Com Samuel Celestino

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Curtas do Poder

Curtas do poder

Depois de iludir o Galego (Jaques Wagner) e fazê-lo acreditar que Piligrino seria prefeito de Salvador, o tal do Marcelo Nilo, fanfarrão de ofício, vem pra cá com a conversinha de que não é dono do Datanilo. Ora, garanto que se o PT ganhasse as eleições ele não estaria dizendo isso. Dizer que o Datanilo não lhe pertence é, no mínimo, ser muito dissimulado. Falando em fanfarrão, o Romano Coletor de Impostos, mais conhecido como Mauro Ricardo, está me saindo um expert. Depois de alardear que só paga a quem não está no Cadin e a quem o prefeito determinar, continuo achando o seguinte: Romano deve explicações à sociedade soteropolitana, pois ainda não disse qual foi a empresa que JH pagou R$ 90 milhões em duplicidade. Não deixe de ler as Curtas do poder!

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"Você já ouviu falar em seis e meia dúzia? O PT resgatou tudo que não prestava no DEM: Otto Alencar, João Leão... De zero a dez, dou dois para o DEM e três para o PT.”

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Concorrente ao sétimo mandato na Assembleia Legislativa em outubro, o presidente da Casa, Marcelo Nilo (PDT), admite dificuldades para se reeleger. No seu entendimento, um atual deputado federal da oposição que tenta regressar à AL-BA é o favorito a liderar a disputa. "Acho que o filho de Paulo Souto [Fábio Souto], por ser filho do candidato, provavelmente será o mais votado. Eu não estou preocupado se serei o mais votado e sim se vou me eleger. Porque o mar é feito de gotas d’águas e cada voto é uma gota d’água", comparou, em entrevista ao Bahia Notícias. Ele diz já ter superado a derrota na disputa a membro da chapa majoritária, devido à escolha do petista pelo governador Jaques Wagner (PT). Nilo revela que foi chamado pelo prefeito ACM Neto (DEM) para integrar a chapa oposicionista, capitaneada por Paulo Souto (DEM), mas declinou do convite. “Ser convidado pelo outro lado para fazer parte da chapa fez me sentir honrado. Agradeci e disse que ficava muito feliz, mas, infelizmente, não poderia ir porque estou há 24 anos fazendo política de um lado”, justificou. O chefe do Legislativo baiano ainda opinou sobre o imbróglio administrativo entre Neto e Wagner, gerado com a criação da Entidade Metropolitana, e prometeu que a Casa deve fazer um mutirão para aprovar projetos pendentes antes de o plenário ser esvaziado com a proximidade da eleição.

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Terça, 22 de Julho de 2014 - 07:22

Coluna A Tarde: Dezesseis anos de poder

Coluna A Tarde: Dezesseis anos de poder
O susto da última pesquisa Datafolha, que constatou um empate técnico entre Dilma e Aécio no segundo turno, arrepiou o comando da sua campanha. Afinal, já era do conhecimento que dificilmente ela venceria no primeiro turno e o empate no segundo levaria à probabilidade de uma derrota. Pior. Eduardo Campos, que está distanciado, por ora, nas consultas, aparece também encostando, caso seja ele a ultrapassar o primeiro turno, e não Aécio. Esta possibilidade gerou uma inquietação no comitê da presidente. O bastante para uma derrapada da sua campanha que só fez prejudicá-la.
 
Seus marqueteiros a aconselharam não fazer campanha nas ruas, recolhendo-se a lugares fechados. Temem vaias. Ora, eles simplesmente disseram o que não casa com qualquer candidato a cargos eleitorais porque o político que teme as ruas consequentemente teme o povo, e se teme o povo não fica em condições de pedir ou disputar votos. Como a probabilidade de um provável segundo turno está diretamente vinculada a uma rejeição de Dilma, rejeição que se encorpou nos últimos tempos, o comitê pensou justamente o que não deveria: evitar as ruas.
 
