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Curtas do Poder

Curtas do poder

Não se desesperem! Trago aqui soluções viáveis para o impasse da Arena Fonte Nova, que, sem o Bahia, vai precisar arranjar outra utilidade. Tem um secretário que reclamou das minhas revelações e, na verdade, deveria me agradecer pelo conselho. Enquanto isso, o Primeiro Passo continua fadado ao tropeço por causa de uma pistola Taser e mais uma conta que não fecha no governo do Correria. Duvida?

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Entre os governos de Jaques Wagner e Rui Costa, já se passaram seis anos como secretário de Indústria, Comércio e Mineração, e a experiência faz James Correia ter a confiança necessária para garantir que tem contato fácil com alguns dos principais empresários do país. Nesta entrevista ao Bahia Notícias, ele conta que vai seguir usando desse bom relacionamento para atrair investimentos à Bahia, com o apoio do atual governador e da Superintendência de Desenvolvimento Industrial e Comercial. O secretário destaca que dos R$ 74 bilhões que o governo planeja investir em indústria nos próximos quatro anos, R$ 59 bilhões serão destinados para o interior do estado, e enumera alguns projetos que já estão em andamento e gerando empregos nas cidades de Feira de Santana, Jequié e Caetité, por exemplo. No entanto, Correia ressalta que ainda existem grandes obstáculos de infraestrutura que precisam ser derrubados para permitir à economia baiana um crescimento maior: "Os portos são o grande desafio na Região Metropolitana, e no interior é a Fiol e o Porto Sul. Esses são os desafios para a gente continuar atraindo empresas e desenvolvendo o estado".

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Terça, 31 de Março de 2015 - 08:24

Opinião: Josias de Souza com fina ironia: PT "rouba mas faz"

por Samuel Celestino

O comentarista de “A Folha da São Paulo”, Josias de Souza, faz, nesta terça-feira (31), uma pesada crítica à cúpula nacional do PT, a partir de uma reunião que possibilitou o encontro de Lula, o presidente do PT, Rui Falcão e dirigentes da legenda nos estados. Uma crítica irônica e, ao mesmo tempo, marcada pela fino humor do jornalista. Começa por dizer que o partido  “acredita na vida após a morte” e arremata de forma hilariante: “Após fenecer como partido, o PT tenta a sorte como piada”.  No seu manifesto, a legenda que antes dissipava esperança, agora desvia para o inaceitável, pelo menos para os leitores que estão em perfeita lucidez, ao anotar que “Como já reiteramos em outras ocasiões, somos a favor de investigar os fatos com o maior rigor e de punir corruptos e corruptores. […] E, caso qualquer filiado do PT seja condenado em virtude de eventuais falcatruas, será excluído de nossas fileiras.” Complementa Josias de Souza: “É como se o partido desejasse dar um banho de gargalhada no País”.  Lembra, então, que a última vez que o partido disse algo semelhante foi na época do mensalão. E passeia no passado: “Sua cúpula passou uma temporada enjaulada na Papuda. E não há vestígio de expulsão. Ao contrário. “Delúbio foi readmitido nos quadros da legenda, com as bênçãos de Lula e Dirceu e Genoíno são cultuados nos encontros partidários como “guerreiros do povo brasileiro”. Muda, sem cortar a continuidade do que escreve: “o cotidiano do petismo é uma tragédia que os petistas vivem como comédia.” O manifesto aponta a existência de “uma campanha de cerco e aniquilamento”, na qual vale tudo para acabar com o PT, “inclusive criminalizar a legenda.” Acentua, então, num arremate que não conclui (ainda) o seu comentário, que vai além. “Deve-se a criminalização do PT aos petistas que, ocupados em salvar o país, não tiveram tempo de ser honestos. A Procuradoria da República e o juiz Sérgio Moro elegeram como inimigo número 1 da honra petista o tesoureiro João Vaccari Neto. José Dirceu, reincidente, está na bica de ser convertido em inimigo número 2.” Lembra, noutro trecho, a pregação do manifesto:  “Perseguem-nos pelas nossas virtudes. Não suportam que o PT, em tão pouco tempo, tenha retirado da miséria extrema 36 milhões de brasileiros e brasileiras. Que nossos governos tenham possibilitado o ingresso de milhares de negros e pobres nas universidades.”  Por fim, Josias recorda o ex-governador de São Paulo do início da segunda metade do século passado, Adhemar de Barros, que até hoje, não se sabe o porquê, seu nome se transformou em avenida, no bairro de Ondina, aqui em Salvador: “Trata-se de uma reedição do velho discurso do 'rouba mas faz'. Só que num formato bem mais divertido.”

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Domingo, 29 de Março de 2015 - 07:50

Coluna A Tarde: Rui e os problemas de Dilma

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: Rui e os problemas de Dilma
Envolvido numa crise que a presidente Dilma Rousseff não viu, ou preferiu mentir para assegurar um segundo mandato, o País não está, no entanto, quebrado, mas com a sua economia embaraçada pela incompetência. Neste aspecto, os brasileiros chegam à conclusão, a partir das pesquisas de opinião, que Dilma não só prometeu o que não tinha para entregar, como não estava, e nunca esteve preparada para comandar o País. Responsabilidade de Lula, sem a menor dúvida, que garantiu ter optado pelo melhor quadro para sucedê-lo. Seguramente, pensou mais nele e numa volta ao poder do que na população brasileira. Ademais, a presidente não é virtuosa. Pelo contrário, é abertamente prepotente e arrogante. É uma senhora que se imagina ter mãos de ferro.

Os executivos dos estados que ascenderam ao poder nas últimas eleições, como Rui Costa, por exemplo, ficam agora entre a cruz e a caldeirinha. Sabem eles, todos eles, que dificilmente poderão honrar, embora desejem, as promessas feitas na campanha aos eleitores. A situação do País não permite, e dificilmente permitirá pelo menos nos próximos dois anos - quiça fique por aí – que as unidades federativas contem com ajuda do Palácio do Planalto para tocar as suas metas prioritárias.

Aqui na Bahia, o governador Rui Costa não diz, nem lhe compete declarar para não cultivar dificuldades, mas enfrentará problemas em diversos setores administrativos do estado. O governo da União já não tem nas mãos os recursos que transferiria aos estados e municípios. Dilma errou desde o primeiro dia da sua primeira gestão, embora tal realidade não fosse do conhecimento de segmentos variados da população, inclusive da própria presidente, porque ela não estava preparada para administrar.

Consequentemente, não tinha a menor noção do que fazia e quando isso acontece, como todo mundo sabe, passa-se a cometer em relação à economia erros sobre erros. Muitas vezes erros inadmissíveis. Somente agora, e estamos apenas no final do seu terceiro mês de segunda gestão, ela sabe, ou por ser arrogante presume, que esta perdida, isolada, e passou a ser refém do Congresso Nacional, da Câmara e do Senado. Já não depende do seu comando, mas do comando do presidente do Senado, Renan Calheiros, o que passa a ser uma ironia para o País, e do presidente da Câmara, Eduardo Cunha.

O governador Rui Costa, lá com seus botões, sabe que não fará o governo que pretendia diante da crise, que não é pequena. A não ser que uma fada-madrinha, com uma varinha mágica, surja do mundo das fantasias e o presenteie, enquanto governar, com alguns arco-íris variados cobrindo o território baiano, com potes de ouro onde os belos arcos têm fim. Ademais, o governador Jaques Wagner deixou dívidas em empréstimos bancários. Quanto, não se sabe. Mas os juros e a correção monetária em tempo de inflação serão implacáveis. Como então fazer? É uma incógnita.

