Com Samuel Celestino

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Curtas do Poder

Curtas do poder

Sei que tem gente que não gosta de mim, mas eu só faço meu papel de informar. Os poderosos temem, mas as informações privilegiadas que recebo não podem ficar guardadas. Se fosse assim, ninguém saberia que Sidônio, após uma batalha sangrenta nas eleições, se uniu aos rivais ACM Júnior e ACM – O Neto. Se eu me calasse ninguém saberia que uns filhinhos de papai estão faturando alto operando o lixo na saúde municipal e meninos maluquinhos na educação. Enfim, hoje eu faço altas revelações dos bastidores da política baiana e brasileira. Leiam as Curtas do poder!

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Pérola do dia

Cristiana Matos Americo

"Há muitos servidores que foram afastados ou aposentados e que não foram substituídos. E, muitas varas, de comarcas do oeste, funcionam com servidores cedidos pelo município, como é o caso de Luís Eduardo Magalhães. E isso deixa o TJ na mão do gestor local, além do que, o servidor não faz parte do quadro do tribunal, não tem o mesmo comprometimento, e não faz parte do plano de cargos e salários"

Presidente da subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Barreiras, ao falar sobre a possibilidade de criação de uma unidade do Judiciário do segundo grau, em uma das áreas mais remotas do estado, na região do extremo oeste.

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Entrevistas

Mário Negromonte Jr.

Depois de quatro anos na Assembleia, o deputado estadual Mário Negromonte Jr. (PP) chegou à Câmara Federal para ocupar a vaga deixada pelo pai, Mário Negromonte, hoje conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios. Prestes a embarcar para Brasília, Negromonte Jr. faz um balanço positivo da sua experiência nas urnas, em 2010 e 2014, e, apesar de ter o sobrenome citado na Operação Lava-Jato, acredita que o pai não tem qualquer envolvimento com as denúncias. Para o tio, Adarico Negromonte, no entanto, ele é mais ponderado. “Se o meu tio errou, eu digo muito claramente, ele deve ser punido. Em relação a isso, a minha família, eu volto a dizer: eu não posso jamais responder pela atitude dos outros”, frisou. Do deputado estadual do “cacetinho baiano” a deputado federal, Negromonte Jr. promete defender os 169.215 – seis a mais que o pai em 2010 – o progressista admite a inspiração no genitor, mas garante que caminha com as próprias pernas.

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Quinta, 27 de Novembro de 2014 - 07:40

Coluna A Tarde: PMDB comandaria corrupção

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: PMDB comandaria corrupção
Já não chamam atenção, como no início, as revelações que surgem, a cada dia, partidas das investigações da Operação Lava Jato. Depois dos resultados das eleições presidenciais, a sujeira na petroleira veio à superfície. É muitíssimo provável que já se conhecia, em parte, antes das eleições que a Petrobras estava minada e impregnada pela deslavada corrupção, a maior que se tem notícia na história republicana. Quem sabia o que estava a ocorrer fazia de conta que não, para que não fossem atingidos os resultados que emergiriam do pleito. Agora, chega ao conhecimento da Lava Jato que o PMDB não tinha apenas um operador dentro da Petrobras. Tinha vários.
     
Cada um deles se reportava a um cacique da legenda. Uma forma de organização criminosa, porque, caso contrário haveria desconfortos dentro do partido e, bem provavelmente, atritos entre os capitães comandantes do processo de corrupção. O PMDB talvez venha aparecer como o partido mais enlameado, ultrapassando o PT. Já o PP, por ser o mais fraco dos três na base aliada da presidente, ficaria com a parte menor que lhe caberia no latifúndio organizado dos corruptos.

De acordo com o que chega à tona, o PMDB dispunha de operadores para cada diretoria da petroleira. Paulo Roberto da Costa, delator premiado e ex-diretor da diretoria do Abastecimento, em determinado período fizera uma viagem a Índia e lá teria sido acometido por uma doença infecciosa que tomara todo o seu corpo. Afastou-se, então, da diretoria da Petrobras para cuidar da saúde. Enquanto estava ausente, os urubus começaram a cuidar da sua substituição na diretoria do Abastecimento. Os médicos chegaram a considerá-lo desenganado. Supunham que a infecção iria levá-lo à morte, mas ele acabou conseguindo cura. O relato é dele.

Diante da briga pela sua diretoria, depois de recobrar a saúde, disse que  foi a Brasília se entender com mandachuvas do PMDB, que contornaram a disputa por seu cargo, e ele então retornou. Na rede montada pelo partido que operava dentro da estatal, cada operador cuidava de uma diretoria para que não houvesse conflito. No momento, dentro das investigações surge uma espécie de confronto entre os atuais e conhecidos representantes da petroleira e diretores que já foram presos. Outros ainda estão em liberdade. Os presos das empreiteiras, que comandavam o processo pagando propinas para conseguirem contratos superfaturados, estão se movimentando na justiça.

Discutem as prisões e a divulgação dos nomes envolvidos na corrupção enquanto os parlamentares continuam com seus nomes guardados em sigilo. O juiz Sérgio Moro diz que cumpre determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), porque os parlamentares gozam de fórum privilegiado. Responderão a processos. Se isso acontecer, será no STF. Alguns nomes já chegaram à superfície, como o do presidente do Senado, Renan Calheiros, mas não através de vazamentos da Operação Lava Jato e, sim, pela ação da imprensa, principalmente da revista Veja, detestada pelo governo.

A situação entre o lado dos corruptos e o lado dos parlamentares com nomes sob sigilo, embora  também corruptos com os demais, é portanto diferenciada. Não deveria ser. O privilégio do foro seria correto se senadores e deputados tivessem posturas ilibadas, o que está muito longe disso. Como é do conhecimento, os políticos têm uma imagem junto à população desprezível, tantos são os casos que afloram no Congresso Nacional e nas Assembleias Legislativas, assim como nas câmaras de vereadores municipais.

Há muitos que se candidatam e gastam fortunas para se eleger e gozar dos privilégios do mandato. Em alguns países, os políticos zelam por tal postura. Não são em muitos. Como, por exemplo, ocorre no momento com o ex-primeiro ministro socialista de Portugal, José Sócrates, que está trancafiado por corrupção e lavagem de dinheiro. O benefício do mandato só deveria valer dentro das casas legislativas envolvendo as ações dos parlamentares internamente ou o que dizem da tribuna. Fora daí, não. Se forem corruptos, deveriam pagar como um corrupto qualquer. E não usufruir de julgamento no Supremo Tribunal Federal. É mordomia além da conta.


