Quarta, 23 de Setembro de 2020 - 16:30

Eleições 2020: todos por um, e um por todos?

por Luzi Pimentel

Eleições 2020: todos por um, e um por todos?
Foto: Divulgação

Escrita pelo francês, Alexandre Dumas (1809/1870), a frase “um por todos, e todos por um” está contida em um de seus livros, considerado um clássico, cujo nome é “Os Três Mosqueteiros”. Todavia, este axioma universal criado pelo autor francês, que considera a qualidade mais valorosa do que a quantidade ou até mesmo o ato de seguir olhando na mesma direção e unir forças em prol de objetivos coletivos, é justamente o que diferencia o sentido do questionamento invertido inicial apresentado e cria o rótulo indicativo para tal ironia e ainda servindo de fonte reflexiva.

 

Isso porque, o questionamento “todos por um, e um por todos?” poderia aplicar-se perfeitamente ao cenário político, claro, se não fosse uma indagação natural suscitada que acontece quase que de imediato ressaltada do contexto. A razão para isto é simples. Diante deste mesmo cenário sob a análise de uma eleição, ainda que atípica, como é o caso desta em 2020 pela pandemia, descarta do eleitor, em sua grande maioria, a crença de que este “um [pré-candidato – gestor] por todos [sociedade]”, compreenderá na prática da boa política ultrapassando, apenas, os já conhecidos calorosos discursos.

 

Esta reflexão decorre de uma observação fática da política. Afinal, embora haja todo o esforço e atuação forte do Tribunal Superior Eleitoral – TSE e dos Tribunais Regionais Eleitorais – TRE´s, em especial o TRE-BA, em criar, determinar o Plano de Segurança Sanitária para as Eleições Municipais de 2020 e aplicá-lo, há uma falta de comprometimento por parte de alguns pré-candidatos que insistem em descumprir estes protocolos.

 

Prova disto, já tem. Em decisão recente, o pleno do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia – TRE-BA negou provimento aos recursos interpostos em município pela prática de propaganda eleitoral antecipada, consubstanciada na promoção de carreata, que segundo o relator, entre outras justificativas asseguradas pelo descumprimento das normas, também, causava aglomerações, proibidas neste período. O TRE-BA já publicou resolução nº 30/20 que regulamenta a atuação da Justiça Eleitoral baiana no contexto da pandemia de coronavírus. O objetivo é justamente evitar atos que violem as orientações sanitárias e promovam situações irregulares estimulando o “todos por um”, acima de qualquer coisa, até mesmo de uma estado de pandemia, para se eleger.

 

Logo mais, quando assim for permitido, a partir do dia 27 de setembro data oficial para o início da campanha, quando eles [candidatos] disserem “vote com segurança”, vamos saber que tudo isso pode não passar de, apenas, mais uma mera “propaganda enganosa” daquele que quis a parte que lhe coube para ser eleito - apoio movimentando encontros sem os devidos cuidados de segurança à saúde e gerando aglomerações . Ou seja: “todos por um”.

 

Claro, esta não é uma culpa unilateral do pré-candidato, pois há eleitores que ainda acreditam no “um por todos” desta maneira como fonte para solução dos seus problemas, pois, àqueles que se incluem no “todos por um” espera que o “um por todos”, seja o seu representante na prefeitura ou na Câmara Municipal lutando em prol de melhorias para a sua cidade colocando em risco à saúde e mais: preferem não pensar que este político deveria dar o exemplo de compromisso com as normas estabelecidas desde a pré-campanha.

 

Agora, se este pré-candidato não foi capaz cumprir as medidas de segurança e conciliar neste rito vital para democracia que é a realização das eleições, preocupando-se com a saúde da população, imagina gerir o município ou legislar. Vale destacar também o contrário, pois muitos encontraram modelos alternativos para suas campanhas e estão fazendo isso de forma exemplar. Merecem todo o reconhecimento pelo mérito e comprometimento. Estes que alcançam soluções em meio ao problema  já dão sinais de competência política.  Por fim, ainda refletindo sob o axioma do autor francês, Alexandre Dumas, nota-se, mais do que nunca, a importância em considerar se os objetivos coletivos estão sendo exercidos pela escolha que o fará no dia 15 de novembro de 2020.

 

*Luzi Pimentel é jornalista e graduada em Direito

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

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