Quinta, 30 de Julho de 2015 - 07:40

Coluna A Tarde: A crise entra em agosto

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: A crise entra em agosto
Em plena crise que se generaliza com as dificuldades econômicas do país, somada à crise política detonada por estranhas movimentações no Congresso Nacional, a começar pelos impulsos do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, aproximam-se os dias vindos de agosto que sempre representou um mês aziago, onde as crises tendem a se aprofundar. O que se observa são dificuldades que passaram a acompanhar o segundo governo Dilma Rousseff, uma presidente que se perdeu no contexto por ela mesmo criado,  então desconhecido até a sua reeleição em outubro último.
 
O mito de agosto vem das crises que por muito tempo eclodiram neste mês no país, a maior das quais a morte de Getúlio Vargas no dia 24 do mês, em 1954, que gerou uma comoção popular no país inteiro – a maior para a época - principalmente na classe trabalhadora. Getúlio provavelmente seria derrubado pelo conluio político que se formou contra ele, à frente o udenista Carlos Lacerda que tramava o golpe que fatalmente aconteceria se Vargas não entregasse a vida desferindo um tiro no peito, deixando uma carta-testamento com a qual entraria definitivamente na história, como escreveu.
 
Sua morte balançou a república e o transformou no principal político do século XX, o que, aliás, ele já era desde a Revolução de 30, que marcou o fim da república velha e viria a transformá-lo em ditado com o Estado Novo de 1937.
 
Por muito tempo o Brasil temeu os  dia idos e vindos do mês que chega, até que, pouco a pouco, o mito desapareceu, mas  agora volta a se transformar num fantasma que, diante da crise que coloca, mais uma vez, o Brasil é posto em xeque. Não será a maior. Dificilmente outra haverá com o 24 de agosto de 1954, mas o país não consegue romper as crises circunstanciais –  a do momento  uma das piores – que não estava no calendário da previsibilidade.
 
Surgiu a partir da incompetência, dos desacertos, somado a problemas –também crises – que vem de fora e que somente as nações mais importantes as ultrapassaram, principalmente os Estados Unidos, a Alemanha, a Inglaterra, um pouco a França, mas outras como a Espanha, Itália, Portugal e, sobretudo, a Grécia, esta  em plena ordem do dia, não conseguem romper.
 
O governo Dilma espera que um homem só, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, resolva os problemas que atormentam grande parte da população, principalmente a de classe mais baixa, além de devorar as principais empreiteiras, envolvidas na mais abjeta e inesperada corrupção. Acontece que Levy está praticamente solitário e não sabe com quem conta no governo. Tem sido vítima da intransigência do ministério, e das dificuldades que encontra no Congresso Nacional para completar os ajustes fiscais que, sem outra saída, é a única visível até então. 
 
Levy parece falar sozinho. Se ele conseguir ultrapassar e devolver o país a seus eixos, provavelmente se transformará – e isso é uma premonição – no nome mais importante da republica que emergirá pós-crise. Se quiser, poderá ser um nome para a eleição de 2018, porque o Brasil, de certo modo, passou repentinamente a ser carente de homens com respeitabilidade política. 
 
Na próxima segunda feira 3, o Congresso retorna do recesso, mas os parlamentares, como sempre, só chegarão a Brasília na terça. Há um a expectativa sobre como começarão a atuar, porque as duas casas – Senado e Câmara – estão de pernas para ar. Espera-se que retornem com o entendimento de que é necessário ajudar o país a sair da crise, e não ficar em torno da politicalha que é comum entre eles.
 
