Com Samuel Celestino

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Curtas do Poder

Curtas do poder

Todo processo que envolveu o rompimento do PDT com o governo estadual, foi de certa forma orientado através de ligações do Thomé de Souza. O jogo foi todo combinado com o Soberano, que depois ficou em êxtase pelo troco dado. Por sinal, ontem foi o aniversário do Soberano. Será que seu amigo João Bacelar, um verdadeiro gentleman, ligou para desejar felicidades? Mandou um telegrama, um WhatsApp, ou uma mensagem de fumaça? Parabéns, prefeito. Mas a conversa aqui é só uma: se Cesar ‘Borgi’ não tivesse imposto o desarmamento, poderia ter se defendido dos meliantes em Itaparica. Clique aqui e não deixe de ler as curtas e venenosas do Poder!

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fui beneficiado com os ensinamentos do prof sena,quando quis ser jogador de futebol a alguns anos atrás. só tenho que agradecê-lo. acho injusto ele ter passado por esse constrangimento.

30/01/2015 - 08:39

hugo magno

Reunião entre MP e entidades carnavalescas é inconclusiva; TAC será apresentado na segunda

Se for pra beneficiar alguém que beneficiem que chegou primeiro e abriu o circuito há vinte anos atrás:Daniela Mercury. A lei tem que ser pra todos.

30/01/2015 - 07:56

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Escolha pessoal do governador Rui Costa (PT), o médico Fábio Vilas-Boas ocupa há 26 dias uma das secretarias mais estratégicas de um governo: a Saúde. Diferente do ex-secretário da pasta, Jorge Solla, Vilas-Boas é visto por analistas e políticos como um perfil mais técnico, que deseja deixar o legado de quem modernizou e informatizou o sistema de saúde da Bahia. “Queremos que a Bahia seja um modelo para o Brasil em referência à informatização da saúde”, exalta-se o mais novo secretário em entrevista para o Bahia Notícias. Durante a conversa com os repórteres, Vilas-Boas explica a decisão do governo do estado de extinguir das Diretorias Regionais de Saúde (Dires) para criar os Núcleos Regionais, além das dívidas do Estado com os municípios em relação ao repasse de recursos para a saúde. São quase R$ 30 milhões de dívida do governo para as prefeituras baianas. “O mais importante não é pagar o atrasado, mas sim manter o fluxo regular de pagamento”, diz o secretário que encara o desafio de regularizar as contas da pasta mesmo com a previsão do aperto de cintos pelo governador Rui Costa (PT).

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Quinta, 29 de Janeiro de 2015 - 10:23

Esconder rombo foi pior para a Petrobras

por Samuel Celestino

Esconder rombo foi pior para a Petrobras
Foto: Reuters
A decisão, que teria sido uma orientação direta do Palácio do Planalto, ordenando excluir os prejuízos decorrentes do maior esquema de corrupção que já aconteceu no Brasil, enodoa, mais do que esperava, o balanço apresentado pela Petrobras, notadamente nos Estados Unidos e, de maneira geral, nos países europeus, onde a petroleira brasileira gozava, não faz muito, de grande prestígio e era considerada uma das maiores do mundo. A absurda decisão de esconder o rombo foi para as páginas mais importantes dos jornais americanos e europeus, dificultando ainda mais a situação da estatal, que poderá ter dificuldades para conseguir crédito em bancos importantes. O mais certo é dizer que o crédito será escasso, o que será mais um problema para a estatal. Os países do hemisfério norte não aceitam que balanços de empresas como a petroleira escondam rombos, engabelando consequentemente os acionistas. Se, no Brasil, as ações da Petrobras caíram ontem 11% do seu valor, nos países de cima foi pior. Para a Petrobras e para o País como um todo, o que poderá também refletir nas grandes empresas nacionais. O entendimento que se generalizou é que o governo brasileiro não foi correto, nem a estatal poderia esconder rombos, corrupção, quaisquer que fossem por ser um direito dos acionistas terem claro e límpido conhecimento da real situação da empresa. Se a decisão foi do Palácio do Planalto ou da própria Petrobras, já não importa. A consequência foi pior do que ter mostrado a verdade. Presume-se que a petroleira pagará um preço caro, na medida em que a confiança que nela ainda se depositava foi definitivamente para o brejo.

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Quinta, 29 de Janeiro de 2015 - 07:55

Reunião que não houve

por Samuel Celestino

Reunião que não houve
Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
A esperada primeira reunião da presidente Dilma Rousseff com parte do seu ministério, notadamente da área econômica, passou ao largo do que deveria ser uma reunião. Nada mais foi de um discurso de 35 minutos, sem interferências, e de certo modo capenga. A presidente falou do que teria de fazer, dos propósitos de gestão, do que não fará, especialmente na área trabalhista diante da reação de setores sensíveis, a começar pelo seu partido, o PT, sindicatos e  trabalhadores. Rodopiou em torno de temas já conhecidos. Acentuou ainda o previsível: correções na economia. As reações da mídia e da opinião pública não foram boas. Em nenhum momento Dilma fez uma autocrítica do seu primeiro e desastrado governo, embora começasse lá de baixo, dos dois governos de Lula. Nada de petrolão e da política econômica que colocou em prática no seu primeiro quadriênio que agora se reflete na difícil situação do País. De mais a mais, a presidente continuou na tecla da crise externa, e não interna, como se os países do hemisfério norte, notadamente os Estados Unidos, não estejam (alguns deles) sobrepujando as dificuldades que enfrentaram lá atrás. Bem, Dilma é ela, seu espelho e circunstâncias. As explicações esperadas e a reunião com ministros ela fica a dever. Mas não pagará.

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Quinta, 29 de Janeiro de 2015 - 07:40

Coluna A Tarde: Uma pedra no sapato

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: Uma pedra no sapato
A Câmara dos Deputados e o Senado escolherão seus presidentes neste domingo que chega. São muitas as expectativas porque, a depender dos resultados, poderá ter reflexos acentuados no novo governo Dilma Rousseff, que está apreensivo. A razão está no crescimento da oposição no último pleito presidencial que levou a uma realidade que de há muito não se observa no Congresso, em especial na Câmara. São quatro candidatos que disputarão a presidência, mas na raia mesmo, para um confronto, estão o petista Arlindo Chinaglia e o peemedebista Eduardo Cunha, que não é bem visto pela presidente Dilma, e vice-versa. As preferências, entende o líder do PSDB, Antônio Imbassahy, recaem sobre Cunha, embora seu partido irá apoiar o deputado do PSB, Júlio Delgado. Caso haja segundo, turno o PSDB ficará com Cunha.
    