O governador anterior conseguiu obter da união – de Dilma, acentue-se – dinheiro para as obras que ele tocou nos seus dois últimos anos no governo. Portanto, os governadores de unidades federativas e os prefeitos municipais não devem contar com o Palácio do Planalto. Trata-se, pelo que agora se observa, um sonho impossível.


* Coluna originalmente publicada na edição deste domingo (29) do jornal A Tarde


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Domingo, 29 de Março de 2015 - 07:50

Nem tudo está perdido

por Samuel Celestino

Mas nem tudo parece estar perdido. Em novembro do ano passado a presidente Dilma Rousseff, ainda inocente e presumivelmente no mundo da lua, resolveu atender às pressões dos governos estaduais e dos municípios, reduzindo juros e valores de empréstimos efetuados junto a união, para amenizar as dificuldades dos entes federativos. Ao cair em si neste segundo governo, a mandatária voltou atrás e disse não pretender regulamentar a lei em consequência da crise que ela “não sabia”. Gerou, como tem acontecido, uma nova briga com a Câmara e o Senado. Irmanados em torno do Congresso, deputados e senadores reagiram. Avisaram ao Palácio do Planalto que a última palavra sobre a indexação das dívidas dos estados e municípios caberá ao legislativo, e não ao governo. Xeque-mate, Dilma. Boa notícia para o governo de Rui Costa que passará a pagar prestações menores ao governo da união. Tem mais. Dilma terá à frente uma escolha: ou o Palácio do Planalto regulamenta a lei que anunciou em novembro último, ou cai diante do Congresso que fará a regulamentação. Não tem saída. Deputados e senadores, mesmo os que apoiam a presidente, petistas inclusive, não terão a coragem de ficar contra os estados que o elegeram. Quem ousar assim agir ficará marcado, como se marca boi no sertão.

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Sexta, 27 de Março de 2015 - 00:00

A sede de Leão é do tamanho do PP

por Samuel Celestino

A sede de Leão é do tamanho do PP
Foto: Max Haack / Ag. Haack / Bahia Notícias
A Superintendência de Desenvolvimento Industrial e Comercial (Sudic) é um órgão que gerencia mais de R$ 2,5 bi em terrenos destinados a atrair indústrias para o estado. Junto com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, ex-Secretaria da Indústria e Comércio, que tem à frente o empresário James Correia, é responsável pela execução da política de atração de indústrias e de novas empresas que geram empregos para os baianos. O vice-governador e secretário de Planejamento, João Leão, indicou o presidente e o diretor financeiro da Sudic. Tenta agora, desde o início do mês, demitir dois diretores técnicos que cuidam diretamente dos terrenos da empresa estatal. Este mês, o governador Rui Costa, depois de excluir um diretor da Sudic, voltou atrás na decisão três dias depois. Atendeu a um pedido do secretário James Correia. Arrependeu-se, ao que parece, da decisão tomada. Novamente mudou a sua decisão. Ao que se informa, João Leão, envolvido na Lava Jato - que o fez nacionalmente famoso pela forma que reagiu - rugiu mais alto, protegendo a sua legenda, o PP. Tudo isso, em resumo, envolve interesses pertencentes à Sudic. Não é só nos negócios da Petrobrás que a Operação Lava Jato detectou a sede e a fome do PP. O partido parece também que ambiciona os terrenos do governo da Bahia. Curioso é que durante oito anos Jaques Wagner preservou as diretorias técnicas da Sudic por considerá-las estratégicas para a política de atração de investimentos ao estado, que foi o carro chefe do seu governo. Um dirigente da Federação das Indústrias da Bahia (Fieb) relatou que “os empresários se arrepiam só em pensar que terão que negociar com o PP.” Aliás, a sede do PP - leia-se Leão - é tamanha que escolheu também para comandar a Secretaria de Recursos Hídricos, que tem um orçamento para a construção do Canal do Sertão acima de R$ 2 bilhões. E lá entronizou um cidadão ligado à legenda. O secretário indicado pelo PP, não por acaso, foi Cássio Peixoto, que foi demitido do Ministério das Cidades por suspeitas de irregularidades em licitações. Estão, como se nota, com sede e fome de ante-ontem. E haja terreno!

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Quinta, 26 de Março de 2015 - 07:40

Coluna A Tarde: O grito rouco das ruas

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: O grito rouco das ruas
Envolvida em situações antes impensáveis, a presidente Dilma Rousseff resolveu, ou, afinal, passou a aceitar conselhos na tentativa de mudar algumas posturas do seu governo – e dela própria - dentre as quais repensar os ajustes fiscais que ameaçam, em parte, a classe trabalhadora. Menos mal. Afinal, desenham-se à sua frente momentos dificílimos para a população em geral, atingindo (consequência da inflação que já dispara para 8%) a classe média e média baixa. Resumindo: o povão é que enfrenta a tempestade econômica porque, de maneira geral, a classe mais abastada não se abala: tem condições de enfrentar a crise e esperar que haja uma melhora no próximo ano ou o subsequente.

Acontece que para a presidente não há mesmo outras saídas senão baixar a guarda, ter mais sensatez, engolir o prato que lhe cabe, além de passar a governar com menor prepotência  e a arrogância que costuma exibir. Quanto mais agir assim, mais ficará isolada no seu labirinto, o que já ocorre. De tal maneira é que seus ministros preferem ficar à distância a estabelecer diálogos com a mandatária, o que seria de esperar numa situação grave e crítica como a que o País atravessa. Na pesquisa da CNT do início da semana, notou-se com os resultados que ela caminha para o fundo do poço mais rapidamente do que se supunha. Sua rejeição chegou a 65%, e seu governo passou a ser considerado bom apenas por 10% dos entrevistados.

Pouquíssimas vezes ocorreram situações como tal na República, desde que as pesquisas são realizadas. Segundo Marta Suplicy, numa imagem desconcertante, disse ela em artigo que publica semanalmente, que a presidente governa voando como se barata fosse. Às cegas. Marta, personagem histórico do PT, está deixando a legenda em busca do PSB. O partido, aliás, poderá vir a desabar, assim como ocorreu com a Arena dos ditadores, transformada depois em PDS, mais adiante em PFL e, por fim, em DEM, que já não consegue obter, exceto aqui em Salvador com ACM Neto, resultados eleitorais positivos.  Os partidos nascem e morrem. Para o DEM a única saída é tentar uma fusão com outra legenda, o que já estuda.

A presidente está sitiada, coisa rara, pelo Congresso. Especialmente pela Câmara comandada pelo presidente Eduardo Cunha (PMDB), estrela nova diante da crise que esta instalada. Nada é mais perfeito para entender Dilma senão lembrar o velhíssimo ditado “cada dia a sua agonia”. Agonia que, no seu caso, a cada dia piora e a distancia da interlocução política e, naturalmente, do povo. Produziu no seu mandato anterior tantas e tantas mentiras que a  população, só agora, entendeu que foi engabelada na campanha  eleitoral. Aliás, neste aspecto deve-se colocar também em foco o processo de queda do marketing político que tem comandado as últimas eleições no País a partir da candidatura (também mentirosa) de Fernando Collor.
       
