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Segunda, 28 de Novembro de 2011 - 14:42

José Ronaldo

por Evilásio Júnior

José Ronaldo
Pimenta dizia ser 3º governo de Zé Ronaldo | Fotos: Tiago Melo/BN


 
Bahia Notícias – José Ronaldo é tido como o candidato mais forte à prefeitura de Feira de Santana. É isso mesmo? O senhor já conseguiu fazer as articulações necessárias para confirmar a força que o senhor tem nas ruas na cidade?

 
José Ronaldo – Eu tenho visto alguns levantamentos, de vários institutos, que as pessoas têm realizado e me mostrado, e o menor percentual, entre oito ou nove pesquisas, até o início de novembro, é de 72%. Em nenhuma entrevista que dei, quer seja em blogs, jornais, rádios ou televisão, eu afirmei que sou candidato. Eu tenho dito que estou buscando a conversa política com partidos e que, só em março do ano que vem, terei uma posição bem mais clara sobre candidatura ou não. Claro que esses números me estimulam, me dão coragem e me deixam bem ativo dentro de um processo político. Em agosto, setembro e início de outubro, esses contatos se ampliaram e hoje temos um número expressivo de partidos políticos e pessoas que desejam ser candidatos a vereadores na próxima eleição que passaram a conversar conosco. E esses partidos hoje, que temos um ótimo diálogo, chegam ao número expressivo de 10, por enquanto. Partidos que, inclusive uns três que eu nunca tive o prazer de ter o apoio, hoje mantenho um relacionamento de muito respeito. 

 
BN – Quais são esses partidos?

 
JR – São o DEM e o PSDB, que eu sempre tive, o PTB, PTdoB, PRP, PSDC, PV, PPS, PHS e PTN.

 


 
BN – Havia um rumor de que o senhor poderia até mudar de partido e isso não aconteceu, até o final do prazo permitido para as filiações partidárias. Caso seja candidato, o senhor terá que disputar pelo Democratas. O que houve para o senhor decidir permanecer no DEM?

 
JR – Continuo no partido. Naquele período muito rico de conversas políticas – março, abril, maio, junho, julho e agosto – alguns partidos estiveram dialogando comigo, buscando, evidentemente, debater a política e pensamentos políticos. Eu conversei, respeitando a todos, mas em momento algum a gente colocava que era uma coisa de mudança partidária, mas sim de respeito político. Mesmo porque, eu sempre tive um relacionamento muito próximo com alguns desses partidos. Na época em que eu fui candidato a prefeito, alguns desses partidos votaram comigo.

 
BN – Por exemplo, o PP, que era o partido que estava mais próximo de fechar com o senhor...

 
JR – Exatamente...

 
BN – Por que desandou a negociação com o PP?

 
JR – Não é que desandou. Em nenhum momento houve afirmativa de que nós mudaríamos de partido. Houve um diálogo e esse diálogo eu nunca neguei. Eu tenho um bom relacionamento com pessoas que compõem o partido e sou grato a esse partido porque quando fui candidato, em 2000, 2004 e 2008, quando apoiamos o atual prefeito, esse partido também apoiou. Eu sempre tive um relacionamento de muito respeito com esse partido e continuo respeitando.

 
BN – O senhor falou do conglomerado de partidos que pretendem apoiá-lo, caso a candidatura seja confirmada, mas tem um plano de união das oposições na maioria das cidades da Bahia, inclusive em Salvador. O senhor não citou o PMDB, mas, nos bastidores, corre a informação de que Colbert Martins, que seria o candidato do partido em Feira, poderia vir a apoiar o senhor e, inclusive, compor a chapa como vice. Como está o entendimento do DEM com o PMDB na cidade?

 


 
JR – O PMDB é um partido grande, que sempre teve uma ótima base política em Feira de Santana. Foi comandado no passado pelo ex-prefeito Colbert Martins [pai], posteriormente por Colbert Martins Filho, Euvaldo Martins e um grupo de amigos. Tenho respeito por esse partido e seus componentes. Mesmo nas vezes em que fui candidato, Colbert sendo o meu adversário, nunca faltamos com respeito um ao outro. Colbert nunca fez um discurso de ofensa pessoal. Sempre fez uma campanha no caminho da política, como deve ser. Eu também sempre agi da mesma forma. Nunca fomos inimigos. Fomos adversários políticos. Temos hoje, inclusive, um relacionamento melhor do que há quatro, cinco anos. Não citei o PMDB porque esse partido em momento algum disse que me apoiaria e, pelo contrário, sempre disse em Feira de Santana que teria candidato próprio. Isso não proíbe nem empata que a gente continue dialogando, com respeito até à própria política estadual, dentro desse espírito de união das oposições. 

