Com Samuel Celestino

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Curtas do Poder

Curtas do poder

Essas eleições foram a bagaceira na Bahia e no Brasil. Alguns políticos se deram mal. Mas aqui na terrinha o bicho pegou. Teve candidato achando que tava eleito se ferrando feio. Falando em candidato, com a derrota de Paulo Souto e Aécio, a disputa para a vice do Soberano nas próximas eleições será acirrada. De uma coisa tenho certeza: o deputado Bruno Reis tá fora. O povo não gosta de político que desrespeita as leis municipais e os agentes públicos. Confira os detalhes nas Curtas do poder!

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Após o término das eleições para o segundo turno, começa nos bastidores a disputa para saber quem assume a presidência da Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA). E quem já aparece como candidato à reeleição ao cargo é Marcelo Nilo (PDT), eleito para o seu sétimo mandato como deputado estadual, pela segunda vez o mais votado do estado, com 148.690 votos. Em entrevista ao Bahia Notícias, Nilo assume seu início de campanha para ser pela quinta vez presidente da AL-BA, fala sobre suas relações com o atual e o futuro governador do estado, e diz que todas as melhorias recentes na Bahia “passaram por sua caneta”. "Uma coisa que eu me orgulho muito é que tudo que ocorreu de positivo na Bahia tem a tinta da minha caneta. Se o governador fez uma estrada, passou pela assembleia. Se fez um centro tecnológico ou posto de saúde também”. Leia a entrevista completa.

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Quinta, 30 de Outubro de 2014 - 10:12

Portas do PMDB abertas para ACM Neto

por Samuel Celestino

Portas do PMDB abertas para ACM Neto
Foto: Max Haack/ Ag. Haack/ Bahia Notícias
O deputado Lúcio Vieira Lima, que com o irmão Geddel Vieira Lima comanda o PMDB na Bahia, disse que se ACM Neto desejar ingressar no partido, na medida em que o DEM experimenta dificuldades para sobreviver, será bem vindo. Para o deputado, o prefeito pode e deve se aproximar da presidente Dilma e do governador eleito Rui Costa para tratar de questões administrativas municipais, o que difere da aproximação política, embora seu partido libere seus integrantes para agir da forma que melhor entendem. Há rumores sobre as dificuldades que o prefeito de Salvador enfrenta, o que já se observa há algum tempo e piorou nas eleições deste outubro. Lúcio contesta a versão de que a derrota da presidente na Câmara, no caso dos Conselhos Populares, foi uma retaliação, mas o entendimento do partido sobre o decreto que não seria compatível com a democracia que o Brasil deseja e sim com o que o PT quer. Ademais, segundo o parlamentar, o PMDB agirá com independência, por entender que na gestão que Dilma encerra no dia 31 de dezembro, o partido nunca foi ouvido e somente procurado quando havia dificuldades no Congresso. “Isso acabou e certamente a presidente tem conhecimento, porque foi demonstrado nas eleições em segundo turno, quando ela se reelegeu com uma margem de votos muito apertada. Se continuar com esta política a queda do PT será continuada. Terá que dialogar”. As portas do PMDB baiano, portanto, estarão sempre abertas para Neto. “O interesse da legenda é manter-se numa postura de crescimento. Sempre.”

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Quinta, 30 de Outubro de 2014 - 07:45

Coluna A Tarde: Fim da linha: da Arena ao DEM

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: Fim da linha: da Arena ao DEM
O avô do DEM, portanto da mesma linhagem, nasceu como ARENA por arte do Ato Institucional -2, promulgado em 1965 pela nascente ditadura militar, que destroçou o sistema pluripartidário brasileiro originário da Constituição de 1946. Abriu espaço para o bipartidarismo. Criou-se, na mesma tacada, também o velho MDB, que supostamente seria “partido da oposição ao sistema”. Acabou por dar certo. É, hoje, o PMDB, sombra dos partidos no poder. O DEM está se despedindo da cena política, por falta de votos e consistência. Não tem mais força na vida pública brasileira. O grande viúvo que deixa é o prefeito de Salvador, ACM Neto, que ao ser eleito, há apenas dois anos, emergiu como uma estrela com promessa de brilhar na política baiana e, talvez, brasileira.
 
O DEM, nasceu como Arena, se tornou PDS, virou PFL e chegou na condição que hoje se encontra. É uma legenda minguante, que perde parlamentares, já não tem governos estaduais e não é mais a força política que ajudou o regime dos generais. Sem consistência e nos estertores, tenta, mais uma vez, realizar nova transmutação, juntando cacos de partidos pequenos para formar um só. De certa maneira, é uma forma de derrubar a quantidade de partidos nanicos, nascidos para fazer negócios, que pululam na democracia brasileira. É possível que, pouco a pouco, parte dos 32 partidos hoje existentes, desapareça desta forma.
 
A velha ARENA vovozinha não sabe o que fazer. Quase chega a comandar o País na época de ACM, que deu ordens na política brasileira como ministro de Sarney (ex-presidente da ARENA na ditadura), presidente do Senado e obsequiado em razão, sobretudo, por comandar à sombra o então PFL, e pelo temor ao seu temperamento que chegava ao descontrole no enfrentamento aos adversários. 
 
Neste mês de outubro, ACM Neto sofreu duas derrotas. Uma que não esperava, a eleição de Rui Costa já em primeiro turno, e, a segunda, como um dos principais apoiadores de Aécio Neves. Se, para o governo baiano, o DEM caiu absolutamente tonto, como apoiador de Aécio chegou perto do poder. Caso o PSDB tivesse êxito, seria a salvação do DEM. Agora, fala-se em sepultamento.
 
A situação para o prefeito de Salvador já não é luminosa como há dois anos. As duas derrotas o enfraqueceram. Como tem projeto para o governo baiano, terá que esperar e já não se sabe até quando. Não é possível fazer-se previsão se ele se lançará candidato ao governo da Bahia, e se não o fará porque a fila andou neste outubro e continuará a andar. A situação política de Neto é agora complexa.
 
O prefeito terá que agir no campo nacional para encontrar uma forma de criar o partido que dará sequência ao moribundo DEM. Primeiro, se entender e afinar a música com José Agripino, presidente da legenda, que não quer que a velha ARENA se transforme numa corrente de partidos minúsculos para ver se, do somatório dos nanicos, nasce um partido competitivo. É difícil, muito difícil que a fórmula dê certo. A saída, ao que parece, aponta para outro lado.
 
Se o DEM já não dá mais, o que acontecerá com os seus integrantes, hoje quase sem teto? Irão se dispersar?  Embarcarão em outra canoa? Continuará na tentativa de soerguer a legenda para ver se a ressuscita, já que está na UTI dos partidos? Procurar novos seguidores e perda de tempo. Dificilmente os encontrará. Esta é a grande interrogação que atordoa o DEM. A partir da ARENA que nasceu no berçário da ditadura, virou PDS, em seguida PFL e afinal, DEM. Está agora num beco sem saída. A sua situação é, de fato, dificílima. Neto, esperança da legenda para uma saída até nacional, já não sabe para onde andar. Este é o seu desafio: o partido se perdeu no tempo.  
 
O prefeito de Salvador está, assim, numa encruzilhada. Por ora,  não tem idéia para que lado vai. Perdeu a bússola. Sabe, certamente, que carrega um caixão e, dentro dele, um partido morto. E pior, com as iniciais de satã. DEM, de demônio. Portanto um partido que, na sua trajetória, cometeu muitos pecados e deixou a glória para chegar ao nada.
 
