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Curtas do Poder

Curtas do poder

Descobri um fato importante que os jornalistas da capital estão penando pra descobrir há muito tempo: o motivo de Marcelo Nilo não divulgar em seu DataNilo, também conhecido como Babesp, pesquisas da corrida ao Senado. Nem o velho Samuca teve essa sacada, mas eu adianto. Tudo tem a ver com uma rusga que ele tem com Dotô Otto. O candidato governista está crescendo, mas como seus correligionários invadiram antigos redutos de Nilo, o presidente da Assembleia se chateou e decidiu não divulgar o up nos números do amigo em seu instituto. Também pouco importa, pois o DataNilo não é dotado de grande credibilidade mesmo. Ah, vou aqui mandar um recado pra os propagandistas de Souto e Rui. Ô seu Pascoal e seu Sidônio, o Bahia Notícias não é brog, é um portal. Parece que o jornalista de Pascoal, que era um pedaço de cavalo, já aprendeu isso. Virou uma seda de uma hora pra outra. Confira as Curtas e venenosas do poder!

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Otto Alencar, candidato ao Senado pelo PSD, em vídeo espalhado pelo WhatsApp.

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Jorge Almeida é professor de Ciência Política e doutor em Comunicação e Cultura Contemporânea pela Universidade Federal da Bahia (Ufba). Em entrevista ao Bahia Notícias, ele fala sobre o impacto dos denuncismos e das manifestações de junho de 2013 nas campanhas eleitorais deste ano e analisa como a morte do ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos, mudou os rumos da campanha presidencial. Para Almeida, o crescimento do PSB nas pesquisas não representa uma quebra da polarização PT x PSDB, como tanto anuncia a campanha socialista, mas sim uma disputa de candidaturas que pouco mostram os projetos para questões essenciais. “O grosso das divergências que aparecem são muito mais de ordem de um debate sobre competência pessoal, capacidade gerencial, honestidade, ética... E você não vê aparecendo projetos claros, definidos”, avalia. Sobre a corrida eleitoral na Bahia, o professor acredita que Lídice da Mata (PSB) não conseguirá capitalizar os votos de Marina Silva, e que o governo de Jaques Wagner foi tão frágil que não conseguiu construir uma marca que alavancasse o candidato petista. “Não é atoa que, após oito anos de governo, a campanha continua sendo feita em torno do time de Lula. O que é incrível, porque depois de quatro anos um governador tem que se apresentar como seu próprio time. [...] Isso mostra um auto reconhecimento de que o governo estadual não tem um prestígio social, político e eleitoral para apostar na sua própria imagem”, conclui.

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Terça, 30 de Setembro de 2014 - 10:14

Debates já não atraem

por Samuel Celestino

A campanha sucessória estadual está em reta de chegada a boa hora. Na verdade, já cansava os eleitores e passou a ser repetitiva para os candidatos, que acabaram por derrubar o conceito dos debates, todos utilizando a velha e batida fórmula, que, por mais que tentassem inovar, envelheceram. Debate se faz a dois, e não da maneira que o Tribunal Superior Eleitoral impõe, embora seja a forma democrática para atender o número de partidos existentes por estas bandas. Esta realidade fica flagrante na medida em que as perguntas de um candidato para o outro, a partir de sorteio, se repetem, assim como as respostas. No debate da TV Aratu da noite de ontem ficou claro esta realidade. Ao responder uma pergunta de Marcos Mendes, Lídice da Mata iniciou a resposta com um “felizmente você não fez a mesma pergunta que sempre faz”. Estaria, se assim fosse, preparada para responder de igual maneira. Como consequência, os confrontos se transformaram numa chatice que leva ao sono. Raríssimas vezes, e assim mesmo com o uso de ironias, eles prendem um pouco, somente um pouco, as atenções do telespectador. Rui Costa, durante as perguntas que lhe eram feitas, anotava uma possível resposta com uma caneta ágil, como se estivesse pronto a responder uma novidade, mas em momento algum utilizou o que teria anotado que certamente teria sido um rabisco qualquer. Enfim, a fórmula destes debates é extenuante e já não prendem a atenção em final de campanha, como ontem acontece e é provável que, na noite de hoje, também aconteça no debate da TV Bahia. Tomara que não.

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Terça, 30 de Setembro de 2014 - 07:55

Coluna A Tarde: Bem, a reta é de chegada

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: Bem, a reta é de chegada
Para os brasileiros que esperam das eleições de domingo mudanças e menos corrupção, esta será, sem dúvida, uma semana nervosa marcada pela incerteza sobre o que estará reservado ao País nos próximos quatro anos. Até quinta feira, último dia da propaganda eleitoral em rádio e tevê, além dos debates entre os candidatos, continuará o confronto entre eles, tanto na campanha presidencial quanto na estadual. E, seguramente, mentiras, muitas mentiras envoltas nas promessas eleitorais.

No domingo último à noite, no debate da Record entre os candidatos presidenciais, ouviu-se Dilma Rousseff dizer que “eu combato a corrupção”. Verdade? Não, mentira. O confronto foi marcando pelos escândalos que evolvem a Petrobras na sua gestão (incluindo a de Lula). De tal maneira a petroleira centralizou o debate que os petistas diriam depois, segundo a “Folha”, que “as denúncias fulminaram a legenda em São Paulo, Paraná e Rio de Janeiro”. Já aqui na Bahia, onde a Petrobras praticamente nasceu, o escândalo passou ao largo.

O fato denota que a Bahia já não tem o status nacional de antes, embora seja o quarto colégio eleitoral do País. A campanha ao governo baiano ficou nas franjas, nas bordas, e teria mesmo que ser assim porque a esperança é que a Bahia possa imprimir, com a eleição, a aceleração no seu processo desenvolvimentista e passe a ter melhor destaque no País. Tão pobre está em importância que já não é representada sequer por um ministério de peso, numa gestão inflacionada por 39 deles. Mesmo assim, é aqui e na região que o PT vem garimpar a sua cesta de votos, em troca do bolsa família. A pobreza poderá definir a eleição presidencial favorável a Dilma, cujo partido já não conta com o apoio do sul/sudeste, com reconheceram os petistas ao dizer que “as denúncias fulminaram a legenda”, como está posto no segundo parágrafo deste comentário.

O final da campanha eleitoral no estado oferece sinais eletrizantes, como acontece também em relação às eleições presidenciais. O confronto se dará entre Paulo Souto e Rui Costa e será em torno deles que as expectativas se concentram. Estamos diante de uma semana da qual se pode esperar de tudo, para um lado ou para o outro. Mais uma vez, até esta quarta-feira, as pesquisas (se não errarem) sinalizarão. A partir da divulgação dos seus números, teremos de quinta a sábado, três dias tensos, para os candidatos e para aqueles que gostam de política, mesmo que seja apenas para torcer, para um lado ou para o outro. 

A campanha baiana é certamente a mais empolgante desde o fim do carlismo. A primeira vitória de Wagner, em 2006, surpreendeu ao derrotar o então governador Paulo Souto. A sua importância está na surpresa e no fim de um ciclo que marcou gerações. A reeleição foi como sempre assim o é, consequência do exercício do poder. Agora, no domingo que se aproxima, teremos outra realidade. Após a reeleição para os executivos, que se deu no governo Fernando Henrique Cardoso, os mandatos têm sido de oito anos. Primeiro com o próprio FHC, depois com Lula e pode acontecer com Dilma. No estado, Wagner manteve a regra.