Afinal, o Brasil está na iminência de ser o principal país emergente a perder o grau de investimento, e se isto acontecer a crise recrudesce e será impossível predizer o que poderá acontecer mais adiante. Dentre os emergentes, só a Rússia perdeu o grau de investimento. Mas é diferenciada. Nós não podemos ficar na fila esperando sem nada fazer o que ocorrerá na próxima esquina.
Terça, 28 de Julho de 2015 - 09:10

Situação econômica do país piora

por Samuel Celestino

Situação econômica do país piora
Foto: Divulgação
Nesta segunda-feira (27), o Palácio do Planalto, diante da queda vertiginosa da bolsa de valores na semana passada que continuou também ontem e provavelmente terá sequência nesta terça, deu declarações  garantindo que a economia voltará a melhorar no final deste ano, iniciando um crescimento que alcançaria o próximo ano diminuindo a inflação. Hoje, mudou de posição. O governo passa a admitir a perda do grau de investimentos a partir da avaliação de risco da Standard & Poor's, o que levará a alta dos juros do país. Pior ainda. O país perderá o atestado de bom pagador e a partir daí novas e profundas consequências, entre as quais juros maiores para os que se aventurarem a investir nestas bandas para compensar o risco. O que estava bom na segunda passa a não estar na terça e assim o governo cambaleia. A dívida pública crescerá em relação ao PIB, dificultando a capacitação brasileira de honrar os empréstimos. A equipe econômica dá como certa a queda do grau de investimento. Deste modo, ao invés de melhorar o país desce a ladeira e se ocorrer o que já imaginam as dificuldades serão maiores, muito maiores do que já se observa no cenário econômico atual.
Domingo, 26 de Julho de 2015 - 07:40

Coluna A Tarde: O Brasil do medo

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: O Brasil do medo
Além da crise gerada pelo governo Dilma, o mercado de capitais enfrentou uma semana de pavor e dificuldades com a queda da bolsa de valores e a depreciação das principais ações. O medo que se espraiou foi uma resposta já esperada à situação, ao aperto e desespero que a presidente lançou país a fora, depois de muito mentir, enganar e prometer, para se reeleger, vendendo a promessa de novos e dourados tempos. A resposta acima está nas pesquisas de opinião, com o desabar da popularidade da presidente que agora está com insignificantes 7,7% e mais de 70% de desaprovação.
 
Ronda ainda o temor de que o Brasil venha a perder – o medo é do próprio ministro da Fazenda, Joaquim Levi – o grau de confiabilidade dos investidores externos, ou, para ficar mais claro, uma espécie de selo de bom pagador que se afere, ou não, aos países de maneira geral. O desastre, portanto, está logo ali na esquina. Enquanto isso, a economia desaba, os trabalhadores são demitidos, o comércio agoniza, assim como o parque industrial brasileiro. Enfim, Dilma Rousseff está a levar o país à breca, como antes se costumava dizer.
 
Ainda nesta semana, reduziu-se a meta do superávit primário de 1,1% para 0,15%, e, mesmo assim, procedeu-se um novo corte nas despesas (o que atinge a população) em R$8,6 bilhões. Num comparativo, deste espaço lanço à pergunta: por que Rousseff não corta gastos do seu governo?  Por que não derruba os espalhafatosos 39 ministérios que estão aí apenas para atender às exigências dos políticos quando, num momento como este metade deles já seria razoável se muito ainda não fossem?  Na verdade, talvez dez ministérios fossem adequados. Nesta crise que nos envolve apenas poucos ministros tem trabalho a fazer, enquanto os demais se deliciam em gastos desconhecidos.
 
Há de se reparar, ainda, que o executivo, principal poder da república, está sendo sovado constantemente pelo Congresso Nacional onde a maioria do governo praticamente já não existe com comprovam as derrotas que a presidente é submetida em sucessivas decisões parlamentares. O que faz Dilma no momento? Nada, absolutamente nada, porque ela é um zero à esquerda em questões econômicas e como política foi uma mera invenção do padrinho Lula quando ela era uma mera chefa da Casa Civil.
 
Com o poder que amealhou no final do seu segundo governo, ele entendeu, sem consultar a ninguém, inclusive ao PT, e a impôs como candidata por ter a certeza que ele a levaria à vitória, como de fato aconteceu. Ele precisava de um(a) comandante na república que não lhe fizesse sombra, e o resultado foi a sombra do terror que hoje se espraia Brasil a fora, com estados e municípios em dificuldades.
 
