Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Blog do Preto observa a explosão de influencers e alerta para a manutenção da saúde mental
Fotos: Arquivo pessoal

Conversei com o futuro médico e ex-blogueiro Paulo Henrique Pinheiro sobre ter sido vítima do adoecimento a partir do influenciamento e da necessidade de influenciar. 

 

Quem me segue no Instagram (@marquinhospreto) e me viu não-blogueirando no Evento Carnasal pode ter achado estranha a minha afirmação: eu prefiro ser feliz do que ser blogueiro! Estranho, você pode pensar! Como pode ter blog, se comportar como blogueiro e relacionar a profissão a falta de felicidade? Observando, ou melhor, conversando! E foi assim que um bate papo iria virar uma entrevista e, em formato inédito nessa coluna, chega como relato, desabafo, ou uma coluna dentro da coluna. 

 

PH, assim como Alisson Short, Estevão Terceiro e Rui Filho, são perfis baianos os quais eu gosto de acompanhar. No caso de Paulo, um estudante de medicina de classe média alta e apaixonado por um lifestyle leve (mesmo que grifado) eu tive que me acostumar a ver menos blogueiragem e acompanhar o seu período de relatos de depressão, ansieda e até vontade de desistir da medicina enquanto eu começava o curso! Que susto! Mas, enfim, vamos falar de saúde mental?

 

No lugar de uma entrevista, leiam um texto rico e coerente, que serve como um alerta para quem não teve acesso ao VIP do Carnasal, do Baile da Maga, da Festa de alicia e etc, visto que esses espaços são - e sempre serão - de parceiros e patrocinadores do evento, tá?! Tio tá ensinando para que vocês não achem que é uma “blogger area”, não fiquem tristes com os assessores do evento ou não se sintam menos importantes do que quem estava lá!

 

Com vocês, Paulo Henrique Pinheiro, @phbasico:

Poderia começar esse texto com um breve histórico social para mostrar o comportamento humano atual diante do uso das redes sociais, e os efeitos que a imersão nesse universo promovem para o adoecimento mental. Contudo, inicialmente, convido você leitor a desenrolar o fio dessa leitura a partir da simbologia poética.

 

Era tudo o que eu queria ser:
A barriga sarada, que via como sinônimo de felicidade;
A viagem para Europa, que financeiramente não era realidade;
“Mandei chamar o médico”
“- Diga trinta e três! ”
Instagram, Instagram, Instagram!
- O senhor tem um déficit de entendimento e o lóbulo cerebral direito afetado!
- Então Dr., é possível tentar uma harmonização facial?
Não, a única coisa a se fazer são anos de terapia!


Apesar do humor presente no meu poema, baseado em Pneumotórax, do excepcional escritor modernista Manoel Bandeira, Eu, Paulo Henrique Pinheiro Souza, talvez conhecido por vocês por meio do domínio @phbasicoo, já fui negligencialmente influencer e, mais ainda, influenciado! Esse viver não me trouxe bons resultados. Então, no meu primeiro texto para essa coluna, quero convidar você, leitor, para um bate papo livre de julgamentos, e assim, se possível, analisarmos as nuances que vivenciarmos.

 

A partir do Instagram as informações, tendências e comportamentos começaram a ser viralizados de uma forma jamais vista. Assim, o que um famoso veste ou o que uma celebridade diz fazer para emagrecer ditam os padrões, os quais, a maioria das pessoas resolvem seguir.  E sim, já fui parte dessa corrente. Essas tendências que costumam ser literalmente excludentes, e cada vez mais difíceis de alcançar, acabam nos torturando por não atender a uma perspectiva pelos olhos julgadores de tantos, e intensivamente do nosso ego. Nesse caminhar, caro devorador dessa coluna, me sinto à vontade para refletir com vocês sobre dois pontos: “O que te faz seguir ou eleger alguém como um influencer?. “Qual é a responsabilidade que esse @ tem com seu público? ”.

 

Pensou um pouco sobre essas provocações?? Então, eu vou respondê-las com a sinceridade de quem já foi massacrado por esses padrões. Nós gostamos de seguir o inalcançável, quanto mais distante é aquele padrão pregado pelo influencer, seja de moda, fitness, organização doméstica, rotina de estudos, ostentação em amplo aspecto e viagens internacionais, são os que nós iremos seguir. Você já parou para colocar em uma balança que esses moldes praticamente inacessíveis podem promover um sentimento de incapacidade, descontentamento, tristeza e até mesmo te levar a doenças mentais mais sérias, tudo pelo fato de você tentar duramente entrar a todo custo e fazer parte de um mundo que muitas vezes sequer existe para os próprios influencers? Tudo ali é pensado para atrair um público: a maquiagem não é só no rosto, é também no caráter, na veracidade da informação, na influência que ele quer que você acredite. E muitas vezes, o fato de não fazer parte desse universo onírico perfeito e desejável te faz adoecer mentalmente. 

 

Quadros depressivos se tornaram mais comuns depois do instagram. Presenciamos o aumento dos casos de pessoas que desenvolvem transtornos alimentares seguindo orientações e prescrições de sujeitos sem formação para tal, indivíduos que nunca fizeram a leitura em um livro de nutrologia dão conselhos, e essa ação é mais comum do que se imagina. E no final, somos nós os responsáveis por seguir ou não essa maré.


Pessoalmente, eu já fui parte desse grupo, que influenciava de modo negligente, e que era absurdamente mais ainda negligenciado, pelas influencias que eu queria seguir: eram roupas de marca supercaras, procedimentos estéticos que hoje vejo como desnecessários, mas que na época; se eu não os fizesse era como não ter vida, rotina de exercícios e dietas que eram praticamente impossíveis. Essa avalanche a ser seguida para atingir o padrão ainda estava diretamente associada à rotina de estudo, de trabalho e de obrigações domésticas.... Executar tudo era surreal!! E por não atingir todos os padrões que eu desejava, adoeci. Desenvolvi quadros depressivos e de ansiedade, muita dor e medo, parei minha vida. Aquilo que conseguia realizar como rotina básica, já não fazia, tudo era assustador! Então, de coração aberto venho lhe falar, nós somos responsáveis pela nossa saúde, seja ela física ou mental, se um parâmetro não te cabe dê unfofflow e te garanto que assim você será mais feliz e evitará consequências futuras mais sérias.

 

Dessa forma, a partir do tear das provocações e vivencias, busque por perfis de profissionais comprometidos seriamente com determinada causa, filtre a informação que te faz bem e te acrescenta para facilitar sua vida; o cotidiano por si só já nos exige tanto, então, por que seguir quem te desafia ao impossível? Isso só te levará a um desgaste completo. Pare de seguir o que não é alcançável, é uma responsabilidade pessoal com sua saúde mental; e te garanto, às vezes, abrir uma garrafa de vinho e assistir a um bom filme é muito mais prazeroso do que realizar uma sequência de 300 abdominais depois de um dia cansativo.  Entenda sempre seus limites, você é um ser humano e não uma máquina. Mil beijos de luz do Phzinho e espero muito em breve estar aqui novamente batendo um papo com vocês.

 

Ps: Um conselho de ex-blogueiro, Preto é sempre básico!!

 

Texto: Paulo Henrique Pinheiro - @phbasico no Instagram

Histórico de Conteúdo