Quinta, 24 de Outubro de 2019 - 17:20

30 anos sem Raul: Em defesa de Raul Seixas

por Pacheco Maia

30 anos sem Raul: Em defesa de Raul Seixas
Foto: Acervo Instituto Paulo Coelho/Divulgação

A mosca caiu na sopa e continua incomodando a vaidade de Paulo Coelho. Mais de 30 anos depois que se picou da Terra e mesmo assim com um sucesso crescente, extrapolando fronteiras tupiniquins sem truques de marketing, Raul Seixas não é digerido pelo seu “inimigo cordial”.

 

Best-seller de milhões de livros vendidos em todo o mundo, o tal “Mago” não engole a grandeza superior do Maluco Beleza.

 

Lá atrás, quando começou a surfar a onda da autoajuda, com “O Alquimista” e “O Diário de um Mago”, numa entrevista na revista Leia Livros, ele foi bastante escroto com Raulzito, já revelando ressentimento.  E olha que o meu interesse pela entrevista foi justamente pela parceria dele com o baiano.

 

Acabei ficando indignado com a forma que descreveu o resultado de uma sessão de missa negra, em que Raul se deu mal. Não conseguira se livrar dos demônios, e ele se saíra bem. Encontrou o caminho e Raul se descampava pelo inferno. Isso foi por volta de 1986, se não me engano.

 

Realmente era um período difícil para o baiano que atravessava uma série de problemas de saúde por causa dos excessos que cometera. Mas foi uma escolha dele, como também a preservação da integridade artística, que lhe acompanhou até o fim da vida. Nunca cedendo aos encantos do Monstro Sist.

 

Não posso dizer o mesmo de Paulo Coelho Pinheiro. Dele quem fala na biografia, escrita por Fernando Morais, é Toninho Buda, que escreveu o primeiro livro publicado pelo “Mago”, “Manual Prático do Vampirismo”. Toninho não teve nem sequer a coautoria reconhecida e passou a ser desprezado por Coelho.

 

No início dos anos 1990, fiz algumas visitas a Dona Maria Eugênia, quando realizei algumas horas de entrevistas com a mãe de Raulzito. E dela ouvi que Paulo Coelho era um falso. Me revelou ainda que teria sido obra do “Mago” a gota d’ água da separação de Raul com Edith, sua primeira mulher e mãe de sua primogênita Simone.

 

Interessado em Glória Vaquer, que preferira o Maluco Beleza a ele, Coelho sorrateiramente tentou tirar o parceiro do caminho. O ardiloso acabou separando definitivamente Edith de Raul, que passou a se relacionar oficialmente com Glória, mãe de sua segunda filha Scarlet.

 

Realmente caráter não é algo pelo qual tem apreço o Sr. Paulo Coelho, apesar de seu engajamento cristão. Iniciado, ele transita bem pelas ordens secretas abençoadas pelo Vaticano. Assim as portas do poder se abrem para ele.

 

O cara poderia estar alegre e satisfeito por morar em Genebra, na Suíça, e nadar em dólares. Mas não. A inveja que tem do autor de “Ouro de Tolo” (Não vá dizer que é do “Mago” essa letra também, Érica Marmo) não deixa e persiste.

 

Paulo Coelho que já disse em entrevista a Playboy ser a reencarnação do poeta francês do Século XIX, Gerard de Nerval, agora sai com essa de alimentar a especulação de que Raul Santos Seixas teria lhe delatado à Ditadura Militar.

 

O próprio documento do Ministério da Aeronáutica, divulgado como possível prova dessa suposta delação (veja abaixo), fala apenas da possibilidade de, por intermédio de Raul, localizar e prender Coelho e a mulher, Adalgisa, que seriam considerados subversivos pelo Doi/Codi, a polícia política da época. O Mago conta que foi torturado, mas Raul também foi.

 

Dona Maria Eugênia me contou que ela própria lavou a camisa ensanguentada do filho quando foi liberado pela polícia. O curioso dessa história que emerge das catacumbas da especulação é que os dois viajaram juntos para os Estados Unidos depois deste episódio. Existem imagens dos casais, Raul e Edith, Paulo e Adalgisa, na Disneylândia, se divertindo.

 

Então, por que Paulo Coelho nunca tocou nesta história macabra enquanto Raul Seixas estava vivo? Assim seria mais justo. O Maluco Beleza teria o direito de defesa. Que covardia é essa, Mago? 

 

*Pacheco Maia é jornalista

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