minha opinião com bom êxito. No Iguatemi, a gente está querendo fechar o retorno em frente ao Shopping, que gera um semáforo a mais e gera um fluxo negativo grande de automóveis e fazer um binário por trás do Iguatemi. Vamos fazer algumas mudanças nas faixas que dão direção à Paralela e à Tancredo Neves com o objetivo de garantir maior fluidez naquela região. Outras mudanças estão sendo previstas para Cajazeiras, para Pirajá, para o Cabula, para a ligação Cidade Baixa-Subúrbio e para a Avenida São Rafael. A gente está em área avançada em pelo menos oito áreas da cidade com mudanças de trânsito. Claro que são mudanças pontuais, não são mudanças estruturais, mas são muito importantes para preparar a cidade para esse período de grandes obras. É inevitável dizer que a cidade vai sofrer restrições com as obras, como a retenção da Avenida Paralela onde está sendo construído o viaduto do Imbuí. Quando a gente for construir o corredor Lapa-Lip, passando pelo Iguatemi, a obra vai gerar retenção na cidade. Quando a obra do metrô tomar velocidade, vai gerar retenção na cidade. A gente quer se antecipar com essas intervenções mais pontuais exatamente para preparar a cidade para esse conjunto de obras que vão acontecer e trarão impacto.
 
BN – Ainda sobre mobilidade: a gente percebe que a área do Iguatemi é crítica em relação ao alagamento. Na última grande chuva, em novembro, um dos pontos de alagamento mais graves foi o Iguatemi. O que o senhor está fazendo para melhorar o escoamento da área?
 
ACM Neto – Com uma chuva daquelas, não tinha cidade que não parasse e não alagasse. Veja o que acontece no Rio de Janeiro e em São Paulo ou em qualquer grande cidade do planeta. Mesmo com a cidade preparada, os fenômenos naturais vão gerar problemas para ela. No entanto, isso não pode servir de desculpa para que a prefeitura não trabalhe. Nós estamos iniciando a intervenção em alguns pontos de alagamento da cidade, assim como a contenção de encostas, assim como a limpeza de canais e a recuperação da malha asfáltica em um conjunto de ações que nós queremos fazer para que em 2014 o efeito das chuvas seja menor do que o de 2013. Espero que em 2015 seja menor ainda e em 2016 menor ainda. Nossa visão é de preparar progressivamente a cidade para o impacto das chuvas. A grande dor de cabeça que eu tive esse ano na administração foi a chuva. E a cidade não estava preparada. E não foi por falta de trabalho ou vontade deste governo. O fato é que, ao longo dos últimos anos, a cidade não vinha sendo conservada e não tinha obras de infraestrutura. O asfalto é um exemplo disso. E quando a gente fala em recuperação de asfalto dialoga também com os pontos de alagamento. O que é que normalmente ocasiona o alagamento? A falta de drenagem. Em alguns lugares da cidade não adianta simplesmente recuperar o asfalto: tem que fazer a drenagem, raspar o asfalto e trazer o pavimento novo. Eu estou muito convencido da qualidade do serviço que nós estamos fazendo e o desejo nosso é investir R$ 300 milhões em obras de drenagem até o semestre que vem para dar a Salvador condições melhores. O que não quer dizer que se ano que vem chover tanto quanto choveu esse ano não vai ter alagamento, porque isso é um processo contínuo que só vai ser resolvido de uma maneira mais ampla na cidade depois de muitos investimentos que não acontecerão em um ano.
 
BN – Um dos pontos que chamou atenção no orçamento desse ano foi um aumento na arrecadação de impostos de 56%. O IPTU foi o que mais gerou reclamações. O Fórum Empresarial disse que não descarta o que aconteceu em São Paulo com a Fiesp. Eles disseram que ainda iam analisar isso...
 
