Vinicius Lima, proprietário e idealizador do espaço ABoca
Vinicius Lima, proprietário e idealizador do espaço ABoca

O Centro de Arte ABoca, um casarão vermelho de paredes sem reboco, é o palco dos encontros musicais realizados às quartas-feiras na Rua dos Marchantes, situada no bairro de Santo Antônio, em Salvador. O espaço foi idealizado e é organizado pelo proprietário, o fotógrafo Vinicius Lima, que há seis anos reúne amigos do bairro para ver e fazer arte. “O local estava desvalorizado, porque houve um desabamento”, conta Vinicius, que com a ajuda de camaradas, há três anos reconstrói o espaço, reaproveitando o material da demolição. 
 
A música recebeu destaque em 2012, quando Jota Veloso visitou o local, ainda em ruínas, e sugeriu fazer um som. “Jota veio aqui para uma sessão de cinema, para ver um documentário que eu estava produzindo, e ai disse que o lugar é lindo e tem uma energia muito boa”, relembra Vinicius. E assim, este ano, o projeto saiu do mundo das idéias através do “Quarta a gente Arranja”, o ensaio de compositores realizado às quartas-feiras, “dia mundial da folga dos músicos”.

Jota Veloso recita poesia d'ABoca:


As portas ficam abertas, enquanto músicos, profissionais ou não, se apresentam. A base de tudo isso é a “banda da barca da boca”, título inventado de brincadeira para o grupo comandado por Jota Veloso, que é quem geralmente convida amigos para se juntar à tripulação. “Isso aqui é como um barco, um navio de passageiros. Passam vários tripulantes em um espaço voltado para música. Fazemos criação na hora, é uma nova forma de se expressar”, explica Orlando Neves, baixista do grupo. 
 

Músicos comandam "a barca d'ABoca"
 
Jota utiliza também outra metáfora para definir o projeto e o lugar: “Coloque tudo n'ABoca e escolha o que vai engolir”. E é assim que acontece, em um espaço de experimentação e liberdade, aberto a várias manifestações artísticas. “A gente tem tentado agora manter uma metodologia para que a coisa não fique tão bagunçada, porque termina sendo como um ‘Chacrinhazinho’. Você vai ter uma figura pitoresca que vai fazer uma coisa que você vai se perguntar: ‘de onde surgiu esse maluco?’”, explica Vinicius, sobre a mistura que o projeto contempla. 

Mônica Melo interpreta Cartola em uma quarta musical n'ABoca:

Mas, com a vocação artística do local, outras manifestações culturais também são bem vindas, gerando encontros casuais entre poesia, música e artes plásticas, tudo junto. Por ali já estiveram presentes vários estilos e ritmos. Do samba à bossa, passando pela MPB, salsa, reggae, rock e até coral. E dessa união entre linguagens artísticas, surge o inusitado, como um quadro do artista plástico Menelaw Sete, pintado ao vivo durante um show. “Estávamos tocando Beatles quando ele começou a pintura, com traços mais suaves e coloridos. De repente mudamos pro rock e ai a obra virou outra coisa totalmente diferente, em traços pretos”, conta o baterista Orlando Neves.
 
Obra pintada ao vivo por Menelaw Sete
Obra pintada ao vivo por Menelaw Sete

“Isso aqui é um espaço de convergência, tipo um imã, que atrai várias coisas diferentes que são reaproveitadas, rearrumadas, como a própria casa. É uma união para experimentar. O que fizemos foi abrir a porta para a boca gritar, uma boca que fala várias línguas”, explica Vitor Lima, tecladista e arranjador da banda e irmão do organizador do local, acrescentando que o projeto “é um sonho que tem dado certo, onde o imprevisível pode acontecer”.

Confira a galeria fotográfica e conheça o espaço:

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