Foi o suficiente para receber, quase de imediato, uma cutucada certeira de Aécio Neves: “Então, ela quer governar de costas para o povo?” Observem que a emenda ficou pior do que o soneto e que existe no comando da campanha da candidata um apagão, acompanhando o resultado da pesquisa. O problema se torna maior porque não se trata de uma perda de pontos ocasional, fato normal nas consultas de opinião, mas sim um processo de rejeição que a cada dia aumenta. O estilo de Dilma leva a esta situação. A rejeição é uma pedra no caminho da campanha em São Paulo e se espraia País a fora. A questão que se coloca diante do comitê é arranjar uma fórmula de diminuir tal rejeição. A pergunta é “como fazer?” Os dois candidatos oposicionistas são leves e sorridentes, mas não ensinaram Dilma a rir, além de ser pesada.
 
Lula, de outro modo, anda preocupado com o desempenho do candidato ao governo paulista, o ministro Alexandre Padilha, que está distanciado do Geraldo Alckmin a, nada menos, 50 pontos. Ele precisa que Padilha cresça não para ganhar o governo, mas para facilitar um melhor desempenho da candidata a presidente. Aliás, como a rejeição está vinculada, de certa maneira, ao desgaste nacional do PT, o ex-presidente já não tem ajuda do seu carisma. Passou a repetir as estocadas do passado, como se o País estivesse parado no tempo. Por exemplo: diante das dificuldades da coleta de água em S. Paulo, em razão de o reservatório do sistema Cantareira estar com nível baixíssimo - um fenômeno da natureza - não restou a Alckmin outra saída senão pedir à população economia de água. Lula, em palanque, desconhecendo que o problema da Cantareira não atingira, até então, a imagem de Alckmin, perguntou “quantos banhos ele toma por dia.” Além de um disparate, cedeu ao governador a oportunidade de uma resposta incontinente: “Me respeite”.
 
O que a pesquisa revela, embora não tenha sido tão prejudicial à Dilma, irá se revelar nos próximos dois meses e meio: o petismo está, ou não, em decadência? Os eleitores estão voltados para uma renovação, para uma alternância no poder? O teste de dois mandatos de oito anos para um só partido não foi digerido pelos brasileiros? É possível que a resposta seja positiva, mas até aqui ainda não se sabe. Se Dilma cai em pontuação nas pesquisas, Aécio e Eduardo Campos também não sobem. O segundo turno será determinado (por ora) pelos candidatos de partidos nanicos, cujo somatório informa que a eleição não se dará na primeira rodada, mas sim na segunda.  

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Domingo, 20 de Julho de 2014 - 09:00

Coluna A Tarde: Eleições Indefinidas

Coluna A Tarde: Eleições Indefinidas
A pesquisa do Datafolha divulgada na noite de quinta-feira, que era aguardada com ansiedade tanto pelos governistas quanto pela oposição, não variou muito em relação a outras realizadas antes da Copa. Mas alegrou os oposicionistas, especialmente vinculados ao candidato Aécio Neves. Já se sabia que a tendência era o pleito ultrapassar o primeiro turno para ser decidido no segundo. O que agora aflorou é que, no segundo, há virtualmente, por ora, um empate técnico entre Dilma Rousseff e Aécio, ou seja, as eleições passam a ficar indefinidas. Neste caso, Dilma aparece na pesquisa com 44 pontos e Aécio com 40, dentro da margem de erro.
 
No caso de o adversário ser Eduardo Campos, o diferencial é um pouco menor, mas o curioso é que seu crescimento é notável, na medida em que o ex-governador de Pernambuco não consegue, até aqui, evoluir nas pesquisas para primeiro turno. Isto leva à observação que o confronto não está nos nomes oposicionistas, mas sim num embate entre o PT e a oposição. Este tipo de entendimento leva, por ora, à conclusão de que a presidente estancou e que a questão envolve o Partido dos Trabalhadores, ou, de outra maneira, que a oposição também não avança, levando a crer que a decisão, tanto em primeiro quanto em segundo turno, poderá se dar no período da propaganda eleitoral, nos dois meses que antecedem o pleito, agosto e setembro.
 
