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Nova Viçosa: Prefeitura derruba casa de artista Frans Krajcberg; Estado repudia ação
Foto: Divulgação / GOVBA

A prefeitura de Nova Viçosa, no Extremo Sul, demoliu a casa do artista plástico polonês Frans Krajcberg. A ação ocorreu nesta quarta-feira (10). Contrário à medida, o governo do Estado classificou o derrubada do imóvel como criminosa, informou o G1.

 

Frans Krajcberg (ver mais aqui) residiu em Nova Viçosa e deixou, em testamento, bens e espólio para a Bahia. No local demolido havia parte do acervo do artista, que estava sob salvaguarda do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC). Krajcberg  apontou também no testamento que o acervo de obras de arte deveria ser administrado pelo Estado da Bahia.

 

Em nota, o governo, por meio da Procuradoria Geral do Estado (PGE), solicitou reforço policial nesta terça-feira (9). O órgão também registrou queixa na delegacia da cidade, contra a tentativa de derrubada, que foi feita no dia seguinte.

 

Ainda por meio de nota, o Estado afirmou que "o ato ilegal da prefeitura de Nova Viçosa atenta não apenas contra decisão judicial expressa, como também viola a memória do grande artista". A PGE declarou ainda que vai tomar medidas judiciais e extrajudiciais pelo caso.

 

A prefeitura de Nova Viçosa ainda não se manifestou publicamente sobre o ocorrido. Frans Krajcberg chegou ao Brasil em 1972 e passou a morar em Nova Viçosa, onde plantou mais de dez mil mudas de espécies nativas de Mata Atlântica.

 

Pintor, escultor, artista plástico e fotógrafo, se notabilizou também por denúncias de crimes ambientais no Brasil. O artista morreu em novembro de 2017.

'Viva Centro' abre inscrições para curso de Produção Cultural
Foto: Divulgação

O Viva Centro realiza, até o próximo dia 18 de agosto, inscrições para curso de Produção Cultural com foco na elaboração e gestão de projetos, serão duas turmas. Os interessados devem preencher o formulário eletrônico disponibilizado pelo projeto (confira aqui).

 

Segundo a organização, estão sendo oferecidas 50 vagas para a formação, que ocorrerá entre os dias 22 de agosto e 15 de setembro. Com carga horária de 40h, o curso terá aulas on-line e encontros presenciais no Escritório Bahia Criativa, localizado no bairro do Barbalho, em Salvador.

 

Para encerrar as atividades, será realizado um evento musical com as apresentações de Larissa Luz e Afrocidade. Os shows acontecerão no dia 17 de setembro, na Praça das Artes, no Pelourinho, e serão uma oportunidade para os participantes do curso colocarem em prática os conhecimentos adquiridos.

 

O Viva Centro busca atender a demanda de formação no segmento da produção cultural baiana, não apenas no âmbito teórico, mas também prático. As ações previstas possuem forte reverberação no fomento e desenvolvimento de atividades voltadas para o processo de produção, divulgação e circulação de produtos culturais.

Domingo, 31 de Julho de 2022 - 17:20

Morre, aos 61 anos, o poeta pernambucano Miró da Muribeca

Morre, aos 61 anos, o poeta pernambucano Miró da Muribeca
Foto: Rodrigo Ramos/Fundarpe

Morreu neste domingo (31), aos 61 anos, o poeta e cronista João Flávio Cordeiro da Silva, conhecido pelo nome artístico de Miró da Muribeca. Autor de mais de 15 livros publicados, o escritor das ruas do Recife enfrentava um câncer com metástase desde 2020.

 

O falecimento, em um hotel na região central da capital pernambucana, foi informado pela assessoria do artista através de uma publicação nas redes sociais. "Comunicamos a todos os amigos, fãs e seguidores, que nosso poeta Miró da Muribeca encantou-se nesta manhã de domingo", diz a nota postada no Instagram, acompanhada de uma imagem preta. 

 

"Em breve, daremos mais informações sobre a cerimônia de despedida. Pedimos desculpas se não conseguirmos responder às manifestações de pesar", completou um segundo trecho da mesma postagem. 


Os músicos Jorge Du Peixe, Karina Buhr e o poeta Sérgio Vaz foram alguns dos famosos que usaram o espaço dedicado aos comentários para lamentar a partida do colega.

 

Além da produção de livros, seu repertório de criações inclui incontáveis poemas, alguns deles traduzidos para o espanhol e para o francês. Ele é um dos autores brasileiros cujas obras compõem o Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo.

 

O velório de Miró acontece hoje, a partir das 16h, na Capela do Cemitério Santo Amaro, em Recife. O sepultamento está marcado para esta segunda (1).

Terceira coleção do Selo João Ubaldo Ribeiro será lançada nesta quinta
Foto: Max Haack / Secom PMS

A Fundação Gregório de Mattos (FGM) promove o lançamento, nesta quinta-feira (28), da terceira coleção do Selo João Ubaldo Ribeiro. A ação acontece às 17h, no Teatro Gregório de Mattos (TGM), no Centro, com as presenças do presidente da FGM, Fernando Guerreiro, e dos autores das oito obras contempladas pela publicação, dentre outros convidados.

 

“O Selo João Ubaldo Ribeiro já está consolidado no campo literário de Salvador. Autores consagrados e novos autores lançam lado a lado suas obras. É um intercâmbio de experiências fantástico. E o público pode esperar obras que exploram e constroem universos que encantam, provocam e emocionam”, declara Guerreiro.

 

A edição dessa coleção foi realizada pela editora baiana Caramurê e tem como intuito fomentar a cadeia produtiva da literatura em âmbito local. Com 27 anos de tradição, a empresa se dedica quase exclusivamente à publicação de autores da Bahia, cuja consolidação no mercado editorial se pauta pela qualidade e design dos seus livros.

 

“O edital é importante para o estado, pois ele não só fomenta a produção literária, mas o mercado do livro. Este é um produto que gera emprego e movimenta a economia. Ter uma editora produzindo esses livros é muito importante, até porque livro sem editor é como uma peça de teatro sem diretor”, expõe o sócio da Caramurê, Fernando Oberlaender.

 

Segundo a prefeitura, além das obras entregues no dia do lançamento, as bibliotecas comunitárias e municipais de Salvador serão contempladas com a coleção. A Academia de Letras da Bahia, o Gabinete Português de Leitura e as embaixadas dos países lusófonos também receberão exemplares. Ainda neste segundo semestre de 2022, a FGM lançará o edital Selo João Ubaldo Ribeiro – Ano IV, que selecionará obras de escritores de Salvador para a publicação da coletânea.

 

Lançado em 2014, o Selo João Ubaldo Ribeiro é viabilizado por meio de edital público. A ação consiste em selecionar e publicar anualmente obras inéditas de autores soteropolitanos e/ou residentes em Salvador, nos gêneros Contos, Crônicas, Dramaturgia, Literatura Infantil, Poesia e Romance.

Lapa: Após 2 anos, Romaria do Bom Jesus volta a formato presencial
Foto: Reprodução / Notícias da Lapa

A tradicional Romaria do Bom Jesus da Lapa volta a ser presencial após dois anos. O evento religioso tem início nesta quinta-feira (28) e vai até o dia 6 de agosto. Segundo o Notícias da Lapa, a expectativa da prefeitura é que o evento atraia milhares de romeiros de todas regiões do país após restrições dos anos anteriores, devido à pandemia da Covid-19.

 

Esta será a 331ª edição da romaria que traz o tema "Bom Jesus, filho de Maria: caminho, verdade e vida". A romaria da Lapa, com 331 anos, é a maior da Bahia e considerada a terceira do país.

 

Em agosto, se comemora a Festa do Senhor Bom Jesus, cujo ápice é o dia 6 de agosto, chegando a atrair mais de 500 mil pessoas. 

Fernanda Keulla é internada com herpes zoster: 'Dores insuportáveis'
Foto: Reprodução/Instagram

A ex-BBB Fernanda Keulla apareceu em seu perfil no Instagram nesta segunda-feira (25) para contar aos seus seguidores que sumiu das redes sociais porque está internada há cinco dias com herpes zoster.

 

Fernanda explicou o que é o vírus e disse que a ansiedade e o estresse contribuiram em seu diagnóstico. 

 

“Desde quinta passada estou internada para controle de dor devido a herpes zoster. Pra quem não sabe, assim como eu não sabia, vale o alerta: a herpes zoster é causada pela reativação do vírus da varicela no organismo. A varicela é o vírus da catapora (que eu peguei na infância) que fica incubado no nervo”, explicou. 

 

A apresentadora disse que mesmo quando tiver alta médica, vai dar continuidade ao tratamento em casa.

 

“Devido a uma baixa imunidade do meu organismo, ansiedade, stress, o vírus da varicela foi reativado, me causando fortes dores (insuportáveis) e bolhinhas na pele. Já são 5 dias internada e após receber alta continuarei o tratamento em casa. Conto com as orações e paciência de vocês. Em nome de Jesus, já já estarei de volta. Com amor, Nanda”, finalizou.

 

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Sala Walter da Silveira exibe mostra do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro
Foto: Lucas Malkut / Funceb

A Sala de Cinema Walter da Silveira, no Complexo da Biblioteca Pública dos Barris, recebe até o dia 9 de agosto a mostra do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, realizado anualmente pela Academia Brasileira de Cinema com a finalidade de premiar os melhores filmes produzidos no país.

 

Neste ano, a mostra acontece em cinco estados: Bahia, Rio de Janeiro, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Sul. A entrada na Sala de Cinema Walter da Silveira é gratuita, mediante comprovação vacinal com no mínimo duas doses da vacina contra Covid-19. 


