Sexta, 06 de Abril de 2018 - 08:05

Doença Falciforme, da angústia à ação!

por Luciana Serafim

Doença Falciforme, da angústia à ação!

Vivi por muitos anos na sombra desta patologia sem que ninguém soubesse dos motivos das minhas limitações, a não ser meus médicos, minha família e os amigos mais íntimos.

 

Em 18 de maio de 2011 experimentei um desses ritos de passagem na vida, que nos torna mais forte, mais madura e consciente de nossas possibilidades. Vitimado pela doença, meu irmão faleceu aos 35 anos, depois de ter passado cinco meses no hospital, lutando com as consequências da Doença Falciforme (conhecida também como anemia falciforme). O choque pela morte de alguém tão próximo e querido, padecendo sob a mesma patologia, mexeu com minha cabeça, ao ponto de eu não conseguir pensar em outra coisa. Quando seria minha vez? Teria forças para resistir? De que maneira continuar a incessante lutando pela vida? Será que iria ver meu filho crescer?

 

Esses questionamentos passaram a me preocupar e a preencher minhas horas de reflexão. Senti a necessidade de dialogar com todos sobre a doença. Daí, criei uma canal no youtube e uma página no Facebook (Energia Falciforme), para transformar em vontade de viver o que poderia ser somente pessimismo, auto-compaixão e conformismo. Todos podem visitá-la e interagir com página. Afinal, é um espaço aberto para dialogar sobre a Anemia Falciforme e suas consequências. Também ingressei na ABADFAL (Associação Baiana de Pessoas com Doença Falciforme), como uma forma de unir forças. 

 

Falar sobre minha patologia, entrar na ABADFAL e conhecer outras pessoas que sentem as mesmas coisas que eu, foi um divisor de águas na minha vida. Aceitar que a doença existe foi e é de total relevância, mas não posso deixar que isso se torne uma penitência, como também não posso ignorar a sua existência.

 

Em se tratando de doença falciforme, cada um vai saber o seu limite, até onde se pode ir para tentar evitar uma crise de dor e/ou infecções.
Muitas vezes a crise vem sem ter um porquê ... aí é que dá raiva, uma revolta latente, que temos que superar a cada crise. Estava me cuidando direitinho, por que estou com essa dor?
Por muito tempo questionei Deus por isso. Mas, reuni fé e força para me aceitar do jeito que sou. Afinal,  Deus  deve ter seus motivos, a presença Dele é tão viva no meu coração que não me permito mais tal questionamento. Se é pra eu passar por certas dores, é porquê Ele quer que eu seja forte. E é assim que vai ser, serei forte!
Aprendi isso na infância e carrego essa força comigo sempre.
Quem sou eu para questionar a dádiva de viver?? Eu quero é vida!!! Se para isso for preciso algumas vezes parar tudo e entrar num contexto de dor física e emocional e depois voltar…Eu vou e volto! E cada vez, volto emocionalmente mais forte, achando a vida cada dia mais linda e com uma enorme vontade de fazer com que todas as pessoas que tenham DF e que seus parentes/amigos também sintam essa força.
Uma boa autoestima, força de vontade e a fé, são ferramentas que andam comigo!
Essas três palavras me ajudaram a concluir o ensino médio e a faculdade, confesso que não foi nada fácil, mas foram etapas vencidas.
Essas três palavras fizeram de mim uma adolescente quase como qualquer outra, Freqüentei festas.. festas...muitas festas, mas sem colocar uma gota de álcool na boca (mesmo os médicos dizendo que um pouquinho socialmente, não teria problema). Namorei... paquerei, curti a vida como uma jovem comum, apesar  das internações e crises de dor, crises que a anemia falciforme me impunha.

 

Com o tempo os médicos e equipe acabam se tornando amigos de verdade, pela frequência em clínicas/hospitais/emergências/UPAS.

Sentir dor não é fácil ... ser arrancado de sua rotina e de momentos especiais para passar alguns dias sofrendo em hospital é muito difícil, mas é preciso continuar e tentar tirar alguma coisas boas. É por isso que digo que a DF, extraiu de mim sentimentos como; amor, compaixão, fé e perseverança.

A vida me fez nascer com doença falciforme, mas em contrapartida ela me deu uma mãe heroína e me deu uma família que tenho orgulho e amigos verdadeiros.

