Com Samuel Celestino

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Curtas do Poder

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Não tenho nada contra quem se dá bem na vida e prospera. Até admiro o caso do ex-soldado Prisco, que foi exonerado da polícia baiana, mas ganha um salário gordo na Câmara Municipal de Salvador. Até aí tudo bem, não fosse a grande diferença entre o discurso e a prática no finalzinho da greve da PM. Prisco, rouco e visivelmente cansado, anunciou no seu poderoso microfone que o fim da paralisação seria comemorado com churrasco e arrocha. Aí vocês me perguntam: em que local o sujeito foi preso pela Polícia Federal? No luxuoso complexo hoteleiro de Costa do Sauípe. Nada contra ele ter grana para ostentar no Litoral Norte, mas que soa estranho, soa. E falando em Prisco, soube que o Soberano (ACM, o Neto) tá retado com o Galego (Jaques Wagner). Se sentiu usado para fazer o ex-soldado evitar a greve e, depois, a cessar com o movimento. Detalhe: Neto não sabia do mandado de prisão omitido por Wagner em seus cordiais diálogos. Por enquanto, estão levando tudo em banho maria. Não deixe de ler essas e outras notícias dos bastidores políticos nas Curtas do Poder!

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"Eu assumi o comando e pedi que eles se aquartelassem. Foi a orientação mais sensata que eu fiz, pois eu evitei uma tragédia em Salvador.”

Deputado estadual pelo PSB e representante da Polícia Militar, sobre o fato de ter recuado na convocação de nova greve da categoria após a prisão do vereador Marco Prisco (PSDB).

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Ser no senado a voz da Bahia no Brasil. É com esse discurso que Geddel Vieira Lima (PMDB) apresenta-se como candidato a uma vaga como senador da República. "Acho que esse talvez seja o meu grande diferencial em relação aos outros candidatos. Não preciso aprender a caminhar no congresso nacional. Eu já vou chegar trabalhando pelo estado", disse o ex-ministro Ministro da Integração Nacional em entrevista ao Bahia Notícias. O pemedebista afirma que chegou a ser "claramente sinalizado' que seria o candidato ao governo do estado, mas que a sua candidatura acabou 'ficando inviável', o que resultou na confirmação de Paulo Souto (DEM) como nome da oposição para ser o adversário de Rui Costa (PT) na disputa da sucessão ao Palácio de Ondina. Geddel declarou que se considera favorito em relação aos seus adversários por uma vaga no senado e que, ao contrário do que poderia se imaginar, considera a ministra Eliana Calmon (PSB) uma adversária mais forte que o vice-governador Otto Alencar (PSD). "Digo com muita simplicidade que eu não vejo nada de bicho-papão na candidatura dele (Otto Alencar). A última eleição que ele disputou foi em 1998, o resto foi como candidato a vice-governador. Tenho apreço por ele, mas acho que, sinceramente, o meu adversário é a ministra Eliana Calmon".

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Quinta, 24 de Abril de 2014 - 09:00

Coluna A Tarde: Reforma política e CPI

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: Reforma política e CPI
Ora, uma CPI deve ter um motivo claro e definido para ser instalada e não motivos diversos e variados como quer o governo, para tentar fugir de uma situação que atormenta o Palácio do Planalto, alcança a presidente Dilma Rousseff  como um dos agentes e cria problemas fortíssimos para atrapalhar a sua reeleição. O assunto da CPI é um só, e já é mais do que suficiente. A Petrobras é um símbolo do processo de desenvolvimento brasileiro, surgiu na era Vargas, e principal empresa do País, pelo menos virtualmente. Bastam as investigações do que ocorre nos labirintos oleosos da estatal para dar muito trabalho a uma CPI.

Um novo fato de repente se anuncia. O ex-presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli, que nunca bicou com Dilma e foi por ela afastado da estatal, estava se poupando para não ficar a todo momento dando entrevistas sobre o caso Pasadena. Mas, no último domingo, reconheceu a sua parcela de responsabilidade e disse que “Dilma deveria assumir também as suas responsabilidades no caso”.

A presidente só faltou escalar as paredes do Palácio do Planalto, porque voltou ao centro das atenções (na verdade nunca saiu). Gabrielli parece estar alfinetando a presidente pouco a pouco, friamente. Agora diz que, se for convidado, irá à Câmara dos Deputados para um novo depoimento. Foi convidado na tarde de hoje para depor  em  comissões técnicas. Basta dizer tal coisa para o Palácio do Planalto estremecer, porque o que a presidente mais quer é sair da confusão, ser deixada ao lado para não continuar a descer a ladeira nas pesquisas que estão sendo realizadas. Perde pontos e conceito.

Na Câmara, o presidente do colegiado, Henrique Eduardo Alves, está tiririca com o PT, que fechou questão contra a reforma política. Esta reforma é imprescindível para arejar o arcabouço político do País, que está apodrecendo e, a essa altura, mal cheiroso. Ou se faz uma reforma política ou o País conviverá com absurdos, como 34 partidos políticos que disputam presença em 39 ministérios. O PT precisa que seja assim para construir, como já acontece, um fisiologismo mais do que descarado, que impede que haja uma limpeza política, de modo a modernizar e impedir, dentre outras coisas, o aparelhamento da república com indicações partidárias, condição atualmente básica para que o governo possa construir uma base de apoio parlamentar. Henrique Alves se diz disposto a ir à luta para impedir que o PT faça obstrução da matéria, impedindo um direito constitucional da minoria, como ora acontece com a CPI da Petrobras, aprovada em plenário do Senado, mas emparedada na Comissão de Constituição e Justiça, controlada pela maioria governista, assim como acontece no plenário.

Sem outra saída, a minoria, ou oposição, recorreu ao Supremo Tribunal Federal em busca de apoio legal para que possa atuar. O governo, para embarreirar as investigações na petroleira, engordou o pedido lançando nova CPI incluindo os trens e metrôs de São Paulo e a refinaria Faria de Lima, em Pernambuco. Não que elas não sejam investigadas. Terão que ser, mas em CPI em separado, para também dar conhecimento ao País o que aconteceu nestes dois casos. Enfim, uma coisa é uma coisa outra coisa é outra coisa. Nada de misturar. O problema é que, se a maioria conseguir misturar, não vai haver CPI nenhuma.

O ano eleitoral passará a ser um aliado do partido governista que não quer ver a presidente cambaleando nas pesquisas, embora ela seja, ainda, e com boa diferença, a candidata em melhores condições de se reeleger e continuar, ao lado de Guido Mantega, empurrando a economia brasileira para os grotões da incompetência e a inflação para onde já não se sabe. O que se sabe é que, com a moeda inflacionada, quem mais perde é a população de baixa renda.

