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Na Secult, Mota calcula perda de R$ 2 bi com pandemia e estima retomada para 2º semestre
Foto: Paulo Victor Nadal / Bahia Notícias

Ex-titular das secretarias municipais de Mobilidade (Semob) e Serviços Públicos (Sesp), com passagem pela Secretaria Nacional de Turismo, Fábio Mota assumiu a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Salvador, em janeiro deste ano (clique aqui). Na nova pasta, ele aproveitou a experiência anterior para enfrentar a tarefa de elaborar políticas públicas voltadas para um segmento devastado, em meio à pior fase da pandemia do novo coronavírus. 

 

“Você encontra o setor em crise, numa paralisia total, você vai ter que usar de muito trabalho, muita criatividade para sair disso”, avalia o gestor. “É um momento difícil, acho que é o pior momento do turismo que o Brasil e o mundo atravessam, mas eu acho que a experiência como secretário Nacional do Turismo, da Semob, secretário da Sesp, tudo isso vai ajudar”, acrescenta Mota.

 

Em uma longa entrevista concedida ao Bahia Notícias, o secretário fez um balanço da atuação da Secult ao longo de um ano, desde o primeiro caso registrado da Covid-19 no estado; falou dos projetos da pasta em andamento, a exemplo da revitalização da orla marítima e as obras da Cidade da Música da Bahia, prevista para ser inaugurada até o dia 29 de março; e avaliou o papel da Lei Aldir Blanc, classificada por ele como “salvação de 2020 para o setor da cultura”, possibilitando a aplicação de R$18 milhões em projetos na capital baiana.

 

Fábio Mota falou ainda sobre algumas ações da pasta durante o período mais controlados da pandemia, quando foi possível reabrir o comércio e retomar o turismo. “A gente fez um convênio com a ABNT, que passou a fazer a fiscalização e a certificação dos estabelecimentos que estavam cumprindo o protocolo. Essa estratégia foi no intuito de mostrar ao cidadão soteropolitano, baiano e ao turista, que Salvador é uma cidade segura, do ponto de vista da pandemia. E acho que isso fez com que, antes dessa segunda onda a gente saísse de zero a quase 60% de ocupação hoteleira”, lembra o secretário. “Foram estratégias que funcionaram, mas infelizmente a segunda onda chegou forte no fim de fevereiro, estamos vivendo ela agora, e nós novamente tivemos que voltar à estaca zero e nos reinventar para o novo normal da segunda onda”, lamentou.

 

Com a cidade vivendo medidas restritivas mais rígidas, Mota explica que a prefeitura agora concentra as energias em preparar Salvador para o retorno das atividades. “Nós já temos uma luz no fim do túnel, que é a vacina. Estimamos que a quantidade seja bem maior que o que está se recebendo nos próximos dias, para que a gente consiga aí no segundo semestre imunizar muitas pessoas para fazer a retomada”, projeta o titular da Secult, lembrando que haverá um grande desafio com a demanda reprimida de mais de um ano. “A gente tem que estar preparado, tanto a rede hoteleira, como os parques, os equipamentos de cultura precisam estar se adequando para o novo normal e para a retomada que, sem sombra de dúvidas, teremos no segundo semestre”, garante.

 

Enquanto a normalidade não é restaurada, Salvador acumula prejuízos de mais de R$2 bilhões, apenas no setor do entretenimento, Diante desta realidade, a prefeitura estuda novas medidas e promete anunciar em breve ações para apoiar os trabalhadores da área (saiba mais), além de acompanhar o debate nacional, sobretudo o Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos, aprovado no dia 3 de março pela Câmara dos Deputados (entenda).

 

Confira a entrevista completa abaixo: 


No ano passado, pouco depois da posse de Pablo Barrozo como secretário de Cultura e Turismo de Salvador, nós conversamos com ele e o contexto era de incertezas, não só na capital baiana, mas em todo país. Na época, aguardava-se a implementação da Lei Aldir Blanc (relembre). Qual impacto teve essa política pública em Salvador?
Teve um impacto muito positivo, nós conseguimos implantar e distribuir mais de R$18 milhões para os projetos. Acho que a Lei Aldir Blanc foi a salvação de 2020 para o setor da cultura, especificamente. Então é um impacto importantíssimo, em uma cidade como Salvador você conseguir desenvolver uma política de R$18 milhões nos eixos todos.