Tudo isso sem falar na depravada corrupção que apequenou a principal estatal brasileira, a Petrobrás. Observa-se que em relação à corrupção, o judiciário tomou à frente e vê-se um juiz federal de primeiro grau, Sérgio Moro, enfrentar antes poderosos empreiteiros, lá do Paraná. Se não fosse a ação do judiciário que ameaça os corruptos de prisão como, aliás, já acontece, estaríamos todos mergulhados na lama, como país desmoralizado pelas mentiras e aleivosias pregadas por políticos, a partir da incompetência da presidente Dilma, ora acuada nos corredores do Palácio do Planalto.
 
Há esperanças de que, já no início de agosto, o judiciário abra processos contra Fernando Collor de Melo, praga republicana, e o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. Há informações de que os processos dos dois medalhões serão, logo, encaminhados à órbita do Supremo Tribunal Federal porque ambos têm for privilegiado.
 
 Enquanto isso, nesta sexta feira última o dólar voltou a desabar diante do temor do mercado (já citado acima) pela possibilidade da perda de investimentos. O pânico ganhou corpo e Dilma foi obrigada a falar para defender o ministro da Fazenda, Joaquim Levi. Se não faltasse mais nada, Lula está à procura de Fernando Henrique Cardoso para um entendimento, de modo que a sua cria não seja levada ao cadafalso mediante impeachment e, ainda, com o tucano discutir a crise que o PT gerou. E isso aí. O mundo dá voltas, camará.
Quinta, 23 de Julho de 2015 - 07:40

Coluna A Tarde: O triângulo brasileiro

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: O triângulo brasileiro
O Brasil toma conhecimento de uma espécie de triângulo que em três situações expressam, com nitidez, a crise incomum que envolve os diversos setores do país, especialmente o político e o econômico. Nesses dois casos, a crise é nítida. Já no terceiro vértice quem comanda é Dilma Rousseff que parece inexistir, ou se transformou num mero fantasma a vagar no Palácio do Planalto. Depois das suas viagens aos Estados Unidos e à Rússia, a presidente simplesmente despareceu dos acontecimentos que teria a obrigação de estar à frente. Escafedeu-se, como antes se costumava dizer. Não emite uma só palavra, apenas orienta os seus ministros, se é que ainda consegue comandar alguma coisa na República.

A resposta veio rápida na pesquisa da CNT que apontou uma nova queda na sua popularidade. Agora está com apenas 7,7% no quesito da aceitação ou popularidade. De forma inversa, fica acima de 70% em desaprovação, o que somente há lembrança de acontecido semelhante no final do segundo mandato do tucano Fernando Henrique Cardoso. Escondida no seu labirinto, assistindo às chamas da crise se espraiar, não há mais, imagina-se, sequer a possibilidade de percorrer o Nordeste, como desejava Lula, para tentar melhorar a imagem de ambos. Já não dá. Se teimarem, poderão ser vaiados no reduto tradicional do PT.

As duas crises – econômica e financeira – que o país experimenta sem outro registro, que se recorde, ou tenha acontecido qualquer coisa semelhante em outros tempos tempo, a cada momento mais se encorpam. Não se trata de uma “crisezinha” política como disse, numa ratada imperdoável, o vice-presidente Michel Temer em Nova York, que também faz o papel de interlocutor político do Palácio do Planalto. Foi numa tentativa fracassada de amaciar os ouvidos gringos, na verdade dos correspondentes brasileiros que de lá mandam as suas informações.

A economia por ora em nada melhora. No setor político, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, se encarregou de tocar fogo ao romper com Dilma Rousseff, mas parece haver sinais de recuo. O que ele imaginava não ocorreu. Agora somente um pequeno grupo de parlamentares o acompanha. De tanto matraquear, às vezes além dos limites, passa a ficar incômodo comandando a Câmara, quando o país está a exigir no momento doses de argúcia política e entendimentos entre as duas casas congressuais.