Assim posto e voltando ao início, Gabrielli estava tentando ser silencioso ao máximo. Agora parece ter tomado ímpeto e pretende dizer aquilo que a Câmara dele quiser saber. Se não o fizer, ficará sempre uma dúvida ao seu redor.

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Terça, 22 de Abril de 2014 - 17:04

JK não foi assassinado pela ditadura

por Samuel Celestino

JK não foi assassinado pela ditadura
Acidente aconteceu em 1976 no Rio | Foto: Reprodução/ TV Globo
O presidente Juscelino Kubistchek não foi assassinado pela ditadura militar, como se desconfiava, mas sim morreu em um acidente automobilístico na rodovia Presidente Dutra, conforme esclareceu na tarde desta terça-feira (22) a Comissão Nacional da Verdade (CNV), de acordo com o relatório parcial das investigações realizadas. JK morreu em 22 de agosto de 1976 e sua morte se deu próximo à cidade de Resende (RJ). O carro, um Opala, era dirigido pelo motorista particular, Geraldo Ribeiro, que também morreu no acidente. As análises foram feitas por um grupo de peritos nos laudos que estavam em posse da Justiça, feitos à época. Assim posto, as dúvidas desaparecem, após a revelação da CNV.

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Terça, 22 de Abril de 2014 - 10:43

Labaredas queimam a Petrobras

por Samuel Celestino

Desde que a presidente Dilma Rousseff entendeu, em uma má hora, emitir, na tentativa de se resguardar do escândalo (que ainda não existia), sobre a compra da Refinaria de Pasadena, no Texas, o assunto não mais saiu da mídia e só faz aumentar. No domingo, Gabrielli, em resposta à presidente, disse que “ela não pode se excluir das suas responsabilidades”. A presidente, que foi aconselhada a silenciar sobre a questão, agora voltou ao tablado porque Gabrielli reconheceu a sua responsabilidade, mas afirmou também as responsabilidades de Dilma. Com tanta “gasolina” barata, o fogo logo ganhou altura, virou CPI, está no Supremo e a presidente passou a perder pontos nas pesquisas por ser a estatal a empresa mais conhecida do país e símbolo de um nacionalismo de outras épocas. Quanto mais demorar o affair, pior para a candidata à reeleição. O assunto tem tamanhas proporções, assim como as suas labaredas, que estão há mais de um mês na mídia nacional. E em torno de Pasadena ainda há diretores da Petrobras envolvidos e um preso, Paulo Roberto Costa.

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Terça, 22 de Abril de 2014 - 09:00

Coluna A Tarde: A palavra final

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: A palavra final
Nada que não fosse esperado. O presidente do Senado, Renan Calheiros, está mais preocupado do que Dilma Rousseff, que ficará em situação vexatória – mais do que já está – se a CPI exclusiva da Petrobras  prevalecer, a partir de uma decisão que provavelmente acontecerá esta semana (nunca se sabe) se houver uma decisão favorável do Supremo Tribunal Federal. A CPI exclusiva está nas mãos da ministra Rosa Weber. O governo quer uma CPI “farofa”, de sorte a abranger, também, os casos dos trens e metrô de São Paulo, além da refinaria Faria de Lima, em Pernambuco. Há pedidos ao STF para as duas CPIs.

Calheiros se posta contra a interferência do Supremo em questões internas do Legislativo, mesmo que conduzidas para favorecer o governo, como se o Supremo não fosse o guardião das leis do País e, em consequência, com poderes para interferir, se julgar que há erros na interpretação das leis e regimentos internos do Senado, no caso. Não adianta ele, o senador, se pronunciar, dizer o que quiser, porque a palavra final é do STF. O que a Suprema Corte decidir estará decidido, mesmo com o espernear deste senador que não é bem visto de forma geral pelo País em seus diversos segmentos, pelas estripulias que já cometeu. A última, usar um avião da FAB para se deslocar ao Recife, onde fez um implante de cabelo.

O escândalo que envolve a mais emblemática empresa brasileira, a Petrobras, está a sofrer um processo de desgaste sem tamanho em razão do que lá foi cometido, como a compra da refinaria de Pasadena, no Texas, que já é do amplo conhecimento dos brasileiros. Mais ainda: nos governos de Lula e de Dilma, a Petrobras perdeu os seus altos conceitos de seriedade na medida em que foi esquartejada e aparelhada para que cargos de diretoria fossem entregues a apaniguados de partidos políticos, especialmente do PT e do PMDB. Daí as muitas causas de “malfeitos”, expressão de Dilma fora de moda, porque já não condiz com o que ela antes pretendia.

Tudo isso que ocorre perturba o Palácio do Planalto e, não somente Dilma Rousseff - um corpo que cai em popularidade - mas, também, ao PT, que perdeu a áurea de um partido que iria mudar o Brasil através de novos métodos, da forma de governar e da decência. Muito pelo contrário. Envolveu-se na gandaia das demais legendas, ampliou o número de ministérios para 39, de sorte a praticar o fisiologismo amplo e irrestrito e, assim, a princípio pouco a pouco, e agora é o que se vê nas pesquisas: o partido, e principalmente Dilma Rousseff, estão a sangrar. Lula reserva-se ao silêncio porque poderá tomar o lugar e a candidatura da presidente, de sorte a salvar o partido que criou de uma forma e o transformou em outra, colocando-o no mesmo saco onde estão os demais partidos. No Brasil os partidos não se diferenciam. Trocar um por outro é ficar na mesma situação. As mazelas são idênticas. O País sofre, e, agora, vê-se a inflação perder o controle, a economia rodopiar a partir de equívocos da gestão, e até a caderneta de poupança, um símbolo para a população, já apanha e tem prejuízos com a inflação.

Renan Calheiros parece estar ao ponto de torcer o pescoço da ministra Rosa Weber se sua decisão estiver de acordo com o pedido feito pela minoria no Senado. Trata-se, naturalmente, de uma figura de retórica. De qualquer maneira, resta esperar. O Supremo Tribunal Federal tem a palavra.