 


Naquele momento Barrozo também pontuou algumas políticas a serem implementadas na cidade para tentar atenuar os efeitos da pandemia. Como exemplo, ele citou o Centro de Recuperação do Turismo, a campanha “Uma saudade chamada Salvador”, o Arquivo Público Municipal e a Casa da História, além das obras na Praça Cayru. Passado esse tempo, qual o balanço você faz da atuação da pasta nesse período atípico?
Acho que a Secult teve uma ação importantíssima, que foi a criação dos protocolos e do selo. A gente fez um convênio com a ABNT, que passou a fazer a fiscalização e a certificação dos estabelecimentos que estavam cumprindo o protocolo. Essa estratégia foi no intuito de mostrar ao cidadão soteropolitano, baiano e ao turista, que Salvador é uma cidade segura, do ponto de vista da pandemia. E acho que isso fez com que, antes dessa segunda onda a gente saísse de zero a quase 60% de ocupação hoteleira. 

 

Também montamos nesses três meses uma campanha especificamente para o turismo interno, tando interno do município, como para o estado e as cidades do Nordeste. Nessa época de pandemia você vê que tem uma dificuldade das pessoas fazerem deslocamento, o próprio medo da questão do avião, mas acho que isso ajudou bastante na ocupação hoteleira até fevereiro. Nós estávamos com uma boa ocupação na cidade, com visitas dos nossos equipamentos, desde os museus dos Fortes, até a Casa de Jorge Amado, a Casa do Carnaval. Então foram estratégias que funcionaram, infelizmente a segunda onda chegou forte no fim de fevereiro, estamos vivendo ela agora, e nós novamente tivemos que voltar à estaca zero e nos reinventar para o novo normal da segunda onda.

 

Agora temos sequência aqui, encontramos as obras da orla, por exemplo, que são feitas pela própria Secretaria de Cultura e Turismo. A orla de Ipitanga, Stella Maris, Praia do Flamengo, nós retomamos há uns 30 dias as obras que estavam paralisadas há um tempo bom. Isso é importante porque são praias que são frequentadas pelos turistas, onde tem a melhor estrutura para o turismo de sol e mar. Nós estamos aí numa posição bem desfavorável com relação às outras cidades do Nordeste, precisamos reagir nessa área de sol e mar e para isso você precisa qualificar esses equipamentos. Então, nós retomamos, temos previsão até meados do primeiro semestre do ano que vem entregar essas orlas novas, novo padrão, qualificadas,  passando a ser indutores mais fortes. 

 

Da mesma forma, retomamos a obra da Cidade da Música da Bahia, nesse exato momento a Secult está fazendo toda a parte de museologia, com um tutorial de Gringo [Cardia], montando. A obra física foi entregue há cerca de 30 dias e esperamos concluir tudo até dia 29 de março, para que a cidade passe a ter um novo equipamento, que, sem sombra de dúvidas, será um dos equipamentos de maior indução de turismo da cidade de Salvador. Você tem lá toda a história da música, os ritmos, não é só uma casa, você tem também a possibilidade de ter estúdio, de ter revelação de novos artistas gravando lá. Enfim, é um equipamento que vai qualificar bastante a cidade de Salvador.

 

Retomamos a obra do Museu da Cidade e do Arquivo Público, nesse exato momento estamos fazendo a restauração do Casarão e iniciamos também a construção do prédio, onde vai estar lá todo arquivo da cidade. E você sabe que o arquivo da cidade de Salvador é um dos mais importantes do Brasil, é o primeiro, inclusive. Nós vamos ter todo um projeto de museologia, não só do arquivo, que vai permitir que você tenha aí uma relação da Cidade da Música da Bahia com o Arquivo Público da cidade, que são prédios próximos e que vão ter essa interação. 