* Coluna publicada originalmente na edição desta quinta-feira (27) do jornal A Tarde


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Terça, 25 de Novembro de 2014 - 17:12

Bola Murcha: Prefeito não apóia ninguém no Bahia

por Samuel Celestino

Bola Murcha: Prefeito não apóia ninguém no Bahia
De Brasília onde se encontra, o prefeito ACM Neto  informa que não está apoiando absolutamente ninguém à presidência do E.C Bahia e que pretende  ficar distanciado do clube em relação às eleições marcadas para o dia sete de dezembro. Assim posto, trata-se de uma falácia as informações espraiadas pelos lançadores do repórter do Correio da Bahia, Marcelo Sant’ana, segundo os quais Neto estaria fechado com o candidato. Na verdade, ACM Neto, embora seja torcedor do Bahia, disse que deseja ficar à distância das eleições do clube. Enfim, usar o nome do prefeito foi um blefe futebolístico dos lançadores do repórter do Correio. Foi uma bola furada.

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Terça, 25 de Novembro de 2014 - 14:28

Política partidária de volta ao E.C Bahia

por Samuel Celestino

Política partidária de volta ao E.C Bahia
Foto: Reprodução
Bastou um mandato da democracia tricolor. Foi o suficiente para que a política retornasse o E.C. Bahia, como aconteceu na época de Osório Vilas Boas, vereador e deputado; Paulo Maracajá, deputado diversas vezes e posteriormente guindado ao Tribunal de Contas; Marcelo Guimarães, pai e filho, que,supunha-se, ao ser derrubado, teria encerrado o ciclo da política no clube. Ambos, Marcelo e Marcelinho foram deputados. Agora, surge uma mistura política curiosíssima. Envolve Sidônio Palmeira, ligado ao PT, mas não filiado, numa estranha pareceria com o DEM. Este partido é representado na luta pela presidência do clube por ACM Neto e Antônio Carlos Magalhães Jr. Em termos políticos, a mistura é, de fato, uma novidade que não seria capaz de se imaginar em outros tempos mais bicudos. O grupo apresentou o repórter Marcelo Sant´ana, que integra o jornal Correio, que compõe o braço impresso da Rede Bahia. Marcelo vai representá-los na luta pela presidência do velho Bahia cansado de guerra. A novidade é interessante. Não somente porque a política volta com força total ao futebol baiano, como pela integração das legendas com um só objetivo, no caso, eleger um representante, permanecendo o grupo da retaguarda. De certo modo, o retorno político ao futebol da forma que ora acontece é um susto. A democracia tricolor pode tomar o caminho do brejo. Será que a política ainda comanda o futebol baiano?

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Terça, 25 de Novembro de 2014 - 10:20

Dilma apanha da oposição com governistas silenciosos

por Samuel Celestino

Dilma apanha da oposição com governistas silenciosos
Foto: Reprodução
Decididamente, a presidente Dilma atravessa uma fase de mau agouro. Esta verdade foi observa na sessão da noite desta segunda-feira (24) da Comissão Orçamentária do Congresso para aprovar a maracutaia de se fechar as contas do governo em azul, e não no vermelho como estão, com os governistas silenciosos e os oposicionistas batendo na presidente como antes nunca se havia visto. O senador eleito Ronaldo Caiado, da oposição, por exemplo, reverberou que houve, em setembro, um rombo no Tesouro Nacional de R$ 20 bilhões, que foram utilizados na campanha eleitoral. “O Tesouro se transformou em cabo eleitoral de Dilma”. O vice-líder Nilson Leitão, do PSDB, preferiu fazer um apelo aos apoiadores da presidente: “Tomem cuidado com Dilma. Cuidem dela porque ela está completamente desgovernada”. Outro deputado disse que “ela mudou a lei para que ela se ajustasse ao desgoverno da República”. Enquanto isso acontecia, em sequência durante aproximadamente quatro horas, os governistas, sem saída diante da realidade, não contestaram. Permaneceram silenciosos porque queriam rapidez na aprovação da mudança da lei Orçamentária na Comissão de Orçamento do Congresso. Para os oposicionistas, “há um clima de desgoverno e a presidente Dilma já não pode caminhar nas ruas”. O certo é que a matéria foi aprovada. A prova de fogo será nesta terça. O presidente do Senado, Renan Calheiros, marcou uma sessão conjunta da Câmara e do Senado. Presume-se que será de pau puro e não se tem a menor certeza de que a mudança pedida por Dilma seja aprovada para adequar o seu governo a partir do buraco que há nas contas. Espera-se uma sessão complicada e uma medição de forças entre a oposição e os governistas que, mesmo eles, entendem que a mudança desejada não está de acordo e muitos resmungam. É casuística. Serve apenas para salvar a presidente da situação calamitosa em que as contas públicas do seu governo se encontram.

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Terça, 25 de Novembro de 2014 - 07:40

Coluna A Tarde: Os roedores da República

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: Os roedores da República
O governador eleito, Rui Costa, está tendo tempo suficiente para cuidar da formação do seu futuro governo. Não está, como normalmente acontece, sendo acossado pela mídia para dar informações sobre a equipe que formará para ajudá-lo a conduzir o seu primeiro quadriênio. Aliás, primeiro e possivelmente único, porque a reforma política prometida –  e exigida – tende a reduzir os mandatos executivos colocando um ponto final na reeleição, que nunca fez parte da tradição política brasileira. Foi invenção de Fernando Henrique Cardoso.

O foco, por ora, é outro. O país está em chamas com o mega escândalo de corrupção político-empresarial que balança a maior estatal brasileira, a Petrobras. O esquema montado por corruptos dentro da Petrobras, e, acentuadamente, por empreiteiras que agiam praticamente às claras, embora o governo não soubesse de nada. Como sempre.

A todo o momento surge um fato novo, adensando o esquema da gatunagem que impede foco nas políticas estaduais, como a da Bahia. Rui Costa fica, então, à distância. Já o governador Jaques Wagner aguarda a espera da decisão sobre o seu futuro no governo da república que, provavelmente, ele já tem conhecimento, mas não revela.

O esquema das empreiteiras é imensamente maior do que se presumia no início das investigações. A cada instante surgem fatos novos envolvendo-as. A mais recente, descrito pelos investigados na Operação Lava Jato, é a participação delas nos fundos de pensão dos funcionários das estatais. Não se sabe até que ponto elas roeram os cofres de tais instituições que administram juntamente com funcionários, as aposentadorias das estatais. Os fundos detêm um patrimônio de R$ 450 bilhões. Foram os próprios funcionários que denunciaram a possível roubalheira  ao Ministério Público, à Polícia Federa e à Previ –Superintendência  Nacional de Previdência Complementar.