ACM Neto – Eu acho que isso seria um descumprimento de acordo, porque eu recebi o Fórum Empresarial, liderado pelo Vcitor Ventin, e fizemos um acordo. Mudanças foram feitas no projeto do IPTU – nós acatamos sugestões importantes do Fórum Empresarial e em contrapartida eles assumiram o compromisso de que não judicializariam o IPTU. Eu tomaria isso como um descumprimento de acordo sem precedentes.
 
BN – O senhor prometeu, na campanha, que não elevaria impostos. Não houve elevação da alíquota, mas na prática, alguns impostos vão subir, porque a planta genérica foi refeita. Isso foi programado para fazer no começo do governo, para que o desgaste não seja tão grande até o fim?
 
ACM Neto – Eu não estou preocupado com o desgaste que isso vai trazer. Eu não fui eleito para tomar medidas fáceis, eu fui eleito para tomar medidas necessárias. Se a cidade ficasse com a base de IPTU que tinha até esse ano ela jamais sairá do buraco que ela se meteu. Salvador tem a pior arrecadação per capita do Brasil. Todos sempre apontaram o dedo para a cidade e disseram: ela não tem como andar com as próprias pernas. Eu fui eleito para fazer Salvador andar com as próprias pernas. Eu fui eleito para dotar o município de capacidade de ter uma prefeitura que realize as coisas que o cidadão precisa. O projeto do IPTU guarda diferenças abissais com São Paulo. Salvador não atualizava a planta genérica de valores há 19 anos. Já em São Paulo, a última atualização aconteceu em 2009. Portanto, a defasagem de Salvador era uma coisa inquestionável. Nós promovemos o debate necessário, recebemos as sugestões e alteramos o projeto, em São Paulo isso não aconteceu. Além do Fórum Empresarial, diversos setores foram ouvidos, inclusive legisladores de oposição foram ouvidos, o que permitiu que vereadores da bancada do PT – cinco dos sete – apoiassem o projeto. Estamos fazendo justiça social. Metade dos imóveis de Salvador não vai pagar IPTU. Nós vamos ter isenção de todos os imóveis com valor comercial de até R$ 100 mil. Qual o conceito do IPTU? Paga mais quem pode mais, paga menos quem pode menos e não paga nada quem não pode pagar. O IPTU não vai pesar na classe média, não vai pesar nas pessoas físicas. O IPTU residencial vai ter uma majoração muito pouca significativa. Fez-se muito mais um monstro do que é na verdade.
 
 
BN – A gente esteve outro dia com o prefeito João Henrique e ele lançou, na redação do Bahia Notícias, a campanha “Pago Não”, para boicotar os estabelecimentos que começarem a cobrar pelas vagas. Ele nos disse que a prefeitura poderia escolher se teria que liberar alvará para que os estacionamentos pudessem cobrar comercialmente estacionamento. O senhor já disse que a prefeitura perdeu a guerra a respeito da constitucionalidade da cobrança no Supremo Tribunal Federal (STF). A prefeitura vai liberar o alvará? A prefeitura cedeu aos shoppings?
 
ACM Neto – Eu prefiro não comentar campanhas que tenham sido lançadas nem pelo ex-prefeito nem por ninguém. Quando eu cheguei à prefeitura, nós já estávamos diante de um processo que já estava quase no fim em que a prefeitura de Salvador praticamente já se via obrigada a cumprir essa decisão. Ainda assim eu mobilizei a Sucom e nossa Procuradoria para que todos os recursos fossem interpostos no sentido de impedir a cobrança de estacionamento. Tanto que fomos ao Supremo Tribunal Federal, que é a mais alta corte do país. O Supremo tomou uma decisão garantindo a legalidade da cobrança. Agora nós estamos em fase de estudos internos para saber que medidas ainda podem ser adotadas, seja do ponto de vista judicial, que me parecem não mais cabíveis, seja do ponto de vista administrativo. Uma coisa eu posso garantir: na marra eles não vão cobrar. Ou seja: querendo impor uma medida de força eles não vão cobrar. Da mesma maneira não há hipótese de eles cobrarem sem que a cidade se beneficie com isso. Não há uma decisão tomada. Nós estamos estudando administrativamente quais são os limites de concessão e de não concessão de TLV [Termo de Viabilidade de Localização]. Mas na marra, querendo impor medida de força, eles não vão cobrar.
 