O momento para isso é adequado em razão do recesso parlamentar, que só chegará ao fim em 4 de agosto, o que abre espaço para meditação de sorte a corrigir erros e se descobrir novos caminhos para as decisões no Congresso e nas assembleias legislativas estaduais.

Já na corrupção deslavada que se iniciou pela Petrobras e, depois, a Operação Lava Jato pouco a pouco descobre que, na verdade não era somente na petroleira, mas em diversas empresas estatais, agora alcança com força inesperada a empresa baiana Odebrecht. A última informação foi ontem fornecida pelo jornal Estadão, em matéria exclusiva. Dá conta de que as autoridades americanas que passaram a meter o bedelho em tudo detectaram, por monitoramento, que a principal empreiteira brasileira estava colada a Lula no segundo mandato do então presidente e haveria sinais de corrupção em entendimentos com, pelo menos, quatro países.

Trata-se de uma suspeita na qual Lula é citado pelos espiões norte-americanos, o que para ele é mais uma dificuldade a explicar, assim como outra dor de cabeça para o presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, hoje preso no Paraná. Ou seja: na medida em que as investigações da Lava Jato avançam a situação piora vindas à tona novas informações e delações.


* Coluna originalmente publicada na edição desta quinta-feira (23) do jornal A Tarde

Segunda, 20 de Julho de 2015 - 13:12

Brasil de ponta-cabeça

por Samuel Celestino

Brasil de ponta-cabeça
Foto: Charge do Borega
Quando os dois mais importantes poderes da República - o Executivo e o Legislativo - passam a estar envolvidos na mais abjeta corrupção que se tem notícia por estas bandas, a situação do país passa a ser vista como indecente. Difícil era crer que o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), fosse denunciado por um lobista, Júlio Camargo, por ter recebido das suas mãos U$$ 5 milhões. Como resposta, Cunha muda de rumo e rompe com a presidente da República, Dilma Rousseff, principal responsável pela degringolada republicana. Ela se defende dizendo que não tinha informação da corrupção que ocorria na Petrobras, levada à decadência pelas grandes empreiteiras, pelos políticos de variados partidos, por diretores da estatal, enfim pelo que não se imaginava. Dilma até parece uma inocente virgem.  Mas não só. O ex-presidente Lula é tido agora como lobista e pressupõe-se que teria agido em parceria com a maior empreiteira do País, a Odebrecht. Lula está envolvido de corpo inteiro no escândalo. Um país onde o presidente da Câmara rompe com a presidente e, em seguida, abre CPIs, como a do BNDES, dentre outras, para dar o troco no que está acontecendo com ele, não pode ser chamado seriamente de país. Somente o Judiciário está fora do lamaçal e é este poder que tentará por os corruptos na cadeia e lavar a sujeira. Eduardo Cunha está igual aos demais corruptos: experimenta uma situação adversa que poderá custar mais tarde o seu mandato, se for comprovado o que dele se diz. Lula desaba na estrada e com ele leva o seu PT. A cada dia surgem novas denúncias, a partir dos empresários e dos doleiros presos, esperando ser beneficiados com a delação premiada. Dilma Rousseff está escondida. Enquanto isso, o Brasil enfrenta uma das piores crises econômicas que se tem notícia. Na verdade o que há nestes trópicos é uma nação mergulhada na mais abjeta depravação.
Domingo, 19 de Julho de 2015 - 07:40

Coluna A Tarde: A República desaba

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: A República desaba
Brasília chegou ao ápice da crise política neste final de semana. Crise que ainda poderá vir a piorar nos próximos dois meses, ou em prazo menor. A impressão que se tem é que a República desaba, desmorona, a partir dos novos fatos que emergem envolvendo a um só tempo Lula – o que já se imaginava que aconteceria –; o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha, que supostamente teria recebido US$ 5 milhões; o senador Fernando Collor de Mello, cuja trajetória na política é marcadamente complicada; além de doleiros, delatores com novas revelações como se estivessem a abrir mais uma caixa de pandora às avessas. No final da manhã de sexta-feira, Cunha tornou a relação ainda mais complicada. Anunciou o rompimento com o governo e que passou a fazer parte da oposição.

