'O fora Bolsonaro pode ajudar', opina Juca Ferreira sobre soluções para guinada na Cultura
Ministro dos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff no extinto Ministério da Cultura (MinC), Juca Ferreira participou também, como secretário executivo, da gestão de Gilberto Gil na pasta. Os anos em que estiveram à frente da gestão cultural do país são conhecidos como o período de maior agitação da cultura nacional. Sob a criação de novas políticas públicas para o setor, houve uma nova relação entre o governo e a sociedade civil durante a época, que o entrevistado chama de era "Gil-Juca". Foi nesse mesmo período em que o acionamento de instrumentos de fomento a partir de estratégias de renúncia fiscal - leia-se Lei Rouanet - foi alvo de críticas por parte de setores conservadores da sociedade. Juca concorda que o programa não é o ideal, mas aponta erros diferentes. "Eu sou o maior crítico da Lei Rouanet, mas não é uma crítica parecida com a de [Jair] Bolsonaro". Para ele, Regina Duarte não merece o seu tempo e representa a continuidade do "fascismo" de Roberto Alvim, seu antecessor. "Pega uma pessoa que já foi conhecida como a "namoradinha do Brasil", uma atriz da Globo, com uma trajetória longa, com um nível de popularidade alta, mas altamente reacionária, muito afinada com os valores de Bolsonaro e ela não vai mudar nada", apontou.

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Armandinho celebra criação de Dodô e Osmar: 'Carnaval da Bahia é feito por trios elétricos'
Das fobicas aos caminhões que hoje arrastam multidões ao som de gêneros musicais dos mais ecléticos, os 70 anos do Trio Elétrico são tema do carnaval do governo da Bahia em 2020. Para contar detalhes desta história, Armandinho Macêdo conversou com o Bahia Notícias e lembrou de alguns episódios interessantes sobre a invenção de seu pai, Osmar, e do amigo Dodô. O Trio Elétrico, que na verdade era o nome de um conjunto musical e não do equipamento, surgiu em 1950, após os criadores presenciarem um desfile de uma orquestra de frevo pernambucana pelas ruas de Salvador. “Meu pai já gostava de frevo, e quando ele viu o povo enlouquecer com aquele Vassourinha, ele: ‘olha, essa é a música que vai detonar aqui!’”, recorda Armandinho. “Meu pai tinha uma [fobica] que ele dizia que usava no começo da metalúrgica dele para carregar as ferragens dele. E aí ele abriu o fundo, ampliou, fez meio caminhonete para carregar as ferragens dele, aí ele fez isso. Disse: ‘Olha, Dodô, já tenho meu carrinho, já tem um fundo aberto, vai eu e você ali, a percussão vai andando pelo chão e a gente sai tocando’. Rapaz, o negócio fez um sucesso! Quando saiu tocando aquele cavaquinho, aquelas cornetas, o povo enlouqueceu. E ele foi para a Castro Alves porque ele sabia que ali não tinha carnaval oficial e ficava sempre uma galera fazendo batucada, tinha uma concentração de um povão mais pobre que não tinha clube, que não participava daquele corso, daquele desfile de carros alegóricos e tal. E aí ele levou pra lá”, conta o músico, lembrando ainda que a novidade provocou euforia e confusão ao encontrar o Carnaval oficial. “Foi aí que deu um problema danado, porque na frente do Carnaval vinham uns homens na cavalaria, anunciando os que iam na frente. Quando eles chegaram perto do negócio, que viram ‘terenrenren’, diz que os cavalos empinaram, um caiu, se machucou, aí veio a polícia. Prende, não prende, leva e tal, mas o povo todo ‘solta, solta!’”, conta Armandinho. Criador da guitarra baiana, o multi-instrumentista falou com o BN sobre a evolução da festa, a inclusão dos vocais nos trios elétricos a partir de Moraes Moreira, além da importância da valorização e continuidade do “que representa a cultura baiana”, a exemplo dos blocos afro e afoxés. Armandinho destaca ainda que considera mais do que justa a homenagem aos 70 anos do Trio Elétrico e diz que não existe tema mais democrático. “Veio uma conversa de ‘ah, é que o pessoal está querendo uma coisa mais genérica, pra não favorecer a um e a outro’. E eu ainda falei: ‘mais genérico que o trio elétrico…’ (risos). Todo mundo, é bloco afro, axé, pagode, sertanejo, está todo mundo em cima do trio elétrico. Então, tá todo mundo utilizando o veículo, o carnaval da Bahia é feito por trios elétricos”, defende o artista, que subiu pela primeira vez no trio ainda criança, aos 10 anos, e permanece até hoje, junto com seus irmãos. 