A frustração que o selecionado brasileiro causou à população de maneira geral não prejudicou Dilma, que caiu apenas dois pontos, de 38% para 36%, mas é fato que Aécio Neves também não ganhou, ficando com 20% das intenções de votos. Ocorre, porém, que o comitê eleitoral da presidente passou a se preocupar, em muito, com o cenário que se observa em São Paulo, maior colégio eleitoral do País. Lá, Dilma se ressente de um candidato ao governo que possa escorar a sua candidatura. Verifica-se, (também numa pesquisa Datafolha de quinta feira) que o candidato governista, o ex-ministro Alexandre Padilha, não tem receptividade eleitoral em SP. Ancorou em 4%.
 
Enquanto isso, o tucano Geraldo Alckmin disparou para 47%, e seu candidato ao Senado, José Serra, que resolveu aceitar a candidatura recentemente, já aparece com 36%, levando a crer que Eduardo Suplicy, que está como senador há três mandatos, terá dificuldades imensas para se eleger. São Paulo é a grande interrogação, ou entrave, do PT para favorecer e impulsionar Dilma à reeleição. O estado certamente contagiará parte do o Sul-Sudeste, e ainda há a preocupação com a presidente no Nordeste, onde ela e o PT têm sua grande força eleitoral, em consequência do programa bolsa família. É provável que Eduardo Campos deva segurar o eleitorado pernambucano, e, ademais, ele penetra bem no Rio Grande do Norte, no Ceará e não se sabe, se isso acontecer, qual a queda que o PT sofrerá no seu reduto considerado intocável.
 
Curioso é que a economia brasileira vem sofrendo abalos constantes, envolvida numa crise que se estampa, mas esta realidade não transparece prejudicando a candidatura Dilma. O País, por exemplo, recebe impacto na queda de empregos com carteira assinada. No momento, a população consultada não se preocupa com isto. Acredita que não haverá demissões ou que não será prejudicada com a queda de empregos. No momento, o desemprego chegou ao menor saldo desde 1998, portanto enfrenta um retrocesso de 16 anos. O mesmo sentimento parece ocorrer em relação à inflação que passou à condição de maior preocupação do governo, assim como a queda do PIB (Produto Interno Bruto). Continua no mesmo patamar da última pesquisa realizada, embora haja queixas generalizadas em relação aos preços, em processo de ascensão.
 
De tal modo que foi uma das maiores críticas dos turistas que vieram ao País, no período da Copa do Mundo. De fato, o Brasil está nas pegadas de outros países que lideram as estatísticas.

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Sábado, 19 de Julho de 2014 - 21:53

Odebrecht: de pequena empresa a um Conglomerado

por Samuel Celestino

Odebrecht: de pequena empresa a um Conglomerado
A empresa fundada por Norberto Odebrecht transformou-se numa das principais empreiteiras do País, senão a primeira, com obras espalhadas por diversos países do mundo. Formado pela Escola Politécnica da Bahia, justo no ano em que fundou sua empresa, em 1944, que viria dar origem à Organização Odebrecht, com sede aqui em Salvador. O conglomerado, entre outros países tem obras em Angola, Argentina, Equador, Portugal, Estados Unidos, Colômbia, México e Venezuela. Segundo as mesmas fontes e o G1, dentre as obras realizadas em Salvador está a construção do Teatro Castro Alves, concluída em 11 meses e entregue oficialmente ao Estado da Bahia, em julho de 1958, sendo reinaugurado após um incêndio, também com construção da Odebrecht, em 1967. Entre 1945 e 1948, Norberto Odebrecht realizou obras em Salvador e no interior da Bahia e começou a construir uma marca diferenciada de qualidade e inovação. Círculo Operário  (1946), o Estaleiro Fluvial da Ilha do Fogo (1947), e o cais e a ponte de atracação em Canavieiras (1948) estão entre os projetos realizados pela empresa. A partir de 1969, a organização expande as atividades para o sudeste brasileiro. Em 1973, com obras na maioria dos estados brasileiros, a Odebrecht tornou-se uma empresa de atuação nacional e conquistou o título de uma das principais construtoras do Nordeste. Já em 1980, a organização entrou no segmento de hidrelétricas, com a incorporação da Companhia Brasileira de Projetos e Obras (CBPO), e expande a atuação em engenharia e construção no Brasil. Em 1981 foi criada a holding Odebrecht S.A., voltada para a preservação das concepções filosóficas e o direcionamento dos Negócios. Em 2010 a empresa foi eleita a Melhor Empresa Familiar do Mundo pelo International Institute for Management Development (IMD), da Suíça. A Organização Odebrecht faz 70 anos, com atuação diversificada por meio de 15 Negócios, três Fundos de Investimento e cinco Empresas Auxiliares, além da atuação social da Fundação Odebrecht e do amplo conjunto de programas socioambientais e culturais nas Comunidades em que está presente. Além disso, são 35 anos de atuação no Peru, 30 anos em Angola e dez anos em Moçambique.