BN – O senhor sofreu algum tipo de pressão por parte de shoppings centers já que eles foram doadores de campanha?
 
ACM Neto – De jeito nenhum. Quem me conhece, quem conhece minha história, sabe a minha independência, sabe a minha autonomia para tomar decisões. Não tenho nenhuma relação pessoal com proprietário de shopping center. Não tem nenhuma interferência, pelo contrário: resisti já um ano e estou tomando aqui todas as medidas possíveis para garantir que eles não vão impor medida de força à cidade. Qual a consequência disso? Qual o desfecho disso? Ainda não posso dizer porque está sendo examinado internamente pela prefeitura. 
 
BN – O senhor disse que a sua maior dor de cabeça administrativa foi a chuva. Não foi João Henrique?
 
ACM Neto – Eu não fui eleito para procurar culpados nem desculpas. Eu disse isso muito na campanha. Tenho procurado ser muito fiel a tudo que disse na campanha eleitoral. Acho que o meu grande balizador, a minha grande bússola, sou eu mesmo. A cidade sabe como eu herdei o município. As pessoas têm a noção exata de como estava Salvador em janeiro desse ano. O passado está no passado e fica na história.
 

 
BN – O edital de concessão da Estação da Lapa sai mês que vem, não é?
 
ACM Neto – Isso. Primeiro da Lapa: falam de privatização. Não é verdade. Vamos fazer concessão do serviço. O patrimônio continuará sendo da prefeitura.  O que nós vamos é permitir que um determinado grupo privado que seja vencedor do processo licitatório possa explorar esse equipamento. Como, acredito eu, o governo do Estado vai fazer com as estações que foram transferidas para ele. E como se faz em muitas coisas do Brasil hoje. O que o governo federal mais faz são concessões. O governo do Estado tem feito muitas concessões. Então muito me admira ver vereadores que dão apoio à base do governo do Estado e do governo federal dizerem que vão fazer e acontecer com essa concessão. É uma brutal incoerência, incabível na política. Se tem uma coisa que eu estou convencido é que a Lapa não pode ficar do jeito que está e eu vou resolver o problema dela. Vamos fazer a concessão e identificar investidores que vão transformar a Lapa no mais moderno terminal urbano de passageiros do país, totalmente climatizado, com segurança, com horário de chegada e saída dos ônibus. Uma coisa que Salvador nunca viu nem pensou em ter. E que o poder público não tem dinheiro para fazer. Esse edital eu lanço ainda em janeiro.
 
BN – Houve uma emenda do vereador J. Carlos (PT) em relação aos ambulantes que comerciam na Lapa. Uma parte vai ficar e outra vai ser realocada?
 