A DF me fez repeti de ano uma vez para que eu conhecesse as melhores amigas do universo, selecionou os melhores amigos e selecionou o amor verdadeiro.
Tento sempre ver o melhor que a vida me oferece, por isso que digo que não tenho hemácias em forma de foice correndo nas minhas veias, e sim meia Lua. Será que é por isso que eu sou tão apaixonada pela Lua?!!
Não é por acaso que o maior presente da minha vida, meu filho, se chama Luan. 

Sim, tenho Doença Falciforme, que procuro transformar em Energia, para prosseguir na incessante luta pela sobrevivência e por uma vida normal. Temos que tentar transformar a nossa anemia em energia, para que possamos energizar nossa vida e os que estão ao redor.

 

Luciana Serafim é gerente administrativa financeira e tem diversos artigos no Facebook: Energia Falciforme com o propósito de apoiar outras pessoas com a doença.

Sexta, 30 de Março de 2018 - 08:05

Feminismo pode ser sim cor de rosa !

por Ashleu Malia

Feminismo pode ser sim cor de rosa !

Minha história com a blogosfera começou aos 12 anos, lá em 2009, quando conheci a Marimoon. A partir de então, fui colecionando blogs a medida em que ia amadurecendo e só no ensino médio descobri o potencial que aquilo tinha e comecei a pensar no curso de jornalismo como uma possibilidade de carreira. Ao entrar na universidade me deparei com um mundo de oportunidades e foi justamente quando a blogosfera e os movimentos sociais começaram a crescer.

 

Sempre fui tímida e quieta e, antes mesmo de pensar em ser jornalista, eu já escrevia histórias de fantasia ou fanfictions nas redes sociais da época, como o Orkut. Conheci o feminismo logo quando algumas reflexões sobre acontecimentos passados na minha vida começaram a fazer sentido e, a partir disso, meus textos passaram a ser sobre vivências minhas que se aproximavam da realidade de outras mulheres negras. Criei o blog Ashismos para falar, de uma forma muito pessoal, sobre essas experiências e reflexões, sobre tudo o que eu aprendia e estava aprendendo sobre existir enquanto mulher negra nesta sociedade.

 

O Ashismos surgiu das minhas experiências com os movimentos feminista e antirracista e eu comecei a linkar essas experiências com outros espaços da minha vida e coisas que eu sempre gostei, como cultura pop e moda. Mantenho o blog até hoje falando sobre as questões étnico-raciais e de gênero sob a minha perspectiva e ligando tudo isso ao mundo da moda, da música, do cinema e por aí vai. Me sinto muito satisfeita quando recebo histórias de transições capilares ou da tomada de consciência racial (e de gênero) de algumas pessoas que tomaram essas iniciativas a partir de algo que eu disse. O blog foi crescendo e passei a adotar uma linguagem mais jornalística com o objetivo de alcançar outros públicos. A partir de então ele começou a alavancar aos poucos. Hoje em dia sempre recebo relatos de mulheres que mudaram algo em si ou nos outros a partir dos meus posts. Sentir que meus leitores têm a minha opinião como referência e se inspiram é o que me deixa mais grata em fazer tudo isso, é nesses momentos que eu lembro o porquê escolhi o jornalismo como profissão.

 

A minha escrita está sempre em construção, aprendo novas coisas todos os dias e tenho o prazer de correr para o blog ou para as redes sociais e contar sobre essas descobertas. A internet é uma ferramenta com um grande poder de influência e hoje podemos ver pessoas de diferentes classes sociais e realidades diversas acessando esses espaços, acho que é o grande motivo de o Ashismos existir: tornar mais didático tudo aquilo que eu aprendo sobre movimentos sociais. Eu escrevo em uma linguagem acessível, pois quero que a minha colega de faculdade entenda, mas eu também quero que a minha mãe entenda e se empodere a partir de algo que eu falei. E, na minha opinião, não existe melhor jeito de trazer essas temáticas sem ser de uma forma super leve e cor-de-rosa, assim como eu.

 

 

Sexta, 23 de Março de 2018 - 08:05

Opa, quem é essa bafhonica Rafa Francisca?

por Rafaela Francisca

Opa, quem é essa bafhonica Rafa Francisca?