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Sexta, 18 de Julho de 2014 - 08:31

João Ubaldo deixa marca indelével na literatura

por Samuel Celestino

João Ubaldo deixa marca indelével na literatura
Divulgação
A morte do escritor baiano João Ubaldo Ribeiro, que ocorreu nesta madrugada de sexta feira, no Rio de Janeiro, onde residia de há muito, abre uma lacuna imensa na literatura brasileira e deixa a Bahia órfã do seu grande escritor. Ubaldo, filho de Itaparica, onde foi buscar alguns dos seus personagens, era dono de um humor invejável, o que facilitava a sua literatura leve e as suas crônicas que publicava sempre aos domingos em A Tarde. Nasceu em 23 de janeiro de 1941.  Era considerado um dos maiores talentos de sua geração. Amigo de Glauber Rocha, que conheceu no Colégio Estadual da Bahia, o “Central” onde ingressou em 1955, com ele participou da edição de revistas e jornais voltados para o setor cultural. Pertenceu à “Geração Mapa”, que explodiu e deixou marcas intensas numa geração também marcante que floresceu no final dos anos 50 no Colégio da Bahia. Ubaldo ingressou na Faculdade de Direito em 1958. Irrequieto, participou também de um grupo de jovens que despontou para o jornalismo baiano no Jornal da Bahia, já desaparecido. Lá, Ubaldo escreveu uma coluna marcada pelo humor, “Satyricon”, e, depois, foi editor-chefe da Tribuna da Bahia. São inúmeras as suas produções na literatura. Há dois anos ingressou na Academia de Letras da Bahia e, muito antes, foi acolhido na Academia Brasileira de Letras. Era, ao lado de Jorge Amado, o escritor mais brilhante da Bahia. A notícia da sua morte choca os baianos que assim perdem o maior dos seus intelectuais.

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Quinta, 17 de Julho de 2014 - 16:24

Morre o poeta e jornalista Pancho Gomes

por Samuel Celestino

Foi cremado na tarde desta quinta-feira (17), no cemitério Jardim da Saudade, o corpo do jornalista e poeta baiano Carlos César Franco Lima, conhecido como Pancho Gomes. Com 67 anos, Pancho trabalhara em diversas sucursais de jornais e revistas do sul na Bahia. Era muito querido entre jornalistas e intelectuais. Dono de um estilo inconfundível, Pancho Gomes era uma pessoa expansiva, mas, com a doença, aos poucos se recolheu, o que não o impedia de participar de eventos culturais, embora não fosse constante. Considerado um dos melhores poetas baianos, morreu de infarto enquanto dormia.

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Quinta, 17 de Julho de 2014 - 07:45

Coluna A Tarde: Relaxar e gozar

Coluna A Tarde: Relaxar e gozar
A sucessão baiana até aqui não apresenta o charme e os debates que se observam em outros estados, embora relativos. Não dá sequer para inferir que este “status” é conseqüência da  quase paralisação das campanhas durante o período da Copa do Mundo. Até porque os candidatos continuavam a trabalhar, mas o interesse popular – que já não é tanto – sofreu uma recaída. O futebol assumiu a prioridade. Em outros estados também assim aconteceu, de igual modo, envolvendo os candidatos à Presidência da República. Neste último aspecto, o que se questionava era se o resultado da Copa iria ou irá interferir na eleição de outubro.
 
