Sábado, 22 de Fevereiro de 2020 - 10:15

Mil léguas sem um tombo

por Carolina Freitas

Mil léguas sem um tombo
Foto: Érico Amaral

Me fita

no viço de minha pele

bonita.

Posso tudo

só não me cabe

a modéstia.

Me fita.

Ser sexual me dita.

A leoa faz de presa

o leão.

Me fita

e amarra a fita.

A fita.

A nós,

o laço da escrita.

 

 

 

 

 

Aqui, seremos só mar.

Mesmo que tenhamos

a vastidão do sertão,

mesmo que aqui

a forja seja no seco

do sol,

aqui, à revelia da poesia

de outrora,

quando juntos,

seremos só mar.

 

 

 

 

 

Sou um mar de sensações...

As palavras ainda navegam em mim

mas não se juntaram

Estão emboladas nas ondas

como os mil jeitos que embolamos nossas pernas.

Elas querem sair

pular dali para o caderno irmanadas...

mas as ondas vêm e as misturam

e as embolam

no êxtase do gozo

quebrada da onda na areia.

 

Elas querem dizer

da morada no corpo quente.

Dizer a oração

Me resumiram na expressão tudo

e te ouviram na expressão nada

pediram aos céus a melhor perspectiva desta palavra.

 

Estão molhadas as palavras não combinadas

nesta rotina de sal do mar de nosso corpo

nesta rotina sabor amônia

das minhas cavidades.

 

Elas querem te dizer

que as palavras

lidas no meu sono

quando descobertas na leitura solitária,

ganham outro sabor.

Beleza dobrada.

Que o respeito do silencio

vem depois no som da folheada da página

e que ter sua lembrança assim,

ressignifica cada livro.

 

Mas as palavras hoje, meu amor

ainda estão emboladas no mar das sensações

no mar das estocadas

no mar destas ondas que quebram com força em mim.

 

 

 

 

 

Moço,

como me deixa

fértil.

Como em mim

ideias nascem,

moço.

 

Moço,

como estou feliz

em poder beijar

e contemplar

seu rosto,

moço.

 

Moço,

todo nosso fruto

na arte.

Todos nossos filhos

espelhados no papel,

moço.

 

 

 

 

 

Não vou enquanto me quiseres.

Os beijos adiados,

todos computados,

serão docemente dados

 

Não há mais linha de borda,

é cheio por dentro e por fora

Vermelho nosso amor sinal

Cintilante como cristal.

 

 

 

 

 

Meu Amor,

meu artista predileto

te peço (te peço!!!)

me diga: eu faço!

Traça no papel

tinta, pincel

pinta no céu

um coração literário.

Meu Amor, meu Amor!!!

Meu artista predileto!

Te peço, te peço!!!

Me diga: eu faço!

No papel, um coração

não um de copas

nem de anatomia

nem estes de todo dia...

Pinta

o nosso

o que pulsa em mim

e em você do outro lado.

Na parede da existência

um quadro,

um coração literário.

 

 

 

 

 

Oh, Tela

que revela,

que as vezes

traz mensagem tão bela,

quando teremos, Tela

poder de te suplantar

e através de ti puxar

o que o outro lado revela?

Oh, Tela,

que é janela

pra espiar tantas coisas

que um dia tiveram

que ser sonhadas

só na imaginação...

Como serão

estes meninos novos,

oh, Tela?

Como será

sua criatividade?

O que deixara

a encargo da curiosidade

e da criação natural

da mocidade?

 

 

 

 

 

Padeço.

Não me recorre na elegia.

Não me cita no senado.

Mas me usa no celeiro.

Quer ser rei no meu congado.

Apeia!

Já te levei mil léguas

sem um tombo!

 

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