Se não houver uma mudança na forma de conceber uma nova estrutura do marketing, em novo formato, seguramente ele afundará, porque perderá a credibilidade. Hoje se apresenta aos olhos da população como uma manipulação para eleger, a elevadíssimos custos, políticos a cargos executivos. Custos que podem ter surgido nas maracutaias da corrupção que, no momento, arrepia os brasileiros. No marketing de ontem e de anteontem, vale tudo, contanto que o candidato que o contratou tenha sucesso eleitoral. A partir da eleição do contratado mandam-se tudo às favas.
     
No de Dilma, valeu a mentirada pré-eleição onde tudo se resolvia no breu das tocas. Explorou-se, na campanha a base da pirâmide social onde se situam os mais necessitados e os mais desinformados e pré-alfabetizados. Foi o que aconteceu. A safra das mentiras veio à tona e a presidente perde nas pesquisas até nesta base. O povo tomou conhecimento do engodo.
    
A fragilidade que no momento se observa acompanhando Dilma Rousseff passa a ser tamanha que ela se arrisca (se já não aconteceu), ser refém do Congresso, especialmente da Câmara dos Deputados. Corre o sério risco de a presidente ceder os seus anéis até ao presidente do Senado – que diria – Renan Calheiros. É como na valha historio do ou dá ou desce. Renan se tornou, mesmo citado e investigado pelo Supremo Tribunal Federal a partir da Operação Lava Jato, o novo reizinho destes trópicos. Não é só ele. Também os aliados do Palácio do Planalto, como as centrais sindicais, que estão a serviço de Lula. A guerra é  ser contra o aumento dos impostos, com os empresários também a reclamar. Aliás, reclama o País inteiro, e o grito se ouvirá mais alto quando começarem (de certo modo já começou) o grito sem pecados dos trabalhadores para aumento de salários.


* Coluna originalmente publicada na edição desta quinta-feira (26) do jornal A Tarde


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Terça, 24 de Março de 2015 - 08:47

Confronto entre Vaccari, Dilma e o PT

por Samuel Celestino

Confronto entre Vaccari, Dilma e o PT
Vaccari no olho do furacão | Foto: Roosewelt Pinheiro/ABr
A cúpula do PT passou a se desentender com o Palácio do Planalto e consequentemente com a presidente Dilma Rousseff. Este fato demonstra que o partido está mais do que se imaginava internamente convulsionado e dividido. O último desentendimento envolve Dilma e o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, agora réu do processo do Lava Jato, juntamente com mais 26 envolvidos na corrupção com as empreiteiras. O Palácio do Planalto e a presidente querem que Vaccari Neto deixe o cargo, para que mais adiante as denúncias de corrupção contra ele não venham respingar na presidente (o que não está fora do contexto, na medida em que supostamente ele teria repassado dinheiro oriundo da corrupção para a campanha da Dilma em 2010). Ademais, caso Vaccari Neto, que não pretende largar o cargo, o fizesse, poderia melhorar a situação do PT, que é péssima, e a da presidente Dilma que vai de mal a pior. Ele, no entanto, é escorado pelo comando do partido, que promete defendê-lo até as últimas consequências. Pior para todos.

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Domingo, 22 de Março de 2015 - 12:50

Lula articula bancadas do PT na Câmara e Senado

por Samuel Celestino

Lula articula bancadas do PT na Câmara e Senado
Divulgação
De tal maneira o PT se esgarça que, incomodado, Lula resolveu  ser o articulador da bancada do partido tanto na Câmara como no Senado. Trata-se de uma resposta à incompetência da articulação política do Palácio do Planalto, daí porque um agrupamento petista já fala no nome de Jaques Wagner para substituir Aloízio Mercadante, mas encontra um obstáculo em Dilma que, ainda recentemente, avisou, para abafar o que se fala nos bastidores, que não pretende fazer mudanças no seu ministério, à exceção da vaga deixada pelas complicações geradas por Cid Gomes, demitido do ministério da Educação. Resta saber o que acontecerá com outro ministro, o da Relações Institucionais, Pepe Vargas, que está mais tonto do que barata em vôo. Por ora, Dilma Rousseff ouve muito pouco o seu criador, Lula. Se Wagner deixar o ministério da Defesa irá para a Casa Civil, e não para o lugar de Vargas. O ex-presidente passou a ser crítico da sua criatura, Dilma, que criou asas próprias, embora tortas, como se observa a partir da situação em que o País se encontra. Lula vê problemas com os desencontros internos do seu partido, somados com os que apontam para a corrupção e os resultados da Operação Lava Jato, que atingem e esfacela, de uma forma ou de outra, o PT.

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Domingo, 22 de Março de 2015 - 09:43

Datafolha: Dilma sabia de tudo

por Samuel Celestino

Datafolha: Dilma sabia de tudo
A cada dia, a agonia da presidente Dilma Rousseff aumenta e a sua credibilidade rola ladeira abaixo. Uma pesquisa feita pelo Datafolha nos dias 16 e 17 últimos, dando sequência à pesquisa anterior, apresentou uma constatação que  assombra: de acordo com a publicação de a ‘Folha de S.Paulo” deste domingo, nada menos do que oito entre 10 entrevistados têm agora a convicção de que a presidente “sabia de tudo”. Isso significa dizer que nada menos de 80% da população, aí incluídos, naturalmente, aqueles que nela votaram, se arrependeram, na medida em que 62% da população desaprovam o seu governo, como apareceu na pesquisa anterior. Mais ainda. Além de tal percentual acreditar que a presidente tinha conhecimento, ela “permitia que a corrupção na Petrobrás tivesse passagem livre”, ou seja, agisse com liberdade. A presidente não perde de todo, mas quando ganha algo positivo é desastroso: 23% disseram que ela sabia do que ocorria, “mas não podia fazer nada para impedir”. Mesmo sendo presidente da República. A situação piora para a petista e desmantela o PT. Ouvindo-se somente os eleitores que votaram em Aécio Neves, 94% acreditam que ela sabia de tudo. Assim um elevadíssimo percentual dos que votaram em Dilma têm, agora, a absoluta certeza de que se ela sabia, eles foram enganados.

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Domingo, 22 de Março de 2015 - 07:00

Coluna A TARDE: Momentos Incertos

por Samuel Celestino

Coluna A TARDE: Momentos Incertos
Dilma Rousseff deve estar dando graças aos santos por ter chegado ao fim a semana. Certamente jamais imaginou que mergulharia nas dificuldades e nas angustias que enfrentou. No isolamento do Palácio do Planalto assistiu a uma das maiores manifestações de rua que já ocorreu no País, tendo-a como o centro. E, pior, ver e sua popularidade desabar a níveis jamais imaginados, justo no terceiro mês do seu segundo governo, o que leva à presunção de um futuro difícil para a sua administração. Para completar, o País estarrecido assistiu a um desencontro entre o ministro da Educação, Cid Gomes, e praticamente toda a Câmara dos Deputados, segundo ele constituído de achacadores. Cid teria ido à Câmara, a pedido da presidente para se desculpar. Ao contrário, preferiu desencadear uma guerra congressual. Coisa de louco. Saiu de lá demitido, o que provavelmente já havia antes comunicado à presidente que deixaria o posto.
 
