Terça, 15 de Novembro de 2011 - 11:51

Situação de Lupi piora

por Samuel Celestino

Pode até ser que nada aconteça porque o Brasil é uma República improvável. À primeira, segunda e terceira vistas, porém, o fanfarrão de ética duvidosa e de princípios morais e éticos de igual forma, sem ressalvar o quesito honestidade em face das suas supostas denúncias, ministro do Trabalho, Carlos Lupi, aquele que “ama Dilma”, está no chão perto dele.

O novo tombo recebido pelo pedetista pela revista Veja no final de semana o deixa em situação conflituosa e a presidente a refletir o que fazer com aquele que disse, com uma boca imensa de sapo em festa no céu, que não sai do posto nem agora e nem na reforma que o Palácio do Planalto pretende fazer no início do ano que chega.

Ontem o jornal Folha de S. Paulo, com repercussão em diversos veículos, trouxe uma matéria assinada por quatro jornalistas investigativos sobre a situação de Lupi, aquele que só é abatido por arma de grosso calibre e olhem lá.

O PDT (como aconteceu com os demais partidos em escândalos anteriores) parece ter iniciado um processo (até fechar está coluna Lupi ainda era ministro) de discussão sobre a substituição do amadíssimo super-homem da legenda. E tem que correr na sua discussão porque a pasta é disputada. O PT a cobiça e quer substituir o PDT, a quem o feudo pertence. Acontece, que mesmo com a denúncia da revista segundo a qual o ministro viajara num jatinho para o Maranhão, alugado e pago por um dos supostos favorecidos (dono de ONG), embora ele negue, o PDT está oscilando.

Não está entendendo que o tempo é contra o partido fundado por Leonel Brizola. Quem pensa assim, pensa com olhar vesgo, por entender que a queda (ou mudança com bandas e fanfarras como aconteceu com o anjo caído Orlando Silva, do PCdoB) do sapão da festa no céu “desgastaria” a legenda. Prefere, então, estabelecer um acordo com a presidente para que a mudança se dê no processo de reforma ministerial.

Ora, quanto mais Lupi permanecer no cargo, aumentará a agonia do partido e, seguramente, o desconforto da presidente Dilma Rousseff. Se o fruto é podre, melhor derrubá-lo logo do que deixá-lo no pé exalando mau cheiro na República tupiniquim.

Há outro lado, porém, a atormentar os vacilantes pedetistas: “O temor de que as novas denúncias comecem a atingir outras lideranças do partido, como ocorreu no PCdoB, quando o partido foi obrigado a substituir Orlando Silva por Aldo Rebelo no Ministério do Esporte”. Lá no andar do palácio onde a presidente despacha, articula e sente cólicas do poder viciado, o que dizem é que ele pode ganhar sobrevida até a reforma ministerial, mas, também, que “o Lupi já está muito fraco”.

Ressalva que “se não tiver um caso direto de corrupção, ele só será substituído na reforma”, Vê-se que o governo é daqueles do ver para crer. É bondoso, extremamente bondoso, o que lança por terra os dizeres segundo os quais a presidente Dilma Rousseff é dura no exercício do poder. Não, não é. É uma figura quase santa. Até porque, se não houvesse as denúncias formuladas pela imprensa, o ministério dela continuaria o mesmo do início, com o melaço correndo solto, como seguramente ocorre em outros segmentos da União, estados e municípios.

Pouco a pouco, porém, os “malfeitos” emergem. Porque o dever democrático da imprensa é transmitir à opinião pública aquilo que se esconde do breu das tocas onde os guaxinins chupam cana porque não encontram rapadura pronta.

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