No Senado há uma interrogação gigante: o atual presidente, Renan Calheiros, do PMDB, é candidato à reeleição, mas poderá ter problemas acentuados, agora em fevereiro, se seu nome constar, como é esperado, na lista dos envolvidos na corrupção que balança a Petrobras. Se acontecer, é até possível que Calheiros possa perder seu mandato. Mas certo é que não ficará na presidência do Senado. Seria uma desmoralização. Assim, ocorre no momento uma divergência no PMDB. Senadores do partido rebelam-se contra Renan e pretendem lançar como candidato o senador Luiz Henrique. É assunto para acompanhar de perto. Renan Calheiros é figura carimbadíssima. Caso eleito o Senado sofrerá uma “capcio diminutos”, uma ofensa, como ensina o velho Direito Romano.
   
O problema se complica porque caso o Palácio do Planalto perca a guerra congressual, Dilma terá dificuldades para governar, na medida em que já está praticamente certo que se der Eduardo Cunha, o PT dificilmente estará presente em qualquer cargo da mesa diretora. Mais ainda. O presidente da Câmara é o terceiro na hierarquia da República, no caso da ausência da presidente e do vice-presidente. Tem mais. A pauta será organizada pelo presidente do colegiado e seu poder será tamanho que os projetos complexos oriundos do Planalto terão dificuldades para ser aprovados. Não fica aí. Tem mais. Já está certo, de acordo com informações do líder Imbassahy, que a Câmara, logo no início dos trabalhos derrubará o veto feito por Dilma no caso do estabelecimento da paridade, ou quase, com a inflação, na proposta de revisão da tabela do Imposto de Renda. A presidente vetou, estabelecendo 4,5% quando a inflação do ano passado foi superior a 6,5% .
    
Serão muitos os desassossegos da presidente da República porque terá, acompanhando-a, uma pedra no seu sapato. Se este cenário –possível – se registrar na eleição do próximo domingo, terá grande dificuldade para governar o País, como vinha acontecendo nos dois mandatos de Lula e no último dela própria. Não terá líder do governo ou ministro de Relações Institucionais com competência para ajudar a aprovar projetos polêmicos do governo. Os deputados da oposição provavelmente nadarão em braçadas.


* Coluna originalmente publicada na edição desta quinta-feira (29) do jornal A Tarde


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Quarta, 28 de Janeiro de 2015 - 10:44

Petrobras esconde perdas com corrupção

por Samuel Celestino

Petrobras esconde perdas com corrupção
Foto: Dom André Online
Não é somente corrupção que derruba a Petrobras, mas, também, desrespeito. Somente na madrugada desta quarta-feira (28) a petroleira apresentou o seu balanço do terceiro trimestre do ano passado, e escondeu dos acionistas perdas de R$ 88 bilhões, no período, segundo a Folha de S.Paulo. Mais: uma queda no lucro de 38%. Para que tudo isso fosse colocado sob o tapete, a presidente da estatal, Graça Foster, reuniu-se com o Conselho de Administração na manhã desta terça (27) e, depois, de muita conversa e discussão, chegou à conclusão absurda que o melhor a fazer seria tirar (esconder) as perdas com a corrupção. Quer dizer, para o balanço não teria havido perdas. A consequência é que, na manhã desta quarta, a estatal caía na bolsa de valores 10%. Poderá vir a cair mais durante o dia ou, naturalmente, reverter, em parte, a queda. O problema da Petrobras não é apenas roubo, corrupção. É ao que parece má gestão e engodo.

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Terça, 27 de Janeiro de 2015 - 10:06

Governo dá meia-volta no seguro-desemprego

por Samuel Celestino

Governo dá meia-volta no seguro-desemprego
Foto: Reprodução
Com os sindicatos sublevados, o PT não menos, Dilma Rousseff decidiu voltar atrás, em marcha ré, e desistir  do que considerava importante para evitar gastos. O seguro, que, juntamente com outras medidas foi definida no mês de agosto passado, e guardado o sigilo para não prejudicar a reeleição da presidente, voltou a estaca zero. Nesta terça-feira (27), à tarde, a presidente vai se reunir com ministros para fixar os cortes, mas leva o cuidado de também chamar a área social, apenas para dizer que tudo foi continuar como está, com exceções, como a própria Dilma já havia dito, mas recuara e agora recua novamente. Corte na área social vai haver, mas não no seguro-desemprego. É fato que já houve cortes, e grandes, no programa  Bolsa Família, responsável, no Nordeste, pela reeleição da presidente. O governo da República não segurou as críticas, quase em grito, contra a decisão de colocar um ponto final no seguro-desemprego.

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Terça, 27 de Janeiro de 2015 - 09:14

Marta Suplicy volta a alvejar Dilma

por Samuel Celestino

Marta Suplicy volta a alvejar Dilma
Foto: Reprodução/EBC
A ex-ministra e ora senadora Marta Suplicy voltou a atacar a presidente Dilma Rousseff, em artigo que publicou nesta terça-feira (27) na Folha de S.Paulo. Desta vez, mais do que a anterior, sem dó nem piedade. Faz uma análise, embora superficial, da situação em que o Brasil se encontra e lança a culpa sobre a presidente. Em certo trecho do que escreveu, diz ela: “Se houvesse transparência na condução do governo da presidente Dilma, dificilmente a presidente teria aprofundado os seus erros que nos trouxeram a esta situação de descalabro. Não estaríamos agora tendo de viver o aumento desmedido das tarifas, a volta do desemprego, a diminuição dos direitos trabalhistas, a inflação, o aumento consecutivo dos juros, a falta de investimentos, aumentos de impostos fazendo a vaca engasgar de tanto tossir”. Mais adiante, dá sequência ao texto impiedoso: “O PT vive momentos complexos, pois embarcou no circo de malabarismos econômicos. Prometeu, durante a campanha, um futuro sem agruras”. Alega  a senadora que não há um projeto a ser apresentado à nação. Mais do que as acusações que fizera à presidente numa entrevista por ela concedida, desta vez Marta Suplicy juntou o que de fato se observa para acertar em cheio a presidente da República. É o PT brigando com o PT, um desentendimento cuja tendência é se ampliar

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Terça, 27 de Janeiro de 2015 - 07:40

Coluna A Tarde: Que República é esta?