Confira a programação:

21/07 (Quinta)
16h30 – 8 PRESIDENTES 1 JURAMENTO – A HISTÓRIA DE UM TEMPO PRESENTE

 

22/07 (Sexta)
16h30 – MARIGHELLA

 

23/07 (Sábado)
14h – ALVORADA

 

24/07 (Domingo)
14h – CHACRINHA, EU VIM PARA CONFUNDIR E NÃO PARA EXPLICAR

 

27/07 (Quarta)
14h – DEPOIS A LOUCA SOU EU
16h30 – CINE MARROCOS

 

28/07 (Quinta)
16h30 – 7 PRISIONEIROS

 

29/07 (Sexta)
16h30 – DESERTO PARTICULAR

 

30/07 (Sábado)
16h30 – A ÚLTIMA FLORESTA

 

31/07 (Domingo)
14h – A SOGRA PERFEITA

 

02/08 (Terça)
16h30 – QUEM VAI FICAR COM MÁRIO?

 

03/08 (Quarta)
16h30 – UM CASAL INSEPARÁVEL

 

04/08 (Quinta)
16h30 – HOMEM ONÇA

 

05/08 (Sexta)
16h30 – MARIGHELLA

 

06/08 (Sábado)
16h30 – 8 PRESIDENTES 1 JURAMENTO – A HISTÓRIA DE UM TEMPO PRESENTE

 

07/08 (Domingo)
14h – O AUTO DA BOA MENTIRA

 

09/08 (Terça)
16h30 – ALVORADA

Domingo, 17 de Julho de 2022 - 16:00

Saiba como o caso Daniella Perez, lembrado em série, fez o Brasil parar diante da TV

por Guilherme Genestreti | Folhapress

Saiba como o caso Daniella Perez, lembrado em série, fez o Brasil parar diante da TV
Foto: Reprodução / GZH

Na virada dos anos 2000, Gloria Perez se viu embalando a urna com os restos mortais da filha, a atriz Daniella Perez, como se estivesse diante de um bebê. O corpo tinha sido exumado do túmulo, no cemitério São João Batista, na zona sul do Rio de Janeiro, depois que a sepultura foi violada e pichada com a frase "a morte não é o fim", não sem antes ter virado um ponto de peregrinação de gente que atribuía milagres à artista assassinada.
 

Ao abrir o caixão para a exumação, a roteirista diz que viu a moça intacta, exatamente como havia sido velada, aos 22 anos de idade, muito embora fossem evidentes, para todos ao redor, os sinais inquestionáveis da decomposição depois de sete anos da morte.
 

O evento, contado na minissérie "Pacto Brutal", é um dos muitos que acrescentam camadas insólitas a um enredo que já é insólito pela própria natureza —o assassinato de uma das mocinhas da novela das oito, levado a cabo pelo ator que era seu parceiro de cena, e com o detalhe essencial de que a vítima era filha da própria autora da trama. Isso tudo no país que tem na teledramaturgia o carro-chefe de sua indústria cultural, ainda mais naquela época.
 

O seriado documental estreia nesta quinta na HBO, na esteira do aniversário de 30 anos do caso, em dezembro deste ano. Além dele, a editora Record lança em breve o livro "Daniella Perez: Biografia, Crime e Justiça", em processo de finalização por Bernardo Braga Pasqualette, mesmo autor de "Me Esqueçam", sobre o ex-presidente Figueiredo.
 

Os dois se debruçam sobre as nuances de um crime que talvez seja o mais ruidoso do mundo da cultura brasileira —uma espécie de variante local do caso Charles Manson, não só pela crueldade de seus pormenores, mas também por ter vítima e algoz orbitando o mesmo universo do showbiz.
 

Não à toa, ofuscou até a renúncia de Collor, no mesmo dia.
 

"Muita gente se lembra de onde estava quando ouviu a notícia. Marcou o Brasil", diz Tatiana Issa, que divide a direção de "Pacto Brutal" com Guto Barra. Ela, no caso, era atriz e estava no ar na novela das sete "Deus nos Acuda", que também tinha no elenco Raul Gazolla, marido de Daniella Perez —que por sua vez era a revelação de "De Corpo e Alma", novela das oito escrita pela mãe dela, Gloria Perez.
 

A proximidade de Issa com o meio ajudou no acesso à roteirista e a globais e ex-globais, como Fábio Assunção, Cláudia Raia e Alexandre Frota, que destilam suas lembranças.
 

Além deles, a série traz ainda entrevistas de promotores, investigadores e parentes, que reconstituem a noite do crime e seus desdobramentos.
 

Para os brasileiros que talvez não tivessem nascido, a história é a seguinte —o corpo de Daniella Perez, atriz em ascensão na Globo, foi encontrado no matagal de uma então pouco adensada Barra da Tijuca, na noite de 28 de dezembro de 1992, com 18 perfurações, a maioria concentradas na região do coração. O relato de uma testemunha levou a polícia a Guilherme de Pádua, colega de elenco da vítima, e à mulher dele, Paula Thomaz.
 

Cada um dos dois foi condenado por homicídio qualificado a uma pena de quase 20 anos de prisão, após o júri popular acatar a tese da acusação de que o casal premeditou o crime —ela, por ciúmes do marido; ele, por vingança contra a autora da novela, já que seu papel na trama vinha sendo reduzido. O ator não queria deixar o romance da trama acabar, é o que defende a tese do seriado.
 

Os dois têm versões diferentes. Paula Thomaz nega que tenha participado do crime. Guilherme de Pádua, que em depoimentos à polícia assumira a culpa pelo crime, depois passou a sustentar a tese de que a sua então mulher, tomada de ciúmes pela relação dos dois parceiros de cena, é quem teria se atracado com Daniella Perez no matagal.
 

"Pacto Brutal" opta por não reconstituir o assassinato em si, nem a versão da acusação nem as versões da defesa, poupando o espectador do que há de mais de mórbido em obras do gênero "true crime", e prefere investir na força das descrições tiradas das entrevistas.
 

Gloria Perez relata a primeira visão que teve do corpo da filha, estirado e cercado de fotógrafos, e de como tentou fechar os olhos dela, em vão. Raul Gazolla, o viúvo, fala da "certeza de que temos alma", conclusão a que chegou depois que disse não ter reconhecido no cadáver aquela que havia sido sua mulher, como se o fundamental dela não estivesse mais ali no mato. Mais tarde, no enterro, ele teve um ataque, gritou e caiu em posição fetal, segundo os seus colegas de televisão.
 

Alexandre Frota e Cláudia Raia estavam entre os que foram à delegacia logo em seguida ao crime. Ela diz que viu um arranhão no braço de Guilherme de Pádua, ainda antes de ele ser indiciado, e estranhou. "Guardei para mim", conta.
 

Entre os capítulos igualmente insólitos dessa história, a série rememora como os atores da Globo fizeram um mutirão, interfonando a esmo em prédios da zona sul carioca à procura de um foragido Guilherme de Pádua, antes de ele se entregar finalmente. Ou de como Frota e Maurício Mattar é que tomaram a dianteira, subindo numa mureta para acalmar a multidão que se formou para acompanhar o enterro.
 

A ideia de um pacto é o que conduz a série, que tem por fio narrativo um longo depoimento de Gloria Perez. "Essa história ganhou várias versões na imprensa, mas a verdade nunca foi contada", diz Tatiana Issa, uma das diretoras da obra.
 

É o que explica por que, diz ela, nem os condenados nem seus advogados à época foram procurados pela produção.
 

"Foi uma decisão nossa, como documentaristas", diz Guto Barra, que divide a direção com ela. "Eles tiveram bastante espaço na imprensa para contar versões do crime, que não foram comprovadas. E, ao contrário do jornalismo tradicional, a gente acha que no documentário não precisaríamos ir para esse outro lado."
 

Não é o que pensa Paulo Ramalho, defensor de Guilherme de Pádua no julgamento, e que é retratado na série como um sujeito histriônico, disposto a causar tumulto. "Como arte, a série será um fracasso, mas como desabafo merece respeito", diz ele, a este repórter.
 

"Só não quero ser rufião da desgraça alheia", ele completa, evitando falar sobre o caso judicial que o projetou. A repercussão foi tanta que o levou a virar inspiração de personagem na "Escolinha do Professor Raimundo", o advogado Pedro Pedreira, que contestava até as verdades mais evidentes.
 

O fato de a produção não ter procurado os condenados nem os seus defensores foi aventado pela imprensa como explicação para a série ter ido parar na HBO, e não na Globo, onde seria mais natural, já que a emissora carioca não teria topado essas condições.
 

Procurada ao longo de um dia, a Globo não respondeu ao questionamento deste repórter. Os diretores negam que coisa do tipo tenha acontecido.
 

"A gente já tinha feito vários projetos na HBO e a coisa andou rápido lá", diz Issa. "E a Globo foi muito generosa em licenciar imagens de arquivo."
 

"Contar a verdade" é o mantra que os diretores entoam, por mais que o caso seja um cipoal de versões e contradições. Tampouco ajuda que jornalistas à época tenham contribuído para confundir o que se dava nas telas e fora delas.
 

"Há várias críticas que a gente traz na série, como a questão da culpabilização da vítima e o papel da imprensa", diz Issa.
 

Como mostra a produção, de repente não era mais Guilherme de Pádua quem era acusado de matar Daniella Perez, mas Bira é quem matara Yasmin —o nome dos personagens cravados nas manchetes.
 

No enredo de "De Corpo e Alma", Yasmin tinha um envolvimento com o explosivo motorista de ônibus Bira, embora o seu amor fosse Caio, vivido por Fábio Assunção, que deixava os papéis teen para encarar o galã. Ela era irmã da protagonista, Paloma, interpretada por Cristiana Oliveira.
 