Como todo artista tem nome fantasia, eu não poderia ser diferente, todos os que conhecem meu carácter e trabalho são surpreendidos pelo meu amor e determinação em tudo que faço.  Vamos deixar de muita conversa e irei me apresentar.

 

Sou Rafaela Santos conhecida pelos meus seguidores “Rafa Francisca” , influenciadora digital, Cabeleireira especialista em cachos, Modelo fotográfica e Graduada em marketing. Tudo começou com meu pai que dizia “você devia ser Blogueira e fazer um diário de sua vida”mas na época não tinha autoestima para isso, depois de alguns anos descobri quem era eu mesma, fiquei cacheada, mas não tinha Empoderamento Crespo. A partir do momento que passei pelo empoderamento do conhecimento e mental foi minha inteira libertação.

 

Hoje, empodero autoestima e mente com conhecimentos como potencializo beleza através dos cabelos cacheados e crespos, esses meus momentos são únicos feitos em minhas redes sociais e no meu portal Caracóis Meus www.caracoismeus.com.br. Preparo  conteúdo para mulheres baianas mostrarem sua real beleza, visto que conhecimento liberta mentes. Então falei demais ... então vai lá para conhecer minhas redes sociais!

Sexta, 09 de Março de 2018 - 08:05

Do que você se orgulha, mulher?

por Nine Lima

Do que você se orgulha, mulher?

Do que você se orgulha, mulher? No mês em que é comemorado o dia da Mulher me faço essa pergunta todos os dias... Nasci mulher e tenho uma mulher como minha maior referência, a minha mãe. E acredito que isso tem um impacto grande na minha vida, pois foi ela quem me ensinou a ser o que sou hoje e disso eu me orgulho muito.

Sou mulher, sou mãe de gêmeos, sou servidora pública, esposa e tantos outros papéis que eu queira desempenhar no auge dos meus 36 anos. Sempre fui muito tímida, mas a vida e a minha querida mãe me ensinou que  timidez é desculpa para quem tem preguiça de sonhar...

A minha história é igual a sua, tudo que conquistei lutei muito e me esforcei para realizar... uma casa, uma família e um emprego isso é motivo demais para agradecer! Realizei talvez o maior deles, me tornar mãe e de gêmeos! E posso dizer que esta foi a experiência mais transformadora da minha vida!

E foi justamente a maternidade que me trouxe até aqui, até as colunas, outdoors, blogs e redes sociais. Tudo começou quando recebi o convite de uma grande amiga pessoal, uma outra mulher que admiro bastante, para realizar juntas um sonho de escrever e inspirar mulheres na fase mais linda e especial de nossas vidas, a maternidade.

Vivi tantas experiências, alegrias e dificuldades que passei a compartilhar minha rotina, dicas e inspirações que encontrava nas redes sociais. Posso dizer que foi um sucesso. Não porque eu tenha feito algo que outras pessoas ainda não tivessem feito, mas porque pude ajudar pessoas, receber ajuda, trocar experiências e dividir as alegrias, angústias e diversidades que vão até além da maternidade e me fez crescer muito.

Meu foco é sempre a mulher, aquela escondida atrás de qualquer papel, seja profissional, mãe, amiga, esposa. É fazer com que a gente olhe para nós mesmas, corpo e alma, e com o que acontece dentro de nós a cada renúncia. É mostrar que cuidar da gente não é egoísmo, porque cada um dá o que carrega dentro do peito. E se você quer dar amor aos que te rodeiam, você precisa amar a si também, precisa criar o hábito priorizar a si mesmo, cuidando de si, e livre de culpa.

A minha busca tem sido unir a beleza que todas carregamos através da realidade, desconstruindo padrões de beleza, o mito da maternidade mulher ideal, e da mãe perfeita que nos traz muito mais frustrações do que felicidade.

E com a minha mãe, mulher forte, que abriu mão da sua vida para criar os 3 filhos, mas que retornou à faculdade com 50 anos, que se tornou empreendedora aos 55, aprendi o mais importante: o que se faz com amor sempre valerá à pena e nunca é tarde para sonhar!