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: Que República é esta?
A presidente Dilma, embora recolhida em silêncio por não ter nada mesmo a dizer, apenas assiste ao seu governo impor medidas impopulares neste primeiro mês de segundo mandato, muito distante do que pregou para se eleger - com dificuldades - em outubro último. Não há alternativa. Ela quebrou a economia do País no primeiro quadriênio a partir de uma política equivocada. Imputou a crise à economia internacional, o que não foi bem assim porque os Estados Unidos – sempre uma referência para os países de modo geral – atravessam um período de amplo desenvolvimento. Já o Brasil não encontrou seu caminho. Preferiu outras trilhas ao acasalar-se com o populismo sul-americano, notadamente o chavismo. Deu no que agora se observa. O povo paga o preço a partir de uma enxurrada de aumentos, único caminho para tentar-se sair da situação em que ora se encontra.
   
Num contraste, o País deixa o caminho da modernidade que ameaçou trilhar, a caminho da igualdade. A melhoria da condição de vida da população já não está em pauta. Acentua-se o desnível absurdo e inconcebível através do segmento político. Os aumentos são somente para este segmento, abrangendo a presidente, governadores, ministros, secretários, parlamentares. Todos aceitam e festejam reajustes de seus salários ou subsídio. São saltos absurdos dos valores antes praticados e os que passam agora a viger. A austeridade sucumbiu.

Somente neste mês de janeiro 27 governadores recepcionaram aumentos com elevados percentuais enquanto a população, distanciada, é obrigada a se conformar sem alternativa, com a onda de aumento de preços, o que faz o Brasil voltar à condição da república bananeira, como costumava dizer, sempre que a frase permitia, o falecido deputado Ulysses Guimarães lá nos anos 80, quando o País enterrara a ditadura e se preparava para abraçar a democracia. Ulysses se referia à necessidade de uma mudança modernizadora.

Muito pior do que os aumentos concedidos à classe política e, em decorrência, a outros segmentos, foram as repugnantes aprovações pelas assembleias legislativas de aposentadorias vitalícias para os governadores de diversos estados, inclusive o da Bahia. Os beneficiados, sem comentários, concluíram o mandato e passaram a perceber aposentadorias com valores altíssimos. Não somente. Concederam-lhes o direito, igualmente vitalício, de dispor de veículo, motorista, seguranças e assessores. O Brasil estaria ou está em condições de ofertar vantagens como tais depois de quatro ou oito anos de mandato? E, principalmente, diante da situação complicada que agora se encontra?

Permitam-me um pequeno parágrafo para uma exceção histórica: fato semelhante aconteceu na Bahia. Não com tamanha desfaçatez, mas, apenas, a um, exclusivamente a um ex-governador, Régis Pacheco, que governou o estado depois do acidente aéreo que matou o então candidato ao governo estadual Lauro Farani Pedreira de Freitas, no primeiro quadriênio dos anos 50. Régis Pacheco era médico em Vitória da Conquista e foi chamado a ser candidato. Deixou sua clínica, governou sem brilho, mas com absoluta honestidade em relação aos negócios públicos. No final da vida, Régis, doente e paupérrimo, não tinha sequer dinheiro para custear os medicamentos de que necessitava. O então deputado estadual socialista Newton Macedo Campos (já morto) propôs a concessão de aposentadoria para Régis de sorte que o ex-governador não morresse à míngua. A Assembleia, sabiamente, aprovou a concessão, mas exclusivamente a ele, sem estender aos governadores a partir daí. Foi o único caso.  

As dificuldades econômicas que o País ora atravessa não poderiam dar margem a concessões absurdas que ora se observa. Nem agora nem em tempo algum. Governava-se com um mandato estabelecido pela Constituição, sem direito a vantagens posteriores. Quando acontece, num só momento, facilidades políticas e dificuldades a partir dos aumentos anunciados que logo, logo o povo sentirá as consequências no seu bolso, não dá para entender e digerir. É forte, pesado, falar-se em república bananeiras. Pena. Retorna-se ao passado da politicalha indecente. Que falta faz Dr. Ulysses.


* Coluna publicada originalmente na edição desta quinta-feira (27) do jornal A Tarde


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Segunda, 26 de Janeiro de 2015 - 10:53

Fim das vantagens trabalhistas

por Samuel Celestino

Fim das vantagens trabalhistas
Foto: Divulgação
Revela-se agora, a partir de a Folha de S.Paulo, que a presidente Dilma havia decidido decepar o seguro-desemprego, o auxílio-doença e o abono salarial em agosto do ano passado, portanto antes das eleições. Tratava-se de uma decisão guardada em segredo, mas chegara ao conhecimento público. A presidente, para não sofrer consequências eleitorais, respondeu com uma expressão que já faz parte do seu dicionário: “Nem que a vaca tussa”. Pois é. A vaca tossiu e a decisão de corte dos benefícios previdenciários e trabalhistas está na pauta e já anunciada, o que em muito prejudicará a vida dos trabalhadores. Será uma regressão ao avanço social que a população de baixa renda havia obtido. Até o momento, os sindicatos nada disseram sobre a questão e o PT está em dificuldades para se explicar. Em Davos, na Suíça, onde na semana passada o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, se encontrava, ele dissera que o seguro-desemprego era um atraso. Em razão, teria sido admoestado pela presidente. O segredo chegou ao fim.  

