Cláudio Manoel critica 'mimimi' e politicamente correto: 'manterrupting é o cacete!'
Foto: Divulgação / SBT

Nos preparativos para um show que marcará a volta do Casseta & Planeta aos palcos, Cláudio Manoel comentou as mudanças no humor ao longo dos anos e criticou o politicamente correto: “Um mimimi dos dois lados. Parece que tudo dói”, disse ele em entrevista ao jornal O Globo.


Para o comediante, “a democratização do processo, com stand-ups e YouTube” é a principal mudança no humor da época que iniciou para os dias atuais. “Hoje, Windersson Nunes tem mais público que algumas redes abertas. Estando na linha de frente, vimos o que era vantagem passar a não ser mais, como a piada para chocar, por exemplo. A audiência ficou importante, a pesquisa de opinião, referenciada. Aí, a ousadia foi a primeira a dançar. Hoje, o like e dislike podem tirar você do ar”, avaliou Cláudio Manoel.


Ao ser questionado sobre a sobrevivência do humor controverso do Casseta - que não poupava minorias como negros e gays – atualmente, ele disse acreditar que sim, teria lugar ainda hoje. “Nunca fomos ligados a causas, mas ao cotidiano. Naquela época, a discussão era outra. A coisa mais fácil é julgar um tempo que passou. Nos Trapalhões, ninguém pensava que o Mussum estava sendo sacaneado, nem ele. A visão de que brincadeira de moleque pode ser danosa é de agora. Negro chamado de chocolate tem até hoje. A quantidade de música de baile funk que faz apologia ao estupro...”, comentou. 


O humorista falou ainda sobre o politicamente correto.  “Ele atua mais em uma galera que em outra. E também não é isso tudo. Tanto que tem gente nem aí. Danilo Gentili é um. Às vezes, ele acerta, às vezes, erra. Emparedar o cara porque não é de esquerda? É a opinião dele! Não significa que não responderá pelo que fala. O que ele fez [o caso da ofensa à deputada Maria do Rosária, pela qual foi condenado a seis meses e 28 dias de prisão em regime semiaberto por injúria. Ela havia publicado, em 2016, uma série de tuítes chamando a deputada de ‘falsa’, ‘cínica’ e ‘nojenta’] é puro exercício da liberdade de expressão. Se exagerou, a Justiça vai dizer, mas ter uma demanda social, tipo ‘alguém precisa calar esse sujeito’. Por que?”, pontuou Cláudio Manoel. “Não tem que calar ninguém, o Danilo Gentili nem o Gregorio Duvivier. Tem um mimimi dos dois lados. Parece que tudo dói, isso ‘vagabundiza’ as causas”, afirmou.


O humorista condenou ainda a “sensibilidade exagerada” da sociedade e minimizou parte da causa feminista. “Estão exigindo uma proteção, um amaciamento, que é a coisa mais mauricinha que existe. O sufragismo foi importante, a lei da violência doméstica, o mundo é melhor porque as mulheres entraram no mercado de trabalho. Mas manterrupting é o cacete! Isso se chama chato de galocha. Aí, é virar e dizer pra ele: ‘Cala a boca, meu irmão. Vaza, é 2019’”, avaliou o humorista. “Não é uma causa. Respeito o feminismo e, machistamente falando, minha geração se beneficiou: conheci e transei com mulheres muito mais legais e interessantes do que as do meu pai, por exemplo. Eu falava isso para ele”, se justificou.


Ele comentou ainda sobre a participação de Maria Paula na bancada do programa Casseta & Planeta. Ao ser perguntado se o papel da atriz era machista, ele afirmou que na época não, mas “aos olhos de hoje”, sim.  “Não era mulher-objeto, mas a nossa diva impossível. Nunca foi frágil, era mais a irmã moleca ou a mulher peituda diante da qual o homem babaca fica ‘dã’. Tinha o que não vemos hoje, tipo ‘ah, o Cassino do Chacrinha expunha as chacretes’. Mas quem ganhou, a mulher ou o moralismo?”, questionou. 

Histórico de Conteúdo