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Segunda, 21 de Abril de 2014 - 18:42

Financial Times diz que Copa 'expõe falhas horríveis do Brasil'

por Samuel Celestino

O jornal britânico Financial Times publica que a Copa do Mundo “expõe falhas horríveis do Brasil” e diz que o evento é “uma nuvem negra" no horizonte da presidente e candidata a reeleição, Dilma Rousseff. O periódico é um dos mais importantes jornais de economia do mundo. No seu texto, publicado no domingo (20), diz mais: "Grande parte dos problemas se anunciam no Rio de Janeiro, onde uma série de crises colocaram um grande ponto de interrogação sobre a pretensa capacidade do Brasil de organizar um evento tão complexo quanto uma Copa do Mundo, para não falar dos Jogos Olímpicos, que a capital fluminense sediará daqui a dois anos". Continua a matéria recordando que as “manifestações ocorridas durante a Copa das Confederações, em junho do ano passado, teriam chocado a classe política brasileira". "Centenas de milhares de pessoas tomaram as ruas da nação e enfrentaram a polícia, exigindo o fim da corrupção que aflige todas as instituições". Completa que "as manifestações foram mais intensas no Rio de Janeiro, onde há falta de infraestrutura e onde políticas de pacificação das favelas falharam.”

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Domingo, 20 de Abril de 2014 - 09:48

Greve: quase guerra civil

por samuel Celestino

A libertação do comandante da(s) greve(s) da Polícia Militar deve-se a alguns fatores. Primeiro, a prisão do próprio Marco Prisco, por 90 dias, encaminhado ao presídio da Papuda. Depois e principalmente à intervenção da ex-ministra candidata ao Senado, Eliana Calmon, que convenceu as lideranças do movimento que uma nova greve iria dificultar a situação de Prisco, que responderá em liberdade pelos crimes que lhe são imputados. O deputado Capitão Tadeu, que tomou o comando do movimento da PM, já estava pronto para deflagrar outra paralização. Procurava espaço para aparecer. Recuou porque Eliana convenceu as lideranças que novo movimento paredista causaria prejuízos inestimáveis ao líder, que dificilmente seria beneficiado por um habeas-corpus, o que acabou acontecendo. Durante este período pós- negociação da greve iniciada na noite de terça feira, que iria ser novamente deflagrada no final de semana, acabou não se concretizando. Evitou-se, deste modo, mais saques, depredações e outras violências  na cidade contra lojas comerciais, homicídios em Salvador, região metropolitana, e principais municípios do estado, como Feira de Santana, que pelo número dos acontecidos demonstrou a violência que acontece e está presente na Bahia, que mais parece uma unidade federativa conflagrada por uma guerra interna, espécie de guerra civil, onde grupos de bandidos atuam livremente por ausência das autoridades, em consequência do terremoto nos quartéis. Das lideranças políticas do Estado, o governador Jaques Wagner atuou no primeiro momento, negociando, mas, no segundo –o do final de semana- não foi mais visto. Quem apareceu foi Eliana Calmon e ACM Neto, que cancelou a viagemG em casal que faria a Paris para permanecer na Capital que comanda, numa decisão acertadissima. EM TEMPO: Ao contrário das informações divulgadas pela imprensa do sul, e acatadas neste comentário, o vereador Marcos Prisco ainda não foi libertado. Caberá ao Supremo Tribunal Federal decidir, o que possivelmente ocorrerá depois do feriado desta segunda feira.

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Domingo, 20 de Abril de 2014 - 09:37

Coluna A Tarde: Os reflexos da greve

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: Os reflexos da greve
Felizmente a greve da polícia militar foi breve. Pouco menos de 36 horas, mas surgiu com a força de um furacão que causou pânico na região metropolitana de Salvador e no interior do estado, gerando saques, convulsionando o comércio e, pior, a greve deixou no seu rastro 52 homicídios, somente na região metropolitana, e um número desconhecido no interior baiano. Além do quê, disseminou medo na população, e um incalculável prejuízo em todos os segmentos.
 
Não se tem ainda ideia do rastro deixado pelo furacão no setor turístico; quantos visitantes cancelaram seus voos e reservas nos hotéis da Capital que costumam receber, nesta época, um número considerável de visitantes. Seguramente, a escolha do período para a deflagração da greve foi premeditado. Não se sabe se surpreendeu o governo do Estado, mas, se isso aconteceu, demonstra a ausência de informações da cúpula governamental, em relação ao que se passa nos quartéis da PM.
 
Suspeita-se da premeditação pela rápida decisão pela greve, no anoitecer da última terça feira, o que piora o alheamento dos setores do governo estadual que não teriam se preparado para enfrentar o movimento paredista. Assim posto, o governo pagou e pagará adiante, um preço grave com o desgaste que poderia não ter acontecido, se tivesse, antecipadamente, conhecimento da convulsão nos quartéis e convocasse as lideranças do movimento paredista para negociar o básico, como acabou acontecendo para colocar um ponto final na paralisação da PM.
 
O governo, no entanto, teve o discernimento de, imediatamente, solicitar o socorro da Força de Segurança Nacional, o que deve ter surpreendido os líderes do movimento. Aliás, hoje a Polícia Militar é o contingente mais politizado do serviço público estadual. Dispõe de lideranças que sabem comandar e organizar as paralisações. O governador Jaques Wagner, que se iniciou nos conhecimentos sobre a política presidindo e liderando o Sindiquímica, na época em que era um sindicato fortíssimo, sabe perfeitamente como isso acontece.
 
Wagner não somente liderou greves como pacificou e liderou os diálogos com setores empresariais, negociando melhores condições para os operários do Polo Petroquímico. Aliás, foi o seu destaque como presidente do sindicato que o levou a alcançar o seu primeiro mandato de deputado federal, dando início à sua vitoriosa carreira política dentro do PT, partido do qual já era filiado. Há de se reconhecer que liderava sem violência, mas exercitando o diálogo com seu estilo ameno, uma das suas qualidades mais notáveis no exercício da política, reconhecida, inclusive, por seus adversários.
 
Com duas greves da Polícia Militar e uma dos professores, é impossível projetar os efeitos que esses movimentos terão nas eleições de outubro. O governador, embora longe de ser oráculo e acreditar nos búzios, deve estar a meditar sobre futuras consequências que podem, ou não, se materializar nas urnas, atingido os seus projetos e propósitos políticos.
 
Para piorar, o governo Dilma não vai nada bem. Mais uma vez ela cai nas pesquisas, como no Ibope/Globo divulgado no fim da tarde da última quinta feira. Os índices mantêm a tendência já divulgada por outras consultas. Ela cai de forma consistente, tanto como candidata, mas, ainda, em relação à aprovação do seu governo. Resta-lhe o consolo de que, por ora, seus adversários Aécio Neves e Eduardo Campos não crescem.
 