Enfim, a situação do país é um misto de terremoto, tornados e vulcões, acontecendo tudo num só momento no Distrito Federal, diante da corrupção jamais vista  – presume-se - na história republicana. Trata-se de uma situação inimaginável que mergulha o país no avesso do avesso do avesso.

Dentre todos os medalhões, Dilma foi poupada desta vez, mas ela rodopia dando a impressão de que está fora da realidade. Passou a pronunciar frases ininteligíveis, como se estivasse completamente perdida dentro do seu imaginário. Que República afinal é essa? O que fizeram do país? O que ainda poderá surpreender os brasileiros? Seguramente, o governo de Rousseff está no seu pior momento e dá-se como certo o rompimento do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, acusado de ter recebido os tais US$ 5 milhões, com o Palácio do Planalto. Na verdade, a sua pretensão é que o rompimento vá mais além e atinja também o PT que forma com o PMDB as duas mais importantes legendas da base aliada. Será se acontecer, um baque fortíssimo para o petismo que está mergulhado de igual modo numa crise sem limites, agora atingindo o ex-presidente Lula.

Sobre o ex-governante existem suspeitas de que teria sido beneficiado pela Odebrecht, que bancara alguns das suas viagens ao exterior, com aviões e estadias, para “vender” a imagem da empreiteira baiana a alguns países, a partir do inegável prestígio de Lula. Os dois lados negam esta hipótese. Por ora não há nada que ratifique o envolvimento de ambos, pessoa física e jurídica. O impulso que o escândalo tomou nesta última semana leva a uma situação que, se já era esperada, seguramente não desta forma que ocorre. O que pesa sobre o presidente da Câmara, responsável pelas derrotas constantes de Dilma no Congresso, agora está fora do contexto do Congresso, na medida em que o lobista Júlio Camargo revelou que os cinco milhões de dólares foram pagos a ele, antes de comandar a Casa, dinheiro que seria utilizado na sua campanha eleitoral e proveniente de contratos com a Petrobras referentes a navios-sonda.

Em relação a Fernando Collor não há nenhuma surpresa. Há informações, ainda na condição de supostas, de que teria recebido propina de R$ 20 milhões, investigação que está na Lava Jato, mas chegará ao Supremo Tribunal Federal porque ele, como senador, tem direito a foro privilegiado. A invasão na terça-feira última do seu apartamento funcional em Brasília de 240 metros quadros, que não lhe cabia o uso por ter residência em Brasília, a Casa da Dinda, é mais uma de suas tramóias. O apartamento, segundo o Senado, só era utilizado “para encontros especiais”.  Na Dinda foram apreendidos três carros esportivos importados e confiscados, que o senador não teria (“esquecimento”) pago sequer IPVA. Há outras denúncias de recebimento de propinas feitas por doleiros de valores variados, que o complica e o coloca em situação de extrema dificuldade, além de ampliar a sua imagem negativa no país.

Para completar, sem que haja surpresa o fogaréu republicano, o lobista Fernando Baiano, que não fez delação premiada, seria sócio de Eduardo Cunha, na condição de sócio “oculto”. Que, por sua vez, responsabiliza o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, por suas agruras. Janot nega qualquer envolvimento no caso. Os dois são inimigos. A Operação Lava Jato conseguiu rastrear as contas de Fernando Baiano em paraísos fiscais, abertas em offshores e, por aí, há largas possibilidades de se chegar ao deputado Cunha.

Numa síntese, se é que ela é possível diante de tantas diatribes, há um incêndio amazônico que se alastra cada dia mais sobre a capital da República. O que não se pode digerir é que a presidente Dilma Rousseff  nada soubesse sobre os acontecimentos. O que agora se comprova também em relação a Lula. Ingenuidade inimaginável. Já não há como impedir o isolamento da mandatária e perda de prestígio do seu criador de imagem chamuscada. Tudo isso leva o fogaréu aos partidos políticos, especialmente ao PT. O que se há de fazer?


