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Sábado, 11 de Setembro de 2021 - 05:07

Pouquidões e vastezas

por Gabriel Nabuco

Pouquidões e vastezas
Foto: Simone Dattoli

Espinha

 

Saudade tem som de mofo

[sou de todo desbotado]

Travesseiro é arapuca de sonho?

[idealista dorme sem]

E passarinho tem cheirinho de céu?

[só saio com duas essências de Sabiás]

 

 

Formiga tem pista de invisível

[Devore duas diminutas evidências]

Noite cantarola em estrela

[aprecie a melodia cadente]

E poesia é conversa de pescador?

[vê se não engole a espinha]

 

Armação Celeste

Duas estrelas.

Duas formigas

[Duas estrelas na terra].

Não se joga um astro fora...

Ora, não se pisa em formiga.

 

Brincar de anatomia com a gente

É como tornar

Uma estrela cadente.

[clarezas dissipadas].

Formigas operam vastezas!

 

 

Dois mundos,

Possíveis mundos,

Acabados.

Dois menos 10 elevado a 16

Formiga-mundos

Formigas pesam mais que gente

[automaticamente, que viagem].

O planeta sente seus corpos.

 

Nem tsunamis nem furacões

Matam mais que seus pisões.

[olha pro chão, meu amor]

Olha pro chão...

Quem viverá a custas de pisões?

Nem quem pisa.

 

 

 

Ilusão

 

O meu cupido, antes de flechar-me,

Cuspiu a mim teu canto de cetim:

Se coincidires em amar,

Tuas penas vou podar!

Penosas penas te vou imputar

[Anos de desenganos no relento?].

 

Agora, teu coração cortarei.

Mil dias no sereno,

Para aprenderes a amar no frio.

- Meu cupido é vil veneno,

[Pior é a ilusão].

 

 

Outra Face

 

Adoecer de mim a Consciência...

- Um Deus me pensou!

[O indivíduo que nos revela,

Subjaz em nós].

 

 

 

 

 

*Glau-poema-coma*

 

Ai que saudade de uma poesia bem insetinha...

De olhar uma formiguinha a cair da árvore

E poder fotografá-la estrela cadente.

Já não ando tão brincante - com lupas e binóculos,

[Quebraram-se na estante do dicionário].

Gostava mesmo daquele tempo vário.

A conotação emboçava a denotação

E minha visão ativa se banhava no bolso da vida.

                                                                               

Apelo pelo imaginário travesseiro,

Deito só para sonhar

E pesco três peixes em um único anzol:

Imagem. Paisagem. Visagem.

Estou com pouco cortisol...

Volte amiga volte.

Aumente a dosagem!

Tenha dó desta retina

Que mesmo ao ver formiga passar,

Pisa como uma formiga mesmo.

 

 

Visagem

 

Perverter-se de Assum Preto:

Cegar-me em assobios de dor

[Para assim me cantar melhor].

Recriar de mim o Ser:

- Pôr Imagem em tudo

[Para assim ver melhor].

 

 

Poesia

 

Chega disso de

Ó céus ó mar

Os pesos me caíram bem

- Agora reviro chãos

Não opero mais grandezas

- Lupas me divinam

Encantam-me as estrelas da terra

[As formigas]

Cuido para não as afogar

- Já basta a chuva

Para não as pisar

[Quase amasso uma com esse maldito ponto escrito]

- Não confio em quem mata mosquito

Em quem se assusta com rãs na pia

Em quem não gosta de poesia

Poesia das miúdas mesmo

[Das formigas, rãs e mosquitos]

Acho que não deixei de olhar para o céu...

Na gota da poça de lama cabe nuvem

Deus me pertence na mosca da sopa

- No xixi das plantas

[O orvalho da palavra]                                                                

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