Quarta, 18 de Janeiro de 2017 - 10:37

A explosão dos presídios versus Temer

por Samuel Celestino

A explosão dos presídios versus Temer
Foto: Divulgação/ DPE
O país começou muito mal este 2017 - o que não era esperado - e o pior virá em fevereiro, atingindo o presidente Michel Temer e a ex-presidente Dilma Rousseff, além de muitos políticos com as denúncias abertas da Odebrecht que chegarão à opinião pública em cascata. No momento a crise está dentro do sistema penitenciário que explodiu no último dia de 2016, e se espraiou por diversos presídios, a começar por Amazonas, estabelecendo uma crise já era aguardada de há muito. O sistema prisional do país é um desses absurdos inaceitáveis, onde as facções rivais entram em conflito, sem que nada até agora tenha sido feito. É estranhável, porque o número de presos no sistema abarrotam os presídios com o conhecimento do governo.  Nesta quarta-feira (18), o presidente Temer determinou, em decreto publicado, que as Forças Armadas – Exército, Marinha e Aeronáutica – durante 12 meses estejam em atividade em todos os presídios do país para detectar presenças de armas, celulares e drogas e o que mais for encontrado. A ação das Forças Armadas será estabelecida por cerca de mil homens, de maneira que haja uma varredura em regra. Esta é a primeira medida que chega ao conhecimento público porque, até aqui, os cinco novos presídios que o presidente disse que iria implantar, até o momento não saíram do papel e não se sabe sequer onde ficarão, a não ser um deles no Rio Grande do Sul, onde ele anunciou o número previsto. Ao anunciar, Temer não imaginava o que viria acontecer, só dando conta com a explosão dos presídios em todo o país. Como as revoltas continuam no sistema penitenciário, inclusive aqui em Salvador, ele tratou de estabelecer o decreto que chega ao conhecimento nesta quarta, com o comando das Forças Armadas. O ministro da Defesa, Raul Jungmann, informou que as ações só começarão dentro de oito a 10 dias. 
Terça, 17 de Janeiro de 2017 - 11:03

Cunha acompanha a política do presídio

por Samuel Celestino

Cunha acompanha a política do presídio
Foto: Lula Marques/ Agência PT
O ex-presidente da Câmara dos Deputados, deputado federal cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), mesmo preso no Complexo Médico Penal do Paraná, onde se encontra, entre outros, José Dirceu, certamente recebe jornais para leituras diárias, ou troca informações sobre os rumos da política brasileira que, de resto, é um desastre. Cunha acompanha o que acontece dentro da Câmara dos Deputados na disputa entre dois competidores à presidência do colegiado, Rodrigo Maia e Rogério Rosso. Como se sabe, ele foi preso pela Lava Jato, mas de dentro do presídio recebe informações, o que passa a ser um mistério, porque não deveria acontecer. No momento, ele certamente sabe que sua pena será aumentada - e muito - a partir das denúncias que ocorrem envolvendo Geddel Vieira Lima, na época em que foi vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica, e ele integrava o grupo que oferecia vantagens a empresas em troca de propinas elevadas, como constam nas denúncias que a cada dia surgem com densidade maior. De dentro do Complexo Médico Penal, o ex-presidente cassado provavelmente tem plena informação do que está a acontecer na República o que, se for assim, passa a ser um preso privilegiado. Presumia-se que Eduardo Cunha estava entrando no ostracismo, mas não parece ser fato. Como o bandido Marcola, isolado na prisão, passou a consumir livros e mais livros, Cunha quando sair do presídio, se sair, poderá aparecer como intelectual. Da política.
Sexta, 13 de Janeiro de 2017 - 10:31