* Coluna publicada originalmente na edição deste domingo (19) do jornal A Tarde

Quinta, 16 de Julho de 2015 - 07:40

Coluna A Tarde: A guerra entre poderes

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: A guerra entre poderes
A guerra entre a Câmara dos Deputados, comandada pelo presidente Eduardo Cunha, do PMDB, e o Palácio do Planalto a cada dia ganha contornos que poderão levar não somente a constrangimentos impensáveis para a presidente Dilma Rousseff, mas até a abertura de um processo de impeachment. Esta possibilidade é no, momento, concreta e factível se o Tribunal de Contas da União condenar as contas da presidente, a partir das chamadas pedaladas fiscais. O julgamento poderá ocorrer a partir do dia 22 próximo. Eduardo Cunha colocou na cabeça, e já fala abertamente, no Congresso, que o procurador-geral, Rodrigo Janot deverá denunciá-lo.

O cerco se torna maior no Congresso porque o presidente do Senado, Renan Calheiros, pensa de igual modo, e mira o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Em consequência a presidente vive o seu pior momento no Palácio do Planalto e até parece perdida diante da situação que poderá levá-la a uma queda. O problema é que na terça-feira última a Operação Lava Jato chegou afinal aos políticos, o que já era de há muito esperado, com a deflagração da Operação Politeia, que alcançou diversos nomes possivelmente envolvidos em diversos estados, com destaque, mais uma vez, para o senador Fernando Collor de Mello.

Aqui na Bahia o apartamento do ex-ministro das Cidades, Mário Negromonte, foi invadido em busca de documentos, assim como o seu gabinete no Tribunal de Contas dos Municípios. Ele disse que estaria disposto a ajudar nas investigações do Lava Jato oferecendo informações. Nada do que aconteceu deve-se tomar como novidade porque a operação da Polícia Federal já era esperada. De outra visão, o segmento político está dividido em relação à possibilidade de um impeachment contra Dilma Rousseff.

Muitos parlamentares não acreditam que o processo venha a ser aberto, portanto os indícios são visíveis, mas, tal como aconteceu na derrubada de Collor de Mello só ganhou forma quando a população  - os “cara-pintadas” – tomou as ruas do país o que, por ora, não se vê indícios de processo de manifestações populares voltadas contra o Palácio do Planalto.

A reação do Congresso como alardeiam os dois presidentes da Câmara e do Senado, Eduardo Cunha e Renan Calheiros, provavelmente só acontecerá com a retaliação ao governo após o recesso parlamentar deste mês de julho. É possível que ganhe corpo neste período diante do isolamento da presidente Dilma e das ameaças feitas pelos dois presidentes do Congresso Nacional. Tais ameaças já são feitas abertamente aos seus correligionários enquanto a presidente pouco dá atenção, até porque não pode mesmo partir para o enfrentamento. Em primeiro plano para ela está a recuperação da crise econômica que se abate sobre o país, consequência da incompetência da sua primeira gestão.

Aliás, em relação a Eduardo Cunha, enquanto o procurador-geral da República Rodrigo Janot realiza à distância o seu trabalho, espera também contar com os votos dos parlamentares das duas casas congressuais para renovar a permanência no cargo por mais um mandato. É difícil que ocorra, embora conte com o apoio do poder Judiciário. A delação contra o presidente da Câmara foi feita por Alberto Youssef, segundo quem o deputado foi o destinatário fiscal da propina paga pelo aluguel dos navios-sonda da Petrobras.

 Enfim, a cada momento a corda mais aperta no pescoço da presidente Dilma e fica a interrogação se ela será capaz de se distanciar das pressões que está a sofrer. Sem a menor dúvida o país atravessa um momento crítico que por ora se expressa como um enigma que atinge em cheio o coração do poder político, principalmente o Executivo e o Legislativo. 