As empreiteiras conseguiram estabelecer seus tentáculos, pelo visto, em todos os setores da economia, ou, pelo menos, os que tiveram acesso. A pergunta  que não me cala: como o governo brasileiro esteve ausente deste saque verde-amarelo alegando não saber absolutamente de nada? Mais próximos ao governo, alguns ministérios, como é do conhecimento, realizavam obras com a parceria de empreiteiras que superfaturaram contratos à larga, daí dizer-se que o saque foi amplo, geral e irrestrito.

Onde havia dinheiro lá estavam elas e, para apenas citar uma, a Delta, se tornou rapidamente uma das maiores empreiteiras do Brasil, agindo bascamente no Ministério do Transportes. Quando a roubalheira chegou ao público, a Delta desapareceu do circuito. Minguou por falta do queijo para roer, que nada mais era uma “doação” de políticos que geriam o ministério.

Agora, na composição da nova equipe de Dilma Rousseff, os partidos estão rondando a presa para saber qual a parte que lhes caberá no futuro latifúndio. Mais ainda. Petistas, basicamente, trabalham na direção inversa à da presidente, que convidou Joaquim Levy para ocupar o Ministério da Fazenda. A presidente parece recuar diante das pressões que está a receber do seu partido, que considera o escolhido um “liberal”, antenado com o tipo de política econômica que Aécio Neves iria estabelecer se eleito fosse. Ademais, Guido Mantega brigara com ele lá atrás, em função dos seus métodos, como se os de Mantega estivessem no caminho certo.

Pelo contrário. A escolha deve recair mesmo sobre um nome que tenha uma concepção inversa ao do atual ministro, porque foi dele a política econômica que está levando o Brasil ao despenhadeiro. Com a inflação; queda de emprego; contas da república que não fecharão, este ano no azul; com a queda das exportações e a ascensão das importações, derrubando o balanço de pagamentos; o PIB chegando perto do zero, se não ficar negativo, enfim, com o retorno da miséria, principalmente no Nordeste. Mantega é  um personagem para ser esquecido.

Mas Dilma, se ainda não voltou atrás, não anunciou, como deveria fazê-lo na última sexta-feira, o nome do futuro ministro da Fazenda, como estava previsto. Resolveu, acuada pelos petistas, ganhar tempo, certamente para chamar Lula e mandar que ele aquiete os descontentes do partido. O certo é que o Brasil não pode permanecer com esta política econômica sob pena de desandar, embora já esteja imerso neste processo.  O momento exige que o comando do país não fique alheio ao que acontece, com ratos roendo a Petrobras, destruindo o que lhe seja possível destruir. Enfim, já não dá mais para, à frente, dizer que não sabia de nada.


* Coluna publicada originalmente na edição desta terça-feira (25) do jornal A Tarde


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Domingo, 23 de Novembro de 2014 - 11:39

Dilma de volta à austeridade

por Samuel Celestino

Dilma de volta à austeridade
Reprodução
Afinal, na última sexta feira (21) o governo Dilma admitiu que as previsões para o resultado fiscal deste ano que chega ao fim estavam além do que se poderia  arrecadar. Durante todo o ano de 2014, por ser de eleição, a presidência e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, mantiveram-se na mesma posição, dizendo que as previsões estavam corretas. Agora a realidade transparece justo com o Brasil em forte crise. Admite que as dificuldades serão transferidas para 2015 que, seguramente, será um ano difícil. Daí a presidente mudar de posição e tenta (se o PT deixar) colocar no cargo um ministro da Fazenda com liberdade para apertar o cinto, reduzindo as despesas da república. A definição do futuro ministério dependerá da escolha do ministro da Fazenda, com um perfil austero para, a partir daí, estabelecer uma política  que não contemple concessões porque somente desta forma o país sairá da crise em que está imerso. O problema é que o PT não deseja austeridade.  Nem, muito menos, um ministro que atenda  preocupações da classe empresarial, que teria votado contra Dilma, o que certamente aconteceu. Para não ficar refém dos interesses partidários, que, aliás, estaria envolvido em escândalos como o da Petrobrás, a presidente terá que demonstrar que seu partido ganhou as eleições, mas será ela quem comandará a República, e não os petistas. Tem, então, que enfrentar o seu sistema partidário. O ministro da Fazenda deveria ter sido anunciado na sexta feira, depois do fechamento do mercado, e foi empurrado para esta semana para dar tempo de se resolver a questão. A mesma situação acontece  em relação a outros ministérios,  como o da Agricultura, onde ocorre problemas com o partido. Nesta semana  Dilma terá que dizer que quem mandará na república, se é ela ou o PT.

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Domingo, 23 de Novembro de 2014 - 07:40

Coluna A Tarde: A imensa podridão

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: A imensa podridão
Não há a menor dúvida de que o sistema partidário brasileiro apodreceu. É necessário que a reforma política anunciada vassoure as legendas, e as diminua. Grande parte delas existe para a realização de negócios. A corrupção faz parte do sistema e chegou à situação que hoje se encontra, não somente pelas propinas distribuídas pelas empreiteiras, como se observa na deslavada corrupção que se entranhou na Petrobras, como nas ações dos partidos e dos políticos. Já não ousam, no que pese as exceções, usar o manto da honestidade. Tornou-se corriqueiro, em épocas eleitorais, trocarem contribuições  das empreiteiras para as campanhas por favores futuros. A partir daí, as empreiteiras aprisionam os políticos eleitos e passam a extorquir em todos os planos da república: união, estados e municípios.

As emendas parlamentares chegam, em boa parte, aos municípios com empreiteiros já determinados, com o óbvio conhecimento dos prefeitos. Todos passam a usufruir da corrupção generalizada. Este é o Brasil real. Como consequências das obras executadas a partir das emendas ao orçamento, os municípios passam à condição de redutos cativos dos deputados no processo de cata votos para a reeleição. É assim que acontece e muito mais, porque a parte grossa do trambique e da propina é negociada em Brasília, o distrito federal da corrupção brasileira.

Os parlamentares com destaque  passam a ser procurados pelas empreiteiras que, não raro, mantêm “agentes” fixos no Congresso,  que por lá aparecem quando há interesses ou, ainda, para um cafezinho no gabinete do parlamentar. Questão de “relações públicas”, que também acontecem em restaurantes. São fatos que ornam a paisagem brasiliense, e assim também o é em outros países, como nos Estados Unidos, onde o lobby é normalíssimo, porque legalizado. Sem, no entanto, a corrupção desenfreada que se observa no tropicalíssimo Planalto Central do país.