* Coluna publicada originalmente na edição desta quinta-feira (30) do jornal A Tarde

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Terça, 28 de Outubro de 2014 - 07:40

Coluna A Tarde: Os desafios do segundo mandato

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: Os desafios do segundo mandato
A vitória da presidente Dilma Rousseff, que determinou a continuidade do PT no poder republicano, de certo modo estabeleceu um divisionismo entre as regiões do País iniciada pela rede social da internet, que responsabilizou os nordestinos pelo resultado eleitoral, em detrimento da vitória do candidato oposicionista. Aécio Neves ganhou em toda a região Sul-Sudeste-Centro Oeste. Os brasileiros assistiram a uma ressurreição do preconceito absurdo e descabido em relação a esta região do País. Quem derrotou Aécio, na verdade, foi o seu estado, Minas Gerais, que, com três milhões de votos dirigidos à presidente determinou a queda do mineiro. Bastavam dois milhões de votos a ele direcionados para que comemorasse a vitoria.

Não foi somente um preconceito que se observa presente na região Sul-Sudeste, mas, também, uma consequência da propaganda eleitoral no segundo turno. A campanha da presidente focou, em boa parte do processo, uma inverdade que se alastrou entre os nordestinos, principalmente a grande população que habita a região seca e árida, mantida em boa parte pelo programa Bolsa Família.

Enquanto a campanha petista alardeava que, em caso de vitória do candidato tucano o programa seria abandonado, os publicitários de Aécio de tudo faziam para afirmar que tal não aconteceria, pelo contrário. O jogo do marketing negativo prevaleceu. De qualquer maneira a presidente teria uma votação avassaladora na região, por ser um reduto do PT, cultivado pelo discurso de Lula que, aliás, foi de fundamental importância no segundo turno eleitoral.

A presidente, em seu discurso aos brasileiros de agradecimento pela vitória, na noite de domingo, optou por dois pontos importantes que, se conseguir realizar serão importantíssimos para a região, principalmente a Bahia que foi, para ela, o maior reduto eleitoral dentre todos os que determinaram a sua vitória. Por quatro vezes seguidas e ininterruptas, a vitoriosa  Dilma repetiu a palavra “educação”, dando sequência com a saúde pública.

São dois fatores que, se levados a cabo, poderão mudar a realidade nordestina. Somando com o Bolsa Família, estará completa a trilogia desenvolvimentista que seria completa se houver oferta de emprego. Para os quatro anos de mandato que fará, é quase impossível realizar, porque a ela compete a dura tarefa de quebrar o ciclo da crise econômica que sufoca o desenvolvimento do País.

O segundo mandato da presidente será muito diferente do primeiro, espera-se, quando herdou uma economia que avançava com um PIB de 7,5%. O avanço econômico destacou o Brasil como um país emergente destinado a ser potência em 20 anos. Este segundo mandato que se inicia no dia primeiro de janeiro, começará pelo enfrentamento de um ano dificílimo, 2015, quando continuarão os reflexos da crise, possivelmente em situação piorada. Dilma tem pela frente desafios que não enfrentou. A começar pela formação do seu governo, que decididamente não será fácil. Ela herdou de Lula pelo menos seis ministros, e a maioria deles caiu, pela incompetência ou corrupção, no segundo ano do governo Dilma. Agora, compete exclusivamente a ela se responsabilizar pela equipe que comandará. Nada poderá dizer por que estará herdando a própria herança do seu primeiro mandato.

O primeiro desafio será a nomeação de um ministro da Fazenda que ofereça maior competência do que Guido Mantega. Os problemas elas os encontrará em toda parte: na agricultura, na indústria, ambas em crise, no setor energético, na inflação, no possível avanço do desemprego e, ainda por cima, o cumprimento de promessas feitas durante a campanha eleitoral.

No seu discurso de agradecimento, a presidente reeleita reafirmou o seu compromisso de realizar uma reforma política que mude radicalmente a atual realidade (não será tanto, nem ela a fará sem um consenso com a oposição), dando nova fisionomia a este setor, impregnado de corrupção. De igual modo, realizar a necessária reforma tributária é muito difícil em consequência da crise econômica, que se torna um entrave a ser controlado para abrir novamente espaço ao desenvolvimento.

Não é só. Dilma Rousseff, já agora neste final de 2014, terá pela frente seguramente mais denúncias arrepiantes sobre os acontecimentos envolvendo a corrupção na Petrobras. Com o Brasil dividido, com carências que também enfrentará no Sul-Sudeste, ficará entre a cruz e a caldeirinha. Os sulistas cobram dos nordestinos usando um preconceito nunca visto (embora presente) pela eleição de Dilma, que ficará para ela a ingrata tarefa de unir o que nunca, em tempo algum, foi desunido.


* Coluna publicada originalmente nesta terça-feira (28) no jornal A Tarde


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Domingo, 26 de Outubro de 2014 - 19:44

A grande lição democrática

por Samuel Celestino

Nunca, em tempo algum, a República apresentou uma eleição como a que o Brasil realizou neste domingo. A presidente Dilma Rousseff dobra seu mandato e venceu basicamente no Nordeste, enquanto Aécio Neves deve a sua derrota à sua votação em Minas Gerais, onde Dilma ganhou no primeiro e segundo turnos. O tucano foi bem no Sudeste e no Centro-Oeste, mas caiu, como se esperava, no Norte e Nordeste. Aqui na Bahia, Dilma disparou, dobrando a votação que Aécio recebeu. Foi, por ser o quarto colégio do País, o seu principal reduto e determinou a diferença entre os dois adversários. De certo modo as pesquisas eleitorais divulgada no sábado acertaram e erraram ao mesmo tempo. Principalmente o Datafolha que acertou por se segurar na margem de erro. Aécio esperava ganhar em Minas. Para lá, no início da noite, se deslocaram para se juntar ao tucano personalidades de peso do seu partido, principalmente Fernando Henrique Cardoso, Geraldo Alckmin e José Serra. São Paulo foi quem ofereceu ao tucano a maior votação que obteve, o que era esperado até por ser o principal colégio eleitoral do País. Esta votação que reelegeu Dilma Rousseff basicamente divide o Brasil em duas grande regiões, o Sul-Sudeste e o Norte-Nordeste. Só no Nordeste ela saiu com cerca de 11 milhões de votos, que se somam alguma coisa em torno de um milhão de votos vindos da região Norte. A diferença entre a vitoriosa e o derrotado ficou em torno de três milhões de votos, isso contando números inteiros. O lucro do PT fica claro com a vitória, mas o PSDB não sai derrotado inteiramente porque o partido se uniu, o que não se observava antes da campanha. Enfim, os brasileiros assistiram a uma aula de democracia que passa a ser o principal ganho do País, excluindo, naturalmente, o vitorioso PT, que ficará no comando da República, se não dobrar em 2018, por 16 anos.

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Domingo, 26 de Outubro de 2014 - 07:45

Coluna A Tarde: Domingo do voto

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: Domingo do voto
O final desta campanha presidencial é idêntico ao que aconteceu no primeiro turno: eletrizante. Não dá para comparar com a primeira eleição presidencial direta pós-ditadura, travada entre Collor e Lula, em 1989, que também primou pela disputa. Afinal, era o primeiro confronto registrado em sequencia à Constituição democrática de 1988.  A que se finda hoje foi marcada por uma tragédia que abalou e comoveu o País. Foi ainda determinada por mudanças de candidatos; pelo fenômeno repentino da ascensão e queda de Marina Silva, e pelo retorno de Aécio Neves à campanha no último dia do primeiro turno, para estabelecer com Dilma Rousseff a definição do futuro presidente da República.