Com a novela, que foi ao ar em agosto de 1992, Gloria Perez, discípula de Janete Clair, voltava à TV Globo e assumia a sua primeira trama das oito em voo solo. O enredo principal girava em torno de Paloma, que recebia o coração transplantado de outra mulher, Betina, grande amor de Diogo, papel de Tarcísio Meira. Os dois acabavam se apaixonando, numa narrativa que ainda tratava da ascensão dos góticos e do fenômeno dos clubes das mulheres, com strippers masculinos.
 

Daniella Perez, então com 22 anos, era filha da roteirista e uma jovem promessa que havia atuado em novelas como "Barriga de Aluguel" e "O Dono do Mundo" e, antes disso, em "Kananga do Japão", na Manchete —este último enredo se aproveitava de seus dotes de dançarina, que tinha no balé a sua grande paixão, e se tornou não só seu passaporte para a TV como a fez conhecer o futuro marido, Raul Gazolla.
 

"Wishing on a Star", na versão do grupo feminino Cover Girls, era a canção-tema de Yasmin na trama de "De Corpo e Alma" e ganhou uma onipresença mórbida nas rádios brasileiras após o crime.
 

Em outro dos vários aspectos que contribuíram para bagunçar os limites entre ficção e realidade, a música da novela aparecia sempre que os telejornais falavam do crime.
 

Ela dá as caras tanto no capítulo da novela em que os atores quebravam a quarta parede para se despedir da atriz, cuja personagem tinha ido viajar na trama, quanto na reportagem em que a jornalista Ilze Scamparini desce uma escada cenográfica para reproduzir a última cena gravada por Daniella Perez antes de morrer.
 

O título da música, aliás, era a primeira proposta, depois descartada, para dar nome ao livro que Bernardo Braga Pasqualette está terminando sobre o caso, hoje rebatizado de "Daniella Perez: Biografia, Crime e Justiça", da editora Record.
 

"Foi o crime que marcou a nossa geração", diz ele, que tinha nove anos na época. Em 1997, o então adolescente tentou acompanhar o julgamento de Paula Thomaz, mas foi barrado, o que não dissuadiu o hoje advogado de, há 30 anos, colecionar recortes e anotações que embasam a sua obra, que inclui uma biografia da atriz.
 

Ele tentou falar com Gloria Perez, Guilherme de Pádua e Paula Thomaz, mas as conversas "não evoluíram". "Tudo bem, faz parte da liberdade de expressão", ele afirma.
 

Segundo Guto Barra, diretor de "Pacto Brutal", o fato de muitos brasileiros não terem cristalizada na memória a versão consagrada pelo julgamento têm muito a ver com a "coisa imagética" em torno do assassinato, isto é, o intercâmbio entre ficção e realidade que embalou o caso desde o início.
 

"Tinha a imagem dos dois juntos na novela", diz o documentarista. "Até hoje tem gente que acha que eles tinham um caso. Essa influência do poder da imagem criou ruídos na história toda. Você acaba entrando no território da fantasia."
 

Numa polêmica não contada na série, J. R. Duran chegou a fotografar uma modelo num capinzal para um catálogo de 1997 da grife Ellus. A semelhança da pose com a forma como o corpo de Daniella foi achado enfureceu a mãe da atriz.
 

A culpa em grande parte é da imprensa, dizem os diretores, muito embora a série documental também gaste uns bons minutos explorando aspectos que são laterais e que dizem mais respeito a preconceitos em voga do que ao crime.
 

É o caso de quando o seriado resolve se debruçar sobre o passado dos condenados, com detalhes picantes que tinham feito a festa do jornalismo sensacionalista dos anos 1990.
 

Guilherme de Pádua é pintado como um carreirista que causava confusão já nos bastidores de "Blue Jeans", musical que causou um estouro na virada dos anos 1980 para os 1990 com sua história sobre michês.
 

Wolf Maya, diretor do espetáculo, fala em "Pacto Brutal" de como conheceu o jovem vindo de Belo Horizonte numa moto. Fábio Assunção, que estava no elenco, se recorda de um soco cênico que o ator acabou desferindo de verdade.
 

Antes de entrar na Globo, Guilherme de Pádua faria um papel semelhante de garoto de programa em "Via Appia", filme alemão sobre o submundo da prostituição masculina nas saunas de Copacabana, e participaria do show de strip-tease que a travesti Eloína dos Leopardos mantinha na Galeria Alaska, conhecido point gay no bairro da zona sul carioca.
 

Já Paula Thomaz é pintada como uma encrenqueira que já havia brigado por ciúmes do marido na Galeria Alaska e que idolatrava entidades místicas que estariam por trás de um suposto sacrifício ritual do qual Daniella Perez foi vítima. Não à toa, diz a série, amparada por uma ocultista, ela morreu em noite de lua cheia.
 

É fato que Guilherme de Pádua havia declarado ter um guia espiritual e que um exame constatou que as perfurações no corpo da atriz indicavam o uso de um punhal, nunca encontrado, e não de tesoura, como argumentado pelos réus. Mas fica a dúvida se trazer à luz dados como esse não diz mais respeito a preconceitos da época do que ao assassinato em si da atriz da Globo.
 

Bernardo Braga Pasqualette, o autor, diz que "é injusto fazer associações entre a vida dos acusados e o crime". "As pessoas têm de responder pelo que fizeram e não por outras coisas", diz, acrescentando que homofobia, dirigida a Pádua, sexismo, a Thomaz, e preconceito contra religiões de matriz africana, dirigido a ambos, sempre pairaram em torno do caso. "Houve uma espetacularização do passado deles."
 

De toda forma, dizem os diretores, algum tipo de pacto entre o casal condenado havia. "As tatuagens genitais eram um indício", diz Tatiana Issa, se referindo ao laudo que constatou que Pádua tatuou o nome de Thomaz em seu pênis, e que ela tatuou o nome dele em sua vulva antes do crime.
 

Outro ponto longe de ser unânime e que é tratado na série "Pacto Brutal" diz respeito à alteração da Lei dos Crimes Hediondos, que na narrativa é apresentada como uma vitória da sociedade contra a impunidade no país.
 

De fato, após o assassinato de Daniella Perez, sua mãe encampou uma campanha pela inclusão do homicídio qualificado na Lei dos Crimes Hediondos, que já estava em vigor.
 

Nos meses seguintes, Gloria conseguiu ajudar a juntar mais de 1,3 milhão de assinaturas em prol dessa iniciativa e, acompanhada de uma comitiva de globais, as entregou pessoalmente no Congresso e o projeto acabou aprovado.
 

Na prática isso significou endurecer a punição a pessoas condenadas por esse crime. Só que não é consenso entre juristas e criminólogos que o endurecimento de penas seja assim o melhor remédio para coibir a criminalidade, sobretudo quando fruto de um caso de comoção popular.
 

Em editorial da época intitulado "Justiça, sim, vingança, não", por exemplo, este jornal criticou a iniciativa, que corrobora parecer de uma parte considerável do mundo jurídico. "Alegações de que a legislação é benevolente em relação aos crimes contra a vida humana são dignos de quem jamais abriu o Código Penal", diz o texto. "A discussão é importante e deve ser travada, mas em clima de serenidade e com absoluto rigor técnico, jamais sob o jugo da emoção, sempre uma má conselheira."
 

Em liberdade, Paula Thomaz hoje usa outro nome e não fala com a imprensa. Guilherme de Pádua, também solto após cumprir parte da pena em regime fechado, já concedeu entrevistas e fez algumas aparições públicas, como em atos pró-Bolsonaro em Brasília. Hoje pastor batista em Belo Horizonte, a sua cidade natal, ele foi procurado pela reportagem, mas não respondeu até o encerramento da edição.
 

Em vídeo em seu canal no YouTube, ele comenta o frisson em torno da série e diz que, ao contrário do que saiu em jornais, não se afastou das redes sociais por causa dela, mas antes disso. "Fiz a pedido de um pastor que me aconselha e me orienta", diz ele
 


 

PACTO BRUTAL - O ASSASSINATO DE DANIELLA PEREZ
 

Onde: minissérie em cinco episódios disponíveis a partir de quinta (21), no HBO Max
 

Classificação: 16 anos
 

Produção: Brasil, 2022
 

Direção: Tatiana Issa e Guto Barra
 


 

 

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VÍDEO: Tayara Andreza deixa o palco por não mandar ‘alô’ para prefeito de Tracunhaém

A cantora Tayara Andreza passou por um momento delicado no município de Tracunhaém, na Zona da Mata de Pernambuco, na madrugada deste domingo (3). A artista, que é um dos nomes do brega pernambucano, teve que deixar o palco, porque em sua apresentação, se esqueceu de mandar um “alô” para o prefeito da cidade, Irmão Aluizio (PL).

 

Ao público, antes de sair do palco, Tayara falou: "Teríamos muitas músicas pela frente. Mas o pessoal da Prefeitura pediu pra gente encerrar o show. O prefeito e não sei lá quem ficou com raiva porque eu não estava mandando 'alô'", apontou. 

 

Nas redes sociais, a artista comentou sobre o tratamento que recebeu na cidade: "Não botaram um papel no palco para eu ler o nome do prefeito! As duas vezes que me deram [o celular] eu li, mas não tenho como adivinhar o nome dele, que não gostou de eu não ter chamado. (...) Todo show eu mando alô, não tenho problema com isso", disse.

 

Segundo Tayara, o constrangimento não parou por aí, pois após deixar o palco, ela perdeu o acesso ao camarim e os músicos da banda foram atingidos por spray de pimenta pela equipe da prefeitura.