 

Sobre Nine

Nine Lima é autora do Blog Querida Mamãe, administradora de empresas, funcionária pública, casada e mãe dos Gêmeos Ricardo e Guilherme. Criou o blog há três anos com o intuito de compartilhar as expectativas da gestação, os cuidados de grávida, de mãe e do bebê; as experiências, inspirações e dicas.  "Tudo que pesquisei, elaborei e aprendi e continuo aprendendo a cada dia. Amo trocar experiências, refletir sobre o universo materno e aprender mais sobre educar e ser mãe, que sem dúvida alguma é um gostoso e contínuo desafio", disse Nine.

 

www.queridamamae.com

IG @blogqueridamamae

Facebook /blogqueridamamae

-- 

Beijos,

Nine Lima

 

www.queridamamae.com

 

IG @blogqueridamamae | FB @ Blog Querida Mamãe

Sexta, 23 de Fevereiro de 2018 - 08:05

O amor é exercício. Precisa de tempo!

por Aline Castelo Branco

O amor é exercício. Precisa de tempo!

Sempre achei que essa habilidade do ser humano contemporâneo de terminar rapidamente um relacionamento e começar o mais depressa possível outro acabaria banalizando o “amor”. É que cresce o número de pessoas que tendem a chamar de amor mais de uma de suas experiências de vida. Na verdade o que move essa vontade de encontrar alguém e amar é a esperança. E por isso, vão se tentando, tentando, tentando…. Mas há um exercício errado aí. Em vez de haver mais pessoas atingindo mais vezes os elevados padrões do amor, esses padrões foram baixados.

Como resultado, temos noites avulsas de sexo que acabam sendo  referidas pelo codinome de “fazer amor”. Mas na verdade o que é fazer amor? E quando podemos de corpo e alma, declarar Eu Te Amo a alguém? Eu te amo não diz tudo, minha gente. O indivíduo é iludido por essas três palavrinhas e se dá mal. O amor só vira amor quando o outro tem real interesse na sua vida, quer ver sua felicidade acima de tudo, te encoraja para seus medos, te escuta mesmo não querendo, entende mesmo discordando e acima de tudo, respeita. Mas para que tudo isso dê certo e se realize  precisamos de tempo, ouviu bem? Tempo.

 É como numa academia. Levamos meses, anos para moldar nosso corpo. O amor também merece contornos estruturais elaborados, mas  sem cirurgias.

Como diz Bauman: “o amor é uma hipoteca baseada num futuro incerto e inescrutável”. Talvez, por isso, o amor é tão atemorizante quanto a morte. Não sei se amor, mas a entrega e o desejo de compartilhar com outrem algo bom, real e agora. O medo do desconhecido torna natural e, ao mesmo tempo, fútil o desejo de desfrutar, entregar e querer bem. Tentação pra se apaixonar, tem de monte, mas acertar o exercício é sempre difícil!

 

 

Aline Castelo Branco é jornalista, escritora , educadora sexual e  apresentadora do confessionário

@brancoaline

aline@mundodaintimidade.com.br

Sexta, 16 de Fevereiro de 2018 - 08:05

Reflexões sobre "Ela Quer Tudo"

Reflexões sobre

Ela Quer Tudo (She’s Gotta Have It) é uma releitura do filme homônimo de 1986 e que marca a estreia de Spike Lee como diretor. A série acompanha Nola Darling, uma artista do Brooklyn que, com três amantes, é adepta ao poliamor e tenta equilibrar sua vida entre trabalho, sonhos, vida amorosa e contas para pagar.

 

Seus três amantes são Mars, Greer e Jamie. Os três são pessoas completamente diferentes e que satisfazem Nola de formas diferentes. Mars é um cara mais engraçado e meio doidão, Greer venera Nola e Jamie é um cara com a vida feita e traz a sensação de proteção. Todos os três são péssimos homens, mas com suas devidas qualidades. Caso houvesse uma junção dos três em uma só pessoa, talvez fosse alguém perfeito ou até ideal. No entanto, eles são como a própria terapeuta de Nola diz em um dos episódios: um monstro de três cabeças. Os três amam e exigem da Nola de uma forma incômoda.

 

Nola só os quer para sexo e para satisfazê-la em momentos específicos. É interessante consumir uma narrativa que traz esse tipo de perspectiva. Ela Quer Tudo não se trata de mais um clichê que gira em torno de uma mulher sofrendo por um homem, é justamente o contrário, uma mulher decidida e independente que é amada por três homens que fazem de tudo para tê-la.