A crise que começou com a corrupção centralizada pela Petrobrás, empreiteiras e políticos, acabou por revelar que o País já estava com a sua economia cambaleante, atingindo diversos segmentos que tocam diretamente na população, especialmente a da baixa renda. De certa maneira o País como um todo. Nada que não seja do conhecimento.O início do segundo mandato de Dilma revelou também um PT, antes ornamentado por uma estrela vermelha reluzente, transformado num partido decadente, complicado, com fortes desentendimentos internos que atingem, inclusive, seu principal comandante-em-chefe, Luiz Inácio da Silva.
 
Com tamanho desconforto que nasceu na incapacidade de ação do Palácio do Planalto, o que vier a acontecer, mais adiante, por pior que se possa imaginar, não surpreenderá, porque o que também não era imaginado aconteceu na semana que passou. De presidencialista, dá-se a forte impressão que o Brasil transformou-se numa espécie de parlamentaristas às avessas sob o comando do presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Ninguém se entende e não há à frente nenhuma perspectiva de que o quadro sofra transformação em curto prazo. Vivenciam-se momentos absolutamente incertos.
   
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O GOVERNADOR E O PREFEITO- I
 
O governador Rui Costa e o prefeito ACM Neto afinal se encontraram para discutir questões administrativas da cidade. Pelo menos o encontro estava previsto até o fechamento desta coluna. A conversa ocorreu com a presunção de que seria longa. Portanto, ainda não havia informações precisas se Rui Costa e Neto passaram a se entender, de sorte que Salvador possa vir a mudar mais rapidamente a sua fisionomia e, de certo modo, a sua paisagem. É o que diz o governador.
 
Rui Costa e Neto desentenderam-se por questões vinculadas às administrações recíprocas. Basicamente envolvendo a liberação de alvarás para a realização de obras importantes, cujos recursos já estariam disponíveis. O principal deles, dentre outros, é a ampliação do metrô até Lauro de Freitas, cortando a Avenida Paralela, cujos trilhos, 40 mil deles, já se encontram à disposição do governo. O problema dos alvarás se vincula, a princípio, ao fato de o prefeito Neto não ter aprovado o projeto paisagístico da Paralela. Pelo projeto, o metrô cortará uma parte do ajardinamento central entre as duas pistas, utilizando o equivalente à largura de uma só pista de rolamento para veículos. No entrono dos trilhos e estações do metrô surgirá, segundo Rui, uma ampla arborização até o município vizinho. O canteiro central terá o ajardinamento refeito.
 
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O GOVERNADOR E O PREFEITO-II
 
A conversa não deve ter ficado somente na construção da segunda etapa do metrô até Lauro de Freitas. A agenda previa, a concessão também de alvarás para  o sistema VLT, a partir do subúrbio ferroviário até a Calçada. O projeto do governo prevê a remoção, com indenização, das casas próximas aos trilhos  antigos, abrindo-se uma ampla visão para a enseada da Ribeira, o que criará outro sítio turístico para a cidade.
 
Não só. Rui Costa disse que levaria para o encontro a recuperação do centro histórico de Salvador, também com recursos federais já disponíveis. Neste aspecto, o conflito (para a concessão do alvará e início da recuperação do sítio histórico)  vincula-se ao fato de o prefeito ACM Neto querer comandar o projeto e não deixá-lo sob o comando do governo do estado. Vale lembrar que o Centro histórico foi recuperado pelo então governador Antônio Carlos Magalhães e não pela Prefeitura Municipal de Salvador. Daí  mais uma razão do entrave também sustentado pela necessidade de recursos que o governo já disporia, oriundos do governo federal.

* Coluna publicada originalmente na edição deste domingo (22) do jornal A Tarde

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Quarta, 18 de Março de 2015 - 09:35

Opinião: Governo Dilma desaba

por Samuel Celestino

Opinião: Governo Dilma desaba
Foto: Agência Brasil
Em pouco mais de dois meses do seu segundo mandato, o governo Dilma Rousseff desabou e chegou a um nível de rejeição só semelhante ao de Fernando Collor, nos seus estertores, quando o impeachment já se encaminhava para expulsá-lo do poder. A presidente desabou para 62% de rejeição e apenas obteve  13% de  “ótimo e bom”, o que há três meses, já em parafuso, chegara ao patamar de 23% (pesquisa Datafolha). Isto vale dizer que, neste curto período, ela perdeu estonteantes 10 pontos percentuais. O PT também desaba, perde a auréola que antes tinha, quando reluzia a sua estrela vermelha, enquanto Lula, o inventor de Dilma, prefere ficar dela distanciado, embora a rejeição também o atinja, do mesmo modo como ao partido que fundou no início dos anos 80. Lula não conseguiu ser candidato em lugar dela. Não devolveu o posto a quem lhe colocou no cargo. Mesmo assim, a presidente conseguiu com uma pequena margem fazer o segundo mandato. Como as dificuldades do País são imensas, marcadas por uma crise econômica difícil de debelar, que tende a dificultar a vida da população nas classes variadas do País, principalmente a média e a média baixa, além, naturalmente da baixa. Consequência da inflação que torna o Brasil um País caro, com possibilidades de, ao invés de melhorar a vida dos necessitados, piorá-la, retroagindo a miséria. Dilma é resultante de acontecimentos que aconteceram lá no governo Lula, o mensalão e o início das dificuldades da Petrobras através da corrupção mais descarada que se tem notícia na República. A presidente, como já sabido, está praticamente isolada no Palácio do Planalto. Não tem equipe ministerial competente para estabelecer um diálogo elevado para mudar as circunstâncias através do Congresso Nacional e, assim, passa a ser, como poucas vezes aconteceu, refém do Poder Legislativo. A empáfia que antes estava presente na presidente Dilma caiu por terra. Ela, na verdade, jamais conseguiu ser popular, ao contrário de Lula. O seu grande programa, o PAC, dele já não se fala, enquanto os programas tipo “Minha Casa Minha Vida” estão envolvidos em dificuldades com empreiteiras, com obras atrasadas, invasões dos imóveis inacabados, e outras dificuldades mais que cercam o seu governo, cujos reflexos também serão sentidos em todos os estados federativos, sem exceção. A reeleição de um presidente acontece pela terceira vez. Caberá a ela enterrá-la por não ter dado certo, a partir da esperada reforma política. Espanta é que, antes de fechar três meses do seu segundo mandato, a presidente desabe e passe a ser rejeitada até pelos que nela votaram, porque chegar ao nível “péssimo e ruim” da forma como acontece denota que os seus eleitores de outubro passaram a se arrepender do voto que colocaram nas urnas.

