Médico poeta lança livro e defende arte e poesia para agregar ao atendimento humanizado
Foto: Reprodução/Instagram

Poeta desde os 17 anos e médico do Hospital Geral do Estado (HGE) há 35 anos, Nilvano Andrade lançou o livro “Verdes Azuis”, o sexto da carreira, na última quinta-feira (30), em Salvador. Para o especialista em otorrinolaringologia, a rotina de atendimentos, assim como as histórias que ouve e pessoas que conhece diariamente são fonte de inspiração para a sua arte. “O poeta ajuda o médico e o médico ajuda o poeta”, afirmou ele ao defender o atendimento humanizado e listar as, cada dia maiores, dificuldades enfrentadas para esse tipo de atendimento.

 

“O grande problema é que a vida hoje é muito rápida, ninguém quer chegar no médico e esperar, as pessoas se incomodam quando o médico quer conversar muito sobre a sua vida. O próprio paciente hoje induz o médico a ser rápido, o próprio honorário desgastado que tem, que o próprio plano de saúde impõe o preço”, lamentou Nilvano.

 

Para ele, o exercício das duas profissões “apura o humanismo”, ele vê o paciente não como “qualquer pessoa”, mas alguém que precisa da ajuda dele e que ele faz de tudo para ajudar. Isso porque, tanto na arte quanto na medicina, é preciso enxergar além e se colocar no lugar do outro. “Você passa a sentir a dor. Incorporo a cena como um teatro e escrevo”, contou ele.

 

Aos 62 anos, o médico poeta baiano acredita que a influência para as duas profissões veio dos pais. “Minha mãe era professora de piano, passei a minha vida ouvindo música. E meu pai era médico. Eu sou a mistura deles. Da arte de minha mãe e a profissão de meu pai”, constatou. Junto com o livro Nilvano também lançou um CD com canções autorais interpretadas por nomes bem conhecidos principalmente entre os baianos, como Margareth Menezes, Marcia Short e Lazzo.

 

“Verdes Azuis” reúne poesias e contos dos temas mais variados, e até infinitos, como o horizonte, a grande inspiração para o título da publicação. “O livro tem poesias e contos. A poesia talvez seja o arsenal das observações. No ambiente você acaba pegando coisas e vai jogando no papel. E muitas vezes a relação entre aquela observação sua você joga para o verso”, explicou ele.

 

Para o artista, a inspiração vem a qualquer hora, em qualquer lugar e sobre qualquer tema e o celular é um grande aliado na produção dos poemas.  “Sempre estou escrevendo, hoje em dia é fácil pra você escrever. Com o celular mesmo você bota o texto”, disse ele.

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