Governo federal precisa agir mais rápido que o vírus e destinar dinheiro para equipar rede hospitalar
Foto: Priscila Melo/ Bahia Notícias

Estamos diante de um momento diferente, jamais visto. É a maior epidemia do século. Mas devemos nos desesperar? Não, não podemos, ou melhor, não devemos proliferar o pânico. Esse vírus não vai acabar com o mundo, mas precisamos agir rapidamente para conter seu avanço e reduzir os danos e salvar vidas. Isso é possível. Já vimos a contingência da epidemia de HIV e do Ebola na África, dentre outras. Sim, cada caso é diferente. E nesse momento, o coronavírus tem surpreendido por conta da sua rapidez de contaminação, mas ele pode ser vencido. 

 

É claro que poderíamos estar mais preparados para enfrentar uma epidemia. A Organização Mundial de Saúde, os cientistas, há anos, alertam para esta possibilidade, mas investimentos em Saúde e Ciência nunca foram prioridades no Brasil. E pior, hoje o presidente da República, diante desta pandemia, age de maneira irresponsável, minimizando o problema e ajudando a disseminar o contágio, em vez de articular ações. É surreal. Um chefe de estado não pode ignorar os avisos, as determinações do próprio Ministério da Saúde. 

 

Mas vamos ao que realmente importa nesse momento, que é ajudar as pessoas a reduzir a disseminação do vírus. 

 

As pessoas que apresentarem os sintomas devem ficar em casa. Mas é ficar em casa, mesmo! Uma pessoa com sintomas vai contagiar outras por ao menos 14 dias. Estava vendo as orientações de um grande mestre da ciência que atuou em todas as grandes epidemias mundiais e ele disse que se uma pessoa com sintomas ficar 75% desse tempo isolada em casa, sem contato com outras pessoas, a gente consegue diminuir em 75% o tempo de disseminação do vírus na rua. Segundo ele, foi esse tipo de dispersão que fez a epidemia explodir na Itália, onde as pessoas com sintomas leves ficaram espalhando vírus. Outra coisa, os idosos e as pessoas com doenças crônicas têm que ficar em casa. Não podem sair. Temos que ganhar tempo para nos preparar, tirar o fôlego da epidemia e colaborar para que a rede de saúde pública consiga se preparar para os casos mais graves. 

 

Até agora, o que mais sabemos é que o vírus é muito veloz. Então precisamos ser rápidos também, mais do que ele. A população já conhece as medidas de prevenção, de lavar as mãos com água e sabão, usar álcool em gel, manter distanciamento social, isolamento domiciliar em caso de sintomas. Mas o governo federal precisa ser ágil também e estabelecer medidas mais duras agora. E me refiro a medidas para o tratamento. Precisa investir em saúde pública, urgente.Agora é a hora da Economia pensar na Saúde. Instalar UTI's, adquirir equipamentos, preparar as emergências, fortalecer a rede SUS. São medidas para receber o paciente que chegou com dificuldade respiratória grave e vai precisar de procedimentos complexos. E com o nosso SUS com dificuldade, isso sim preocupa. É preciso destinar dinheiro para a Saúde logo e preparar as unidades de saúde para tratar dos doentes e salvar vidas. Essa é grande questão. 

 

Algumas medidas tomadas até aqui foram importantes, sobretudo na Bahia. E aí quero aproveitar para elogiar as autoridades de vigilância do Estado da Bahia, que estão diariamente produzindo notas técnicas para orientar a população, a imprensa séria e o poder público. Mas defendo que medidas mais drásticas sejam tomadas. As aulas já foram suspensas, eventos limitados, mas é preciso proteger as nossas fronteiras, monitorar a entrada de pessoas oriundas de países em quarentena e em alguns casos proibir a entrada. Não é possível que a gente continue recebendo voos de países em situação de quarentena, ou com transmissão comunitária. Tem que proibir. O aeroporto de Salvador, por exemplo, continua a receber voos diretos de Portugal e Itália, sem sequer monitoramento da ANVISA. Isso não pode. Vai ser doloroso para a economia? Vai, e muito, mas o mais importante é salvar vidas. 

 

*Fabíola Mansur é médica de formação e deputada estadual pelo PSB da Bahia

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

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