 

Logo no primeiro episódio, Nola Darling diz uma de suas falas mais marcantes: “Eu não sou louca. Não sou viciada em sexo. E, com certeza, não pertenço a ninguém”. A forma como a personagem leva a sua vida amorosa é uma questão para grande parte das pessoas, como seus amigos, mas não para ela. Muito pelo contrário, para Nola, a sua vida amorosa e sexual é tão simples que chega a ser óbvio e essa normalização faz o público refletir um pouco sobre o que seria essa pessoa “poliamorista pró-sexo”.

 

A série inverte os papéis em vários momentos. Ao, muitas vezes, objetificar os homens com quem Nola se relaciona e ao trazer como protagonista uma mulher negra, independente e consciente de sua realidade. Nola Darling sabe muito bem o que é ser negra, sabe muito bem quais são as pautas raciais de sua época e não precisa ser militante para lutar pelas suas causas. Esse também é um ponto positivo na série, pois nos tempos de hoje as produções só trazem obras que falam de negros que são eternos militantes, como se suas vidas fossem apenas aquilo. Neste quesito a série é muito mais realista, pois trabalha com as questões políticas de forma mais sutil. Nola é uma personagem feminista, mas em nenhum momento participa de marchas, ela transforma em militância tudo aquilo que faz parte do seu dia-a-dia, ou seja, sua arte.

 

A Shemekka teve um papel importantíssimo na série para discutir sobre as pressões sociais e a busca feminina pelo corpo ideal. Shemekka é amiga de Nola e não se sente bem com o fato de sua bunda não ser enorme. Além de ela trabalhar em uma boate de streap onde bundas são veneradas o tempo inteiro, o sonho de Shemekka é participar de um programa que tem as bundas enormes como atração principal. A abordagem que trouxeram para retratar a Shemekka é muito interessante e sensível, chegando até a angustiar o público com essa busca pelo corpo ideal. Inclusive, se eles entrassem na questão da hipersexualização do corpo negro também daria boas pautas para a personagem.

 

A questão racial também é muito presente em Ela Quer Tudo. A série traz elementos importantes da luta negra como o “Black Lives Matter” e retrata a invisibilidade das mazelas sociais de uma forma muito discreta e quase imperceptível.

 

Opal Gilstrap é uma personagem muito importante na trama, apesar de aparecer em poucos momentos e apenas na metade da série. Ela é uma mulher com quem Nola mantém relações em certos momentos. Opal é sua única amante feminina e a única com quem Nola compartilha suas angústias, inclusive é ela quem a orienta a buscar uma terapeuta. Por muitos momentos é possível ver a protagonista confusa com a satisfação de estar com Opal e se sentir tranquila, satisfeita e feliz. Algo que nem sempre sente com os outros três amantes que muitas vezes a deixa confusa, frustrada e com raiva por eles quererem demais dela ou por tentarem comandá-la.

 

DeWanda Wise torna a personagem mais encantadora e forte. A forma como ela olha para a câmera faz o público sentir de verdade os momentos mais sensíveis dos episódios.

 

Quem interpreta Nola Darling como uma personagem que foge de compromissos precisa rever sua interpretação ou, até mesmo, assistir a série novamente. O feminismo e a questão racial são mostrados na série em suas formas mais reais. As micropolíticas do dia-a-dia é o que fazem toda a diferença no fim das contas. Nola não precisa ser militante, ela torna a sua vida inteira em algo político. Sua arte, seus desejos, suas relações, suas perspectivas…

 

Nola Darling é a protagonista feminina e negra que sempre sonhamos em conhecer!

 

 

 

Ashley Hawthorne, 20 anos, baiana, mulher negra e periférica. Feminista, militante do movimento negro e estudante de jornalismo. Aos 12 anos encontrou na blogosfera um espaço para se expressar e hoje em dia vê as mídias digitais como uma possibilidade interessante para o seu futuro. Barbie preta, ama pink, fotografia e twitter.

O Ashismos é um blog com conteúdos sobre questões étnico-raciais e de gênero com linguagem simples e um toque cor-de-rosa.

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Sexta, 26 de Janeiro de 2018 - 08:05

A resposta das mulheres

por Paula Dultra

A resposta das mulheres

Se Mc Diguinho achou que sua " Surubinha de Leve" , que faz uma clara apologia ao estupro, iria passar em branco, ele se enganou.