A guerra da presidência da AL baiana

por Samuel Celestino

A guerra da presidência da AL baiana
Foto: Max Haack/ Ag. Haack/ Bahia Notícias
A disputa para a presidência da Assembleia Legislativa entrou em ebulição, com o atual presidente Marcelo Nilo (PSL) à frente, mas ainda dependerá de algumas definições. A diferença entre os três candidatos é grande. Marcelo Nilo dispõe, até aqui, de 30 votos, com perspectiva de mais dois, o que já seria suficiente para a sua reeleição. Os dois outros candidatos são o deputado Ângelo Coronel (PSD) que, segundo consta, teria sete apoiadores, e o deputado Luiz Augusto (PP) que teria, até aqui, cinco. Esses dois últimos poderão vir a angariar votos para mais ou para menos. Acontece que está em pauta uma prévia na base do governo que será definida na próxima semana. Foi proposta pelo presidente do PP, João Leão, vice-governador do estado e aceita por Nilo. A base do governo dispõe de 42 deputados, e a oposição, leia-se ACM Neto, tem 21 integrantes (ou 19 somando-se os dois que completariam os 32 de Nilo), perfazendo, no somatório, os 63 parlamentares que compõem a Assembleia Legislativa baiana. A prévia da base do governo será por voto secreto, ou não, se os dois outros candidatos, Coronel e Luiz Augusto, assim acordarem. Pela suposição de Marcelo Nilo, se ele conseguir o apoio do segmento oposicionista, poderá vir a fechar com 51 votos, conforme a sua perspectiva. Enfim e por ora a campanha dos três candidatos ao posto de presidente continua acesa. 
Quarta, 11 de Janeiro de 2017 - 10:12

Primeiros sinais da sucessão baiana

por Samuel Celestino

Primeiros sinais da sucessão baiana
Foto: Max Haack/ Ag. Haack/ Bahia Notícias
Mal começou 2017 surgem os primeiros sintomas (claros) de que a disputa pelo governo do estado entre o governador Rui Costa e o prefeito ACM Neto, em 2018, já se iniciou. Assim, como até agora há apenas dois candidatos ao governo e dificilmente aparecerão outros com a mesma possibilidade de chegar ao poder, a guerra já desponta com grande antecedência entre os dois, como ontem aconteceu a partir de Rui Costa, durante um protocolo de intenções para serviços de saúde nos municípios de Valença, Santo Antônio de Jesus e Cruz das Almas. O governador aproveitou para comparar o diferencial entre a Bahia e outros estados do país e criticou, o que parece correto, com a situação também com Salvador. Disse que na capital “não tem sequer uma maternidade e nenhum hospital. O único hospital que surgirá está sendo construído e só será concluído somente no próximo ano. Mas sequer uma maternidade tem”. O próximo ano, 2018, por ser ano de eleições para o governo, ficou dentro da comparação por ele feita. Não só. Arrematou ainda que todos os soteropolitanos “nascem nas maternidades do estado, porque todos os hospitais são do governo do estado, enquanto todos os pequenos e médios municípios têm hospital”. Tanto o prefeito ACM Neto como Rui Costa quando se encontram - em raras ocasiões - procuram ficar à distância, mas estabelecem diálogos, embora pequenos. É do conhecimento público de que ambos irão partir para a disputa do governo e, como se observa, os primeiros movimentos surgiram já neste início do ano. São os primeiros sinais. Daqui para frente cada um deles tomará seu rumo em busca do poder.
Terça, 10 de Janeiro de 2017 - 10:43

O narcotráfico invade o país

por Samuel Celestino

O narcotráfico invade o país
Foto: Reprodução/ América Economia
O narcotráfico passou a estar presente em praticamente todos os estados da federação, inclusive aqui na Bahia, basicamente em Salvador. O governo federal chegou atrasado diante das rebeliões em Manaus e em Roraima e anunciou, na semana passada, cinco novos presídios de segurança máxima que só ontem foram dados como certos. Um deles no Rio Grande do Sul e outro no Nordeste. Os três outros o governo ainda não determinou aonde ficarão. Os cartéis controlam as prisões do país, como está a acontecer em Manaus, através de dois comandos que, de início, eram aliados, o Comando Vermelho, que surgiu no Rio de Janeiro, e o Primeiro Comando da Capital, PCC,  cresceu em São Paulo e se transformou na maior organização criminosa do país. A verdade é que hoje eles estão espraiados em diversos estados federativos. A ruptura dos dois se deu diante da competição, daí o confronto que acontece entre os dois comandos nos presídios, com o choque pelo controle do tráfico de drogas. Os países da América Central são visivelmente controlados pelos cartéis enquanto os governos não têm a menor ingerência sobre eles, o que parece estar acontecendo no Brasil, isso se não houver uma tomada de posição rápida. O crime está espraiado em todas as capitais, como está a acontecer com a criminalidade presente em Salvador, que poderá vir a ganhar corpo se medidas necessárias não form tomadas. No México, a situação é muito pior diante do comando do crime e na Colômbia, pelo que se sabe, houve uma melhora. O crime passou a estar presente com a entrada do narcotráfico pelas fronteiras brasileiras, daí a situação que ocorre no Amazonas, descendo para outros estados. O pior problema está no Rio de Janeiro e em São Paulo. A verdade é que a violência se espalha em todos os estados como antes nunca visto.  
Terça, 27 de Dezembro de 2016 - 11:19