No anoitecer da terça-feira, Lula esteve em reunião com ministros e a presidente Dilma, coisa que não faz desde o congresso do PT aqui em Salvador. Abertamente foi de encontro à operação Politeia da Polícia Federal e disse, de forma clara, que a situação ainda vai piorar. “Preparem-se que a situação vai piorar”, disse ele, ao tempo em que contestou a operação Lava Jato. Fez uma defesa aberta do senador Fernando Collor de Mello, de quem se tornou amigo no início do seu primeiro governo. Lula, talvez esteja temendo que a operação chegue a ele. Defendeu os políticos contra as apreensões feitas. O ex-presidente já estava ressabiado com o Lava Jato, mas deixou claro o seu posicionamento na reunião com a presidente e seus ministros. O que quer Lula é uma incógnita, mas a resposta pode estar na sua intervenção contrária à operação Politeia.


* Coluna publicada originalmente na edição desta quinta-feira (16) do jornal A Tarde

Quarta, 15 de Julho de 2015 - 07:49

Luiz Studart Queiroz assume a ACB

por Samuel Celestino

Luiz Studart Queiroz assume a ACB
Lise Weckerle e Luiz Queiroz, novo presidente da entidade
Toma posse, às 18h desta quarta-feira (15), como novo presidente da Associação Comercial da Bahia o empresário Luiz Fernando Studart Queiroz, que substitui no cargo a Marcos Meirelles Fonseca, também empresário. O palacete da Praça Conde dos Arcos, no Comércio, foi inaugurado em 1811 e é um dos marcos da chegada de D. João VI à Bahia com a corte portuguesa fugitiva de Portugal para evitar um confronto com as forças napoleônicas que, à época, estava em guerra com a Inglaterra da qual Portugal era aliada. A história do belo palacete é, portanto, marcante. Lá se reunia com os comerciantes baianos e portugueses que aqui aportarem o vice-rei do Brasil, D. Marcos de Noronha e Brito. A história da Associação Comercial da Bahia é um marco construído com a chegada da corte portuguesa comandada por D. João VI. Luiz Fernando Studart Queiroz fará dois anos de mandato e seu Conselho Superior será presidido por Rubens de Araújo. Na noite de hoje, o solar da Praça Conde dos Arcos estará iluminado para receber a sua nova diretoria.
Segunda, 13 de Julho de 2015 - 09:30

A máfia da morte no Nina Rodrigues

por Samuel Celestino

A máfia da morte no Nina Rodrigues
Este BN recebeu uma denúncia que a Secretaria de Segurança Pública e a Procuradoria do estado têm a obrigação de investigar a fundo. Trata-se de uma máfia que atua no Instituto Médico Legal Nina Rodrigues, incluído funcionários do instituto e outros estranhos ao quadro. Atua na exploração da morte. A máfia se mobiliza quando um cadáver dá entrada para autópsia e recebe a informação do nome dos familiares responsáveis e onde residem. A partir daí o grupo inicia o processo de extorsão procurando a família e informando sobre “os entraves que ocorrem no Nina” para liberar o cadáver depois da autópsia, alegando que este “é um fato normal no instituto”. Procuram outras informações sobre as posses dos parentes, iniciando a extorsão que deixa a família desorientada. A máfia recua quando um familiar informa que já contratou uma empresa funerária que se encarrega de cuidar de todos os procedimentos. Este tipo de extorsão já foi, anos atrás, denunciado pela imprensa baiana, mas voltou a agir sempre em grupo como antes, utilizando como forma de ação determinar ao porteiro do prédio (quando se trata de apartamento) ligar para o apartamento informando  que “são policiais”. Com a família desorientada, a máfia passa a agir exigindo dinheiro para liberar o corpo a tempo de realizar o sepultamento, ou o cadáver ficará retido no Nina porque “são poucos os médicos legistas.”
Domingo, 12 de Julho de 2015 - 07:40

Coluna A Tarde: Uma mera rixa baiana

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: Uma mera rixa baiana
A derrocada que se observa e derruba devastadoramente a popularidade da presidente Dilma Rousseff, consequência da corrupção que se generalizou nos governos petistas a partir da Petrobras, e que, agora, se espraia em forma de uma crise econômica com poucos precedentes no país, afinal, chegou, por via travessa, à Bahia. Não de forma direta, mas indiretamente em através de um confronto verbal entre o prefeito de Salvador, ACM Neto e o ex-governador Jaques Wagner, ora ministro da Defesa. Rixa política que provavelmente não terá maiores consequências. Mas é sinal das sérias dificuldades que o PT atualmente enfrenta.

