Política e Cultura estão imbricadas: é hora de fortalecer os artistas de rua e dos bairros
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A política e a cultura estão imbricadas e não podemos jamais esquecer disso. Em sua amplitude, a cultura determina hábitos, princípios, práticas e ações. Nos últimos anos temos visto renascer nas periferias um movimento cultural de música e poesia que sempre foi – agora mais evidente – elemento central no campo de mediações inerentes às disputas de interesses das classes sociais:  esses movimentos expressam uma redefinição do processo de construção de poder social. 

 

Nos ônibus, nas praças, nas ruas, brotam poetas e artistas que contrapondo-se ao capitalismo sugador, tem interferido na dinâmica das expressões da democracia, retratando lutas, realidades do cotidiano e dos obstáculos enfrentados pela pobreza e injustiça social. 

 

Não só agora – mas principalmente agora – são essenciais para a reflexão nesse momento onde a democracia se fragiliza em nosso país e cada vez mais se dá espaço a retirada de direitos sociais. 

 

Quebrar os paradigmas da visão clássica da interpretação da cultura, onde se enxerga cultura e política separadamente, é um objetivo praticamente em comum entre nós, professoras e professores, que temos na cultura elo  para a educação. 

 

Conforme Gramsci, a cultura  é uma “ dimensão de todas as instituições – econômicas, sociais e políticas. Cultura é um conjunto de práticas materiais que constituem significados, valores e subjetividades.”.

 

Quando a gente vê centenas de jovens espalhados por Salvador, em sua maioria negros,  na capital mais negra, nos ônibus retratando  através da poesia uma realidade dolorosa, assistimos também os rostos daquele espaço público – com muxoxos, aplausos, distrações – absorvendo a própria realidade: é um exemplo da dinâmica de expressões e significados importantes que a arte e a cultura traz para cada ser humano. 

 

É preciso incentivar ainda mais a cultura nas periferias como elo a política, pois a partir da formação de uma consciência crítica, iniciamos o processos de participação ativa e consciente da sociedade civil pelos  sujeitos que se enxergam como organismos político-culturais na construção social. 

 

O fomento a cultura popular, das periferias, das ruas e dos  bairros é essencial para enfrentarmos em conjunto as dificuldades que os artistas sofrem e nos colocarmos contra a  a essa política cultural obscurantista e silenciadora que faz com que grupos culturais, linguagens e pessoas sejam negligenciadas dentro da sua própria cidade.

 

É preciso apoiar o confronto: valorizar nossos artistas populares (arte de rua, poetas, grafiteiros, dragqueens, transformistas, batalhas de hip-hop) e retira-los da subordinação, fortalecendo a democracia e propondo a reflexão ética-política-social do que queremos para Salvador.

 

*Marta Rodrigues é vereadora de Salvador (PT) e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

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