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Terça, 17 de Março de 2015 - 09:34

Opinião: Ou muda a interlocução ou não há acordo

por Samuel Celestino

Opinião: Ou muda a interlocução ou não há acordo
Cunha e Calheiros dão as cartas no Congresso Nacional | Foto: Agência Brasil
O núcleo político do Palácio do Planalto, liderado pela presidente Dilma, está na obrigação de encontrar uma fórmula pacificadora entre o Executivo e o Congresso Nacional, de sorte a descobrir um caminho para facilitar o entendimento entre os dois poderes. Sem que isso aconteça, o clima de crise continuará a pairar sobre a República, dificultando os entendimentos entre o governo e os congressistas que, de há muito, não experimentam uma situação como a que agora se vê instalada. O governo tem interlocutores fracos para cuidar dos entendimentos políticos, enquanto no Congresso – Senado e Câmara – dá-se o inverso: o presidente da Câmara, Eduardo Cunha dá todas as cartas, conseguiu a respeitabilidade dos parlamentares de diferentes partidos e, no Senado, Renan Calheiros, mesmo baleado, assume uma postura de desencontro em relação ao Palácio do Planalto. Sem que haja instalado um clima de entendimento não será possível chegara-se a um denominador comum sobre as propostas de mudanças que o ministro da Fazenda Joaquim Levy necessita para mudar os rumos da economia. Ou se realiza um pacto entre os dois poderes ou a economia não sofrerá mudanças estruturais que o País está a exigir. Embora marcados pela Operação Lava Jato, Câmara e Senado estão mais atuantes por dispor, ao contrário do Palácio do Planalto, de bons interlocutores para negociar acordos que possam tirar o País do buraco em que foi metido. Nos próximos dias a presidente promete remeter ao Congresso um pacote de combate à corrupção que se entranhou em variados setores da República, além das medidas que já se encontram nas duas Casas, essenciais para, queira-se ou não, com apertos ou não, mudar o quadro de crise. O desafio está no Executivo e o no Legislativo. Para que o Palácio tenha êxito, terá que mudar seu cenário interno, com uma reforma ministerial precoce livrando-se de alguns membros da sua equipe. Dilma não teve sorte, ou foi muita teimosa, ao dividir o ministério entre partidos que apresentaram integrantes incompetentes para realizar as interlocuções políticas.    

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Terça, 17 de Março de 2015 - 07:40

Coluna A Tarde: O labirinto de Dilma

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: O labirinto de Dilma
A presidente Dilma teria a obrigação de estar à frente da entrevista coletiva de domingo último, mas preferiu, por temor, transferir a missão a dois dos seus ministros. A eles coube a missão de explicar o que agora ela pretende fazer a partir da sublevação da população nas ruas de todos os estados da federação e de um número ainda incalculável de municípios Brasil afora. De certo modo, os ministros apenas repetiram as mesmas promessas que a presidente já fizera muito antes, nas manifestações de 2013. E não cumpriu nenhuma delas. Incluem-se entre tais um pacote de medidas de combate a corrupção, a velha e batida reforma política, além do impedimento de empresas privadas patrocinarem campanhas de candidatos e de partidos. Ela não compareceu diante das câmeras certamente para não ficar à frente de um pelotão de jornalistas. Ser-lhe-ia difícil anunciar as mesmas mentiras.

Uma chefa de estado que se esconde para não comparecer a público, evita a obrigação por temor ou vergonha de explicar-se à população do País em convulsão, de norte a sul. Se assim é, já não está em condições de governar. Não foi uma manifestação pequena. O Brasil assistiu durante todo o domingo à mobilização mais intensa desde as Diretas Já, o primeiro grito da República pelas eleições diretas no início dos anos 80. Dilma se escondeu no seu labirinto palaciano para não tremer e claudicar frente às câmeras, sabendo que as ruas estavam apinhadas de manifestantes. Além do mais, qual seria a nova mentira que teria a oferecer aos brasileiros?

Usou, então, dois ministros como escudos: o da Justiça, José Eduardo Cardozo, e o secretário-geral da Presidência, Miguel Rossetto. Cumpriram a missão que lhes cabiam e nada disseram além do que o Palácio do Planalto já havia anunciado. Assim mesmo, enquanto se explicavam diversas capitais do País manifestavam-se com mais um panelaço de revolta, na verdade dirigido à presidente, tal como ocorrera no domingo anterior.

A situação da presidente Dilma Rousseff só se compara, num retrocesso político não tão recente, mas também não tão distante, ao que ocorreu com a rejeição nacional de Fernando Collor, agora envolvido (novamente) em corrupção, de acordo com a lista do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Com uma diferença: Collor caiu pelo impeachment, porque havia consistência constitucional para isso. Dilma, no entanto, está no governo, em segundo mandato, há dois meses e meio. Ela não cometeu nenhum pecado maior, a não ser empurrar o País para a sarjeta da economia neste pequeno período. Assim, fica protegida pela Constituição da República. Por ora. A corrupção que levou a maior estatal brasileira, a Petrobras, a uma situação insustentável, ocorreu no seu governo anterior e, até agora, ainda não surgiram indícios fortes que a incriminem.

Assim como no período Collor, a presidente já não tem sustentação congressual. O seu partido, o PT, está além de dividido mergulhado num processo de decadência e rejeição do qual dificilmente sairá, assim como aconteceu com o extinto PFL, hoje uma mistura de arrivistas batizado como DEM. O problema da presidente se complica porque ela, por ora, já não encontra sustentação no Congresso Nacional, onde a sua recente base de apoio, como o PT, PMDB e PP à frente, enfrenta uma erosão política até pouco tempo inimaginável. Sua interlocução é quase zero. Ela própria, Dilma Rousseff, uma governante de temperamento difícil e complicado por não saber o que é verdade e o que é mentira, ajudou a levantar o muro que hoje separa o Palácio do Planalto - o labirinto onde se isola - e o Congresso Nacional.

Seus interlocutores políticos são muito fracos, senão incompetentes. De tal sorte que ela e Lula, por ela responsável (agora arrependido) se estranharam na semana passada numa conversa que chegou aos gritos. De uma parte e de outra. O seu criador considera o ministério dela muito fraco, e de fato é. Aconselhou-a, há menos de três meses do início do seu segundo mandato, a realizar uma reforma para recompor as forças políticas que formavam a base de sustentação no Senado e na Câmara.

Talvez já seja uma situação difícil de remediar. À frente da Câmara está Eduardo Cunha e o Senado é comandado pelo maculado Renan Calheiros, ambos dela distanciados. Sem o Congresso Dilma não governa. Se não conseguir apoios das duas Casas, seu segundo mandato enfrentará problemas de tal ordem que, diante do futuro, o que ocorreu nas manifestações deste domingo último será um episódio menor. Para ela permanecer no governo, terá que reunir forças além do imaginável.

Ninguém em política corre atrás de quem está perdendo. É o jogo. Se ela chegar ao isolamento político, “o futuro a Deus pertence”, como assinalou um antigo e já falecido político.


* Coluna publicada originalmente na edição desta terça-feira (17) do jornal A Tarde


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Segunda, 16 de Março de 2015 - 14:29

Levy: 'Brasil já não suporta medidas de estímulo'

por Samuel Celestino

Levy: 'Brasil já não suporta medidas de estímulo'
Foto: Wilson Dias/ Agência Brasil
Em palestra que fez na Associação Comercial de São Paulo, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse que “o país não suporta mais outras medidas de estímulo”, que são, no seu entender, medidas insustentáveis do ponto de vista fiscal. Chamou atenção uma declaração por ele feita, segundo a qual  “temos que equilibrar o BNDES e eliminar mudanças que tinham sido feitas (no banco)”. Não se reportou ao fato, mas imagina-se que tais medidas em relação ao BNDES tenham sido tomadas nos últimos anos, como, aliás, foram as tais medidas de estímulo à economia e que não deram certo. Disse, ainda,  que os cortes ora feitos “ocorrem dentro dos limites do Executivo, mas são barrados por gastos obrigatórios aprovados pelo Congresso Nacional”. O que vale dizer que o Executivo corta e o Legislativo gasta.