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Domingo, 25 de Janeiro de 2015 - 07:40

Coluna A Tarde: Gabrielli escorrega

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: Gabrielli escorrega
Se o ex-presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, aguardasse um pouquinho mais, só um pouquinho, dificilmente redigiria uma resposta ao comentário que divulguei em A Tarde edição da quinta-feira última. Precipitou-se. Respondeu de imediato, como é possível observar no seu texto publicado, como é correto no bom jornalismo, na edição de ontem, sábado. Em verdade, o ex-presidente da estatal mergulhada em corrupção não pretendeu contestar o que considerou “interpretações errôneas” contidas segundo ele no comentário, mas me parece ter desejado aproveitar a oportunidade para expor o que pensa sobre a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, para ele um “excelente negócio”.
         
Claro, se ocorreu na sua gestão? Na mesma quinta-feira, fim da tarde, o céu desabou. A Folha de S.Paulo, em matéria redigida por quatro jornalistas, divulgou que houve corrupção no negócio envolvendo a refinaria. A delação é, mais uma vez, do ex-diretor Paulo Roberto Costa. Declarou, pela primeira vez à Polícia Federal que, ele próprio, recebera US$ 1,5 milhão para votar a favor da compra na reunião da diretoria que decidiu o negócio “por unanimidade”. O ex-diretor confessa ter-se vendido com a intermediação do lobista Fernando Baiano (preso), com dinheiro oriundo supostamente da Astra Oil, empresa belga que queria passar adiante Pasadena, o que acabou por acontecer. A Petrobras ficou a ver navios. Seus funcionários logo batizaram a refinaria adquirida com o curioso apelido de “ruivinha”, por estar enferrujada. A refinaria teria sido construída entre os anos 20 e 30 do século passado.

Não só. Paulo Roberto Costa denunciou que o ex-diretor de Assuntos Internacionais, Nestor Cerveró, ora preso, supostamente recebera, também para votar a favor, algo em torno de US$ 20 milhões a US$ 30 milhões, mas não há provas ainda da negociata. Assim, se Gabrielli não encontrasse em meu comentário motivos para expor aquilo que já externara sobre a refinaria adquirida, se aguardasse apenas algumas horas, provavelmente manter-se-ia em silêncio. Na exposição que fez, explica que o “centro da sua defesa no TCU, diferentemente do que está na coluna, não é de responsabilizar o Conselho de Administração da Petrobras por um “fictício” prejuízo. Mas mostrar que a decisão foi correta”.

Correta? Como se admitir como uma decisão sensata da diretoria e do Conselho quando um ex-diretor da petroleira afirma que recebera propina para votar a favor da compra, dinheiro depositado num paraíso fiscal europeu? Correta? E a declaração de que Nestor Cerveró, igualmente diretor, teria recebido como propina para votar a favor da Astra Oil entre 20 e 30 milhões de dólares? Bem, Gabrielli tem amplo e democrático direito de raciocinar da maneira que bem entender, por estar exercitando uma defesa do que aconteceu na sua gestão. O interessante, porém, é compreender-se que, mesmo que continue na tecla segundo a qual o prejuízo na compra de Pasadena foi “fictício”, o Tribunal de Contas da União, TCU, considerou que houve um prejuízo em torno de US$ 792 milhões para a Petrobras. A decisão levou o Tribunal a colocar em indisponibilidade os bens do ex-presidente. 

Saí até em sua defesa, na medida em que considerei que a indisponibilidade não deveria ficar apenas nos seus bens, mas se estender a todos que consentiram na compra, inclusive o Conselho de Administração da petroleira. Pena. José Sérgio Gabrielli preferiu outra rota, a da sua defesa responsabilizando o então presidente do TCU, ministro José Jorge, sem se esquecer de politizar a questão Pasadena – e aí falou a voz do PT - ao lembrar que ele, José Jorge, fora ministro do presidente Fernando Henrique Cardoso. Ora, o que tem FHC a ver com a brutal corrupção que corrói a maior estatal brasileira, a Petrobras? Não dá para entender uma coisa misturada a outra. O caso é de corrupção, não de politização.  

O problema é que a compra de Pasadena e a compra de diretores para votar a favor do negócio voltou à tona. É sempre assim. Também retornou ao noticiário José Dirceu, que passou a ser investigado pela Operação Lava Jato por ter prestado serviços às empreiteiras envolvidas com propinas e corrupção na estatal e faturara R$ 4 milhões. O fato de Dirceu retornar ao noticiário deve-se lembrar necessariamente Lula? Claro que não. Os fatos se diferenciam como as verdades também.
 

*Coluna originalmente publicada na edição deste domingo (25) do jornal A Tarde.


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Quinta, 22 de Janeiro de 2015 - 07:40

Coluna A Tarde: Gabrielli condena

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: Gabrielli condena
O ex-presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, nos primeiros momentos da explosão do escândalo da empresa com empreiteiras, políticos, ex-diretores, doleiros, funcionários da estatal e até integrante da Polícia Federal, ficou silencioso. Manteve-se na expectativa do que viesse a acontecer, até seu nome surgir – não faz muito – na grave complicação em que a petroleira está imersa. Seguramente, o ex-presidente estava, quando em silêncio, a meditar sobre as medidas que tomaria, porque era mesmo de se esperar que o seu nome surgisse, na medida em quer permaneceu sete anos como presidente da estatal, de 2005 a 2012, quando foi afastado no primeiro ano de governo Dilma Rousseff. Ambos não se bicam.

Nesta sétima fase da Operação Lava Jato, Gabrielli passou a ser presença constante na mídia nacional e – é uma suposição do jornalista – teria posto em prática o que meditara no seu período de silêncio. Mirou o topo e laçou Dilma, puxando-a para o tablado e a denunciando, em primeiro, pelo escândalo da compra da refinara de Pasadena, no Texas. Acertou o alvo e em cheio. Denunciou a presidente,  que na época era presidente do Conselho de Administração da Petrobras, como a principal responsável pelo negócio. A última palavra seria do Conselho. O que ele diz, o fez em cima da declaração da própria presidente ao alegar que a decisão do colegiado fora tomada a partir de um documento juridicamente incorreto, por mais incrível que possa parecer condensado numa página e meia de papel ofício.