Neste segundo turno presenciou-se uma queda-de-braço a partir das pesquisas entre Rousseff em busca da reeleição e Aécio Neves. Assim permaneceram até esta última semana, quando Dilma tomou a dianteira ultrapassando Neves, ameaçando uma definitiva mudança do cenário até então indefinido. Os brasileiros vão hoje às urnas diante de uma vantagem razoável da presidente, mas ouvindo o zumbido. Numa campanha de muitas mudanças, a expectativa mantém-se até o resultado final, na medida em que a incógnita foi a marca desta eleição, desde o início, ou a partir do começo da propaganda eleitoral na mídia eletrônica.

É difícil, a princípio, uma oscilação, mais uma, para marcar o ponto final da campanha, embora não se possa afastar a hipótese diante da dramaticidade que acompanhou todo o percurso do jogo político-eleitoral. Trata-se de uma característica da democracia que ocorre poucas vezes, sobretudo nos países com o sistema já sedimentado e basicamente bipartidário. Pela primeira vez verifica-se no Brasil, onde há muitos partidos políticos, consequentemente, candidatos representantes de diversas legendas. Só para relembrar, na primeira eleição presidencial direta, a de 1989, Collor e Lula surpreenderam, mas de forma diferente. O primeiro na condição de um aventureiro oriundo de Alagoas e, o segundo, um líder metalúrgico que ainda não estava pronto para dirigir o País.

Observou-se, no entanto, que diante de inúmeros políticos renomados, como Ulysses Guimarães, Leonel Brizola, Mário Covas, dentre outros, Collor e Lula foram exatamente os dois que saltaram à frente e foram para a disputa do segundo turno. Já naquela época o País procurava o novo, afastando-se dos políticos oriundos do período pré-ditadura. Collor sequer tinha um partido. Pouco antes de lançar sua candidatura ele mesmo construiu o seu, o PRN. Que, depois de apeado do poder supostamente por corrupção, a legenda desapareceu, assim como surgiu no cenário político brasileiro.

Com o passar do tempo, formou-se o embate entre dois novos partidos, posteriores à ditadura, o PT e o PSDB, ficando um terceiro, o PMDB, como linha auxiliar do poder, não importando qual fosse a legenda. Funciona como uma sombra republicana,  até como um poder moderador, embora ávida em relação aos favores do governo que apóia. O PT e o PSDB, seja qual for o resultado das urnas de hoje, estão fadados a ficar no comando da República por 24 anos consecutivos. Provavelmente esta linha de dois irá continuar, a não ser que haja uma reviravolta em relação ao PMDB numa futura eleição, pelo menos até que haja um cansaço envolvendo uma e outra legenda.

Esta eleição que hoje terá ponto final, marcada por debates muitas vezes de nível melancólico e baixo, também se expressa na mentira oriunda da propagada feita pelos dois lados, com promessas que dificilmente serão cumpridas na sua totalidade. Ademais, marcou um confronto inusitado em razão de as candidaturas serem orientadas pelo peso dos marqueteiros no processo de desconstrução de competidores. Esta forma de campanha não pode ser o alicerce do poder num estado democrático que, espera-se, venha a emoldurar o retrato do País.

As propostas dos candidatos foram todas expressas. Daí não merecer repeti-las nem lembradas porque muitas, como já dito, serão esquecidas por quem estiver no poder, seja lá quem for o futuro presidente. Dilma com maior expectativa de continuar no cargo e Aécio Neves que, provavelmente, se for derrotado nestas eleições, deverá se apresentar em 2018 para nova tentativa, tal como aconteceu com José Serra, duas vezes, e Lula, três vezes.


* Coluna publicada originalmente na edição deste domingo (26) do jornal A Tarde


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Quinta, 23 de Outubro de 2014 - 08:11

Coluna A Tarde: O voto trocado

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: O voto trocado
A pesquisa – a principal delas, do Datafolha – liberada ontem, mais uma vez demonstrou, com tem acontecido na última semana, que Dilma Rousseff está numericamente à frente de Aécio Neves. São 52 pontos para ela, 48 para ele, o que leva à conclusão de que a Presidência da República será definida neste resto de campanha, com peso para o debate que amanhã será travado na Rede Globo. Se assim for, poderemos  ter  a repetição do sujo confronto entre Fernando Collor e Lula, na primeira eleição direta para a Presidência pós-ditadura, em 1989.  Apenas para recordar, naquele embate Collor usou de todos os artifícios e desconstruiu a candidatura Lula, que não tinha um décimo do populismo que hoje enfeixa.

A eleição deste domingo provavelmente será definida pelo estado de miserabilidade que marca a região Nordeste, basicamente a Bahia, onde a zona rural e todo o imenso semi-árido do estado são povoados por uma população que se ressente da ausência de emprego. A fome, a partir de um solo árido e seco, marca o Nordeste. Como consequência, os brasileiros da região são reconhecidos pela baixa estatura, estabelecendo-se uma desigualdade em relação à altura, em média, da população do resto do País.

O programa Bolsa Família, absolutamente necessário para minorar a fome,  controlado pelo governo da República, passou a ser marcante como alavanca eleitoral. É retribuído pelo voto de uma imensa população desigual em relação à educação e à informação. Sem o programa, a fome se alastraria e, com ela, as doenças. De outro modo, geraria uma população dependente por não ter a menor noção do que, de fato, é o Brasil. Aliás, o interior nordestino  é absolutamente desinformado.

Assim, o Bolsa Família passou a ser um programa necessário, mas populista, cujos beneficiários retribuem  com a única coisa que podem oferecer: o seu voto. Além de o Nordeste ser uma região pobre, carente, é de há muito governado (todos os estados) por políticos de baixa qualidade, pelas oligarquias que se alternam nos governos estaduais dentro da própria família, onde agem de forma imperial, além de se tornarem imensamente ricas a partir do saque e desvios dos recursos oriundos da pobreza.

Dilma Rousseff é apenas uma consequência do populismo petista, cuja origem está no próprio Nordeste. É curioso que, dentro deste sistema político que nasceu na base sindical paulista, já não está presente, como antes, naquele estado. Assim como mudou a concepção da presidente que, na sua juventude, se lançou à luta armada (embora não se tenha notícia de que ela tenha praticado) em defesa da liberdade dos brasileiros que estavam aprisionados por uma ditadura insana, que utilizava  de práticas desumanas, como a tortura, para se manter no poder.

Esta é a realidade do País, o que não significa, naturalmente, que Dilma deva ser sacrificada na eleição. Não é por aí. Ganhe quem ganhar, ela ou Aécio, o Brasil continuará o mesmo de sempre. É uma marca do subdesenvolvimento que engloba todo o Nordeste, especialmente a Bahia por ser o maior estado da região. O País é marcado por manchas regionais, algumas ricas – como o Sudeste, que avança  na direção do Centro-Oeste, - e outra pobres e carentes e, aí, inclui-se o Norte.

O fato, em retorno à origem deste texto, é que estamos a quatro dias das eleições. Há o que festejar, sim, porque este domingo, embora com todos os problemas, o País ascendeu a um patamar democrático, da liberdade dos seus cidadãos, com exceção das imensas manchas da pobreza, que ainda está aprisionada à troca da alimentação pelo voto, enfim pela ausência de trabalho. Quando há oferecimento do trabalho pagam-se salários vis e extorsivos que, para muitos, é melhor não trabalhar. Prefere-se viver na dependência do Bolsa Família.

Já nos anos 50 do século passado Luiz Gonzaga chorava a tristeza sertaneja na sua sanfona: “Mas meu Deus uma esmola/para um homem que é são/ ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão”. Ainda continua assim.


