Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Sábado, 09 de Janeiro de 2021 - 05:06

Fragmentos

por Carolina Freitas

Fragmentos
Foto: Acervo pessoal

Crio porque creio,

ainda que seja em mim.

Crio é minha mente

no cio

querendo reproduzir.

A sede da arte me parte

Partitura, música, candura,

gritada, sussurrada, surtada,

nada velada,

querendo se exibir.

Centelha, criatura,

figura,

crio, retrato de mim mesmo

a esmo

que caminha com suas pernas

e parte.

Crio porque é arte

e merece ser livre.

 

****

 

Sou estranha.

Sonho com caligrafia,

adoro a textura do caderno

e o deslizar de um lápis

bem apontado.

Sou entranha.

estou sempre

do lado do avesso

e o barema dos meus órgãos

e segredos

é visto

nas letras das poesias.

 

****

 

Haja raça,

haja birra,

quando irascível mira

quem quer contrariar.

É zanga?

Resquício de mandinga?

Me diga!

Né não!

É só seu humor peculiar.

 

****

 

Erma como uma letra

no alfabeto

que não se sabe fundamental

à palavra.

Presa a um valete.

Paus e espadas

numa mão sem copas.

 

****

 

Tirei a fita do pote

e você expressou a agonia

e o medo que eu pudesse

te pedir de novo.

 

Já não era meu

Já queria fugir

Como se tudo fosse

engano,

como se estarmos juntos

não fosse parte de um plano

sonhado junto.

 

Eu, do meu lado humano

como um segredo que se desencripta

disse,

é pra pedir um novo trabalho,

amarra a fita.

 

Era pra acalmar seu medo

Pra dizer não tema

Não me tema

Não tema meu amor.

 

Depois da fita

(pra pedir um novo trabalho)

num ato falho

insisti por uma foto bonita.

 

Sua agonia tá lá escrita

no fundo do seus olhos...

veja bem...

 

Hoje, sem nenhum porém

sem nenhum emprego formal novo

o laço amanheceu desatado

as pernas da fita lado a lado

como se desfazendo um engano

 

Acho que pra me lembrar de um novo plano

Amarra um fita sozinha

Pede pra se achar de novo

Pede pra ver no amor um rosto novo

Pede pra se ver no espelho

 

Aproveita o que se partiu e o que se desfez

Que antes achou que era nó infinito

Deixa o dito pelo não dito

E caminha de uma vez 

 

****

 

Umbigo lácteo, nosso astro rei
Solitário em sua imensidão, mas cheio como progenitor
Desfila como guia das vidas lácteas no céu
Orgulhoso de ser essencial provedor

Gigantesco, mas não se nega a começar pequeno
Deixar brilhar o molhado do sereno
Coroa no céu ao meio dia
E sem qualquer ego, saber que o enamorar
Está destinado às estrelas.

Às vezes, porém, cisma de ser testemunha
E se acende
Provoca febre
Cria a desculpa ideal de tirar a roupa

E a boca, sedenta
Pensa que não lhe serve mais a água,
só saliva, néctar de quem se ama
E o sol suspira no quase roçar dos lábios
se tomando por feliz testemunha.

Histórico de Conteúdo