Com Samuel Celestino

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Curtas do Poder

Curtas do poder

Rapaz, João Leão é um falastrão de marca maior. Andou dizendo que não é ministro de Dilma porque a mulher não deixou. O coroa do “buraco zero” gosta de ser folclórico, gosta de arrancar risadas, mas trabalho que é bom, nada. Falando em folclore, circula nos bastidores da política que a ida de Paulo Souto para a secretária da Fazenda é para que ele se fortaleça para ser candidato a vice no pleito de 2016. Antonio Imbassahy, que anda fechadinho com os irmãos Vieira Lima, está de olho e não está gostando nada desta história. Aí é briga de cachorro grande e eu quero cair fora. Não deixe de ler as Curtas do poder!

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Pedro Galvão

Sem convite do governador eleito Rui Costa para continuar no cargo, o secretário de Turismo, Pedro Galvão, faz um balanço da sua curta administração na pasta, em entrevista ao Bahia Notícias. Ele assumiu o cargo na cota de indicação do PR em janeiro deste ano e organizou eventos como o Carnaval e a Copa do Mundo. Galvão afirma que tem "o melhor relacionamento" com o chefe da Secretaria de Desenvolvimento, Turismo e Cultura de Salvador, Guilherme Bellintani, na produção de eventos na capital. O secretário também elogia a futura extinção da Bahiatursa. "O novo governador [Rui Costa], com muita propriedade, entendeu que a Bahiatursa tinha uma série de problemas e que precisava ser requalificada. Acho que vai funcionar perfeitamente bem", avalia. Galvão também adianta que o projeto da Estrada Real da Chapada – roteiro que refaz o caminho aberto pela Coroa Poruguesa para unir a Bahia e Minas Gerais – deve entrar em fase de execução no próximo ano. "Ela está a todo vapor e acredito que em 2015 já esteja levada ao público através de uma propaganda, mostrando no Brasil e exterior que nós temos uma Estrada Real", informou.

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Quinta, 18 de Dezembro de 2014 - 14:25

Jorge Portugal confirma Secretaria da Cultura

por Samuel Celestino

Jorge Portugal confirma Secretaria da Cultura
Foto: Reprodução
Jorge Portugal confirmou no início da tarde desta quinta-feira (18) que foi convidado pelo governador eleito, Rui Costa, para integrar a sua equipe como secretário da Cultura. Rui acertou em cheio. O governador Jaques Wagner não deu sorte com o setor cultural, que desabou no seu primeiro mandato quando nomeou Márcio Meirelles para comandar a secretaria. Foi um desastre. A tal ponto que passou a ser chamado pela área cultural de “Macbeth da Província”, numa alusão à sua extrema vaidade. Meirelles ficou à frente da pasta pavoneando nos quatro primeiros anos e foi substituído por Albino Rubim. Isto depois de engessar a secretaria com uma política de interiorização da cultura, que se tornou um fiasco, abandonando Salvador e o Recôncavo, berços do setor cultural do estado. Jorge Portugal é profundo conhecedor do segmento. Passa a ser uma esperança para a recriação do que foi desmantelado, praticamente matando o setor, que sempre foi um fator que impulsionou e deu dimensão nacional à cultura baiana, uma das mais significativas do País. Em tempo: o fato de ter citado Salvador e o Recôncavo não implica em desconhecer a riqueza cultural de todo interior baiano. Cada região tem uma especificidade que a destaca em beleza e cultura, presentes em seu povo.   

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Quarta, 17 de Dezembro de 2014 - 07:49

A montanha pariu um rato

por Samuel Celestino

A montanha pariu um rato
Foto: Mateus Pereira/GOVBA
Muito se aguardou para se ter inteiro conhecimento do secretariado do governador Rui Costa. A demora não indicava sinais positivos e, sim, dificuldades para encaixar políticos derrotados na última eleição. Quando ontem anunciada a equipe que trabalhará ao lado do novo futuro governador, no horizonte brotou uma interrogação, um susto, e emergiu um velho ditado que atravessou o século XX: “a montanha pariu um rato”. Surpreendeu para pior, embora alguns nomes mereçam destaques. São os dos secretários herdados de Wagner que demonstraram competência, como Manoel Vitório, que já havia migrado para a Fazenda; Maurício Barbosa, da Secretaria de Segurança Pública que, para não gerar desconfianças, terá a obrigação de rearrumar inteiramente o setor em que continuará, mexendo em nomes e cargos, de sorte que a população passe acreditar que a violência diminuirá. A Polícia Militar obrigatoriamente passará, supõe-se, por uma mexida interna;  a Educação há qualidade com Osvaldo Barreto, mas de igual modo a secretaria haverá de passar por mudanças. Outro nome é de destaque, o de Marcos Cavalcanti.  Outras permanências não entendi, assim como não consegui achar razão alguma nas escolhas, com exceção do novo secretário da Saúde,  Fábio Vilas Boas, e de André Curvello, que comandará a secretaria da Comunicação. De resto, os novos assustam. Há muitas confusões e diversas interrogações: o vice-governador João Leão, por exemplo, é pessoa afável, mas não conhece a secretaria de Planejamento nem de fotografia. Cito apenas estes porque me confesso confuso, muito confuso, com os demais escolhidos por Rui Costa. Já não é conveniente, muito menos aceitável, premiar derrotados nas urnas com cargos de secretarias. Creio que o novo governador perdeu uma excelente oportunidade para renovar o quadro de gestores do estado, revelar novos talentos, como em outros tempos aconteceu, daí ter comparado o anúncio dos novos nomes (dos novos, repito) com a história da montanha que pariu ratinhos. Espero que dê certo. É difícil acreditar que isso venha acontecer. Ao que parece, Rui apresentou seu secretariado antecipando reformas do próprio grupo mais adiante. Ao lembrar ditados, há outro que me parece bem adequado e que se encaixa no susto: “Pelo tamanho do dedo se conhece o gigante”. Vou procurar,  governador, provavelmente em vão, um dedo para ver se encontro um gigante na nova equipe.  Espera-se que amanhã, com o anúncio do resto do secretariado, o gigante apareça. 