ACM Neto – Não. Esse assunto não está decidido. Eu recebi o vereador aqui, como recebi Cazuza, que vem liderando os ambulantes da Lapa e que foi meu parceiro nas eleições do ano passado, uma pessoa com quem eu tenho uma relação já antiga. Primeiro: eu me preocupo com os pais e mães de família que são os ambulantes e camelôs. Segundo: nós vamos dar uma solução para eles. Terceiro: essa solução ainda não está definida. E certamente não deverá ser permanecer dentro do equipamento. Nós estamos buscando alternativas na área, na região, para permitir que essas pessoas possam ter seu ganha-pão assegurado. Eu digo isso com muita tranquilidade, porque, vejam, nas praias, nós estamos ordenando, mas estão lá os barraqueiros e estarão lá os ambulantes. Nós vamos dar até o dia 10 de janeiro todos os equipamentos novos em parceria com as cervejarias. Não vai custar absolutamente nada para essas pessoas e eles vão ter condições de ganhar muito mais dinheiro com exploração dessa atividade. Na Praça Cayru, nós tivemos que tirar [os ambulantes], mas realocamos. Veja o que nós estamos fazendo na Avenida Sete: várias obras com piso de qualidade, com cobertura, com as barracas, com iluminação, com sanitário e com Guarda Municipal. Em janeiro a gente conclui essas obras. Os ambulantes e camelôs da Avenida Sete vão poder trabalhar de maneira organizada e não essa bagunça aí, que todo mundo perde – eles perdem também. Nós estamos tratando os ambulantes e camelôs com o maior respeito, com a maior dignidade, fazendo investimento de organização que essa cidade não vê há muito tempo. Portanto, não há motivo para os ambulantes da Lapa ficarem aflitos ou preocupados. A solução, qual será? Ela não existe ainda. Mas nós vamos construir uma solução social para essas pessoas. 
 
BN – E o edital do Transporte público?
 
ACM Neto – Será lançado também em janeiro. Ele foi colocado sob consulta pública, nós recebemos mais de 300 sugestões foram encaminhadas à administração. Ele foi repassado para a Procuradoria do município e me parece que tem um prazo de 15 dias úteis para que ele possa ser publicado. Os termos já foram definidos. Ontem eu fiz a última reunião para tratar do assunto. Ajustes de natureza técnico-operacional como valor de outorga, sistemática de habilitação e uma avaliação mais ampla das sugestões que foram trazidas no período de consulta pública, tudo isso foi examinado. 
 
BN – E a gente vai ter uma tarifa reajustada apenas a cada quatro anos mesmo?
 
ACM Neto – Caaaalma (risos). Você quer muita notícia de uma vez só. O que eu posso antecipar é que nós estamos – e não tem nada definitivo, só quando for publicado – trabalhando com a perspectiva de não realizarmos reajuste em 2014. O último reajuste que aconteceu foi em 2011, não houve em 2012, eu já havia anunciado que não haveria reajuste em 2013, antes das manifestações e a minha ideia é que também não haja em 2014.
 
 
BN – Em entrevista ao Bahia Notícias, a vice-prefeita Célia Sacramento disse que considera o senhor uma pessoa de esquerda. ACM Neto se considera um homem de esquerda?
 
ACM Neto – Olha, eu vi a entrevista de Célia, achei muito simpática, muito lúcida. A gente vem realmente mantendo uma relação muito bacana. O que eu posso dizer: no Brasil, eu acho que muito menos as posições ideológicas e muito mais as decisões políticas e a forma de agir caracterizam uma pessoa. Eu tenho uma elevadíssima sensibilidade social, o projeto do IPTU mostra que, na minha cabeça, uma prefeitura tem que garantir distribuição de renda e fazer justiça social. Eu tenho o espírito democrático na minha veia, no meu sangue, na minha formação – prova disso é a convivência que a gente vem estabelecendo com diversas correntes políticas e partidárias de forma harmônica e absolutamente parceira. Quando, de maneira preconceituosa, queriam me caracterizar ou ao meu partido como de direita, eu rechaçava. Eu dizia: vocês não nos conhecem. Então eu evito esse carimbo ideológico. Eu acho que ele limita. Eu acho que a política hoje exige muito mais que o líder, o homem público, o governante, seja pluri-ideológico, que ele possa estar aberto a todas as idéias, que ele possa dialogar com todos os setores, que ele tenha capacidade de entender as diferenças. E é assim que eu me considero, um político com uma formação e atuação com a cabeça muito aberta. Eu sei buscar essa moderação quando preciso que ela exista.
 
BN – Vira e mexe, saem declarações de que o trabalho de Célia não estaria te deixando satisfeito, de que ela estaria aquém do que você pensava como vice. De onde o senhor pensa que surgiram essas críticas e qual a avaliação que o senhor faz de Célia?
 