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Diretor do Ipac explica processo para tombar Palácio Rio Branco; interesse é 'preservar bem'
Funcionário de carreira do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o arquiteto João Carlos de Oliveira é, desde 2014, o diretor do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac). Especialista em Conservação e Restauração de Monumentos e Conjuntos Históricos pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), o gestor cedeu entrevista ao Bahia Notícias e falou sobre temas caros ao debate público acerca do patrimônio do estado. Sempre se referindo a sua atuação no plural e com expressões como "a gente", o arquiteto e servidor federal de carreira procura dar um sentido de compartilhamento da sua gestão à frente do instituto.   Dentre os assuntos debatidos estão a interiorização das ações do órgão estadual - prometido como uma das suas metas quando assumiu a pasta -; as estratégias para driblar os recursos cada ano mais diminutos na Lei Orçamentária Anual (LOA) estadual; e a polêmica em torno da destinação do Palácio do Rio Branco, no Centro Histórico de Salvador. Outra polêmica, essa mais recente, é a em que o Ipac esteve imerso nos últimos meses, em que a realização de shows na área externa do Solar do Unhão, que abriga o Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA), foi questionada pela opinião pública e pela imprensa - o que gerou o cancelamento de um show do sertanejo Luan Santana, no início deste mês (relembre aqui).

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Terça, 10 de Dezembro de 2019 - 11:10

'Autora de seu próprio texto', Edvana Carvalho vence tabus e reafirma arte atemporal

por Lara Teixeira / Jamile Amine

'Autora de seu próprio texto', Edvana Carvalho vence tabus e reafirma arte atemporal
“Mulher preta inteligente, bonita, gostosa em cena. A autora de seu próprio texto”: é desta forma que a atriz baiana Edvana Carvalho quer que, não só o público, mas também o mundo a enxergue. Em cartaz no Cabaré dos Novos, no Teatro Vila Velha, com o espetáculo “Aos 50 – Quem me aguenta?”, até o dia 22 de dezembro, ela conversou com o Bahia Notícias sobre o envelhecimento e a maturidade, matérias-primas para a montagem de sua autoria. A partir de seu próprio cotidiano, a artista de 51 anos construiu o enredo do solo, estrelado por ela mesma. “Eu escrevi inicialmente duas crônicas para já ter na manga caso alguém me convidasse para um Sarau, ou algum evento. E a partir disso comecei a escrever sobre a vantagem de se chegar aos 50. Eu brinco muito com isso, com os tipos de namorados que aparecem querendo um relacionamento, fui escrevendo sobre a questão hormonal, que já vamos vendo as mudanças...”, conta a artista. Apesar das risadas e do bom humor, Edvana busca levar ao palco uma visão realista e não romantizada deste processo. “Rapaz, envelhecer é muito ruim, não é legal, não. Essa coisa de dizer ‘ah, é ótimo!’. Mentira! O bom é ter 20 anos, não é não, pai? Você não sente uma dor na coluna, nada! Você curte cinco, seis dias de carnaval e não volta nem em casa, que nada… Mas assim, é melhor estar vivo do que estar morto, não é? “, provoca a atriz, que costuma brincar com os truques bastante usados atualmente para tentar burlar as marcas do tempo. “Quando eu vejo as pessoas da revista na rua e vejo o tamanho da transformação, eu fico pensando: ‘oh, cansou de ser bonita!’”, ironiza a artista que já tem uma neta, ama o novo status, mas prefere ser chamada de “vovóguete”. Na entrevista ao BN, além de contar alguns causos divertidos, Edvana falou ainda sobre episódios de racismo pelos quais passou; comentou sobre os últimos trabalhos na TV Globo, em "Malhação" e "Pega Pega"; e revelou algumas informações de bastidores da série “Irmãos Freitas”, na qual ela interpreta a mãe do pugilista baiano Popó. A atriz destacou ainda a importância do Bando de Teatro Olodum em sua formação como artista, pessoa e ativista negra, e revelou que pela primeira vez será protagonista de um longa-metragem. “Se tudo não parar nesse país, como pelo visto está encaminhando pra parar, eu acho que no fim de 2020 deve sair”, conta Edvana sobre o filme “Receba”, com roteiro e direção de dois baianos, Rodrigo Luna e Pedro Perazzo. “Apesar de ser gravado em Salvador, a história não tem nada das coisas mais folclóricas de Salvador. É um filme que pode ser rodado no Japão ou em Nova York. É meio de ação, meio policial, eu estou sempre fugindo de bandidos que querem me pegar e eu também não sou tão boa coisa. Mas eu sou meio heroína no filme”, explica.

