Utopia Pop: Márcio Moreira -  ‘Desafio não é se lançar, mas ser visto em meio a tanto produto’
Foto: André Rola/ Divulgação

"Vivo", é como define Márcio Moreira, executivo do departamento artístico da Som Livre, o seu trabalho na gravadora. Ele, que é responsável pelo segmento gospel, precisa de muito jogo de cintura para se renovar a cada novo álbum, single ou contratação, segundo Moreira, "não existe monotonia e exige criatividade e entregada". 

 

Se por um lado a Som Livre vem trabalhando para revitalizar o repertório de músicos que já caíram no gosto dos brasileiros, do outro se mantem atenta e com as portas abertas para novos talentos, como foi o caso do selo ‘Som Livre Apresenta’, que reuniu em seu elenco nomes como Tom Bloch e Jonas Sá. Segundo Márcio, traçar a comunicação de artistas com bagagens de carreira diferentes é um desafio prazeroso. 

 

"[É] um desafio maravilhoso. Apesar de a gente chamar de indústria e lançar música em escala, cada artista é único. Com sua história, com sua obra e com seus talentos, por isso, pra além da questão etária, a individualidade de cada um é respeitada por mim ao máximo e dita o jeito como planejo a comunicação de cada produto que eles fazem nascer", salientou o executivo. 

 

Apesar de manter o radar sempre ativo a "novos sons e repertórios", a busca por novos talentos costuma ser bem diferente do romantismo que as pessoas de fora da indústria pregam. Fatores como contribuições para a carreira do artista e lucro costumam entrar em pauta nesse momento. 

 

"Cada um de nós, dos diversos segmentos que a som livre trabalha, está sempre na plateia dos mais diversos shows e festivais, assistindo e ouvindo clipes e canções lançadas na internet e recebendo os materiais que chegam, mas sempre entendendo de que modo poderíamos, de fato, contribuir pra carreira daquele artista de modo a gerar lucros também para a companhia. Isto é, precisa ser comercial."

 

Foto: André Rola/ Divulgação

 

Desde 2008, a Som Livre agrega em uma divisão artistas do seguimento gospel e investe pesado em lançamentos inéditos, coletâneas e canções clássicas cristãs. Faz parte do cast artistas como Davi Sacer, Antonio Cirilo, Diante do Trono, Lázaro, entre outros. Desde 2016, que, praticamente, a gravadora tem feito uma verdadeira força tarefa para popularizar o streaming e fazer os fãs de música gospel migrar da mídia física para o digital. Foi o ano também que a gravadora viu os videoclipes desse seguimento baterem a marca de milhões de visualizações, e canções emplacando em plataformas de streaming, resultado de um esforço nos bastidores de quase dez anos. Em 2017 a Som Livre se juntou a outros grandes selos para a campanha "Vem para o streaming", com o objetivo de aproximar o público gospel do universo digital. Márcio salientou que a cada ano o público gospel vem abraçando o consumo digital e a expectativa é de mais crescimento e que a gospel se firme como um dos maiores gêneros no meio digital. 


"De lá pra cá a coisa melhorou muito... O crescimento, apesar de tímido, já é notório no segmento cristão. Não atoa os plays passaram a contratar funcionários para cuidar especificamente desse segmento, mas acredito muito que seja fruto dessa semente que a gente plantou junto lá atrás. O gospel tem muitas especificidades e, por isso mesmo, exige algumas atenções mais sutis no tratar de cada lançamento, mas à medida que o público cristão virar a chave do consumo digital, estou certo que será um dos maiores gêneros musicais do mundo em consumo nos apps", disse Márcio. Ao mesmo tempo, porem, que o streaming desembarga o lançamento de música, aumenta a concorrência. “É mais fácil gravar e lançar uma música hoje do que já foi no passado. O desafio hoje não é se lançar, mas é ser visto em meio a tanto produto aparecendo todos os dias”, completou.

 

No entanto, mesmo com drástica queda na venda das mídias físicas, o executivo da Som Livre enxerga possibilidades atraentes no CD e no vinil, por exemplo.

 

"O CD assim como o Vinil virou uma espécie de souvenir, um presente afetivo que funciona muito mais depois de um show emocionante ou de um culto impactante para que o público olhe em sua estante e lembre daquele dia especial de encontro com seu artista. A utilização efetiva dessa mídia ficou obsoleta e já não cabe no mundo tecnológico em que vivemos, onde pedimos comida e táxi pelo celular, vemos filme on demand... a música não pode ser diferente", disse Márcio, que completou lançando um olhar positivo sob o mercado de podcast. 

 

"Assim como a música, o cinema, as séries, o rádio também vem sofrendo transformações e o podcast nada mais é do que um formato de rádio online, claro que não é exatamente o serviço que o rádio oferece, mas parte do mesmo princípio de ser uma espécie de companhia para o ouvinte. A diferença é que esse encontro com hora marcada não cabe mais pro nosso cotidiano frenético de atividades, o podcast propicia ao ouvinte marcar esse “encontro” sobre o assunto de sua preferencia quando e onde quiser. O Podcast já é gigante em países mais desenvolvidos e cresceu 40% esse ano no Brasil... É uma tendência e uma realidade concreta de consumo de áudio".  Quando perguntando se a Som Livre pensa em fazer um movimento em direção ao podcasting, Márcio fez mistério. "Existem muitas conversas nesse sentido sim, mas não posso falar muito por enquanto (risos)".  

 


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Confira a integra dessa entrevista na 9ª edição da Revista Pôster Alvo dos Famosos, que conta com a coordenação editorial e direção de Silvia Fran e colaboração de Lucas Figueredo. Na publicação você vê também entrevista com a cantora IZA, o projeto Quabales e destaque para o programa ‘Geração Z’ apresentado por mim na RBN Digital. 

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