 

Até o momento, a gestão municipal não se posicionou sobre o ocorrido.

 

Atualmente, a dona do hit "A Atual do meu Ex", possui mais de 1 milhão de seguidores do Instagram e tem feito sucesso na carreira solo desde 2016.

Sábado, 02 de Julho de 2022 - 13:05

Secretária de Cultura do estado conclama união contra 'desgoverno Bolsonaro'

por Leonardo Almeida / Francis Juliano

Secretária de Cultura do estado conclama união contra 'desgoverno Bolsonaro'
Foto: Leonardo Almeida / Bahia Notícias

A secretária de Cultura do Estado, Arany Santana, também engrossou o coro a favor de Lula e de Jerônimo Rodrigues. A secretária usou o microfone em evento de apoio ao ex-presidente que acontece neste sábado (2) na Arena Fonte Nova, em Salvador, e discursou. Segundo ela, é preciso defender o país do que chamou de "desgoverno de Bolsonaro".

 

"Esse é o exato momento de dar um pontapé inicial, de construir juntos e juntas os novos rumos da Bahia e do Brasil, com Jerônimo, Geraldo [Júnior], Otto, Alckmin e Lula. Nós estamos aqui para lutar contra todos os desmontes do patrimônio brasileiro que vêm sendo promovidos pelo desgoverno Bolsonaro. Precisamos defender a Petrobras, a Eletrobras, os Correios, os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras, dos povos e comunidades tradicionais, dos povos indígenas e da nossa querida Amazônia. Hoje é dia de união, de juntar a militância, de ouvir o presidente Lula, de unir forças e esperanças para seguirmos em frente, de cabeça erguida e rumo à vitória", declarou Santana.

Sábado, 02 de Julho de 2022 - 11:43

Presidente da Bahiatursa acredita que não há tempo para novo circuito do carnaval em 23

por Gabriel Lopes / Francis Juliano

Presidente da Bahiatursa acredita que não há tempo para novo circuito do carnaval em 23
Foto: Gabriel Lopes / Bahia Notícias

O presidente da Superintendência de Fomento ao Turismo do Estado da Bahia [Bahiatursa], Diogo Medrado, declarou que ainda é cedo para se estabelecer um novo circuito do carnaval de Salvador já para o ano que vem. A mudança tem gerado discussões (ver aqui, aqui e aqui) Medrado esteve neste sábado (2) no Desfile do Dois de Julho.

 

Ao Bahia Notícias, o titular da superintendência disse que a alteração se chocaria com os preparativos já encaminhados pela indústria que vive da festa .

 

“Eu acho que para 2023 está muito em cima. Você tem uma rede hoteleira no circuito do carnaval que já vendeu pacote, já se programou. Alguns fizeram reforma. Espaços de camarote já colocaram recurso na frente para poder segurar espaços. Então, acho que se poderia fazer um evento teste em 2023, e aí pensar nessa mudança. Esta é a minha opinião quanto a isso”, avaliou.

 

SÃO JOÃO

Diogo Medrado avaliou também como positiva o retorno das festas de São João no estado, sobretudo na capital baiana.  “Muito positivo. Hoje é último dia dos nossos festejos juninos em Salvador. Foram quatro circuitos, Paripe, Pelourinho, Parque de Exposições e Periperi, com o concurso de quadrilhas. Ontem, a gente teve de fechar os portões antes do esperado, às 21h30. Hoje temos mais dez atrações para alegrar turistas e baianos”, completou.

Corra pro Abraço faz pré-lançamento de curta na Sala Walter da Silveira
Foto: Divulgação

Pautado na política de redução de danos para pessoas com uso nocivo de drogas em situação de vulnerabilidade social, o Corra pro Abraço lança, nesta quinta-feira (30), às 15h, o documentário que conta a história do programa (saiba mais aqui). A sessão acontece no Sala Walter da Silveira, nos Barris. 

 

O evento é restrito a um grupo de convidados, que compreende a equipe do programa, assistidos e a rede de serviços que atuam em conjunto na cidade de Salvador.

 

O documentário "Corra pro Abraço - Ação Pública de Redução de Danos e Garantia de Direitos para Populações Vulneráveis" foi realizado pela Saturnema Filmes, produtora de cinema protagonizada por jovens negros de Salvador.

 

O pré-lançamento, segundo o programa, acontece nesta quinta, mas o filme só entrará em cartaz depois das eleições, em respeito à legislação eleitoral.

Maior veículo baiano no Facebook, BN chega a 350 mil seguidores no Instagram
Foto: Reprodução/ Instagram

O Bahia Notícias alcançou, nesta semana, a marca de 350 mil seguidores no Instagram. Trazendo as principais notícias da Bahia, do Brasil e do Mundo, no nosso perfil você tem a certeza de uma apuração com credibilidade e respeito, e que também garante o acesso às informações mais relevantes de forma ágil, na palma da mão.

 

O BN é o maior veículo de comunicação do estado no Facebook, com mais de 1,17 milhão de seguidores. São quase 350 mil seguidores a mais do que o segundo colocado, de acordo com a ferramenta Crowdtangle.

 

Você ainda pode acompanhar conteúdos exclusivos do Bahia Notícias no Youtube, incluindo o Bargunça Podcast. Na ferramenta de vídeos, são mais de 12 mil seguidores. Já no Twitter, as 334 mil contas que nos acompanham podem acessar rapidamente as nossas matérias.

 

No Instagram, nosso alcance vai muito além dos 350 mil que nos seguem. Mesmo sem anúncios pagos, nossa conta principal no Instagram atingiu quase 600 mil pessoas nos últimos 30 dias. Isso demonstra nossa capacidade de engajamento e projeção a partir do compartilhamento do nosso conteúdo pelos nossos seguidores. Nossas impressões (número de vezes que um post ou o perfil apareceu na tela dos usuários) também só crescem, chegando a quase 24 milhões nos últimos 30 dias.

 

Sediada em Salvador, a redação do BN alcança muitas pessoas na capital baiana, mas nossa abrangência chega a todo o estado. Feira de Santana, Lauro de Freitas e Camaçari estão entre as cidades em que temos mais seguidores. Fora do estado, nossa audiência também tem destaque em São Paulo. Fora do Brasil, nós também temos seguidores em países como Estados Unidos, Portugal e Itália.

 

E, além da nossa conta principal, você também pode seguir os outros perfis especializados do Bahia Notícias:

 

  • BN Hall: No @bnhall_ você tem acesso a tudo que acontece na sociedade baiana, incluindo novidades na gastronomia e no turismo do estado.
  • BN Justiça: O @bnjustica traz todas as informações do Judiciário baiano e brasileiro, com a apuração de Cláudia Cardozo liderando os conteúdos na nossa coluna especializada.
  • Mais BN: É no @_maisbn que você tem acesso às notícias de Entretenimento do Bahia Notícias. O que mais rendeu na nossa coluna Holofote, informações sobre shows.
Segunda, 20 de Junho de 2022 - 19:04

'Estão antecipando um debate', diz Bruno Reis sobre mudança do Carnaval

por Leonardo Costa / Leonardo Almeida

'Estão antecipando um debate', diz Bruno Reis sobre mudança do Carnaval
Foto: Leonardo Costa/Bahia Notícias

Questionado sobre o projeto de mudança do circuito do Carnaval da Barra para Pituaçu, o prefeito de Salvador, Bruno Reis (UNIÃO), afirmou que o plano ainda está em fase de elaboração e que a prefeitura se decidirá sobre a modificação no “momento certo”. O chefe do executivo participou do evento de entrega da requalificação da Praça Conselheiro Almeida Couto, em Nazaré, nesta segunda-feira (20).

 

"Ainda não tem projeto, está sendo elaborado. Estão antecipando um debate e nem é o melhor momento, isso surgiu a partir de uma provocação de quem realiza o Carnaval e a prefeitura vai debruçar sobre isso. No momento certo nós vamos decidir", afirmou Bruno Reis.

 

O prefeito afirmou que o edital para a realização da licitação para o novo trecho da orla de Pituaçu estará disponível a partir desta quarta-feira (22). "A minha parte que é fazer as intervenções viárias e requalificar mais um trecho da orla nós vamos fazer”, completou

 

Na semana passada, o presidente da Câmara Municipal de Salvador, Geraldo Jr (MDB), afirmou que as mudanças no circuito devem passar pela casa legislativa e citou que os membros da Comissão do Carnaval devem ser informados para que sejam orientados sobre o tema (veja aqui).

Sábado, 18 de Junho de 2022 - 10:00

Chico Buarque anuncia turnê com shows em Salvador e mais 10 cidades

por Folhapress

Chico Buarque anuncia turnê com shows em Salvador e mais 10 cidades
Fotoo: Francisco Proner/Divulgação

Após anos dedicados à literatura, Chico Buarque se voltou de novo à música e anunciou a turnê "Que Tal um Samba", também nome da música que o artista lançou nesta sexta (17), por 11 cidades brasileiras.
 

A agenda do compositor pelo Brasil inicia em setembro em João Pessoa e, depois de percorrer Natal, Curitiba, Belo Horizonte, Recife, Fortaleza, Porto Alegre, Salvador e Brasília, chega ao Rio em Janeiro e a São Paulo em março do ano que vem.
 

No show, Chico terá no palco a companhia de Mônica Salmaso, que já gravou dois discos dedicados à sua obra ("Noites de Gala, Samba na Rua", em estúdio e ao vivo) e fará números solo e duetos com ele, em todas as apresentações da turnê.
 

Abaixo, veja a lista de cidades que fazem parte da turnê e como comprar ingressos para os shows.
 

