O problema do grupo trabalhista baiano não é, agora, tão só de tomada de decisão. A alternativa é a que estava claramente posta desde o inicio das negociações, o PMDB, partido que tem a simpatia de Waldir Pires, Marcelo cordeiro, Filemom Matos, Jorge Viana, Hildérico Oliveira, entre outros, embora não a tenha de Josaphat Marinho e Archimedes Pedreira (este um prolongamento daquele), que permanecem enrodilhados na indecisão. O problema é como fazer para manter o pacto de cavalheiros entre eles estabelecido, de sorte a que o grupo permaneça coeso e unânime.

Se Waldir Pires e os parlamentares acima enumerados já têm uma decisão, Josaphat respira o dilema de saber que, para ele, o PMDB não é o ideal e o PDT brizolista, inviável. Mas será obrigado a decidir rapidamente e deverá acompanhar a maioria, indo para o PMDB, a não ser que se rompa o acordo entre eles feito.

Este problema de definição do grupo baiano já se arrasta por muito tempo, prejudicando, até, algumas bases interioranas, que há muito estão indóceis. Os limites de prazo fixados entre eles mesmos não são cumpridos, e a decisão, que deveria  ocorrer até o final do mês, foi transferida para meados de agosto. Alegam, para isso, que terão que aguardar o senhor Rômulo Almeida, que está no Panamá participando de uma serie de conferências. Com muitas estrelas reluzindo no grupo, aguarda-se um momento em que todas estejam em Salvador, coisa muito difícil, ao que parece. Se Rômulo sabia que a sua ausência invadiria agosto e que o prazo estabelecido na reunião de junho foi de até o final de julho, deveria ele ter deixado, com quem mais se afinasse politicamente, uma palavra definitiva a respeito do assunto. Não o fez mas, mesmo que tivesse feito, possivelmente, a definição oficial não sairia agora. Sua ausência serve, apenas, como uma justificativa para todos em termos públicos.

Em política tudo deve ser feito dentro do seu exato tempo. Uma decisão precipitada normalmente acarreta consequências e arrependimentos e foi de uma situação assim que o grupo fugiu, jogando, também, dentro de uma expectativa nacional sobre a evolução dos partidos políticos em formação. Para não ficarem com as mãos vazias, desempoeiram a tese da união das oposições que, como era esperado, não vingou.

Mas, se tudo deve ser feito no momento certo, deixar escapar o prazo também pode significar um complicador político. Se o parto dos trabalhistas não pode ser induzido, agora, caminha para ser a fórceps. Para isto, o grupo está necessitando, urgentemente, de uma boa parteira. Porque estrelas, está provado, já as possui. E muitas.
 

* Coluna publicada originalmente no jornal A Tarde de 29 de julho de 1980

Histórico de Conteúdo