Quarta, 25 de Maio de 2016 - 10:56

Dilemas do governador e do prefeito

por Samuel Celestino

Dilemas do governador e do prefeito
Foto: Manu Dias / GOVBA
Aprovada a emenda fiscal na madrugada desta quarta-feira (25), passa-se a fazer conjecturas sobre a política baiana, basicamente em relação ao governador Rui Costa e ao prefeito de Salvador, ACM Neto. O primeiro foca a reeleição e, o segundo, deseja lançar-se candidato ao governo do Estado, uma tarefa muito mais difícil. Rui está constantemente visitando os municípios interioranos e tem fôlego suficiente para chegar em 2018 sem percalços. O governo que comanda é positivo em todos os aspectos e o de Neto não fica atrás na gestão municipal, mas tem contra ele uma grande dificuldade: como penetrar nos municípios, já que a sua base fica estritamente na capital, enquanto o governador tem facilidade para se movimentar por onde bem entender no território baiano? Outra questão é a reeleição de Neto à prefeitura em outubro próximo, para ficar dois anos no cargo e se desincompatibilizar na tentativa de  alcançar o governo. Para Rui, basta chegar ao final do seu mandato e se colocar como candidato para um novo mandato e ponto final. As dificuldades são assim mais pesadas para Neto. Terá a obrigação, mesmo como prefeito da capital, de se deslocar em visitas aos municípios para captar votos. Se Rui ganhar a aposta e reeleger-se, como ficará ACM Neto em 2018, já que não poderá retornar ao cargo? Ficará fora da política? É um dilema complicado. Como existe tempo suficiente para uma decisão, as circunstâncias ficam encarregadas de indicá-lo o caminho. Trata-se de um político astuto e, mais do que isso, decidido. Principalmente agora que passa a ter no presidente interino, Michel Temer, um forte aliado, e em Geddel Vieira Lima um ministro que está no topo, como tem demonstrado nesse pouquíssimo tempo. O que não é nenhuma novidade.
Terça, 24 de Maio de 2016 - 10:34

Opinião: Um ministério sem crédito

por Samuel Celestino

Opinião: Um ministério sem crédito
Foto: Isaac Amorim/MJ
A crise que agora atinge o governo do presidente em exercício, Michel Temer, ao afastar o ex-ministro do Planejamento, Romero Jucá, é uma consequência encaminhada pelo próprio Temer. Ele montou um ministério que não merece o menor crédito. Cinco desses ministros, respondem a processos, indicados por partidos políticos interesseiros que o ajudaram a ascender ao poder, mesmo que provisório, embora as expectativas do retorno de Dilma Rousseff sejam pequenas. Não somente respondem a processos, mas boa parte é constituída por incompetentes. De tal ordem que, pelo menos, dois deles já criaram dificuldades ao se manifestarem dizendo bobagens em entrevistas à imprensa, o que levou o Palácio do Planalto a corrigi-los. Exceto a área comandada pelo ministro Henrique Meirelles, a da Fazenda, as demais terão que provar o que podem vir a fazer no governo. Ora, Romero Jucá, que passara a ocupar a presidência do PMDB, sempre esteve envolvido em complicações, como é sabido. Demorou no cargo apenas uma semana e três dias e desceu ao limbo. Não havia nenhuma possibilidade de permanecer, embora fosse tido “como da confiança” de Temer que o ofereceu um ministério chave. Está aí o resultado: em pouquíssimo tempo o governo mergulhou numa forte crise. É provável que outras estejam a caminho, oriundas do seu ministério, cuja capacitação está restrita, como dito acima, à pasta da Fazenda. Um deles, o líder do seu governo na Câmara, André Moura (PSC-SE), vincula-se a Eduardo Cunha, que tem uma imagem comprometida e é detestado pela opinião pública. De tal modo que, em pouquíssimo tempo, Dilma ganha espaço cedido pelo ministério do presidente em exercício. É o que dá aceitar nomes impostos por partidos políticos, cujo único desejo é fatiar o poder.
Segunda, 23 de Maio de 2016 - 11:16