 

A sociedade não tolera mais coisas do tipo. Os tempos são outros.

 

Quando escutei a resposta da música, na voz de Carol e Vitória, eu entendi. É isso! Por mais que queiram nos fazer acreditar que mulheres são inimigas, elas não são. E existe uma grande parcela da população que já entendeu isso. São feministas sim, mesmo que não sejam militantes. Já entenderam que ocupar seu lugar como mulher na sociedade só vale a pena se for bom para a mana do lado também.

 

Estamos aqui e ali. Estamos em todas as partes. Vamos reclamar quando tiver música machista, SIM! E se acharem ruim, vamos fazer um escândalo até entenderem que precisa ter muita criatividade e estar ligado no momento atual do Brasil para poder fazer música.

 

Até Mais !

 

Sou Paula, soteropolitana, quase 37, publicitária e viciada em seriados. Estou aqui para te dizer que a vida me ensinou a tirar proveito das situações adversas e seguir sempre em frente. Ser diagnosticada com câncer de mama aos 30 anos não foi fácil, eu tive duas opções: ficar me lamentando ou lutar. Escolhi a segunda. 

 

Blog Mão na Mama: (clique aqui)

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Sexta, 19 de Janeiro de 2018 - 08:05

Anemia Falciforme: Algumas limitações; conhecer para não julgar!

por Luciana Serafim

Anemia Falciforme: Algumas limitações; conhecer para não julgar!

Carregamos no corpo uma patologia e suas conseqüências. Lido com essa experiência todos os dias, há 39 anos... Já passei e ainda passo por muitos julgamentos e tento enfrentá-los da melhor maneira, com desassombro, coragem e obstinação.

Muitos de nós carregam, visivelmente, as consequências da Anemia Falciforme, como a paralisia parcial ocasionada por AVC, visão comprometida, necrose no fêmur e em outros ossos, olhos amarelados, úlceras nos pés, cicatrizes por cirurgia (na sua maioria baço e vesícula) e tantas outras complicações e seqüelas, que afetam a autoestima;  sem falar nos danos emocionais e sociais.


Como também ocorre,  muitos de nós não carregam a doença falciforme de forma aparente, pois as complicações são mais internas, ou seja, invisíveis aos olhos de terceiros.


Alguns, com esforço, tentam levar uma vida "normal", trabalhando estudando e  cuidando da família… Mas essas pessoas não deixam de carregar o peso da doença, como dores no corpo, enxaqueca, náusea, fadiga, tonturas e outros sintomas de mal-estar.

Cansamos muito, é um cansaço surreal. Na maioria dos dias, travamos uma verdadeira guerra pra levantar da cama, mas não nos entregamos, levantamos, e seguimos em frente, pois viver é o que importa.

Embora muitos não saibam, os afazeres domésticos também  se tornam um desafio. Em muitos momentos a faxina se transforma em crise alérgica, e que por sua vez se transforma em sinusite /amigdalite/ faringite e que, por seu turno, pode se transformar em pneumonia, e assim por diante até o internamento hospitalar.

 

Às vezes, lavar aquelas louças da pia se transforma em crise álgica (dor forte em qualquer parte do corpo), a depender da temperatura da água e do tempo que a pessoa passe lavando. Eu mesma, Luciana Serafim, já tive crise de dor nas mãos por lavar algumas simples peças de roupas, como já senti dor por eu mesma hidratar meus cabelos (por passar muito tempo com as mãos molhadas na água fria). Também já sofri dor após um banho demorado de piscina,  tive dor por ficar com o biquíni molhado por muito tempo, ou seja, não sentimos dor apenas nas obrigações, sentimos também  nas diversões, o que acrescenta um aspecto difícil ao fato.

Amigos, familiares e conhecidos… entendam que o nosso cansaço NÃO É PREGUIÇA! Nosso cuidado  NÃO É FRESCURA!

Já ouvi de alguns juízes do comportamento alheio dizer:  " ela/ele se cansa pra umas coisas,  mas não se cansa pra "outras coisas"...