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Terça, 16 de Dezembro de 2014 - 07:40

Coluna A Tarde: A imprensa em tempos corruptos

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: A imprensa em tempos corruptos
A presidente Dilma Rousseff ainda não conseguiu fechar seu ministério para o segundo mandato. Depara-se com dificuldades na escolha de nomes. Tais dificuldades da presidente são visíveis. Acompanha-a no dia a dia e, certamente, nas noites indormidas, fantasmas que emanam  das investigações da Operação Lava Jato. Volta e meia surge um novo fantasma oriundo da ampla corrupção que se espraiou pela Petrobras no seu primeiro mandato, chegando às obras públicas das estatais e dos ministérios ocupados por nomes escolhidos, em conjunto, por ela e Lula na sua primeira eleição.

O temor não a deixa dormir com a tranquilidade. Sua vida transformou-se, pressupõe-se, num inferno, o que seria inadmissível se outros fossem os tempos, principalmente para quem ganhou uma eleição difícil. Os fantasmas saltam do seu PT, partido que pouco a pouco se desmoraliza e desaba em credibilidade. Um dos seus problemas é definir nomes para seu novo ministério e, depois, encontrá-los no noticiário da mídia como envolvidos nas denúncias do grande escândalo que destrói a imagem da Petrobras, antes tida como estatal símbolo do sentimento nacionalista que a aureolou quando fundada, nos idos dos anos 50. Aliás, como ensina o ditado popular que depois da queda vem o coice, a petroleira vê inviabilizar o pré-sal, a partir da queda dos preços do petróleo, que ontem estavam a US$ 56 por barril.

Dilma teme, porque ela própria sabia do que ocorria, embora negue. Até porque seria impossível não saber. Se assim fosse, seria uma presidente com a cabeça no mundo da lua. Faz parte da essência do PT a negativa. Assim aconteceu com o mensalão. Agora, vê-se Lula depor, mas como testemunha, do que supostamente não sabia. O Partido dos Trabalhadores, que emergiu das portas das fábricas do ABC paulista como uma esperança pós-ditadura, desfaz-se aos pedacinhos e em montanhas de dinheiro desviados como propinas para garantir as campanhas eleitorais e a manutenção da estrutura do partido. Dinheiro encaminhado ao tesoureiro João Vaccari Neto - um homem que não se conhece a voz- pelos intermediários das empreiteiras.

A presidente está diante de um ministério a ser montado e de partidos ávidos para participar da divisão do bolo. Além do PT, naturalmente, estão a postos o PMDB, que provavelmente será dilacerado quando surgirem os nomes dos parlamentares corruptos envolvidos no escândalo, e o PP, partido menor, mas nem por isso menos corrupto. Será justo aí, depois de formado o difícil ministério da presidente, que os nomes dos políticos congressistas aparecerão para o conhecimento público. Quando tal acontecer, o Congresso já em parte renovado pela última eleição, receberá o impacto. Porque estará no início da legislatura, e a ele caberá guilhotinar cabeças, cassar mandatos e suspender direitos políticos.

Em um dos comentários publicados neste espaço, citei que os novos parlamentares, os da renovação, não compartilharão em ideias com os velhos integrantes do esquema de corrupção. É muito provável que, depois do aviso ao mundo que o Brasil está tentando limpar a imensa sujeira, os novos parlamentares irão dar o troco, e o Judiciário brasileiro aplicará penas severas, diferentemente do que aconteceu mensalão onde todos os gatunos já estão soltos. A justiça aplicará penas, já anunciadas, que poderão chegar a 100 anos de prisão. Ao mesmo tempo, o Congresso fará a sua limpeza e se a Justiça Federal não for piedosa com os calhordas, imagina-se que o Supremo Tribunal Federal fará sua parte condenando os já então ex-deputados com penas também exemplares.

O cenário futuro pelo menos aponta em tal direção. A imprensa brasileira, para o desespero do PT e dos partidos a ele aliados (não que os da oposição não sejam farinha do mesmo saco) está numa fase condizente com a democracia conquistada pós-ditadura. Está levando a público tudo o que acontece nestes trópicos. Desde o meu início, ainda adolescente, no jornalismo, esta é uma fase brilhante para a imprensa. Pena que ela se torna adulta quando o Brasil entra num período de descompasso, em consequência de uma política corrupta e safada.


* Coluna originalmente publicada na edição desta terça-feira (15) do jornal A Tarde


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Domingo, 14 de Dezembro de 2014 - 07:40

Coluna A Tarde: Corrupção até na FAB

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: Corrupção até na FAB
Não deve haver espanto com a agilidade da justiça em relação aos 36 indiciados na Operação Lava Jato, entre empreiteiras, pessoas físicas, além de diretores e funcionários da Petrobras. A Justiça brasileira não mudou, longe, mas muito longe disso. Continua morosa como sempre foi. O que mudou foi a realização, em esforço conjunto, do Ministério Público, Polícia Federal, Procuradoria-Geral da República e, sobretudo, um, nada além do que um, juiz: Sérgio Moro, da Justiça Federal do Paraná. Ele é que está no comando dos procedimentos que levaram aos indiciamentos e a probabilidade de os indiciados, se condenados, terem sentenças que podem chegar a 100 anos de prisão.

Vem mais aí, e não há como demorar, para o indiciamento das “excelências”, senadores e deputados federais, além de políticos de variadas espécies, envolvendo, segundo se propala, também governadores, o que provavelmente desmontará o Congresso Nacional quando os nomes da corja aparecer nas manchetes da imprensa. Das quais, aliás, muitos deles já estão acostumados em terem seus nomes e fotografias expostos. Presume-se que serão três dezenas deles. Outros supõem que o número (de parlamentares) chegará a 70, o que será, se tal acontecer, uma festa para a democracia. Naturalmente se houver cassação e suspensão de mandatos.

