Terça, 14 de Fevereiro de 2017 - 10:58

Políticos com foro ficam no bem bom

por Samuel Celestino

Políticos com foro ficam no bem bom
Na manhã desta segunda-feira (13), ao usar a rede de televisão para um pronunciamento, o presidente Michel Temer sabia exatamente o que iria dizer ao anunciar que não iria blindar qualquer ministro que tivesse culpa no cartório. Parecia se referir a Moreira Franco. Concluiu ao dizer que era necessário que “houvesse um conjunto de provas e aqueles que passassem à condição de réu”. A questão é que, de acordo com a Operação Lava Jato, os ministros do governo citados por delatores da construtora Odebrecht ficarão na berlinda até 2018, conforme relata a “Folha de S. Paulo” na edição de hoje. Isto porque, pelo menos em relação aos políticos que são blindados com foro privilegiado, há uma demora de 14 meses para que a Procuradoria Geral da República venha a formular as denúncias que lhe cabem. Portanto, tudo dependerá das ações rápidas, o que se presume que esteja na alçada do procurador Rodrigo Janot. Ainda de acordo com a “Folha”, será necessário que Janot passe a “estabelecer o mesmo padrão de celeridade aberta para investigar o ex-deputado Eduardo Cunha”. Não parece ser assim porque Cunha tinha fórum privilegiado como parlamentar, e somente quando foi cassado pela Câmara passou a ficar à deriva e levou o procurador a tomar as medidas que a ele cabiam. Portanto, aconteceu de forma diferenciada. Mas há uma verdade: desde as investigações resultantes das delações dos 77 executivos ou ex-executivos da Odebrecht não há nenhum inquérito aberto porque, se houver, permanecem na Procuradoria Geral da República. Daí a morosidade. Até agora se espera que o que foi delatado pelos executivos chegue pelo menos ao conhecimento público. E da forma mais rápida possível. 

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