Amigos, familiares e conhecidos… não queiram tirar alguns prazeres que ainda conseguimos ter, à custo de muito sacrifício, nossas diversões também têm suas limitações. Quando nos ousamos a tomar um banho de mar ou de piscina, na maioria das vezes damos mergulhos rápidos e nos enxugamos mais rápido ainda. Para fazer uma viagem, eu me preocupo mais com a "bolsinha" de remédios do que com a mala de roupa. Para eu ir para uma festa no lugar de levar dinheiro pra várias cervejas, levo dinheiro pra comprar água, muita água. E no meio da festa, muitas vezes, preciso parar alguns instantes para descansar e trabalhar a respiração para deixar o sangue bem oxigenado.

Quem me conhece sabe que adoro festas, viagens, praias, mas por trás de tudo isso tem muito cuidado e precaução por minha parte e das pessoas que me amam. Amo minha vida e amo viver, por isso estou sempre aprendendo sobre minhas limitações e me cuidando independente dos julgamentos.

É importante que nossos amigos, familiares e colegas de escola e/ou de trabalho conheçam a anemia falciforme. É importante se informar e aprender sobre as limitações de uma pessoa com doença falciforme.
Existem tantas coisas a conhecer sobre a DF… As crianças em idade escolar vão mais ao banheiro, pois precisam beber bastante água. Se na sala de aula tiver ar condicionado ou ventilador, essa criança não deve ficar na direção desses equipamentos. A aula de educação física deve ser acompanhada com cuidado (ou até mesmo liberada da aula).

Vamos conhecer mais e julgar menos! 

 

Luciana Serafim é gerente administrativa financeira e tem diversos artigos no Facebook: Energia Falciforme com o propósito de apoiar outras pessoas com a doença.

Sexta, 05 de Janeiro de 2018 - 08:05

O passado sempre presente

por Aline Castelo Branco

O passado sempre presente

 

Dizem que é para gente viver o agora. Viver o hoje sem pensar no amanhã ou relembrar o que passou. Como? Se o maldito, aliás, bendito passado sempre aperta a campainha pra dizer: olá, estou aqui!

 

Eu acabei abrindo a porta para ele. Estava na prateleira no meio da minha humilde biblioteca “Os cem melhores poemas brasileiros do século”. Na semana  que a nostalgia me toma inevitável seria deixá-lo de lado, assim como meu passado. Foi um retorno inesperado.  Ao folhear a página amarela e ver o  sentimento registrado na letra trêmula senti que, um dia, fui amada. A dedicatória era essa:

 

“Pra você que tem a métrica perfeita no sorriso. Que deixa os sonhos em forma de rima. Que tem a estrofe certa e  o verso preciso. De sua vida em poema, uma obra prima”.

 

Mas não era apenas isso. Tinha muito mais. A cueca Box preta está na gaveta das calcinhas até hoje. Por incrível que pareça eu uso quando preciso vestir uma saia curta. Nossa…. vem uma sensação estranha como se ele estivesse em mim.

 

Destruir objetos que nos fazem por alguns instantes acelerar o coração feito o início de uma paixão não é nada fácil. Manter esses elementos é um sinal de estarmos vivos, ou que, em algum momento, vivemos algo importante.

Pelo menos, comigo é assim.

 

Certa vez fui pegar um documento nas centenas de papéis espalhados na escrivaninha  e quem encontro: minha caixa rosa. Na verdade é meu conto de fadas. É onde guardo meus sonhos e os melhores acontecimentos da minha vida. E lá estavam dezenas de cartas, bilhetes e fotos.  Havia tempo que não abria a caixa rosa. Talvez, por medo desse reencontro. Talvez, para manter distante a certeza que tentava evitar: ele ainda permanecia nos pensamentos. Um misto de alegria e tristeza consumiu  o semblante que ora embarcava na carruagem do amor  do passado, ora tentava expurgar lembranças antigas. 

 

Nesse momento queria ter o desapego de um Vinícius de Moraes. Ter o desapego para fugir e, quem sabe, coragem para apagar uma linda história. Mas não consigo. Sou extremamente apegada. Pronto!