* Coluna publicada originalmente na edição desta quinta-feira (23) do jornal A Tarde


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Terça, 21 de Outubro de 2014 - 07:45

Coluna A Tarde: Entre o óleo e a fumaça

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: Entre o óleo e a fumaça
Dilma e Aécio comportaram-se relativamente bem, no debate do domingo, na Record. Estocadas esparsas. O que está a acontecer nestes debates é uma estranha mudança em termos de confronto de idéias entre os dois candidatos à Presidência. Dilma, principalmente, prefere e sente-se melhor retrocedendo ao passado para chegar ao dia 1º de janeiro de 1995, quando Fernando Henrique foi empossado na Presidência. Constantemente, ela retorna aos anos  90, deixando de lado o confronto entre ela e Aécio.

Leva a transparecer que, pelo menos, ela quer discutir o que aconteceu nos últimos 20 anos da democracia brasileira. Grande parte dos eleitores, os que têm menos de 30 anos, não se interessam  em conhecer o que se passava na política brasileira durante a sua infância. Observa-se um fato curioso. Quando FHC tomou posse, o Brasil apenas elegera o primeiro presidente, democraticamente, cinco anos antes. Tancredo fora eleito indiretamente pelo colégio eleitoral instituído pela ditadura, e morreu antes da posse, abrindo vaga para Sarney. O primeiro, eleito, por conseguinte, foi Fernando Collor que caiu por força de um impeachment, exatamente em consequência da corrupção no seu governo, que depois seria absolvido pelo STF.

Em sequência, seguiu-se Itamar Franco, que teria FHC como ministro da Fazenda, a quem coube derrubar a inflação com o Plano Real. No entanto, volta e meia o debate resvala para 20 anos no passado de sorte a atingir FHC, que nada tem a ver com 2014. De tal modo que, em dado momento do debate, Rousseff, dirigindo-se ao seu interlocutor, largou um “no seu governo”,  ao que Aécio, com ironia, respondeu: “você está equivocada, eu nunca fui presidente”.

O que transparece com nitidez é que, ao invés de dois candidatos, litigam pelo poder dois partidos políticos, o PSDB, que passou oito anos no poder, e o PT, que fecha no final de dezembro 12 anos e tenta mais quatro. É provável que  a razão da baixíssima qualidade dos debates esteja no desejo de alcançar a população com menor nível de escolaridade. Mesmo assim não parece bater com exatidão. Porque utilizam – e não há como fugir –  certos termos incompreensíveis para o povão, mas inerentes à política. Seguramente, as pessoas com menor escolaridade ficam alheias e não entendem as  expressões utilizadas pelos candidatos.

Mesmo nos confrontos de baixa qualidade (baixaria, quero dizer) a classe com menor nível de alfabetização talvez não compreenda ao certo, porque as estocadas ferinas sãos entendidas apenas pelos escolarizados. A camada da baixa renda absorve apenas quando a questão está em torno do bolsa família. Levando-se em consideração a Bahia, neste caso o entendimento que alcança são os poucos escolarizados, quase analfabetos, numa multidão de 15 milhões de habitantes. Esta faixa entende perfeitamente este beneficio, que começou no governo FHC e ganhou grande impulso, já com o nome de bolsa família, no governo Lula.

Aliás, há que se tomar cuidado porque o benefício pode acabar corroído pela inflação, que ataca, principalmente, a classe média, média-baixa e baixa, assim como o desemprego que costuma acompanhar esta época de crise econômica, como se observa.

Estamos na última semana da campanha eleitoral. Demorou – culpa do calendário - mas estamos na reta final que acontecerá no próximo domingo, ou seja, excetuando esta terça-feira, mais cinco dias e, aí, comemorarão os dilmistas, se ela foi eleita, ou os aecistas, se houver um rompimento do ciclo petista do poder no País. Dois meses depois teremos um novo governo. Seja quem for eleito, espera-se um período melhor e mais limpo do que este, onde a Petrobras quase desaparece na fumaça com tamanha corrupção que, estranhamente, ocorria em todos os cargos de diretoria da estatal, com a participação (suposta) de três dezenas de políticos (se não for mais). Curioso ou mentiroso é que ninguém sabia de nada do que se passava entre o óleo e a fumaça.


* Coluna publicada originalmente na edição desta terça-feira (20) do jornal A Tarde


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Domingo, 19 de Outubro de 2014 - 07:32

Coluna A Tarde: O feitiço contra o feiticeiro

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: O feitiço contra o feiticeiro
O processo de desconstrução da imagem de candidaturas, tal como aconteceu com Marina Silva, que aceitou, impávida, por não dispor de tempo para contestar no primeiro turno, não combina com Aécio Neves que dispõe do mesmo tempo em televisão, rádio, e nos debates de Dilma Rousseff, favorecendo dar-lhe o troco. Aconteceu o que se viu no confronto entre os dois candidatos no SBT, na última quinta-feira. O debate saiu do controle; o nível desceu ao inferno e acabou Dilma sofrendo as consequências. Seus marqueteiros estão indo a situações que não condizem com uma campanha presidencial. Se deu certo com Marina, que acabou fora do segundo turno, falhou, e feio, com Aécio Neves.

O debate da SBT é um evidente sinal de que, se o nível continuar da forma como está, o eleitor perde o que quer ouvir – programas de governo – e passa a assistir a uma luta livre entre os candidatos, o que definitiva e seguramente não é o que se quer. Ou muda tal estilo ou pode acontecer o que se verificou no último confronto quando Dilma, entrevistada sobre o debate que acabara de acontecer, ficou alheia à pergunta, misturou palavras sem nexo, esqueceu o que teria que responder, passeou no mundo da lua, brincou com duendes, e se disse com pressão baixa que logo se recuperou.

Foi consequência da tensão que estremeceu o debate ao atacar a partir do que lhe mandavam os marqueteiros. A presidente, nem o seu grupo de retaguarda levou em conta que o adversário era Aécio, e não a pacífica e plácida Marina, desacostumada com tal nível de conduzir a política. O resultado foi que Marina desceu a ladeira e acabou por perder o segundo turno, passando-o para Aécio, ora seu aliado, assim como o grupo de familiares de Eduardo Campos em Pernambuco.

Outro erro é Dilma insistir com Minas Gerais onde ela ganhou no primeiro turno, mas agora parece óbvia que o tucano ganhará no seu estado. Outro erro de marquetagem. Entre Dilma e Aécio bem provavelmente os mineiros preferirão Aécio, embora a candidata petista tenha nascido lá, mas logo saiu, perseguida, e não retornou mais ao estado, enquanto Aécio fez toda a sua carreira política em Minas. Insistir com Minas Gerais é um erro da petista. Ela está indo além do que deveria e abre espaços mais amplos para o tucano.

Nunca, em tempo algum, os brasileiros assistiram a um debate de nível tão baixo quanto este, que arrepia quem assiste. Uns gostam  do litígio e outros se encrespam.

Nos debates, muitas perguntas passaram ao largo sem respostas, especialmente o escândalo da Petrobrás que atinge, em cheio. o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto.

O último confronto, o de sexta-feira (24) na Globo, ou será ameno, diante do acontecido, ou elevará o clima ao máximo. Há aí, uma grande expectativa sobre o que se verificará porque, o do SBT, não há dúvida que Aécio esteve muito acima do desempenho de Dilma, a tal ponto, que, supõe-se, a sua pressão teria caído porque, na entrevista, ela misturou palavras desconexas, deu um branco sem saber sobre o que lhe foi perguntado e terminou tomando água com açúcar. Pelo menos adoçou a boca. Não deve ter tido um sonho suave, nem sonhou com anjos. Talvez com diabinhos.