 

E, nesse exato momento, estamos também licitando a nova Praça Castro Alves, alí o Palco Moraes Moreira. Tínhamos um empecilho, que era uma discussão entre o estado e conseguimos resolver, houve autorização e estamos licitando. Temos uma outra licitação também que está em curso, que é a questão do monitoramento do Centro Histórico. Isso é importantíssimo, é uma das maiores queixas, a questão de como o turista é abordado na cidade, a própria questão da segurança pública. Então, através dessas mais de 200 câmeras, nós já concluímos o centro de monitoramento que será dentro da Guarda Civil. A Secult tem lá uma sala específica e aparelhada para tanto, já estamos comprando os móveis, licitando os equipamentos que são as câmeras, as torres de comunicação, você vai poder fazer a gestão do Centro Histórico dessa sala, de lá você vai poder ver como está funcionando a abordagem, como está a questão da limpeza urbana. Aliado a isso, nós deflagramos um processo de capacitação de todos os comerciantes, formais e informais da região, já contratamos a empresa para tanto, a pandemia atrasou um pouco, porque parte desses cursos precisam ser presenciais. 

 

Então, é toda uma política nova para o Centro Histórico da cidade, desde a qualificação,desde a segurança, à gerência que nós estamos implementando. Enfim, essas são as diretrizes que a gente está tocando. 

 


Fábio Mota fez um balanço dos projetos desenvolvidos pela Secult e disse que atualmente a pasta estuda uma nova política para o Centro Histórico de Salvador | Foto: Jamile Amine / Bahia Notícias

 


Em janeiro conversei também com Fernando Guerreiro, que em mais uma gestão à frente da FGM, explicitou o desejo de ainda neste ano criar um polo de audiovisual na capital baiana, o Salvador Filmes (saiba mais). Houve algum avanço neste sentido?
O avanço é o seguinte, nós temos dois casarões pegados à própria Cidade da Música da Bahia e nesse exato momento nós estamos com processo licitatório na rua para contratar consultoria para nos nortear no que vai ser feito nesses dois casarões que já são do municípios, já estão desapropriados e já tem o recurso para fazer a obra. Então a questão do polo audiovisual está dentro desse contexto, da ampliação da Cidade da Música da Bahia, assim como, por exemplo, uma coisa que é colocada bastante, a questão do Museu afrodescendente, que é uma outra demanda da cidade de Salvador. Você tem aí uma casa ou um museu específico, mas você não tem um museu com uma conotação maior, por ser Salvador a capital negra do país. Então, tudo isso está dentro desse processo novo de consultoria que estamos fazendo com a CAF, nós vamos escolher isso e vamos partir para ainda esse ano concluir esse processo,dar uma definição dos dois casarões e licitar para que a gente possa ter esses dois novos equipamentos na cidade de Salvador. 

 

E o polo de audiovisual, parte dele já está dentro da própria Cidade da Música da Bahiaa, você vai ter estúdio lá, que vai permitir gravar. Isso tem muita relação com a fundação, com o projeto Boca de Brasa, que vai à cidade descobrir novos talentos e eles podem ser encaminhados para a Cidade da Música da Bahia  e lá eles vão poder desenvolver seu trabalho, então está tudo interligado aí. 

 

 

No último fim de semana completou um ano do primeiro caso da Covid-19 na Bahia. Devido à natureza própria das atividades, os setores de cultura e entretenimento talvez sejam os mais impactados na pandemia, já que foram forçados a paralisar durante praticamente todo o período. Qual é a perspectiva que você faz, enquanto gestor público,  para a retomada dessas áreas, sobretudo tendo em vista a atual conjuntura com o agravamento da pandemia e a necessidade de implementar medidas restritivas mais rígidas?
Bom, Salvador tem como ponto forte a questão de serviço e do turismo. Salvador, diferentemente de outras capitais, tem uma dependência bem maior disso. Ou seja, você não tem aqui grandes polos de indústrias para gerar empregos, então os empregos na cidade, uma boa parte deles, são gerados pelo setor de turismo, de entretenimento, e a questão da pandemia para Salvador, nesse ponto, é muito pior do que para outras capitais. 

 

O que a gente tem feito, como te falei, são aquelas condições lá atrás, o selo, as campanhas publicitárias que lançamos. Porém, com a segunda onda, a gente fica meio que paralisado novamente. O que a gente tem que fazer agora é preparar a cidade. Nós já temos uma luz no fim do túnel, que é a vacina, estimamos que a quantidade seja bem maior que o que está se recebendo nos próximos dias, para que a gente consiga aí no segundo semestre imunizar muitas pessoas para fazer a retomada. 