Tudo partiu de um discurso feito pelo prefeito no Subúrbio Ferroviário em que ele dissera, isto na semana passada, que na sua gestão não havia “nem mensalão nem petrolão”. O que poderia ter se perdido no discurso suburbano do prefeito chegou aos ouvidos do ministro Wagner. Daí à crise foi um passo que contaminou parte do PT estadual. De certo modo, o conflito que desapareceria provavelmente na esquina, serviu para balançar a política baiana que anda fria como de há muito não acontece.

É certo que não se trata da política provinciana, tão somente. Alcança outras unidades da federação, porque a crise, na verdade, está implantada em Brasília mais especificamente dentro do Palácio do Planalto, onde a presidente perde, de forma avassaladora, a popularidade que granjeava. O seu governo foi o responsável com o  alastramento da incompetência gerencial. Como consequência, os brasileiros estão a pagar um grave preço. O curioso entre o confronto de Wagner e Neto é que o próprio PT, especialmente Lula, tem feito críticas ao governo Dilma, e ela parece não dar muita importância, ou faz de conta que não dá.  Uma parte do seu partido reverbera as críticas. Com isso, o PT está a pagar o preço e desce a ladeira como partido político.

Assim posto, o desencontro entre Wagner e Neto, em comparação com o que ocorre na República, não passa de uma rusga localizada, quase infantil. O jogo que ocorre no Congresso Nacional este, sim, se desenvolve de forma pesada com a base de sustentação presidencial perdendo seguidamente votações nas duas casas do legislativo, não somente a partir dos partidos de oposição, mas, também, com a participação do “aliado” PMDB. O que se depreende deste jogo é um processo para desgastar a presidente e, se possível, levá-la ao impeachment (o que os petistas denominam de golpe) isto se o Tribunal de Contas da União condenar Dilma a partir das chamadas “pedaladas fiscais”. De qualquer maneira, impeachment ou “golpe” a mim me parece uma fantasia.

Um exemplo do desgaste que a ela está sendo imposto - para citar apenas um dentre muitos - foi a manobra ocorrida no meio da semana finda quando um projeto foi aprovado vinculando o aumento do salário mínimo a um percentual extensivo aos aposentados. Seria muitíssimo justo se o tesouro nacional estivesse em condições de bancar o que de há muito se defende. Trata-se, porém, de uma manobra política para desgastar ainda mais Rousseff, que terá que vetar o projeto estabelecendo uma situação singular: ou o Congresso derruba o veto ou o seu desgaste será (de qualquer forma acontecerá) estendido a milhões de aposentados Brasil afora.

Retornando à política baiana que a cada dia se amiúda tornando-se insossa, a cada dia vê-se perder por ela o interesse, tanto no executivo como no legislativo. Assim tem sido nos últimos anos. Talvez seja um reflexo da política que se pratica em Brasília, onde a corrupção se espraia. Foi-se o tempo dos políticos brilhantes. É possível que o que ora ocorre tenha muito a ver com a crise econômica e com a corrosão dos partidos políticos.

De qualquer maneira, há uma reforma política em marcha que estabelece mandatos únicos de cinco anos. Mas não basta apenas isso. Clama-se pela redução das legendas e a diminuição do Estado, nos ministérios e nas secretarias estaduais, que multiplicam  os cargos públicos entregues aos políticos que acabam por diminuir os recursos destinados a diversos setores, especialmente os da saúde e educação.  


* Coluna publicada originalmente na edição deste domingo (12) do jornal A Tarde

Histórico de Conteúdo