Terça, 23 de Maio de 2017 - 11:12

Temer procura saídas difíceis

por Samuel Celestino

Temer procura saídas difíceis
Foto: Lula Marques/ Agência PT

Há uma indefinição do que poderá vir acontecer com o presidente Michel Temer. Se cairá ou não do cargo que ocupa, ou se permanecerá nesta semana decisiva para ele como se estivesse numa corda bamba, o que é mais provável. Temer perde aliados e tenta recuperá-los para manter a sua base de apoio. Não se sabe, é difícil presumir qual será o caminho que tomará. Como, nos seus dois últimos discursos ele afirmou e reafirmou que não renunciaria, agora procura saídas para se manter na presidência da República. Ficará a cargo do tempo. Está na dependência do que ocorrerá nos próximos dias. São muitas as suas preocupações. Tem feito constantemente reuniões com a base que ainda mantém, o que dependerá de decisões importantíssimas, inclusive e principalmente do impeachment que a OAB está à frente. Durante toda esta semana o governo pretende encaminhar projetos para a Câmara, que já estavam previstos, esperando que venham ser aprovadas. Será a primeira provação para o presidente. Se os projetos passarem, para ele será um alívio. Se não acontecer o que espera, dificilmente terá condições de permanecer no cargo. Portanto, trata-se de uma semana decisiva. As dúvidas são muitas. O fato é que o País está engolfado na pior crise que se tem notícia e não se sabe como terminará. O presidente encaminhava o seu governo aguardando o segundo semestre na esperança de haver melhoras. Entramos, portanto, num vazio inesperado e já não se sabe como o Brasil retomará o seu caminho. Se ultrapassar esta complicada crise será uma vitória. De quem, ninguém sabe.

Quinta, 18 de Maio de 2017 - 10:56

Temer, Aécio e os dois irmãos

por Samuel Celestino

Temer, Aécio e os dois irmãos
Foto: Istoé Dinheiro

Quando se imaginava que, afinal, o país estava no caminho certo, a partir dos resultados da economia, de repente estamos novamente a descer a ladeira e voltamos a ser notícia internacional. O que irá ocorrer nos próximos dias será uma incógnita, dessas absolutamente imprevisíveis. A República passa a estar de ponta-cabeça; e à frente dela, o presidente Michel Temer, responsável pelos acontecimentos que inundaram o país no início da noite desta quarta-feira (17). Como admitir que, de repente, voltamos à estaca zero? Pensávamos que o Brasil afinal tinha achado o seu caminho e iríamos, já no segundo semestre, encontrar o que se perdeu a partir de 2014, talvez três meses antes. O que aconteceu na noite de ontem, em torno das 19 horas, foi um baque monumental para a República, jogando por terra tudo o que se tinha prometido para a recuperação da economia e, principalmente, para os trabalhadores de modo geral, carentes de emprego. Tramava-se no breu das tocas corrupções desenfreadas para massacrar a República, à frente da qual estava o presidente Michel Temer: Aécio Neves a pedir dinheiro – R$ 2 milhões de reais – ao dono da JBS, Joesley Batista, que denunciou não somente a ele, mas também a Temer e, por incrível que possa parecer, também a Eduardo Cunha, que recebeu dinheiro mesmo estando na prisão. E muita gente mais. Os dois irmãos, Joesley e Wesley, estão se preparando para pedir permanência nos Estados Unidos na condição de asilados políticos. Pelo que se acredita, estão preocupados. Foram eles que fizeram as delações e, certamente, têm medo de encontrarem dificuldades ao retornarem ao Brasil, além de problemas sérios, inclusive serem assassinados. Foram eles que entregaram o senador Aécio e, principalmente, Temer, que já não tem como permanecer no cargo que ocupa. Não tem mais crédito. A sua reforma da Previdência desandou. Se já era difícil, não há para onde ir. Enfim, Temer vivencia – é uma presunção – que já não tem mais onde ficar. Sua Presidência é incerta e se já era impopular, provavelmente terá que entregar o cargo. 