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Segunda, 16 de Março de 2015 - 10:13

O governo perdeu o controle

por Samuel Celestino

O governo perdeu o controle
Foto: Agência Brasil
A coluna Painel de “A Folha de. S. Paulo” informa nesta segunda-feira (16) que ainda esta semana o Planalto enviará ao Congresso o pacote de medidas anticorrupção (prometido por Dilma desde as manifestações de 2013) e provavelmente tentará apaziguar o PMDB oferecendo à legenda o ministério de Integração Nacional. O ministro de Relações Internacionais, Pepe Vargas, está praticamente fora da equipe (vai sobrar, o que para ele é péssimo, para o ministro da Defesa, Jaques Wagner). A presidente Dilma está acuada. Terá que fazer de tudo para escapar, o que não parece fácil porque no momento quem está comandando o País não é o governo, e sim as ruas sublevadas. Agradar o PMDB com um ministério também não parece levar a lugar algum. O partido não ficará contra as ruas, que já empurra o PT para um processo de decadência. De tal maneira que nem o ex-presidente Lula escapa. Ele já não tem o mesmo prestígio de antes.

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Domingo, 15 de Março de 2015 - 07:40

Coluna A Tarde: O brilho da estrela nova

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: O brilho da estrela nova
Se “as estrelas mudam de lugar”, como na composição de Roberto e Erasmo, o “fenômeno”, não tão poético como na música, está a acontecer também agora na Praça dos Três Poderes, em Brasília. Já não brilha como antes a estrela vermelha do PT. Não a da bandeira - por sinal também opaca - mas a da presidência onde, antes, Dilma Rousseff cintilava. No momento, quem passou a brilhar, pelo menos ficou evidente na reunião da CPI da Petrobras realizada na quinta-feira (12), foi o presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Ele próprio se escalou para ser sabatinado. Certamente sabia que seria aclamado pelos deputados como líder maior. E assim foi feito por quase todos os partidos, PT inclusive. Muito à semelhança do sistema parlamentarista. Em seu palácio, Rousseff silenciou.

Se uma estrela se apaga diante da crise que se abateu sobre o seu governo, envenenando a economia do País, no outro lado da Praça Eduardo Cunha se transformou no comandante-em-chefe e defensor maior dos políticos que serão investigados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Escolheu sem a ninguém consultar, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, como alvo, ao considerá-lo carrasco dos supostos políticos envolvidos na corrupção. Não se esqueceu de dizer que “a lama que estava do outro lado da Praça dos Três Poderes foi transferida para o Congresso”.

Depois de quatro horas de discurso sem que houvesse praticamente perguntas dos deputados ao seu líder, o presidente da Câmara encerrou o  que tinha a dizer – e disse muito - sob aclamação, como se fora ele um “Charles anjo 45, defensor dos pobres e dos oprimidos”, para lembrar agora a música de Jorge Ben Jor, antes Jorge Ben. Enquanto Dilma derrapa e experimenta momentos de intensas dificuldades, inclusive como sua equipe ministerial, Eduardo Cunha tenta desmanchar aquilo que contra ele foi dito pelos delatores da Operação Lava Jato, entendendo tudo como se fora uma articulação entre Dilma e o procurador-geral da Justiça, urdida durante um encontro entre ela e Rodrigo Janot.

Para os políticos citados e com nomes encaminhados ao Supremo Tribunal Federal, quanto mais confusão melhor, porque todos repetem a mesma catilinária pontuada pela inocência. Quando muito, alegam que o dinheiro recebido para as suas campanhas não foi resultado de propina, mas recursos doados por empreiteiras dentro da legalidade, e desta forma informada à Justiça Eleitoral. Em outro entendimento (que não aceitam) não foi dinheiro ilegítimo de empreiteiras, ou propinas oriundas de contratos superfaturados fechados com a Petrobras. Todos, enfim, se consideram santos.

Se Eduardo Cunha já havia derrotado na sua eleição à Presidência da Câmara o Palácio do Planalto e o candidato lançado pelo PT, a estratégia de se auto-convocar para depor na CPI foi um golpe de mestre. De tal maneira que, para evitar a aglomeração de parlamentares todos querendo abraçá-lo ao concluir o seu discurso (porque apenas em dois momentos ousaram sabatiná-lo), Cunha driblou como lhe foi possível as homenagens a ele e rapidamente deixou a sala da CPI em direção ao seu gabinete, no que foi acompanhado por muitos liderados. Como já dito, parlamentares citados pelas delações do Lava Jato vêm nele uma espécie de tábua de salvação para tirá-los do atoleiro em que estão mergulhados.

Há muitos fatos, como se observa, acontecendo nesta República tropical extra- crise, mas de uma forma ou de outra a ela vinculada. A um só tempo, apaga-se a estrela da presidente Dilma e surge o presidente da Câmara na condição de líder novo, cintilante, ousado, impetuoso, comandando o Congresso, deixando, naturalmente, o presidente do Senado, Renan Calheiros, na rabeira.

São fatos curiosos que emergem. Melhor é entendê-los como acontecimentos isolados, resultantes de uma crise perversa que coloca o Brasil imerso em dificuldades que ninguém sabe onde afinal irão.


* Coluna publicada originalmente na edição deste domingo (15) do jornal A Tarde


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Quinta, 12 de Março de 2015 - 09:53

Marcos Presídio, a marca do vencedor

por Samuel Celestino

Marcos Presídio, a marca do vencedor
Foto: Divulgação
O novo integrante do Tribunal de Contas do Estado, Marcos Presídio, é um vencedor. Ocupará a vaga deixada por Zezéu Ribeiro e chegará à corte com 54 votos favoráveis, de 63 deputados da Assembleia Legislativa, e dois em branco. Durante 18 anos, Presídio exerceu a função de Superintendente de Administração e Finanças da Assembléia. Sua vida tem sido marcada por uma luta incessante contra a adversidade. Ainda menino, perdeu o pai, Fernando Presídio, jornalista nos anos 70  e 80, vitimado quando, candidato a deputado estadual, no acidente aéreo que levou à morte a comitiva que acompanhava o então candidato ao governo da Bahia, Clériston Andrade, em outubro de 1981. A queda do aparelho, numa tarde chuvosa, ocorreu próxima ao município de Caatiba. Marcos Presídio tinha à época apenas 12 anos, e mais duas irmãs. Os três filhos foram então sustentados com dificuldade pela viúva ainda jovem, Suzana. Marcos começou a trabalhar muito cedo.  Era preciso. Fernando, então repórter do Diário de Notícias, era amicíssimo de Luís Eduardo Magalhães e presença diária na Assembleia Legislativa, que funcionava então na Praça da Sé, no edifício da Associação Bahiana de Imprensa. Era lá que exercitava a sua profissão realizando a cobertura jornalista a ele reservada. Apaixonou-se pela política e morreu em consequência dela. A trajetória de Marcos Presídio até chegar, em glória, ao Tribunal de Contas do Estado foi, portanto, pontuada por imensas dificuldades que a todas enfrentou e as venceu. Assim, indicado pelo presidente da AL-BA, Marcelo Nilo, ele é resultado dele próprio, da sua competência e vocação de vitorioso. Uma escolha que honra a Assembleia e honrará mais ainda o Tribunal de Contas do Estado. Enfim, uma história de vencedor.    