ACM Neto – Eu acho que essas críticas surgem de quem tem inveja de Célia ou quer fazer intriga dela comigo, porque a gente tem uma relação muito boa. Célia tem me acompanhado semanalmente em diversos eventos da prefeitura. A gente mantém uma rotina periódica de encontros no gabinete. Em 11 meses de trabalho nós nunca tivemos nenhum problema, nenhuma diferença, nenhuma discussão. É uma coisa absolutamente sem fundamento. Eu tenho um respeito enorme por ela, ela tem um respeito enorme por mim. Célia nunca trouxe dor de cabeça para a prefeitura. Pelo contrário, nos ajuda a trabalhar, nos ajuda a manter comunicação com as comunidades.
 
BN – Se o senhor tivesse que deixar a prefeitura temporariamente por um motivo qualquer, deixaria nas mãos dela de cabeça tranquila?
 
ACM Neto – Claro. Vai acontecer. Nós estamos muito próximos de definir a central de operações da cidade, que vai fazer todo o controle e monitoramento do trânsito e vai servir para o Samu e Guarda Municipal. Isso é uma coisa que vai acontecer no ano que vem. Existem algumas propostas e eu só me sinto à vontade para definir o melhor modelo vendo ele funcionar. E provavelmente eu vou ter que fazer uma viagem ainda em janeiro para ver o funcionamento desses dois modelos. Eu vou viajar, vou passar para Célia e ela vai ser a prefeita quando for preciso sem nenhuma dificuldade. Não saí, estou completando um ano sem viajar para o exterior nas agendas administrativas, apesar de terem surgido algumas demandas, não por preocupação de deixar a prefeitura com Célia, mas porque não tive condições. O governo não me permitiu descuidar e desgrudar da cidade. Mas vou com a cabeça tranquila de saber que ela vai tocar as coisas aqui numa boa. 
 
BN – O senhor compartilha da ideia que ela manifestou na entrevista de que quem é contra as cotas raciais "é racista ou desconhece o que é cota", já que há pessoas do Democratas contra as cotas?
 
ACM Neto – Esse foi um debate que quiseram usar de maneira muito ardilosa contra mim no passado. Ardilosa, baixa, injusta. Se tem uma coisa que eu não gosto da política é injustiça. Eu sempre fui defensor das cotas, acho que no caso específico de Salvador e da Bahia elas fazem justiça social. E elas se mostraram uma política de extremo êxito, tanto que agora, na prefeitura, a gente tem implementado um conjunto de políticas [afirmativas], a exemplo do combate ao racismo institucional liderado pela professora Ivete Sacramento, o fortalecimento do selo para as empresas que comungam desse pensamento, além disso, vamos estruturar o Observatório da Discriminação com uma sede bem organizada e trabalho bem consistido. Me sinto muito acavalheiro para dizer que a política de cotas é exitosa no Brasil e deve ser aplaudida. Não quero apontar o dedo para alguém, não suporto isso, e dizer “porque você é contra isso, você deve ser considerado aquilo”. Eu não gosto de fazer esse tipo de coisa e não farei. Eu não gosto que façam contra mim. E exatamente por ter sido alvo de injustiça não sou capaz de fazer isso. O que eu posso afirmar é minha opinião.
 
BN – Geddel Vieira Lima é o pré-candidato do PMDB ao governo e tido, junto com Paulo Souto (DEM), como um dos nomes mais fortes. Ele queria que o nome dele saísse logo depois do governo, mas abriu mão, disse que foi voto vencido e colocou o senhor como líder desse processo. O senhor se considera líder do processo? Ele não acaba jogando muita responsabilidade para cima do senhor?
 
