Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Sábado, 20 de Novembro de 2021 - 05:26

A beleza da poesia aleatória de Carol

por Carolina Freitas

A beleza da poesia aleatória de Carol
Foto: Acervo pessoal

O visgo que nos une

 

É o mesmo que nos mata
Mancha a faca
Com manchetes de jornal.

 

***

Elas que ficaram aprisionadas
e agora arrombam minha porta.
Contra minha natureza
que parecia estar morta
ou no mínimo um letreiro
dizendo: se comporta!
Veem meu outro eu,
escanteado de verdade,
se ver renascido com vontades.

 

***

Veja esta fantasia
livre de qualquer pudor
que eu chamo de amizade.
Que se traveste
com a permissão para ser risível
quando quer ser verdade.
Que me investe
de todas possibilidades
e desejos sem maldade.
Que expresso
como apreço,
mas é vontade.

 

***

O amor me move, mas um uber sai mais barato.

 

***

Desculpe,
tô naqueles dias
aqueles que a carência anda lado a lado com a loucura
aqueles que qualquer sentimento quer ser verbo
e se negam a ser guardados
esperneiam que nem menino em chão de mercado
um vexame até conseguir o que quer
ou tomar uma surra.

 

***

Nunca me acostumei a ser sozinha
E me arrumar pra ser só minha
Sem sair do berço que busca por atenção.



Você me mima
E mexe com minha auto estima
Me tornando prisioneira da sua afeição.



Completamente entregue
E em seus dedos talvez navegue
Transformando em degredo, sua mão.

 

***

A flor do anormal
a regra cega arrepia.
O que anestesia a multidão
pauta nossa relação.

 

Um louvor ao sentido da mente que permeia nossa relação enquanto meu corpo perturbado quer os 5 outros...

 

***

Não há revolução
com coisas velhas,
mesmo que elas
façam barulho.

 

***

Quem sou eu? Um sentimental erro
Sim, nesta de sentimentos, estou sozinho...
Vivo na ilusão psicanalítica de que todas seriam minha mãe.
Amei todas e errei transformando afeto em um desvario completo: são mães como Jocasta.
Não consigo esconder o eu que pulsa.
A culpa? A culpa é delas, que transformam o amor singelo em desejo latente e expõe suas carnes aos meus dentes.
São todas santas porque são sempre minha mãe, mas a boca as chama de putas.

 

***

O macaco te fareja, tio.
O instinto animal no seu cangote.
A inteligência pode ser arrebatada
A animalidade é um dote
Que se faz presente na mente fechada.
A evolução é dormente, tio
Precisa dar uma sacolejada
Afastar velhos preceitos
Tornar preconceitos página virada.
Acorda homem
Esta sua postura
É um saco
Suas bolas não te evoluem
Se comporta-se como um macaco.

 

***

Nem na pausa do café, o tempo para. Segue indômito, como eu. 

A ternura não é incompatível, nem à vida, nem à mim.

Segue por caminhos reservados a quem se aventura em um momento de contemplação.

 

***

O que você joga fora
o fogo que cessou
e como cinza me parte
vou botar na tela
e fazer arte.

 

***

No arrebol
encontro
um amor
fogo fátuo:
fenece
até a noite dos sentimentos.



***

O café esconde o tempo, reaquecendo o olhar atento a hora (que urge).

 

***

O apoteótico morreu.
Implodiu.
Os sentimentos,
caroços de melancia
cuspidos no chão.
Híbridos, vãos.

 

***

Sua presença deu uma sacudida em mim.
Todos os pingos dos jotas e dos is estão espalhados no chão,
como se fossem pontos, três pontos, dois pontos...
uma bagunça de letras e sinais.

***

Da minha arte
Eu gosto mesmo a que é pintada a base da saliva
E do molhado do meu sexo
Feita sobre material novo.

 

***

Há um canto cinza que não olho
E o canto do olho que avista, não canto
Já foi mágoa, já foi pranto
Hoje nem tormenta
É lama que se assenta
E vira pó.

 

***

Não aguardo
seu retardo.
Esperneio,
ardo
e seguro o fardo.

Histórico de Conteúdo