As divergências sobre a quantidade dos corruptos são explicadas porque ainda incertas. Dependerá do pente fino, por conta do juiz Moro, do Ministério Público e da Procuradoria-Geral da República. O trabalho conjunto levou a uma decisão que separou por agrupamentos para não misturar quem tem foro privilegiado – os parlamentares – com empresários e corruptos de variadas profissões (empreiteiros, empreiteiras, diretores da estatal, funcionários da Petrobras etc.etc). Enfim, corruptos de profissão, mas de formação diversificada.

Moro teve tal clarividência porque, se misturasse alhos com bugalhos, o seu trabalho poderia desabar. Os envolvidos são de “gêneros” diferenciados: os que têm privilégio de foro serão julgados pelo Supremo Tribunal Federal, cuja demora já é aguardada, tal como aconteceu com os mensaleiros. Fora os parlamentares, os demais, muitos já indiciados, responderão por seus crimes com maior agilidade, porque ficarão submetidos à responsabilidade da Justiça Federal. Se as penas da Justiça Federal forem ao teto de 100 anos de condenação, o STF terá, pelo menos, um parâmetro para as suas condenações. Espera-se que, desta vez, com agilidade.

Ainda nesta semana que chegou ao fim, a Câmara dos Deputados deu pelo menos um indício que não terá complacência com a corrupção, ao cassar, no plenário e por votação além da que se esperava o mandato do deputado André Vargas. Este teste, que ainda não atingiu o deputado baiano Luiz Argolo, leva a crer que não haverá complacência no julgamento pelo Congresso dos parlamentares – deputados e senadores – que receberam propinas das empreiteiras e dos diretores da petroleira afastados.

Como a relação dos nomes dos políticos tende a ter mais repercussão do que os agentes das empreiteiras envolvidas, muito provavelmente o fato irá colocar o novo Congresso renovado em xeque. Os parlamentares eleitos pela primeira vez nas últimas eleições, não terão razão para poupar os corruptos, deputados ou senadores. Pelo contrário, vão procurar, a partir da renovação, transmitir uma nova imagem para o Congresso Nacional, porque os novos não terão compromisso com os corruptos que serão expostos. Pelo contrário, presume-se que preferirão ficar distanciados para que a representação que passarão a ter tenha o respeito dos brasileiros.

Enfim, quanto mais houver limpeza melhor, porque a imagem do País no exterior no momento é uma das piores. Além da imagem, ninguém quer transferir investimentos para cá, por saber que só se faz negócio em Pindorama mediante propina. Aliás, na sexta-feira última surgiu nos Estados Unidos informação na mídia sobre corrupção até na Força Aérea Brasileira, a FAB, numa relação no mesmo nível praticado pelas empreiteiras, no caso com a empresa americana Dallas. É o fim da picada.


* Coluna publicada originalmente na edição deste domingo (14) do jornal A Tarde


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Sábado, 13 de Dezembro de 2014 - 09:47

Duque teria roubado mais da Petro do que Barusco

por Samuel Celestino

Renato Duque, ex-diretor da Petrobras que deixou a prisão por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki, teria desviado da Petrobras 60% de propina concedida a ele, e 40% ao seu gerente, Pedro Barusco, que fez a delação à Operação Lava Jato.  A informação faz parte de uma nota da coluna Painel, edição de hoje de “Folha de S. Paulo”. Barusco denunciou ainda o ex-diretor Luiz Zelada, que ficara no cargo até 2012. Para que se tenha uma idéia do montante do roubo na Petrobras, somente o delator, que recebeu 20% a menos do valor das propinas destinada a Renato Duque. Ele prometeu devolver US$93 milhões de dólares desviados e afirmou que  US$1 milhão não poderá ser devolvido porque gastara em viagens ao exterior e com médicos. Barusco, com Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef têm sido os maiores delatores da roubalheira (que o governo não viu) praticado na petroleira, mas os dois últimos foram indiciados, com a aceitação da justiça, e responderão por um punhado de crimes de desvios e solapa à estatal. Suas penas, no entanto deverão ser diminuídas pelo fato de terem feito delações premiadas.

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Sábado, 13 de Dezembro de 2014 - 08:59

'Sai daí rápido, Graça Foster'

por Samuel Celestino

'Sai daí rápido, Graça Foster'
A blindagem que o Palácio do Planalto deseja fazer em torno da presidente da Petrobras, Graça Foster, e dos diretores da estatal, pode ser para a presidente Dilma Rousseff um tiro no pé. Mesmo que Foster e seus diretores nada tenham a ver com a corrupção, a suspeição que desce sobre a diretoria somente prejudicaria, mais ainda, a Petrobras destroçada pela corrupção político-empresarial. Não se trata apenas no pedido, quase apelo, de lideranças oposicionistas para que peçam demissão da petroleira. O problema é que a presidente da Petrobras já não tem mais clima, em confiabilidade, para continuar à frente da ex-maior estatal brasileira. Melhor seria que partisse dela própria e dos diretores a entrega dos cargos. Se insistirem, ela fica pior, a estatal vira peça de museu e Dilma, que voltou a guardar silêncio, assim como Lula, perdem a confiança dos brasileiros, o que, aliás, já está em baixa e piorará quando forem reveladas as formas como o PT, PMDB e PP atuavam dentro da companhia. Enfim, o fato é que a corrupção já envergonha os brasileiros e derruba a imagem do País no exterior.

