Sábado, 20 de Abril de 2019 - 05:01

Poesia de toda a vida

por Sérgio Mattos

Poesia de toda a vida
Ilustração: Acervo pessoal

PSIU DA SILVA

 

Pobres farrapos

que à noite tremem.

Pobres de vós

porque o vento é frio

e a chuva cai.

Teu nome? Não sei.

Talvez Chico, talvez Xavier,

Psiu da Silva

ou um João ninguém qualquer.

 

 

NATAL POR SEGUNDO

 

Nasceu menino...

Morreu no espinho.

Brilhou estrela,

mostrando o caminho...

 

Partiram de longe,

José e Maria.

Nasceu menino,

na estrebaria.

 

Há PAZ em 24 horas?

Não, mas em cada segundo

nasce um menino mundo

 

 

 

 

REMINISCÊNCIA

 

A infância passa

A saudade fica

A infância passa

não volta...

A saudade chega,

não passa...

 

 

 

 

PERFEIÇÃO

 

para Guido Guerra

 

Senti o poema

somei os sentimentos

mas não o escrevi:

Era perfeito demais para existir...

 

 

 

 

TE AMAREI SEM PÂNICO

 

Convém amar

enquanto vivo

frágil mortal

sem forças para pensar.

 

Amarei sem fúria

como quem não tem

pressa e sussurrando,

como quem pede perdão.

Te amarei sem pânico,

Tranquilamente...

 

 

 

 

A MUSA

 

E eis que, pela vidraça,

sem nenhum disfarce,

eu a vi, cheia de graça.

 

 

 

 

POLUIÇÃO

 

Pleno de medo e encanto

cheirei um lírio partido,

jogado, perdido no canto

daquele jardim, de espinhos

e rosas, à beira do caminho.

Palpitando seu perfume aspirei

e o olfato do poeta,

já poluído, nada sentiu...

 

 

 

 

O SORRISO DE PAULA

 

Um sorriso

comprido

sem artifício

nem vício.

Um sorriso

puro,

de encanto,

de criança.

É o sorriso

que tenho na lembrança

nos momentos distantes,

na hora do abraço

do encontro e do cansaço.

 

 

 

 

PEDIDO

 

Ao jardineiro pedem uma rosa.

Ao juiz pedem justiça.

Ao poeta pedem a verdade.

Por que se pede uma rosa

quando se sabe que fora do pé

ela pouco viverá?

 

Por que se pede justiça

quando se sabe que o devedor

ainda em vida pagará?

 

Porque se pede a verdade

quando todos sabem pedir

e poucos sabem dar?

 

 

 

 

CANHÕES DE AMARALINA

 

para Ruy Espinheira Filho

 

De Ruy, Marinha

me apetece.

Gostaria que fosse minha

tão bela poesia que enternece.

Lendo seus versos,

transparecem as ondinas, a areia fina

e os canhões de Amaralina.

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