* Coluna publicada originalmente na edição deste domingo (19) do jornal A Tarde


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Quinta, 16 de Outubro de 2014 - 08:59

Uma campanha que espanta

por Samuel Celestino

Creio que estamos diante do processo sucessório presidencial mais intrigante que se tem notícia, excetuando-se o período da República Velha, em que a eleição era diferenciada porque se votava a bico de pena. A campanha eleitoral brasileira é marcada pela morte de um candidato, pela substituição por Marina da Silva, pelo processo de desconstrução da sua candidatura a partir de procedimentos inadequados e incivilizados, senão repelentes, pela queda progressiva de Marina até cair na véspera do primeiro turno, dando lugar a Aécio Neves. Na sequência, o tucano passou a liderança numérica da eleição, mas em empate técnico com Dilma Rousseff. É de se esperar que novas surpresas aconteçam porque, por mais incrível que possa parecer, nas duas últimas semanas as pesquisas dos dois institutos mais credenciados, o Ibope e o Datafolha, apresentaram resultados de percentuais idênticos para Aécio Neves e Dilma, com o primeiro mantendo-se na liderança com dois pontos percentuais à frente. É difícil que isso se repita, ainda mais quando, à margem da campanha, surgem escândalos que enrubesceriam um frade de padre, a partir da Petrobrás, com a participação de partidos políticos e “agentes públicos”, cujos nomes ainda não chegaram à luz. Isto leva o escândalo a transferir-se para 2015, quando todos os nomes serão do conhecimento público, presume-se, e certamente haverá processos que irão além, muito além do mensalão que, diante da petroleira estatal, passa a parecer um nada. De tal modo que os mensaleiros presos no ano passado pouco a pouco estão saindo da penitenciária da Papuda, como se estivessem passando apenas umas férias diferentes. O fato é que a campanha presidencial deste ano espanta pela riqueza de fatos, pelas estranhas repetições de percentuais sem que haja mudança de atores. É tão estranho que o processo eleitoral para Presidência da República aconteça em sobressaltos como se estivesse a colocar em teste as condições cardíacas dos candidatos.

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Quinta, 16 de Outubro de 2014 - 07:55

Coluna A Tarde: O dilema da Bahia

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: O dilema da Bahia
O governador eleito Rui Costa ainda não teve tempo de comemorar a eleição em primeiro turno. Está empenhado na eleição de Dilma Rousseff. A oposição de certo modo também não teve tempo para lágrimas e velas, porque trabalha na campanha de Aécio Neves na Bahia, na expectativa de não permitir que a presidente dispare, vencendo o pleito com uma enxurrada de votos que chegarão da zona rural baiana. Como a Bahia é um estado atrasado e carente, dependerá, como sempre, do governo federal. É nessa questão que Rui se apega porque irá necessitar de ajuda. O estado, por ser grande, com 15 milhões de habitantes, não gera receita para satisfazer a maioria das necessidades de que é carente.

Embora o prefeito de Salvador, ACM Neto, alegue que esteja a realizar obras com recursos oriundos para própria prefeitura, não dá para sustentar a capital porque não se tira leite de pedra. A capital baiana é essencialmente uma cidade que se vale do setor de serviços. O setor industrial daqui passou distante, como, de resto do estado de forma geral. Afora o pólo de Camaçari, nada mais resta a não ser indústrias esparsas, perdidas pelo interior, na medida em que o pólo calçadista que garantia um bom número de empregos desapareceu do estado.

Assim, Rui depende da eleição de Dilma Rousseff e ACM Neto e o agrupamento oposicionista da eleição de Aécio Neves. Esta República sempre foi torta. O governo da união distingue com mais recursos os seus parceiros políticos. Assim é que o governador eleito em primeiro turno ainda não passou a cuidar da formação da sua equipe, nem tem pressa.

Espera-se que prime pela meritocracia e não usar secretarias para acomodar integrantes do PT. Porque isso Jaques Wagner já fez e acabou governando com meia dúzia delas. Ao resto obsequiou o secretário com um gabinete, funcionários e um carro chapa preta, apenas para manter as aparências do poder. Inflacionou o estado com secretarias desnecessárias. A Copa do Mundo foi embora sem deixar saudade, mas, por aqui, ainda cambaleia uma Secopa (secretaria da Copa). Para quê? Perguntem ao bispo.

Assim se ajeitam os estados que não têm as responsabilidades do desenvolvimento como ocorre no Sul/Sudeste. Por essas bandas é preciso reduzir a miséria (o bolsa família apenas impede não morrer de fome) posto que plantar indústrias é assunto morto. Tão cedo não chegarão por aqui enquanto a economia estiver em crise e o setor industrial  - do Brasil - descendo a ladeira, desempregando e perdendo as oportunidades que transformaram este País em emergente. Mas isto foi na década passada, porque a “marolinha” de Lula acabou por chegar em forma de crise, derrubando empregos e o sonho desenvolvimentista que acalentou a perspectiva de levar o Brasil a outro patamar que não este que ora se observa.


* Coluna publicada originalmente na edição desta quinta-feira (16) do jornal A Tarde.


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Quinta, 16 de Outubro de 2014 - 07:45

Debate nervoso

por Samuel Celestino

Debate nervoso
Foto: Reprodução
O primeiro debate entre Dilma e Aécio neste segundo turno, da Rede Bandeirantes, inaugurando o ciclo de quatro confrontos, foi marcado pela repetição, com explicações idênticas, sobre os mesmos assuntos dos encontros em primeiro turno, com algumas exceções. A primeira delas por se tratar de um tête-à-tête apenas entre dois candidatos, sem a obrigação de fazê-lo com candidatos que pouco tinham a dizer como ocorreu no primeiro turno. Só este fato valeu a pena. Fora daí, como não se podem inventar fatos, houve evidentemente repetições, alguns, no entanto, marcados –embora já esperados - pela tensão dos candidatos, como foi o caso do escândalo da Petrobras, sobre o qual a presidente não tinha respostas, senão passar ao largo, porque no centro dele, estão o PT e diretores da estatal nomeados no governo Lula. Ela recorreu à saída pela tangente ao dizer que ela demitiu Paulo Roberto Costa (no segundo ano do seu governo) deixando, portanto, a carga do”malfeito” sobre o governo do seu padrinho, Lula. Aécio recebeu de igual modo, cipoadas, mas de uma forma ou de outra todas as perguntas feitas pelos contendores primavam pela mesmice. Enrolou-se, é certo, com o aeroporto do tio-avô e o nepotismo familiar. Se os candidatos tinham ou têm munição nova, creio que ambos guardaram para o último debate, o da Globo, que ocorrerá na sexta-feira antes das eleições. Este define. Os demais serão esquecidos e perderão o encanto. Houve, entretanto, um visível nervosismo. Dilma tensa e de cara amarrada como se esperasse uma bomba atômica cair sobre ela. Aécio perdeu a verve que normalmente exibe na campanha que realiza. Debate chato.

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Terça, 14 de Outubro de 2014 - 09:40

Lula se distancia de Dilma

por Samuel Celestino

Lula se distancia de Dilma
Foto: Ricardo Stuckert/ Instituto Lula
Há muito ruido e reclamações dos dilmistas sobre o desaparecimento de Lula que, a última vez que se encontrou com Dilma Rousseff foi no dia 3 de outubro, portanto antes do primeiro turno. Ninguém entende o que acontece. Os petistas reclamam porque a presidente está, como nunca, necessitando da sua presença. Os lulistas rebatem e dizem que não há contato de Dilma com ele, que apenas aguarda um chamado. Ontem, segunda-feira, Lula apareceu na propaganda da tevê, mas sua imagem teria sido gravada ainda no primeiro turno. O problema é que enquanto Aécio Neves avança, com apoios que se somam, principalmente de Marina, do PSB e da família Campos, em Recife. A presidente está em dificuldades com o envolvimento do PT no escândalo da Petrobras. Segundo Roberto Jefferson (que denunciou o mensalão) “é a continuação do esquema antigo” e assim e por ora a presidente só tem ao seu lado os marqueteiros que fazem a campanha por ela. Faltam 12 dias para as eleições e Lula escafedeu-se, desapareceu de cena.