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Quinta, 11 de Dezembro de 2014 - 09:43

Mercadante, o manda-chuva do governo

por Samuel Celestino

Mercadante, o manda-chuva do governo
Foto: Divulgação
O homem forte deste final do governo Dilma Rousseff e provavelmente do segundo mandato que começa em janeiro, o chefe da Casa Civil  Aloizio Mercadante, está insatisfeito com a permanência de Guido Mantega no ministério da Fazenda. A sua vontade poderá ser acatada por Dilma Rousseff, ainda neste dezembro. Se vier a acontecer, a mudança seria no dia 15 próximo. A questão é que Guido Mantega, com a presidente, levou o País ao buraco no setor econômico, está também insatisfeito. Deseja sair e logo. A crise brasileira não vem de fora, como martela a presidente Dilma. Foi gerada aqui dentro mesmo pela incompetência e pelo descalabro, como são os casos da Petrobras e da corrupção em diversas estatais, que provavelmente foram motivos que levaram ao pedido de demissão de Jorge Hage da CGU (Controladoria Geral da União). Mantega está descontente com o duplo comando na economia, o dele e o do futuro ministro Joaquim Levy. Quer sair, quanto mais rápido melhor para ele, o que casa com os interesses de Mercadante, novo manda-chuva da República, que dá a impressão de que deseja tutelar a presidente. Se assim acontecer, o segundo mandato não começará em primeiro de janeiro e, sim, antecipadamente, ainda neste mês de dezembro. De mais a mais a economia do País que está no buraco, pela falta de investimentos do exterior e a péssima imagem que o País experimenta lá fora, dentre outros variados problemas, leva a crer que uma pequena estabilidade econômica no Brasil não acontecerá em 2015, mas, bem provavelmente, em 2016. E olhe lá.

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Quinta, 11 de Dezembro de 2014 - 07:40

Coluna A Tarde: O terror na ditadura

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: O terror na ditadura
Menos do que o tempo que a justiça necessitou para julgar a corrupção do mensalão e, espera-se, não menor do que o período que será gasto pelo Judiciário para julgar e punir a quadrilha que se assenhoreou a Petrobras para cometer destinos e a roubalheira que o governo não viu, a Comissão Nacional da Verdade entregou, na manhã de ontem, à presidente Dilma Rousseff o trabalho que realizou, para desvendar, em parte, as trevas da ditadura militar, no período 1964-1985. Foram dois anos e oito meses necessários para ouvir 1.129 depoimentos sobre uma listagem de 434 brasileiros que, em defesa da democracia, foram presos, torturados, assassinados ou desaparecidos.

Os responsáveis pelas torturas destes brasileiros que se lançaram à luta em defesa da liberdade, provavelmente morrerão também torturados por suas lembranças e seus fantasmas. Alguns já se foram, outros suicidaram com balas na cabeça, mas muitos, no entanto, ainda continuam vivos, distanciados da sociedade, isolados e condenados por suas consciências. Estribam-se, porém na certeza de que não receberão qualquer punição, protegidos pelo manto  da Lei da Anistia que tentou, em vão, apagar o passado. Estes dificilmente receberão punições, mas são almas que vagam em vida, diariamente convivendo com as lembranças das torturas que praticaram e dos assassinatos que cometeram ou ordenaram nos DOI-CODI dos seus tempos de trevas. 

A Comissão Nacional da Verdade foi ágil em reunir três volumes com, ao todo, 3.380 páginas. Para chegar a entregar o País parte da verdade que ocorreu durante a ditadura dos generais foi necessário muito esforço e quase 30 anos após a escuridão que atormentava a liberdade no regime militar. O Brasil nunca esqueceu e jamais esquecerá. Agora, o período dos fascistas está condensado em volumes e ainda este mês um livro será publicado. A Comissão Nacional da Verdade trabalhou diariamente para que os brasileiros tenham conhecimento do que ocorrera naqueles terríveis anos da ditadura. E conseguiu. Não no todo, porque muitos acontecimentos ainda estão obscuros, mas pode reunir depoimentos contundentes, vergonhosos, insanos e desumanos do acontecido.

Com a entrega dos volumes à presidente na manhã de ontem, os brasileiros poderão dizer, mesmo perdendo seus heróis anônimos que lutaram pela democracia, que “nós vencemos”. Porque o bem sempre estará acima do mau, e a violação dos direitos, espera-se, jamais voltará a acontecer, pelo menos em relação à ditadura que ainda está presente nas cabeças dos insanos, quaisquer que sejam eles. Não há, e jamais haverá uma ditadura boa. Elas são e será sempre o aprisionamento da liberdade. Os insanos estão presentes, como se observa com os Bolsanaros da vida que fazem o que querem no Congresso, e assim agem porque, por mais absurdo que pareça, eles se estribam na democracia. Sempre haverá o mau. Mas a maldade como instituição, espera-se que jamais.

Na tarde de ontem a Comissão Nacional da Verdade também entregou volumes idênticos aos que chegaram às mãos de Dilma Rousseff aos presidentes da Câmara e do Senado. Ainda este mês será lançado um livro, como já dito, com lastro nas informações colhidas pela Comissão da Verdade. Será imperdível. Se valer uma sugestão maligna, que tal volume fique na cabeceira dos torturadores ou daqueles que mandaram torturar para que não durmam e passem suas noites lembrando os fantasmas do seu passado, aqueles que assassinaram, os torturados no pau de arara, os que sofreram afogamentos e impedidos de dormir nos porões do DOI-CODI além das torturas e mortes em outras casas do terror, como a de Petrópolis, onde a morte pairava acima da vida.