Dava-se como certo que se houvesse uma junção entre uma boa organização dos jogos com o hexa do selecionado brasileiro, a presidente Dilma iria bailar nas nuvens. Aconteceu que a organização foi positiva, no que pesem os gastos, as obras não realizadas ou realizadas parcialmente (como a do aeroporto de Salvador), o superfaturamento o que leva à desconfiança, quase certeza, de corrupção. Já no futebol o Brasil fracassou. Pior, levou a um estado de  vergonha nacional que ficará na história. O erro de Dilma foi “cantar de galo” antes de o sol raiar e criticar seus adversários, chamando-os “urubus” e “pessimistas”. Terminou em vaias colossais nas poucas arenas que ela freqüentou, exclusivamente por ser da obrigação presidencial.
 
Voltando ao início, a sucessão baiana transcorreu, no período, em clima para lá de morno. Em relação à campanha presidencial, havia um olho na Copa, outro na campanha e, em alguns estados, isto também ocorreu. Todo processo político-eleitoral desperta interesses ou, no mínimo, curiosidade. O da Bahia não foge à regra, mas ainda está longe, muito longe de ganhar fôlego maior. As campanhas dos principais adversários, Paulo Souto, Rui Costa e Lídice da Mata, ainda estão no plano de viagens ao interior para a conquista de apoios e coisas menores como declarações tipo “o novo sou eu”, “o governo que não fez nada” e por aí em diante. O que se pergunta, pelo menos a mim, é o de sempre: “Quem vai ganhar?”. E eu sei lá. Não sou decifrador de esfinge, não consulto oráculos nem sou vidente. De há muito desisti de ler cartas do tarô. O problema, neste caso, é conseqüência da falta de pesquisas registradas no Tribunal Regional Eleitoral. Só uma foi apresentada ao público, que dava uma vantagem substancial para Paulo Souto, de 42% contra 11% de Lídice e 9% para Rui Costa. Pesquisa vencida. Creio que houve mudanças.
 
O governador Jaques Wagner diz que dispõe de informações de uma aproximação de Rui Costa a Paulo Souto e entre Otto Alencar e Geddel Vieira Lima, os dois últimos candidatos ao Senado. De Lídice nada falou. Ora, a obrigação de Wagner é dizer exatamente isto enquanto não há outra pesquisa, o que acontecerá em breve. A Tarde fez uma parceria com a rádio Metrópole e a TV Aratu para a realização de uma consulta ampla que ofereça uma perspectiva da realidade eleitoral, ou da campanha, no Estado. Até se ter conhecimentos de novos percentuais ficarão dúvidas e saques sobre e a intenção de votos na capital e no interior.  A tal pergunta até lá ficará no ar, pairando como uma pipa, ou arraia: “Quem vai ganhar?”
 
Enquanto no nível nacional criam-se fatos e alfinetadas entre os candidatos à Presidência (que não chegam ao Nordeste) aqui se mantêm na mesmice. Aliás, o choque que chama atenção é secundário. Trata-se do confronto através da mídia entre o prefeito ACM Neto e o governador Wagner. O curioso é que até pouco tempo ofereciam a impressão de que ambos estariam noivando, tal era a aproximação e os confetes que se lançavam, reciprocamente. Dava a impressão, também, que, afinal, a política baiana ganhara outra conotação. Passara a ser civilizada com o entendimento entre o poder estadual e o poder municipal de Salvador. Passara a época troglodita. Qual o quê! De repente o tempo virou e ambos passaram a jogar pedras um no outro, estabelecendo um distanciamento político considerável. A Bahia continuou sendo a velha Bahia. Ainda não é hora de sermos civilizados em política. Se for assim e nada houver para fazer em relação aos fatos, o melhor é observá-los à distância, arranjar alguns encrenqueiros de plantão para aumentar o conflito e, de resto, entregar a Marta Suplicy, sexóloga do PT, para que ela aconselhe o que tem feito: “relaxe e goze”.