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Quinta, 12 de Março de 2015 - 07:40

Coluna A Tarde: Ao Deus dará

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: Ao Deus dará
Dilma Rousseff está entre a cruz e a caldeirinha. Ou, se quiserem entre a cruz e a espada. Atravessa, levando o Brasil com ela, dificuldades até pouco tempo inimagináveis, oriundas do seu primeiro mandato. De temperamento difícil, jamais reconheceu como resultado de um comando para o qual ela não estava preparada para exercitar. Surgiu de um projeto político concebido por Lula que teria, depois do mandato da sua cria, continuidade com ele, num retorno ao Planalto. Era o projeto de 20 anos no poder, do qual José Dirceu, então chefe da Casa Civil, foi partícipe. A presidente começou a errar ao organizar uma equipe ministerial de governo incompetente, à frente o fraquíssimo ministro da Fazenda Guido Mantega, senhor de todas as mentiras.

A presidente está hoje isolada. Não no Palácio do Planalto, mas no castelo que sonhou. Para Lula, Dilma era perfeita para conduzir o projeto do PT. Sequer pensou em outro nome. Seria ela, até porque jamais fora política e suas ambições não seriam maiores do que a estatura do criador, ele próprio. O PT, fundado lá no início dos anos 80 pelo então metalúrgico alicerçado pelas Comunidades Eclesiais de Base da Igreja Católica (Frei Beto à frente) e por intelectuais de formação diversificadas. O partido sofreu desde a sua fundação uma metamorfose que acabou por afastar grande parte da igreja e dos intelectuais que divergiram das mudanças ocorridas no partido. Desapareceram quase em massa após o mensalão e outras tramóias engendradas no alto escalão da legenda.

O isolamento de Dilma fica claro a partir da sua reeleição quando o País tomou conhecimento de que a sua pregação eleitoral estava muito distante da realidade. Explodiu com a corrupção generalizada através de segmentos que transformaram a Petrobras em massa de manobra para propinas e tudo o mais que o Brasil, em choque, tomou conhecimento. A partir de dezembro último, mas, especialmente, no primeiro mês do segundo mandato, a economia brasileira deu sinais evidentes de que o País estava, como está, à beira de um colapso econômico que atingirá a sua população de maneira geral, com peso maior nas classes menos favorecidas.

Isolada na sua torre do castelo sonhado, Rousseff ficou sem contatos, porque com o escândalo da Petrobras o sistema político congressual foi levado também à breca, com as descobertas da Operação Lava Jato que deu conhecimento da absoluta falta de ética dos principais setores da República, a começar pelos políticos, PT à frente, que idealizaram a roubalheira, tomando como exemplo o que foi idealizado pelo mensalão, lá em 2003, no início do primeiro governo de Lula. Tornou-se maior, muito maior, espraiou-se pelas estatais (algumas ainda virão à tona) e como instrumento de saques das empreiteiras beneficiadas por contratos superfaturados. Abriu-se, então, a torneira para a distribuição de propinas, partidos e políticos na dianteira.

Como cabra-cega, Dilma já não sabe para onde vai. No domingo último, dia Internacional da Mulher, ela, em rede nacional de televisão, abusou de um discurso extenso, cansativo, com poucas verdades, responsabilizando o que está a ocorrer como resultado da crise econômica internacional. Esta crise já está ultrapassada, a não ser em poucos países como Portugal, Espanha e, principalmente, a Grécia. O discurso demonstrou também o seu isolamento. É inadmissível que, dentre os seus assessores, não houvesse quem a aconselhasse. Primeiro, sugerindo-a diminuir o texto cansativo, massacrante, desrespeitoso por não conter verdades e que acabou gerando vaias e manifestações na mesma noite de domingo em diversas capitais do País.

As consequências daqui para frente tendem, supõe-se, a piorar. As vaias serão suas companheiras quando surgir em público, como ocorreu em São Paulo. O futuro da presidente, embora o impeachment seja um absurdo inaceitável, passa a ser uma interrogação. Onde vai parar? Até que ponto o Planalto ainda acha que a população continuará sendo engabelada? De que maneira será possível o Brasil sair da situação em que está mergulhado com a economia rodopiando ladeira abaixo, e o mundo inteiro voltado para o que poderá acontecer num País que, ainda outro dia, estava na condição de emergente, na posição de sétima economia mundial. É em São Paulo, coração industrial do gigante, onde está o principal  foco de reação a ela e ao PT.

São tantas, são muitas perguntas, principalmente sobre o que acontecerá também como o Congresso, cujos presidentes das duas casas, Senado e Câmara, estão mergulhados na relação dos possíveis envolvidos na corrupção. Como fazer para reorganizar os entes federativos, os estados com seus municípios, que certamente atravessarão imensas dificuldades. A verdade é que não se pode mentir diante de tamanhas dificuldades. A verdade sempre emerge e o prejuízo maior será para quem mente.


* Coluna publicada originalmenre na edição desta quinta-feira (12) do jornal A Tarde


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Terça, 10 de Março de 2015 - 07:50

Coluna A Tarde: A ciranda da crise

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: A ciranda da crise
A economia e a política deram-se as mãos e construíram uma crise num processo que somente emergiu recentemente. Tomou-se, agora, conhecimento do que já acontecia de há muito tempo. Chega-se à conclusão de que os problemas, então desconhecidos foram gerados na década passada, com o mensalão, que deu origem ao petrolão. Já não há mais segredo para tal verdade. Tudo teve origem no governo Lula, embora petistas façam referências ao período FHC, tese recusada pelo Judiciário. Sentou praça, porém, em 2010, na primeira campanha de Dilma, explodindo, com mãos entrelaçadas, no último ano do seu quadriênio. Ao conhecimento público veio à luz nos meses de novembro-dezembro do ano passado.

Teme-se que seja apenas o início de momentos piores no decorrer de 2015, quando a caixa-preta for totalmente aberta pelas investigações, tudo embrulhado na incompetência, na roubalheira, na desfaçatez, no faz-de-conta-que-não-sei e na peteca que o País foi transformado. O que vai acontecer? Tudo é possível na medida em que não existe o impossível. Por ora, paira uma imensa interrogação envolta num pacote que começará a emergir provavelmente daqui a um mês. Até quando? Uma nova interrogação responde.

Tudo está nas mãos do ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), do juiz Sérgio Moro, dos seus promotores e auxiliares. Enquanto isso, o País queda-se nas perguntas acima colocadas. Os políticos e partidos, como sempre se declaram todos inocentes da roubalheira - menos para o governador da Bahia, Rui Costa (ver nota abaixo). A pilhagem via empreiteira quase desmonta a Petrobras, que está a cambalear. Já a parte econômica, a presidente Dilma Rousseff, desprezada pela opinião pública e isolada no Palácio do Planalto, tenta  uma reforma e já não encontra sustentação no Congresso.

Foi-se, água abaixo, a coalizão partidária que lhe dava apoio, principalmente no PMDB. Neste partido, há traidores a cada esquina, comandados pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Mas eles estão também presentes dentro do PT, que rejeita o pacote fiscal Esta reforma quebra benefícios trabalhistas e previdenciários, dentre outros. Como Dilma desconstrói os erros cometidos (escondidos) no seu primeiro quadriênio, a situação passa a ser perversa. Não há, ao que parece, saída. Ou o Congresso cede ou o Brasil desaba, porque todos os erros, ou malfeitos (no sentido correto, não como a presidente entende) estavam camuflados na política econômica do seu governo anterior. Está aí, neste dilema, o desafio que o ministro da Fazenda, Joaquim Levi, enfrenta. Se ele perder a parada na Câmara e no Senado, Dilma rodopia.    

