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Quinta, 13 de Janeiro de 2022 - 08:00

Fala, Albuca!: Como calcular o preço de uma obra de arte?

por Beatriz Albuca - @albuquerquebeatriz

Fala, Albuca!: Como calcular o preço de uma obra de arte?
Venda de quadro de Monet na Sotheby's | Foto: Sotheby's.

Van Gogh em vida não vendeu nada e hoje seus quadros valem alguns milhões de dólares. A Monalisa, apesar de ter seu valor considerado imensurável, bateu o recorde com uma cotação a US$2,5 bilhões feita a partir do valor do seguro pago pelo governo francês. 

 

Existe porém um mercado de arte acessível e muito visado para o investimento, tendo em vista os valores que uma obra pode atingir. É esse mercado que dita o preço de uma obra de arte.

 

Primeiramente acho importante pontuar que o valor independe de um padrão beleza, de uma estética específica. Existem alguns elementos básicos e mais objetivos a serem levados em conta: importância do artista, galerias em que a tela foi exposta, contexto histórico e social tanto da criação da obra quanto de sua venda, e a depender do tipo de arte até mesmo o tamanho, a técnica e o material usado. Também nos termos mais básicos da economia a demanda e a oferta vão interferir nos preços e é essa uma das justificativas para qua obras de artistas que já morreram valerem mais, visto que a exclusividade da obra é acentuada. 

 

Os três modos mais comuns de comprar uma obra são em leilões, em galerias ou diretamente no atelier do artista. A qualidade artística é avaliada basicamente por curadores e críticos, um círculo bem restrito de pessoas do mundo da arte, e são eles que definirão uma média de preço de quanto aquilo vale no mercado, e é sobretudo nos leilões que é possível fazer uma comparação entre o valor designado e o valor que os colecionadores estão dispostos a pagar. 

 

Segundo Picasso, existem pintores que transformam o sol em um ponto amarelo, e outros que transformam um ponto amarelo no sol. Numa visão mais subjetiva da arte, também é preciso levar em consideração o conceito daquela produção, se ela é mais comercial ou se está inserida num meio mais prestigiado da arte.

 

Em um exemplo prático do Brasil, temos Romero Britto e Beatriz Milhazes. Romero Britto é mais famoso, vende mais obras e é mais popular, porém suas obras são geralmente mais baratas que as de Milhazes. Sua própria irmã um dia argumentou que Britto vende “para milhões e não por milhões’’. Suas obras, desvalorizadas pelos críticos das belas artes por sua linguagem artística não comunicar um conceito que preceda a estética, são feitas para serem comercializadas facilmente e no próprio site do artista, por exemplo, você pode comprar um quadro por quatro mil dólares ou mesmo um chaveiro por sessenta e cinco dólares, além da possiblidade das obras por encomenda como os famosos retratos feitos por Britto. 

 

Do outro lado temos, aclamada pela crítica e considerada a artista brasileira mais cobiçada no mercado internacional de arte, Beatriz Milhazes e suas obras que valem entre um e dezesseis milhões de reais. Na obra dessa modernista, o carnaval não está só nas cores, ao contrario, não existe uma hierarquia entre cor, forma, desenho e pintura: ela incorpora todos esses elementos e nos devolve em forma de uma harmonica e abstrata geometria. 

 

Então, o preço de uma obra de arte é resultado de diversos fatores objetivos e subjetivos combinados, que ainda terão como variante o contexto cultural e o econômico. O interessante é que é justamente esse movimento de especulação do preço de uma obra de arte que atrai cada vez mais colecionadores para investimento. Alguém que comprou uma tela de Beatriz Milhazes no inicio dos anos 2000 para decorar seu apartamento, hoje tem um objeto que num leilão pode valer mais do que o próprio imóvel. Assim como no mercado financeiro é preciso estudar muito para ter uma noção de quem irá valorizar ou não, mas como disse o ex-proprietário do Abaporu Raul Forbes: “eu nunca comprei arte como investimento, mas foi o melhor investimento que eu fiz’’. 

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