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Terça, 15 de Julho de 2014 - 10:23

DataFolha apresenta pesquisa nacional nesta quarta

por Samuel Celestino

DataFolha apresenta pesquisa nacional nesta quarta
Foto: Max Haack/ Ag. Haack/ Bahia Notícias
O Datafolha está em campo para realizar a sua primeira pesquisa sobre a sucessão presidencial envolvendo os reflexos da Copa do Mundo. Espera-se que apresente os resultados (conforme comunicado ao  Superior Tribunal Eleitoral) nesta quarta-feira (16), ou, no mais tardar, na quinta (17). Outros institutos também deverão realizar pesquisas, dentre eles o Sensus. Consta que será uma análise mais profunda do que as outras consultas feitas até aqui, por incluir a Copa e seus efeitos no eleitorado. Há um frisson entre os políticos para conhecer os resultados (que o DataFolha apresenta em minúcias) para ter-se conhecimento de quem avançou e quem caiu. A expectativa está mais forte em relação a Dilma Rousseff, até porque ela tem cometido gafes, como a que considerou as vaias que lhe atingiram nos estádios como partidas “de brancos”, indo de encontro à mistura de raças  num país, presumivelmente sem discriminação racial, embora os jogos da Copa, por terem ingressos caros, ficarem proibitivos para as classes médias e baixas. Daí o seu entendimento de que as vaias partiram dos “brancos”. Estas pesquisas balizarão o início do horário eleitoral dito “gratuito”, para tevê e rádio, nos meses de agosto e setembro.

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Terça, 15 de Julho de 2014 - 08:30

Coluna A Tarde: De volta à realidade

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: De volta à realidade
Bem, a Copa do Mundo fica no passado, mas nem tanto. As próximas emoções agora estão reservadas às eleições de outubro, tanto para a Presidência como para os governos estaduais, Congresso e assembléias. Antes, muito se falará sobre o campeonato mundial, inclusive os seus reflexos políticos que em pouco tempo se tomará conhecimento. As pesquisas eleitorais logo, logo, virão e darão uma resposta pelo menos imediata. O que acontecer, a partir das constatações populares, poderá não ter vida longa. Afinal, com o resultado da Copa muito recente, o estrondoso fracasso do futebol brasileiro - o maior da sua história - ainda permanecerá vivo. Por quanto tempo, é de difícil saber. 
 
A Copa foi politizada inadequadamente. Não no seu início, porque havia o medo de que as ruas entrassem em erupção, mas ao se verificar que os elogios sobre a sua organização se generalizavam no Brasil e no exterior como “a Copa das Copas”, era de esperar que a politização retornasse, também, para o futebol, do qual se esperava muito, inclusive o hexa. Houve um erro generalizado, vindo de todos os setores da sociedade, inclusive da mídia, principalmente a esportiva, que de início não enxergava as diferenças entre as principais seleções além da desorganização total, principalmente tática, do selecionado brasileiro.
 
Pior, por se realizar no País, havia uma cegueira nacional que somente foi constatada na semifinal e na final. Não havia seleção brasileira, e sim um agrupamento desorganizado de jogadores que não entendiam o que fazer e como fazer em campo. Embora, de certo modo, relativamente nova em idade, o futebol brasileiro estava distante da evolução que ocorrera na Alemanha. É claro que isso não aconteceu somente em relação ao futebol brasileiro, mas igualmente se abateu sobre os selecionados da Espanha, Inglaterra, Itália, além de Portugal. São países importadores de jogadores, enquanto os alemães prepararam os seus, nada escondido, mas não se observava para a nova escola alemã de preparação de jovens jogadores.
 
O que isso significa? Uma desorganização generalizada a partir da corrupção que está presente, de há muito, na CBF, nas federações estaduais, no Congresso Nacional com a “bancada da bola” e na Câmara dos Deputados. É só observar o presidente da CBF, José Maria Marin e seus antecessores, João Havelange e seu genro Ricardo Teixeira. Todos bilionários, enquanto os clubes, também com corrupção interna, estão endividados, de sorte que são normais os atrasos de salário. Não é preciso ir longe: basta observar os dois grandes clubes baianos, que de grandes não têm nada, o Bahia e o Vitória, o primeiro tentando se democratizar, com dificuldades, enfrentando a herança que recebeu de diretorias anteriores.
 