ACM Neto – Eu sou uma pessoa que nunca fugi das minhas obrigações e nunca fui de ficar no muro, jogando meias palavras para mostrar o que eu penso. É claro que qualquer que fosse o prefeito de Salvador que estivesse fazendo um bom trabalho à frente da prefeitura, que exercesse uma natural liderança política sobre o seu partido e que o seu partido tivesse um papel importante no papel sucessório, seria uma peça importante nas decisões a serem tomadas. Se eu dissesse que não vou ser uma peça importante estaria mentindo aqui, mas não vou fazer isso, nem acho que o seu leitor merece. Não tenho porque ficar com enrolação. Claro que vou ter papel nesse processo. Eu vou decidir sozinho? De maneira alguma. Eu vou escolher candidato? De maneira alguma. Eu vou vetar candidato? Muito menos. Qual é o papel que pretendo exercer: de aglutinador. De alguém que vai tentar agregar um conjunto de partidos em torno de um projeto comum. Com relação ao tempo: eu sempre fui contrário, já disse isso e Geddel sabia minha opinião desde o começo, à antecipação do processo. Ele tinha uma opinião diferente. Eu compreendia a opinião dele e ele compreendia a minha opinião. E acho que depois das discussões e das manifestações, ele entendeu que não dava para a gente assumir uma candidatura agora no mês de dezembro. Por outro lado, não acho que pode passar do mês de março. Essa decisão em março, e não em dezembro, não é com o objetivo de fazer jogo, de postergar, de dar mais tempo para A, B ou C pensar se deve ou não ser candidato. É para que a construção da candidatura aconteça de forma consistente. Nós temos que aproveitar os meses de janeiro e fevereiro para esgotar o debate interno e ver qual o candidato que reúne as melhores condições. Esse candidato tem que ter, primeiro, muita disposição de ser candidato, segundo, capacidade de aglutinar os partidos e, terceiro, tem que ser capaz de construir um bom projeto para o futuro da Bahia.
 
BN – Saiu uma nota de que Eduardo Campos estava "flertando" com o senhor para obter apoio e teria marcado um encontro. Tem algo marcado?
 
ACM Neto – Não. Não tem nada marcado. Eu tenho uma boa relação com o governador de Pernambuco desde a época em que éramos deputados federais juntos, mas não tem nada marcado e em hora nenhuma sentei com ele para discutir processo sucessório nacional ou eleição presidencial.
 
BN – Mas a definição de quem o senhor irá apoiar ainda está em aberto?
 
ACM Neto – Está em aberto. Eu tenho um partido, eu sou membro do Democratas e o Democratas terá o seu tempo de decisão.
 
BN – Não é automático Aécio Neves?
 
ACM Neto – Não. Não existe apoio automático. Nós temos uma relação histórica com o PSDB que deverá ser observada no momento da decisão, mas não há nenhuma posição decidida. Dentro do partido, inclusive, existem diversas opiniões em vários sentidos. 
 
BN – Na última entrevista com a gente, o senhor não descartou a possibilidade de apoiar Dilma. Todo mundo viu com muita surpresa. Mudou algo de lá para cá?
 
ACM Neto – O que eu disse é que o Democratas deve estar aberto a dialogar com todos. Não suporto maniqueísmo político. Não deve haver barreiras para que as conversas aconteçam. Eu não seria capaz de proibir um aliado meu ou pedir a ele que não fizesse o que eu estou fazendo. Se eu tenho conversado e mantido uma boa relação, porque o partido não pode conversar? Você vai me perguntar: o caminho mais provável do Democratas é apoiar Dilma? Não é. Mas nesse momento não posso descartar diversos caminhos que se colocam para o partido e eu não descartaria qualquer conversa inclusive com a presidente da República.
 
BN – O presidente Agripino Maia, quando esteve aqui em Salvador para filiação dos deputados federais, disse que ia pedir para Paulo Souto ser candidato. A gente não teve muita evolução disso. Aleluia chegou a dizer que “Paulo Souto disse que não quer”. O senhor pediu ou pretende continuar pedindo a Paulo Souto para ser candidato? Ele quer ou não quer?
 