A importância para os baianos é que a eleição será forçosamente de renovação. Com Paulo Souto, em outra etapa da sua vida pública, ou com Rui Costa sequenciando o petismo. Que me perdoe Lídice. Se for você a eleita, a culpa será das pesquisas e por eu não ler mais cartas do tarô, como tentei em outros tempos.


* Coluna publicada originalmente na edição desta terça-feira (30) do jornal A Tarde


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Domingo, 28 de Setembro de 2014 - 07:55

Coluna A Tarde: Paraíso da corrupção

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: Paraíso da corrupção
O sistema partidário brasileiro é, basicamente, uma das razões que leva à corrupção que alimenta, em parte, a classe política. Com um sistema pluripartidário desorganizado, com nada menos de 32 partidos registrados no Tribunal Superior Eleitoral, não se pode esperar nada desta inflação de legendas. A não ser multiplicar “vantagens” de quem estiver no poder, que as repassa em troca de apoios congressuais para formar a sua base de apoio ao governo.

Não se trata de trabalhar para o bem público. O que vale, com tal número de partidos, são as vantagens distribuídas, de uma forma ou de outra, aos políticos e apaniguados. Há exceções, é claro. A continuar deste modo, creio que, se não houver uma reforma ampla, Dilma Rousseff, Marina Silva ou Aécio Neves, seja lá quem chegar ao poder nestas eleições, não terá condições de governabilidade. Por quê? A resposta  se vincula ao divisionismo dentro do Congresso Nacional. A Câmara dos Deputados, com 513 parlamentares, e o Senado, com 82 senadores.

Parte dos que serão eleitos no próximo domingo chegará ao parlamento ávidos (nem todos, que fique claro) para usufruir dos “favores” que se tornaram comuns, em forma de contratos superfaturados com empreiteiras, como se observa no escândalo que envolve a Petrobras, dentre outros, como o novo caso que explode na Bahia, sem que haja certezas do que ocorreu, a partir das denúncias oriundas da dona da ONG Instituto Brasil, Dalva Sele, que se diz petista. Não dá para acreditar.

Sem o apoio de partidos, ninguém governa. Foi o que aconteceu com Fernando Collor de Mello, lá nos anos 90, com a sua postura imperial, cercado pelo seu tesoureiro de campanha, PC Farias. Ou se muda tudo, ou permanece o tome lá, dá cá. A estrutura da República leva à vergonhosa situação segundo a qual o governo que não possua maioria, empaca. O jogo é a troca ou o balcão de negócios onde o que vale são os cargos distribuídos aos amigos e, aos partidos, os ministérios. 

O chamado sistema de coalizão partidária não passa de uma embromação política, que surgiu lá nos anos 90. Em sequência veio a social-democracia de Fernando Henrique Cardoso, que acompanhou uma onda internacional onde este tipo de governar só deu resultados na Inglaterra quando estava à frente do poder Margareth Thatcher.

Ou o futuro governo parte para uma ampla reforma ou terá sérios problemas, porque grande parte da população politizada ou com melhor formação educacional dá sinais evidentes de que é preciso mudar, como tem acontecido nas manifestações.

Quando se delineou a Nova República, idealizada por Tancredo Neves após a ditadura militar, o desejo dos brasileiros era uma democracia livre, aberta, com uma Constituição moderna e Cidadã. Ulysses Guimarães e os constituintes tiveram a melhor das intenções. Queríamos todos enterrar os tempos da ditadura e formar um País com um número de partidos que representasse a democracia moderna. Deu-se que, com o passar dos tempos, as lacunas da legislação abriram espaços para transformar partidos políticos em balcão de negócios. Agora, sendo 32 deles, levaram o Palácio do Planalto criar 39 ministérios.

Só há um jeito: virar o país de ponta-cabeça para dar espaço a uma reforma ampla, de modo a diminuir o número de legendas; realizar uma reforma eleitoral competente, com mudanças substanciais. Enfim, o próximo governo terá que ser marcadamente de mudanças. Se assim não for o País continuará sendo o que é: o paraíso da corrupção.


* Coluna publicada originalmente na edição deste domingo (28) do jornal A Tarde


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Quinta, 25 de Setembro de 2014 - 07:55

Coluna A Tarde: Dilma avança

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: Dilma avança
A julgar pelas últimas pesquisas de opinião, o primeiro turno está definido: muito dificilmente, embora nada seja impossível, Marina Silva terá forças – e votos – para alcançar Dilma Rousseff. Já Aécio Neves, mesmo com seus esforços e movimentações no País, estará fora do segundo turno. E longe da Presidência. A não ser que surja um fato extraordinário, mas muitíssimo extraordinário, que o faça ultrapassar Marina, que tem perdido pontos nas pesquisas recentes. Neves praticamente estancou. Dilma avança. Os escândalos recentes que envolveram o PT foram insuficientes para colocar uma pedra à frente do seu caminho.

A grande interrogação passa a ser o segundo turno, onde as duas candidatas estão, por ora, empatadas numericamente (segundo o Ibope). Até a eleição em primeiro turno é provável, senão certo, que a petista ultrapassará Marina com larga margem. Já na segunda etapa para decidir a presidência, Marina adicionará algumas vantagens que a beneficiará, a começar por estabelecer a igualdade no tempo que ambas terão durante a propaganda eleitoral. Passarão a ter o mesmo tempo para atacar e se defender, diferentemente do primeiro turno onde Marina perde por 11m contra 2m.

Ademais, os votos do primeiro turno de Aécio Neves irão migrar para uma das candidatas. Há grande possibilidade que Marina Silva será a beneficiária, a herdeira e receptora dos votos, na medida em que há um conflito que marca PT e o PSDB. As legendas não se bicam. São divergentes. Estão em constante litígio. Parece ser – só parece – que a tendência dos eleitores de Aécio é migrarem para Marina Silva e não para Dilma.

Há um fato que deve também ser marcante: o PT deverá perder estados importantes, dentre eles o Rio Grande do Sul, com a candidata Ana Amélia (a não ser que haja uma reviravolta); o Paraná, praticamente já perdido; São Paulo onde, curiosamente, o PT não tem a menor chance e a cada dia fica menor no estado; o Rio de Janeiro é uma incógnita, mas é possível que a maioria dos seus votos seja para o PSB; Minas Gerais, de Aécio Neves é uma incógnita; a Bahia, se continuar com a primazia de Paulo Souto poderá, mesmo assim, caminhar para Dilma em função do interior, mas não com a força esperada; Pernambuco será todo de Marina, os demais estados do Nordeste ficarão com Dilma, assim como o Norte. Brasília deve acompanha Marina e o centro-oeste provavelmente penda para a petista.

O segundo turno vê-se, será um fato novo. Aqui na Bahia, embora o recente escândalo patrocinado por Dalva Sele Paiva, dona do Instituto Brasil, não se sabe ainda o que acontecerá. Souto permanece à frente, mas o PT e Rui Costa não se dão por mortos, muito pelo contrário. As circunstâncias podem mudar como aconteceu com a vitória de Jaques Wagner em 2006. Há um diferencial. Naquela época, Lula dobrava o seu mandato para oito anos e, naturalmente, entre o carisma de Lula e o de Dilma existe uma diferença abissal. Dilma Rousseff é desprovida de qualquer carisma. É um personagem duro, desconcertado, sem comunicação.

