Sábado, 23 de Março de 2019 - 05:05

Meu amor de ontem

por Otto Freitas

 Meu amor de ontem
Foto: Fabio Bouzas

Meu amor de ontem

  

Hoje reencontrei

o meu amor de ontem.

Voltei no tempo,

ocupei as lembranças.

Meu coração voou

morrendo de saudade.

Como se agora

fosse hoje.

Soube então que

meu amor de ontem

venceu os dias.

Ele é de hoje e de sempre,

eternamente.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Verão

  

As nuvens partiram à revelia do vento.

O céu brilha azul sob o sol de outubro.

Quando a luz descansa sobre o mar,

você aparece entre os últimos raios do dia.

Chega para completar a beleza da tarde

e confirmar que já é verão,

mesmo antes do tempo.

 

 

 

 

 

Dona da rua do Fogo

  

Moça pudica, silenciosa,

dona da rua do Fogo.

Veio de longe nos anos

com seu cheiro de angélicas

e sexo com gosto de mel.

 

Ah! Aquela morena

de longos cabelos

e pele de pêssego,

uma princesa virgem.

Seus peitos duros,

salientes, saltitantes,

apontam para o desejo,

desafiam a libido.

 

Naqueles tempos

de boleros inesquecíveis,

jovens corpos ardiam,

grudados pelo suor.

Paus duros roçavam

jovens coxas roliças,

em busca de entranhas

molhadas,

impenetráveis.

 

A dona da rua do Fogo,

impávida, impassível,

mantinha o cotovelo

vigilante, intransponível,

em defesa das falsas

vergonhas beatas.

 

Depois da meia-noite,

entre quatro paredes,

a donzela da rua do Fogo

revela a mulher

que escondia em si,

fogosa, libidinosa,

depravada, escandalosa.

 

O fogo lhe sobe

entre as pernas.

Na posse do seu corpo

e do próprio destino,

arde feito brasa

em desespero

e grita, grita, 

de prazer e de gozo.

 

 

 

 

 

 

 

A seus pés

  

Deixei suas sandálias sob a cama,

para  você calçar quando vier do riacho,

junto com o último raio de sol.

Todo fim de tarde eu espero,

com as suas sandálias sob a cama.

Mas você nunca mais voltou.

Sinto saudade dos seus pés,

tão pequenos, delicados, lindos,

sob as águas do riacho.

Suas sandálias continuam sob a cama.

 

 

 

 

 

Únicos

  

Vem o fio e corta,

separa, reparte.

Uma parte quer a outra,

a outra parte resiste,

triste, torta.

A terceira parte rejunta,

amarra nos laços da sorte.

Sem fio, sem corte.

Únicos.

Histórico de Conteúdo