Jucá coloca Temer numa encruzilhada

por Samuel Celestino

Jucá coloca Temer numa encruzilhada
Foto: José Cruz/ Agência Brasil
Na sexta-feira passada, na entrevista sobre a situação da economia com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e o ministro do Planejamento, Romero Jucá, um jornalista questionou o segundo, saindo da pauta da economia, sobre os seus problemas com a Operação Lava Jato. Respondeu com algo assim: “estou tranquilo, não tenho nada a dever”. Justo naquele momento o STF autorizava a quebra do seu sigilo bancário e fiscal. O presidente em exercício, Michel Temer, levou para o seu ministério políticos envolvidos com a corrupção, já citados na Lava-Jato. Atendeu aos pedidos dos partidos políticos e as consequências chegam já no início desta segunda semana de governo. Jucá, por estar na área econômica, tida como a mais importante, é da inteira confiança do presidente interino. Esperava-se que ele escolhesse um ministério melhor. Na manhãzinha desta segunda-feira (23) explodiu a bomba sobre uma conversa gravada em março, com nada menos de 1h15 minutos, entre o ministro e o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, cujo o teor está nas mãos da Procuradoria-Geral da República. Basicamente, Machado intima Jucá a “estancar a sangria”. Como a conversa foi muito longa, o ministro passou a ser um interessado na questão, supostamente por ter culpa no cartório. Machado disse que se fosse envolvido pela Operação, o que temia, poderia fazer denúncias em relação ao PMDB, consequentemente se tornaria um delator.  Lá para as tantas, Romero Jucá prometeu que “iria fazer um pacto” de sorte a deter a Lava Jato, o que a esta altura seria praticamente impossível porque se tornou numa Operação que a maioria da população brasileira entende com a única que pode levar às últimas consequências a corrupção desenfreada no país. Brasília não começou sequer a semana política e já há um movimento para que o ministro do Planejamento renuncie a seu cargo. Saiu na frente o líder do DEM, Pauderney Avelino. Espera-se que o PMDB, do qual Jucá é presidente, se manifeste sobre a questão. Brasília assim, como sempre em chamas, e o ministério de Temer cada dia mais complicado.
Sexta, 20 de Maio de 2016 - 10:50

Opinião: A Bahia do desemprego e da violência

por Samuel Celestino

Opinião: A Bahia do desemprego e da violência
Foto: Rafael Neddermeyer/ Fotos Públicas
O endividamento da Bahia, envolvendo também a inflação, está na ordem de 48,83%, mas o maior da região Nordeste fica com o Ceará. Este endividamento causa impacto na meta fiscal. O pior para a Bahia não está aí, porque a maioria ou a quase totalidade dos Estados, está no buraco. O grande problema e, neste caso, é que a Bahia lidera, com vantagens no país, o índice do desemprego, com nada menos de 15,5%, principalmente em Salvador. Enquanto as demais unidades federativas oscilam entre pouco mais de 9% chegando a um percentual maior do que 12%, os baianos estão distantes, porque o Estado de há muito foi ficando para trás e não se industrializou. Foi-se o tempo em que por estas bandas se jactava de que a Bahia era o quarto Estado da federação. A falta de emprego leva à violência e à criminalidade indiscriminada, como por aqui se observa e, neste caso, estamos muito à frente da maior parte das unidades. Em outras palavras, foi-se á época em que a Bahia era conhecida como “a Boa Terra”. Poucos a chamam assim, a não ser os nostálgicos. Aliás, os governadores do Nordeste se reuniram ontem (quinta-feira) em Maceió para pedir à união o alongamento das dívidas estaduais, com carência de 12 meses, e quatro anos para as dívidas financiadas pelo BNDES. É possível que a reunião tenha chegado atrasada ao se descobrir que o buraco deixado pelo governo Dilma foi muito maior do que se presumia. De 96 bilhões de reais já se aproxima, se não já chegou, a 200 bilhões de reais. No que pese o fato de que o governo de Michel Temer ainda está atônito e sem rota, a situação dos Estados nordestinos é, fora de dúvidas, recheada de grandes preocupações. A tendência é piorar. Pelo menos em curto prazo, até que o governo federal encontre o caminho nos corte dos gastos públicos que terá que fazer.  Enfim, enfim, a Bahia do desemprego anda para trás como a Sucupira da lenda brasileira.
Quinta, 19 de Maio de 2016 - 10:52