Fazer campanha ao lado de Lula é uma coisa, ao lado de Dilma é outro, embora o ex-presidente tenha estado presente na campanha da Bahia. Leva-se em consideração, porém, que o Lula de 2006 era um e o de agora, depois do governo de Dilma, sua cria, é outro. Absolutamente diferente.


* Coluna publicada originalmente na edição desta quinta-feira (25) do jornal A Tarde


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Terça, 23 de Setembro de 2014 - 10:18

Escândalo aumenta

por Samuel Celestino

Escândalo aumenta
Ilustração
A revista Veja parece ter guardado outros nomes da política baiana para liberá-los aos poucos, a partir da denúncia feita por Dalva Sele Paiva, também petista de longas datas, para criar um clima denso e surpreendente a partir dos nomes citado. Na nova lista, além de Zezéu Ribeiro, que fora citado na edição do final da semana da revista (hoje no Tribunal de Contas do Estado), de Rui Costa, candidato a governador, Afonso Florence, ex-ministro de Dilma Rousseff, Nelson Pelegrino, o senador Walter Pinheiro (que reconheceu, mas alegou que não sabia a origem do dinheiro, imaginando ser do partido), agora saltam também, por liberação da revista, os nomes do ex-secretário de Saúde, Jorge Solla, o superintendente de Educação, Clóvis Caribé, a deputada Maria Del Carmem (que trabalhou com a denunciante na Conder). Enfim, o Instituto Brasil, a ONG comandada por Dalva Sele, mais parece uma pequena Petrobras encravada na Bahia. Quando se imaginava que, por estas bandas, o exemplo de corrupção era Luiz Argolo, vinculado ao doleiro Alberto Yousseff, surgem diversos petistas que terão que comprovar - em contestação à Veja - que nada tinham com o dinheiro que deveria se aplicado em casas populares. Se isso não acontecer, fica muito mal para o partido tirar dos pobres para injetar em campanhas políticas, de modo a beneficiar parlamentares, ou não, como é o caso do atual presidente da Embratur, José Vicente Lima Neto. O fato é que, diante do escândalo que ganha a cada dia dimensão maior, usado também na propaganda eleitoral na rede de tevê, deverá impor à promotora Rita Tourinho, do MP-BA, um trabalho imenso para levar o caso às ultimas consequências, inclusive também a delatora Dalva Sele Paiva.

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Terça, 23 de Setembro de 2014 - 07:44

Coluna A Tarde: Denúncia abala política baiana

Coluna A Tarde: Denúncia abala política baiana
É pesada, muitíssimo pesada, a denúncia que a Veja estampou em seis páginas centrais da revista que está a circular, atingindo, em cheio, o PT baiano.
 
A delação foi feita por uma militante petista, Dalva Sele, presidente do Instituto Brasil, o que agrava, em muito, o escândalo. De acordo com o divulgado na reportagem da revista, Dalva, textualmente, afirma, na abertura da denúncia, que, "com os recursos dos convênios para a construção de casas populares, a gente empregava pessoas do PT, dava apoio a militantes que estivessem passando por dificuldades e alimentava as campanhas".
 
A partir daí desfila denúncias escabrosas atingindo nomes como os do candidato ao governo Rui Costa, o senador Walter Pinheiro, o deputado Nelson Pelegrino, o deputado e ex-ministro Afonso Florence e o presidente da Embratur, Vicente José de Lima Neto.
 
Todos os denunciados, de acordo com Dalva, recebiam dinheiro que deveria ser aplicado no projeto de construção das casas populares.
 
Não há momentos piores ou melhores para detonar, como é o caso deste escândalo divulgado pela Veja, revista que se especializou em denúncias. Dentre as quais as que envolvem a Petrobras, principalmente a última, que trouxe à luz um número indecente de políticos, entre os quais três governadores, 25 deputados e seis senadores.
 
A origem emergiu do ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa, que balança a República a partir da troca das denúncias por uma delação premiada, consequentemente a diminuição da sua pena.
 
Essa denúncia que abala a política baiana, porém, chega num pior momento, porque alcança o PT baiano em rota final da campanha eleitoral. E de forma devastadora.
 
Como sempre acontece, os denunciados negam que tenham sido beneficiários pelos recursos que seriam destinados às casas populares. Isso não basta, porém. Têm a obrigação não de apenas negar, como é feito por todos os acusados, mas desmantelar o que disse a denunciante, além de comprovar que nada aconteceu e, ainda, responder com processos judiciais embasados em provas.
 
Imagina-se que quem denunciou fatos tão deprimentes deve ter elementos comprobatórios para uso em caso de processo. Ademais, ao balançar os denunciados colocando-os em situação dificílima, atinge-os na reta final da campanha eleitoral e, bem provavelmente, os fatos serão explorados à larga no horário eleitoral da propaganda política, como sempre acontece em casos assim.
 
Costuma-se ficar difícil rebater sem provas, mas ainda pior será desmanchar o estrago eleitoral. Não entendo, nem posso entender que seja verdadeiro o que se divulga, embora a oposição na Assembleia já os tenha denunciados anos atrás, e o Ministério Público parece não ter tomado conhecimento, o que será obrigado a fazê-lo agora, como afirma a promotora Rita Tourinho, que há quatro anos está na rota do escândalo, mas alega que não tinha pista dos beneficiados, o que agora passa a ter com a delação da petista presidente do Instituto Brasil, que nasceu na Bahia em forma de ONG.
 
É um sacolejo e tanto na campanha eleitoral com repercussão nacional. Como jornalista, prefiro aguardar que provas consistentes cheguem à luz. Enquanto isso não acontece, fica valendo a denúncia. Deve-se acompanhar se haverá, ou não, estragos na campanha, e o que poderá vir a acontecer até o dia 5 de outubro, quando ocorrerão as eleições.

*Coluna publicada no jornal A Tarde desta terça-feira (23).

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Domingo, 21 de Setembro de 2014 - 07:55

Coluna A Tarde: Guerra no segundo turno

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: Guerra no segundo turno
Com 37 pontos no Datafolha liberado na madrugada da sexta feira última contra 30 de Marina e 17 de Aécio Neves, ficou mais difícil para a candidata do PSB mudar o cenário nestes últimos dias de campanha em primeiro turno, embora nada seja impossível. Já Aécio terá que contar com a sorte e com um trabalho de campanha extenuante para ultrapassar Marina e chegar ao segundo turno – o que parece dificílimo e sem precedentes. Como esperado, será nesta segunda etapa que a presidência será decidida. Por ora, Marina está à frente de Dilma, mas em empate técnico, com dois pontos percentuais à frente.
   
A presidente colheu os frutos de uma campanha semelhante à utilizada por Collor contra Lula, lá nos idos de 1989, plantando mentiras e descendo o nível para um patamar que não se esperava que houvesse retorno, desta vez praticada pelo PT, o que absolve Fernando Collor. A presidente passou a tratar a política como de fato ela é: velhaca. Pelo menos é um reconhecimento, já sabido, em relação ao exercício político no Brasil, marcado basicamente pela corrupção.

É difícil, mas quase impossível, que a oponente de Dilma tire a vantagem que ela estabeleceu, de sete pontos percentuais, como também o é em relação a Neves, que está a 13 pontos distanciado de Marina. Existem probabilidades, sim, como tem acontecido em outros pleitos quando a definição do eleito se revela nos últimos dias antes das eleições. Mas não em primeiro turno, a não ser quando exista uma grande distância dos dois candidatos que se põem à frente e os demais. Nesta eleição, o(a) presidente somente será conhecido no segundo turno, quando a realidade pode mudar, em razão de diversos aspectos.