Terça, 09 de Maio de 2017 - 11:18

Quarta-feira aguardada entre Lula e Moro

por Samuel Celestino

Quarta-feira aguardada entre Lula e Moro
Foto: Charge do Paixão/ Gazeta do Povo

Nesta quarta-feira (10) haverá o esperado confronto entre Lula e o juiz Sérgio Moro, se é que acontecerá porque os advogados do ex-presidente pretendem adiar o processo no entendimento de que não houve tempo para apreciar a farta documentação constituída de 100 mil páginas. Trata-se, na verdade, de um jogo de cena que não deverá, supõe-se, ser acatado pela Justiça, pelo menos é o que se espera. Lula atravessa no momento uma fase de intensa intranquilidade que poderá leva-lo à prisão, mais tempo, menos tempo. Há, em torno dele, uma enxurrada de denúncias oriundas da Odebrecht e do ex-presidente da OAS, Leo Pinheiro, que nos últimos dias passou a dar informações ao comandante da Lava-Jato, Sérgio Moro. Entre as denúncias de Pinheiro está a delação segundo a qual Lula é o real proprietário do tríplex de Guarujá, além de outras denúncias muito mais fortes, que colocam o ex-presidente na berlinda, como o maior responsável pelos delitos cometidos à frente do seu partido, o PT. Dessa forma, ficarão frente a frente nesta quarta-feira Moro e o ex-presidente, com o País voltado para o que irá acontecer em Curitiba. É possível que possam ocorrer conflitos, mas não é esperado, diante dos pedidos feitos pelo juiz Sérgio Moro, através da televisão, por não haver a menor necessidade de deslocamento para o Paraná. Como Lula é um líder, os seus seguidores já avisaram que irão, a partir de vários Estados, na direção a Curitiba. Bem, o fato é que esta quarta-feira é aguardada com expectativa. É a primeira vez que Lula e Moro se encontrarão.

Quarta, 03 de Maio de 2017 - 11:16

Dirceu tem liberdade mas pode voltar

por Samuel Celestino

Dirceu tem liberdade mas pode voltar
Foto: Ed Ferreira/ EBC

Um dos fundadores do PT, José Dirceu passou a ser, no primeiro governo de Lula, um dos homens mais requisitados pelo então presidente, participando do seu governo como uma espécie de homem forte como ministro Chefe da Casa Civil. Diante do esquema do mensalão, sem outra alternativa se afastou do governo, mas nem por isso ficou à deriva. Ele continuou mandando no governo Lula. Permaneceu como o homem forte que sempre foi, e passou a ganhar muito dinheiro com tramoias na qual se especializou a partir de negociatas. Pouco a pouco se tornou rico até acontecer a Lava Jato, em 2014, que o levou à prisão em 2015 e lá ficou até que ontem quando no início da noite foi libertado pelos votos dos ministros do Supremo, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes. Com votos contrários dos ministros Edson Fachin e Celso de Mello. Verifica-se - pelo menos tem acontecido nas duas últimas semanas - que o Supremo tem mudado as suas posições, agora favoráveis à libertação dos que estão presos. O principal deles foi justamente José Dirceu o que não era esperado e sequer se imaginava. Observa-se que existem posições dentro do Supremo e é natural que isso aconteça porque os ministros têm a sua forma de pensar e cada um vota acompanhando a sua decisão e a sua consciência. A Segunda Turma do STF foi a que determinou a soltura de Dirceu, mas poderá acontecer que a liberdade do réu poderá determinar uma nova condenação. Além do mais, ainda compete a um tribunal de segunda instância manter ou não a sua liberdade. Dirceu tem no momento duas sentenças que, no conjunto, representam 32 anos de prisão que poderão se tornar maior ou menor, a depender do que vier pela frente.

Terça, 25 de Abril de 2017 - 11:06

O sistema político virou bagaço

por Samuel Celestino

O sistema político virou bagaço
Foto: Agência Brasil

Numa sequência de frases nesta terça-feira (25), Lula, que atravessa uma fase de muitas dificuldades, disse que não se preocupa com uma eventual delação do ex-ministro Antônio Palocci e rebateu: “Se ele cometeu algum erro, só ele sabe. Se ele cometeu delitos, só ele sabe. Se ele vai fazer delação contra mim, não me preocupa”. O ex-presidente deveria se preocupar, mas faz de conta que não. Isso porque o seu momento atual é visto como o pior da sua carreira política. Palocci, na sua última delação diante do juiz Sérgio Moro, pediu um adendo ao magistrado para afirmar que estava à disposição para relatar o que é do seu conhecimento, senão a ele, mas a quem determinasse. Enfim, estava à sua disposição em qualquer momento que Moro assim desejasse. Palocci transformou-se numa espécie de “homem bomba” que poderá vir a sacudir a República. Na sua situação nada tem a perder e faz questão de falar para diminuir a sua condenação. Já Lula – até os petistas assim entendem – poderá vir a ser preso dentro, supõe-se, de quatro meses. O PT não tem nomes que possam substituí-lo e, se acontecer o que parece previsível, a tendência do partido é entrar em processo de decadência, o que possivelmente será também o caminho do PSDB e do PMDB. Os três principais partidos do país foram marcados por delatores da Odebrecht e foi a partir destas denúncias que o ambiente partidário ganhou uma dimensão inesperada com corrupção desenfreada em todos os sentidos. O sistema político está em processo de decomposição, incluindo os principais nomes da República.