 

Na retomada você tem aí um desafio muito grande, é a cidade estar preparada não só de estrutura, mas também em todos os sentidos. Porque você vai ter uma demanda reprimida de mais de um ano que as pessoas não viajam, não visitam, não fazem turismo. Sem sombras de dúvidas, Salvador vai estar aí na ponta das cidades mais procuradas, nós já somos a cidade mais desejada pelos brasileiros. O maior desafio agora é a gente estar pronto parar receber essas pessoas a partir do segundo semestre. 

 

Nossa esperança e expectativa é que seja retomada a questão das viagens, inclusive de navio, porque isso nos impactou bastante, 150 mil pessoas que chegavam pelo mar na cidade de Salvador e com essa suspensão nacional nós perdemos esse turista. Enfim, nós agora estamos concentrando todas as nossas energias na retomada com a vacinação, com a imunização das pessoas, para o segundo semestre. É isso que a gente tem que estar preparado, tanto a rede hoteleira, como os parques, os equipamentos de cultura precisam estar se adequando para o novo normal e para a retomada que, sem sombra de dúvidas, teremos no segundo semestre.

 


Você esteve à frente da mobilidade em um momentos muito importantes do segmento, como a da renovação da frota. Agora, assume Cultura e Turismo na época de maior crise do setor na cidade... 
Na verdade, na mobilidade, nós implantamos a secretaria, eu fui o primeiro secretário de Mobilidade da cidade de Salvador. Então, nós pudemos desenvolver lá o plano de mobilidade, as diretrizes para a evolução da cidade está lá. Nós implementamos o BRT o primeiro trecho do BRT e deixamos o segundo para ser licitado para dar sequência, implementamos o Cittamobi, frota com ar condicionado, fizemos a nova Lapa, posso ficar aqui o dia todo para falar da mobilidade (risos). 

 

Mas o desafio do turismo aqui é tão grande quanto esse, eu acho que é uma coisa no mesmo nível, porque você encontra o setor em crise, numa paralisia total, você vai ter que usar de muito trabalho, muita criatividade para sair disso.

 


A experiência anterior em outra pasta também difícil te ajudou e te preparou para esse segundo desafio?
Evidente que sim, e aliado a isso, a experiência de ter sido secretário Nacional de Turismo, que acho que possibilitou que eu tivesse diversos contatos, já conhecesse a pasta. Eu conhecia a nível nacional, evidente que estou conhecendo a nível municipal, mas a bagagem, sem sombra de dúvidas, vai me ajudar muito a tocar. É um momento difícil, acho que é o pior momento do turismo que o Brasil e o mundo atravessam, mas eu acho que a experiência como secretário Nacional do Turismo, da Semob, secretário da Sesp, tudo isso vai ajudar.

 


Tem algo que você notou que seria interessante implementar ou desenvolver na cidade, enquanto era secretário nacional do turismo, que você acredita que ainda será viável após o controle da pandemia?
Sem sombra de dúvida, principalmente a questão do turismo náutico. Nós temos aqui a segunda maior baía do mundo, temos ilhas encantadoras, um potencial espetacular de turismo náutico que não é explorado por nossa cidade. Eu costumo dizer que a gente está de costas para o mar, então, nós precisamos implementar, já estamos reativando o Conselho Náutico para reativar essas discussões, aproveitar o potencial que a Baía de Todos os Santos pode dar para a cidade de Salvador. Isso é uma diretriz aqui, desde o primeiro dia que eu cheguei a gente vem trabalhando nisso, nós temos que reviver a Baía de Todos os Santos, então isso desde lá do Ministério do Turismo que a gente se incentivou a nível nacional. Você vê que cidades bem menores que Salvador conseguiram desenvolver, Itajaí, lá em Santa Catarina, tem vários e vários exemplos, o próprio Recife… E Salvador nesse tempo ficou um pouco acanhada, então a gente precisa muito usar esse potencial da Baía de Todos os Santos, qualificar. Já tem o programa do governo do estado, o Prodetur, que está qualificando, mas a gente precisa dar vida à Baía de Todos os Santos, trazer esportes náuticos, montar aqui passeios interligando as ilhas com equipamentos melhores, pensar no projeto da via náutica numa concepção nova, enfim, essas diretrizes já estamos pensando com a equipe da secretaria. O primeiro passo é você montar o Comitê de Turismo Náutico na cidade de Salvador, para voltar a discutir políticas especificamente para aproveitar a Baía de Todos os Santos. Nós não podemos ficar na posição que estamos no ranking de turismo de sol e mar. Uma forma de recuperar é se voltar para a Baía de Todos os Santos.