A corrupção e a negociação das empreiteiras estão praticamente presentes em todas as obras que se realizam nos estados federativos, principalmente as realizadas pela união, na maioria das vezes negociadas com superfaturamento. Embutido no valor, um percentual dirigido a quem “trabalhou” para que  a obra fosse ganha pela empreiteira. O edital seria uma forma para evitar a corrupção, se fosse sistemático e obrigatório. Nas disputas das empreiteiras pelas obras, os acertos são feitos antecipadamente pelas empresas que, supostamente, estariam disputando o edital.

Os governantes sabem disso e muitos não têm como evitar, embora a maioria feche os olhos e depois mande cobrar, através de algum assessor que também leva vantagem, o percentual que lhe cabe no latifúndio ganho. Não há como evitar. Nem aqui nem na maioria dos países. O que aconteceu dentro da Petrobras extrapolou todos os limites, e toda a diretoria da petroleira possivelmente tinha conhecimento. Era praticamente aberto. Se Dilma alardeia que não “ficará pedra sobre pedra” terá que substituir todos os diretores da estatal, ou o que sobrou dela.

Era tão aberto o que ocorria na petroleira, daí não se entender com o governo supostamente comeu mosca se e que diz a verdade ao dizer que não sabia de nada. Segundo consta, havia até um clube das empreiteiras dentro da Petrobras onde, não duvidem, tomava-se  o “chá das 5”, e se discutia a forma de repartir o bolo, mesmo feito às custas do petróleo que, de há muito, não é mais nosso.
      
O governo não sabia? O presidente da petroleira não sabia? Desconfiem. O sistema foi implantado para funcionar de cima abaixo, na união, estados e municípios. O valor e o volume da propina é naturalmente compatível com a dimensão da obra, daí a suspeição de que a corrupção está em todo o canto, de norte a sul, de leste a oeste.
    
O escândalo da Petrobras dizimará, com prisões e penas, o que acontece neste paraíso dos trópicos? Definitivamente não. Basta ver que, enquanto os mensaleiros eram julgados e penalizados, os políticos (quando surgirem os nomes será um derrame) atuavam dentro da petroleira em dimensão 100 vezes maior. Ora, os mensaleiros, em consequência dos Códigos Penal e de Processo Penal, estão em casa tendo esquecer o que já é passado, beneficiados pela vantagem de cumprir apenas um sexto da pena de condenação. Para mudar o Brasil, derrubar a corrupção, há de se reformar os códigos. Mas o Congresso emperra. Afinal, ninguém sabe o dia de amanhã.


* Coluna publicada originalmente na edição deste domingo (23) do jornal A Tarde


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Quinta, 20 de Novembro de 2014 - 10:11

Corrupção: Malandro é o gato

por Samuel Celestino

Corrupção: Malandro é o gato
Ilustração
O juiz Federal do Paraná, Sérgio Moro, determinou ao banco Itaú que bloqueasse as contas pessoais dos envolvidos (e presos) na Operação Lava Jato. Malandros e experientes, os executivos das empreiteiras deixaram pouco dinheiro (para eles) no banco. Mas um deles, o executivo da empreiteira Engevix, Gerson Mello Almada, preferiu fazer diferente e deixou em depósito R$ 1,4 milhão, uma mixuruca em relação à montanha de dinheiro que envolve o escândalo da Petrobras. Ou errou ou acertou na mosca. Já Fernando Baiano, provavelmente criado aqui na Ribeira, bairro de pessoas vivíssimas em outros tempos mais amenos, fez melhor. Mostrou que “malandro é o gato”. Deixou a sua conta zeradinha. Como se apresentou somente na terça-feira (18) e era considerado foragido, talvez tenha tido tempo suficiente para passar em revista as suas contas e tomar as precauções que entendeu, para ele, como corretas. Se o juiz Sérgio Mora esperava contas abastadas, ficou decepcionado. Ora, quem fez trambiques e distribuiu propinas para ganhar grandes obras da petroleira, não marca bobeira nem espera no ponto. Ou não?

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Quinta, 20 de Novembro de 2014 - 07:50

Amigo urso

por Samuel Celestino

Amigo urso
Foto: Reprodução
Na longa reunião com Dilma - nada menos de 10 horas - Lula teria a ela sugerido o nome do governador Jaques Wagner para presidir a Petrobras. Discutia-se a formação do ministério, dentre outras coisas. Não há informações consistentes sobre a sugestão, mas, se aconteceu, creio que pode ser considerada uma lembrança de um amigo urso. Na situação que a petroleira se encontra, ao cair da condição de mais importante empresa brasileira para o terceiro lugar, imersa numa crise marcada pela corrupção mais abjeta, decididamente a presidência não é cargo para se almejar. Pelo contrário, é cargo para endoidar qualquer mortal e talvez Wagner também pense desta maneira. A Petrobras ficará por muito tempo nas manchetes; também por muito tempo se descobrirá corrupção em diversos setores da empresa, enfim, será um inferno presidi-la. Quem ficará tranquilo sabendo que, a qualquer momento, podem surgir novos escândalos até então desconhecidos? Assim posto, e bem posto, "amigo urso, saudações polares".

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Quinta, 20 de Novembro de 2014 - 07:40

Coluna A Tarde: A guerra no Congresso

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: A guerra no Congresso
Não é novidade, mas nada mais foi do que uma indecência. O Congresso Nacional se reuniu na noite da terça-feira (18) para decidir uma saída para a presidente Dilma Rousseff e suas contas que fechariam, ou fecharão, o ano no vermelho. Foi uma noite de cão. A sessão chegou ao início da madrugada de ontem, decidindo-se, a princípio, favoravelmente à presidente. Na manhã de ontem, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB), reconheceu que não houve a discussão da matéria, num recuo que a remeteu de volta para a Comissão Mista de Orçamento da Câmara. O que a presidente quer, e provavelmente vai conseguir porque a Comissão da Câmara é majoritariamente constituída de governistas, é fechar as contas de 2014 com déficit fiscal.

Foi um jogo no qual o governo a princípio ganhou deixando, no entanto, um rastro que deformaria a legislação se o retrocesso não acontecesse. Nada mais foi do que um forte indício de que não se poderá, mesmo em 2015, esperar avanços políticos deste Congresso, cuja renovação nas eleições de outubro foi pequena. Mesmo o governo enfrentando uma crise sem registro, na economia e diante do escândalo de corrupção que balança a Petrobras, as dificuldades que envolverão o segundo mandato de Dilma tenderão  a se alastrar. 

