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Quinta, 06 de Maio de 2021 - 09:50

Classificação da UFBA ou: A Criança Está com Febre? Quebrem o Termômetro!

por Caio Mário Castro de Castilho

Classificação da UFBA ou: A Criança Está com Febre? Quebrem o Termômetro!
Foto: Acervo pessoal

Medir é comparar e, posto que tal, ao medir comparamos objetos, grandezas e coisas da mesma espécie. Ao se medir, por exemplo, o comprimento de algo, pode-se chegar a que o mesmo mede (21,35 x 0,02) cm o que significa que, com o instrumento de medida usado, o comprimento estaria compreendido entre 21,33 cm e 21,37 cm. O valor exato, neste caso, não é possível saber. É possível, apenas, mediante o emprego de outro instrumento saber que, por exemplo, o comprimento estaria compreendido entre 21,356 m e 21,357 cm. Medir grandezas como comprimento, massa, tempo, etc é, sempre, mais fácil do que medir algo relacionado a contextos mais complexos, como opinião majoritária de uma população, desempenho social de uma entidade/instituição ou universidades, etc.

 

Acaba de ser divulgado levantamento 2021 do CWUR (Center for World University Rankings) com possível discriminação por país (https://cwur.org/2021/country/brazil.php). Alguns dados chamam a atenção. O Brasil possui uma das dez maiores economias do mundo e, não obstante, a sua classificada como melhor universidade (USP) está, apenas, na posição 105 e, em seguida, a UNICAMP, na posição 347. O Estado da Bahia, entre os estados brasileiros, possui uma economia classificada em oitavo lugar. Nossa mais antiga, tradicional e maior universidade ocupa, no plano mundial, segundo o CWUR, a posição 1019, depois de universidades como as federais do Rio Grande do Norte, do ABC, de Viçosa, do Ceará e outras em estados/cidades de importância econômica e cultural bem menores. Há que se considerar que a medida do CWUR é apenas uma das medidas. Outras existem, como a Times Higher Education. Aqui ou ali, a posição da UFBA varia, mas, em nenhum caso, chegamos a um nível que poderíamos qualificar como razoável.

 

Não creio que estes dados estejam desconectados dos resultados do PISA (Programme for International Student Assessment) (https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_unidades_federativas_do_Brasil_por_nota_do _PISA). Assim, creio ser necessário refletir sobre estas coisas ou, de outra forma, nos acomodarmos como me disse ilustre docente: “Os critérios destas classificações são altamente discutíveis”. Certamente que questões e instituições complexas como as universidades não só podem, como também devem ser discutidas com profundidade. Mas, não posso deixar de lembrar que, quando o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) apresentou resultados do projeto DETER, sobre o aumento de queimadas na Amazônia, importante autoridade simplesmente os ignorou, atribuindo-os a “maus brasileiros”. Ou, numa linguagem mais simples, isto nos remete àquele fato de que uma mãe acorda, preocupada, na madrugada, o pai da filha que tiritava de febre e o pai, na sua zona de conforto, simplesmente sugere: “Quebre o Termômetro”.

 

*Caio Mário Castro de Castilho é professor da Universidade Federal da Bahia

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

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