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Sexta, 22 de Novembro de 2019 - 11:10

Milton Nascimento lembra censura da ditadura a disco: ‘Passamos a mensagem sem letra’

por Lara Teixeira / Rebeca Menezes

Milton Nascimento lembra censura da ditadura a disco: ‘Passamos a mensagem sem letra’
Aos 77 anos, Milton Nascimento tem muito a contar e cantar. Com show da turnê Clube da Esquina marcado para este domingo (24), na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, o artista contou ao Bahia Notícias que tem vivido “momentos maravilhosos” na estrada, ao mesmo tempo que recorda momentos intensos que viveu antes, durante e depois da gravação do disco. Grande parte dos álbuns Clube da Esquina 1 e 2, lançados em 1972 e 1978, respectivamente, foi escrita em pleno regime militar. Mesmo com a censura a um disco praticamente inteiro, foi um dos poucos a não ir para o exílio. Na entrevista, o artista explica sua decisão de permanecer no Brasil e como resistiu ao regime: “passamos a mensagem mesmo sem letra”. Milton resumiu ainda o que acha da nova geração da música brasileira. O cantor recentemente se envolveu em polêmica após dizer, em uma entrevista, que “a música brasileira tá uma merda”. Depois da repercussão, ele explicou em suas redes sociais que se referiu “exclusivamente à música feita no mainstream do mercado nacional”.

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Sexta, 01 de Novembro de 2019 - 11:10

Thiago Arancam encerra em Salvador turnê em que buscou popularizar o canto erudito

por Lara Teixeira

Thiago Arancam encerra em Salvador turnê em que buscou popularizar o canto erudito
O tenor brasileiro Thiago Arancam retorna a Salvador neste domingo (3) para encerrar sua turnê "Bela Primavera". A apresentação acontece às 19h, na Concha Acústica do Teatro Castro Alves. O artista contou em entrevista ao Bahia Notícias que está ansioso para se apresentar pela primeira vez no local e revelou como conheceu o espaço. "A primeira vez que eu soube da Concha Acústica, eu estava fazendo a estreia do meu show no Teatro Castro Alves, e tinha Maria Bethânia tocando na Concha. Aí do meu camarim, da janela, eu ouvi aquilo, aquela massa, todo mundo cantando e eu perguntei para minha equipe: ‘o que que é aquilo?' Me responderam: 'é a Concha Acústica do TCA'. 'Quantos lugares?', eu perguntei, '5 mil pessoas', responderam. Caramba.... Aí isso põe a sementinha aqui na nossa cabeça, e eu fiquei pensando: ‘um dia eu vou para lá, um dia eu vou para lá, um dia eu vou para lá’. Então claro, estou ansioso [...] Quando eu comecei eu tinha a lembrança de ouvir Maria Bethânia cantando ali, e agora estarei lá", destacou o cantor. Desde que retornou ao Brasil, em 2017, Thiago Arancam tem buscado popularizar o canto erudito. Para isso, o paulista decidiu adicionar em seu repertório músicas do pop e rodar pelo país com suas apresentações. Segundo Arancam, o público tem aceitado bem as mudanças e ele tem conseguido alcançar seu objetivo. "Tem tido uma resposta positiva de todas as pontas do Brasil que eu fui. Eu tive o privilégio de rodar inúmeras capitais, sempre com casa cheia, com o público bem receptivo, que canta mesmo que seja em outra língua, todas as faixas etárias. Eu venho ao longo dos anos tentando democratizar a música, num projeto de levar para todas as camadas sociais, tantas vezes em programas populares também, para ir quebrando esse paradigma e esse preconceito em relação a isso. Mas a aceitação está sendo a melhor possível". Na entrevista, o cantor, que está na versão brasileira do musical “O Fantasma da Ópera”, ainda falou sobre sua participação na gravação da música "A Bahia Canta a Sua Santa", criada em homenagem a Santa Dulce dos Pobres, e sobre a experiência de estar na celebração da canonização de Irmã Dulce, que aconteceu no dia 20 de outubro, em Salvador.