*
 

JOÃO PESSOA
 

6 e 7 de setembro, no Teatro Pedra do Reino
 

Ingressos em bilheteriavirtual.com.br
 


 

NATAL
 

9 e 10 de setembro, no Teatro Riachuelo
 

Ingressos em uhuu.com
 


 

CURITIBA
 

23 e 24 de setembro, no Teatro Guaíra
 

Serviço de vendas será anunciado em breve
 


 

BELO HORIZONTE
 

5, 6, 7 e 8 de outubro, no Palácio das Artes?
 

Serviço de vendas será anunciado em breve
 


 

FORTALEZA
 

22 e 23 de outubro, no Centro de Eventos do Ceará
 

Ingressos em bilheteriavirtual.com.br
 


 

PORTO ALEGRE
 

3 e 4 de novembro, no auditório Araújo Vianna
 

Ingressos em uhuu.com
 


 

SALVADOR
 

11, 12 e 13 de novembro, na Concha Acústica
 

Ingressos em bilheteriavirtual.com.br
 


 

BRASÍLIA
 

29 e 30 de novembro; local a ser anunciado
 

Serviço de vendas será anunciado em breve
 


 

RECIFE
 

8, 9 e 10 de dezembro, no Teatro Guararapes
 

Serviço de vendas será anunciado em breve
 


 

RIO DE JANEIRO
 

5 a 15 de janeiro, no Vivo Rio
 

Ingressos em www.vivorio.com.br
 


 

SÃO PAULO
 

2 a 12 de março e de 23 de março a 02 de abril, no Tokio Marine Hall
 

Serviço de vendas será anunciado em breve
 


 


 


 


 

 

Mãe Ana de Xangô toma posse nesta quinta do Terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, em Salvador
Foto: Reprodução / Arquivo Pessoal

A iyalorixá Mãe Ana de Xangô toma posse do Terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, no bairro do Cabula, em Salvador, nesta quinta-feira (16). Iniciada há mais de 20 anos no candomblé dentro do mesmo terreiro, Ana Verônica Bispo dos Santos foi escolhida iyalorixá em dezembro de 2019, após jogo de búzios feito pelo babalorixá Balbino Daniel de Paula, informou o G1.

 

A posição de iyalorixá é a mais alta do terreiro. Ela é responsável por comandar o terreiro, alimentar a casa, e fazer todas as obrigações religiosas. Mãe Ana de Xangô sucede a Casa antes comandada por Mãe Stella de Oxóssi, que dirigiu o local por mais de quatro décadas.

 

Mãe Stella morreu em dezembro de 2018 em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano, devido a uma infecção (lembre aqui). Na ocasião, o terreiro ficou fechado por um ano por conta do resguardo e luto. Apenas rituais de axexê – que são as obrigações religiosas fúnebres – eram realizados.

 

O tempo é usado para que a casa se despeça do egum, como são chamados os espíritos de pessoas falecidas, no candomblé. No ano de luto quem esteve à frente do terreiro foi o conselho religioso do Opô Afonjá, liderado por Mãe Ditinha de Yemanjá. Ela é Iyakekerê, a Mãe Pequena do Opô Afonjá, e a segunda pessoa mais importante do terreiro.

Terça, 14 de Junho de 2022 - 14:00

'Marighella' domina indicações ao Grande Prêmio do Cinema Brasileiro

por Folhapress

'Marighella' domina indicações ao Grande Prêmio do Cinema Brasileiro
Foto: Divulgação

A Academia Brasileira de Cinema e Artes Audiovisuais divulgou nesta terça-feira (14) a lista dos finalistas à 21ª edição do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro. A cerimônia, que acontece na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro, em 10 de agosto, terá transmissão ao vivo pelo Canal Brasil, YouTube e Instagram.
 

Neste ano, a lista reúne 200 profissionais indicados, 17 longas-metragens brasileiros e 10 longas estrangeiros, além de curtas, produções ibero-americanas e séries de televisão ou do streaming.
 

Concorrendo a 17 prêmios, "Marighella", filme dirigido por Wagner Moura sobre o guerrilheiro homônimo que lutou contra a ditadura militar, foi o título mais lembrado pelos votantes, seguido por "O Silêncio da Chuva", de Daniel Filho, com 11 indicações, e "7 Prisioneiros", de Alexandre Moratto, e "Veneza", de Miguel Falabella, com 9 cada um.
 

Confira abaixo os indicados nas principais categorias. A lista completa de indicações está disponível no site da Academia Brasileira de Cinema.
 


 

MELHOR LONGA-METRAGEM FICÇÃO
 

"7 Prisioneiros"
 

"Depois a Louca Sou Eu"
 

"Deserto Particular"
 

"Homem Onça"
 

"Marighella"
 


 

MELHOR LONGA-METRAGEM COMÉDIA
 

"A Sogra Perfeita"
 

"Depois a Louca Sou Eu"
 

"O Auto da Boa Mentira"
 

"Quem Vai Ficar com Mário?"
 

"Um Casal Inseparável"
 


 

MELHOR LONGA-METRAGEM DOCUMENTÁRIO
 

"8 Presidentes, 1 Juramento - A História de um Tempo Presente"
 

"A Última Floresta"
 

"Alvorada"
 

"Chacrinha, Eu Vim para Confundir e Não para Explicar"
 

"Cine Marrocos"
 


 

MELHOR LONGA-METRAGEM INFANTIL
 

"Turma da Mônica - Lições"
 

"Um Tio Quase Perfeito 2"
 


 

MENÇÃO HONROSA - LONGA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO
 

"Bob Cuspe - Nós Não Gostamos de Gente"
 


 

MELHOR DIREÇÃO
 

Alexandre Moratto, por "7 Prisioneiros"
 

Aly Muritiba, por "Deserto Particular"
 

Anna Muylaert e Lô Politi, por "Alvorada"
 

Daniel Filho, por "O Silêncio da Chuva"
 

Daniel Rezende, por "Turma da Mônica - Lições"
 

Luiz Bolognesi, por "A Última Floresta"
 


 

MELHOR PRIMEIRA DIREÇÃO DE LONGA-METRAGEM
 

Camila Freitas, por "Chão"
 

Cesar Cabral, por "Bob Cuspe - Nós Não Gostamos de Gente"
 

Déo Cardoso, por "Cabeça de Nêgo"
 

Iuli Gerbase, por "A Nuvem Rosa"
 

Madiano Marcheti, por "Madalena"
 

Wagner Moura, por "Marighella"
 


 

MELHOR ATRIZ
 

Adriana Esteves, por "Marighella"
 

Andreia Horta, por "O Jardim Secreto de Mariana"
 

Débora Falabella, por "Depois a Louca Sou Eu"
 

Dira Paes, por "Veneza"
 

Marieta Severo, por "Noites de Alface"
 


 

MELHOR ATOR
 

Antonio Saboia, por "Deserto Particular"
 

Bruno Gagliasso, por "Marighella"
 

Chico Diaz, por "Homem Onça"
 

Irandhir Santos, por "Piedade"
 

Seu Jorge, por "Marighella"
 


 

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
 

Bárbara Paz, por "Por que Você Não Chora?"
 

Bella Camero, por "Marighella"
 

Carol Castro, por "Veneza"
 

Claudia Abreu, por "O Silêncio da Chuva"
 

Zezé Motta, por "Doutor Gama"
 


 

MELHOR ATOR COADJUVANTE
 

André Abujamra, por "7 Prisioneiros"
 

Augusto Madeira, por "Acqua Movie"
 

Danton Mello, por "Um Tio Quase Perfeito 2"
 

Emilio de Mello, por "Homem Onça"
 

Humberto Carrão, por "Marighella"
 

Luiz Carlos Vasconcelos, por "Marighella"
 

Rodrigo Santoro, por "7 Prisioneiros"
 


 

MELHOR FILME IBERO-AMERICANO
 

"A Noite do Fogo"
 

"Aranha"
 

"Coração Errante"
 

"Ema"
 

"Um Crime em Comum"
 


 

MELHOR FILME INTERNACIONAL
 

"Druk - Mais uma Rodada"
 

"Duna"
 

"Meu Pai"
 

"Nomadland"
 

"Summer of Soul (... ou, Quando a Revolução Não Pôde Ser Televisionada)"
 

 

Domingo, 12 de Junho de 2022 - 09:40

De Caetano a Malu Mader, artistas pedem buscas por desaparecidos no AM

por Jairo Malta | Folhapress

De Caetano a Malu Mader, artistas pedem buscas por desaparecidos no AM
Foto: Reprodução / Facebook Caetano Veloso

Artistas começam a se manifestar publicamente pedindo respostas sobre o caso do jornalista britânico Dom Phillips, colaborador do jornal The Guardian, e do indigenista Bruno Pereira, membro da ONG Unijava e servidor em licença da Funai (Fundação Nacional do Índio), ambos desaparecidos na Amazônia (ver mais aqui).
 

Iniciada por Caetano Veloso em show no Rio de Janeiro nesta quarta (9), a lista teve acréscimo do nome de Malu Mader neste sábado (11). Em um vídeo compartilhado pela jornalista Eliane Brum no Twitter, ela aparece pedindo que as autoridades trabalhem com máxima urgência para encontrar a dupla. "Estou aqui para pedir ao governo brasileiro que se empenhe nas buscas", afirma a atriz.
 

Foto: Reprodução / Twitter

Além dela, a atriz Cláudia Abreu pediu o mesmo em outro vídeo na mesma rede social. Lá também, Dira Paes, Camila Pitanga e Paola Oliveira marcaram as contas oficiais do Governo Federal, do Ministério da Defesa e da Polícia Federal em um postagem com a pergunta "cadê Bruno e Dom?".
 

