Quarta, 26 de Outubro de 2011 - 16:54

Orlando Silva, a queda de um "homem santo"

por Samuel Celestino

Orlando Silva, a queda de um "homem santo"
A queda do ministro do Esporte, Orlando Silva, obedeceu ao mesmo processo agônico dos quatro outros ministros que foram decapitados (quem renunciou o fez “a pedido” da presidente). Todos caíram como “inocentes” e jamais souberam que havia tesouro na República. Tudo invencionice da imprensa, com as suas denúncias estapafúrdias que abririam espaço a processos que nunca foram movidos e jamais serão, porque todos, sem exceção, perderam seus postos supostamente (esse advérbio é muito interessante) por corrupção. Qual o quê! Santos, todos santos! Orlando Silva se disse um homem honrado e mergulhou na lama com sua honra e tudo, num processo de crise que incomodou a República durante dez dias. O episódio ficará marcado na história de 90 anos do PC do B, que se imaginava legenda diferenciada, mas, pelo menos neste episódio, se igualou como farinha aos demais, posto no mesmo saco desta infeliz república tropical, na qual os homens públicos se sentem mais privados do que públicos, e se multiplicam pelos três poderes, Executivo, Legislativo e Judiciário com a capacidade geracional dos coelhos e das preás. Na verdade, melhor poupar os dois bichinhos. Ratos se proliferam com mais facilidade. Orlando Silva começou a cair quando o Supremo Tribunal Federal acatou a denúncia da Procuradoria Geral da República, que encontrou, ao investigar o ex-ministro, indícios suficientes para um processo judicial. Ontem à tarde, ele falou, e foi desmoralizado, em audiência diante dos deputados federais na Câmara, sobre a Lei Geral da Copa, sabendo, naquele momento, que estava no chão. Nesta quarta feira pela manhã o seu caixão foi fechado depois de uma reunião no Palácio do Planalto na qual esteve presente, juntamente com o secretário Geral da República, Gilberto Carvalho, com o presidente do PC do B, Renato Rabelo e os dois líderes da legenda na Câmara e no Senado. Não há registro na história desta República da queda em sequência de seis ministros, cinco por a suposta (olha a palavrinha novamente) corrupção e um por se desentender com a presidente, o ex-ministro da Defesa, Nelson Jobim. Louvem-se as quedas, aplauda-se a sequência. Os partidos políticos, berçário da corrupção no País, ficam a saber que enquanto houver imprensa livre, a democracia estará assegurada e os corruptos poderão até ter sucesso, mas muitos cairão, como aconteceu com Orlando Silva que não perdeu o cargo por ser um homem sério.

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