ACM Neto – Paulo Souto é um homem público de larga experiência, foi governador duas vezes, senador da República, um dos quadros de homem público mais preparados do país. Teria nível e capacidade para ser qualquer coisa. Um homem com essa história e serviços prestados que Paulo Souto tem à Bahia não vai guiar sua opinião meramente por apelos ou pedidos de quem quer que seja. Não estou pedindo a Paulo Souto para ser candidato. Nunca pedi a Paulo Souto para ser candidato. Isso não existe. Como também nunca ouvi dele a palavra de que não será. Acho que Paulo tem consciência do momento político, dos desdobramentos futuros deste momento e vai trabalhar pela coletividade. Por isso que quando as pessoas tentam insinuar que pode haver uma disputa interna entre Paulo Souto e Geddel, descartem isso. Não apostem em rompimento entre PMDB e Democratas, porque se depender de mim não acontecerá. 
 
 
BN – Nas eleições passadas também existia o discurso de união das oposições. Não deu certo.
 
ACM Neto – É bem diferente. 
 
BN – O que o senhor pontuaria como diferença?
 
ACM Neto – Agora você tem um espaço de poder que é a prefeitura da Capital, a prefeitura da maior cidade do interior e um conjunto de parlamentares estaduais e federais. Esses espaços e as perspectivas que se desenham no futuro fazem deste momento completamente diferente do passado. Nesse momento, eu poderia dizer que contrariei toda lógica: fui candidato a prefeito com pouquíssimo tempo de televisão, enfrentei 14 partidos no primeiro turno. O resultado poderia ter sido outro, mas não foi, e fui uma prova de que mesmo sem essa unidade a gente conseguiu vencer. Com unidade, a possibilidade de vitória é muito maior. E essa consciência existe. Não apostem na briga que ela não vai acontecer.
 
BN – No caso da unidade, e de Geddel ser o candidato, uma vitória do PMDB é uma vitória do Democratas?
 
ACM Neto – Se ele for o candidato desse conjunto?
 
BN – Se ele for o candidato. 
 
ACM Neto – Com certeza será. Ou você acha que a gente vai entrar em uma campanha torcendo para perder? Ou vai entrar em uma campanha achando que vai ganhar e não levar? De jeito nenhum. Eu vejo às vezes as pessoas especularem “ah, porque em 2018 é melhor isso ou aquilo para você”. Meu Deus do céu, isso é de uma irresponsabilidade sem tamanho. Até porque só quem está sentado aqui nessa cadeira sabe o quanto é difícil ser prefeito de Salvador. E o quanto é difícil as coisas darem certo, e eu acho que as coisas estão dando certo. Eu só me permitia ser sonhador antes de ser deputado. Logo que me elegi deputado e passei a ver o lado real da política, passei a ter muito mais um espírito de trabalhar com o pé no chão do que ficar sonhando com qualquer coisa. Eu não me permito pensar em nada a não ser no momento atual e as minhas decisões serão todas tomadas pensando no momento atual.
 
BN – O senhor vai participar ativamente da campanha, subir no palanque?
 
ACM Neto – O prefeito não vai participar da eleição porque o prefeito vai governar a cidade e a máquina da prefeitura vai estar voltada a servir o cidadão. O prefeito vai continuar mantendo uma excelente relação com o governador, independentemente das posições que vão ser adotadas, da mesma maneira que o prefeito vai construir uma relação de parceria com aquele que vai vencer a eleição. Agora, o cidadão, o eleitor, o militante, o líder do Democratas, vai. Vai assumir posição, vai subir no palanque, vai trabalhar. Eu não sou de ficar em cima do muro. Não vou fazer jogo, não preciso disso. Se por um lado eu não vou permitir que o trabalho administrativo nem a prefeitura seja afetado ou prejudicado com a eleição, por outro, o cidadão tem o dever de participar, e eu vou participar.
 