Governo baiano revela problemas

por Samuel Celestino

Governo baiano revela problemas
Foto: Ag. Haack/ Bahia Notícias
A situação financeira do governo baiano é, praticamente, de colapso, como, ademais, ocorre na maioria, quase absoluta, dos estados federativos. Os sinais já estavam claros. O governador Rui Costa não os escondia, mas talvez tenha demorado em se reunir com os presidentes dos dois outros poderes, o Legislativo e o Judiciário, e mais o TCE, o TCM e a Defensoria Pública, para informá-los sobre a situação, que poderá se acentuar lá para o final do ano. Na verdade esta é a realidade do país por inteiro que, se não está na bancarrota, está próximo a ela. A não ser que a mudança na economia seja rápida, o que dificilmente acontecerá. É exatamente o que o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, tenta passar para a população de maneira geral, como uma espécie de aviso aos navegantes. No final do governo Dilma, a informação era de que o rombo nas finanças do país estava em torno de R$ 96 bilhões. O presidente interino, Michel Temer, anunciou que irá fazer um pronunciamento à nação, o que não vai demorar, para apresentar a realidade das contas. Presume-se que estejam em torno de R$ 160 bilhões, talvez um pouco mais. Aliás, o ministro Geddel Vieira Lima, da Secretaria de Governo, revelou ao jornalista Josias de Souza (está no seu blog de hoje, dia 19) que o rombo deixado pelo governo Rousseff foi de, nada menos, 200 bilhões de reais.  Pode-se entender, por aí, o que Rui Costa tenha relatado na reunião que fizera. A Bahia, portanto, está dentro do colapso que poderá se acentuar - espera-se que não - mais adiante. A grande questão é o tempo. Quem pagará o preço do desastre deixado pelo governo Dilma será a população do país como um todo, a partir de projetos de  tributos, que não demora, chegarão à Câmara dos Deputados. É o que o ministro Henrique Meirelles está a dizer, como única alternativa para melhorar o quadro econômico.
Quarta, 18 de Maio de 2016 - 11:21

Temer governa com política e economia

por Samuel Celestino

Temer governa com política e economia
Foto: Lula Marques/ Agência PT
Era de se esperar que o governo Temer marcasse passo a partir do seu ministério composto, basicamente, por indicações de partidos políticos que o ajudaram, na Câmara e no Senado, no processo de aprovação do impeachment. Temer nunca ficara, na verdade, afastado desse movimento. Um governo interino, como o que ora se vê, teria de estar atrelado a estes partidos, sem os quais não conseguiria comandar o país, por necessitar do Congresso para aprovar as reformas constitucionais, econômicas e outras mais, para tirá-lo da crise em que está mergulhado. O próprio PT passou a reconhecer que Dilma e Lula erraram nos setores político e econômico. Esta avaliação dos petistas pode levá-los a desconfiar – ou até aceitar - que a presidente já não tem como retornar ao seu posto. O que Michel Temer está a fazer senão abrir espaços para o segmento político, aceitando a indicação do deputado André Moura para ser seu líder na Câmara? Provavelmente está engolindo sapos. Moura tem vinculação com Eduardo Cunha, um nome detestado na República. O presidente montou o seu ministério a partir do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, seu principal nome e braço direito. Ele será o grande responsável pela economia. É o nome das reformas. Fora daí há mais outro de amigos da sua confiança. De resto, distribuiu os demais cargos do ministério para a indicação dos partidos políticos que o apoiaram para chegar à presidência interina. De uma forma mais direta: segurou a área da economia com Meirelles e distribuiu os demais com os partidos. Dilma não conseguiu fazer nem uma coisa nem outra e desabou. Difícil será o seu retorno ao cargo.
Terça, 17 de Maio de 2016 - 11:23

PT enfrenta grandes dificuldades

por Samuel Celestino

PT enfrenta grandes dificuldades
Foto: Reprodução/ Junião
Na entrevista que ontem à noite concedeu ao programa “Roda Viva”, da TV Cultura (ver nota do BN), o ex-senador Delcídio do Amaral (sem partido - MS) disse, dentre muitas outras coisas, que o PT terá como obrigação rever a sua estrutura partidária, diante da situação difícil que ora atravessa. Tem absoluta razão. É apenas uma das consequências do baque anterior ao afastamento de Dilma, que vem estremecendo, em muito, a legenda. Não apenas Dilma, como também a Lula, que enfrentará processos na Operação Lava Jato. De acordo com Delcídio, que se diz “um homem honesto”, a operação chegou para ficar, e passou a ser uma esperança dos brasileiros, no combate à corrupção desregrada. Como Lula está em queda, mais cedo ou mais tarde (talvez mais cedo) entrará em rodopio e poderá até chegar à prisão. Para o PT será um desastre, a não ser que procure se organizar e muito rapidamente, porque é um partido com muitos adeptos país a fora. O entrevistado arrasou o presidente petista, Rui Falcão que, segundo ele, é um incompetente sem a menor condição de liderar o Partido dos Trabalhadores. Enfim, é uma travessia marcada por adversidades que estão no caminho do seu soerguimento, que terá que enfrentar com a ajuda dos seus seguidores.
Segunda, 16 de Maio de 2016 - 11:40