 
BN – Então, tem tido realmente diálogo com o PMDB?

 
JR – Não. Eu tenho um diálogo de respeito, não um diálogo de apoio. Mesmo porque, o Colbert afirma que o partido terá candidato em Feira de Santana e o nome é o dele. Eu respeito a sua opinião. Se no futuro houver um nível de conversa que possa evoluir, claro que estou aberto ao diálogo. Me dou bem com Geddel, me dou muito bem com Lúcio Vieira Lima, me dou bem com os deputados estaduais e federais do partido, então não há inimizade alguma. Muito pelo contrário. Respeitarei, com certeza, a decisão que o PMDB de Feira de Santana tomar.

 
BN – O senhor foi um prefeito muito bem avaliado em Feira de Santana, tanto que foi o candidato a senador mais bem votado na cidade [214.599]. Parte desse seu prestígio foi transferido justamente para o atual prefeito, que o senhor apoiou em 2008. No entanto, Tarcízio Pimenta, até aqui no Bahia Notícias, o acusou de interferir na administração. Disse que o senhor teria cargos na prefeitura e tentou sabotá-lo para que ele não fosse o candidato do partido e o senhor pudesse emplacar o seu nome. Qual é a sua versão dos fatos?

 
JR – Isso não tem fundamento nenhum. Primeiro que eu não tenho cargos no governo. Eu não indiquei ninguém e não tenho nenhum interesse nisso. Não tive e não tenho. Quando ele foi eleito, em diversas e diversas oportunidades, ele esteve comigo e me pediu que eu conversasse com alguns secretários, porque ele desejaria manter quase toda a equipe no governo. Então, eu não procurei ninguém espontaneamente. Disse a ele que ele tinha total liberdade de formar o governo. Agora, a campanha foi feita, toda ela, por ele, dizendo que, se ele fosse eleito, seria o terceiro governo de José Ronaldo. A frase mais dita na televisão por ele, então candidato, foi essa: ‘eleito, farei o terceiro governo de José Ronaldo’. Em momento algum eu afirmei isso. Eu o apoiei e pedi voto para ele ser eleito. Fiz uma campanha pela sua eleição, mas em momento algum eu usei essa frase. Mesmo porque, eu acho que as pessoas que assumem têm o direito de agir, de atuar, e têm todo o direito de assim proceder. 

 


 
BN – Mas ele manteve parte da sua equipe...

 
JR – Entre várias dessas pessoas que foram pedidas para serem mantidas, eu me recordo do então secretário da Fazenda, Joaquim Bahia. Ele pediu por algumas vezes, não foi uma vez só, em minha companhia, que visitasse Joaquim, pedindo a sua manutenção. E Joaquim, falou que tinha interesses particulares a tratar, que não desejaria continuar e não continuou. Foi tratar dos seus interesses particulares e só retornou à função pública agora, em 2011, sendo secretário da prefeitura de Salvador. Outros secretários que ele pediu que continuassem, alguns continuaram e outros, de maneira espontânea, disseram que não tinham interesse em continuar e se afastaram da atividade pública. Em momento algum eu disse: ‘eu quero que você mantenha fulano’. Mesmo porque, ele tinha todo o direito de afastar, como afastou, nos seus três, anos diversas e diversas e diversas pessoas que fizeram parte do meu governo. Tanto do primeiro quanto do segundo. Pessoas de chefia, de diretorias, de secretarias. E continua afastando, até hoje, e tem total liberdade de afastar quem ele achar que deve afastar. 

 
BN – Depois de mais de três anos da administração de Tarcízio Pimenta, gestão que apoiou inicialmente, o senhor a avalia como o terceiro governo José Ronaldo?

 
JR – Não. Às pessoas que têm feito essa pergunta eu solicito que o próprio cidadão de Feira de Santana faça as suas avaliações. Se é, se não é, e que as pessoas, evidentemente, naquilo que há de mais sagrado no direito do ser humano, que é o voto livre e soberano, decida nas urnas. 

 
BN – Como o senhor, como presidente do diretório municipal do DEM de Feira de Santana, avaliou a manobra que Tarcízio Pimenta fez para tomar o poder do PDT das mãos do senador João Durval, e sua migração do DEM para o PDT?