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Terça, 22 de Outubro de 2019 - 11:10

'Estamos vivendo momentos estranhos', desabafa Dado Villa-Lobos sobre atualidade

por Lara Teixeira

'Estamos vivendo momentos estranhos', desabafa Dado Villa-Lobos sobre atualidade
Legião Urbana é um grupo que marcou uma geração nos anos 1980 e ainda consegue passar mensagens importantes nos dias de hoje, já que suas músicas são atemporais e conversam com os acontecimentos da atualidade. A banda encerra em Salvador, neste domingo (27), sua turnê de 30 anos dos álbuns "Dois" e "Que País é Este?", lançados, respectivamente, em 1986 e 1987. Com músicas como "Faroeste Caboclo", "Índios", "Tempo Perdido" e "Eduardo e Mônica", Dado Villa-Lobos (guitarra) e Marcelo Bonfá (bateria) se juntam a André Frateschi no vocal, à guitarra e violão de Lucas Vasconcellos, aos teclados e programações de Roberto Pollo e ao baixo de Mauro Berman para se apresentar na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, às 19h. "Salvador tem um astral muito específico, é muito Salvador, é muito bom chegar aí, e espero que isso que eu estou mentalizando aconteça tudo de novo, porque é uma experiência muito boa!", destaca Dado Villa-Lobos ao Bahia Notícias. Apesar de estar feliz com a resposta do público em relação ao show e de voltar mais consciência ao palco para tocar as músicas dos dois álbuns, o guitarrista confessou ficar triste por interpretar "Que País é Este?", já que é uma canção que vem sendo utilizada por manifestações de diferentes vertentes aqui no Brasil. Um exemplo é a utilização pela extrema direita ao buscar uma ruptura da democracia. "Eu sinceramente acho patético, enfim, eu fico muito triste até de cantar essa música, porque já deu. Mas a extrema direita com seu discurso homofóbico, extremamente violento, partidário e exclusivista, não tem valor pra mim. Quer dizer, não tem nada a dizer, esses caras só pensam em gerar notícias, e notícias sem argumentos, não há mais argumentos, como: ‘vamos buscar então um argumento, canta aí Que País é Este?’, entende? Porque ali não existe ideia e argumentação válida que diga e fale pra pessoas esclarecidas. É triste. Estamos vivendo momentos estranhos, no mundo todo".  Na entrevista, o artista ainda fez uma análise sobre a atemporalidade da Legião, o amadurecimento do grupo com o passar dos anos e ainda deu esperanças aos fãs sobre uma nova turnê para celebrar o álbum "As Quatro Estações (1989)". "É um disco que tem uma força muito grande pra gente, foi o começo de um novo ciclo da Legião [...] ele abriu novas portas, novas percepções musicais, então a ideia seria fazer". 