Entre Geddel e Neto a candidatura ao governo

por Samuel Celestino

Entre Geddel e Neto a candidatura ao governo
Foto: Max Haack/ Ag. Haack/ Bahia Notícias
O prefeito ACM Neto não pretende se pronunciar se será candidato à reeleição, o que só o fará depois da festa de São João, como dissera na quinta-feira passada. Certamente ele já tem a sua decisão. Hoje, no entanto, o ministro-chefe da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, anunciou, no programa de Mário Kertész, na rádio Metrópole, que apresentará um candidato a vice-prefeito a Neto, a partir de uma conversa, também depois do São João (o que não impede de acontecer antes) cumprindo, assim, o calendário decisório do prefeito. ACM Neto passa a ficar numa espécie de cheque-mate. Ou será candidato à reeleição, o que o levará a se afastar da prefeitura para ser candidato ao governo baiano em 2018 e, desta forma, abrir espaço para que o vice a ser indicado por Geddel ocupe o cargo de prefeito, o que será natural. Outra hipótese: Neto lança um candidato da sua preferência a prefeito na campanha municipal deste ano, ou cumprirá integralmente o seu segundo mandato, consequentemente não fará uma disputa com o governador Rui Costa. Ficará, então, de fora da candidatura ao governo baiano, o que muito almeja. Quem seria então o candidato ao governo para disputar com Rui? Se Michel Temer fizer uma boa gestão na República, se tiver sucesso, Geddel Vieira Lima se apresentará para um confronto com Rui. Neto só tem uma saída: afastar-se, fazer o sucessor com o vice indicado pelo ministro e ser candidato ao governo em 2018. Se é que pensa assim.
Sexta, 13 de Maio de 2016 - 10:35

A esperança renasce com o novo governo

por Samuel Celestino

A esperança renasce com o novo governo
Foto: José Cruz/Agência Brasil
O governo Temer, pelo menos no seu discurso de posse, aponta numa direção diametralmente oposta à forma de governar do PT. Ganha, a princípio, o apoio da classe empresarial, que se distanciara do governo anterior, ao estabelecer os rumos que o país doravante trilhará. Trata-se de uma mudança radical, a partir de reformas de há muito necessárias para mudar o trajeto da economia, abrir espaços para o emprego com o apoio da classe patronal, derrubar a inflação na casa de dois dígitos, dentre outros projetos importantes. O novo presidente falou em “governo de salvação nacional” para tirar o país da crise e reequilibrar as contas públicas. Se tiver condições de cumprir o que disse ontem no seu discurso, cabe-lhe partir para um trabalho de mudanças imediatas, por seu governo ser curto. Formou um ministério com grande número de parlamentares que terão que provar, e logo, a sua capacidade de ação. Só as suas palavras não bastam. Recebeu um governo em frangalhos que necessitará imediatamente de trabalho incessante. Se assim não for, Temer, que agora passa a ser a esperança de uma nação em crise, mergulhará em dificuldade. O fato de ser a esperança que resta, poderá dar-lhe forças para seguir em frente com os projetos que apresentou no seu primeiro discurso na condição de presidente. É o que dele se espera.  
Sexta, 13 de Maio de 2016 - 07:00

Geddel Vieira Lima ministro mexe no cenário político local

por Samuel Celestino

Geddel Vieira Lima ministro mexe no cenário político local
Foto: Valter Campanato/ Agência Brasil
O ministro Geddel Vieira Lima, que passa a ocupar a Secretaria de Governo do presidente Michel Temer, volta à cena política baiana da qual, na verdade, nunca esteve ausente, mas agora como um personagem de maior importância para o Estado. Não só por ser ministro, mas pelo cargo que ocupa e que o leva, no dia-a-dia, a estar muito próximo de Temer, do qual é amigo de há longo tempo. Aliás, ele foi um dos três primeiros ministros escolhidos pelo presidente e, em consequência, sua força política na Bahia passará a ser grande. Ele próprio dissera, quando lhe perguntado, “que a Bahia jamais será esquecida por ele”, ou coisa semelhante. Daí porque Vieira Lima passará a ser uma força, não somente em relação aos projetos do governador Rui Costa, que tem obras contratadas com o Governo Federal, dentre outras o metrô, em fase adiantada na Av. Paralela, hospitais, dentre outras. Enfim, Geddel Viera Lima passará a ficar em evidência até em razão dos seus projetos políticos futuros. Com a Prefeitura Municipal, que está em dificuldades para receber recursos federais - que chegam em forma de pinga-pinga- provavelmente não haverá dificuldade de relacionamento, até porque ACM Neto tem facilidades com o presidente Michel Temer e também relações com o novo ministro Secretário de Governo, que se ocupará, basicamente, da agenda política com os parlamentares - deputados e senadores.

Histórico de Conteúdo