2016 morrerá sem deixar lembrança

por Samuel Celestino

2016 morrerá sem deixar lembrança
Foto: Marcos Corrêa/ VPR
Com sete meses no poder da República, o presidente Michel Temer chegará ao seu primeiro Réveillon desprovido de carisma e com o país ainda imerso em dificuldades, quando ele prometia mudanças antes de 2017, o que poderá vir a ocorrer, mas somente no segundo trimestre do ano. De outra maneira, ele não conseguiu tornar-se um presidente com apoio popular, o que provavelmente não acontecerá até o final do seu mandato, embora haja expectativa de dar um novo rumo ao país, com mudanças dos seus rumos, pelo menos é o que dele se espera. Mesmo se isso vier a acontecer, será sempre um governante sem carisma. No momento, Temer, ao lado de Dilma Rousseff, está envolto em situações delicadas que dizem respeito à reeleição de ambos em 2014, como tem ocorrido no noticiário político que, volta e meia transparece. Como o país está em processo de mudanças para marcar uma nova fase, 2017 será um ano de expectativas positivas para deixar 2016 para trás e esquecer as dificuldades que o marcaram. Os problemas ainda serão muitos, mas compete ao presidente tomar as decisões aguardadas porque nestes sete meses em que comandou a república pouco disse para o que veio, a não ser que as medidas já tomadas no final deste ano aziago venham a surtir efeito no ano que está chegando com perspectiva de esperança. 
Terça, 20 de Dezembro de 2016 - 10:56

A Odebrecht mandava na República

por Samuel Celestino

A Odebrecht mandava na República
Foto: Reprodução / Investing
Somente após a delação dos 77 executivos da Odebrecht, principalmente a delação do ex-executivo Cláudio de Melo Filho, chega-se à conclusão de que o comando da República estava na verdade representada pela principal empreiteira que organizava o cartel e, com ele, os políticos, à frente dos quais estavam o senador Romero Jucá e o presidente do Senado, Renan Calheiros, além de muitos outros. Espera-se agora com o recesso, que só terminará no início de fevereiro, o que surgirá em 2017. O segmento político fechará o ano à deriva, sem nenhum conceito e totalmente estremecido. Dentre eles estão o presidente Michel Temer e seus dois “assessores”, Eliseu Padilha, que deixará a Casa Civil, assim como Moreira Franco que, na condição de secretário, também se despedirá do Palácio do Planalto. Sobre Temer fica-se na expectativa do que poderá acontecer se ocorrer a sua queda do cargo. Se assim for o país poderá ficar à deriva, mas deve-se levar em consideração que esta suposição ainda não está em pauta diante da realidade do momento. A delação dos executivos da Odebrecht colocou a nu a situação em que o país se encontra, com os cafajestes da política envolvidos em enriquecimento com as concessões a eles feitas pelas empreiteiras, o que não era do conhecimento da República. Próximo ao Natal, a tendência agora é aguardar quando fevereiro chegar para, então, tomar-se novos sustos sobre os novos acontecimentos que surgirão e não serão poucos.
Segunda, 19 de Dezembro de 2016 - 10:36

