Terça, 03 de Dezembro de 2013 - 12:18

Curtas do Poder

por Zeca de Aphonso

Curtas do Poder
*Agora o bicho vai pegar com o MPL. O nosso líder maior, Walter Takemoto, mais conhecido como Walter Tá-com-a-moto, derrapou e capotou com sua Harley. Ou seja, tá de buzu. Com certeza, impaciente.


*Impaciente também está Marcelo Nilo. Como sou observador da política e leitor assíduo da coluna do meu amigo Samuca (Samuel Celestino), vou lhe dizer uma coisa. Nilo vai terminar em algum tribunal de contas da vida, até para resolver as suas que não foram votadas. E sem reclamar. Pois vice, com certeza, ele não será.


*Tenho um palpite que gostaria que os leitores anotassem. A chapa do PT será formada por Rui Costa, Otto Alencar como vice e um membro do PP como senador.


*Conheço Otto de longa data. Ele detestará viajar toda semana para Brasília. E o fantasma de Paulo Souto o atormenta.


*Por que Paulo Souto como candidato a senador? É que, na minha cabeça, a chapa da oposição também está definida. Geddel candidato a governador, pela garra e insistência. João Gualberto como vice, pelo avião e tempo de TV. Paulo Souto para o Senado, pela falta de dinheiro para ser cabeça de chapa. Segundo me contaram, Souto também precisa de um mandato para se defender de ações contra ele.


*Achei uma falta de respeito o que fizeram com Paulo Câmara, presidente do Legislativo de Salvador. O jovem edil achou que sairia em uma propaganda do PSDB e chegou até a gravar comerciais para inserção eleitoral. Tal qual não foi a surpresa do tucano quando viu que não fez parte do vídeo. Só entrou Sérgio Guerra, presidente estadual do partido. O presidente da Câmara ficou escanteado.


*Não costumo ir a Salvador, mas durante a chuva da quinta-feira passada, demorei quatro horas para me deslocar do Shopping Salvador até a Tancredo Neves. No engarrafamento, acessando o Bahia Notícias, vi o alerta da prefeitura recomendando que evitassem sair de casa. Lembrei de um Cidades e Soluções que assisti recentemente, que mostrou um centro de operações e monitoramento da cidade no Rio de Janeiro. Pelo que sei, temos um aqui na Cogel. Acho que o prefeito ACM Neto, em uma situação como aquela, deveria se deslocar  para la com a sua equipe e instalar um gabinete de crise, colocando Transalvador, Guarda Municipal e Defesa Civil na rua, além de solicitar a ajuda do Corpo de Bombeiros. Durante as quatro horas parado atrás do shopping – o que não tinha motivo aparente – não vi nenhuma viatura da Polícia Militar, do Águia e nem moto da Transalvador. Soube que vários arrastões aconteceram na cidade. E a única orientação da prefeitura foi para não sair de casa, esperar a água baixar e aí salve-se quem puder.


*Por falar em trânsito de Salvador, não sou pessoa injusta. Sempre critiquei o nosso Exu Tranca Rua (Fabrizzio Muller). Mas ele acertou em cheio na Paulo VI. Parabéns.   


*Certo tá Cumprido, que especializou-se em peixe grande. Uma hora dessa, deve estar nos mares do Velho Mundo. E eu aqui, a pescar quatinga e sofrer no trânsito de Salvador


*Quando vejo o vereador Alessanderson, do seriado Pé na Cova, da Globo, só me vem à cabeça o nobre edil Duda Sanches, conhecido na Câmara de Salvador como vereador Gagau. Clique aqui e depois aqui para comparar.


*Me falaram e eu não acreditei. Os carlistas voltaram a assumir a Superintendência Tributária da Secretaria Estadual da Fazenda. Estou começando a achar que os bichos são bons de arrecadar, daqui a pouco volta Guanabara

*Bispo Marinho bem que poderia lançar Almiro Sena a deputado. Assim, ele deixaria a secretaria de Justiça, pois pelo que se comenta lá dentro, nunca na história daquele órgão teve um secretário tão ruim.