O primeiro deles é que o confronto será entre dois adversários, que terão tempos iguais para se manifestar na televisão, quebrando o diferencial que ora se observa entre Dilma e Marina, a primeira com 11 minutos e, a segunda, com dois, apenas. Isso deu margem a Rousseff  utilizar o recurso do ataque, dificultando a defesa de Marina Silva. Na segunda etapa, ambas com 10 minutos, estabelecem-se o equilíbrio; os candidatos se igualam no tempo o que facilita, ainda, os debates nas emissoras de tevê, criando um clima de emoção. Estarão frente a frente, com maiores possibilidades de explanar o que pretendem fazer se eleita e até se engalfinharem nos momentos mais nervosos e provocativos.

Ademais, surge outra questão de peso: os candidatos do primeiro turno que não ultrapassarem para o segundo terão que orientar seus votos, seus eleitores, para um dos candidatos, realizando um pacto de apoio. No caso específico de um segundo turno entre Dilma e Marina, à primeira vista a socialista ficará em vantagem que já aparece no Datafolha, com dois pontos à frente, o que, por ser insignificante, denota um empate técnico.

No caso específico, há um conflito tradicional entre o PT e o PSDB, o que leva a crer que Aécio Neves tenderá, se ele ficar no caminho, transferir os seus votos para Marina Silva e não para Rousseff. Trata-se de uma suposição a partir do histórico entre os dois partidos, adversários por excelência, cuja decisão não dependerá exclusivamente de Aécio, mas da direção do partido tucano.

Numa campanha como a de agora, onde há três candidatos de destaque e os demais ficam na parte de baixo, integrantes de partidos pequenos, portanto sem possibilidade de exercer transferência de votos, valerão as legendas que ficarem na ponta, transferindo-se ao PSDB a condição de auxiliar de uma candidatura.

Por último, outro fator de peso: as denúncias que vazam a partir do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa. Ainda no fim de semana ele trouxe ao público outra bomba, que atinge os governos Lula e Dilma, a presidente também na condição de presidente do conselho da estatal. Disse ele que na negociação de compra da refinaria de Pasadena, no Texas, houve distribuição de propinas entre os diretores. Como se fosse uma espécie de quebra do pote da antiga brincadeira infantil da cabra-cega.

O próprio Paulo Roberto disse que recebeu propina de R$ 1,5 milhão. Outros nomes não vieram a público, mas é certo que houve denúncias de diretores e outros personagens na corrupção da compra da refinaria. Até o final do segundo turno, novas denúncias podem chegar à superfície o que, fatalmente, causará impacto no segundo turno. Como sempre ocorre.
 
* Coluna publicada originalmente na edição deste domingo (21) do jornal A Tarde

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Quinta, 18 de Setembro de 2014 - 07:55

Coluna A Tarde: Sujeira e baixaria

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: Sujeira e baixaria
A campanha de baixíssimo nível que se observa no processo sucessório presidencial deixou um rastro negativo que foi captado pela pesquisa Ibope, divulgada na terça-feira à noite. Basicamente orientada pelo marketing do PT, para impulsionar a campanha de Dilma Rousseff e deixar a candidatura de Marina Silva em dificuldades, o tiro parece ter saído pela culatra. Acabou por favorecer Aécio Neves, que em apenas uma semana cresceu 4%, passando a ter 19%. Os insultos, inusitados e de baixo nível, levaram Dilma a perder três pontos e Marina Silva um, ou seja, no saldo das duas a candidata do PSB acabou favorecida, avançando dois pontos. Dilma desceu do patamar da semana passada, caindo de 39% para 36%. Para um provável segundo turno, se distanciou três pontos percentuais de Marina. O alvo do PT, portanto, acabou beneficiado.

Não foram somente os pontos perdidos ou ganhos. Dilma foi buscar na campanha de Collor, lá nos idos de 1989, a mesma fúria que aconteceu contra a candidatura Lula. Naquele ano deu certo porque o eleitorado brasileiro de há muito não sabia o que era eleição direta. Lutou e experimentou o medo durante 25 anos da ditadura militar. Assim, ainda havia o medo, à época, principalmente por se trata de um candidato de esquerda, como Lula. Isso quando o PT ainda era uma legenda de esquerda, tinha princípios e esconjurava a corrupção. Temia-se, então, o retorno do regime dos generais.

Houve, depois de tantos anos, uma mudança na sociedade brasileira que já não aceita baixarias, além das “mentiras” durante a campanha. O comitê de Dilma passou do limite e tentou combater Marina da forma mais vil, transformando uma educadora  - Neca Setúbal - em banqueira, quando era, pelo próprio PT, considerada educadora, isto quando ela participou da campanha do prefeito paulistano Haddad, do PT. A comida desapareceu nos filmetes do prato dos necessitados, assim como as letras, numa alusão à educação, também desapareceram, num acinte à inteligência, mas apresentado para engabelar a população mais necessitada. A propaganda foi tirada do ar pela justiça.

Deste modo, a mentira, como na alusão popular, segundo a qual o feitiço se volta contra o feiticeiro, desabou nesta última semana entre uma pesquisa e outra, atingindo a campanha de Dilma, que certamente não estaria de acordo com a propaganda engendrada pela “genialidade” do seu comitê de campanha. O projeto de Dilma era avançar semana atrás de semana até o final do primeiro turno. Ela, entretanto, caiu. Na verdade, foi a perdedora desta pesquisa Ibope, que foi ganha por Aécio Neves. O tucano mineiro soube usar bem o vácuo deixado pela baixaria.  

As pequenas mudanças observadas pelo Ibope podem ser, ou não, um sinal. Na reta de chegada para as urnas perder pontos é perigoso. Se for constante, adeus viola. No caso específico, o que mais vale é a ascensão de Aécio. Se ele subir mais e não conseguir passar para o segundo turno, a presunção é que o seu eleitorado se transferirá para apoio a Marina, porque o PSDB detesta o PT e vice-versa.


* Coluna publicada originalmente no jornal A Tarde desta quinta-feira (18)


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Terça, 16 de Setembro de 2014 - 00:07

Coluna A Tarde: Ó tempora, ó mores!

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: Ó tempora, ó mores!
Em reta final, há uma agressiva guerra de mentiras na campanha presidencial que envolve os três principais candidatos, basicamente com a carga pesada de Dilma contra Marina Silva e Aécio Neves contra as duas. Na última semana, após a pesquisa que apresentou um distanciamento de oito pontos entre as duas candidatas no primeiro turno, favorecendo Dilma, Marina resolveu devolver os petardos, transformando a campanha presidencial num jogo de ataque e defesa. Nada do que se diz é confiável. As promessas perdem o significado. Não se pode crer numa segunda gestão quando a primeira foi um desastre. Como cidadão, que sobrepõe à profissão de jornalista, o que marca este governo é uma brutal crise econômica. Assim, fica difícil acreditar em promessas. Soam vazias.

