É muito cedo, todos concordam, para deflagração do processo sucessório. Mas ele aí está, em marcha batida, antecipando-se no tempo, conseqüência de um estado de indocilidade geral que envolve a classe política, impelindo-a a falar. Nestes últimos dias, a sucessão baiana emergiu ao primeiro plano, com seguidas declarações de políticos com um bom cacife eleitoral.

Foi um momento de explosão que, decididamente não estava inserido numa estratégia adredemente montada. Simplesmente aconteceu, e a conclusão que se faz desta repentina precipitação é que ela significou uma necessidade de ocupação de espaços para firmar posições.

Não há como negar, porém, que será difícil conter o processo, embora a tendência, após as últimas estocadas, seja uma retração das forças em condições de falar sobre ele de sorte a não atrapalhar a vida política e administrativa do estado. A tática geral terá forma de ação guerrilheira, com uma colocação e dois silêncios, nova investida e outros silêncios, até que os candidatos postos desta maneira resolvam vestir a roupa de combate e sair às ruas à cata de voto, em plena campanha.

Sabem todos os que procuram ocupar espaços que é demasiadamente desgastante postar-se, desde já, em plantão eleitoral, a espera da convenção partidária. Está bastante claro que falamos, até aqui, do processo sucessório sob a ótica do PDS, onde se situa, como comandante dele, o governador Antônio Carlos Magalhães. Nas oposições, a estória é outra e quem é candidato não nega que o seja, como Waldir Pires, Roberto Santos e Chico Pinto, embora este último não diga que é, preferindo dizer “me fazem candidato”.

As colocações pedessistas dos últimos dias, no entanto, fizeram aflorar a questão da sublegenda, que em tese não deverá ser utilizada na Bahia, mas poderá acontecer se algum dos postulantes se julgar em condição de arregimentar votos, malgrado não seja o candidato 1 do partido. A princípio, consideram todos que este instituto será desnecessário, pois o PDS tem amplas condições de marchar unido em 82 para enfrentar o candidato das oposições, qualquer que seja.

Há também, uma compreensão generalizada que o candidato que merecer o apoio do governador Antônio Carlos, estará ungido, daí por que ninguém se arriscaria a correr em paralelo para acabar cristianizado, vendo seus sufrágios computados em soma para eleger o candidato da legenda.

Mais uma vez abro um parêntese para ressalvar as oposições. Que não pensam no candidato do governador como o eleito, mas sim um concorrente difícil, muito difícil, mas não impossível de vencer. E é natural que assim seja porque se pensassem diferente não teriam necessidade de lançar candidato na certeza da derrota, não é mesmo?

* Coluna publicada originalmente na edição do jornal A Tarde de 16 de junho de 1981

Histórico de Conteúdo