'Ganhei no milhar': Ney Matogrosso se surpreende com reação do público a nova turnê
Foto: Reprodução / Youtube

Após passar cinco anos com a sua maior turnê, "Atento aos Sinais", Ney Matogrosso, no auge dos seus 77 anos, já está novamente nos palcos apresentando sua nova turnê "Bloco na Rua". 

 

Ney planejou este projeto enquanto estava na estrada e decidiu que neste novo trabalho só iria cantar músicas de que ele gostasse. O show apresenta apenas uma canção inédita, "Inominável" de Dan Nakagawa, e releituras de Rita Lee ("Jardins da Babilônia"), Beto Guedes, Fernando Brant e Lô Borges ("Feira moderna"), Raul Seixas ("A maçã"), Cazuza ("Mais feliz"), e do cearense Ednardo ("Pavão misterioso").

 

A turnê começou em janeiro no Rio de Janeiro e, de lá para cá, o cantor revelou ao Bahia Notícias estar surpreso com a repercussão do fãs. "No primeiro dia, na hora que eu comecei o show com 'Eu quero é botar meu bloco na rua', o público já estava cantando, e eu disse: 'o que está acontecendo aqui? Como é que essa gente tá cantando no primeiro dia que eu estou fazendo show? Já tá todo mundo cantando junto'. Comigo não acontece isso, eu não sou um cantor que estimula que cantem. Claro que eu não corto a onda, mas eu fiquei muito surpreso. E dali pra frente eu vi todos totalmente abertos para tudo que eu estava fazendo e eu disse: 'meu Deus do céu, ganhei no milhar, mais uma temporada que promete ser longa'. Agora, eu já estou com 77 anos, não pode ser tão longa, porque eu não sei até aonde eu vou conseguir fazer uma coisa que exija de mim fisicamente assim. Por enquanto eu estou dando conta". 

 

Com ingressos esgotados, Ney Matogrosso realiza dois shows em Salvador, nesta sexta-feira (5) e sábado (7), no Teatro Castro Alves, às 21h. E para a alegria dos fãs, o cantor afirmou que não irá demorar para voltar a Salvador.

 

Você passou mais de cinco anos com a turnê “Atento aos Sinais” e sempre com grandes públicos, mesmo passando repetidas vezes em algumas cidades. Qual foi o elemento de sucesso dessa turnê?
Não faço ideia, não sei. Porque com dois anos e meio de show, eu falei: 'tá na hora da gente começar a parar', até cheguei a anunciar: 'vamos começar a parar'. Mas na hora que eu disse isso começou uma procura enorme pelo show que levou mais dois anos e meio. Em um momento de crise, que ninguém trabalhava, e eu sendo procurado para fazer show, eu disse: 'se eu disser não para o que está vindo na minha direção, serei castigado'. Aí eu aguentei firme. Eu nunca fiz um show por cinco anos.

 

Teve algo desafiador durante esses cinco anos?
Não, porque foi tão prazeroso fazer e eu gosto de trabalhar. E eu gosto de cantar e de fazer show. Na verdade, disco para mim é um pretexto apenas, a minha história com música é lá no palco, não é gravar disco. Meu negócio é fazer show com gente na minha frente.

 

Como surgiu a ideia dessa nova turnê? O que o público pode esperar de diferente?
Quando eu estava fazendo ainda o "Atento aos Sinais" eu já comecei a fazer roteiros. Fiz vários, mas vi que não era isso, então continuei fazendo até chegar nesse. Aí eu entendi que eu não precisava lançar nada, eu queria cantar só o que eu gostasse, só o que me interessasse cantar. Mas eu tenho uma inédita que é do Dan Nakagawa, que é uma música que ele fez para uma peça de teatro, mas eu gostei muito e está no show.

 


Foto: Bahia Notícias / Renata Farias

 

Como está sendo a repercussão do público com o show? 
No primeiro dia, na hora que eu comecei o show com 'Bloco na Rua', o público já estava cantando, e eu disse: 'o que está acontecendo aqui? Como é que essa gente tá cantando no primeiro dia que eu estou fazendo show? já tá todo mundo cantando junto'. Comigo não acontece isso, eu não sou um cantor que estimula que cantem. Claro que eu não corto a onda, mas eu fiquei muito surpreso. E dali pra frente eu vi todos totalmente abertos para tudo que eu estava fazendo e eu disse: 'meu Deus do céu, ganhei no milhar, mais uma temporada que promete ser longa'. Agora, eu já estou com 77 anos, não pode ser tão longa, porque eu não sei até aonde eu vou conseguir fazer uma coisa que exija de mim fisicamente assim. Por enquanto eu estou dando conta. 