Quinta, 20 de Abril de 2017 - 10:31

Odebrecht mandava na República

por Samuel Celestino

Odebrecht mandava na República
Foto: Ricardo Stuckert / Instituto Lula

Chega a ser um absurdo o que agora se revela através da Uol. As propinas oriundas da Odebrecht teriam ultrapassado o Produto Interno Bruto (PIB) de nada menos do que 33 países. Naturalmente países menores, mas, por aí se vê a força da empreiteira entre os anos 2006 a 2014 quando teria derramado R$ 10,6 bilhões, exclusivamente para os políticos corruptos. A estrutura da Odebrecht vai muito além do que se imaginava. Todos esses valores que os políticos deles se locupletaram estavam distantes do conhecimento público e seguramente somente os partidos políticos, principalmente seus líderes, tinham informações concretas do que acontecia na calada da noite, ou do dia. Por aí se tem uma diminuta noção de como os inúmeros partidos políticos da República se enriqueciam a larga por baixo do pano. As empreiteiras, principalmente a Odebrecht, mandavam no país com conhecimento (supõe-se) de Lula, que recebia da empreiteira nada menos do que 200 milhões de dólares para fazer conferências nos países latino-americanos, do Caribe e da África, onde a empresa realizava negócios. Os 33 países listados acima estão de acordo com os dados do FMI. São países pequenos, muitos deles sem que haja conhecimento da maioria da população do planeta. De volta a Uol, o valor em dólar, excetuando os R$ 10,6 bilhões, ficou em torno de R$ 3,37 bilhões. Quem levou esses dados ao conhecimento foi o delator baiano Hilberto Mascarenhas, encarregado de realizar os pagamentos da empreiteira.

Terça, 18 de Abril de 2017 - 11:09

Imbassahy não tem missão no Planalto

por Samuel Celestino

Imbassahy não tem missão no Planalto
Foto: Rogério Melo/PR

O ministro Antônio Imbassahy, que ocupa o cargo que foi de Geddel Vieira Lima, está completamente perdido no Palácio do Planalto e não sabe para onde vai ou para onde fica. O cargo de ministro parece ser ainda de Geddel, que mandava e desmandava no Palácio, por ser amigo íntimo de Michel Temer. Aliás, era um dos ministros que entrava no gabinete do presidente sempre que queria, enquanto que, no momento, quem dá as ordens é Moreira Franco. De acordo com informações do Palácio, Antônio Imbassahy é simplesmente um homem que fica alheio às informações, muito distante do que competia a Geddel. Por sinal, todos os funcionários do gabinete de Geddel, continuam exatamente como estavam e não se sabe quem Imbassahy levou. O mandachuva agora é Moreira Franco, cujo gabinete é próximo ao do presidente, de sorte que pode entrar e sair quando quiser e, principalmente, quando é chamado. Imbassahy ficaria melhor se estivesse no seu posto anterior, como líder do PSDB, onde “aparecia” muito mais do que ficar a vagar sozinho no seu gabinete, com pouca coisa a fazer porque não lhe transferem missões. No Palácio do Planalto o que vale é estar próximo ao presidente o que não acontece em relação ao político baiano. A escalada do político foi rápida e demorou a ser chamado para ocupar o cargo de ministro de Estado, ficando a espera do chamado pelo menos um mês e meio, até que o presidente lembrou-se dele. Portanto, o deputado da Bahia, ora ministro, está numa situação em que não é procurado.