A diferença é que ela é conhecida por 100% da população brasileira e eles, por ora, são pouco conhecidos. O que vale dizer, eles têm motivo para comemorar e Dilma, seguramente, para se preocupar. Está escorregando ladeira abaixo. 

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Sábado, 19 de Abril de 2014 - 10:40

Não foi greve, mas um motim

por Samuel Celestino

Não foi greve, mas um motim
Em seu blog na UOL, o competente analista Josias de Souza, um dos melhores do País, aborda a greve da Polícia Militar baiana por ângulos jurídico e político, numa veemente constatação do que se observa na Bahia. Não é de agora. Mas de uma greve realizada em 2001, outra em 2012 e agora mais este motim que aterroriza a população. Diz ele: “A Constituição Federal veda expressamente a greve de policiais militares. E não poderia ser diferente, pois a hierarquia e a disciplina são as bases que sustentam as organizações militares. Quando ocorrem fissuras nesses pilares, o que se vê é a desordem, o caos. Portanto, o que sucede na Bahia é uma afronta à lei e à ordem, praticada por uma tropa amotinada à margem da Constituição. Marco Prisco, o líder preso, é vereador pelo PSDB de Aécio Neves. Substituiu-o no papel de piromaníaco de tropa o Capitão Tadeu, deputado estadual pelo PSB de Eduardo Campos. A PM baiana promovera fuzarca semelhante em 2012. A tropa reincide no descalabro porque foi premiada com uma lei de anistia aprovada em votação simbólica no Congresso e sancionada por Dilma Rousseff, do PT, em 2 de agosto de 2013. Quer dizer: por omissão ou por ação os partidos dos três principais candidatos à Presidência da República são cúmplices do caos baiano. O motim de 2012 durou 12 dias. Nesse período, foram assassinadas 130 pessoas no Estado. A encrenca atual se arrasta há quatro dias. Só em Salvador, desceram à cova, por ora, 52 homicídios cadáveres. Num país em que os partidos políticos entregam a legenda a qualquer um, a presidente da República anistia maluco e governador rasga a Constituição para negociar com policiais à margem da lei, a prisão do tucano Prisco é um sopro na direção da restauração do Estado. Não há reivindicação, por mais justa que seja, que justifique a subversão da ordem democrática. Lugar de PM amotinado é mesmo na cadeia. Resta verificar se o xadrez não vai virar mais uma capitulação.”

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Quinta, 17 de Abril de 2014 - 09:00

Coluna A Tarde: A greve, as eleições e a Copa

Coluna A Tarde: A greve, as eleições e a Copa
O  governo estadual não esperava que, em ano eleitoral, tivesse que enfrentar um problema que toca profundamente a população de Salvador, uma cidade normalmente violenta, cuja greve tende a se espraiar pelo interior. O governo fala em ter sido surpreendido com a paralisação da Polícia Militar, mas isso ocorreu talvez por conta da incompetência, na medida em que os movimentos grevistas não surgem do nada e, sim, a partir de situações previsíveis, anunciadas. É certo que os policiais militares também se excederam ao anunciar o movimento que, aliás, foi considerado ilegal pela Justiça baiana.

Ficar refém de duas greves da PM e de uma longa paralisação dos professores estaduais que causaram imensas dificuldades em anos anteriores, convenhamos, é consequência da falta de interlocução correta, ao tempo em que transfere à população o sentimento do medo, do desconforto, de se sentir prisioneira em suas residências, refém das circunstâncias que não se sabe quanto tempo levará.

Tida como uma das cidades mais violentas do mundo, Salvador sangra e sangra, também, o governo diante de uma população estupefata. Novamente? Será que não existe ninguém nas 32 secretarias politizadas da administração que tenha, pelo menos, um interlocutor competente para dialogar com as categorias para evitar as greves? A interlocução é, convenhamos, difícil, mas é preciso que haja à exaustão.

Esta greve inesperada da Polícia Militar paralisa a cidade, causando além do medo, prejuízos incalculáveis ao comércio, com quebra-quebra de lojas comerciais, e mais do que isso, saques por todo o canto, arrastões, violências de toda ordem, enfim. O governo quer manter a ordem com a Força Nacional. Pode melhorar, sim, a situação, mas não resolve de todo. Informa-se que a Força deverá mandar para Salvador cinco mil homens. O problema é que  a cidade tem quase três milhões de habitantes. De resto, os soldados que aqui chegarem não têm conhecimento da realidade da Capital, e sua difícil topografia, desordenada por crescer sem planejamento, como são exemplos seus bairros, subúrbios, enfim, as suas franjas. Se a própria PM enfrenta dificuldades, imagine-se um agrupamento da Força Nacional estranha à cidade de Salvador.

Há nove meses que se discute – pelo que se informa – as reivindicações dos policiais militares, assim como as do funcionalismo de maneira geral, especialmente dos professores. O governo não revela, não diz claramente, mas a verdade é que o Estado está longe de poder atender às categorias insatisfeitas porque a administração atravessa um já longo período de dificuldades. Conta com o apoio da união, é certo, mas para obras direcionadas e não para o custeio da maquina governamental.
O governo baiano está contra a parede. Leva o desconforto de enfrentar um ano eleitoral que provavelmente será muito difícil para o PT baiano. Difícil e complicado. Questão curiosa é que o PT é oriundo do sindicalismo e  integrado, na sua militância, por sindicalistas. Não dá, desse modo, para entender as circunstâncias do partido, que cria dificuldades, justo para o governo que o representa.

Embora as negociações já estivessem ocorrendo há tempos, a greve desencadeada pelos policiais militares foi repentina. Arrepiou a população que terá uma Semana Santa de insatisfações aureolada pelo medo. A depender da duração do movimento paredista, o governo do estado, que tem uma chapa eleitoral definida, composta pelo PT e partidos da base de apoio, passa a enfrentar sérios e graves riscos. O futuro, em termos eleitorais já é, por natureza, incerto. Torna-se mais denso em termos de preocupação porque, decididamente, a cidade e sua população não podem estar feliz com o que acontece. Insatisfação que, logo, logo, chega ao interior como já se observa. O problema, no entanto, não é apenas este. A solução que se exige é uma decisão para o que ocorre. E que seja rápido. De resto, a Copa do Mundo está a se aproximar e os líderes da greve sabem que têm às mãos todos os instrumentos de manobra e pressão.