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Mais introspectivo, Teago Oliveira lança primeiro disco solo com idealismo e melancolia
No mesmo ano em que o Maglore – grupo do qual faz parte – celebra dez anos de trajetória, o cantor e compositor baiano Teago Oliveira dá seu primeiro salto individual. O artista, que vive em São Paulo, lançou, na madrugada desta terça-feira (17), o disco solo “Boa Sorte”. O show de lançamento acontece em Salvador, sua terra natal, no dia 3 de outubro na Sala do Coro do Teatro Castro Alves. Em tom melancólico, o músico canta visões de mundo e sentimentos muito pessoais, como a saudade da Bahia, a admiração por Belchior, lembranças familiares e a preocupação com o futuro do país e do mundo neste período de crise. “Foi uma questão de sonoridade e ao mesmo tempo uma necessidade urgente de conversar sobre coisas do nosso mundo. Não que isso não tenha sido feito na Maglore, o último disco fala muito sobre sociedade, do indivíduo, e esse meu disco é um pouquinho mais introspectivo nesse assunto”, disse o artista, em entrevista ao Bahia Notícias. “O som da Maglore é um som que a gente construiu e que a gente enxerga várias possibilidades para os próximos trabalhos, mas ele tem uma assinatura. Então no meu disco eu queria arrumar uma outra assinatura, criar um outro universo musical”, explicou. Contemplado pelo edital Natura Musical, o disco conta com 11 faixas inéditas, a maioria composições do próprio Teago e algumas parcerias com amigos como Luiz Gabriel Lopes e Marceleza Castilho. Este último assina sozinho a autoria de uma das canções e é também o responsável pelo que veio a ser o nome do álbum. “Foi de uma conversa que eu tive com Marceleza. Ele mora na França e perguntou qual era o título do disco. Eu falei ‘ainda não tenho’, e ele falou ‘boa sorte’, e aí eu falei ‘é um bom título!’ (risos). Porque a gente estava conversando sobre esse tempo maluco que a gente vive hoje em dia, e até conversando com amigos depois eu falei: ‘é, acho que pra gente o Brasil nesse momento precisa mais de sorte do que qualquer coisa’”, lembrou o artista. Na entrevista, Teago Oliveira falou também sobre o desejo do voo solo e o trabalho de composição, que levou anos; contou sobre o processo das gravações, que aconteceram de forma muito intimista, em Belo Horizonte, com apenas duas pessoas no estúdio; e ainda sobre o primeiro clipe, do single “Corações em Fúria (Meu querido Belchior)”, que foi gravado em apenas 6 horas, em Salvador. O cantor comentou ainda sobre os recentes casos de censura nas artes e a importância das políticas de incentivo, destacando o papel da cultura no fomento à economia e na geração de renda, além de apontar os problemas e mitos criados em cima de iniciativas como a Lei Rouanet.

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Fabrício Boliveira conta que 'chorou muito' em gravação de 'Simonal': 'É uma história de dor'
Fabrício Boliveira encarou o desafio de interpretar Wilson Simonal na cinebiografia do cantor. O filme "Simonal", que estreia nesta quinta-feira (8) nos cinemas, mostra o sucesso do carioca nos anos 1960 e 1970, além de abordar o momento em que ele foi acusado de usar agentes do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), órgão de repressão da Ditadura Militar no Brasil, para ameaçar o seu ex-contador. Com a repercussão do caso, o artista ainda chegou a ser citado como colaborador do regime pela imprensa na época. Apontado como dedo-duro, Simonal passou anos no ostracismo e foi rejeitado pelos veículos de comunicação e pela sociedade. "É dolorido, de algum jeito. É uma carga dramática muito forte que esses caras tiveram, que essa família carregou. Eu chorei muito nesse filme. Foi uma coisa muito louca fora de cena, porque eu não sabia nem o que era, eu tive que conversar muito com os filhos, porque é uma história de dor, é uma família destruída por conta de uma mentira, de uma fake news, então traz uma dor real. Mas ao mesmo tempo eu tive muita compaixão, e compaixão de paixão mesmo e de tristeza desse lugar, de pensar num artista que não pode mais cantar. E eu fiquei pensando muito no meu lugar de artista, se eu sou impedido de atuar, que é a forma que eu tenho de falar com o mundo, de me comunicar, ser impedido de fazer o que você mais deseja, o seu "gift", o seu talento, é muito dolorido", contou o intérprete de Simonal ao Bahia Notícias. Boliveira destacou a relação da trama do filme com a atualidade, que aborda temas como fake news, racismo e ditadura militar. Além disso confessa que, para ele, somente a arte pode ser capaz de dar um "basta" nas situações vividas por Simonal que acontecem até os dias de hoje. “Parece que o filme, que a gente fez em 2016, já estava prevendo, intuindo que a gente ia chegar nesse momento caótico e desesperador que o Brasil está passando com um presidente eleito por fake news. [...] A gente discute racismo nesse filme também, com pessoas do governo dizendo que não existe racismo nesse país. E a gente, graças a Oxalá, hoje, pode falar disso mais livremente. Mas que bom que esse assunto está voltando e com tanta força assim, com tanta necessidade. Fake news, racismo, ditadura, a censura da Ancine, que é um traço, um apontamento para a ditadura. Eu tô dizendo que esse filme vem como uma espiral: quando a gente perpassa um ponto, mas não é um círculo em que estamos limitados às mesmas respostas. Não, nós estamos evoluindo", acredita. “Simonal”, que foi dirigido por Leonardo Domingues, tem também no elenco artistas como Isis Valverde, Caco Ciocler, Leandro Hassum, Mariana Lima, Sílvio Guindane, entre outros.