Ora, se Dilma Rousseff reconhece que o documento era juridicamente incorreto, como poderia colocá-lo à aprovação do colegiado? A explicação fica difícil. Que fez então Sérgio Gabrielli? Responsabilizou-a pela aceitação do que estava incorreto e, a partir daí, o negócio fora fechado com uma empresa belga que acabou por levar à Petrobras um prejuízo de quase US$ 800 milhões. Os bens dos principais diretores, inclusive do ex-presidente da estatal foram colocados em indisponibilidade até que, neste início de ano, o ex-presidente da Petrobras foi à luta, responsabilizando Dilma Rousseff e todo o Conselho. A princípio e ao que emerge, se alguém tem que pagar pelo prejuízo, o colegiado e Dilma, por suposto, também terão que arcar, porque a decisão que determinou a compra da refinaria saiu daí e não apenas dos diretores que encaminharam a documentação – que parece não ter sido convenientemente analisada – ao colegiado. Isso é que justifica a existência de um conselho e não o pagamento de jetons de valores altíssimos aos conselheiros.

Assim posto, surge no palco o Tribunal de Contas da União, que terá que tomar uma decisão sobre o caso criado. O Conselho participa ou não da partilha do prejuízo? Se não participará, qual a justificativa que o TCU terá a dar, inclusive sobre a serventia de colegiados que estão presentes nas administrações federal e estaduais, o que também vale como uma forma (quase escondida) de ampliar a receita de ministros, secretários e diretores?  São os chamados penduricalhos, no caso dos Conselhos, penduricalhos gordos. Se ganha jetons, tem responsabilidade; se há responsabilidade, como ficar de fora da tese que José Sérgio Gabrielli coloca às claras e que acerta a presidente Dilma Rousseff?

Aliás, a presidente diz uma coisa e pratica outra. Na campanha eleitoral pregou uma política. Eleita, está a cometer outra, justo a que foi proposta pela oposição, com aumentos generalizados nos preços, atingindo todas as classes sociais, principalmente a média-baixa e a baixa. Quando a oposição expôs o que faria é porque sabia que o primeiro quadriênio da presidente estava a caminho do brejo diante de uma crise sem tamanho, que nasceu aqui, com a política errada do ministro da Fazenda Guido Mantega, e não no exterior, como costuma dizer, sem eira nem beira, a presidente da República.

Aliás, ninguém ouve mais o tom da sua voz. Desde a posse está silenciosa. Outras bocas falam por ela. Toca o bonde.  


* Coluna originalmente publicada na edição desta quinta-feira (22) do jornal A Tarde


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Terça, 20 de Janeiro de 2015 - 09:43

Aumento geral dos preços

por Samuel Celestino

Aumento geral dos preços
O governo Dilma Rousseff decretou uma avalanche de aumentos nos tributos, como já era esperado, para diminuir o impacto da crise econômica causada pela mesma Dilma no seu primeiro mandato, principalmente em 2014, quando ela negara, por ser ano eleitoral, que faria aumentos. Com as dificuldades ameaçando estabelecer gargalos econômicos, além de outros aumentos divulgados no final da semana passada, ela iniciou a segunda-feira (19) determinando o aumento dos combustíveis, embora a gasolina e o diesel cobrados no País já estejam na contra-mão da queda do barril de petróleo no mercado externo. Estabeleceu, então, o aumento da Cide, tributo sobre os combustíveis, em 0,22% para a gasolina e, nesta terça (20), o Palácio do Planalto informou que ela vetará os 6,5% que incidiriam, por aprovação da Câmara Federal, sobre o Imposto de Renda, fixando em 4,5%, ou seja, praticamente 2% a mais do que ao aumento da inflação do ano passado. Assim, o péssimo primeiro mandato na área econômica, será pago, como se esperava, pelos contribuintes que já andam com a corda no pescoço. Atingem todas as classes, inclusive a classe média baixa e a classe baixa. O mal feito irá, então, para a conta dos brasileiros. Como sempre.

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Terça, 20 de Janeiro de 2015 - 07:55

Veneno de Venina

por Samuel Celestino

Veneno de Venina
Foto: Reprodução
Venina Velosa da Fonseca,  ex-gerente da Petrobras, chegou tarde à cena do crime de corrupção na petroleira. Depois de uma artilharia pesada se calou. Agora veio à tona na revista Veja que, em duas páginas, revela uma nova denúncia em que envolve, em oito páginas, um sindicalista, Geovane de Moraes. Ele teria chegado à estatal como operador do PT baiano, alvejando, a um só tempo, José Sérgio Gabrielli, ex-presidente, que seria o padrinho de Geovane, e o ora ministro Jaques Wagner. Envolve o próprio Palácio do Planalto. Segundo Venina, a empresa Muranno do Brasil teria recebido 13 milhões de dólares para divulgar a marca da estatal na Fórmula Indy. O dono da empresa ameaçara, por não receber o acertado, (sem contrato), denunciar o esquema de corrupção, estendendo-o à campanha petista na Bahia. O ministro Wagner, tão logo a revista chegara à banca, contestou-a. Venina dissera, ainda, que empresas prestaram serviços à campanha de Wagner ao governo baiano e estariam envolvidas com o doleiro Alberto Youssef.

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Terça, 20 de Janeiro de 2015 - 07:40

Coluna A Tarde: Dois pra lá, dois pra cá

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: Dois pra lá, dois pra cá
Ou Dilma Rousseff e Lula estão duplamente arreliados, ou estão a fazer o jogo do faz de conta. A presidente desde o início do seu segundo governo, que provavelmente será marcado por dificuldades, não abre a boca sequer para um “ai”. Já Lula ou está a pregar no deserto ou espera definições para, mais adiante, falar das suas mágoas em relação à Dilma. Se, no primeiro governo, o ex-presidente deu conselhos e participou da campanha para a reeleição, de repente se contraiu e nada fala. Mais ainda. Prefere ficar distante das manchetes assistindo à presidente dar passos à direita para tentar reconstruir o que desconstruiu, ao teimar manter Guido Mantega no Ministério da Fazenda, errando seguidamente até levar a economia brasileira ao buraco.