Não se deve esperar muito do Congresso, embora exista um clima que facilitará as ações da oposição, na medida em que emergiu com mais força, diante da diferença pequena de votos entre Dilma e Aécio Neves. Ainda há, para turvar o cenário, as dificuldades que o Poder Legislativo terá que enfrentar, quando for dada à luz a relação dos parlamentares (deputados e senadores) envolvidos no escândalo da petroleira.

No caso da brigalhada no Congresso na noite de terça feira, é possível que o recuo governista tenha havido diante da ameaça oposicionista de entrar com um processo judicial no Supremo Tribunal Federal para  anular a sessão, porque não houve, como de fato o líder governista no Senado, Romero Jucá, se apressou em reconhecer, a discussão da matéria. O fato é que Dilma precisa sair da complicada situação em que se encontra, na medida em que ficará difícil aceitar fechar as contas da união com déficit, quando ela não reconheceu em toda a campanha eleitoral que a crise econômica instalara-se no país. Se aceitasse tal realidade poderia perder a eleição, o quer por pouco não aconteceu.

Ademais, a presidente tem pressa para sair da situação em que está. O tempo é curto e o Congresso entrará em recesso. Desta forma não poderia ficar refém de uma decisão de STF. Politicamente fez o melhor, reconhecer que diante da guerra instalada entre deputados e senadores a matéria não foi discutida no plenário. Com os ânimos alterados, a sessão foi encerrada sem que houvesse sequência no rito o regimental.


* Coluna publicada originalmente na edição desta quinta-feira (20) do jornal A Tarde


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Quarta, 19 de Novembro de 2014 - 09:11

O Romano, o bode velho e o IPTU

por Samuel Celestino

O Romano, o bode velho e o IPTU
Ilustração
A questão que envolve o IPTU de Salvador é mesmo um bode posto na sala como bem lembrou o vereador José Trindade. Mas um bode paulista, de lá importado pelo prefeito ACM Neto que aqui chegou com fama de ilimitada competência para resolver os problemas da Secretaria Municipal da Fazenda. A princípio desconfiou-se e, de certo modo, não errou quem tenha desconfiado do bam-bam-bam Mauro Ricardo, o “Romano coletor de impostos”, e a sua festejada especialidade. Aqui, só fez criar problemas, aumentando estupidamente o IPTU e alardeando que a Fazenda municipal iria arrecadar montanhas de reais. Deu-se justamente o contrário. A arrecadação do imposto desabou porque era extorsiva para uma população pobre como a de Salvador. Tentou-se passar a versão de que os proprietários de baixa renda ficariam isentos. A classe média gemeu, empresários gemeram, enfim, o resultado aí está. Desconfiava-se do Romano. Como um arrecadador tão competente não fora convocado por Dilma Rousseff (com a permissão de Guido Mantega) para ser ministro da Fazenda?  De resto, por que ele não ficara em São Paulo cuidando da secretaria municipal de lá? É outra história. Agora, dá-se conta de que o prefeito fará uma reforma de meio mandato nas suas secretarias. E quem está no início da fila? O Romano coletor de impostos, Mauro Ricardo. Aliás, como coletor ele é um andarilho. Já ocupou cargos públicos em meio Brasil, do Amazonas ao Chuí. Ele pôs o “bode na sala” e agora Neto irá encaminhar à Câmara de Vereadores um projeto para diminuir o imposto cobrado pelo Romano. Não tem saída. Dizem que ele arrumará as malas imaginando fazer a sua próxima parada no Paraná. Mas logo lá, terra do juiz Sérgio Moro? Nada a ver.  Bem, o que se pode dizer é que se ele partir não deixará saudades e, sim, alívio. Vai rápido, Romano, mas não esqueça de levar o bode.

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Terça, 18 de Novembro de 2014 - 16:55

Juiz quebra sigilo de presos e empreiteiras

por Samuel Celestino

Juiz quebra sigilo de presos e empreiteiras
Sérgio Moro quebrou de sigilos bancários | Foto: Reprodução
Na tarde desta terça-feira, o juiz Sérgio Moro, responsável pela apuração da corrupção na Operação Lava Jato, determinou que 16 dos 24 presos na Operação, levada a efeito na sexta-feira, tenham seus sigilos bancários quebrados. Todos estão presos em Curitiba. De igual modo, três empresas suspeitas de desvios de dinheiro público também terão seus sigilos bancário quebrados. Alcança os presos  Erton Medeiros Fonseca (Galvão Engenharia), Renato Souza Duque (Petrobras), Ildefonso Colares Filho (Queiroz Galvão), Othon Zanoide de Moraes Filho (Queiroz Galvão), Valdir Lima Carreiro (Iesa), Dalton Santos Avancini (Camargo Correa), Walmir Pinheiro Santana (UTC), José Ricardo Breghirolli (OAS), Eduardo Hermelino Leite (Camargo Correa), Sérgio Cunha Mendes (Mendes Júnior), Agenor Franklin Magalhães Medeiros (OAS), Ricardo Ribeiro Pessoa (UTC), João Ricardo Auler (Camargo Correa), José Aldemário Pinheiro Filho (OAS), Gerson de Mello Almada (Engevix) e Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano e apontado como lobista do PMDB, que se apresentou na tarde desta terça-feira quando era considerado fugitivo. As três empresas que tiveram seus sigilos bancários quebrados são: Technis Planejamento e Gestão em Negócios, Hawk Eyes Administração de Bens e D3TM – Consultoria e Participações. A informação é de a “Folha de S.Paulo”.

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Terça, 18 de Novembro de 2014 - 07:40

Coluna A Tarde: O retorno das saúvas

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: O retorno das saúvas
A corrupção que abala a Petrobras e, de resto, o País, ocupando mídias brasileiras e internacionais, não foi uma ação do governo Dilma. Pelo contrário, tudo fez para não apurar os fortes indícios do escândalo, impedindo a todo custo, a formação de uma CPI mista da Petrobras. Temia que prejudicasse a sua campanha à reeleição, embora nunca haja certezas sobre o que emerge das apurações de uma CPI. De resto, à Comissão Parlamentar de Inquérito não era do interesse da base de sustentação do governo no Congresso, principalmente do PT, PMDB e PP. O Planalto orientava os partidos que dispunham de duas diretorias da petroleira. Eram comandadas pelos então diretores Renato Duque, ora preso, e Paulo Roberto Costa, que se tornou delator. Uma terceira diretoria, a Internacional, provavelmente integrava a corrupção e tinha à frente Nestor Cerveró.