 

Sei  lá, assim me sinto viva tendo a certeza de que estive em boa compainha. Sei também que um dia a cueca vai parar no lixo, as cartas serão comidas pelas traças, o lençol do nosso aconchego será substituído por outro. O violão…..vixe! O que farei com o violão se meus dedos paralisaram e esqueceram as notas sem você? Está  bom, o violão fica em cima do guarda-roupa até ter vontade de tocar novamente.  Mas, por enquanto, prefiro ver todos os objetos que deram significado à nossa relação pertinho,  espalhados pela casa e pela minha memória.   

 

Com vocês já aconteceu algo assim?

Aline Castelo Branco é jornalista, escritora e educadora sexual

@brancoaline

aline@mundodaintimidade.com.br

Sexta, 22 de Dezembro de 2017 - 08:05

Então é Natal: Todas prontas para o look do sofá?

por Estela Marques

Então é Natal: Todas prontas para o look do sofá?
Foto: Noelle's Favorite Things

Todo ano a gente faz tudo sempre igual. Chega dezembro e com ele a preocupação para o look de Natal. Saia, uma blusa amarrada na cintura, bota e o cabelo solto de prancha... Brincadeirinha, porque esse meme é de São João. Mas sempre surge a dúvida do que vestir e a atenção se volta para o que está na moda. Neste ano, indicaria a vocês um macacão pantacourt com estampa floral de fundo escuro, ou um short no estilo clochard roxo e uma blusa fluida da paleta azul. Nos pés, tênis ou espadrile de corda. Bacaninha, né?

 

Tanto investimento tem um motivo: recepcionar o menino Jesus, que todo ano (há 2017 anos, ainda que simbolicamente) nasce neste mundo de provas e expiações para nos ensinar noções de amor e caridade. E o rapaz é importante, já que determinou até o modo como nos identificamos no tempo: depois da sua chegada mudamos do Velho para o Novo Testamento e estamos apenas em 2017 *depois* de Cristo - porque zeramos a conta do *antes* dele.

 

Ok. A relevância cultural da ocasião é indiscutível. Mas todo ano a gente faz tudo sempre igual e deixa de observar o seguinte: nos arrumamos para ficar sentados no sofá assistindo ao especial de Roberto Carlos na Globo e ao filme temático que certamente passará na sessão especial da emissora. Por que será que desenvolvemos e alimentamos este hábito todo ano?

 

Uma breve pesquisa DataMoça apurou com dois grupos de amigas e obteve o seguinte resultado: 10% considera que caprichamos no visual para causar uma boa impressão aos familiares e aos parentes; 90% não souberam ou não opinaram. O levantamento registrou também que existe um grupo dos excluídos, que passam o Natal de pijamas ou uma roupa simples para ficar em casa. Cada um se veste conforme lhe convém, precisamos concordar.

 

De qualquer forma, chama a atenção como a data ganha um status diferenciado. Ao contrário das minhas amigas, aposto que toda essa preocupação com a roupa de Natal se dê por dois motivos. O primeiro deles é a presença do catolicismo em nossa cultura e o quanto a Igreja valoriza esta festa. Afinal de contas, é o nascimento do menino Jesus, filho de Deus; o caminho, a verdade e a vida. Precisamos celebrar essa ocasião, ainda que comecemos na véspera.

 

O outro motivo é mais social mesmo. Não sei como é na família de vocês, mas na minha bolha parental fomos criados comprando roupa em duas ocasiões do ano: Natal e São João - este último, muitas vezes, tem a mesma programação da festa de dezembro. Note que entre o proletariado é grande a preocupação com roupas novas nesses dois períodos do ano. Costumamos renovar as peças. Se formos viajar para casa de parentes, ainda que para ficarmos sentados no sofá, então, a necessidade torna-se vital.

 

Mas essas são elucubrações minhas, que talvez nada tenham a ver com a realidade. Ou talvez tenham, não sei. Independentemente, não quero aqui dizer que é exagerado se arrumar para assistir à emissora líder em audiência no Brasil, sentar ao redor da árvore de Natal e esperar também pelo momento de trocar presentes com quem lhe é caro. Natal é isso. E a gente precisa estar bem.

 

De pijama, de salto, vestido ou olhão esfumado preto na maquiagem, isso não importa muito. Afinal, a gente nunca sabe como se dará a tão aguardada noite feliz. Vai que no fim das contas acontece a premiação de "Melhor Parente do Ano" ou "Parente-Invisível da Temporada", aquele que a gente quase nunca vê?

 

Feliz Natal, leitoras!

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