Quarta, 21 de Agosto de 2019 - 16:30

30 anos sem Raul: Raulzito e Os Panteras

por Pacheco Maia

30 anos sem Raul: Raulzito e Os Panteras
Foto: Reprodução/ Mercado Livre

Raulzito. Assim ele era chamado pelos familiares e amigos da infância e adolescência, quando resolveu montar uma banda de rock and roll, empolgado com Elvis Presley. Inicialmente, foram os “Relâmpagos do Rock”, com os irmãos Gama. A banda, então, mudou de formação. Saiu um dos irmãos Gama e entrou Mariano Lanat. Virou “Raulzito e The Panthers”, nome inspirado na flâmula americana do felino, que havia no quarto do Maluco Beleza.

 

“The Panthers” soou mal e trocou-se para “Raulzito e Seus Panteras”. O pronome possessivo não agradou os companheiros, que, enfim, resolveram batizá-la como “Raulzito e Os Panteras”. Um dos irmãos que compunha o primevo trio, “Os Relâmpagos do Rock”, Thildo Gama, integrou “Os Panteras”, como muitos outros, a exemplo de Emanoel Pacheco e Perinho Albuquerque. Mas a banda se consolidou com Mariano, Carleba e Eládio. São eles que gravam o disco “Raulzito e Os Panteras” no final de 1967.

 

O encontro de Raulzito com cada um dos três é curioso. O primeiro deles foi com Mariano. Eles tinham um amigo em comum: Olival, que morava no mesmo prédio da família Seixas, na Rua João das Botas, no Canela. Olival pegou o violão de Mariano, que residia próximo, para emprestar a Raul, que demorou de devolvê-lo. Mariano sentiu falta do instrumento e resolveu ir à casa do vizinho de Olival para pegá-lo de volta.

 

Raulzito o atende e, de cara, o convida para formar uma banda de rock and roll. Mariano topa. Thildo, que era um dos irmãos Gama que integravam o “Relâmpagos do Rock”, participa dos planos. E eles começam a ensaiar, com Thildo na bateria. Raul ainda não está satisfeito com a formação da banda, por onde passam vários componentes. Certo dia, já estudando no Colégio Ipiranga, que ficava na casa onde morou Castro Alves, na Rua do Sodré, Raulzito viu um garoto batucando na carteira. Gostou e perguntou se o batuqueiro sabia tocar bateria.

 

A resposta automática foi sim, embora Carleba, na oportunidade, nunca tivesse tido qualquer experiência com o instrumento. A performance na carteira agrada Raul, que lhe revela a insatisfação com o baterista de sua banda e convida Carleba a participar dos ensaios. Pede para ele chegar mais cedo, no horário em que o dono da bateria, Thildo, estivesse ausente.

 

Carleba cumpre o combinado, aparece e aprende a tocar, tocando na bateria de Thildo, que acaba lhe flagrando, usando o instrumento de sua propriedade. Mas aí Raulzito já tinha decidido por Carleba. E Thildo passa a tocar guitarra. Ainda insatisfeito com a sonoridade da banda, o ainda projeto de Maluco Beleza busca outro guitarrista.

 

Um dia, passeando com Mariano pelo Campo Grande, eles veem um garoto com um violino na mão. Era Carlos Eládio, que saíra da aula de música. Aluno do Colégio Marista, integrante do Bando Alegre, conjunto da escola, Raulzito o vira tocar quando lá estudara. Mariano, por sua vez, tinha sido colega dele no primário, na Escola Jesus Maria José. Bateu nos dois a vontade de chamá-lo a participar do grupo.

 

O convite, no entanto, para integrar a banda só surge inusitadamente num final de semana, na piscina da Associação Atlética da Bahia, na Barra. Uma turma de jovens estava reunida à beira da piscina, tocando violão e cantando, quando um deles, Raulzito, puxa outro, Eládio, e o conduz em direção ao trampolim. Sem entender direito, Eládio pergunta o que estava querendo o conhecido. Raul pede para subirem até o último andar do trampolim.

 

Eládio imagina que Raulzito vá lhe desafiar a pular do topo do trampolim. Ledo engano. Ao chegarem ao derradeiro patamar, Raulzito lhe faz o convite para tocar na banda, que seria formada pelos dois e mais Mariano, Carleba e Thildo. Eládio aceita. O quinteto é formado e permanece assim até que Raul, influenciado pelos Beatles, decide tocar também guitarra e reduz a banda a quatro integrantes: Raulzito (vocal e guitarra), Mariano (baixo), Eládio (vocal e guitarra) e Carleba (bateria).

 

Embora Thildo fosse um dos mais entusiasmados, ele acaba sendo sacado dos Panteras. Mas o saudoso relâmpago e pantera, falecido em 2011, tornou-se um dos grandes divulgadores da obra e vida de Raul Seixas.

 

Salvador fica pequena para a pretensão do grupo, agora um quarteto como os Fab Four, que conquista o troféu de melhor conjunto de iê iê iê do estado. No segundo semestre de 1967, Raulzito, Mariano, Carleba e Eládio decidem encarar o Sul Maravilha. Desembarcam no Rio com o objetivo de gravar um disco. Mas essa é outra história.

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