Sábado, 04 de Abril de 2020 - 05:11

As veredas ásperas desse tempo

por José de Jesus Barreto

As veredas ásperas desse tempo
Foto: Pátria Latina

Pensamentando sobre o viver nas veredas ásperas desse tempo

 

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Não aprendi a ter posses

Nunca soube o que seria de mim

É tanto o desolo que até me rio

Ainda vivo por especular palavras

*

Os descaminhos desse mundo

parecem não ter fim.

Nós é que nem chegamos.

*

E nos perdemos pelos ermos, pelos vãos e desvãos, nos ocos do destino.

*

Qualquer sombra de verde me amansa

Qualquer sopro de vento me refresca

Mas é tudo passageiro.

*

O existir pirilampeia.

Alegria acende, medo apaga.

Vagalumeamos.

*

Pare, espere ! 

Ouça o barulhinho desse silêncio.

Sobeja.  

*

 Pensamentando bestagem descubro que muita coisa importante desse mundo vive  desnomeada, carecendo ainda de se dar batismo pra fazer sentido.

*

Caminho, caminho ...

sem desejo de chegar a lugar nenhum

Um andar sem destino, pelo trivial de ver o sonho passar.

Ele desmedido, eu desiludido.

Um ir solto, liberto, sem apegos, sem pertencimentos.

Caminhante avoador.

*

Cato sabedorias no desassossego do nada.

*

 Imagino...

 Olhando o mar, a flor da manhã, o voo do passarinho:

- A beleza está impregnada do absurdo.

  O belo mora no obscuro das coisas.

  Feito relâmpago.

  Tonteia.

*

O medo faz muitos pensamentos... que embotam a mente.

*

É no breu da solidão, no escuro do segredo

que o lume das ideias me clareia.

Então, escapulo da doideira.

*

Tem dias que adormeço sem receio de não mais acordar, prisioneiro do sono;

Como que levado e não trazido do improvável desconhecido. Querendo. 

*

Lateja até a morte no coração amante

o cheiro da amada que ficou pela estrada 

 

*

A paixão amolece

quando não se padece

*

É o tempo, passante, que mede a lonjura da travessia

até o que nem a vista alcança. 

Ando tão descompreendido desse viver

que coisa alguma mais me faz desperecer.

*

Ao me ir, pois, não deixo posses ou guardados;

Vou-me nu, como nasci.

Só querências, saudades boas 

como legados.

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