* Coluna publicada originalmente na edição desta quinta-feira (11) do jornal A Tarde


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Quarta, 10 de Dezembro de 2014 - 10:54

Comissão da Verdade quer fim da PM

por Samuel Celestino

A Comissão Nacional da Verdade (CNV) entregou, na manhã desta quarta-feira (10), à presidente Dilma Rousseff o trabalho por ela realizado em dois anos e sete meses, reunidos em 3.389 páginas. A CNV dá, assim, o seu trabalho por concluído, depois de tomar 1.120 depoimentos da época de terror que tomou conta do País durante o regime militar, iniciado em 1964 e findado, com o advento da democracia, em 1985. De certo modo, a ditadura caiu por seus erros, torturas, perseguições, assassinatos de um grupo de brasileiros que lutaram pela liberdade. A queda foi uma consequência do desgaste, que deixou o País esfacelado na última fase do período de terror, comandado então pelo general João Batista de Figueiredo, uma figura menor. Na conclusão dos trabalhos, a Comissão fez 30 recomendações, entre as quais o fim das Polícias Militares, a exigência de que as Forças Armadas assumam a sua responsabilidade durante o período de trevas, a proibição de comemorar aniversários da ditadura e a revogação da Lei de Segurança Nacional. Recomenda, ainda, 17 medidas institucionais, oito mudanças de leis ou da Constituição, e quatro para se dar seguimento ao trabalho da Comissão da Verdade.

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Terça, 09 de Dezembro de 2014 - 15:08

'Corruptos e corruptores não ficarão livres'

por Samuel Celestino

'Corruptos e corruptores não ficarão livres'
Foto: André Dusek / Estadão Conteúdo
Num discurso duríssimo que pronunciou na manhã desta terça-feira (9), o procurador-geral da República,  Rodrigo Janot, disse que  “corruptos e corruptores precisam conhecer o cárcere” pela devastação que aconteceu na Petrobras, orgulho dos brasileiros e da nação, que está a sofrer com a dilaceração da imagem da estatal. Sem poupar adjetivos, Janot afirmou que o País está convulsionado “pelo incêndio da Petrobras em grandes proporções que a consome”. Ao falar em corruptos e corruptores disse que não se trata apenas de irem para o cárcere, mas fazê-los devolver os ganhos que engordaram as suas contas. Disse ainda que a “corrupção sangra e mata” e que com a mobilização dos procuradores, da Polícia Federal, do destemor do juiz Sérgio Montoro, um grande trabalho está sendo feito para que paguem pelo crime cometido contra o País e a Petrobras. Janot garantiu que nenhum deles ficará livre, “porque todos pagarão por seus crimes”.

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Terça, 09 de Dezembro de 2014 - 10:17

Dirceu de volta ao palco da corrupção

por Samuel Celestino

Dirceu de volta ao palco da corrupção
Foto: Max Haack/ Bahia Notícias
José Dirceu está de volta ao palco da corrupção em documento que, segundo o “Estado de S.Paulo”  foi encontrado na empreiteira Camargo Correia no último dia 14 de novembro, pela “Operação Juízo Final”. Mesmo réu do mensalão, na época (2010), o ex-ministro e baluarte do PT recebera R$ 900 mil da Camargo Correia. Se for, de fato, constatada a propina e a sua participação, o ex-chefe da Casa Civil poderá enfrentar um novo julgamento, este mais pesado. Sem direito a vantagens do regime semi-aberto. A nova complicação que chega à tona dá conta que, em 2010, ao tempo em que ele recebera os R$ 900 mil, a Camargo Correia fechara um contrato com a Petrobrás no valor de R$ 4,5 bilhões. O documento que comprova a maracutaia estava no escritório da empreiteira e somente agora foi revelado. As investigações vão atrás do que levou o petista a receber o dinheiro e se havia relação com o contrato por ela firmado com a Petrobras. É, “ o pau que nasce torto...”

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Terça, 09 de Dezembro de 2014 - 09:34

Contas de Dilma: motorista virou empresário

por Samuel Celestino

O mais novo escândalo que ronda o PT e Dilma Rousseff é, agora, um problema grave que diz respeito às contas de sua campanha, que não batem. Nem o que recebeu nem o que pagou. A complicação veio à tona no final da semana passada e pode ter graves consequências. Os auditores do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reprovaram as contas de campanha e o assunto foi passado ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, que encaminhou o mandu da auditagem ao Ministério Público da União. O passo seguinte é receber de volta para que ofereça o parecer. Não há perigo de Dilma não ser empossada. Mas, se constatada a possível tramoia, a posse poderá ser anulada. Há alguns absurdos nas contas de campanha. Uma dela envolve a empresa Focal Confecções Visual, que teria recebido R$ 24 milhões, valor só inferior ao que foi repassado à empresa do marqueteiro João Santana, em torno de R$ 70 milhões. Acontece que a Focal tem como sócio o cidadão Elias Silva Matos, que até o ano passado era motorista, com salário de R$ 2 mil. Naquele ano se tornou sócio da tal Focal e passou à condição de empresário. As notas fiscais da “sua” empresa são irregulares, fato naturalmente que ele não sabia já que a sua profissão é ser mesmo motorista. Em declaração à Folha de S. Paulo, ele complicou, ao choramingar: “Eu sabia que a minha vida iria virar um transtorno”. E que transtorno.

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Terça, 09 de Dezembro de 2014 - 07:40

Coluna A Tarde: Uma tarefa difícil

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: Uma tarefa difícil
Em processo de transição entre o atual e o futuro governo da Bahia, por ora o governador Jaques Wagner está mais presente no noticiário nacional do que local. Aqui, o espaço já é do governador eleito, Rui Costa, em razão da pequena reforma que irá fazer na sua gestão que começa no primeiro dia de janeiro. Enquanto Rui cuida dos assuntos do estado, no cenário nacional o atual governador continua como uma das estrelas do petismo, mas, ainda, diante de uma interrogação sobre o cargo que ocupará. Nada existe por ora a não ser especulação.

Depois de resolver algumas incógnitas, adotando idéias pregadas pela oposição de Aécio Neves durante a campanha eleitoral, a presidente Dilma Rousseff tenta uma saída ortodoxa na tentativa de novos caminhos para resolver a crise econômica do País, que não é pequena. Em consequência, depois de uma solução à direita, o que parecia impensável, destravou as questões do Ministério da Fazenda, Ministério do Planejamento e Banco Central. A presidente tenta solucionar agora a escolha dos futuros presidentes dos bancos públicos.