 

Qual é a sua rotina para encarar essa maratona de shows?
Eu acordo, faço ginástica todo dia. Mas não tenho nada específico. Eu faço ginástica porque faço independente, porque gosto de fazer, porque quando eu tinha 50 anos comecei a ter 'dorezinhas', e disse 'não quero isso pra mim'. Comecei a fazer ginástica e a dorezinhas sumiram. Surgiram outras, mas dores relacionadas aos exercícios. Então eu vou fazer ginástica até o fim da vida.

 

Os dois shows aqui em Salvador estão esgotados. Na última turnê, foram quatro passagens por aqui. Qual sua relação com Salvador? Como é estar de volta?
Olha, eu ainda vou voltar aqui. Porque imagina, quando botam dois dias para vender [e] já está tudo esgotado significa que eu voltarei logo. E é ótimo, porque eu gosto de viajar pelo Nordeste. E aqui é o seguinte, você não pode sair da sua casa para fazer um estado. Então voltando para Salvador já é pretexto para eu fazer Salvador e outros. Então eu pretendo sim fazer muita coisa. Já tenho João Pessoa marcado, Recife marcado, mas eu quero fazer mais shows em outras capitais.

 

Quem é o Ney que sobe ao palco nesse show?
O figurino já confundiu muita gente, já falaram coisas bem loucas e absurdas, mas para mim é apenas um figurino e não passa disso. Foi feito pelo Lino Villaventura, que é um estilista interessante, muito talentoso. É um figurino só no show, fazia tempo que eu não usava apenas um, mas eu tô gostando de ser só um. No outro eu trocava de roupa quatro vezes e eu não quero, fiquei enjoado com tanta troca de roupa, agora quero só uma mesmo. As pessoas acham que eu sou um reptiliano, elas ficam loucas e falam o que elas querem. 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Foto @marcoshermes- Bloco na rua

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Nessa turnê você também ficou responsável pela produção...
Sim, essa é uma produção minha. Da minha produtora, pela primeira vez é uma coisa toda minha. Vou lançar pelo meu selo o disco. Porque eu tenho esse selo há 30 anos e nunca usei. Eu lancei um compositor do Rio Grande do Norte, o Zé Maria, que é um pescador. Mas na verdade foi uma circunstância, eu conheci ele e achei interessante ele como cantor e compositor. Perguntei se queria gravar e chamei ele para o Rio de Janeiro e falei que iria fazer a gravação dele e disse: 'te dou mil cópias e você se vira depois'. Mas aí eu falei com a Som Livre que eu estava fazendo, e a gravadora ficou interessada e lançou ele. Então já que já foi lançado um artista pelo meu selo, então agora eu vou lançar os meus pelo meu selo. Já estou para lançar o Vitor Pirralho, a Duda Brack, mas eu só quero gente que eu gosto. E é interessante que a Som Livre já me disse: 'tudo que você quiser lançar pelo seu selo, nós queremos', então achei ótimo. 

 

Como se reinventar para apresentar algo novo nos palcos após tantos anos de carreira?
Não tem esforço, não. O grande esforço é ensaiar, porque são quatro horas por dia. Esse foi um mês e meio ensaiando 4 horas por dia, e isso aí é pesado. Mas, eu podia estar parado né? Ninguém me obriga, eu faço porque eu ainda gosto de fazer. É tão bom trabalhar no que você gosta e não é trabalho. 

 

Você pretende lançar um CD ou um DVD dessa nova turnê?
Eu ainda vou fazer mais alguns meses e só depois eu gravo o CD, e depois de mais alguns meses eu gravo o DVD.

 

Uma coisa que eu percebo é que antigamente o diferente causava um impacto maior na sociedade, as pessoas se chocavam mais com o novo e atualmente existe muitas pessoas que gostam e apoiam o diferente. Com relação aos seus shows, você consegue perceber a presença no público desse pessoal da nova geração?
Percebo, mas tem o seguinte: eu tenho um público muito grande de pessoas de muita idade que permanecem, mas só que agora eu estou vendo crianças indo assistir aos shows, com os pais, e que está se aproximando um público criança mesmo. E eu fico feliz de ver, porque eu não estou fazendo para ninguém especificamente, estou fazendo para quem queira e fico feliz de perceber a aproximação de crianças.

 

Eu li que você nunca chegou a usar a Lei Rouanet e, quando tentou, foi negado. Enquanto artista, como você enxerga as possíveis mudanças na lei e a criação de uma comissão que irá avaliar a qualidade artística dos projetos?
Eu acho que tem que ter a lei. Tem que haver controle sobre a lei, porque a gente sabe que tudo que tem dinheiro, tudo pode acontecer. Então, entendo que tem que ter controle sim, mas acho que tem que ter a lei, tem que ter incentivo à cultura. Um país sem cultura e sem educação não é nada, não existe. E nós estamos entrando nesse grau. Estamos entrando em um grau de um país sem educação e sem cultura. Que é um perigo, que é uma tragédia. 

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