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Terça, 14 de Outubro de 2014 - 07:45

Coluna A Tarde: A República dos insensatos

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: A República dos insensatos
Estamos a assistir a uma forte probabilidade de mudança política no País, com o estabelecimento de um ponto final no ciclo do PT, após 12 anos, na Presidência da República. Nada que seja, por ora, uma verdade.  Os sinais, no entanto estão apontando nesta direção, inclusive nas pesquisas eleitorais. Aécio Neves, representando o PSDB, está a reunir um número importante de partidos políticos, a começar pelo PSB, o apoio e o voto de Marina Silva e dos seus marineiros, enquanto Dilma Rousseff não conseguiu apoios até aqui.

Mais ainda. A presidente enfrenta um escândalo monumental que envolve e explode sobre no centro do seu partido, o PT. Mais uma vez com a participação dos seus aliados, o PMDB e o PT. Talvez seja – e certamente é – o maior escândalo sobre corrupção que se tem notícia na história republicana, supostamente com a distribuição de vultosas propinas pelas construtoras mais importantes do País para os representantes das três legendas. 

No turbilhão das denúncias, que estaria tão somente no início porque ainda não foram citados os ditos “agentes públicos”, ou seja, os políticos, por imposição dos acordos firmados para  sustentar a delação premiada. Volta a aparecer em cena, tal como no mensalão, a presença do tesoureiro-geral do PT, cargo agora ocupado por João Vaccari Neto, por suposição outro na fila para um espaço na Papuda. Mais ainda: segundo o colunista Lauro Jardim, de Veja, “pelo menos um dos executivos da empreiteira Camargo Correria, implicado na Lava-Jato, já está negociando uma delação premiada.”

Significa, se houver fundamento, que este escândalo tem muito ainda o que ser revelado, o que é possível ocorrer depois da eleição em segundo turno, quando o futuro presidente já será conhecido, seja Dilma Rousseff ou Aécio Neves. Como os dois candidatos afirmam que haverá a punição dos corruptos, seja lá quem for, embora a punição caiba não ao Executivo, mas sim ao Judiciário, acende-se uma luz de combate intenso à corrupção, um dos grandes destaques desta República tropical, com grande repercussão no exterior.

Até aqui e por ora, a grande vítima é a maior estatal brasileira, e os algozes, como sempre, os políticos e seus partidos, neste caso o PT, o PMDB e o PP. É no que dá o aparelhamento do estado brasileiro com o fatiamento do poder com partidos e seus políticos indecentes. Como sempre, são as raposas ou ladrões mesmo. Pouco a pouco, vazam nomes de tais políticos, principalmente no circuito Brasília-São Paulo, mas não há certeza em função do sigilo, se os nomes estão ou não corretos, se são ou não de corruptos envolvidos no saque à estatal petroleira.

Não se sabe sequer aonde chegarão tais denúncias, mas há probabilidade que atinja toda a cúpula (diretoria) da Petrobras, porque difícil seria que se praticassem esquemas de corrupção em pelo menos três diretorias e as demais estivessem no mundo da lua sem saber o que acontecia às barbas dos dirigentes. Até aqui nenhum se manifestou e não se manifestará por saber que a qualquer momento poderão chegar à luz novos nomes, até por decisão do juiz Sérgio Moro ou de entidades que estão à frente decifrando o escândalo. Mais cedo ou mais tarde os nomes emergirão até por denúncia do ex-diretor Paulo Roberto Costa ou do doleiro Alberto Youssef.

O fato é que em menos de 15 dias teremos a eleição em segundo turno, sem se saber o que até lá acontecerá e o que as urnas dirão para Dilma Rousseff ou Aécio Neves. Seja como for, eleito um ou outro, imagina-se que este País mudará. Como está é impossível que permaneça porque, basicamente, está no chão, seja em relação aos escândalos seja em consequência de uma economia desordenada que nos leva a ser, neste quesito, o pior país deste continente.


* Coluna publicada originalmente na edição desta terça-feira (14) do jornal A Tarde


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Domingo, 12 de Outubro de 2014 - 07:45

Coluna A Tarde: Efeitos do escândalo

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: Efeitos do escândalo
As consequências da Operação Lava Jato, que vitimizou a Petrobras, demonstram que a petroleira brasileira estava, se ainda não estiver, infiltrada pela corrupção no mais alto grau. Envolve a participação, por ora, de três diretores nomeados pelo governo, na época de Lula presidente, e por agentes públicos (políticos) que desfalcaram a maior empresa brasileira. A superfaturação dos contratos teria atingido, com o complô de grandes construtoras, cerca de R$ 10 bilhões. 

São tantos os corruptos denunciados pelo ex-diretor Paulo Roberto Costa, confirmados pelo doleiro Alberto Youssef, que seria impossível que o governo da República de nada soubesse sobre o acontecido, como afirmara Dilma Rousseff. Afinal, boa parte do roubo foi utilizada para cevar a campanha eleitoral de 2010, conforme relataram. De mais a mais, um governante não poderia ter os olhos vedados, indiferente ao que acontecia na maior empresa brasileira, símbolo do nacionalismo em outra época do século passado. 

A infiltração da vilania na Petrobras resultou em imensos prejuízos para a estatal, aviltando as suas ações. O grande esquema, talvez o maior da República em todos os tempos, chegou à luz e poderá ter repercussão neste final de campanha eleitoral para a Presidência. Não significa dizer que tenha porque, como ocorre em relação aos círculos concêntricos, a pedra que se lança ao lago necessita de tempo para que seus efeitos cheguem à margem.

Principalmente no Nordeste que se distancia dos acontecimentos do dia-a-dia do País, consequência do desprezo a ele destinado por séculos, à falta de informação, à pobreza e ao desleixo republicano. De tal sorte que os nordestinos passaram a ser discriminados, como no momento ocorre de forma vil. O Nordeste foi e é uma região que mais participou do processo de enriquecimento de estados do sudoeste, como é exemplo São Paulo, além de ter erigido Brasília pelas mãos de seus operários, na época de JK.

As delações claras do ex-diretor Paulo Roberto Costa e do doleiro Youssef não têm volta. O que é do conhecimento de ambos apenas começou a aflorar. É de se esperar, consequentemente, que os chamados “agentes políticos” que atuaram na roubalheira, tenham respostas na próxima legislatura,respondendo a processos e condenados, na medida em que seus nomes cheguem ao conhecimento público. Não se trata de um mero mensalão, vai além, muito mais, de tal sorte que se espera que seja toda a nação contra tais bandidos.

Comparado com o escândalo da Petrobras, o mensalão, com origem também no governo petista, passa a ser uma peça de corrupção menor. O caminho, porém, foi aberto a partir da condenação de réus que, antes, se sentiam protegidos pelo manto do poder. Se o escândalo de agora chegar ao seu final, com provas consistentes que já estariam sobre a posse do Ministério Público, da Polícia Federal, e do juiz Sérgio Moro, haverá, espera-se, uma devassa como nunca houve na República.
    
Há informações não confirmadas que agentes públicos baianos também surgirão no desenrolar as investigações. Um deles, já carimbado, é Luiz Argôlo, que deverá responder a processo porque o doleiro Alberto Youssef de quem era amigo, o envolveu, supostamente com provas. Argôlo, cínico, tentou se reeleger para continuar com imunidade parlamentar. Felizmente perdeu.

Em relação ao segundo turno presidencial, como o tempo é curto até a eleição no próximo dia 26, não se sabe, nem se deve supor, que Dilma Rousseff será atingida, pela presunção da sua inocência ao dizer que de nada sabia. Pelo menos no Sul/Sudeste os efeitos do escândalo já estão presentes por ser a parte do País com eleitorado mais esclarecido, portanto antenado aos acontecimentos.