E também como consequência, os partidos políticos que a apoiaram na reeleição, em prontidão esperam a hora para apresentar candidatos a ministérios. Depois daí, ou antes, será a vez de resolver os cargos para os nomes considerados “da casa”, entre os quais incluem as pretensões de Jaques Wagner. A presidente parece não ter pressa, embora seu segundo mandato se inicie no dia primeiro do ano. Os ministérios reservados aos partidos políticos, muitos deles envolvidas na corrupção detonada na Petrobras, se espraia em diversas obras públicas (em torno de 750).  Mesmo assim mesmo serão beneficiados pela presidente.

Basta entender que as denúncias premiadas de corruptos envolvidos nos escândalos apontam na direção de três partidos da base de Dilma: o PT, que é o governo, o PMDB, sem o qual ela não sobrevive no Congresso, e o PP, que não deve ou não deveria apresentar deputado para ser ministro, porque, segundo uma dessas denúncias citadas, apenas dois dos parlamentares da legenda não receberam propina. Mas eles querem bondade e as receberão.

Para um País corrompido a partir de empreiteiras, diretores escolhidos para cargos de estatais por critérios políticos, e mais parlamentares, é realmente uma missão difícil que cumpre à presidente. É certo que, assim como Lula no mensalão, Dilma alegou que “não sabia de nada” do que ocorria na petroleira. Acredita quem quiser. Ficam, então, muitíssimo mais complicadas as escolhas ministeriais. Ademais, em relação ao governador Jaques Wagner, o nome mais forte no momento com acesso à Dilma parece ser o do chefe da Casa Civil do governo, Aloísio Mercadante. O PT quer que o governador da Bahia faça parte do chamado “núcleo duro”, como são denominados, os ministros cujo endereço é o Palácio do Planalto.

Jaques Wagner é um político de fácil relacionamento. O mesmo não parece ser o estilo de Mercadante, que já nasceu aureolado pela antipatia. A partir deste contraste, especula-se qual dos dois (mesmo que o endereço de Wagner não seja o Palácio do Planalto) terá mais força no segundo governo. Por ser mais suave no trato o governador baiano leva vantagem. Dá-se conta que ambos pretendem ocupar em 2018 o cargo de Dilma, isto se Lula não vier a ser candidato. Mercadante tem um mandato de senador, o que pesa, mas não muito. O que poderá vir a ter influência será a sua presença na chefia da Casa Civil, por estar próximo da presidente.

Tudo isso faz parte do jogo que agora está sendo jogado. Jogo difícil, o da escolha de um ministério que, acima de tudo, zele pela integridade e seriedade no trato do dinheiro público. Sem parlamentares desonestos, partidos sedentos para saquear o Tesouro e empreiteiras que influam nas relações afáveis entre o poder e a corrupção. Como ainda tem muita sujeira que virá à tona, imagina-se que o escândalo da Petrobras irá muito além do presumível. Assim, é possível que o terremoto se torne maior, muito maior, do que se imaginava. Daí a necessidade de a presidente tomar muito, mas muitíssimo cuidado com os nomes que irá escolher para compor o seu segundo governo. Qualquer novo escândalo fatalmente a população sairá às ruas. Com tamanha força que lembrará Fernando Collor. Tomara que não.


* Coluna publicada originalmente na edição desta terça-feira (9) do jornal A Tarde


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Domingo, 07 de Dezembro de 2014 - 07:40

Coluna A Tarde: O Brasil dos iguais

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: O Brasil dos iguais
Se a suposição do juiz Sérgio Moro, que detonou a partir da Operação Lava Jato o grande esquema de corrupção na Petrobras estivar correta – e certamente está – a situação do País é muito pior do que se imaginava. O magistrado vê fortes indícios de que o assalto das empreiteiras superfaturando contratos e distribuindo propinas, transcende a estatal do petróleo. Muitos destes indícios foram encontrados nos documentos do doleiro Alberto Youssef. A partir deles, Moro chegou à conclusão de que o País fora minado pela corrupção e as propinas estão enraizadas em muitas obras públicas. Não só. Diversos partidos receberam dinheiro para as campanhas políticas, embora não na dimensão que chegara “como doação” ao PT, PMDB e PR.

Se, mais adiante, ficar comprovado que este descaminho está generalizado, o ano de 2015 será muito pior do que 2014, que caminha para o seu final, com a inflação estourando o limite da meta estabelecida pela política econômica posta em prática pela presidente Dilma Rousseff, a partir das inverdades sustentadas pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. Para o ministro, o ciclo também se encerra e, espera-se, seja para sempre, pelo menos no setor público.

Espera-se, ainda, que com o novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que imprimirá uma política econômica ortodoxa, a situação melhore e não haja a engabelação corriqueira presentes nas palavras de Mantega, que permearam a campanha eleitoral de Rousseff. Em todos os setores o País atravessa um ciclo de dificuldades, perdendo posições para nações emergentes, ficando para trás a esperança de que, afinal, o Brasil teria encontrado seu caminho.

Na medida em que a corrupção não está localizada (sempre esteve presente no País inteiro) pelo menos a partir do escândalo da petroleira chega-se à óbvia conclusão de que são necessárias mudanças rígidas com reformas profundas. Basicamente, no segmento político onde, em boa parte, os problemas têm origem. Observa-se, com nitidez, o que aconteceu nesta tumultuada semana que passou. O Congresso foi envolvido numa turbulência para aprovar o projeto de lei da nova meta fiscal, única forma de a presidente fechar as suas contas no azul. Ela, supostamente, somente percebeu que a situação era grave depois das eleições e da sua reeleição para o segundo mandato.

