Terça, 10 de Setembro de 2013 - 09:20

Coluna A Tarde: Dirceu novamente enrolado


Enquanto os ministros do Supremo Tribunal estão imersos em dúvidas e refletem sobre possíveis cenários para determinar a prisão dos mensaleiros condenados, o chefe da quadrilha, segundo o STF, José Dirceu, está envolvido em novo escândalo que somente agora chega à superfície. Ele passou a estar como figura central de uma negociata por provável envolvimento, como intermediário, numa maracutaia gigante, de nada menos R$2,2 bilhões.
       
É bem provável que esta seja a semana decisiva para o Mensalão e para os condenados no processo. Os ministros passarão - espera-se – a decidir sobre os embargos infringentes, que já tem um voto contrário, do presidente ministro Joaquim Barbosa. Sabe-se que existem diversos ministros contra, como Gilmar Mendes, por exemplo, mas não se tem ideia se, no conjunto, eles formarão maioria, o que é bem possível, embora existam aqueles que, como sempre, votam com condescendência, como  Dias Toffoli e  Levandowski.   
   
José Dirceu, de acordo com O Globo, que obteve documentos com base na Lei de Acesso a Informação, encontrou informações do envolvimento da Casa Civil na época de Dirceu, que teria participado de negociações para favorecer empresas. Aconteceu que a mineradora Vale do Rio Doce estava interessada na compra de outras mineradoras, a Socoimex,  Samitri, Ferteco e Caemi. As negociações passaram pelo Conselho Administrativo de Defesa Economia. Na Casa Civil da Presidência da República as negociações contaram com a interferência de Dirceu que de tudo fez para a realização da compra, encaminhando ao Ministério da Fazenda um documento da Vale que relatava interesse na negociação. O então Chefe da Casa Civil interferiu para informar que a “Operação fosse aprovada sem restrições.” O que de fato foi feito com grandes vantagens para a Vale.
   
As novas denúncias complicam a vida do ex-chefe da Casa Civil, mas não no processo do Supremo que está chegando ao fim. É possível que mais adiante o Ministério Público encaminhe ao Supremo uma nova denuncia que poderá, ou não, resultar em condenação. Vê-se por aí que a posição tomada pelos ministros da corte em relação à condenação do réu, pode ter sido até suave diante das informações que brotam da Lei de Acesso à Informação.
     
Com o processo aberto pelo Supremo, depois da denúncia de Roberto Jefferson que levou à demissão do então Chefe da Casa Civil, José Dirceu perdeu a condição de ser o sucessor de Lula, fazendo-o inventar Dilma Rousseff, que ocupou o cargo que ele deixara vago. Dentro do PT o principal réu do mensalão ainda é visto como principal membro do partido. Seu prestigio na legenda ainda é muito grande e ele é um dos conselheiros do partido, o que, provavelmente, continuará a ser mesmo após determinada a sua prisão. Os ministros não sabem, ainda, quando os réus começarão a cumprir as suas penas, mas não deve demorar. A não ser que o colegiado aceite os embargos infringente que podem levar o julgamento até o final do ano, se não invadir o ano eleitoral de 2014. Os ministros acreditam que se os embargos infringentes não prevalecerem e as prisões poderão ser imediatas. Caso contrário, é possível até outro julgamento.

*Coluna de Samuel Celestino publicada no jornal A Tarde desta terça-feira (10)

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