A cantora Zélia Duncan comentou em um vídeo que "o inimigo está no poder e uma das metas é a destruição", exigindo que os desaparecidos sejam encontrados.
 

O jornalista Juca Kfouri, colunista da Folha de S.Paulo, afirmou em vídeo que achar o jornalista e o indigenista é uma questão de honra para o país. Também colunista da casa, Gregório Duvivier afirmou que o presidente Jair Bolsonaro não está fazendo nada para encontrar os desaparecidos.
 

Enquanto palestrava na Feira do Livro, que acontece no Estádio do Pacaembu, região oeste de São Paulo, o ambientalista e escritor Ailton Krenak comentou o caso. "Dois cidadãos foram desaparecidos na Amazônia agora, vocês sabem?", disse ele, em meio a críticas à exploração predatória da região. "Foram abduzidos. E num trecho de floresta em que os nossos parentes são capazes de localizar até mesmo um mico."

Bienal do Livro da Bahia retorna a Salvador em seis dias de evento
Foto: Max Haack / Secom

A Bienal do Livro Bahia retornará a Salvador entre 10 e 15 de novembro, no Centro de Convenções Salvador, no bairro da Boca do Rio. Segundo o G1, a festa literária volta a ser feita na capital baiana após ter sido adiada em 2020 devido à pandemia da Covid-19. Quem fará o evento é a GL events, mesmo grupo que realiza a Bienal Internacional do Livro Rio.

 

São esperadas as principais editoras do mercado, autores e formadores de opinião em uma programação cultural extensa e para variados públicos. A previsão dos organizadores é que a Bienal receba cerca de 100 mil pessoas durante os seis dias de evento.

 

O Café Literário – cartão de visitas da Bienal – terá programação desenhada pela baiana Joselia Aguiar, autora de “Jorge Amado – Uma Biografia”, título vencedor do Prêmio Jabuti. Aguiar, que também é jornalista, já esteve à frente da curadoria da Feira Literária Internacional de Paraty (FLIP), em 2017 e 2018, e também da direção da Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo, entre 2019 e 2021.

 

A programação também dará conta do interesse dos jovens, com a participação de nomes da cultura pop para debater sobre temas atuais. Esse espaço terá curadoria do jornalista Schneider Carpeggiani, doutor em Teoria Literária, que também foi curador de eventos como a Bienal do Livro de Pernambuco e Festival de Literatura do Recife. Atualmente, ele atua como editor do Suplemento Pernambuco e do selo Suplemento Pernambuco.

 

Já a jornalista, roteirista, produtora cultural e diretora audiovisual Mira Silva vai se dedicar a um espaço destinado aos pequenos leitores, com uma série de atividades lúdicas que aproximam as crianças do universo da literatura. Mira Silva é curadora também da Fliquinha – Festa Literária Internacional de Cachoeira, no Recôncavo. 

Sexta, 10 de Junho de 2022 - 00:00

'Rouanet baiana', Fazcultura não emplacou nem metade dos recursos em 2021

por Bruno Leite

'Rouanet baiana', Fazcultura não emplacou nem metade dos recursos em 2021
Foto: Fernando Vivas/GOVBA

Exatos R$ 5,09 milhões foram revertidos para a cultura baiana pela iniciativa privada através do Programa Estadual de Incentivo ao Patrocínio Cultural (FazCultura) em 2021. A quantia, apesar de milionária, representa apenas um terço do teto anual de R$ 15 milhões garantido pela legislação.

 

O campo não consegue chegar perto da cifra máxima desde 2014, quando iniciativas conseguiram captar cerca de R$ 14,9 milhões. Desde então, a série de execuções foi ficando cada vez menor, com outro único pico em 2016, ano em que a marca de R$ 13,4 milhões foi alcançada.

 

Em 2020, auge da pandemia que abalou diretamente o setor, apenas R$ 1,78 milhão foi injetado pelas empresas através da política de fomento, que oferece renúncia fiscal do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) a apoiadores.

 

O mecanismo, bem parecido com as leis incentivo cultural do governo federal (antiga Rouanet) e municipal (Viva Cultura), beneficia as empresas que patrocinam os projetos realizados no estado com até 80% do valor total.

 

A conta parece simples: o setor privado apoia e o governo deixa de arrecadar grande parte do que foi investido. Mas a conta tem outros fatores, como o crivo de comissões, contrapartidas sociais e a boa vontade de empresas em promover ações que direcionem recursos para essa finalidade.

 

"A aprovação de um projeto na lei de incentivo é na verdade o passo mais simples porque se um projeto é artisticamente e tecnicamente viável, ele é facilmente aprovado pelas comissões de avaliação", ressalta o produtor cultural Romário Almeida, membro do Conselho Municipal de Política de Cultural de Salvador (CMPC). 

 

Segundo ele, o gargalo começa com a relação desequilibrada entre atividades que têm o aval e as que conseguem efetivar o patrocínio: "Uma vez que o projeto é aprovado na lei de incentivo, é responsabilidade do proponente buscar um patrocinador na iniciativa privada que tenha interesse".

 

E a tarefa de convencimento recai sobre os realizadores, que buscam setores de comunicação e marketing de devedoras de tributos a fim de definirem que o saldo será pago de outra maneira ao Estado.

 

"Elas não patrocinam apenas pelo fato de que é importante estimular a cultura. Há uma apropriação dessa ferramenta, sobretudo, por um retorno de imagem", relata Romário, ao dizer que há uma dificuldade em acessar estes espaços empresariais.

 

De acordo com ele, uma eventual intervenção do governo para promover encontros entre as duas pontas da indústria "não é vista com bons olhos", uma vez que o ente não tem esta função de captador e a movimentação poderia prejudicar a autonomia dos agentes.

 

Ao todo, 25 atividades puderam receber o patrocínio da iniciativa privada no último ano. Todas elas, antes de receber o carimbo da Secretaria de Cultura da Bahia (Secult) e depois da Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz), órgãos que fazem a gestão compartilhada do Fazcultura.

 

No raio de beneficiários estão desde filmes e livros até peças de teatro, festivais de música e dança, gravações de discos, premiações e outras manifestações.

 

Responsável pela coordenação do programa, Neusa Martins explica que, na perspectiva da articulação, o poder público vem cumprindo uma posição de não intervir diretamente na relação entre partes. "O que a gente vem tentado fazer é agendar encontros para que essas pessoas possam dialogar", disse.

 

Martins conta que a Secult deve, a partir do segundo semestre, colocar em curso uma ação para que proponentes e patrocinadores apresentem suas ideias. A mobilização conta com o apoio da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), que aglutina gestores das principais fábricas baianas.

 

O intuito seria o de ganhar mais apoio. Em 2021, apenas dez razões sociais apoiaram os 25 projetos com pareceres concedidos (veja lista completa aqui). No ano de 2014, mais de 30 empresas apoiavam atividades culturais no estado (confira aqui).

 

"De 2015 até o momento que estamos vivendo, nós sabemos, há uma crise política e econômica no país que vem impactando muitos campos, principalmente na cultura. De 2020 para cá o impacto foi ainda maior", destaca a coordenadora ao tratar sobre a situação. 

 

Ela explica que, quando aprovado pela comissão, o projeto tem o aval para captar durante dois anos. No período citado, o Fazcultura se propôs a cumprir o desafio de atender pelo menos 50% da execução orçamentária. 

 

Não há impeditivos para que as empresas que contribuam com o ICMS apliquem os recursos em atividades de outras cidades, por exemplo, mas o fator é mais uma barreira na conta, pelo que observa a categoria.

 

Gilmar Dantas, produtor do Festival Suíça Bahiana, em Vitória da Conquista, reclama da concentração dos patrocínios: "Para quem é do interior, há toda dificuldade. Vitória da Conquista não capta pelo Fazcultura desde 2012. Tem dez anos que o Fazcultura não chega aqui, e estou falando da terceira maior cidade da Bahia, imagina os outros 400 municípios fora da Região Metropolitana de Salvador".

 

Editais descentralizados têm sido uma saída para a classe. Através deles, as empresas abrem chamadas para que proponentes se inscrevam. "A única forma de chegar é através de editais específicos", descreveu, explicando que a última captação do município aconteceu junto a uma operadora de celular.

 

O formato também é apoiado pela coordenação do programa, representada por Neusa Martins, defendendo que até 2015, quando o regulamento foi atualizado, "a captação descentralizada não tinha tanta evidência".

 

Um ponto de concordância entre os entrevistados é de que a política, apesar de ter redutores no caminho, abarca expressões diversas dentro do terreno das artes e da cultura, principalmente depois da pandemia, e oferece uma garantia de que não haverá um superfaturamento de cachês, da maneira que foi revelado pela chamada "CPI do Sertanejo" (saiba mais aqui)

 

"A partir do momento que o direcionamento passa para as redes sociais e outras tecnologias, há uma mudança de estratégia. Não é uma coisa que conflite com a outra. As linguagens mais tradicionais da cultura também têm se aproximado muito desse ambiente, tentando disputar esse espaço para garantir que as empresas continuem patrocinando e tenha esse escoamento também no digital", considera Romário, que vê um avanço da comunicação.

 

Gilmar Dantas diz que, assim como outras políticas, o Fazcultura se adequou ao movimento de transposição ou coexistência virtual-presencial. "Não vi nenhum produtor se queixando que as leis não aceitaram mudanças. No princípio sim, mas todos acabaram se adaptando para isso".

 

Já Neusa diz que o programa estadual tem como diferencial o fato do estado ter "suas particularidades, seus critérios de regulação de marketing cultural, tanto para o proponente quanto para o patrocinador".

 

Quanto ao valor pago a artistas, por exemplo, um dos critérios julgados pela comissão que dá o crivo para as proposta é de que o cachê não supere 20% do montante total de cada projeto. 