O que se constatou foi uma pressão sobre a Câmara dos Deputados e o Senado para que aprovassem uma nova legislação, condicionando-a à liberação das emendas parlamentares, num total de pouco mais de R$10 bilhões. Os parlamentares baixaram a cabeça. Melhor receber o dinheiro em troca da concessão a partir da pressão realizada pelo Palácio do Planalto. Como agiram então os parlamentares? Realizaram uma última sessão que chegou às 5h da madrugada, depois de quase 19 horas de debate. Todo o campo governista votou pensando em receber a grana das suas emendas parlamentares, e a oposição ficou no jogo de não dar quórum. Dilma foi vitoriosa quando, após a sua reeleição, ela experimentara surras no Congresso, sofrendo uma série de derrotas. Mas, quando à frente estava o dinheiro, os parlamentares se prostraram.

No dia subsequente à sua vitória, afastado o perigo de as contas da República fecharem no vermelho,  a presidente Dilma Rousseff agradeceu usando apenas duas palavras: “Estou satisfeita”. Tudo, enfim, foi um jogo entre o Executivo e o Legislativo. Os dois poderes certamente estão felizes. Um com o dinheiro das emendas garantido; o outro pela pressão bem sucedida dobrando os políticos para mudar a legislação fiscal.

Assim é o Brasil. O juiz Sérgio Moro parece ser o único que, no momento, está na trilha certa. O seu trabalho para punir os corruptos merece todos os elogios. Resta o Supremo Tribunal Federal se manifestar após ter-se conhecimento das três (ou mais) dezenas de parlamentares envolvidos na corrupção, que transcende, segundo o magistrado, o que se passa na Petrobras. Enfim, se tudo o que está a ocorrer resultar numa nova realidade mais adiante, aplaude-se.


* Coluna publicada originalmente na edição deste domingo (7) do jornal A Tarde


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Quinta, 04 de Dezembro de 2014 - 11:07

Comissão quer fim de homenagens a ditadores

por Samuel Celestino

A Comissão da Verdade decidiu encaminhar a estados e municípios a decisão de efetuar a mudança de rodovias, avenidas, praças e prédios públicos de maneira geral, batizados com os nomes dos ditadores na época do regime militar. Aqui em Salvador há diversos batismos efetuados na época da ditadura, um dos quais a Avenida Castelo Branco onde existe, inclusive, um busto do primeiro presidente do regime militar. Há outros. Além desta avenida, uma rodovia foi batizada também com o nome do Marechal Castelo Branco e, em São Paulo, há diversas ruas que homenageiam figuras da ditadura. Uma delas tem o nome de Sérgio Fleury, delegado responsável por torturas e mortes, dentre os quais a de Carlos Marighela, metralhado por seu grupo numa das ruas paulistanas. Em praticamente todo o País há homenagens às figuras da época, principalmente os ditadores que, durante os 21 anos, submeteram o País a um regime de trevas. Como a avenida que corta o Vale de Nazaré até a entrada do túnel Américo Simas ganhou tal denominação no primeiro governo de Antônio Carlos Magalhães, fica um grande problema nas mãos do prefeito ACM Neto.

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Quinta, 04 de Dezembro de 2014 - 10:14

Moro descobre corrupção em 750 contratos

por Samuel Celestino

Moro descobre corrupção em 750 contratos
Foto: Reprodução
O juiz Sérgio Moro, que comanda a Operação Lava Jato, ficou estarrecido ao descobrir que a corrupção não estava exclusivamente vinculada à Petrobras, mas a diversas entidades de públicas, de setores e ministérios diferenciados, nas obras espalhadas pelo País. O escândalo, deste modo, vai muito além do que se supunha e mancha, de vez, a vida pública e a governança brasileira. Sérgio Moro detectou que somente o doleiro Alberto Youssef, que está sob delação premiada, tinha em seu poder, 750 contratos, muitos da Petrobras, mas, de igual modo, de obras realizadas em diversos estados. Não se refere, ainda, se as obras (na maioria do governo federal) tinham a participação dos governos dos estados. A forma de atuar das empreiteiras era semelhante aos contratos firmados pela petroleira, com superfaturamentos e propinas distribuídas ao deus dará com os intermediários que conseguiam os contratos. Já havia suposição de distribuição de  comissões escancaradas Brasil afora,  “sem o conhecimento” do governo federal. Há informações consistentes sobre dinheiro distribuído pelas empreiteiras para as campanhas eleitorais oriundas não delas, mas das fontes ou obras dos diversos setores onde a corrupção estava entranhada. Pouco a pouco a Operação Lava Jato levanta novos indícios escancarando o processo de corrupção que, na verdade, estava em toda parte e não somente da estatal do petróleo.   

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Quinta, 04 de Dezembro de 2014 - 07:49

Pequena reforma

por Samuel Celestino

A pequena reforma do governador eleito Rui Costa poderia ir mais além cortando um maior número de secretarias e não somente três. De certo modo, porém, acerta quando reduz quase dois mil cargos comissionados, embora ainda reste um grande número deles. É consequência da falta de concurso para preencher cargos públicos estaduais. Tocar, dando prioridade à educação, saúde e segurança pública não surpreende por serem as três áreas que necessitam de uma presença forte do governo do estado. Acerta em cheio ao criar a secretaria de Recursos Hídricos e Saneamento para atender, precipuamente, à população do semiárido, região mais pobre da Bahia  - com parte da população abaixo da linha de pobreza absoluta ou na faixa da miserabilidade. O semiárido ocupa geograficamente grande parte do território baiano. O corte de 200 milhões de reais era esperado. Se a União terá que cortar gastos, os governadores que encaram suas tarefas com responsabilidade têm também o dever de fazê-lo. Se não o fizerem não terão, presume-se, ajuda de Brasília, leia-se Dilma Rousseff, que está com a corda no pescoço e assim fará o enfrentamento do seu segundo mandato.  