Como consequência da política anterior, Dilma passou a desfazer o que fizera e a patrocinar o inverso do que prometera na sua campanha presidencial. É certo que, sem alternativa, a única saída teria que ser feita pelo caminho apontado pelo novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, o de apertar o cinto, aumentar os juros (taxa Selic) e asfixiar a população com aumentos. São muitos os aumentos que virão, a conta-gotas, a começar pela conta de luz, sem que haja recompensa em relação ao custo de vida, que embora em alta, pretende-se que caia a partir do segundo semestre. Justo em troca dos tais aumentos.

Lula e sua ala petista se afastaram do poder. Todos estão quietos, sem nada dizer, mas descontentes com o que observam. É o que se informa. O melhor, em termos políticos, é mesmo se calar e esperar o que o tempo promete à frente, porque o seu grupo sonha que ele retorne em 2018 à Presidência. Mesmo que, com isso, haja uma fratura no PT, que anda muito mal das pernas, principalmente por conta da corrupção em que o partido se envolveu no caso do escândalo da Petrobras. Como acontecerá a chegada dele em 2018 não se sabe, nem mesmo se tem por ora uma idéia do que acontecerá com o PT, que se já foi grande, no momento experimenta um rodopiar em parafuso.

Dilma tem novos ouvidores no Palácio do Planalto, o principal deles o ministro chefe da Casa Civil, Aloísio Mercadante, uma figura que ficara escanteada nos dois períodos de Lula. É reconhecidamente antipático nas lides políticas brasilienses. Faz o tipo que desfila pelos corredores com o nariz apontado para cima. Por ora, os reflexos dos aumentos que estão para vir ainda não tocaram na população de maneira geral, mas os primeiros sinais chegarão com o aumento da luz e, depois, mais outros e mais outros, porque não há mais jeito: agora a recomendação é corrigir tudo o que foi feito de errado no primeiro governo. Não há alternativa. Pelo contrário, dentre os países emergentes o Brasil será provavelmente o que mais será atingido pelas dificuldades externas.

Pior ainda. A presidente montou um ministério com ênfase no setor da economia, pouco dando importância aos ministérios menores distribuídos com partidos políticos. Sobre este aspecto, poderão advir crises no Congresso a partir de fevereiro quando estarão compostas as mesas da Câmara dos Deputados e a do Senado. O PMDB anunciou o seu desagrado e poderá arrebatar todo o Congresso, o que ficará difícil, muito difícil para que a presidente possa aprovar projetos que tenham significado importante para seu governo.


* Coluna publicada originalmente na edição desta terça-feira (20) do jornal A Tarde


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Domingo, 18 de Janeiro de 2015 - 07:40

Coluna A Tarde: A lenda do arco-íris

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: A lenda do arco-íris
Já se esperava que, diante do tamanho da Operação Lava Jato e da quantidade de suspeitos envolvidos na corrupção - sobretudo com as grandes empreiteiras centralizando o esquema - pudessem emergir, além de verdades incontestáveis, suposições e histórias em torno do maior escândalo que se tem notícia no País. Na fantasia que normalmente acompanha  fatos assim, admite-se até que, além do arco-íris, como na lenda, pode haver um pote enterrado com bilhões de reais. É o que se passa na imaginação com a denúncia feita pelo policial federal, Jaime Alves de Oliveira Filho, melhor identificado por Careca, que se tornara um entregador de dinheiro do doleiro Alberto Youssef para corruptos indicados por ele e empreiteiras, especialmente políticos.

Careca criou o seu arco-íris ao dizer que o ex-diretor Paulo Roberto Costa, protegido, por ora, por ter aceitado fazer denúncia premiada, comprara uma casa na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, em 2012, e usou o imóvel para esconder dinheiro. Careca anota que não sabe ao certo. Mas ouvira dizer que o ex-diretor da combalida petroleira usara a casa para enterrar seu pote. Sem dar importância à bela piscina do imóvel, o ex-diretor mandou aterrá-la e, ao fazê-lo, colocou muito dinheiro abaixo do aterramento. Pronto, o que faltava para virar lenda aconteceu: a roubalheira ganhou um arco-íris, como nas histórias contadas e sonhadas na infância. Esta é a fantasia. O grosso vem nos períodos que se seguem.

Uma empreiteira, cujo nome não foi por ora revelado, envolvida de cabo a rabo no esquema de assalto à Petrobras, está marcando os políticos que serão denunciados, ao que se presume no fevereiro que chega. A denúncia, que virou fato comum na Operação Lava Jato - o que é positivo - aguardará a relação dos políticos para, se for o caso, denunciar outros nomes que não estejam na listagem. Será feita de forma minuciosa. Além dos nomes, as datas de pagamento ao corrupto e os valores recebidos. O PT e o PMDB estão com as barbas de molho por saberem que são as legendas que foram mais beneficiadas pelo esquema de rapina. O PT, inclusive, está com o seu tesoureiro, João Vaccari Neto, envolvido – um dos mais complicados, por sinal, por receber dinheiro para o partido -  e deverá ser um alvos prioritário das denúncias.

A delação que se prepara para alcançar novos políticos que não estejam na primeira lista tem uma razão de ser, de acordo com as empreiteiras. O processo de julgamento será dividido em dois: um para os diretores, integrantes das empreiteiras, funcionários da Petrobras e quem mais se imiscuiu na rapinagem, e aqueles que têm foro privilegiado, como é o caso dos políticos. Os primeiros serão julgados pela Justiça Federal, à frente o juiz Sérgio Moro, e os detentores de mandatos  eletivos pelo Supremo Tribunal Federal.
  
O julgamento do primeiro grupo leva a crer que será mais rápido, com possibilidade de acontecer ainda neste semestre. As penas provavelmente serão elevadas, porque ampliadas na medida em que há um somatório de crimes praticados pelos envolvidos. Já em relação aos políticos, em razão do foro, o juiz Sérgio Moro e o Ministério Público Federal encaminharão seus processos conclusos ao Supremo Tribunal Federal, que tem uma concepção diferente da Justiça federal, como se observou no julgamento do mensalão. É possível que do STF surjam penas menores, isto depois de processos (demorados) de cassação dos mandatos dos deputados federais e senadores envolvidos, o que acontecerá depois das decisões dos processos instaurados no Congresso.
       