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Quarta, 16 de Abril de 2014 - 10:22

Greve: xeque-mate no governo

por Samuel Celestino

Greve: xeque-mate no governo
A inesperada greve da Polícia Militar que surpreendeu a população gerou em Salvador, uma cidade tida como das mais violentas do mundo, gerou uma situação convulsa e preocupante, além de disseminar o medo. Sem policiamento, com as eleições se aproximando, o governo Wagner foi atingido por uma flecha envenenada. A gestão atravessa dificuldades financeiras. Isso não significa nenhuma novidade. Mas é fato que, para a população de maneira geral, a greve da PM surpreendeu os moradores da cidade, e, ainda, há ameaças que rondam o Sindicato dos Professores, que reivindica melhores condições. Há um pânico disseminado, com boatos em sequência sobre quebra-quebra e saques em lojas. A maioria não se confirma. O governo não esperou, como nas greves anteriores, notadamente da PM, para solicitar a Força Nacional, o que não resolverá a questão porque temos uma cidade com quase três milhões de habitantes, que cresceu sem planejamento o que dificulta qualquer ação. Salvador parece antecipar a Semana Santa, que, por ora, nada tem de santa e, sim, do medo que se espraia pelos bairros com as escolas fechadas por prevenção. Ademais, o governador montou uma chapa eleitoral para a disputa de outubro e nada surpreenderá se seus candidatos forem atingidos pelas consequências do movimento grevista, dificultando-o na esperança de fazer seu sucessor. Trata-se, evidentemente, de uma suposição, mas nada fora de uma preocupação que também está presente no governo. Se a greve tiver um fim rápido, menos mal. Mas o governo terá que honrar o que for negociado sob pena de um novo movimento paredista explodir nas proximidades da Copa do Mundo, o que seria um desastre. A situação do governo baiano é mesmo difícil. As negociações acontecem há nada menos de nove meses. A situação é tão grave que na primeira assembleia dos policiais militares já não havia o que discutir, senão anunciar a greve geral que, mais uma vez, gera convulsão na cidade de Salvador.  

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Terça, 15 de Abril de 2014 - 09:00

Coluna A Tarde: Marina aposta em Campos

Coluna A Tarde: Marina aposta em Campos
Marina Silva que na eleição passada forçou o segundo turno surpreendendo com pouco mais de 20 milhões de votos - uma votação inesperada - assustou  Dilma Rousseff, então candidata do todo poderoso Lula. Marina, que não conseguiu registrar o seu partido em tempo hábil, em nova surpresa migrou para o PSB de Eduardo Campos. Passou, a partir de ontem, a ser a candidata a vice da chapa presidencial do governador de Pernambuco. Com a tomada desta posição, é possível que, em pesquisas futuras, Campos passe a ser o maior competidor de Dilma, sem que isso diminua Aécio Neves, que também será receptor de benefícios e disputará para chegar ao segundo turno.

Com Dilma atravessando um período político mergulhada em problemas que, pouco a pouco, passam a ser do conhecimento dos brasileiros de todos os cantões, é possível, apenas possível, que a presidente continue a sua trajetória de queda como já foi observado em pesquisa anterior do DataFolha. Se o processo perdurar, o sinal que já está amarelo no Palácio do Planalto torna-se vermelho. São muitas as possibilidades que isto ocorra. Dilma, cuja simpatia e capacidade de transferi-la para os eleitores são questionadas, enfrenta um dragão: a inflação piora.

É claro que somente as classes mais aculturadas conseguem entender o que se passa na economia brasileira, que de igual modo desce a ladeira. O povão não entende essas histórias de PIB, conta corrente, logística, importações e exportações, agronegócio, mas tem plena consciência do mal que a inflação representa. Por que sabe quanto custa os produtos básicos para alimentação, por mais pobre que seja, e as dificuldades para adquiri-la com o pouco dinheiro de que dispõe.

De outro modo, Marina Silva, com seu jeitito humilde de povo, é entendida pela base da pirâmide e tem a simpatia da classe média. Dilma transfere a imagem da durona, de uma comandante-em-chefe, quando ri na maioria das vezes o faz de forma forçada ou dizendo coisas sem a menor graça. Falta-lhe o humor que em Lula sobrava. Já Aécio Neves é naturalmente simpático. Político que vem da linhagem de Tancredo Neves, tenta se esforçar para ser um bom comunicador de programas  eleitorais, de sorte a dizer à população o que pensa.

Entre Eduardo Campos e Aécio há muito em comum: dialogam constantemente, têm um acordo para união no segundo turno – se houver – e um discurso parecido. São dois candidatos que pregam a mudança, a modernidade, e a transformação de aspectos políticos, como a reforma política, o que Dilma não conseguiu fazer em três anos e meio de mandato, mesmo quando esteve contra as cordas a partir das manifestações de junho do ano passado. Justo porque seu mandato foi e é um constante desentendimento com o Congresso.

Ademais, eles pressentem que o petismo mudou tanto que se observa cansaço em diversos segmentos sociais. Os escândalos que rondam a presidente neste ano eleitoral são muitos, todos de dimensão espantosa, como a operação Lava Jato, envolvendo a lavagem de R$10 bilhões, como os problemas que envolvem a empresa mais emblemática para os brasileiros, a Petrobras, da qual Dilma foi presidente do Conselho Deliberativo.

Normalmente, em política, a palavra mudança tem uma conotação mágica porque se opõe à mesmice. É, no entanto, entre esses dois conceitos, que haverá, no horário eleitoral, o grande embate da campanha, além dos erros cometidos. Enfim, o que não falta às oposições é discurso.

O fato novo é que Marina Silva será vice. Com isso, passa a ser a grande eleitora de Eduardo Campos, que tanto ele como Aécio forma o novo na corrida presidencial.  

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Segunda, 14 de Abril de 2014 - 09:50

Morre jurista Aquinoel Neves Borges

por Samuel Celestino

Morre jurista Aquinoel Neves Borges
Morreu nesta segunda-feira (14) o jurista Aquinoel Neves Borges. Advogado, militante deste abril de 1947, pertenceu à Escola de Advogados, assim como Gilberto Valente, Josafá Marinho e tantos outros ilustres baianos. Superintendente adjunto da Leste brasileira, chefe da assessoria jurídica da Federação do Comércio e juiz eleitoral do TRE/BA, foi atuante nas áreas cível, família e comercial. Também presidiu diversas instituições, a exemplo da Academia de Letras Jurídicas da Bahia, Instituto dos Advogados do Brasil – Seção Bahia e o Lions Clube. Aquinoel deixa a viúva Vitória Borges, os filhos Eliene, Aquinoel Filho, Lúcia Marina e Maria das Graças, a cunhada Regina, genros e muitos netos. Deixa também saudades em todos nós. O sepultamento será realizado no cemitério Jardim da Saudade, nesta segunda, às 17h.