Se o Palácio Planalto não sabia  de coisa alguma ou assim fazia de conta – como ainda faz – os três partidos apenas fingiam que também não. Foram beneficiários, “em silêncio” da ampla corrupção que abala a Petrobras. Dilma teria que dizer alguma coisa a respeito da sétima Operação Lava Jato, que a surpreendeu (ou não) justo quando estava na Austrália para participar do G-20. Como é do seu dever presidencial falar a respeito, preferiu fazê-lo do exterior. Ficara óbvio que se de lá não o fizesse, aqui seria pressionada a dar uma entrevista coletiva. Expôs no seu discurso exclusivamente aquilo que na hora julgou apropriado, com muitos meandros.

Provavelmente o texto fora remetido pelos seus assessores de mídia e de marketing que ficaram no Brasil. À presidente não competiria ficar acuada e silenciosa. Ao falar da Austrália sem ser interrompida, fica dispensada de se pronunciar no seu retorno. “Nem a pau”, expressão que muito utiliza para não se complicar.

A Operação Lava Jato nada tem a ver com o governo da presidente reeleita. Nasceu a partir da força, da ousadia, da competência e da seriedade de um juiz paranaense, Sérgio Moro, que foi acompanhado pelo Ministério Público e pela Polícia Federal, que não estão vinculados à Presidência da República, como Dilma esforça-se para fazê-lo. São integrantes da estrutura do Estado, portanto independentes do Palácio do Planalto. O novo Judiciário que Moro representa, o Ministério Público e a Polícia Federal são o que há de mais correto no País no momento em termos de seriedade na ação que realizam. Os três são os representantes de um novo Brasil que desmonta o Brasil da corrupção. Seus integrantes não são nomeados, e sim, funcionários notáveis oriundos de concursos públicos disputadíssimos. Não se vinculam a nada, a não ser ao que lhes compete fazer no processo de transformação do País.

Uma nova fase, a oitava da Operação Lava Jato, mesmo que não seja batizada de “operação” virá à público quando se der conhecimento de dezenas e dezenas de políticos envolvidos com propinas oriundas das diretorias da Petrobras a serviço de empreiteiras. Um terremoto estremecerá o Congresso Nacional, abrindo-se, espera-se, uma larga avenida por onde passarão os políticos corruptos a caminho da cassação. O PT, o PMDB, o PP, e outros partidos que surjam, não terão condições de evitar por ser provável que as ruas e praças do País sejam convulsionadas por manifestações populares.

Se já existe uma oposição que tende a marcar uma nova etapa política no País, quando a lista dos corruptos parlamentares vier à tona a convulsão será intensa. A reação popular, é de se crer, tenderá a se espraiar. Está em jogo nada mais do que um símbolo do velho nacionalismo, a Petrobras, maior empresa brasileira e maior até do que muitos países vizinhos. A petroleira é resultado de uma campanha nacionalista e popular que emergiu nos anos 50, na época de Getúlio Vargas, para o orgulho do Brasil da época. Os corruptos foram desta vez longe demais. São as velhas saúvas que retornam, lembrando a semana modernista de 1923. Ou o Brasil acaba com elas ou elas acabam com o Brasil.


* Coluna publicada originalmente na edição desta terça-feira (17) do jornal A Tarde


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Segunda, 17 de Novembro de 2014 - 10:45

Dilma poderá recusar pressões

por Samuel Celestino

Dilma poderá recusar pressões
Foto: Reprodução
Auxiliares da presidente Dilma passaram a entender que a Operação Lava Jato, na extensão que ela ganhou e as prisões feitas a partir da última sexta-feira poderão favorecê-la ao ganhar maior autonomia para definir seu ministério, que deve estar pronto até a primeira quinzena de dezembro. Como é possível que, até lá, Rousseff não tenha conhecimento da quantidade de corruptos por partidos, inclusive os três mais importantes da sua pretensa base de apoio, o PT, o PMDB e o PP, ela poderá se sentir de mãos desatadas para realizar as escolhas que lhe aprouverem, sem pressões. Os partidos estão em expectativa sobre a lista de parlamentares que balançará o Congresso, levando provavelmente,  por pressão dos segmentos populacionais, a uma enxurrada de cassações. Assim, as legendas ficam sem condições, presume-se, de fazer exigências. Se isto acontecer a presidente poderá demonstrar o que disse nas suas declarações na Austrália sobre o combate à corrupção e diminuir o número de ministérios. Ademais, com a crise em que está imerso, o governo terá que cortar gastos e nada melhor do que começar cortando boas parte dos 39 atuais ministérios. A presidente poderá ter sua liberdade de escolha empurrada pelo absurdo escândalo envolvendo a maior empresa brasileira, que não apresentou seus resultados, a partir de auditorias, em função da roubalheira perpetrada pelos assaltantes que tomaram de assalto a Petrobras.

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Domingo, 16 de Novembro de 2014 - 11:26

PT e PMDB levaram 200 milhões da Petrobras

por Samuel Celestino

O “Estadão” revela hoje que o PT e o PMDB teriam recebido nada menos de R$ 200 milhões em propina da Petrobras através dos  operadores Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, que agia para o PMDB, e o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, que se encarregava de encher as burras do PT, através do diretor Renato Duque, ora preso, que ascendera ao cargo por indicação de José Dirceu. Os pagamentos eram feitos por Duque, depois de fechar contratos superfaturados com as empreiteiras. O lobista do PMDB teria indicado, de acordo com os delatores, o diretor Nestor Cerveró, que ainda está solto. A propina do suborno seria, segundo o jornal, pré-condição para que as empreiteiras firmassem contratos. Estas últimas informações foram delatadas à Operação Lava Jato pelos executivos da Camargo Correia, Júlio Camargo, e por Augusto Ribeiro, da Toyo Setal, em troca da redução das suas penas. Fernando Baiano teria recebido cerca de US$40 milhões, para viabilizar sondas de perfuração, e outros 95 milhões pagos a Duque, que encarregara o seu gerente conhecido como Pedro Barusco para arranjar contratos para as empreiteiras. Mas não ficou nestes valores. Outros foram pagos ao diretor Renato Duque em contas no exterior. O fato é que a petroleira brasileira foi dilapidada sem que o governo soubesse de absolutamente nada. É o que consta. Espera-se – e não tem outra saída – que Dilma leve à frente o que disse na entrevista na Austrália, que serão punidos partidos, corruptos e corruptores. Barusco até agora não foi localizado e é considerado fugitivo.