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Quinta, 25 de Julho de 2019 - 11:10

'Contipurânia', Nara Couto evoca ancestralidade em show de novo CD no TCA

por Jamile Amine

'Contipurânia', Nara Couto evoca ancestralidade em show de novo CD no TCA
Cerca de um ano após lançar seu primeiro EP em carreira solo (clique aqui), a cantora, dançarina e pesquisadora baiana Nara Couto sobe ao palco do Teatro Castro Alves neste sábado (27), a partir das 21h, para apresentar o show de lançamento de “Contipurânia”, seu disco de estreia, com forte referência à ancestralidade e suas raízes. Dirigido por Elísio Lopes Jr e dividido em três partes, o espetáculo contará com a participação de convidados que possuem alguma conexão com a cantora: Lazzo Matumbi, Ilê Aiyê – com quem ela vai cantar uma música de Moa do Katendê –, a rapper Preta Rara e Mario Cooper, músico de Guiné Bissau. “Acho que é o tempo certo, um tempo de amadurecimento pra chegar nesse lugar com todo embasamento, toda essa carga de todos esses anos enquanto artista, enquanto pesquisadora. Me sinto muito feliz nessa nova etapa e com todo processo”, conta Nara, que há duas décadas se apresenta no TCA, seja como integrante da Orquestra Afrosinfônica, do Balé Folclórico da Bahia ou como backing vocal de outros artistas. Em entrevista ao Bahia Notícias, Nara contou sobre sua trajetória, desde criança nas ruas do Curuzu, encantada com a musicalidade e a carga cultural do Ilê Aiyê; passando pela construção da sua identidade artística e como pessoa; até o novo projeto, que resulta em show, CD e DVD. “Eu quis fechar um ciclo com um trabalho bonito, que foi o EP, que reverbera até hoje, e agora iniciando o CD ‘Contipurânia’ com uma provocação e outro entendimento desse novo ciclo de mim”, explica Nara, revelando que, enquanto o EP teve bastante influência da Orquestra Afrocinfônica, o novo trabalho vem com um toque de Letieres Leite, que assina a produção do disco, os arranjos do show, direção musical do DVD, e com quem ela viveu uma imersão de duas semanas. “O maestro foi super gentil e dedicado. Ele estava produzindo o CD de Maria Bethânia, tinha terminado de produzir a primeira parte do CD e nós entramos na imersão no estúdio com os músicos pra pesquisar a sonoridade, então ele trouxe tecnologia para as canções. Eu tenho o eletrônico em uma porcentagem um pouco menor, mas a tecnologia dos tambores, a tecnologia da junção dos elementos, isso foi construído com Letieres”, lembra. Na entrevista Nara Couto comenta também a situação do país, destacando a necessidade da coletividade e solidariedade para passar pelas turbulências de uma sociedade "doente". “A gente tem que vir com amor mesmo, eu sempre trago o amor como palavra de ordem e sororidade mesmo. Nós precisamos estar juntos, precisamos olhar uns nos olhos dos outros, precisamos trazer [para perto]”, diz a cantora, que falou ainda sobre a nova cena da música baiana e a presença de mulheres e negros em destaque. “Eu torço muito para que não sejam só em evidência Larissa [Larissa Luz], Luedji, Xênia, Josyara, eu, mas que isso multiplique cada vez mais e que a gente tenha suporte, que as pessoas assistam ao nosso show”, pontua, acrescentando que fica “sentida dessa necessidade de ter que sair de Salvador para retornar e ter esse reconhecimento, já que a nossa pesquisa e nossa existência parte daqui”.

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