Até Leonardo Boff, um dos fundadores do PT, que se desligou do partido ao perder suas esperanças em relação à legenda, entrou na guerra. Há algum tempo reside na Alemanha onde é professor de Teologia e Filosofia em Munique. Com saudades da sua Teoria da Libertação e da atual velha política do PT, que esqueceu os fundamentos da sua origem ao se tornar igual ao PMDB, semelhante ao PSDB, idêntico ao DEM, irmanado ao PCdoB e mergulhado em corrupção, que fora tão combatida e impensável na origem do partido. Foi o PT que permeou, com esperanças e sonhos, a juventude do início dos anos 80. Tornou-se, porém, idêntico, ou até pior, na velhice calhorda deste sistema partidário brasileiro.

Aqui na Bahia o quadro não difere. As agressões verbais já se estendem desde junho. Ganharam densidade neste setembro e se tornam mais fortes nesta reta de chegada, quando faltam 20 dias para as eleições, contando com o domingo, cinco de outubro, dia de votação. O que acontecerá até lá é uma incógnita. A última pesquisa conhecida estabelecia um distanciamento relativamente alto entre Souto e Rui Costa, sem levar em consideração, naturalmente, os números do Basbete (se eu não estiver trocando o nome pelo do extraordinário filme “A Festa de Babete”, sem o “s”) por ser uma pesquisa de fundo de quintal, que não merece a menor qualificação ou respeitabilidade.

Não se trata apenas deste “instituto”, que fica na Bahia, em local desconhecido, senão incerto. A realidade é que, embora os institutos de pesquisas nacionais tenham melhorado,  é comum errarem, daí porque para o jornalista o único que merece fé é o Datafolha. Aliás, por falar em pesquisas, o Ibope está em processo de transferência para um grupo de peso, embora a família que o fundou, lá pelos idos dos anos 40 do século passado, continuará à frente do seu comando, porque passará a ser cotista minoritário e assim fiou acertado.

No estado, esta etapa final da campanha eleitoral merece ser acompanhada (não as agressões e, quiça, xingamentos) com muita atenção porque nestas bandas acontecem mudanças inesperadas, até absurdas, como a vitória de Waldeck Ornelas sobre Waldir Pires para o Senado, no suspiro das últimas urnas apuradas. Ganhou com meros três mil votos de diferença. Aliás, por mais que se tentasse o Tribunal Superior Eleitoral (Ó tempora, ó mores – Cícero, senador romano, na polêmica com Catilina - “Ó tempos, ó costumes”) não se manifestou sequer sobre os recursos impetrados e quando o fez foi praticamente no fim do mandato senatorial. Não se pode esquecer, de igual modo, a virada nos últimos dias da eleição de Wagner sobre Souto, quando as consultas demonstravam outra realidade. As pesquisas erraram, e só revisaram, reconhecendo outra verdade, nas pesquisas feitas em boca de urna.

Assim posto, os momentos finais das campanhas são sempre eletrizantes. Aliás, nesta semana, é possível que venham à baila pesquisas sobre o processo eleitoral baiano e, duas ou três, sobre a campanha presidencial. Quem aplica na Bolsa de Valores ficará mais atento ainda, porque se Marina subir, a Bolsa sobe; se Dilma crescer, a bolsa entra em parafuso. Quem diria... Há uma forte ligação entre o mercado financeiro e a política. A Petrobras, por exemplo, sempre perde quando Dilma sobe. Faz parte do escândalo e em relação ao que se verifica na petroleira, antigo símbolo nacional, hoje cambaleante.

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Domingo, 14 de Setembro de 2014 - 07:55

Coluna A Tarde: Uma campanha indecente

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: Uma campanha indecente
Não há mais campanha e, sim, uma guerra instalada entre os candidatos. O sistema político brasileiro, ao invés de facilitar a escolha e demonstrar ao eleitor as carências da República, empenha-se na evidência de um confronto sujo que apenas leva à conclusão que quanto mais sujo, mas crescem nas pesquisas de opinião as imagens dos políticos que utilizam de tal expediente. Difícil é saber quem é o mais e o menos sujo. Na Bahia, o prefeito ACM Neto e o governador Wagner se enredaram num confronto, que ganha novos e maiores contornos a cada dia. Só lhes restam, presume-se, o último recurso: um falar mal da mãe do outro.

Antes de a campanha ganhar impulso, deste espaço elogiei algumas vezes o elevado e elegante relacionamento entre Neto e Wagner. Como pouquíssimas vezes aconteceram por estas bandas. Para lembrar apenas um episódio sujo, em pleno desfile do Dois de Julho, ACM era governador e Lídice da Mata, prefeita. O primeiro entendeu que deveria ir à frente do cortejo, quando a prioridade é da prefeita da cidade. Durante boa parte do percurso, um passava à frente do outro seguido pelo grupo que os acompanhava. A situação era mais hilariante do que deseducada e infantil. Lá para as tantas, ao ver que não teria sucesso, ACM desistiu. Pirraçou Lídice então, chamando-a, alto e em bom som, de feia e coisas que tais. A prefeita respondeu de imediato: “Desencarna, ACM, que sou mulher, mas sou filha de homem”. A guerra virou folclore.

ACM Neto e Wagner têm pais e mães. Tinham um relacionamento marcado pelas circunstâncias e elegância. Aconteceu tão-somente até a campanha para o governo estadual ter início, quando Paulo Souto partiu na frente de Rui Costa. Daí em diante começou o desentendimento. Alguns grosseiros, outros marcados pela mentira e deseducação, de lado a lado. O clima impulsionou  as temperaturas. Tão elevadas que os dois dificilmente voltarão a ter um relacionamento compatível com o cavalheirismo. Rui passou a atacar Souto e, nos últimos dias, surgiu nas redes de televisão no horário eleitoral um quadro que chama Paulo Souto de corrupto, uma agressão que pode levar, mas do que ao Tribunal Regional Eleitoral, a um processo civil e criminal. Trata-se de um desrespeito completo aos telespectadores e ao candidato, mas é fato, também, que acontece de parte a parte. Wagner, completamente mergulhado na campanha, também joga duro, assim como o grupo de Souto. Ou seja: as agressões acontecem dos dois lados. Um mais e outro menos, sem que se possa apontar que ataca mais e quem ataca menos.

No plano nacional, quando Marina Silva passou a assustar, o comitê eleitoral de Dilma Rousseff aumentou as agressões a Marina que passaram a cada dia a ser mais graves. A partir do início desta semana, Marina Silva entrou no jogo passando a responder, com petardos semelhantes, enquanto Aécio Neves disparava da terceira posição contra as duas.

O que se observa nestes trópicos não acontece nos países civilizados onde o nível da campanha mantém-se normalmente em nível elevado, lastreado em propostas, não de mudança, porque em alguns países do norte as democracias já estão consolidadas. Mas em novos projetos para beneficiar a população. Não há agressões, e sim apertos de mão e abraços quando os candidatos se encontram nos debates promovidos pelas redes nacionais de televisão. Num que aconteceu por estas bandas, Dilma Rousseff dirigiu-se a Aécio Neves, que não esperava, e disparou: “Você está querendo a minha cadeira, não é. Pois não vai ter não”. Foi tão surpreendente que Aécio não teve resposta.

De certo modo, não se deve levar em consideração que as agressões surgiram, ou nasceram com os candidatos. Talvez seja uma consequência da forma de ser e da educação dos brasileiros, isso quando há educação. Quando não há agressões, ou os chamados “pegas” entre os candidatos, costumam-se dizer, no dia seguinte, que o debate foi morno, que não despertou nada que agradasse e levou ao sono. É o que se verifica normalmente. É a forma de pensar do brasileiro.

