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Terça, 20 de Julho de 2021 - 10:15

Blog do Preto: Neurocirurgião alerta que homens desorganizados podem ter TDAH

por Marcos Preto

Blog do Preto: Neurocirurgião alerta que homens desorganizados podem ter TDAH
Marcelo Pereira | Foto: Divulgação

TDAH é a sigla para Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, o qual acomete crianças e adultos de todas as idades. Um destes é este blogueiro que vos fala, com diagnóstico realizado por meio de testes psiquiátricos em consultas com especialista.

 

Por isso, e pensando nas notícias que confirmam que o vírus da COVID 19 pode afetar a memória e potencializar as doenças ligadas ao cérebro, consultei com exclusividade um especialista e falamos sobre esse transtorno que tira o sono de muitos pais e esposas em todo o mundo. 

 

Dr. Marcelo Pereira, médico formado pela Universidade Federal da Bahia e especialista em Neurocirurgia pela USP, bate um papo conosco. Confira!


BDP: O que é o TDAH?
MP: O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade é um distúrbio neurobiológico do desenvolvimento, de causas genéticas / ambientais. Surge antes dos 12 anos de idade e geralmente acompanha o indivíduo por toda a sua vida. É um problema de saúde mental prevalente, acometendo até 5% das crianças, com uma clara predileção pelo sexo masculino. Ela se caracteriza por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade.
 
BDP: O que causa o TDAH?
MP: Os estudos com Ressonância Magnética Funcional e Eletroencefalograma apontam a região frontal como origem do problema. Essa parte do cérebro é responsável pela inibição do comportamento (isto é, controlar ou inibir comportamentos inadequados), pela capacidade de prestar atenção, memória, autocontrole, organização e planejamento. Sendo que nas pessoas com TDAH essa região do cérebro está funcionando menos do que o normal.
 
BDP: Quais os sintomas do TDAH?
MP: Nas crianças, o distúrbio básico é a dificuldade em manter a concentração, o que torna a criança desatenta, “vivendo no mundo da lua”, distraindo-se com facilidade, e por vezes, tendo impacto negativo no aprendizado. Elas se tornam agitadas justamente pela dificuldade em focar em algo por muito tempo, daí serem rotuladas como crianças inquietas, “ligadas no 220v” ou coisas do tipo. Esses estigmas são péssimos e acabam por piorar os sintomas e aumentar os problemas de socialização.
 
Nos adolescentes os grandes desafios estão relacionados ao controle dos comportamentos inadequados e a impulsividade. Dificuldade em seguir regras e limites, aumentando a exposição dessas pessoas a situações de risco e inadequação social.
 
Nos adultos o primeiro problema é o próprio diagnóstico, visto que, às vezes, é difícil a identificação do problema. Elas têm dificuldades para manter atenção em atividades muito longas, repetitivas ou que não lhes sejam interessantes. E são facilmente distraídas por estímulos do ambiente externo, ou mesmo com pensamentos “internos”.
 
Têm dificuldade também em organizar e planejar suas atividades do dia a dia, não conseguindo determinar o que é mais importante dentre muitas coisas que têm para fazer.  Não é fácil para adultos com TDAH escolher o que vai fazer primeiro e o que pode deixar para depois. Ficam “estressados” quando se vêm sobrecarregados (e é muito comum que fiquem assim com frequência, uma vez que assumem vários compromissos diferentes), pois não sabem por onde começar e têm medo de não conseguir dar conta de tudo. Deixam trabalhos pela metade, interrompem no meio o que estão fazendo e começam outra coisa, só voltando ao trabalho anterior bem mais tarde do que o pretendido ou então se esquecendo dele. Há falta de senso crítico com relação ao seu comportamento, muitas vezes sendo rotulados como egoístas ou “sem noção”. Esses desajustes funcionais podem servir como porta de entrada para questões mais sérias, tais como uso de drogas e álcool, ansiedade e depressão.
 
BDP: Como é feito o diagnóstico?
MP: O diagnóstico é clínico, sendo que poucos profissionais têm conhecimento do problema e as ferramentas necessárias para fazê-lo e muitos pacientes demoram muito tempo até conseguí-lo. No intuito de facilitar a padronização e servir como um guia, foram elaborados alguns questionários que auxiliam no diagnóstico. O atraso neste tem um impacto negativo, principalmente nas crianças, que estão em um momento crítico em seu desenvolvimento neurocognitivo. Portanto, ações que promovam a divulgação do problema é fundamental, principalmente no meio médico.
 
BDP: Como pode ser feito o tratamento?
MP: O tratamento deve ser multidimencional, envolvendo médicos, professores, psicólogos e familiares. O tratamento medicamentoso é baseado em psicoestimulantes que aumentam a disponibilidade de Noradrenalina e Dopamina. Esses neurotransmissores estimulam o metabolismo cerebral, aumentando o grau de atenção do paciente, porém os efeitos colaterais, principalmente a longo prazo, tornam seu uso contínuo quase proibitivo. Eles podem causar distúrbios do sono, tremores, taquicardia, redução do apetite, sudorese, crises de ansiedade, dentre outros. 

 

A psicoterapia, principalmente a Terapia Cognitivo Comportamental, ajuda na elaboração de estratégias para lidar com a falta de atenção, manter o foco nos objetivos de vida e ajuste no convívio social. Outra terapia que vem ganhando força é a utilização da Estimulação Magnética Transcraniana, em que através de um equipamento, pela qual se é capaz de estimular diretamente a área cerebral que está disfuncionante.

 

A EMT ou TMS do inglês é uma terapêutica criada nos últimos 20 anos e que vem sendo utilizada em diversas patologias neurológicas como Doença de Parkinson, Alzheimer, AVC, Depressão e TDAH. No TDAH a região frontal do cérebro, responsável pela atenção é “bombardeada” por impulsos eletromagnéticos, fazendo com que essa área volte a funcionar de maneira mais equilibrada. As vantagens que ela é uma terapia localizada, ou seja, estimula de forma precisa o cérebro, além de ser isenta de efeitos colaterais.

 

BDP: O que as pessoas que foram acometidas pelo COVID 21 e são portadores de TDAH e outras comorbidades neurológicas precisam saber sobre a relação do vírus com as suas condições de saúde?

MP: O COVID pode afetar diretamente por trombose de pequenas veias cerebrais, causando sintomas neurológicos leves a moderados, e até mesmo AVC. Além disso, um efeito indireto da pandemia, com o confinamento das pessoas e redução do convívio social, tem levando a muitos distúrbios relacionados à Saude Mental.

 

Para saber mais, sigam o especialista nas redes sociais: @drmarceloneuro

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