A demora, após a cassação dos mandatos, será seguramente uma exigência da opinião pública. É mesmo necessário que haja uma limpeza em regra na política brasileira. Será, assim, um fato que, por suposição, não será favorável aos políticos. Se as penas dos envolvidos no primeiro grupo forem maiores, como se admite, haverá também uma grita da opinião pública para que ao processo do STF ocorra de forma semelhante aos primeiros julgamentos. Sobretudo se as empreiteiras relacionarem novos nomes de políticos corruptos, com as datas e os valores pagos como propina. 


* Coluna publicada originalmente na edição deste domingo (18) do jornal A Tarde


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Quinta, 15 de Janeiro de 2015 - 21:03

Sepultado o jornalista Guilherme Simões

por Samuel Celestino

Sepultado o jornalista Guilherme Simões
Foto: Reprodução/ Lícia Fábio
Foi sepultado às 17 horas desta quinta feira (15) no Jardim da Saudade,  o jornalista Guilherme Simões, que marcou época no jornal A TARDE e era profundo conhecedor da história política baiana. Além dos seus conhecimentos sobre política, Guilherme Simões se distinguiu pelo seu humor inigualável  que o tornava irresistível no seu amplo rol de amigos, contando as histórias da sua época em que se destacou inclusive como cronista social. Simões conhecia a fundo as histórias dos bastidores  políticos e as relatava ora com fina ironia, ora com graça e humor. Integrava a  família Simões, na qual se destacou como figura maior o jornalista Ernesto Simões Filho, fundador de A TARDE. Uma perda irreparável para a Bahia.

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Quinta, 15 de Janeiro de 2015 - 10:06

Corrupção perdura na Petrobras

por Samuel Celestino

A prisão do ex-diretor de Assuntos Internacionais da Petrobras, Nestor Cerveró, que demorou demasiadamente a acontecer, levou o Ministério Público Federal a supor –ou afirmar – que a sangria através de corrupção na Petrobras permaneceu após a deflagração da Operação Lava Jato. Garante que funcionários da petroleira ainda recebem “benefícios” em troca de favorecimentos às empreiteiras. Não se entende a razão e como isto ocorre. Se, com a Polícia Federal, o Ministério Público e o Judiciário em cena ainda perdura a corrupção, o que mais se pode fazer? De que maneira será possível vassourar a estatal e a livrar da deslavada corrupção que sangrou seus cofres, de tal maneira que está a atravessar um período de dificuldade, acentuado pela queda do barril de  petróleo no exterior? Se for assim, estarão certos aqueles que entendem que o País já não tem jeito. Como os principais corruptos já estão na cadeia, menos o ex-diretor Renato Duque, que obteve do Supremo um mandado de segurança, o que agora se aguarda - e com ansiedade - é a relação dos políticos envolvidos nas trapaças, esperando-se que todos os que tenham culpa no assalto recebam penas condizentes com os malefícios feitos à principal estatal brasileira.

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Quinta, 15 de Janeiro de 2015 - 07:55

PT e PMDB em guerra

por Samuel Celestino

PT e PMDB em guerra
Fotos: Agência Brasil
O governo Dilma experimenta uma espécie de convulsão envolvendo o PT e os partidos aliados, com destaque para o PMDB, que ameaça divergir e se tornar independente. Na última semana surgiram notícias desastradas envolvendo o tucano Antonio Anastasia, senador eleito e ex-governador de Minas, e também o candidato a presidente da Câmara, Eduardo Cunha, do PMDB. Para um contraponto à candidatura de Cunha, o PT lançou o deputado paulista Arlindo Chinaglia, seguido das informações de que Anastasia e Cunha teriam sido favorecidos pelo doleiro Youssef. O doleiro negou a denúncia. Os dois partidos passaram a se desentender mais ainda. As dificuldades de o PT conseguir eleger no primeiro dia de fevereiro o presidente da Câmara se tornaram maiores, o que não significa que seja impossível. Não é isso apenas. Se o desentendimento perdurar, os problemas para a presidente serão muito maiores do que se imagina em relação ao Congresso Nacional. A crise está sendo fermentada aos poucos e mais adiante poderá explodir, não importa quem for eleito para presidir a Câmara dos Deputados.  

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Quinta, 15 de Janeiro de 2015 - 07:40

Coluna A Tarde: Rui aperta o cinto

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: Rui aperta o cinto
A crise que o governo baiano experimenta desde o ano passado, principalmente no último semestre do governo Wagner, voltou a se adensar neste início do período Rui Costa. Os sinais são evidentes. Extrapolam a Secretaria da Fazenda, daí os cortes que o novo governo está procedendo. Mesmo assim, a máquina administrativa estadual continua dando sinais de inchaço. Costa já cortou cerca de 1.800 cargos comissionados, o que é muito pouco em relação à realidade da crise, que se alastra a partir do governo da união.

No governo anterior praticou-se uma política de aparelhamento da estrutura da administração, com ampla concessão de cargos aos partidos da base de apoio, principalmente com o favorecimento da militância petista que povoou as secretarias, o que, aliás, em alguns casos ocorreu de cima para baixo. A consequência foi o aludido inchaço citado no parágrafo anterior. O novo governo está tentando todas as formas para reduzir gastos, mas, até aqui seus esforços são insuficientes. Há de se levar em consideração que a gestão está apenas começando. As obras anunciadas neste janeiro já estavam com recursos assegurados desde o ano passado, ou, ainda, desde 2013.

Tentam-se formas de contornar o grave problema. O cinto ainda parece ter muitos furos a apertar. Os partidos que correm, como sempre acontece, oferecendo apoios, miram nos cargos com uma fome de anteontem. Se há cortes de um lado e porteiras "fechadas" para as legendas, de nada valem os esforços que se observa. Tome-se o PTN como exemplo. Este partido primeiro tentou negociar com o poder municipal, mas suas exigências extrapolaram o que seria razoável, ao exigir do prefeito ACM Neto uma secretaria com “porteira fechada” para povoá-la com seus bezerros.

