Segunda, 18 de Maio de 2020 - 11:00

Isolamento social é a alternativa mais inteligente

por Irlã Andrade Gomes

Isolamento social é a alternativa mais inteligente
Foto: Acervo pessoal

Um filme de terror que parece não ter fim. Esta é a sensação que boa parte das pessoas está tendo diante da maior pandemia do século, o novo coronavírus (Covid-19). Tendo inicialmente a China como epicentro, a doença se disseminou rapidamente pelo mundo, evoluindo de maneira assustadora da dimensão epidêmica à pandêmica. Contudo, os brasileiros estão subestimando-a e demorando para entender que o ponto de partida para o enfrentamento da enfermidade está no isolamento social.

 

Se se trata de um vírus com alto poder de letalidade e que se alastra de forma estarrecedora entre os humanos, conforme atestam infectologistas, epidemiologistas e a Organização Mundial da Saúde (OMS), por que uma parcela expressiva das pessoas no Brasil está na contramão das recomendações científicas? No país, muitos sistemas de saúde estão prestes a colapsar em virtude do crescente número de casos confirmados de Covid-19 frente à limitada disponibilidade de leitos. Além disso, a agonia transcende as fronteiras nacionais. Estamos diante de uma crise sanitária de dimensão mundial.

 

Segundo dados oficiais do Ministério da Saúde, no dia 30 de abril o Brasil registrou 7.218 novos casos em 24 horas, totalizando 85.380, e 5.901 mortes. No dia 6 de maio o número de mortes passou para 8.591 e o de casos confirmados subiu para 126.890. De acordo com o levantamento realizado pela Universidade norte-americana Johns Hopkins, no âmbito mundial, o total de contaminados pelo coronavírus havia passado de 3,2 milhões pessoas e o de mortos foi superior a 231 mil, no mesmo dia 30. Já no dia 6 de maio a OMS confirmou 3.588.773 casos de Covid-19 no mundo e 247.503 mortes.

 

Em meio a esse cenário marcado por números angustiantes, a Universidade de Harvard publicou em abril, na revista Science, um estudo científico apontando a importância das medidas de distanciamento social. Seguindo a mesma linha de análise, o Instituto Butantan também realizou em março um estudo através do qual comprovou a eficácia do isolamento social para conter o avanço do Covid-19.

 

Apesar de vários estudos científicos comprovarem a periculosidade do “inimigo viral”, muitos brasileiros menosprezam os efeitos nocivos da doença, haja vista a grande circulação de pessoas pelas ruas, muitas delas sem máscara. Ao que parece, essa parcela considerável da população vem dando respaldo ao discurso irresponsável do presidente Jair Bolsonaro, em vias de colisão com as conclusões das pesquisas sobre o isolamento. Tal fato sugere que, diante desse embate de retórica entre o chefe do executivo federal e os médicos, a referida parcela de brasileiros prefere seguir o “senso comum” em detrimento da ciência.

 

Outro conflito de retórica travado entre o presidente da República e a comunidade científica reside na área econômica. A economia é um setor crucial para o desenvolvimento da nação. Todavia, no atual momento, a vida é mais importante. Cuidar da saúde significa proteger a vida. Abrir escancaradamente comércios e demais empresas em meio à terrível crise sanitária implica aglomerações de pessoas. Consequentemente, tal medida vai gerar as condições propícias para a multiplicação do vírus e, dessa forma, o Brasil caminhará rumo à posição de novo epicentro da pandemia. Isso significa uma explosão absurda nos números de mortes no país. Óbvio, o distanciamento social provocará profundos impactos na economia mundial. Mas os efeitos serão muito mais devastadores para a vida humana se for decretado o fim do isolamento.

 

Entendo que se o Brasil e o mundo pretendem vencer a guerra contra o coronavírus não é uma iniciativa inteligente priorizar os “CNPJs” em detrimento dos “CPFs”. Empresas precisam de pessoas. Sem estas últimas, aquelas não funcionam. O emprego é de extrema importância, todavia o isolamento social é a medida mais importante neste momento e as conclusões científicas comprovam isso. Logo, trata-se de uma realidade que devemos superar pautados na inteligência, e não munidos de imprudência e leviandade, classificando a doença como “gripezinha”. Portanto, seja inteligente, fique em casa.

 

*Irlã Andrade Gomes é jornalista, cientista social, mercadólogo e pós-graduado em comunicação corporativa

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

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