BN – O cidadão, na campanha, fez críticas duras ao governador, à gestão petista. O prefeito teve que manter o clima paz e amor. O prefeito teve que pedir a ACM Neto “espera um pouquinho, fica calmo aí”?
 
ACM Neto – Não, de jeito nenhum. Quando venci as eleições recaiu sobre mim uma grande consciência da minha responsabilidade. Ao contrário do que as pessoas imaginam, que a primeira reação que você tem depois de uma vitória é muita alegria e muita festa, comigo foi muita preocupação. No dia seguinte, fiz uma ligação ao governador, sequer esperei 24 horas. Levei a ele uma mensagem de que nós estaríamos juntos pela cidade e pelo cidadão. E eu disse à presidenta Dilma, no primeiro encontro que tive com ela, que o líder de oposição cumpriu o seu papel. Não se arrepende do que fez, nem do que disse, nem do que defendeu. Mas agora sou prefeito de Salvador, e vou cumprir outro papel. Acho, inclusive, que foi importante para o governo a vitória de um político de outro partido e a mudança, porque antigamente, pelas deficiências da prefeitura de Salvador, era difícil o governo do Estado estabelecer uma boa relação e fazer as coisas andarem, o metrô é o maior exemplo disso. O meu antecessor passou oito anos e não conseguiu resolver o problema, eu em quatro meses resolvi. Algumas coisas que o governo do Estado tentou fazer em Salvador não conseguiu porque não tinha um prefeito capaz de mobilizar as forças municipais para que essas coisas acontecessem. Agora a gente dá as mãos, pensa na cidade e acabou. Eu não vou mentir que, do dia que assumi para cá, a minha relação pessoal com o governador aumentou, ficou mais próxima. A gente se dá bem do ponto de vista pessoal, e essa é uma característica de Wagner, como também é minha, de saber cultivar as relações pessoais. Isso para o desespero de muitos que gostariam que a gente estivesse brigando e se matando.
 
BN – Quando Agripino veio aqui, ele disse que a prefeitura de Salvador e o nome de ACM Neto eram as vitrines nacionais do Democratas. Planos para ser um dia governador, o senhor sempre falou que tem, mas o senhor também enxerga essa vitrine nacional, uma candidatura um dia à Presidência?
 
ACM Neto – Rapaz, um dia, quando eu tinha 19 anos de idade e estava entrando na vida pública como assessor da Secretaria de Educação – trabalhava com a memória saudosa de Heraldo Tinoco, um professor para mim –, apareceu a Mônica Bergamo, que ainda era repórter de política da Folha. Ela disse que tinha uma pauta sobre a “educação da Bahia”. Se sentou comigo, passou horas conversando e eu ali, sem saber que estava dando entrevista mesmo, pensei que estava batendo um papo e, na segunda-feira, chamada de capa na Folha de S. Paulo, entrevista de página inteira: “Neto de ACM quer ser presidente da Repúlbica”. Aí eu digo “meu Deus do céu”. De ali em diante aprendi que não existe pergunta mal feita, existe resposta mal dada. Chegar a um projeto nacional é muito menos vontade e muito mais destino. É o que eu penso. Hoje tenho um grande desafio, que é governar Salvador. Acho que se eu passar bem por essa experiência, estou preparado para qualquer outra. A prefeitura tem duas coisas muito importantes: de um lado, ela gera um nível de cobrança absurdo, porque é direta. Sobre o governo do Estado e federal ela é difusa. O prefeito acaba pagando pelas coisas que são da prefeitura e pelo o que não é. Se estoura um cano da Embasa, cai uma adutora de água, isso não é com a prefeitura, mas quem toma um cacete? O prefeito. Mas também tem um outro lado, e estou muito satisfeito e realizado com a prefeitura, porque você tem uma capacidade fruto de suas decisões e de seu trabalho de mudar a vida das pessoas de maneira tão constante que é uma recompensa extraordinária.

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