Segunda, 17 de Abril de 2017 - 11:11

Lula se desmancha e está sem saída

por Samuel Celestino

Lula se desmancha e está sem saída
Foto: Reprodução/ Facebook

A situação de Lula se complicou a tal ponto que ele passou a ter dificuldades para sair da enroscada que ele próprio se envolveu ao receber propinas da Odebrecht. Ele e seu filho, a partir da delação dos ex-executivos da empreiteira e de terceiros. Não se imaginava que o operário que surgiu no ABC paulista passasse a se envolver com Emílio Odebrecht e, a partir daí, ganhou muito dinheiro, assim como aconteceu com grande parte dos petistas. Mas não somente o seu partido e sim as demais legendas, principalmente o PMDB, o PSDB e o PP, todos envolvidos na tramoia. O ex-presidente da República é quem parece estar pior, juntamente com o senador Aécio Neves que teria recebido no processo eleitoral de 2014 nada menos do que R$ 226 milhões de reais. Voltando à situação de Lula, ele está totalmente encalacrado e deverá assim ficar por muito tempo e se despedir da condição de político. As suas chances para uma nova eleição supõe-se que sejam nenhuma. Na verdade, ele levou o PT que fundou a um despenhadeiro sem retorno. Provavelmente ele será condenado mais cedo ou mais tarde. A ambição do ex-operário, hoje homem rico, levou-o a esta situação e agora não tem como dela sair. Foi-se, imagina-se, a bela história de um operário que construiu um partido e está sem saída. De tal maneira em tamanha dificuldade que poderá vir a ser preso, tal são os processos que irá enfrentar.   

Quarta, 12 de Abril de 2017 - 11:31

Corrupção total atinge políticos do país

por Samuel Celestino

Corrupção total atinge políticos do país
Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF

A política brasileira atravessa um cenário que já era esperado, pelo menos pelos corruptos que já o aguardavam, a espera da lista do ministro Edson Fachin, a partir dos inquéritos abertos por ele. A denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, foi muito além do que era esperado e manchou a República dos políticos que ficarão sem saída. Não há alternativa. Espera-se que mais tempo ou menos tempo haja uma vassourada em regra nos corruptos, o que é absolutamente necessário para as mudanças que o país aguarda, de modo que surja um novo cenário mais digno e limpo e aconteça uma transformação que de há muito se espera. Os políticos, embora estejam confusos com a decisão tomada pelo ministro Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, ficaram mais do que atônitos no fim da tarde de ontem, início da noite, porque não esperavam que o relator retirasse o sigilo dos pedidos de investigação, citando os seus nomes, além de, ao mesmo tempo, abrir inquéritos contra eles. Incapazes de explicações sobre o acontecido, passaram a usar explicações como “acredito na justiça; não tenho nada a temer; nada tenho com os fatos investigados; vou desmascarar as mentiras e demonstrar a minha conduta; os fatos divulgados são inteiramente falsos; estou tranquilo com a minha consciência” e por aí passaram a explicar o que não tem explicação. Enfim, o país aguardava que alguma coisa iria acontecer. Surgiu repentinamente, chegando ao conhecimento da população. A Bahia "contribuiu" para boa parte dos envolvidos com nada menos de dez deputados federais, entre os 49 citados, e mais uma senadora, no caso Lídice da Mata e, dentre outros, Jaques Wagner, ACM Neto, Geddel Vieira Lima. Outros certamente aparecerão.

Quinta, 30 de Março de 2017 - 11:11

As dificuldades de Dilma e Temer

por Samuel Celestino

As dificuldades de Dilma e Temer
Foto: Lula Marques / AGPT

A próxima semana, a partir da terça-feira (4), será de extrema dificuldade para o presidente Michel Temer e para a ex-presidente Dilma Rousseff, quando poderá ter início o processo da cassação da chapa dos dois, principalmente para Dilma e menos para o presidente que, por ora, se afasta do assunto. Será a partir da terça que o ministro Gilmar Mendes, presidente do Superior Tribunal Eleitoral (TSE), deverá dar início à abertura do processo, cabendo ao ministro Herman Benjamin, também do TSE, ficar à frente do caso. A informação que chega através do UOL é de que, embora Benjamin estivesse disposto a votar favorável à cassação da chapa, ao mesmo tempo é contrário a deixá-los inelegíveis. Entende, ainda, que “houve flagrantes  irregularidades na campanha de 2014”, mas até aqui não foram encontradas provas determinantes para o caso. De outro modo, também de acordo com as informações, para que ocorra culpa flagrante dos dois candidatos é necessário que haja provas cabais. Na delação feita por Marcelo Odebrecht, ele teria dito que Dilma sabia do caixa dois em 2014, mas também não apresentou provas decisivas para o que dissera. Embora a delação tenha sido  forte, abriu espaço para o que está acontecendo no setor político no momento. O Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, a partir das delações dos 78 ex-executivos da Odebrecht, abriu fortíssimas dificuldades para o que está acontecendo no país, com intensos problemas para os políticos de maneira geral.

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