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Quinta, 04 de Dezembro de 2014 - 07:40

Coluna A Tarde: O projeto e a bagunça

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: O projeto e a bagunça
O que já é bagunça se tornou maior na noite de terça-feira (2) quando o Congresso Nacional foi levado a suspender a sessão. Ninguém se entendia, principalmente as galerias lotadas pelo público que foi assistir à sessão polêmica que já se presumia ser uma sessão convulsa. Tratava-se da aprovação da meta fiscal para pagar os juros do governo em 2014. O projeto de lei permite se aprovado – e possivelmente virá a ser - que o governo descumpra a meta fiscal. O projeto, por si só é absurdo. Daí a contestação. Na verdade é um autêntico “toma lá, dá cá”.

A presidente Dilma Rousseff fez publicar, no Diário Oficial da União, um decreto estabelecendo o chamado “ou dá ou desce”, isto é, mesmo antes de o projeto de lei ser aprovado, ficava determinado que as emendas parlamentares, algo em tono de R$10 bilhões, só seriam atendidas com a liberação do recurso, caso a lei fosse atendida. Ou seja: antes de uma decisão do Congresso ficava determinado o troca-troca, o “dando é que se recebe”, o que levou a oposição entrar com um recurso no STF – Supremo Tribunal Federal – porque o projeto de lei passou a ser uma ameaça.

Com as galerias do Congresso lotadas, começou os burburinhos, depois xingamentos, gritos, o que impedia a realização da sessão tão aguardada pelo Palácio do Planalto e por Dilma, temerosa de ter que fechar as contas de 2014 no vermelho. Daí o troca-troca. Como às vezes acontece – e não é raro -  os plenários da Câmara dos Deputados e do Senado se transformam numa “casa de Noca”, ou, se quiseram por ser expressão mais conhecida, “casa da mãe Joana”. Foi exatamente isso o que se viu no plenário do Congresso, com a polícia legislativa intervindo, algumas vezes de forma brutal, quando o presidente (que “enaltece” o povo brasileiro), Renan Calheiros deu a ordem para a desocupação da galeria que estava superlotada. Só permitiria a presença de 50 assistentes. Não dava para separar os 50.

Na brigalhada, a sessão foi paralisada para ser retomada uma hora depois, onde não foi possível dar continuidade porque o clima não mudara. Era de efervescência. A oposição também reclamava. Então a sessão foi encerrada para ter continuidade nesta quarta. Estabeleceu, mais uma derrota de Dilma Rousseff. Se ela ganhou ou se perdeu, o fato é que esta coluna foi fechada antes do conhecimento do desfecho.

O problema de tudo isso está no Palácio do Planalto que quer fechar suas contas no azul e para fazê-lo impôs aos parlamentares o troca-troca: se aprovarem o projeto de lei, o governo libera os recursos para as emendas  parlamentares; se não o fizerem todos perdem. Um belo desfecho do primeiro mandato da presidente Dilma. O STF terá que analisar o recurso da oposição com a maior pressa possível, porque o tempo urge e, no dia 22, o Congresso apaga as luzes para mais um recesso. Tudo o que está acontecer nesta Pindorama ao avesso é que a desordem, ao substituir a ordem, balança o País de tal forma que leva a acreditar que já não tem jeito. Mas tem, sim. Só que será difícil consertar tudo o que está errado para colocar a nação no caminho certo. Aliás, os políticos não sabem o que é o certo e muito menos o que é errado. Porque errados são eles próprios.


* Coluna originalmente publicada na edição desta quinta-feira (4) do jornal A Tarde


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Quarta, 03 de Dezembro de 2014 - 17:32

Souto, mudança de água para o vinho

por Samuel Celestino

Souto, mudança de água para o vinho
Foto: Ilustrativa
Há cerca de 20 dias este site havia informado que Mauro Ricardo estaria demissionário ou demitido da secretaria da Fazenda municipal. Ele contestou. Negou em nota enviada ao BN, a pretexto de “direito de resposta”, acatado como é norma do site. Faz parte da vida pública. Como a nota foi publicada muito antes do que ele revelou nesta quarta-feira (3), informando que acertara com o governador do Paraná trabalhar naquele estado na última sexta (28), chega-se à conclusão de que, para ele, a imprensa não dispõe de fontes seguras, que adianta futuras notícias. Não se trata de oráculo, longe disso. A secretaria da Fazenda será agora ocupada pelo ex-governador –duas vezes – da Bahia, também ex-senador, ex-secretário de estado, ex-vice-governador, Paulo Souto, cuja competência no setor público é dispensável acentuar. Ademais, Souto é um dos nomes de peso do DEM nacional, além de ser absolutamente desprovido de vaidades. É simples, correto, sério e será para o prefeito ACM Neto e para a municipalidade um nome de primeira grandeza para ajudar  impulsionar a gestão. Salvador muito necessita e Neto acertou em cheio ao fazer o convite ao ex-governador da Bahia. Será mais fácil para ele comandar a capital tendo ao lado um auxiliar competente do que um vaidoso que hoje deixou o cargo se auto-elogiando, num discurso prosaico sobre o que teria feito no seu período convulsionado. O Romano já vai tarde.

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Terça, 02 de Dezembro de 2014 - 10:05

João Paulo Cunha fica na prisão

por Samuel Celestino

João Paulo Cunha fica na prisão
Foto: Lucio Bernardo Jr. / Câmara dos Deputados
Ao ex-presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha, condenado no mensalão a pouco mais de seis anos de reclusão, foi negado pelo ministro  Carlos Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), o benefício de cumprir o restante da sua pena na sua residência. Cunha ainda não pagou ao erário público R$ 536 mil que teria que devolver por, na sua pena, incluir peculato (desvio do dinheiro público), e assim ficará na Papuda até que devolva o valor. O ministro Barroso disse que outros presos, como José Dirceu, condenados a pena maior, cumpre prisão domiciliar porque não teria praticado peculato, além de outros mensaleiros também beneficiados com o cumprimento de um sexto da pena. Como a condenação de João Paulo Cunha difere das demais, o ministro do STF entendeu que não deveria conceder-lhe o benefício, solicitado pelo advogado do mensaleiro. Assim, ele continuará no presídio.

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