 
JR – De ele sair do DEM, teve todo o direito de assim proceder. Da minha parte, nunca disse nada sobre o assunto. Quanto a ir para o PDT, nós ouvimos algumas manifestações do senador João Durval Carneiro e de outros militantes do PDT, se dizendo contrariados com a filiação do prefeito, mas, a partir daí, passa a ser algo de foro íntimo do partido. Habitualmente, em toda a minha vida, nunca dei opiniões internas a partido algum. Não é agora que eu vou dar. Mesmo porque, eu fui correligionário durante um grande tempo de João Durval Carneiro, como prefeito de Feira de Santana, como deputado federal, como governador, mas nos afastamos politicamente. Evidentemente, nunca fomos inimigos. Me dou e gosto dele. Todo mundo em Feira de Santana, que tem a minha amizade, sabe que eu gosto de João Durval. Não só dele, mas de dona Yeda e pessoas da família. Não sei se foi o caminho correto [de Tarcízio], ele como senador, uma pessoa já de 83 anos, mas, repito, é uma questão interna lá do PDT.

 


 
BN – Nós falamos sempre, aqui em Salvador, que teremos um dos cenários mais disputados nas eleições de 2012 em Feira. Qual o nome, entre os que estão colocados, o senhor acredita que dará mais trabalho a uma eventual candidatura de José Ronaldo? Tarcízio Pimenta, que está no PDT, Fernando Torres, que ainda não definiu se vai apoiar o prefeito ou se o PSD lançará candidatura própria, Colbert Martins, pré-candidato pelo PMDB, ou o nome do PT, que deve ser Zé Neto, mas Sérgio Carneiro ainda pleiteia a indicação?

 
JR – De Fernando Torres, eu nunca ouvi o desejo de ser candidato nesta eleição. Ele afirma que quer ser prefeito de Feira, mas não agora. Sobram aí Tarcízio Pimenta, Colbert Martins e Zé Neto, que dizem ser candidatos. Em relação a Colbert, o que nós ouvimos do PMDB, ao nível de Bahia, é de que o partido no estado vai manter uma união com as oposições, quando não for possível no primeiro turno, no segundo. Em um hipotético segundo turno, onde acontecer, será travada uma união com as oposições. Quanto ao PT, o governador já anunciou, publicamente, que o seu candidato é o seu líder na Assembelia, o deputado Zé Neto. O prefeito Tarcízio também já anunciou que é candidato à reeleição. Não tem isso de quem pode dar mais ou menos trabalho. Por enquanto, tudo é conversa e especulação. A partir de março é que as coisas começam a tomar um corpo maior: é quando começa o período das articulações partidárias, que se concretizam, ou não, em junho. 

 
BN – Mas se, por acaso, o PT fechar com o PDT de Tarcízio Pimenta, com Zé Neto ou Sérgio Carneiro na vice, aí sim as pesquisas que dão o senhor com 72% de frente não serão mais apertadas?

 
JR – Não. Eu não estou pensando nisso assim, até porque você é a primeira pessoa que faz essa pergunta. Mas eu não vejo nada de anormal nessa união da situação, dos partidos que compõem a base do governo estadual. Se isso vier a acontecer, acho que é uma coisa normal da política e que eu não tenho nada contra. Mesmo porque, não posso ter nada contra o que os adversários possam pensar no futuro. 


 
BN – Caso o senhor assuma novamente a Prefeitura de feira de Santana, o que o senhor acha que terá mais trabalho para corrigir?

 
JR – Aí, voltando a 1999, quando as pessoas me perguntavam isso, sobre o futuro, eu dizia isso: quando houver uma definição de candidatura, nós apresentaremos um plano de governo. Havendo a definição, no ano que vem, março ou abril, em junho, na convenção, nós apresentaremos um plano de governo. A mesma coisa que fizemos em 2000. 

 
BN – Mas, em sua opinião, quais são os setores que ficaram menos assistidos pela gestão de Tarcízio Pimenta?

 
JR – Acho que o político, quando é candidato, tem que trabalhar para mostrar ao povo o que ele pretende fazer. Eu acho que você fazer uma campanha política preocupado só na crítica do presente, ou de quem está no governo, não deve ser o caminho que o povo quer ouvir. Eu acho que o povo quer ouvir o que você pretende fazer, o que deseja realizar, muito mais do que uma crítica. Mesmo porque, o cidadão, que é quem decide, já tem a sua opinião formada sobre o que está acontecendo na cidade naquele momento. Eu acho que não cabe ao candidato ficar preocupado só na crítica. Ele tem que dizer o que ele deve fazer.


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