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Sábado, 05 de Junho de 2021 - 05:10

Ponto de fio de avó

por Urin Íris Leandro

Ponto de fio de avó
Foto: Urin Íris Leandro

Poema 1

 



ansiedade tecnostálgica



 

não é brincadeira quando dizem
sobre a efemeridade do tempo
sou de água
e a nostalgia
em parábola
faz dupla com todos os acontecimentos
que permeiam o meu caminhar

não é brincadeira quando dizem
sobre a efemeridade do tempo
nada retorna ao que foi
e isso é
um tanto quanto
misterioso
saudoso

o que fica do instante, é o afeto
e eu choro fácil
o que vem,
não sei.

Fotografia
capta 
um pouco do sentimento
em cores e em vida
 guarda o instante
a memória é limitada
o ser humano é

a fotografia paralisa, mas liberta
é um conforto para os nostálgicos
entendo, por isso, quem em momentos importantes da vida não tira a mão do celular, é uma ansiedade tecnostálgica.


 

 

 

Poema 2
 

 

Ponto de fio de avó


 

 

Corto a linha. Escolho a agulha. Miro o buraco. Alinho. E me faltam palavras. Eu costuro. Sou avó. Teço o destino. Lã. Calmaria. Sou avó. Mel. Doce. Teço o caminho. Sou avó. Teço os universos em um.

Não tenho rosto que possa ver. Não o rosto que procura em um corpo. Sou coração e teço. Terço de vó. Rezo. Todo o tempo. 

Você vê as minhas mãos. E os meus gestos. De dentro pra fora. De fora pra dentro. Eu danço. Quando as minhas mãos se encontram, gestam e parem. Pare. E os ciclos seguem... O estômago digere. O cabelo cresce. O sangue volta para terra.


 

 


Poema 3

 

 

 

Ancestrais

 

 

Muitas vezes a precisão é só de um cochilo no leito.

Uma volta inteira no sol do plexo. Um passeio nos  jardins das vértebras. Primaverar. Um             reconhecimento das minhas fases. Respirar o meu cheiro. Revisitar fotos antigas do varal do coração.
Aceitar quando o corpo pede um toque de lavanda. Apaziguamento. 

 

 

 


Poema 4

 

 

Reencontro.  

 

 

 


Âmbar
Fóssil
Fosse só pedra de tabuleiro
É peça que move conjuntura da vida

Eu tento, diariamente, calcular cada instante. O instante ri de mim, como se eu fosse criança. E eu entro na dança,
de soltar as rédeas ao porvir!

 

 

 

 

Poema 5

 

 

Mente

 

 

Porta retrato vazio
e aquela parede branca
por pintar

Fui fazendo daquela sala
O canto da natureza-Ventre
Sempre quando queria que algo acontecesse
La estava
Ou quando desejava desacontecer algo...
o todo e? Mente; o Universo e? Mental.

 

 

 

 

Poema 6

 

Parir-se
 

 

 

Corda?o umbilical. Sou dessas que por pouco sente o mundo tremer. E o mundo treme. Todos os dias. Me encanto fácil. Me doo fa?cil. Parto, fa?cil. Meu corda?o umbilical e? como se feito de estrelas. Escolhi não ir pra festa a? fantasia. E me vestir de dia. De dia quente.  Longe do frio e das possi?veis instabilidades de nuvem. Imprevisi?vel. O caminho mais fa?cil e naturalizado foi de fuga. Na?o querer ver. Nem encarar. Negar. Mesmo sabendo que a vida po?e a roda pra girar. Giro cósmico da vida-morte-vida

 

 

 

 

Poema 7

 

 

Mergulho

por um fio
Esse um
Encontra va?rios

por um fio
Aranha
Miste?rio
Passado

Mergulho em mim
Separo
Joio
Do trigo

Me intrigo
Enlac?o a vida
Em danc?a de pau de fita
junina


Mesmo que flutuante
festejo o lampejo
De quando o dia nasce

Escolhi deixar o medo na mesa das cartas de baralho certeiro. Que aponta a carta SOL como direc?a?o.

 

 

 

 

Poema 8

 

 

Abraço

 

 

 

Não se entende tudo
E mesmo que se queira...
Tem o amor que cai da ribanceira
O abrac?o que acalenta
A ilusa?o que humaniza
A dor que paralisa
A poesia

Que retrata
O rejunte
Que desliga
A magia
Que envolve
A paixa?o
Que da? a liga.

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