*Ruim também foi a convenção da Ademi no Tívoli. Um bando de pedinte em um resort de luxo.


EU E O CABEÇA BRANCA


Os domingos de Barbosa Romeo


Barbosa Romeu era apaixonado pela Itália. Seu pai fora imigrante e trouxera a família para Salvador, numa época em que o belo país atravessa sérios problemas. Em razão, embora nunca tivesse ido à Itália porque tinha claustrofobia, aos amigos – e eram muitos - alegava que não coseguiria passar 11 horas num voo trancado num avião. Mas sabia de tudo sobre a Itália que tanto amava. De tal modo que, posteriormente, mudou seu nome e de toda a família para Romeo. Tirou o U e colocou o O, porque era a grafia italiana correta. Mesmo sem ir ao seu país, conhecia as ruas de Roma como se estivesse passeando por elas. Até a geografia da cidade, onde ficavam os pontos mais importantes. Sobretudo as canções, a ‘Internacional Comunista’ que, após muitas doses de whisky, os comensais de Romeo cantavam a toda altura; os grandes diretores de filmes numa época em que Roma sobrepujava o cinema francês e o de Hollywood que, para ele, não tinha o menor significado. Discutia os filmes, os diretores, os atores, abria discussões sobre a questão com intelectuais baianos como os jornalistas Ariovaldo Matos, com Geraldo Machado que, talvez, pela influência do amigo formou-se em engenharia elétrica, mas trocara pelo cinema e foi estudar cinema em Paris durante quatro anos; discutia com Wilter Santiago, Biza Junqueira Alves, Samuel Celestino (que pouco sabia sobre cinema, mas o arreliava); Newton Sobral. Só não trocava figurinhas com o Cabeça Branca, ACM, que não gostava de cinema, mas rondava os intelectuais da época. Por trás, Memeu dizia “é um ignorante, só quer saber de política, leu poucos livros, diz que não, mas adora as socialites do Corredor da Vitória e das mansões da Barra”. Eu sabia tudo de Romeu, que me conhecia, mas não me dava importância, talvez por ser um mero pescador de quatinga em Mar Grande, daí ficava distante. ACM achava que ele perdia tempo lendo sobre cinema e coisas assim. Ele se irritava, mas nada dizia, embora, depois, desabafasse com os amigos. “Um ignorante que nunca leu, não sabe o que é cinema a não ser filmes de John Wayne e do Zorro, e ainda  fica sacaneando”. Era uma figura extraordinária. Conseguia discorrer sobre cinema abrindo polêmicas até com Glauber Rocha, que, camisa aberta até o último botão, com o peito cabeludo à mostra, descalço na casa de Memeu, ou Leleu de Brotas, como os amigos o chamavam, de pés descalços e imundos, enfim, coisas de gênio do Cinema Novo brasileiro. Quando Memeu falava de Luchino Visconti, neorrealista (como os principais diretores italianos); Federico Fellini, mestre de “La Dolce Vita”, de 1960; Pierre Paolo Pasolini, que dirigiu “100 anos de Gomorra” e Roberto Rossellini, que comandou “Cidade Aberta”, “Paison” e “Alemanha Ano Zero”. Seus amigos ficavam silenciosos nas manhãs-tardes de domingo, em sua casa na testada do mar na Pituba, onde aconteciam as grandes discussões intelectualizadas. Lá ACM não entrava, porque não sabia das reuniões. Preferia ir à Placa Ford, tomar banho de mar e ficar paquerando as dondocas com Orlando Garcia ao lado e depois se gabava que fora paquerado por várias delas. Na próxima semana, conto como ACM furou o cerco de Memeu e esculhambou  com os belos domingos de grandes tertúlias intelectuais, discussões, brigas, tudo em função da cultura.

*Se você tem alguma sugestão, pode mandar para zecadeaphonso@bahianoticias.com.br ou, se preferir, vá ao Facebook de Zeca de Aphonso e conte.


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