 


Mota quer montar Comitê de Turismo Náutico para explorar potencial da Baía de Todos os Santos e melhorar posição de Salvador no ranking de turismo de sol e mar | Foto: Paulo Victor Nadal / Bahia Notícias


Recentemente conversei com o presidente da Associação Baiana das Produtoras de Eventos (Abape), Moacyr Villas Boas, que chegou a dizer que não fala mais em “retomada”, mas em “recuperação”, já que o setor acabou ficando parado durante toda a pandemia (clique aqui). Ele falou do diálogo mantido com prefeitura e governo do estado neste sentido, mas disse que, até então, não houve uma ação concreta do poder público. Que respostas a Secult e a prefeitura de Salvador têm elaborado para dar suporte ao segmento?
Nós estamos em uma discussão que envolve Saltur, Fundação Gregório de Mattos e outros órgãos da prefeitura. A vice-prefeita Ana Paula está tocando isso, que é a implementação de uma ação específica para o setor cultural e de entretenimento que não teve acesso à Lei Aldir Blanc. Nós estamos nessa discussão aí e acho que nos próximos dias o prefeito Bruno Reis deve divulgar. É uma ajuda específica para esse setor, dentro, evidentemente, dos parcos recursos que o município dispõe, em função de toda a pandemia e do que está se gastando. Já são mais de R$ 60 milhões que têm relação direta com a pandemia e essa discussão a gente deve findar nos próximos dias e o prefeito deve fazer uma coletiva e divulgar.

 


Dentre as propostas sugeridas pelo setor estão isenções fiscais, um auxílio emergencial voltado para pessoas jurídicas, além de um aporte financeiro também do estado e da prefeitura, para além da aplicação da Lei Aldir Blanc. Como você avalia a possibilidade da implementação destas demandas?
Todas essas hipóteses estão sendo debatidas nesse fórum que nós montamos, evidente que neste momento existem vários graus de prioridade e a desse momento é a pessoa que trabalhava com cultura e entretenimento que tem dificuldade hoje de sobreviver. Mas também propostas outras no sentido de chegar, nós temos uma lei federal que acabou de ser votada, que é especificamente para uma linha de crédito para o setor de entretenimento, nós estamos acompanhando isso dentro do Fórum Nacional de Secretários de Cultura e Turismo, que já vai contemplar boa parte desses pedidos. O Congresso acabou de aprovar essa linha de financiamento e de ajuda a todo esse setor, nós estamos monitorando isso e pari passu, nós estamos discutindo uma forma do auxílio mesmo para aquelas pessoas que deixaram de trabalhar e que não tem hoje a condição mínima de sobreviver, essa é a preocupação principal. Essas duas linhas estão sendo debatidas a nível federal e recentemente foi aprovada uma lei que a gente está acompanhando.

 

Sobre a lei, o presidente da Abape pontuou que é positiva a questão do crédito, mas afirmou que não soluciona o problema dos empresários do entretenimento, já que os empreendimentos estão praticamente quebrados e o valor do empréstimo seria usado para pagar custos fixos e até pessoais, e não para investimento. Diante desse contexto, passada a pandemia, ele acredita que eles não teriam como pagar…
Nesse momento a gente está nas soluções para a pandemia. Quando passa a pandemia a gente tem que buscar soluções para a retomada. Está no radar, mas você não tem como resolver as duas coisas ao mesmo tempo. Você tem que socorrer agora a questão da pandemia, que é muito mais grave, têm pessoas do entretenimento e cultural em dificuldades seríssimas, que é o foco que a gente está tentando resolver. Concluído isso, e partindo do pressuposto no segundo semestre, aí vamos nos debruçar e gastar energia para ajudá-los na retomada. 


Vocês têm números para mensurar as perdas do setor neste período de pandemia?
Desde o Carnaval que não foi realizado, às festas de largo, é um baque monstruoso para a cidade de Salvador. São números assustadores, a cidade perdeu R$2 bilhões de arrecadação, só na área de entretenimento. Então, são números muito altos que deixaram um rombo muito grande para a cidade como um todo, não só para prefeitura.

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