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Domingo, 13 de Abril de 2014 - 07:45

Coluna A Tarde: Três chapas com Dilma

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: Três chapas com Dilma
São três chapas, todas competitivas, para as eleições de outubro na Bahia: a oposicionista, novíssima, de Paulo Souto, para o governo, Joacy para vice, e Geddel Vieira Lima para o Senado; a  governista, do PT, com Rui Costa, governador, João Leão na vice e Otto Alencar para o Senado. A da terceira via, representando o PSB do pré-candidato à Presidência Eduardo Campos, leva Lídice com candidata ao governo e Eliana Calmon para o Senado. Resta escolher quem será o vice.
 
Três chapas representativas do atual espectro político baiano, com destaque para a da oposição e a do PT, onde, provavelmente, acontecerá o confronto, embora, segundo consultas (apenas para balizar os partidos) Souto aparece  bem à frente, seguida de Geddel Vieira Lima, Lídice em terceiro e Rui Costa em quarto. Consultas não para o público, porque não foram registradas como determina a lei, e, sim, para os partidos. Ademais, algumas são antigas e sem critérios técnicos. Daí a ausência, por ser também ilegal, de percentuais. Desse modo, passam à categoria de meros palpites.
 
 Abstraindo a competitividade das três chapas, o que valerá, a partir de agora, são as pesquisas oficiais que costumam balizar todo o processo eleitoral e ainda correm o risco de errar, como já aconteceu em outras eleições. Essas vão exibir o quadro político-eleitoral, assim mesmo, reforço, com ressalvas – pelo menos para mim. Ademais, para se ter um quadro mais confiável, é necessário acompanhar a agonia da presidente Dilma Rousseff que anda desabando nas pesquisas, embora seus adversários não cresçam. Isso não importa muito, porque não temo conhecimento público de Dilma.
 
É fato, porém, que a presidente está em queda e, mais ainda: Dilma experimenta um processo agônico, distanciada do PT, cujos políticos integrantes da legenda torcem o nariz para ela e fazem muitas ressalvas e queixas ao tratamento que dela recebem. Além das suas dificuldades com o amontoado de escândalos envolvendo a sua gestão e o seu partido, com um ex-diretor da Petrobrás preso, sócio de um doleiro enjaulado, enfim um massacre nacional envolvendo corrupção.
 
 As perguntas que ficam no ar são: Dilma conseguirá se safar dos escândalos? A economia brasileira que está em parafuso se recuperará? Os ecos que chegam do exterior, inclusive com a manchete do Financial Time, um dos veículos mais conceituados do mundo, estampando “Economia marcada de morte”? O que ela fará com o embrulho que fez na sua gestão? É mesmo um poste sem luz que Lula plantou com elogios espantosos sobre a sua capacidade de administrar? O que dirá com o novo pibinho que está a caminho e com a inflação desatada que atinge, particularmente, as camadas de menor renda da população? Lula se arriscará a voltar, a partir do movimento “volta Lula”, a exemplo do “queremismo” dos anos 5O que trouxe  Getúlio Vargas de volta ao poder? Enfim, é tudo isso e muito mais.
 
O fato é que as circunstâncias nacionais influenciam nas eleições estaduais, especialmente no PT. Apresentar uma candidata presidencial no auge, como aconteceu quando Lula o fez com Dilma é uma coisa; a partir de um governo decepcionante e mergulhado em corrupção é outra, se bem que ela não esteja mergulhada nesta lama, mas passa a ser responsável por aparelhar seu governo, criando  ministérios para realizar favorecimentos, mas, ao mesmo tempo, demonstrando distância dos políticos, sem com eles estabelecer interlocução, o que é essencial entre os poderes Executivo e Legislativo.
 
Esta postura distanciada levou-a à agonia que agora experimenta. O certo é  que os acontecimentos no Palácio do Planalto refletem nos estados, nas eleições Brasil afora, dificultando o poder e dando discursos novos à oposição, que vai trabalhar eleitoralmente exatamente em cima dos problemas gerados, dos equívocos cometidos, de uma economia reconhecidamente errada que gera uma inflação que teima e retornar lembrando velhos tempos. É bom entender que a população da base da pirâmide já sente na pele, no bolso e no fogão.
 
De que, afinal, vale o bolsa família com uma inflação que corroi?  

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Quinta, 10 de Abril de 2014 - 09:30

Coluna A Tarde: A crise e uma dose de gim

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: A crise e uma dose de gim
Em suas reflexões, que envolvem consultas aos amigos e a políticos a ele próximos, o ex-ministro Geddel Vieira Lima vai montando o seu quebra-cabeça para decidir que decisão toma em relação à chapa da oposição ao governo baiano e ao Senado Federal. Avança nas suas meditações e não está fora de cogitação que ele venha aceitar a candidatura ao Senado, de modo a fortalecer, na dobradinha, a candidatura de Paulo Souto ao governo. Por ora, não há uma decisão concreta a respeito desta possibilidade, mas é fato que ela existe.

Ele medita, ainda, sobre o papel que lhe cabe no processo, e não pretende que, mais adiante, na possibilidade de uma derrota, seja ele apontado como um dos responsáveis pelos acontecimentos futuros, até porque entende que, mais de uma vez, lhe foi prometido, com palavra empenhada e, de repente, houve mudanças, quebra do compromisso que o assustaram. Ademais, o presidente do PMDB, neste período, contratou pesquisas para suas reflexões pessoais, exclusivamente pessoais, e os resultados encontrados foram positivos.

Ele se dá tempo para a conclusão do que está a refletir, mas não está distanciado de uma resposta, porque também não é do seu propósito protelar definições que estão, a partir de acordos, enfeixadas nas mãos do prefeito ACM Neto, a quem cabe dar conhecimento público sobre o resultado das consultas, quaisquer que sejam elas. Crê que não está muito distante, mas quer concluir e fechar o que reflete, envolvendo também as suas consultas, para que não restem problemas ou dúvidas. O ex-ministro está tranquilo, assim se diz, apenas reúne informações indispensáveis à sua tomada de decisões. Não quer errar nem agir com emoções.