As ofensas pelos jornais, pelas rádios, nas entrevistas extrapolam para um terreno movediço que leva à inimizade, como se a política fosse desenvolvida com conflitos entre os que a exercem. Diria que é cevada pela corrupção aberta e depravada, como se observa neste escândalo que emascula a maior empresa estatal brasileira, a Petrobras, com a presença de  32 políticos denunciados, a maior parte da base de sustentação congressual da presidente da República, que, segundo ela, não sabia de nada, como Lula também não sabia nadica de nada em relação ao mensalão.

Bem reparado, entre o baixo nível das campanhas políticas e a depravada corrupção que engole o dinheiro público, recolhido nos impostos escorchantes pagos pela população, talvez melhor seja digerir a grosseira da campanha e absolver o baixíssimo nível da campanha eleitoral brasileira. 

Já sobre os corruptos, se o Supremo Tribunal Federal quiser o lugar deles, a partir de penas longas, é na cadeia. Se vantagens e benefícios. Quando eles metem a mão no dinheiro público, as vítimas somos todos nós, os brasileiros que pagam impostos extorsivos.


* Publicada originalmente na edição deste domingo (14) do jornal A Tarde


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Quinta, 11 de Setembro de 2014 - 16:37

Morre ex-secretário Chico Benjamim

por Samuel Celestino

Morre ex-secretário Chico Benjamim
Foto: Arquivo pessoal
O ex-secretário de Transportes do governo Luís Viana Filho, ex-deputado federal, ex-presidente da Arena e depois, do PDS baiano, Francisco Benjamim de Carvalho, morreu repentinamente nesta tarde, provavelmente de infarto, em sua fazenda, no estado de Sergipe. Chico Benjamim, como era mais conhecido, marcou época com secretário dos Transportes e a ele coube implantar o sistema ferry-boat entre Salvador e Mar Grande. Construiu estradas, entre as quais a que corta a Ilha de Itaparica, e a Ponte do Funil, que liga Itaparica ao continente, além de outras obras importantes para o Estado. Abandonou a política cedo para cuidar das suas fazendas. Chico Benjamim morreu quando, na manhã de hoje (11 de setembro) assistia televisão em sua fazenda. Tinha mais dois irmãos, Bento Alvino de Carvalho, que foi deputado estadual em dois mandatos na Bahia, e Luiz Benjamim. Seu sepultamento séra as 11:00 horas no cemitério Santa Izabel em Aracajú. 

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Quinta, 11 de Setembro de 2014 - 10:37

Incêndio na campanha

por Samuel Celestino

Incêndio na campanha
Ilustração
Estabeleceu-se tanto na Bahia como no plano nacional uma corrida sucessória que tende a levar até seu final muita adrenalina para definir os resultados da eleição, tanto a presidencial, como a sucessão baiana. Mais. Para aumentar o gosto doce, ou amargo, da chegada, inclua-se a definição para o Senado baiano. Havia indícios, tanto no plano da República quando no estadual que haveria mudanças no quadro, não definitivas – por hora – mas mudanças concretas. De todos os candidatos, aqui e no plano nacional, quem ainda está em situação confortável (mas nem tanto) é o candidato do DEM, Paulo Souto, que avançou no Ibope, mas o petista Rui Costa cresceu muito mais. Já no caso presidencial, Dilma e Marina estão em empate técnico tanto para o primeiro como para o segundo turnos. Houve ao que parece, uma acomodação da comoção nacional logo em seguida à tragédia que matou Eduardo Campos, na primeira semana após a queda do jatinho. Depois, porque o luto não é eterno, começou a retroceder até chegar à pesquisa Datafolha ontem divulgada. Tudo indica que retornou à normalidade que demonstra, ao mesmo tempo, que a denúncia premiada de Paulo Roberto da Costa sobre a roubalheira na Petrobras não atinge Dilma, que estaria infensa. De outro modo, a campanha da presidente está em constantes mudanças – questão de marketing competente - atacando todos os flancos possíveis de Marina Silva. Pode ser passageiro ou não, com mais possibilidade de não ser. Assim, nesta reta final, as duas campanhas ganham em “frisson”, em emoção, e não será possível a estabelecer o que acontecerá, a não ser por palpites. Todos os candidatos citados, e mais os candidatos ao Senado na Bahia podem se eleger. Tudo dependerá de futuros acontecimentos, ou mudanças no voto, o que não é anormal, muito pelo contrário.

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Quinta, 11 de Setembro de 2014 - 08:00

Agora è Yousseff

por Samuel Celestino

Agora  è Yousseff
Foto: Reprodução
O doleiro Alberto Youssef está sendo pressionado, segundo a Folha de S.Paulo, a acompanhar Paulo Roberto da Costa e também se colocar à disposição para usar a delação premiada. A pressão viria da sua família, diante da prisão insalubre do doleiro, que estaria a enfrentar sérias dificuldades. Segundo o jornal, acomodado numa cela reduzida, com mais dois presos, onde o vaso sanitário é um buraco no chão e o banho é frio, quase gelado. Fica impedido de sair da cela a partir da sexta-feira até segunda, para um banho de sol. Quem viveu na grandeza, mergulhado em milhões de dólares e passa a ficar encarcerado em cubículo, sofre mais do que um preso comum. As autoridades desejam que ele se resolva pela delação premiada, que seria importante para fechar as pontas dos fios entre o que é denunciando Paulo Roberto da Costa e o que ele poderá declarar. O seu advogado é Kakay, que defende a maioria dos políticos em dificuldades. Ao que se sabe, ele é contrário. Crê que poderá anular o processo. É uma presunção. Como a pressão da família de Youssef é pesada, ele está entre a cruz e a caldeirinha. E como o processo deverá ser demorado, é possível que ceda para não ficar confinado na cela que o abriga.

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Quinta, 11 de Setembro de 2014 - 07:55

Coluna A Tarde: Estranhas pesquisas

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: Estranhas pesquisas
Observa-se um fato que tanto se manifesta nas sucessões estaduais como, e principalmente, na sucessão presidencial: a presença das pesquisas, guias incontestes dos movimentos dos candidatos, para cima ou para baixo, para frente ou para atrás. A política brasileira, por consequência, é determinada pelos institutos de avaliação de candidaturas em relação aos eleitores, comandando as campanhas eleitorais, forçando modificação dos comitês, conforme os resultados das consultas. Mais do que isso, os resultados que divulgam estabelecem mudanças de ascensão ou queda nos mercados de capitais.

De forma geral, não tenho motivos para acreditar nas pesquisas de opinião, embora seja obrigado a acompanhar seus movimentos porque elas passaram as conduzir as campanhas. De todas, a que mais dou crédito é o Datafolha, por ser um instituto que se vincula a um grupo jornalístico sério, o Folha de S.Paulo. Outras têm origens incertas e existem algumas que são consideradas de “fundo de quintal”, como a que ganha notoriedade na Bahia, a Babesp. Apura até quem pode ser eleito na disputa proporcional, à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa da Bahia.

Excluindo os resultados que a tal Babesp apresenta, melhorando ou piorando a situação dos candidatos, pode correr o risco de perder a sua pouca importância, que, no meu caso pessoal, não tem. Ela é quase uma empresa, se empresa for, fantasma, que até bem pouco ninguém sabia como nasceu, quem são seus sócios, de tal maneira que chegou a ser denominada de DataNilo. De certo modo pegou. Nilo não desgostou.