Carlos Zacarias lança livro em que detalha construção de 'projeto fascista' no Brasil
Foto: Divulgação

O historiador baiano Carlos Zacarias lança, nesta sexta-feira (10), a partir das 15h30, no vão livre da biblioteca do campus da UFBA em Ondina, o livro "Onde Nascem os Monstros". A publicação traz uma análise do processo político brasileiro a partir da visão do autor.

 

Através de artigos escritos entre 2018 e 2021 como colunista em veículos de imprensa, Zacarias detalha o que chama de projeto fascista e desenvolve como seus operadores colocam em marcha um modelo de destruição e a refletir criticamente sobre a atual situação do estado brasileiro. 

 

Versando ainda sobre o cenário político, suas condições e contradições, ele também publicou dois outros títulos “De tédio não morreremos” e “Foi golpe!”. Se você se interessou pelo viés temático de suas obras confere a hora e o local deste próximo lançamento.

Quarta, 08 de Junho de 2022 - 00:00

Novo circuito do Carnaval pode ir do Parque dos Ventos até a Pinto de Aguiar

por Vitor Castro

Novo circuito do Carnaval pode ir do Parque dos Ventos até a Pinto de Aguiar
Foto: Divulgação / Prefeitura de Salvador

A possibilidade da mudança do circuito Barra-Ondina para a região da Boca do Rio também é vista com bons olhos pela Empresa Salvador Turismo (Saltur). Conforme divulgado anteriormente pelo Bahia Notícias, a proposta, que já circula entre as entidades que fazem a festa (reveja), sugere como uma das hipóteses que o novo circuito se inicie no Parque dos Ventos e vá até a região da Avenida Pinto de Aguiar. Outro ponto defendido pela Saltur é de que o circuito da Barra permaneça com as festas que antecedem a folia como o Fuzuê e o Furdunço, além das apresentações tradicionais das fanfarras. 

 

Em entrevista ao Bahia Notícias o presidente da Saltur, Isaac Edington, explicou que as propostas são muitas e o diálogo ainda é incipiente, mas que uma mudança esperada para 2023 só ocorrerá se for para valorizar a festa. Para o presidente, a mudança do circuito se justificaria pelo aspecto do conforto dos foliões, além de uma melhor aplicação de estratégias do ponto de vista da Segurança Pública. 

 

“Na Barra a gente já tem essa dificuldade com espaço. A Segurança Pública já se manifestou falando de um Carnaval bastante saturado e que acaba ficando desconfortável para o turista e para o folião. Ao mesmo tempo a gente pode fortalecer o Carnaval tradicional, fortalecer o Carnaval do centro da cidade. Temos que pensar em tudo isso e não apenas em acomodar um novo circuito. Agora, se esse novo circuito tem um potencial e se a gente tem a possibilidade de ter um Carnaval com os blocos, com todas as entidades e com o fortalecimento do turismo e da hotelaria em um lugar melhor que se adeque a operação e realização será muito bem vindo”, disse.

 

Edington disse ainda que, caso a mudança ocorra, a gestão priorizará a manutenção de eventos já consolidados na região da Barra, visando assim aumentar as possibilidade para que o folião aproveite a festa. “Não vamos poder abandonar a Barra. Acho que a Barra tem espaço muito interessante. A gente tem lá o circuito Sérgio Bezerra, as fanfarras. Acho que isso pode ser aprimorado transformando a Barra em um local diferenciado do Carnaval e com uma outra pegada. Acho que tudo isso tem que ser discutido”, ponderou. 

 

CIRCUITO PARQUE DOS VENTOS 

De acordo com o presidente da empresa, a discussão que ganhou força nos últimos dias já ocorreu em outros momentos, mas foi retomada com a posse do novo Conselho do Carnaval. “Uma das coisas que tem se colocado nessa hipótese inicial e que a festa se inicie naquela área do Parque dos Ventos. Lógico que ainda vai se começar a discutir com todos os envolvidos, analisar as questões técnicas para que se comece ali e vá até aproximadamente a Avenida Pinto de Aguiar. Algo nessa, linha, mas ainda é algo incipiente”, revelou ao BN. 

 

A ideia versa ainda sobre a possibilidade de que sejam implantados camarotes nos canteiros centrais da região, além de outros equipamentos voltados ao entretenimento do público. “Algo que hoje se torna inviável na Barra, onde você tem equipamentos imobiliários e que já ocupam os espaços”, ponderou. 

Terça, 07 de Junho de 2022 - 13:10

Rota Bahia relembra Dia Nacional da Liberdade de Imprensa

Rota Bahia relembra Dia Nacional da Liberdade de Imprensa

O Dia Nacional da Liberdade de Imprensa foi fruto de um grito contra a censura. Em 7 de junho de 1977, mais de três mil jornalistas se uniram em um manifesto contra um ambiente de terror e duras limitações para a divulgação do que ocorria sob o regime militar, à época comandado por Ernesto Geisel. Porém, 45 anos depois, esse grito ainda se mostra necessário, infelizmente.

 

Em um ambiente digital, onde o próprio Bahia Notícias nasceu, também nascem as redes responsáveis por intensificar as chamadas Fake News. Mais do que simples equívocos, elas ganham uma conotação clara de usar uma mentira disfarçada de notícia para atacar algo ou alguém. E a imprensa séria se tornou um dos principais alvos dessa prática.

 

Por isso, se torna cada vez mais necessária a união dos veículos de comunicação para a defesa dos profissionais que trabalham de forma séria e comprometida. A imprensa tem um papel fundamental para a cobrança de respostas do poder público, em todos os seus níveis. E se a liberdade da atuação de jornalistas é importante a todo momento, em um ano de eleição se torna ainda mais relevante, pois pode ajudar ou prejudicar o rumo da própria nação.

 

Neste 7 de junho, o ROTA BAHIA marca um momento de união que jamais existiu na imprensa baiana. Dez sites, nas regiões mais importantes do estado, imbuídos em ajudar uns aos outros, pra que todos possam crescer e chegar ainda mais longe, sempre respeitando a verdade e os leitores. Assim, se muitas vezes a sociedade não tem voz para cobrar respostas, só a defesa da liberdade editorial responsável pode fazer as perguntas que precisam ser feitas.

 

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Produtores de filmes soteropolitanos ganham programa de incentivo para o audiovisual
Foto: Reprodução / YouTube

A prefeitura de Salvador anunciou nesta segunda-feira (6) uma série de ações para fortalecer a produção cultural na capital baiana. A política, que neste ano deve englobar a criação da Salvador Filmes, também prevê a manutenção de editais e premiações municipais.

 

A mais nova estratégia prevê a contratação de uma empresa para fomentar e dinamizar o setor do audiovisual da capital baiana.  

 

"É uma film commission para atrair produções cinematográficas para Salvador. O audiovisual é a bola da vez. Temos um cenário imbatível para produção e estamos trabalhando para implementar", afirmou o presidente da Fundação Gregório de Mattos (FGM), Fernando Guerreiro, ao detalhar o projeto. A expectativa é que a licitação aconteça no próximo mês de julho.

 

A ideia, expôs o presidente, é que um conjunto de editais, o Salvador Cine, propicie aos realizadores recursos financeiros para rodarem suas obras. Além disso, oficinas de formação e a criação de um mercado são pretensões da administração pública com o lançamento destes programas.

 

Na ocasião, Guerreiro falou sobre a continuidade de outros editais calendarizados, como o Capoeira Viva, o Samba Junino, Viva Cultura e Arte Todo Dia, além do Selo Literário João Ubaldo Ribeiro, a Fábrica de Musicais, o Gregórios e os polos culturais das redes Crie/Boca de Brasa.

 

O setor cultural de Salvador também irá contar, a partir do segundo semetre, com o sistema municipal de informações e indicadores, com o mapeamento de fazedores e fazedoras de cultura, gestores e outros agentes envolvidos com o campo.

 

Tombamentos de patrimônios históricos e culturais devem ser incluídos no raio de ações da prefeitura para este ano.

RBN Digital completa 5 anos com mais de 6,4 milhões de ouvintes

No dia 22 de maio de 2017 nasceu oficialmente a RBN Digital, uma opção de música e informação de qualidade com a marca do Bahia Notícias. Desde então, a programação passou por transformações, passou por vozes diferentes e iniciativas diferentes, porém sempre pensando em agradar os mais de 6,4 milhões de ouvintes que acompanham o projeto desde então. Na pandemia, a RBN se tornou a companhia para quase 2,5 milhões de ouvintes em todo o Brasil e levou também o melhor da informação para todo o mundo.

 

“A RBN Digital foi uma aposta do Bahia Notícias que deu certo. A qualidade da programação, alinhada aos boletins de hora em hora, traz conforto para os ouvintes que querem boa música sem ficar desligados do dia a dia”, ressalta o CEO do Bahia Notícias, Ricardo Luzbel. O desempenho, na avaliação dele, é resultado do empenho do responsável pelo setlist musical, DJ Wilson, e dos repórteres Nuno Krause, Thiago Teixeira e Alexandre Brochado, que regem a programação das notícias. “O marco de 5 anos é importante por reconhecermos estar no caminho certo”, celebra Luzbel.

 

Os boletins informativos com as principais notícias do Brasil e do mundo se juntam a programetes com temáticas que variam da culinária, moda, design, viagens e entretenimento. “A diversidade na nossa programação é um atrativo extra para o nosso ouvinte”, lembra Luzbel. O app da rádio está disponível para Android (baixe aqui) e iOS (baixe aqui) e a programação da RBN Digital pode ser acessada também no site www.rbndigital.com.