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Quinta, 10 de Abril de 2014 - 09:30

Crise e uma dose de Gim - I

A crise que atordoa Dilma e o Palácio do Planalto inteiro não esmaece. O Senado mais uma vez derrapa no cinismo do seu presidente, Renan Calheiros, que não consegue realizar o seu trabalho de presidente com a neutralidade que o cargo requer, como no caso da CPI da Petrobrás, que afinal, chegou ao Supremo Tribunal Federal, pelas mãos da oposição, e na CPI proposta pelo governo para bagunçar tudo, inclusive, segundo oposicionistas, um ataque à Constituição e ao Regimento Interno da instituição. Até quando isso vai rolar não se sabe, mas quanto mais isso acontecer será pior para a presidente Dilma, que começa a perder pontos em pesquisa, como aconteceu na consulta do DataFolha. Para complicar mais ainda, puseram no Senado uma forte dose de Gim. Gim Argello, um senador que está na Casa sem ter um só voto sequer (era suplente)  que agora deseja integrar o Tribunal de Contas da União, TCU.

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Quinta, 10 de Abril de 2014 - 09:30

Crise e uma dose de Gim - II

Lula tem medo que o seu PT – é dele e de mais ninguém – seja impregnado pela crise. Mas já está, porque esta crise está dentro do PT, um partido que já foi o que hoje já não é. A tentativa de ascensão a Gim Argello ao TCU surgiu dentro do Palácio do Planalto, com o aberto apoio da presidente de Dilma, que remeteu o mandu para Renan Calheiros, o topa tudo, que quer que o Senado discuta e aprove a designação do senador sem votos para o cargo vitalício do Tribunal, o mais rápido possível. Estão passando com uma motoniveladora sobre os seis processos que o senador responde no Supremo Tribunal Federal, um deles já na bica para a decisão. Qual o conhecimento que Argello tem de economia e, para ampliar, o que verdade é, de qualquer outra coisa? Acontece que o Brasil é um País que deixou a máscara cair lá atrás, e já não dá importância à escolha de nomes certos para lugares certos. Mandam para cargos vitalícios, os “amigos”, as figuras que podem interessar ao partido que no momento estiver no poder e ponto final. E assim, com Renan vaquejando alguns senadores, quer pressa para sabatinar o Gim com gelo e fazer o que o Palácio do Planalto está empenhado. Dessa forma, o Brasil vai perdendo as noções de princípios, os mais básicos que uma Nação deve ter.

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Quarta, 09 de Abril de 2014 - 10:50

Ambições e egos andam à solta no Yacht

por Samuel Celestino

Ambições e egos andam à solta no Yacht
Uma inusitada disputa na recente eleição de 1º de março dos conselheiros do Yatch Club  da Bahia, com direito a trabalho de mídia pela oposição e esclarecimentos da diretoria, evidencia, com antecedência de um ano, a feroz contenda a ser deflagrada para a eleição do próximo comodoro. Único remanescente dos outrora grandes clubes, o Yacht Club da Bahia, continua despertando a cobiça dos candidatos a comodoro, tendo em vista o elevado conceito e o prestígio social que continua desfrutando. O atual comodoro, reeleito para um segundo mandato, vem realizando importantes obras, como a bela nova entrada,  em aço e vidro temperado, projeto do arquiteto Carlos Luz, melhorias na estrutura da Sede Náutica, implantação de mais um elevador para carga e descarga, desenvolvimento do projeto de incêndio, reforma da estação elevatória de resíduos, entre outras, alem de regularizar todo o passivo referente a impostos e manter e o "caixa" em alta, com uma disponibilidade financeira, em 28 de fevereiro, de R$ 5.402.536,46.

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Terça, 08 de Abril de 2014 - 10:30

Coluna A Tarde: República Convulsionada

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: República Convulsionada
Enquanto por estas bandas se aguarda um desfecho da novela oposicionista, envolvendo o anúncio oficial da candidatura de Paulo Souto ao governo e uma definição sobre o futuro de Geddel Vieira Lima, o PT nacional esbarra em dificuldades diante da última pesquisa que aponta queda da presidente Dilma no projeto da reeleição. Mais: ela está em visível desamparo dentro do próprio PT. A presidente está quase sozinha. O PT baiano, pelo contrário, está tranquilo em relação ao processo sucessório, mas não foge do movimento “esvazia Dilma”. Estão todos a olhar para Lula esperando que ele se manifeste de forma clara sobre as circunstâncias que envolvem a presidente, ou se ele assumirá a candidatura.

Um exemplo claro foi possível observar na semana passada, quando o pré-candidato Rui Costa assumiu o seu mandato de deputado federal. A bancada baiana do PT e deputados aliados à base do governador Wagner fizeram uma homenagem ao pré-candidato, com direito a discursos dos líderes e de figuras ditas importantes. A homenagem foi para ele, Rui, e tão somente. Dilma não foi sequer lembrada. A não ser pelo ministro dos Transportes, César Borges, do PR, que a citou com elogios na medida em que é candidata à reeleição. O PT aposta que Lula pode surgir na esquina. Se acontecer o “volta Lula” terá que ser nos próximos 60 dias, porque o mês de junho está reservado, no calendário eleitoral, como época das convenções partidárias para oficializar suas chapas em todo o País. Então, é preciso que ele se defina.

Tempos confusos. O vice-presidente da Câmara, André Vargas, balança na corda bamba, envolvido em corrupção com o doleiro Alberto Youssef. É outro complicador que alcança em cheio PT. A imagem do deputado petista pelo Paraná está em todas as mídias, cada dia com uma novidade que o empurra mais um pouco para o lodo. Sem outra saída, o PT tomou uma decisão para tentar tirá-lo do noticiário, o que dificilmente ocorrerá: afastá-lo da cena do crime. A estratégia urdida o convenceu a se licenciar da Câmara dos Deputados por 60 dias, de sorte que seu retorno ocorra justo na época da  Copa do Mundo, o que desviaria, supostamente, as atenções do eleitorado. O parlamentar aceitou a proposta do seu partido e entregou o pedido de licença no início da tarde de ontem. 

Não se pode adiantar que a fuga dará certo. É bem provável que não. As provas contra André Vargas são desnorteantes, envolvendo ligações entre ele e o doleiro Youssef, sobre os “negócios” que intermediavam em ministérios, principalmente o da Saúde. O ponta de lança era o parlamentar. A oposição, porém, atenta, resolveu entrar junto à Câmara com um pedido de abertura de investigação no Conselho de Ética sobre quebra de decoro parlamentar, o que poderá levá-lo a ter o mandato cassado. Com a licença, ele se afasta da vice-presidência da Câmara. Sua situação fica mais grave na medida em que, em ano eleitoral, será difícil para o PT se expor em sua defesa. A imagem do partido ficará manchada. Se é que já não está.