Ao que se sabe não tem sede. Não se tem conhecimento da sua metodologia. Somente em tempo recente surgiam nomes que poderiam ser seus diretores. Os que assim vieram à luz são pessoas basicamente desconhecidas, provavelmente uma geração espontânea ou, talvez, fantasmas, portanto a eles me refiro com parcimônia e usando suposições. Até porque não sou também de acreditar em fantasma. Não importa se o tal Babesp apresenta números que favorecem a Paulo Souto, Rui Costa, a Lídice da Mata, enfim a quem quer que seja. É o de menos embora seja a razão da qualquer pesquisa.

Como acreditar numa consulta que garimpa números ou percentuais para o governo do Estado, para a campanha presidencial, e ousa fazê-lo o que nenhum instituto, que pode ser chamado de instituto, faz, como mensurar quem pode ganhar ou perder para deputado estadual ou federal e deixa de lado a campanha majoritária do Senado na Bahia? Ora, depois do governo, o que mais importa para o público é o Senado, mas, neste caso a Babesp não deu importância.

Volto a dizer, por ter uma longa caminhada como jornalista político, que já tropecei nas pesquisas, daí guardar delas distância regulamentar, exceção, já dita, do Datafolha, embora seja levado a tecer comentários sobre os resultados dos institutos mais importantes, dentre eles o Ibope – um dos primeiros do País – e o Sensus. Mas não dá, decididamente não dá para comentar percentuais de um “instituto”, lá o que seja,  que não tem sede, ou tem e ninguém sabe onde, provavelmente, repito, montada em fundo de quintal.

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Terça, 09 de Setembro de 2014 - 09:56

Questão de caráter no Planalto Central

por Samuel Celestino

Questão de caráter no Planalto Central
Foto: Charge do Amarildo / A Gazeta (ES) / Reprodução
É certo que a presidente Dilma está no centro de uma guerra petroleira, com lama para todo o lado e ela procura se defender como pode. Tem feito, aliás, um esforço imenso na tentativa de não ser alvejada pelo lodo. Acabou por alvejar seu próprio governo, demitindo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, pela imprensa, o que levou Mantega a pedir demissão. Por ora, ele se transformou num  zumbi do Planalto Central. O curioso é que, ontem, em mais uma tentativa de se desvencilhar, a presidente disse "que não dará à imprensa o caráter que ela não tem". No que um jornalista emendou "Nem a imprensa dará a Dilma o caráter que ela não tem". Isso faz parte. Numa democracia, embora suja, tem dessas.

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Terça, 09 de Setembro de 2014 - 09:09

Não se mistura João Ubaldo com Wilson Lins

por Samuel Celestino

Não se mistura João Ubaldo com Wilson Lins
Foto: Reprodução
Há informações oriundas da prefeitura municipal, que já tentara, sem êxito, vender a Praça Wilson Lins (antigo local do Clube Português, na Pituba) de que agora o Executivo procura um espaço para homenagear o extraordinário escritor baiano João Ubaldo Ribeiro. A informação é que seria, em primeiro, colocado um busto de Ubaldo, que bem merece e, seguramente, mais do que um busto, uma praça inteira, sem a necessidade de desvestir um santo para vestir outro. O “Romano coletor de impostos”, Mauro Ricardo, secretário da Fazenda municipal, seria um dos articuladores, mas não se sabe ao certo. Não dá para misturar João Ubaldo com Wilson Lins, ambos escritores baianos, o segundo também político oriundo das barrancas do São Francisco. Assim posto, não combina misturar na mesma praça o “Sargento Getúlio”, de Ubaldo, com os “Cabras do Coronel”, de Lins.  

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Terça, 09 de Setembro de 2014 - 07:30

Coluna A Tarde: O país dos vendilhões

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: O país dos vendilhões
O Palácio do Planalto - leia-se Dilma e seus principais assessores – está entre a cruz e a caldeirinha com o escândalo da Petrobras, ora mergulhada em lama que sacode, mais uma vez, o País para alvejar  a sucessão presidencial e, com maior intensidade, a candidata do PT à reeleição. O governo tem pleno conhecimento de que a candidata centraliza o foco da delação do ex-diretor da petroleira, Paulo Roberto Costa, embora Dilma diga que “não atinge o seu governo”, numa  “inocente”  tentativa de não ser prejudicada.

Enquanto pensa assim, seu partido e o PSB anunciam a disposição de exigir que tenham acesso ao relato feito pelo delator, numa manobra política que empurra, mais ainda, o Palácio do Planalto para as cordas. O PT, pelo que se informa, entende que deve aguardar o fim do interrogatório. O problema, no caso, é que os documentos oficiais dificilmente serão liberados antes da eleição. Se as legendas oposicionistas conseguirem acesso, o governo ficará muito mal diante das circunstâncias, enquanto aumentarão os problemas da candidatura da presidente. Não só. A maracutaia teria iniciada no governo Lula, com Dilma na presidência do Conselho da estatal, e se estendeu até o segundo ano do mandato atual. A base de sustentação do governo no Congresso estava então inteiramente mergulhada no que ora é denominado de “mensalão 2”.
 
A pergunta que fica no ar é como Dilma, ministra de Minas e Energia, presidente do Conselho da petroleira, ministra Chefe da Casa Civil no governo Lula, depois presidente da República, tenha ficado aluada em relação à roubalheira que começou em 2004, e teria acabado somente em 2012. Se assim foi, se ela não sabia de nada, demonstra que não tinha competência para gerenciar o país. Enfim, como teria passado este longo período na mais absoluta “inocência” enquanto a Petrobras era saqueada por um esquema de corrupção que engolfou mais de 60 parlamentares entre deputados e senadores? Estava no mundo da lua? Não tinha sequer informações, que fatalmente vazariam a partir do Congresso e chegaria à sua presidência?
 
Pela delação, o PT estava centralizando a roubalheira. Mais uma vez com um secretário-geral do partido, a exemplo do acontecido no mensalão 1, neste caso João Vaccari Neto. Seria, segundo o delator, quem estava no comando para que a propina fosse distribuída a partir dos contratos com empreiteiras superfaturados. Mas o secretário garante que também não sabia nadica de nada. Outros partidos  que compunham a quadrilha de assalto à estatal, dentre eles, o PMDB – aliado do PT na condução da base de sustentação e apoio ao governo – e,  ainda, o PSB, que teria participado com Eduardo Campos, candidato a presidente morto no mês passado. O centro da tormenta recai principalmente sobre Dilma porque ela  supostamente teria obrigação de, desde a época como presidente do Conselho,   ter conhecimento do que estaria acontecendo com a Petrobras.
 
Depois, como presidente da República, o seu dever seria zelar, e não ficar alheia e “inocente” ao que se passava na república, principalmente na sua maior empresa estatal, símbolo do antigo nacionalismo de Vargas e do processo de crescimento econômico, na visão dos brasileiros. Está aí o que sobrou da Petrobras. Provavelmente, o maior escândalo que chega ao conhecimento do Brasil até agora. Outros poderão surgir, mas não tão emblemático como este. Os governos petistas, não há como negar, são detentores dos maiores escândalos que chegam ao conhecimento da população, transformando o de Collor numa mera miudeza.
 
