Sexta, 25 de Janeiro de 2019 - 16:30

Por mais Axé

por Welber Santos

Por mais Axé
Foto: Acervo pessoal

Vários são os elementos que identificam as peculiaridades de uma comunidade, um povo, uma nação: vestimentas, língua, culinária, arquitetura... Em se tratando de Bahia, uma de nossas marcas identitárias é o Axé. Entendido não só como um estilo musical, mas como um movimento. Ora a versatilidade e as mensagens que carrega. Ou seja, não estamos falando de banalidade ou algo estritamente comercial. Falamos de vozes que desejam ser ouvidas através da música.

 

Pois bem, em passagem recente pelo Norte dos Estado Unidos visitei a cidade de Detroit e também Lansing (capital do Estado de Michigan). Na primeira acontecia um festival de Jazz. Ruas e praças lotadas para se encantar com aquela música. Em Lansing, vias foram fechadas e a cada esquina havia pequenos palcos com bandas tocando blues. Desde os mais antigos até as sonoridades mais modernas. Era o blues daquele lugar.

 

Na verdade, as pessoas reverenciavam não apenas o jazz e o blues, mas suas identidades em que cada um se realizava a partir da música.

 

E o que falta a nós, principalmente Salvador? Acredito que, em princípio, uma tomada de consciência do que significa o Axé. Falta a nós ainda uma política pública e também privada de valorização de uma de nossas representações identitárias musicais.

 

O turista que chega hoje em Salvador vai percorrer toda nossa orla, do subúrbio até Ipitanga, e vai ouvir todos os estilos musicais à exaustão, mas terão enorme dificuldade de ouvir nosso Axé.

 

No dia a dia da cidade, a mesma coisa. Nos bares, restaurantes, hotéis, clínicas, na maioria esmagadora das rádios e até nos supermercados, ouve-se mais uma vez a música do mundo inteiro menos o Axé.

 

Esse Axé que criou todas as bases para a construção da maior festa popular do planeta, o nosso carnaval. Que apresentou ao mundo um movimento musical. Que encantou o rei do pop, Michael Jackson, além de Paul Simon e Jimmy Cliff, para citar outros dois artistas. Esse Axé parece até não se encantar com “O canto do povo de um lugar” (documentário de Chico Kertész que lotou salas de cinemas em Salvador).

 

Portanto, fomentemos mais Axé no cotidiano de nossa cidade. Os norte-americanos estão cultuando suas raízes. Nós precisamos fazer o mesmo com as nossas.

 

*Welber Santos é mestre em educação, pedagogo e produtor cultural

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

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