Caminhada do Povo de Santo no Nordeste de Amaralina ocorre neste domingo
Foto: Reprodução / Nordesteeusou

A oitava caminhada do Povo de Santo ocorre neste domingo (22) no Nordeste de Amaralina, em Salvador. O evento percorrerá ruas do bairro em defesa da cultura, tradição e contra a intolerância religiosa. Neste ano, os participantes vão homenagear as “Mulheres de Axé”.

 

O início do percurso deve ocorrer por volta das 8h no final de linha do Nordeste de Amaralina. Nesse momento haverá também um padê, homenagem a Exu.

 

Depois, o grupo segue em direção ao Sítio Caruano. No local, vai acontecer um xirê (roda ou dança para evocação dos orixás). Em seguida, eles servirão um ajeum (refeição) aos participantes na sede do Nordesteusou, momento que se encerram as atividades. Três entidades entidades organizam o evento: Nordesteusou, Afoxé Bamboxê e As Direitinhas.

Sábado, 21 de Maio de 2022 - 16:20

Obras de polonês que morou na Bahia chegarão a museu em Candeias após passar por SP

por João Pedro Pitombo / Folhapress

Obras de polonês que morou na Bahia chegarão a museu em Candeias após passar por SP
Frans Krajcberg / Foto: Reprodução / Agência Envolverde

No final dos anos 1970, os artistas Frans Krajcberg e Sepp Baendereck fizeram uma viagem de barco pelo rio Negro com duração de pouco mais de um mês. Aquela era a primeira vez que Krajcberg, polonês radicado no Brasil e reconhecido por trabalhar com questões ambientais em sua obra, ia para a Amazônia.
 

O artista voltaria para a região diversas vezes na década seguinte, mas não para fazer a viagem "idílica pelo rio Negro, que você fica no barco tomando cerveja e vendo o rio passar", diz seu biógrafo, João Meirelles. Viajando por terra, nas idas seguintes Krajcberg viu a colonização e o desmatamento.
 

"Quando ele teve o impacto da queimada, virou um ambientalista roxo. Ele aprimora seu discurso, no sentido de 'eu sou um ambientalista, não sou um artista'", acrescenta Meirelles.
 

A vida e a obra do artista tornado ativista, já tratadas num documentário e bienais dentro e fora do país, ganham agora novo fôlego, tendo como mote os cem anos que Krajcberg teria feito no ano passado, se estivesse vivo.
 

Uma exposição no MuBE, o Museu Brasileiro da Escultura e da Ecologia, em São Paulo, faz uma antologia de sua produção entre as décadas de 1950 e 2010. Em paralelo, o ambientalista João Meirelles, também ex-presidente da fundação SOS Mata Atlântica, conclui uma biografia de Krajcberg, enquanto uma série de trabalhos do artista são restaurados e catalogados pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia, o Ipac.
 

Embora o curador da mostra no MuBE, Diego Matos, afirme não achar o termo "retrospectiva" adequado para descrever a exposição, quem visita o museu pode acompanhar a progressão da obra do artista em cerca de 160 trabalhos, dos quais mais de uma centena veio do sítio Natura --uma casa construída no topo de uma árvore, onde Krajcberg morava, no sul da Bahia--, e o restante, de coleções particulares.
 

Estão expostas suas pinturas, ainda bem pouco vistas, gravuras e desenhos figurativos feitos num período que compreende o final dos anos 1940, antes de o artista aportar no Brasil, e o início da década seguinte, quando ele já estava em solo brasileiro. Dispostas no começo da exposição, as obras têm a figura humana e a paisagem como tema, mas também atestam como o interesse do artista progrediu para a abstração feita a partir de elementos da natureza.
 

Ele passou a representar no papel a textura de folhas, pedras e terra, materiais que também usava na composição das obras, aos poucos saindo do plano do quadro e se dirigindo ao espaço. Na década de 1960, começou a fazer grandes esculturas tanto com a madeira que sobrava da indústria de celulose do sul da Bahia quanto com a madeira residual de queimadas, material que se tornaria característico do seu trabalho.
 

As peças, dentre as quais exemplares das séries apelidadas de "gordinhos", "bailarinas" e "coqueiros", estão dispostas de modo a formar uma floresta no espaço expositivo do museu, e algumas delas se estendem do chão ao teto. Como não há faixas delimitando o quão perto se pode chegar das obras, o público caminha entre troncos retorcidos, raízes, pedras e demais materiais naturais que compõem o léxico do artista.
 

Krajcberg encontrou na mata atlântica e no cerrado abrigo para sua trágica história de vida, diz o curador. Judeu, o artista perdeu a família para os nazistas --sua mãe foi presa e enforcada e outros parentes morreram em campos de concentração durante a Segunda Guerra Mundial. A partir da flora brasileira, "criou uma arquitetura da natureza com sua obra, trazendo a questão ambiental como questão de ordem ética dentro da arte", acrescenta Diego Matos.
 

Ainda segundo o organizador, Krajcberg não está no eixo central da narrativa da história da arte brasileira, apesar ser um homem branco e europeu, porque ele tinha uma obra diferente da de seus pares em meados do século 20. Ele não trilhou o caminho da figuração nem o da abstração, embora tenha flertado com ambas as vertentes.
 

Essa história será contada na biografia do artista, resultado de um trabalho de 15 anos encampado pelo seu amigo João Meirelles, um ambientalista a quem Krajcberg encarregou de escrever um livro sobre sua vida.
 

Para compor o obra, que está em vias de ter o contrato de publicação fechado com uma editora, o autor entrevistou cerca de 80 pessoas que conviveram com o artista, entre amigos, funcionários e outros artistas, se debruçou sobre reportagens na imprensa brasileira e francesa e vasculhou os arquivos da Biblioteca Nacional. O título provisório do livro é "Frans Krajcberg, A Natureza como Cultura".
 

Meirelles, que andou Brasil afora com Krajcberg coletando madeira queimada, define o artista como um provocador permanente. "Ninguém sai ileso ao conviver com as obras dele relacionadas a queimadas, sejam esculturas ou fotografias. Ele me provocou a vida inteira, durante 40 anos. 'O que você está fazendo pela Amazônia, o que você vai fazer?' Ele fazia isso com todo mundo. É isso o que nós estamos precisando no Brasil de hoje, na Amazônia de hoje", afirma.
 

O biógrafo conta que o artista não deixou herdeiros e doou suas obras para o governo da Bahia. O Estado recebeu o acervo em 2009, mas só pôde de fato acessar as obras depois da morte de Krajcberg em 2017, aos 96 anos, diz João Carlos, diretor geral do Ipac. A mostra do MuBE vai depois ser exibida no museu Wanderley de Pinho, em Candeias, na região metropolitana de Salvador, espaço que também abrigará um ateliê de restauro e a catalogação dos trabalhos do artista. Uma vez renovados, eles voltarão para o sítio Natura, a casa do artista, que também deve passar por restauro.
 


 


 

FRANS KRAJCBERG: POR UMA ARQUITETURA DA NATUREZA
 

Quando: Até 31 de julho; terça a domingo, das 11h às 17h
 

Onde: MuBE - Rua Alemanha 221, Jardim Europa, São Paulo
 

Preço Grátis

Sábado, 21 de Maio de 2022 - 00:00

Museu Digital Cinema de Terreiro traz 'um novo olhar' sobre o cinema negro na Bahia

por Thiago Teixeira

Museu Digital Cinema de Terreiro traz 'um novo olhar' sobre o cinema negro na Bahia
Foto: Reprodução/Cinema de Terreiro

O Museu Digital Cinema de Terreiro está próximo de completar um mês de atividades. Lançado no dia 26 de abril, a iniciativa, totalmente on-line, retrata os 125 anos de história do cinema negro na capital baiana e em todo o Recôncavo, a partir do acervo e biografia do militante negro e cineclubista Luiz Orlando da Silva.

 

Luiz Orlando tem importantes contribuições para o cinema baiano, e foi dono de uma rede de cineclubes na década de 1980. O coordenador e idealizador do Museu Digital Cinema de Terreiro, Pedro Caribé, acredita que em muitos momentos o cinema não retratou os negros de verdade, e garante que o Cinema de Terreiro quer mudar isso. "Desde o dia que o Cinema chegou em Salvador, existe cinema negro, porque existem pessoas negras se relacionando com Cinema. E, muitas vezes, [...] a identidade racial dessas pessoas é apagada, ou quando ela está presente nos filmes, ela ocupa um espaço subalternizado nas narrativas", explica Caribé.

 

No Cinema de Terreiro é possível visitar, através do www.cinemadeterreiro.com, quatro galerias multimídia com músicas, áudios de entrevistas e dezenas de GIFs que reconectam memórias de filmes e documentos digitalizados pelo Arquivo Zumvi Fotográfico. Esses arquivos são do acervo de Luiz Orlando, que conta com mais de oito mil e quinhentos documentos.

 

O diretor institucional do Zumvi, José Carlos Ferreira, explicou que o Museu possui fotografias, cartazes, xerox, listas de filmes, projetos, jornais de época, revistas, dentre outros materiais. Ele acredita que a iniciativa é importante para a memória do cinema brasileiro e que o acervo que está exposto no Museu, pela sua riqueza, vem para construir uma outra narrativa sobre o cinema nacional e internacional. "Ele [o acervo] é de fundamental importância para nossa memória, porque acaba não só contemplando o cinema, mas também outras áreas, inclusive as questões raciais de modo geral", conta José Carlos.

 

O Museu Digital Cinema de Terreiro tem apoio financeiro do Governo do Estado, através do Fundo de Cultura, Secretaria da Fazenda (Sefaz), Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb) e Secretaria de Cultura da Bahia (Secult).

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