O governo tenta sair por onde não tem porta, ou seja, dizer como a presidente o faz, que é ele que está comandando a denúncia, a partir da Polícia Federal, como se a PF fosse petista. Na verdade, o governo está no meio de fogo cruzado. Uma solução que aflora é o que já está em pauta de há muito e que fora, até, uma das reivindicações das manifestações do ano passado, nas ruas e praças de diversas capitais: a necessidade urgente de uma reforma política, porque é mesmo preciso colocar o país de ponta-cabeça para que haja uma limpeza total, a começar pela forma de governar e dos partidos que apóiam a governabilidade em troca de roubos e saques.
 
A reforma política é uma exigência das ruas que a cada dia ganha maior apoio da população enojada da politicalha lodenta. De resto, tudo indica que Paulo Roberto da Costa só denunciou uma parte dos vendilhões. Ele terá, para que tenha o prêmio da delação, de oferecer provas e são em relação a elas que os canalhas se estremecem, assim como o Palácio do Planalto.
 
Enfim a canalhada - praticamente todos os nomes citados - nega sem colocar a mão sobre a bíblia, que “são inocentes”, que não sabem de nada, e que é tudo invenção. É, pode ser.

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Domingo, 07 de Setembro de 2014 - 08:00

No subúrbio

por Samuel Celestino

No subúrbio
Foto: Divulgação
O deputado federal Marco Medrado tem sua base eleitoral mais importante no subúrbio ferroviário de Salvador. Acha que mais uma vez arrastará os votos suburbanos e faz uma aposta. Disse: “Na eleição do prefeito, apoiei Nelson Pelegrino e ganhei de ponta a ponta. Nesta eleição estou apoiando Rui Costa e mais uma vez sairei de lá vitorioso”. Bem, o comício na Praça da Revolução, em Periperi, com a presença de Lula não foi o que se esperava. Vale como um sinal. De qualquer modo, não convém contestar Medrado. Ele, de fato, costuma sair-se bem na área, como aconteceu na eleição municipal.

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Domingo, 07 de Setembro de 2014 - 08:00

Coluna A Tarde: As suposições da campanha

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: As suposições da campanha
Normalmente é assim. Há curiosidades que acompanham os processos eleitorais e, de certa forma, geram perplexidade. Por comoção em razão da tragédia aérea em parte, Marina Silva em pouco tempo colou em Dilma Rousseff. Nas pesquisas estão tecnicamente empatadas. A partir daí alardeia-se que a intensa propaganda do governo teria sido incapaz de estabelecer um lastro firme para a campanha de Dilma à reeleição, o que levaria a crer numa fadiga em relação à presença do PT no poder, assim como ocorreria, de igual maneira, com o PSDB. Na verdade, o mais correto seria afirmar que a presidente é desprovida de carisma e não agrada no governo que faz. Os dois partidos comandam a república há 20 anos. O tucano Aécio Neves desaba até no estado que ele governou por dois períodos, Minas Gerais, e isso, por ora, é fato. Trata-se, evidentemente, de uma mera suposição a tal fadiga. Não há forma de mensurar a presunção a não ser pela manifestação do eleitor.

A suposição passaria a ser, então, que o eleitor de hoje está mais esclarecido em consequência do avanço dos meios de comunicação, com exceção do Norte e Nordeste, que continuam com um pé, senão os dois, no atraso. Há alguns sinais que embaçam também este entendimento. Os dois maiores estados em que o PT detém governos são a Bahia e o Rio Grande do Sul. Um no Nordeste e outro na politizada unidade de fronteira, palco de diversas revoluções que eclodiram no final do século XIX e na República Velha, onde houve um corte institucional, justo em 1930, com a revolução que levou um gaúcho, Getúlio Vargas, ao poder e que assim se manteve até o seu suicídio – um ato de revolucionário - nos anos 50 do século passado.

Nestes dois estados diferenciados politicamente, emitem-se sinais de que o PT poderá perder as eleições de outubro. Mesmo se Dilma se mantiver no poder. Sem as duas grandes unidades comandadas pelo Partido dos Trabalhadores, a derrota será um retrocesso para a legenda de Lula. Aqui na Bahia, desde que se iniciaram as pesquisas, o candidato Rui Costa tem estado a uma distância considerável de Paulo Souto, segundo as consultas de opinião. Mais uma vez há de se acrescentar a palavra “suposição”. Souto não representa uma continuidade do carlismo, que definitivamente ficou no passado, mas suas origens políticas se vinculam ao longo período em que ACM marcou o poder na Bahia. Foi ele que revelou Souto. Avô do prefeito da cidade, o cacique também se distanciaria pela modernidade de ACM Neto. São as mudanças do tempo.

O PT, aqui, pode deixar o poder estadual como detentor de dois mandatos em sequência de Jaques Wagner e voltar à planície baiana, naturalmente com mudanças estruturais na máquina governamental. De certo modo os fatos não ficam distantes da realidade nordestina. Queira-se ou não, a Bahia é o maior estado da região, e tem as mesmas características das unidades do Nordeste: o atraso, principalmente na imensa região do semiárido.

Em relação ao Rio Grande do Sul, lá o PT sentou praça e vem elegendo governadores. Mas, agora, mesmo com Dilma à frente das pesquisas na unidade de fronteira, porque tem suas raízes por lá, Tarso Genro, que tenta a reeleição, está em dificuldades. Ana Amélia, sua adversária direta, tem 39% das intenções de votos contra 31% de Genro.

Assim posto, se Dilma porventura ultrapassar Marina no segundo turno ou cair ainda no primeiro, o que não parece provável, ela governará o País sem contar (também provável) com aliados nos governos do RGS, Bahia, São Paulo, Minas, Distrito Federal, Paraná, Pernambuco, o confuso Rio de Janeiro e outros mais. Será, certamente, uma presidente sem presença nas maiores unidades da federação. Ela poderá, então, rotular-se como uma “presidente federativa”.

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Sábado, 06 de Setembro de 2014 - 11:17

Delação balança campanha presidencial

por Samuel Celestino

O Brasil é novamente sacudido por um escândalo que envolve a Petrobras e diversos políticos da Câmara e do Senado, dentre eles os presidentes das duas casas, Renan Calheiros e Henrique Eduardo Alves, ambos do PMDB, o ministro das Minas e Energia, Edson Lobão, além de governadores (veja os nomes na nota postada abaixo pelo BN). A delação premiada de Paulo Roberto Costa balança a campanha eleitoral do País, justo quando entra na sua reta final e, certamente, causará danos insanáveis, com a possibilidade de os políticos citados, caso haja provas consistentes oferecidas pelo delator, venham  a ser, mais adiante, excluídos da política por decisão do Supremo Tribunal Federal. A delação chegou ao conhecimento público na tarde de ontem, e, com detalhes, na revista Veja que está a circular. Alguns nomes citados, como o de Renan Calheiros, eram de fato esperados em qualquer delação que se fizesse envolvendo um número espantoso de políticos, mas outros surpreendem como o de Eduardo Campos, candidato à Presidência que perdeu a vida na tragédia aérea de Santos. Para que o delator tenha direito às vantagens da delação, terá que oferecer provas dos nomes por ele entregues e, como sabe deste requisito, acredita-se mesmo que as tenha. O novo escândalo de certa forma era esperado, mas chega para balançar a mídia e ocupar, talvez, o primeiro plano do noticiário, dividindo com  a campanha eleitoral, sobretudo dos presidenciáveis que atinge o patamar da indecisão entre Dilma e Marina Silva. Atores de vulto da campanha de Dilma já admitem que a delação poderá abalar a campanha da candidata.

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