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Domingo, 16 de Novembro de 2014 - 07:40

Coluna A Tarde: Tempos de incúria

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: Tempos de incúria
O governador eleito, Rui Costa, não se precipita para a formação do seu secretariado. Por ora, somente um processo de transição entre o governo Jaques Wagner e o dele. A partir daí tomará decisões que entender convenientes. É possível, entre outras posições a serem adotadas, que haja diminuição de secretarias porque o grupo de transição comandado pelo secretário da Fazenda, Manoel Vitório, constou o que já era fato. Alguns departamentos têm atribuições que se sobrepõem as de algumas secretarias. Assim, não faz sentido atribuições idênticas.

Não se sabe, ainda, quais os secretários de Wagner que ficarão e os que desaparecerão para que Rui Costa estabeleça o perfil que deseja para a sua gestão. Já em relação ao governo Dilma em segundo mandato sabe-se pouca coisa. A presidente faria bem se cortasse um bom número dos 39 ministérios, muitos dos quais criados para beneficiar partidos políticos. É necessário até que assim seja para diminuir as despesas do País, que está de ponta-cabeça, imerso numa crise econômica que se expande e poderá levar a seríssimas consequências se não houver medidas imediatas para conter um desastre anunciado.

Lula é, por natureza, um falastrão, que se expandia quando em viagem ao exterior. Nas suas viagens, costumava revelar medidas que seriam tomadas no seu retorno ao Brasil. Com Dilma Rousseff é bem diferente. Primeiro, porque Lula, à sua maneira, tinha facilidade em se relacionar com chefes de estado. Com a presidente não é bem assim. No exterior ela fala pouco e não se comunica com facilidade. Então, há de se esperar o seu retorno da Austrália onde foi participar da reunião do G-20, para que diga alguma coisa sobre o seu novo ministério que formará.

Por ora, supõe-se que ela mudará cerca de 60% da sua atual equipe, mas o que importa mesmo é o novo ministro da Fazenda e a nova equipe econômica. Também com base em suposição, os nomes mais cotados são Henrique Meirelles, amigo de Lula, e o ex sub-ministro de Guido Mantega, Nelson Barbosa, que se afastou do governo por não se entender com o chefe na condução da pasta. Ele estava certo. Mantega sempre foi fraco. Os dois nomes citados circulam bem na classe empresarial e não são de entregar cartas. Pelo contrário, zelam pela independência no trabalho que realiza. Como o estilo de Dilma é o de ser mandona, ela terá forçosamente que aceitar um ou outro ou procurar um nome que lhe seja subalterno. Não terá muitas escolhas. O setor econômico do País está fragilizado e à beira do abismo.

É do seu dever, ao retornar, se debruçar sobre a formação do novo ministério. Provavelmente elegerá o Ministério da Fazenda como primeira decisão. É isso que o País, paralisado pela crise, espera. Encontrará ainda as consequências da nova Operação Lava Jato patrocinada pela Polícia Federal na última sexta-feira com prisões, entre as quais mais um diretor da Petrobras recolhido às grades, Renato Duque, que foi indicado para o cargo pelo ex-ministro e mensaleiro, José Dirceu. Trata-se, consequentemente, de mais um corrupto  que entra na quota do PT.

Dilma Rousseff está atravessando uma fase permeada de complicações. Já era esperado que houvesse ainda neste final do seu primeiro mandato mais problemas envolvendo o escândalo na Petrobras. Não se supunha, porém, que fosse de tal monta, com tantas prisões, agora atingindo executivos de empreiteiras que têm contratos com a petroleira, e que teriam participado do superfaturamento de contratos em troca de vantagens bilionárias para partidos políticos, diretores da estatal, políticos integrantes do quadro surreal que envolvia a principal empresa brasileira. Isto sem que o ex-presidente Lula e a atual Dilma soubesse de alguma coisa. Se assim foi, o País não estava sendo governado pelo PT, que não sabia absolutamente de nada do que ocorria à sombra do poder, a partir do mensalão.

O certo é que a presidente chegará ao segundo mandato absolutamente fragilizada. Fraquíssima. Como governar o País diante de um cenário como este? O Brasil atravessa tempos difíceis. Tempos de incúria.


* Coluna publicada originalmente na edição deste domingo (16) do jornal A Tarde


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Sábado, 15 de Novembro de 2014 - 10:43

Pânico em Brasília e na Austrália

por Samuel Celestino

A preocupação é total no Palácio do Planalto, mesmo com a presidente Dilma Rousseff na Austrália. Assim também  é o clima no PT. A preocupação agora é blindar a presidente que entrará no seu segundo mandato como um zumbi, com representatividade baixa, senão zerada, com pouca credibilidade e com a missão de reerguer o País em crise e tudo o mais que foi feito na Petrobras, entregue à corrupção mais severa que se tem notícia na história republicana. A comitiva brasileira que participará do G-20 está atônita com o acontecido, porque não esperava que a sétima Operação Lava Jato ocorresse neste final de ano. A rapidez da ação da Polícia Federal prendendo empreiteiros e o ex-diretor da petroleira, Renato Duque, atinge fortemente o legenda governista, PT e, mais uma vez, José Dirceu, que o indicou Duque para o cargo. A situação é complicadíssima para o governo. Neste processo, Lula desapareceu de circulação e nele não se ouve falar.  O tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, principalmente com o envolvimento da sua cunhada a serviço dele, atinge fortemente o partido, muitas vezes mais do que o mensalão, e leva João Vaccari à corda bamba. As denúncias contra ele, principalmente dos dois principais delatores, Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef, dificilmente o afastará de uma punição rigorosa. De tal modo é que o líder do partido na Câmara, Vicentinho, pediu que os envolvidos do partido assumissem as consequências para que não recaiam sobre a presidente Dilma as responsabilidades maiores. A situação em Brasília é de pânico nos setores políticos e afins. Na Austrália o clima envolvendo a comitiva brasileira e a presidente de igual modo é pesado e ela provavelmente retornará ao País amanhã.  Enfim, com o envolvimento e a prisão de tantos presidentes de empreiteiras, o pânico se espraiou, como poucas vezes visto. A presidente terá que, num clima pesadíssimo, formar seu novo ministério no qual pretende assegurar vagas para políticos. Nunca, em tempo algum, um chefe de estado no Brasil irá à posse tão fraca como Dilma Rousseff.