A situação para o governo é mais perversa do que se imagina, porque o PMDB está sublevado, no Senado e na Câmara. O PT, dividido, e a oposição unida. Os parlamentares estão, no momento, preocupados com a roubalheira da qual participaram com dinheiro distribuído através de intermediários pelas empreiteiras. Eles estão com as burras cheias. O que vai acontecer a partir deste quadro só o futuro dirá. Dilma Rousseff realizou no Dia Internacional das Mulheres, na noite deste domingo, um pronunciamento recheado de mentiras. Discurso completamente avesso à realidade que o Brasil enfrenta. O resultado foram comentários críticos desairosos ao que disse na rede nacional de televisão, críticas forte e protestos em diversas capitais que desligaram as luzes dos apartamentos, numa resposta ao que dizia, acompanhado de apitaços e panelaços. Além da incompetência, mentiras.


* Coluna publicada originalmente na edição desta terça-feira (10) do jornal A Tarde


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Terça, 10 de Março de 2015 - 07:50

Todos mamaram

por Samuel Celestino

Todos mamaram
Foto: Betto Jr./ Ag. Haack/ Bahia Notícias
O governador Rui Costa fez uma revelação segundo a qual “desconhece o partido que não recebeu doação para campanha eleitoral de empreiteiras”. O que se pode interpretar do que disse é que a República está podre, porque os recursos de doações não saíram das tais empreiteiras mas, sim, foram provenientes do roubo que a Petrobras foi vítima, que a deixou cambaleante e o País aos pedaços. Mais ainda: provavelmente não foi dinheiro exclusivamente da petroleira, mas de outras estatais. Em outras palavras, Rui Costas chega à conclusão óbvia, clara e perigosa, que os mandatos eleitorais são oriundos da putrefação do sistema partidário, comprovado na Operação Lava Jato. Tais mandatos provenientes de doações do roubo têm legitimidade? Como se pretende investigar o dinheiro que foi remetido aos estados, principalmente com origem no PT, PMDB e PP, as três legendas mais citadas, passa-se a ter uma revelação importante, a partir do governador da Bahia. Rui Costa dá uma pista importantíssima para chegar-se “ao caminho trilhado pelo dinheiro”.

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Domingo, 08 de Março de 2015 - 07:40

Coluna A Tarde: Sanatório Brasil

Coluna A Tarde: Sanatório Brasil
O País assemelha-se a um estranho que passeia na frente de um manicômio do seu exato tamanho. Convulsionado pela realidade mergulhada em crise, observa-se uma presidente reclusa que nada tem a dizer ou a explicar. Um zumbi da política. Não tem mesmo o que falar. O Poder Executivo está de ponta-cabeça. Já o Congresso experimenta um pânico total e treme nas suas bases. Vê-se um presidente do Senado andando como um pato manco pelos corredores da Casa, arrodeado de áulicos e de jornalistas, fingindo rir para não chorar. Está imerso nas suas imensas preocupações, resultado da própria índole. O presidente da Câmara também perdido, por estar, assim como Renan Calheiros, citado na lista Janot, completa o quadro. Eduardo Cunha designou para a presidência da CPI da Petrobras um deputado inexperiente, de apenas 25 anos. É doidice mesmo na porta do manicômio Brasil.

Na primeira sessão, o menino-presidente duplicou as quatro relatorias importantes da CPI. Transforma-as em oito sem a ninguém consultar. O pau quebrou na casa da mãe Joana. Arranjou uma briga, na qual rebateu repetindo o mesmo refrão: “me respeite, me respeite, respeite”. Tudo isso acossado por parlamentares com os dedos indicadores em riste dirigidos à sua cara. Deputados deselegantes e com pouca representatividade no parlamento. O Brasil virou um sanatório geral.

Já o Judiciário, único poder silencioso, manteve-se, até aqui, na postura que lhe cabe, pelo menos o Supremo Tribunal Federal (STF). O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, redigiu um documento dirigido aos procuradores do Ministério Público explicando as suas posições no relatório encaminhado à Suprema Corte. Mas, para que não deixasse de apresentar nada que não fosse burlesco à República, ofereceu o triste caso de um complicado juiz federal que acabou afastado das suas funções por perder a cabeça e dirigir dois carros de luxo do ex-bilionário Eike Batista, que o juiz confiscara para garantir o pagamento de supostas dívidas. O desconhecido magistrado integrante do sanatório da República, quis experimentar e se exibir, a partir de uma loucura qualquer, dirigindo carrões para sentir o sabor (é a única suposição possível) de ser também um bilionário. Experimentou a sensação de ser um Eike de toga.

Dilma saiu vitoriosa de uma eleição comemorada ainda outro dia. Logo depois entrou no segundo mandato completamente derrotada. Tudo muito rápido porque no meio havia mentiras, como acentuou, em artigo, a senador Marta Suplicy. Ela e o País. O cenário, assim, se revela carimbado por um desastre governamental, consequência da incompetência da presidente; da corrupção que ameaça a Petrobras e a economia, já em total parafuso. Caberá à população pagar a conta do despreparo. Assim, Executivo e Legislativo, a um só tempo, atravessam uma fase complicadíssima.

A base de sustentação do governo desaba. O PMDB, temendo a cassação de mandatos em massa, está preocupado com ele próprio e se aproxima da oposição. Se o Congresso não cumprir o dever que lhe cabe, cassando mandatos corrompidos, o que poderá acontecer mais adiante? Muitos integrantes do Conselho de Ética, primeira etapa da cassação, tiveram os seus mandatos bancados por doações de empreiteiras envolvidas na Operação Lava Jato. Trópicos complicados. Sequer convém imaginar o que poderá vir por aí. Não será seguramente coisa boa para os brasileiros, que imaginavam que tempos como estes haviam ficado no passado.

Com os nomes dos políticos envolvidos a partir da divulgação pelo Supremo, teremos nas semanas que se seguem, talvez alcançando todo este ano de 2015, uma situação impensável antes das eleições de outubro. Estava tudo debaixo do pano. Engabelaram os brasileiros. Mentiram e mentiram descaradamente.


* Coluna publicada originalmente na edição deste domingo (8) do jornal A Tarde


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O Brasil que foi às ruas em 15 de março para protestar contra a Dilma Rousseff, a corrupção e o PT é bem diferente daquele que se mobilizou em 16 de abril de 1984, quando mais de um milhão e meio de pessoas se juntaram, no Anhangabaú, em São Paulo, na esteira do movimento em prol das Diretas Já. Naquele ciclo, a luta cívica tinha como alvo a defesa das liberdades e a escolha, pelo povo, do seu mandatário. Hoje, esses direitos se consagram na nossa Constituição. Também difere do país que, em 20 de junho de 2013, registrou mais de 1,5 milhão de pessoas nas ruas, protestando contra taxas dos transportes públicos e serviços precários nas áreas de saúde, educação e segurança, entre outros temas.

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Publicada no Jornal "A Tarde" em 28 de março de 1999: Uma jovem senhora que nasceu na política

A cidade de Salvador festeja, amanhã, 450 anos. A coluna, por não ser editada às segundas-feiras, antecipa a homenagem que deseja a ela prestar, com uma crônica que escrevi para a revista “Neon”. Transcrevo-a. O fracasso de Francisco Pereira Coutinho como donatário da capitania hereditária da Bahia, impeliu D. João III a criar um Governo Geral, com jurisdição sobre todo o território, e para aqui mandou Thomé de Souza, primeiro governador-geral, que desembarcou no dia 29 de março de 1549 para fundar Salvador.

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