Quinta, 02 de Julho de 2020 - 19:00

'Revisitação histórica' e '2 de Julho' marcam entrevista com professor Rafael Chaves

por Fernando Duarte / Bruno Leite

'Revisitação histórica' e '2 de Julho' marcam entrevista com professor Rafael Chaves
Arte: Priscila Melo / Bahia Notícias

Realizada neste 2 de Julho, data em que é celebrada a Independência do Brasil na Bahia, a Live do Bahia Notícias da tarde desta quinta-feira trouxe o professor de História Rafael Chaves. Batendo um papo com o editor-chefe do BN, Fernando Duarte, o estudioso comentou, dentre outras questões, sobre a relevância do dia para a historiografia nacional e os movimentos de contestação de versões construídas historicamente por grupos dominantes. 

 

Sobre a possibilidade da existência de uma "história oficial" que exclui a Data Magna baiana, o professor revelou: "Não digo nem que tenha sido colocado de lado pela historiografia oficial, até porque a gente não tem exatamente uma históriografia oficial desde o final do Império, onde a gente construiu sim uma história oficial pelo IHGB (Instituto Histórico e Geográfico do Brasileiro). Não só para consolidar a monarquia, mas para consolidar a 'brasilidade'. Temos uma construção de senso comum. É de senso comum também que tivemos uma independência pacífica, o que não corresponde com a verdade".

 

Segundo o professor, a animosidade entre a Coroa portuguesa e o povo baiano remonta um período anterior ao 2 de Julho de 1823. E no cenário brasileiro, ele apontou, a insatisfação em relação ao status de colônia em que o Brasil estava enquadrado mobilizou a mobilização de levantes em diversos pontos do território, que demarcam a não pacificidade apontada.

 

A revisão histórica das "versões oficiais" é, na percepção de Rafael Chaves, um sintoma da popularização da história, na década de 1990. "Ele [o revisionismo] existe há bastante tempo, na verdade, a história é feita de revisões constantes. Existe, por exemplo, na historiografia europeia um grupo revisionista muito grande. Aqui existe um revisionismo muito perigoso, tem uma galera no YouTube com mil teorias conspiratórias que vão se distanciar muito do que é a historiografia tradicional", revelou.

 

A ascensão de figuras até pouco desconhecidas e "silenciadas", como a baiana Maria Felipa, é para o professor, resultado de uma historiografia crítica, surgida nos idos dos anos 1980. Já em relação ao "revisionismo" em relação a exclusão de marcos e monumentos que homenageiam figuras escravocratas, o historiador disse que espera que o movimento resulte em ações no Brasil - alguns, ele acredita, devem ser derrubados.

 

Defendendo a ideia de que a escravidão foi o elo que manteve as regiões unidas mesmo após a independência brasileira, Rafael Chaves comentou também sobre essa problemática social.

 

Confira a entrevista:

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