Sem repasse das bilheterias, produtores de shows e espetáculos no TCA denunciam 'calote'
Foto: Reprodução

Responsáveis pela realização de espetáculos organizados recentemente no Teatro Castro Alves (TCA) denunciam a falta de pagamento dos valores referentes aos ingressos comprados para as apresentações. Segundo os produtores, bilheterias de espetáculos como "Sísifo" - encenado por Gregório Duvivier -, "Me Brega Baile" e do show de despedida da banda Skank não foram repassadas.

 

Segundo Fred Soares, produtor da peça "Sísifo", encenada no espaço nos dias 14 e 15 de março, o "calote" do pagamento da sua peça já é de 45 dias. A data prometida seria o dia 19 de março, mas até esta sexta-feira (24), nenhuma quantia foi depositada.

 

O TCA afirma que a responsabilidade do problema é da empresa Ingresso Rápido, que opera a venda de ingressos do complexo cultural e tem prazos específicos de 5 (no caso de pagamento em espécie) a 28 dias (no caso de cartões de crédito) após a apresentação para repassar a quantia - questão que Fred contesta. 

 

"Sou seccionário do TCA e alugo o espaço para as apresentações, meu contrato é com a Funceb [Fundação Cultural do Estado da Bahia], que sempre falou que a gente não teria contato algum com a Ingresso Rápido. Agora surge essa situação", conta, revelando que o problema está agravado devido ao período de pandemia da Covid-19, em que as apresentações artísticas e culturais estão inviabilizadas. 

 

Uma ação extrajudicial chegou a ser enviada à secretária estadual de Cultura, Arany Santana, e aos diretores da Funceb e do TCA, Renata Dias e Moacyr Gramacho, respectivamente. Em resposta aos produtores, a diretoria do Castro Alves disse não ter "ingerência direta sobre os valores arrecadados com a venda dos ingressos" e que o espaço também está "prejudicado com o inadimplemento contratual".

 

De acordo com a direção do Teatro Castro Alves, notificações foram enviadas para a Ingresso Rápido a fim de resolver o problema e garantir que se desdobrem as penalidades previstas, mas a empresa alegou o cancelamento e o reagendamento simultâneo de vários eventos por determinação legal em virtude das medidas para enfrentamento da pandemia e interrupção do seu sistema de repasse. A empresa garantiu o repasse nesta sexta-feira (24), o que não ocorreu. 

 

Por ligação, o produtor do espetáculo "Me Brega Baile", Marcelo Galvão, disse que esperava o depósito da quantia devida para o pagamento de serviços como a assessoria de imprensa e os profissionais que trabalham com a parte técnica. "Confesso que é um momento muito difícil, porque a gente cumpriu uma série de normas que estavam no contrato, tivemos uma dificuldade enorme de promover e agora estamos esperando receber", ressalta. 

 

"Me Brega Baile" teve uma temporada de duas semanas em cartaz. Segundo Marcelo, que disse se sentir cansado, as pessoas que trabalharam na peça precisam deste dinheiro e a demora, inclusive de respostas, foi uma demonstração de "desrespeito" para com a classe artística.

 

O Bahia Notícias entrou em contato com a Ingresso Rápido para que prestasse esclarecimentos sobre a situação dos ingressos, mas não obteve respostas até a publicação desta matéria.

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