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Quinta, 13 de Novembro de 2014 - 14:39

Rosemary, a 'amiga', na corda bamba

por Samuel Celestino

Rosemary, a 'amiga', na corda bamba
Foto: Reprodução
A “amiga” de Lula, Rosemary Novoa de Noronha, passou a se equilibrar na corda bamba, com grandes possibilidade de cair. O STJ – Superior Tribunal de Justiça – autorizou o acesso ao cartão corporativo por ela utilizado quando dava cartas como chefe da Representação da Presidência da República em São Paulo. Ela esteve envolvida na Operação Porto Seguro, da Polícia Federal, desmantelada no ano passado. A decisão do tribunal foi provocada por pedido feito pela rede de jornais Infoglobo e pelo jornalista Thiago Herdy, que pediram acesso aos gastos por ela efetuados no cartão, com discriminações de tipo, data e valor de todos as transações, além do CNPJ ou razão social. Quando ocorreu a Operação, no gabinete da presumível “amiga”, foram feitas buscas e apreendidos diversos documentos. Rosemary foi demitida um dia depois de a Operação Porto Seguro ser deflagrada. Diante da concessão do STJ, o jornalista de O Globo e a empresa requesitaram à Secretaria de Comunicação Social da Presidência o cartão completo, com a discriminação dos gastos feitos por ela. A secretaria concedeu o pedido, mas não atendeu à solicitação do extrato completo. Em consequência, a empresa e o jornalista entraram com um mandado de segurança no STJ, sustentando que o acesso à informação do direito coletivo é assegurado pela Constituição.

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Quinta, 13 de Novembro de 2014 - 11:02

Dilma se desentende com ministro e o bicho pega

por Samuel Celestino

Dilma se desentende com ministro e o bicho pega
Ilustração
Com relativo atraso, chega a informação de que a presidente Dilma, antes de viajar para o Qatar, onde foi obsequiada pelo emir, e de lá irá a Austrália para participar do encontro do G-20, teria demitido, depois de um forte desentendimento, o ministro Gilberto Carvalho (ligado a Lula). No último domingo ele teria feito críticas a ela. Isto gerou um desencontro entre os dois. Aliás, os problemas ficaram mais claros a partir da ex-ministra da Cultura, Marta Suplicy, que, em carta de demissão entregue no Palácio do Planalto, a ela dera conselhos. Dentre eles desejar que esteja “iluminada” na escolha do seu ministério e, o que mais doeu na presidente, dizer que ela deve dar independência (coisa difícil para Dilma) à futura equipe econômica, principalmente, ao futuro ministro da Fazenda. Escrevera que a independência é necessária para que a equipe econômica possa dar estabilidade ao País, que no momento se ressente de total instabilidade no setor. Mais ainda. A partir daí, Aloizio Mercadante passou a pedir cartas de demissões aos ministros. 15 deles já o fizeram. No ciclo político brasiliense o entendimento é que Mercadante deverá continuar na chefia da Casa Civil, assim como o ministro da Saúde, Arthur Chioro. São os únicos que permaneceriam para o segundo mandato. Aliás, a imagem de Mercadante não é das melhores no Palácio do Planalto e vizinhanças.

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Quinta, 13 de Novembro de 2014 - 07:40

Coluna A Tarde: A carta combinada

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: A carta combinada
Foi dura a carta enviada pela ministra demissionária da Cultura, Marta Suplicy a Dilma Rousseff. A presidente disse, no entanto, que “tudo estava acertado entre as duas”. A decisão de sair do governo teria sido tomada pela senadora há um mês e “combinada com ela”. Talvez não tenha sido bem assim. A presidente acabou por se contradizer ao afirmar que a ex-ministra “apenas externou a sua posição”. Ora, se é a posição dela, de Marta, não significa que foi uma opinião casada e se assim foi, não estava nada acertado entre as duas, nem Dilma Rousseff conhecia o teor do documento, porque o que Marta disse foi exatamente o que segmentos inteiros, principalmente daqueles descontentes com a política econômica deste primeiro mandato queriam dizer.

O temperamento da presidente é marcado pela centralização do poder. Assim posto, “ela não iria acertar com a senadora o teor do documento”. A carta foi forte. Afirmava que desejava que Dilma, estivesse “iluminada” na escolha do novo ministério e aconselhava que a presidente desse “independência” para agir ao futuro ministro da Fazenda e a sua equipe. Seria muito difícil que Dilma aceitasse conselhos e termos como estes num documento que seria levado ao conhecimento público.

Dilma se apressou a esclarecer o fato enviando a sua declaração de Qatar, onde fez uma parada técnica na sua viagem à Austrália para a reunião do G-20. De mais a mais, ela estrilou dizendo que não marcou tempo para decidir sobre a escolha do seu futuro ministério, diante da expectativa em torno da questão. Ela havia dito, e foi publicado, que escolheria o ministro da Fazenda logo após o seu retorno da Austrália e é esta a expectativa que há por estas bandas. Com as dificuldades em diversas áreas que o Brasil ora atravessa, em consequência do mandato torto que é exercido neste primeiro quatriênio, é natural que haja apreensão de segmentos da área econômica sobre o novo ministro que ocupará o posto de Guido Mantega.

A indústria brasileira atravessa uma fase dificílima, em consequência da política cambial, dos impostos cobrados e, ainda, o problema do aumento das importações e a queda das exportações, principalmente de produtos oriundos da China que abarrotam o mercado brasileiro por serem, sobretudo em relação ao setor têxtil. Ou o País resolve este desequilíbrio, protegendo o setor industrial brasileiro ou ele vai à breca. Esta é uma das questões que está na ordem do dia, mas é bom que não haja esquecimento do social, que passou a perder as vantagens que a nova classe média havia adquirido, e hoje está endividada. Nem, muito menos, deixar de se voltar para a pobreza absoluta, a miserabilidade, que passou a crescer no País, principalmente no Nordeste que presenteou Dilma com a reeleição.

Vem daí a pressa para que a presidente acelere, mas com cuidado, a formação do futuro ministério, principalmente o da Fazenda. Aliás, há sinais de que ela poderá tornar ministro o suplente de senador que ocupou a cadeira de Marta Suplicy que, por sinal, é filiado do PR. Trata-se de Antônio Carlos Rodrigues. Ele é vereador paulistano. Já para o ministério da Cultura o nome mais cotado para ficar no lugar de Marta é o cantor paraibano Chico Cézar.

De mais a mais a presidente viajou para o G-20 com parada técnica no Qatar a convite do emir do pequeno país produtor de petróleo do Oriente Médio. Viajou acompanhada da filha. Ficou hospedada num hotel cuja diária é de R$30 mil. Dinheiro que não saiu dos cofres brasileiros e, sim, foi uma cortesia do emir. Pelo menos.

* Coluna publicada originalmente na edição desta quinta-feira (13) do jornal A Tarde


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