Para completar o redemoinho por que se observa na República, a Folha de S.Paulo divulgou também ontem que nos últimos três anos a Petrobras, que está convulsionada, assinou contratos no valor de 90 bilhões sem licitação. A petroleira se apoia numa liminar dos anos 90, que permite este tipo de contratação, embora o TCU - Tribunal de Contas da União – seja contrário e mais de uma vez alertou a Petrobras sobre o seu desacordo.

Sem licitação, afasta-se a concorrência, e sem concorrência é difícil controlar os preços contidos nos contratos feitos. Mel puro, portanto, para a corrupção se instalar.

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Domingo, 06 de Abril de 2014 - 08:23

Coluna A Tarde: Geddel medita, Neto espera

Coluna A Tarde: Geddel medita, Neto espera
De certo modo, ou de modo inteiro, recaiu sobre o prefeito ACM Neto uma das tarefas mais difíceis para a união da oposição baiana: escolher entre Paulo Souto e Geddel Vieira Lima, líderes das pesquisas até aqui conhecidas, quem será o candidato. Como liderança nascente na política estadual, com um longo caminho ainda a percorrer, não poderia recusar a causa, porque era o único que estava em condições de coordenar. Mais do que isso. A sua tarefa não era simplesmente escolher entre dois nomes, mas sim entre duas soluções – as que existem – para a oposição baiana. A recusa seria, então, inaceitável.
 
Não esperava, no entanto, que a missão fosse tão complicada embora as idas e vindas na política sejam normais, especialmente quando a equação envolve critérios como foram surgindo na postulação de Souto e de Geddel. De início, o ex-governador ficou indeciso, e sua cabeça girou entre concorrer ou não concorrer. Observando a indecisão visível, Geddel, cuja habilidade é incontestável, colocou para Souto um novo problema: “Se você disser que será candidato a governador neste momento, lhe direi que abro mão e serei candidato a senador”. Diante da sinuca, Souto silenciou e manteve-se internamente como seu dilema que, pouco a pouco se desanuviou, principalmente com os pedidos de figuras do DEM e clara preferência do terceiro partido, o PSDB.  
 
No vai não vai o ex-governador se definiu por “eu vou” e aí todos olharam na direção de ACM Neto. O que fazer? O prefeito só tinha uma saída: conversar, conversar e conversar com ambos. Por mais que se reunisse com os dois, a solução não se apresentava. A dupla já estava decidida a concorrer. As pressões se avolumaram. Se os dois não se decidiam, cabia a ele fazê-lo e não poderia ser por critério subjetivo. Geddel a ele dissera que seu momento passara e não aceitava mais ser candidato a senador. Somou-se a esta divisão um motivo, no seu caso subjetivo. Geddel não gosta de Brasília, fez toda a sua trajetória política por lá e ainda tem uma razão maior para ficar nestas bandas. É muito apegado à família, especialmente ao pai, de quem cuida com extremo carinho, Afrisio Vieira Lima. Quando se trata do pai, Geddel se emociona fácil e chora por qualquer motivo. Como chorou no aniversário de 15 anos de sua filha, quando Afrisio lhe dissera que não se sentia em condições de dançar a valsa com a neta. Chorou copiosamente.
 
Esta demora na escolha do candidato da oposição ao governo não se constitui num problema, pelo contrário, pode ser uma vantagem. Isso porque o governador Jaques Wagner decidiu lançar Rui Costa no final de outubro do ano que passou, enquanto Lídice se decidiu um pouco antes, lançado a sua pré-candidatura. A partir daí as atenções se voltaram para a oposição, que ganhou notícias diárias na mídia enquanto todos passaram a especular quem seria dos dois o candidato. Na capital e no interior, o que pode ser um ganho eleitoral.
 
Neto se decidiu por Paulo Souto, mas Geddel continua entrincheirado. Sabe ele que dificilmente o quadro pró-Souto mudará. Neto está tentando convencê-lo por ser um quadro importantíssimo no xadrez político-eleitoral. Geddel tem recebido muitas visitas, e parece estar meditado sobre a situação. Pensou em lançar sua candidatura representando o PMDB de forma independente, mas sabe que talvez não seja por aí. Esta é a razão de o prefeito elastecer seu tempo até meados, mais para o início, desta semana que entra. O presidente do PMDB tem contas a acertar nas eleições de outubro. Quer impor uma derrota ao governador Jaques Wagner. Entre os dois há um acerto político marcado. Uma pendência.
 
De outra forma, ainda há o problema nacional da candidatura de Dilma à reeleição. A oposição baiana, inclusive o PMDB, apoiará Aécio Neves e, no segundo turno – se houver – quem ficar para a disputa final,  seja Aécio ou Eduardo Campos. O problema aí está no PT e na necessidade, que será uma marca da campanha presidencial, de uma mudança, de uma renovação, para que haja alternância no poder. Entendem que há um cansaço, que parece enfraquecer Dilma. A oposição não quer um governo petista de 16 anos.

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A Associação Bahiana de Imprensa, ABI, realizou na manhã desta quinta feira uma explanação de jornalistas sobre o golpe militar de 31 de março de 1964, que derrubou o presidente João Goulart do poder e desencadeou uma brutal ditadura, afinal derrotada pelas manifestações da sociedade civil brasileira, depois de permanecer no poder ao longo de 21 anos. Cinco generais comandaram o Pais, numa sequência que começou com o marechal Humberto Castelo Branco e se findou com o general João Figueiredo. Contaram as suas experiências e vivências ao longo do deste período de trevas os jornalistas Walter Lessa, que relatou a tentativa da derrubada do então governador da Bahia, Lomanto Jr., impedida pelo comandante do IV Exército, Justino Alves; Nelson Cerqueira, sobre a invasão do Jornal da Bahia por tropas do Exército, na madrugada do dia 1º. de abril; Emiliano José, preso e torturado nos anos 70, detentor de uma larga visão sobre o período,  e Samuel Celestino, que se manifestou sobre a quartelada, o cerco da Faculdade Direito e outros momentos da ditadura militar. Também relataram fatos o acadêmico João Eurico Mata, chefe da Casa Civil do governo Lomanto Jr., e o jornalista Ernesto Marques. O presidente da ABI, Walter Pinheiro, conduziu a reunião, relatando, também,  as dificuldades da Tribuna da Bahia na época dos anos de chumbo. O encontro aconteceu no auditório Samuel Celestino, que esteve lotado, e foi organizado por Guilherme Pontes Tavares.  

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