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Sexta, 22 de Janeiro de 2021 - 05:07

Versejos & proseios

por Jose de Jesus Barreto

Versejos & proseios
Foto: Acervo pessoal

Meus versejos cortam ondas, renegam regras

Escrita desalinhada, métrica quebrada, cerzindo sons, cuspindo dúvidas, espremendo significados

Palavras avoantes, bicantes... nuvens soltas

 

Trago, além do poético, o patético

O impensável, o impulsível.

O meu possível.

 

**

 

Meu escrito são proseios

Vez ironias, ora agonias.

Alinho nele o passar dos dias

Clarões, sombras, anseios.

Não consigo fazer poemas, só os leio

Quando dói, escrevo quebrado

Esquinas, encruzilhadas, o fado

Letras tortas, bordejos, sem chuleio.

Palavras de brincar

Brinquedos de sentir.

 

**

 

Um silêncio em mim lateja

Aquele silêncio que reza,

murmura, que dói e geme

O imaterial que grita

num canto:

Solitude.  

 

**

 

Vícios e amores 

 Sopram as dores

 desse viver

 

*

 Verbalizado, o amor escapa.

 Amar exige silêncios

 Pede quietudes

 nessa noite sem lua

 basta-me um sax

 gemendo blues

 

**

 

Um dia,

só silêncio

e solidão

por companhia

E era tudo

o que bem queria

 

*

O tédio, o medo

O ódio, o fado

O vento, um credo

Um trapo, o breu

Um texto, o lume.

 

 

**

 

- quando tu flores, eu pranto.

- mata-me de dengo,

   antes que morra de tédio.

 

 

**

 

A vida é
um pisco
um cisco
um risco
um lambisco
do Infinito

 

**

 

 Agrados

 

 Ninava-a até que adormecesse

 no calor do depois, só pra vê-la

 Largada e entorpecida

 Pele brilhosa, nascente

 Carnes, bocas trêmulas

 Odores sabores sagrados  

 Segredos desvelados

 

**

  

Trilhas

Se naquela encruzilhada eu tivesse tomado outro caminho...

Onde estaria agora ? 

Se naquele dia tivesse dito sim ... ou não

O que depois seria?

Pior, hoje bem sei, nem sei o porquê ou se foi mesmo eu

quem decidiu ir por aqui e não por lá.

Nada sabemos dos descaminhos das almas, fados.

Tantas encruzilhadas, desvios, atalhos, subidas, atoleiros...

 

A velhice parece uma planície sem horizontes.

Existir é resistir a tropeços e quietudes

Mesmo que despedaçado.

Sou um descompreendido

Apenas caminheiro. 

 

**

 

Cultivo ainda a esperança.

A do esperançar

Não mais a do esperar.

Trago esperanças

Mas nada espero.

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