* Coluna publicada originalmente na edição deste domingo (12) do jornal A Tarde


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Quinta, 09 de Outubro de 2014 - 14:11

Escândalo da Petrobras explode no PT

por Samuel Celestino

O escândalo da Petrobras acabou por explodir sobre o PT de acordo com revelações do ex-diretor da petroleira, Paulo Roberto da Costa e do doleiro Alberto Youssef. Ambos depõem e entregam o que têm conhecimento em troca da delação premiada, que diminui as penas de ambos em processo criminal. Paulo Roberto disse que o PT financiou a campanha eleitoral de 2010 em parte com dinheiro da Petrobras, recolhido pelo secretário-geral do partido, Vaccari Neto, informação confirmada pelo doleiro. O PT recebia 2% dos contratos firmados com a Petrobras e valores também financiaram as campanhas do PMDB e do PP, ambos partidos aliados do PT. Até o início da tarde de hoje nenhum dos partidos quis se pronunciar a respeito. A delação é uma bomba que explode em momento inoportuno, já que o segundo turno da eleição presidencial ocorre no próximo dia 26 e, bem provavelmente, ocasionará um terremoto na candidatura da presidente Dilma Rousseff, que dissera que não sabia de nada do que ocorria em relação ao escândalo da petroleira. Um auxiliar de José Dirceu, que estaria realizando operações com o conhecimento dele, também participara do esquema. Os delatores denunciaram, ainda, mais dois diretores da estatal que, de igual modo, participavam do esquema de corrupção.

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Quinta, 09 de Outubro de 2014 - 09:06

Eliana apoia Aécio na Bahia

por Samuel Celestino

A candidata derrotada ao Senado pela Bahia, Eliana Calmon, que hoje é um nome nacional, decidiu apoiar a candidatura Aécio Neves à  Presidência da República. Portanto, diverge de Lídice da Mata, que embora do PSB e com viés à esquerda (já nem tanto), se decidiu por Dilma Rousseff. Eliana esteve em Brasília com Aécio Neves e com Fernando Henrique Cardoso em conversa na qual declarou o seu apoio ao tucano. A votação por ela recebida na Bahia foi maior do que  presumiam os institutos de pesquisa. Como é um nome nacional, a magistrada baiana, segundo os especialistas, tem um potencial de votos no País em torno de 10 milhões, embora não signifique que este número demonstre uma realidade. Assim, a ex-candidata ao Senado poderá dar um apoio significativo a Aécio Neves, tanto na Bahia como em outros estados onde tem uma imagem positiva.

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Quinta, 09 de Outubro de 2014 - 07:45

Coluna A Tarde: Mudanças: sim ou não?

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: Mudanças: sim ou não?
Se será, ou não, significativo o apoio do PSB e da Rede - partido criado por Marina em estágio de consolidação -  a Aécio Neves de sorte a levá-lo à presidência da República, ainda é difícil dizer. A importância do apoio para o tucano é, porém, inquestionável. Daí a evolução em torno das negociações, acompanhadas pela mídia, e iniciadas logo após o tucano surpreender no primeiro turno com um resultado inesperado (pela proximidade com Dilma) para se colocar, e bem, na disputa do segundo turno. O apoio virá nesta quinta-feira. Não há outra saída para o PSB, senão Aécio. Assim também avançam os partidos que formaram em torno do apoio a Marina Silva em primeiro turno. Aqui na Bahia, o PSB deve divergir. Lídice da Mata deverá apoiar Dilma, a não ser que declare em contrário.

Deixando à margem a desqualificação, ou desconstrução, da candidatura de Marina pelo PT, o agrupamento dela está muitíssimo mais próximo do PSDB do que das posições petistas. Ambos realizaram uma campanha marcadamente de mudança. Ambos apresentaram propostas semelhantes, embora, em alguns setores, divergentes. Não tanto. O PT e Dilma Rousseff não demonstraram, de domingo para hoje, dia de reinício da campanha eleitoral em segundo turno, maiores preocupações. Até porque seria perda de tempo. O que tinham a fazer fizeram. Aconteceu na terça-feira, ao reunir governadores no Palácio do Alvorada para traçar os rumos desta nova eleição.

Nesta reunião, quem mais se sentiu à vontade foi o governador Jaques Wagner, ao lado de Rui Costa. A vitória obtida por ele para Dilma na Bahia, embora o estado seja petista em consequência da pobreza que se observa na longa extensão territorial do semiárido, onde estão sete milhões de baianos. Sobrevivem, em parte, à custa do programa bolsa família. Esta realidade foi determinante, mas não apenas no semiárido. Afinal, na Bahia Dilma somente perdeu no município de Buerarema, em consequência do conflito entre indígenas e fazendeiros, por questões de terra.

O governador Wagner e o eleito, Rui, informam que irão dedicar o restante deste mês para voltar ao interior em nova rodada de campanha, para aumentar a quantidade de votos da presidente no estado. Certamente conseguirão, até porque Dilma irá começar a sua campanha pelo Nordeste para reforçar a sua votação, embora possa ter algumas surpresas, como em Pernambuco, onde Marina ficou à frente dos votos que, provavelmente, se direcionem neste segundo turno para Aécio.

Como a Bahia já decidiu o seu futuro próximo, as atenções se voltam exclusivamente para as negociações entre o PSB e o PSDB, que serão fechadas nesta quinta-feira. O apoio parece fato consumado. O importante passa a ser o que negociarão em torno de projetos para o País, mesclando os interesses nacionais dos dois partidos, a começar pelo fim da reeleição, que não deu certo no Brasil diante de tantos partidos políticos que se engalfinhados em torno de interesses. Exemplo maior é a presença do PT já por 12 anos no poder, que poderão ser 16 se Dilma Rousseff ganhar o segundo turno e ficar mais quatro anos no poder.

Para um País de democracia nova, que nasceu com a Constituição de 1988, não dá efetivamente para conceber. Isto vale para países com democracias consolidadas e constituições longevas, como os Estados Unidos, onde o poder oscila entre os Partido Democrata e o Republicano. Sem concessões, a não ser a partir das negociações do Congresso, onde o Legislativo cumpre rigorosamente as suas funções sem que haja, como aqui, a intromissão do Executivo no Legislativo e no Judiciário. A independência entre os três poderes nestas bandas sequer é para “inglês ver” porque, se vir, o inglês não entenderá nada.

Assim, Aécio Neves e Dilma Rousseff já se posicionam para o embate final. Nordeste e Norte de um lado; Sul, Sudeste e Centro-Oeste de outro. Resta esperar para saber, ao final, se haverá mudanças ou tudo ficará exatamente como está.


* Coluna publicada originalmente na edição desta quinta-feira (9) do jornal A Tarde.


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Terça, 07 de Outubro de 2014 - 07:45

Coluna A Tarde: A grande surpresa de Rui

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: A grande surpresa de Rui
A eleição de Rui Costa deu-se com uma incontestável vantagem sobre Paulo Souto, em primeiro turno, obtendo 54,53% dos votos contra 37,39% do ex-governador. Mais uma vez, as pesquisas de opinião pregaram uma peça no eleitorado destas bandas, porque sequer conseguiram mudar os percentuais que apresentaram no dia anterior ao pleito, quando erraram também com um resultado de empate cravado em 36% entre os dois candidatos. Se, no sábado, o eleitorado se surpreendeu, no domingo do voto houve a total desmoralização das pesquisas, que não detectaram a espetacular virada de Rui que, seguramente, pela quantidade de votos que recebeu, não ocorreu no dia da eleição.