Neto recusou a proposta e o PTN mudou de direção. Foi negociar com o governador Rui Costa, saltando, como carneirinhos nos sonhos, do DEM para o PT. O que não significa nada que não seja constante. No sistema partidário brasileiro, tanto faz como tanto fez. Foi mais sensato na conversa com Rui e diminuiu as exigências na negociação em relação aos cargos que espera ocupar. Abandonou, é o que se supõe, a tal “porteira fechada” e o negócio – porque é negócio mesmo – prosperou. Por ora passa a cuia de pedinte no gabinete do governador para saber que moeda a legenda receberá. Tais políticos estão ansiosos pelo Detran por dispor de recursos fartos.

A situação não é mesmo fácil posto que as dificuldades balançam de tal modo o País que, embora Dilma Rousseff tenha anunciado prioridade à educação, o que é um avanço, o mais importante ministério é o da Fazenda. De tal maneira que nos últimos tempos qualquer entrevista do ministro Joaquim Levy reflete no mercado. O Brasil depende da sua política econômica.


* Coluna publicada originalmente nesta quinta-feira (15) do jornal A Tarde


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Terça, 13 de Janeiro de 2015 - 09:33

Acionistas brasileiros tentam ação contra Petrobras

por Samuel Celestino

Por ora, o grupo ainda é pequeno, mas as possibilidades de ganhar força são grandes. Acompanhando a decisão de acionistas da Petrobras nos Estados Unidos, no Brasil acionistas pretendem entrar com uma ação, provavelmente ainda nesta semana, para reclamar perdas nos papéis em consequência do descalabro e corrupção na petroleira. O grupo alega que, em 2009, comprou ações a R$ 44 e, na semana passada, os papéis haviam despencado para R$ 8,1 o que significa uma perda substancial. Ainda no pregão de ontem as ações caíram mais de 5%. O processo será impetrado pelo advogado Porto Alegre Francisco Antônio e poderá ser apenas o início de outros que poderão sequenciar, o que poderá gerar imensas dificuldades para a empresa estatal, atacada que foi pela corrupção oriunda de empreiteiras, diretores da estatal,que também patrocinaram propinas a políticos, levando a Petrobras a atravessar o seu pior período desde que fundada nos anos 50.

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Terça, 13 de Janeiro de 2015 - 07:40

Coluna A Tarde: A complicadora Suplicy

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: A complicadora Suplicy
Não é bem em uma crise que o PT está imerso, mas chega perto. Quem cuida da fogueira é a ex-ministra e senador Marta Suplicy, que demonstra ter perdido o norte e, no momento, é a maior crítica interna da legenda, ao alardear o “PT ou muda ou acaba”. Surpreende a agressividade da petista que, de igual modo, tenta lançar Dilma contra Lula e vice-versa, embora, neste caso, trabalhe com verdades. A relação entre os dois não é nada boa. O problema de Marta está em Dilma a quem ela entregou o Ministério da Cultura, do qual saiu atirando no novo ministro Juca Ferreira, de quem parece ser inimiga. Aliás, a senadora é uma política complicada. Embora sexóloga, talvez necessite de um tratamento, não necessariamente nesta especialidade.
     
Com relação a Juca Ferreira, que já exerceu o posto de ministro da Cultura, ela o denunciou à CGU, com documentos que envolveriam complicações que ele teria (segundo ela) se envolvido quando esteve no cargo. A senadora nunca foi uma pessoa de fácil trato. Pelo contrário, trata-se de uma política complicada que parece se colocar acima do bem e do mal, daí passa a atirar.

É fato que a relação entre a presidente e o seu criador já não é boa. Ela elegeu Aloísio Mercadante como principal ministro, que passou a ser também o seu principal interlocutor e conselheiro no Palácio do Planalto. Lula e Mercadante nunca se bicaram. Tanto assim é que ele passou um bom período no ostracismo, nos dois períodos do ex-presidente. Conseguiu, porém, dar um salto inesperado. Emergiu para ser o homem forte da presidente e bem provavelmente em preparação para ser candidato à presidência em 2018, mesmo que Lula esteja na parada. É possível que, se ele chegar forte na época da sucessão presidencial e se Lula estiver em condições de ser candidato, haverá um confronto interno, complicando o PT. Diferentemente de Lula, Mercadante não tem a mesma simpatia. Muito pelo contrário.

Marta Suplicy passou a ser uma espécie de espalha brasa no petismo e parece que a sua pretensão é gerar uma diáspora ou, então, sair sozinha da legenda, o que para ela seria um desastre. Não é a estrela que ela imagina ser no seu partido e não terá o mesmo destaque em outra legenda. Com exceção do PSDB e do DEM, que não lhe dariam legenda. Em qualquer circunstância (se ela tentasse) não seria aceita.

As dificuldades do PT não estão somente em Marta Suplicy. Espraia-se em outras dimensões, ou correntes, como é o caso do próprio Lula e do presidente da legenda Rui Falcão. Eles não revelam o que está a acontecer, mas, dentro do partido, fica evidente. Dilma adotou uma nova política neste segundo mandato para tentar corrigir seu péssimo governo no primeiro período, principalmente a política econômica que, com Guido Mantega, foi um fiasco. Não está colocando em prática o que pregou durante a sua campanha. Mudou rápido e radicalmente. Na área econômica a mudança foi total. Passou a adotar a política que Aécio Neves pregava quando candidato.

De outro modo, encontra dificuldades no seu relacionamento com o Congresso Nacional, onde recebe o enfrentamento até de um Renan Calheiros, que ameaça transformar o PMDB em legenda “independente” do governo. Balela. A imagem do presidente do Senado é um estorvo para o próprio Congresso Nacional. A sua representação para a Casa é pífia. Trata-se de uma figura complicada em todos os quadrantes.

O mandato de Calheiros dependerá do que chegar ao conhecimento público no próximo mês, quando emergirem os fatos relativos à corrupção na Petrobras. Portanto, nada favorece brigar agora com ele, porque poderá representar um personagem que levará o Senado a amplo desgaste, com seríssimas consequências para o seu mandato, inclusive a cassação.


* Coluna publicada originalmente na edição desta terça-feira (13) do jornal A Tarde


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IPTU/2015: E agora?

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