Processos de Lula deixam-o sem saída

por Samuel Celestino

Processos de Lula deixam-o sem saída
Foto: Filipe Araújo
Na sexta-feira última este espaço fez referência à defesa do ex-presidente Lula por entender que seus advogados estariam a prejudicá-lo estabelecendo um litígio desnecessário com o juiz Sérgio Moro (veja aqui). A ação dos defensores passou a ser também entendida por diversos integrantes do PT como lamentável, se é que possa ser assim considerado. No início desta segunda-feira, o juiz Moro aceitou a denúncia do Ministério Público Federal contra Lula que, agora, passou estar com quatro processos, e é bem provável que o quinto possa vir a caminho, este de referência  à Operação Zelotes, levando com ele o seu filho Cláudio. O ex-presidente fica assim numa situação conflitosa e poderá vir a ser preso, o que passa a ser uma expectativa provável. Esta última ação desta segunda-feira que chega ao conhecimento público é resultado de uma referência à compra de um terreno para a construção da nova sede do Instituto Lula, e de um imóvel vizinho ao apartamento do ex-presidente em São Bernardo do Campo, em São Paulo. Verifica-se que a defesa de Lula não está indo na direção certa. Pelo contrário, passa a prejudicá-lo levando com ele Marisa Letícia. Como o PT não tem nomes para lançar candidato nas eleições de 2018, o único em condições de disputa seria Lula, como ficou claro na recente pesquisa do DataFolha, ele fica sem saída. Com tantos processos não será novidade se ele vier a perder os seus direitos políticos e ficar impedido de se candidatar se assim quiser em 2018. Nada é improvável.
Sexta, 16 de Dezembro de 2016 - 11:23

Defesa compromete Lula

por Samuel Celestino

Defesa compromete Lula
Foto: Mauro Calove
Os conflitos entre a defesa de Lula e o juiz Sérgio Moro tendem a piorar, o que dificulta a situação em que está envolto o ex-presidente, que já responde a três processos, a caminho do quarto, se a Lava Jato aceitar o pedido recente feito Ministério Público. A última denúncia é uma das mais fortes. Lula é tido como responsável por contratos firmados e entre a Petrobras e a Odebrecht e as nomeações de Paulo Roberto Costa e Renato Duque, facilitadores de negociatas enquanto estiveram nas diretorias de abastecimento e serviços. Diante dessas circunstâncias o ex-presidente poderá ficar sem saída, além de deixar o partido que fundou, o PT, numa situação complicadíssima porque está perdendo adeptos em todos os cantos. O conflito entre o juiz Sérgio Moro e a defesa de Lula só parece dificultá-lo por não ter nada a ganhar, enquanto o juiz aparece, como se nota, como o maior nome da República no momento. Os defensores do ex-presidente tentam desviar as atenções para os seus desacordos e deixá-lo à margem, o que parece impossível, porque ele ainda é um nome no país, embora em decadência. Enquanto isso, o presidente Michel Temer procura encontrar saídas para os seus problemas que vem de muito antes, e procura ganhar forças, o que não está encontrando. A Lava Jato passou então a ser, ao lado do Ministério Público, os grandes combatentes da corrupção entranhada no país até aqui com bastante êxito.
Quinta, 15 de Dezembro de 2016 - 10:55

A difícil situação de Temer

por Samuel Celestino

A difícil situação de Temer
Foto: Marcos Corrêa/PR
Mesmo com as duas importantes decisões tomadas pela Câmara e pelo Senado que favoreceram o governo Michel Temer – a PEC do Teto no início da semana e a primeira etapa da reforma da Previdência na madrugada desta quinta feira (15) – a sua situação continua muito difícil diante da opinião pública. Se nesta semana ele ganhou, na anterior, a delação da Odebrecht, através de Cláudio Melo Filho, deixou marcas inquestionáveis, diante do pedido que teria feito a Marcelo Odebrecht, ainda na condição de vice-presidente, de R$ 10.000.000,00. Se as decisões desta semana foram importantes, Temer ainda será por muito tempo um presidente marcado. A sua nova tentativa para melhorar sua imagem, o que é muito difícil, está na decisão que pretende tomar em fevereiro do próximo ano com mudanças no seu ministério, afastando seus dois áulicos e braços direito, Moreira Franco e Eliseu Padilha, que são para ele os mais importantes auxiliares do governo. Mesmo assim, estuda por como ministros nomes políticos de, pelo menos, três ou quatro partidos que só definirá mais adiante. Como a delação da Odebrecht tende a se acentuar, situações piores virão para o governo. Portanto, com apenas dois anos de mandato previsível  (poderá cair na metade) o governo de Michel Temer jamais será aceito pela opinião pública. O país está diante de uma nova realidade que tem como alvo muitas mudanças. 

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