Dois meses antes, num almoço, o governador Jaques Wagner dissera-me, quando Rui ainda apresentava resultados na casa de um dígito, abaixo de Lídice, que iria ganhar a eleição em primeiro turno, tal como aconteceu quando se elegeu pela primeira vez em 2006. Para o Senado já havia sinais de que Otto Alencar marchava para se eleger senador pelo estado. A vitória de Wagner com Rui, nome por ele escolhido sem que fossem necessárias consultas, colocou-o numa situação privilegiada, chamando a atenção do País para a sua força político-eleitoral. Afinal, dissera na primeira eleição que seria o governador e repetiu com Rui, levando-o a uma vitória no primeiro turno.

Perdeu Paulo Souto.  Em situação pior, o único Ás de ouro que o ex-governador apresentara na campanha, o prefeito ACM Neto, sofreu uma derrota que, certamente, arranhou o seu prestígio, na medida em que seu nome ainda está distante do conhecimento do eleitorado interiorano. Pior. Foi, também, derrotado por Rui Costa em Salvador. São as surpresas da campanha, não tanto quanto os erros das pesquisas. Lembram até o dito dos velhos políticos. Ensinavam eles que resultado de eleição e barriga de mulher só depois da apuração. Ou coisa assim. A moderna tecnologia desfez o dito que se tornou popular, mas não na Bahia. Aqui assim continua, para eleições. Não para a barriga da mulher. Neste caso conhece-se o sexo do filhote três meses depois de iniciada a gestação.

Houve algumas surpresas no País, entre as quais no Rio Grande do Sul, onde Tarso Genro, que liderava, caiu abrindo espaço para o segundo turno. Ficou em primeiro o candidato que estava distanciado em terceiro lugar. Em relação ao País, uma grande virada aconteceu, embora esperada por Aécio Neves (só por ele), que, incansável, não entregou os pontos quando Marina Silva se distanciou e, muito, ao ultrapassá-lo e deixando-o com 10% das intenções de votos nas pesquisas. 

Finda a comoção nacional com a morte de Eduardo Campos, com apenas dois minutos para usar na propaganda eleitoral, a candidatura de Marina foi desconstruída por Dilma Rousseff. Enquanto isso, pouco a pouco Aécio ascendia até ultrapassá-la na véspera do pleito e deu um pulo maior no domingo chegando muito próximo à posição de Dilma Rousseff. O resultado, de certo modo, também surpreende, mas nem tanto. Determinará um eletrizante segundo turno. Dilma terá vantagens expressivas no Nordeste, mas dificuldade acentuada em São Paulo, como ficou claro na eleição em primeiro turno, com Aécio liderando. 

O mineiro poderá, ainda, com a ajuda de Alckmin, que venceu em primeiro turno, arrebatar os votos recolhidos por Marina, o que é possível acontecer ainda no Rio de Janeiro, e virar Minas Gerais, onde perdeu por pouco para a presidente. Neste caso, passa a ser uma obrigação de Neves vencer por ser mineiro e duas vezes governador do estado.

O que acontecerá é impossível prever, mas é certo que Aécio ficará sem teto na Bahia, quarto colégio eleitoral do País, e com dificuldades em toda a região nordestina, reduto do petismo. Terá que vencer bem no Sul/Sudeste e, também, no Centro Oeste. Deste modo, o espetáculo ainda não terminou. Alegrou e surpreendeu no primeiro turno e sinaliza para acontecimentos eletrizantes no final do segundo turno. 

Para os eleitores baianos, com o governo já definido, a festa será nacional. Em torno da eleição presidencial quando tudo poderá acontecer.


* Coluna publicada originalmente nesta terça-feira (7) do jornal A Tarde


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Segunda, 06 de Outubro de 2014 - 09:59

O Congresso na berlinda

por Samuel Celestino

O Congresso na berlinda
Foto: Rodolfo Stuckert/ Agência Câmara
Por alguma razão, por mais que se esperasse que o Congresso Nacional fosse renovado para melhor, o que se observa é a ausência de sinais neste sentido. É natural que seja necessário aguardar os trabalhos do próximo Congresso para se chegar a uma conclusão sobre esta assertiva. Os eleitos é que, à primeira vista, a resposta é negativa. A renovação dos quadros parlamentares não foi maior do que o esperado, pelo contrário. Velhos políticos estão de volta. Mas se observa algumas renovações, principalmente do sexo feminino no Senado, assim como a eleição de José Serra. Serão senadores que poderão ser marcantes. Quanto à Câmara dos Deputados, em princípio não há o que festejar. Deve-se esperar, também. Há novidades a festejar, como a queda dos Sarney no Maranhão, acabando a oligarquia de 50 anos no estado. O PMDB, que é um partido acostumado a manejar o poder, cresceu, enquanto o PT sofreu uma baixa razoável no Legislativo. Cresceu o PSDB, pela força dos votos obtidos por Aécio em São Paulo e, de resto, no Brasil. De certo modo, com os escândalos que afloram como o da Petrobras, o da Operação Lava a Jato, que poderá render novidade neste mês ou, quando muito, antes do final do ano, os parlamentares poderão ficar com as orelhas em pé. Pelo entendimento de que o Brasil está numa guerra contra a corrupção. Será difícil, então, meter a mão no cofre.

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Segunda, 06 de Outubro de 2014 - 09:21

Rui, uma vitória nacional

por Samuel Celestino

Rui, uma vitória nacional
Foto: Rui Costa/Twitter

O PT parte para 12 anos no comando do governo baiano, com direito a mais quatro, se não houver mudanças na legislação, como se imagina, a partir das reformas política e eleitoral e, ainda, a reforma tributária. Rui Costa foi, seguramente, a maior surpresa do País neste pleito, aumentando, em muito, a competência político-eleitoral de Jaques Wagner, que há dois meses já dizia, em conversa reservada, que elegeria Rui em primeiro turno. Uma escolha exclusivamente dele, preferindo um companheiro que o acompanha desde quando exerceu a presidência do Sindiquímica. Rui Costa passa, então, a dividir com o governador de agora o mérito da grande vitória eleitoral. Cada um cumpriu a sua tarefa. O governador, eleito em primeiro turno, entrou em todos os debates preparadíssimos e foi destaque em, praticamente, todos. É certo que as pesquisas não conseguem acertar quando mensuram as informações político-eleitorais baianas. Desmoralizam em todas. Esta, mais do que a vitória de Wagner em 2006. Porque somente anunciou um empate cravado em 36 pontos entre ele e Souto no sábado. O que ficou evidenciado no resultado da eleição foi que Rui estava muitíssimo distanciado de Paulo Souto, marcando 54,53% contra 37,39%. Uma distância surpreendente que ofereceu ao novo governador eleito em primeiro turno uma virada inimaginada pelas pesquisas de opinião, que transformaram a Bahia em campo de treino para os seus blefes e erros. Wagner escolheu Rui em solitário, sem consultas. Não errou. Muitas vezes repetiu que o eleito estava pronto para governar a Bahia. Do novo comandante a partir de primeiro de janeiro, os baianos esperam muito, a começar por um secretariado competente. O estado tem um governador jovem, com 51 anos. A ele então o sucesso que os baianos esperam.


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Publicado no jornal A Tarde em 25 de novembro de 1982 - O que será do PMDB baiano?

Não era o líder oposicionista de Feira quem estava, na segunda-feira última, na casa de Roberto Santos. O deputado Francisco Pinto estava lá, sobretudo, como secretário nacional do PMDB e sua missão, mais do que discutir o resultado das eleições, era sentir o ânimo do candidato Roberto Santos, que já não tinha qualquer esperança de uma mudança no quadro das apurações. Mário Kertész havia chegado pouco antes e, embora triste, não estava abatido.

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