A história deste comentário não é, porém, o futebol baiano – que é apenas o reflexo do que acontece no Brasil – e sim  a débâcle histórica do selecionado brasileiro, desmoralizado na Copa organizada pelo governo às custas de gastos estonteantes, monumentais. Um País deficiente de quase tudo, atravessando um período de economia em crise, que aponta para um PIB de 1% para este ano; de inflação; de queda na arrecadação, embora com uma carga tributária altíssima; queda no emprego e carente de projetos grandiosos para a saúde e a educação. Vende-se, na política, uma queda na desigualdade social, que de fato aconteceu, mas agora nem tanto, em face da inflação. O Brasil é um país que dá dinheiro às classes inferiores por não ter condições de dar emprego. 
 
Tudo o que vem acontecendo, inclusive o fracasso indecente do futebol brasileiro, antes “alegria do povo no País do futebol” não era certamente esperado. O que aconteceu? As manifestações que aqui se registram, as vaias recebidas pela presidente Dilma nos estádios (voltou a acontecer no Maracanã), também faz parte do dia a dia dos argentinos. Eles tinham e têm o que comemorar. Afinal perderam uma Copa no final da prorrogação, mas viveram uma madrugada de domingo para segunda de manifestações, destruição de lojas, incêndios, pancadarias. 
 
A Argentina está imersa num processo de pobreza, um país que já foi, no início do século passado, um dos mais ricos do mundo. Eles queriam dar a volta por cima com o seu futebol. De repente, retornaram à realidade. Nós estamos em outro patamar, mas há, também, descontentamentos populares. Por quê? Perguntem aos políticos. 

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Segunda, 14 de Julho de 2014 - 16:27

Manifestantes anunciam volta às ruas

por Samuel Celestino

Manifestantes anunciam volta às ruas
Os integrantes de movimentos de protesto contra a Copa do Mundo – que não conseguiram se articular durante o mundial diante da repressão policial -  pretendem  voltar às ruas, agora contra as eleições, principalmente contra os candidatos à Presidência. Denominam o pleito de “Farsa Eleitoral”.  Articulam-se para protestar sobre os pagamentos dos custos da Copa, em movimentos que se opõem aos políticos, portanto dizem que  não aceitarão a participação de partidos, como já aconteceu  em relação ao PSOL e o PSTU.  A bandeira dos líderes das manifestações  terá como base a “democracia direta”, a liberdade  e uma ampla reforma no País. Assim, de acordo com as tais  lideres,o principal alvo serão os políticos, independente dos partidos  a que pertençam. Prometem se manifestar nos comícios e atos públicos dos candidatos à Presidência.
 

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Segunda, 14 de Julho de 2014 - 10:44

Salvador na rabeira dos gastos com a Copa

por Samuel Celestino

De acordo com a Controladoria Geral da União os recursos gastos até aqui com a Copa do Mundo chegam a R$23,45 bilhões, mas devem atingir R$25,6 bilhões. O curioso é que, em dois itens importantes, Salvador foi a cidade menos beneficiada, com os aportes de verbas do governo federal. Para o aeroporto Luis Eduardo, a capital baiana foi beneficiada com R$139 milhões, colocada em último lugar, e para a mobilidade urbana, Salvador ficou também em último lugar com R$21 milhões. Isto levando em consideração as cidades sedes de jogos durante a Copa do Mundo. Saliente-se que a capital do estado, além de ficar na rabeira em dois itens de importância, em todos os investimentos feitos ficou do meio para baixo, com vantagens para São Paulo, Belo Borizonte, Brasília e Cuiabá.

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Domingo, 13 de Julho de 2014 - 09:38

Coluna A Tarde: Dilma e suas Arenas

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: Dilma e suas Arenas
Sem dúvida alguma o futebol e a política se entrelaçam e se interpenetram. Basta observar o que acontece na CBF, onde a corrupção enriquece presidentes e diretores da instituição, enquanto, no Congresso, a chamada “bancada da bola” dá suporte aos cartolas e impede CPIs para investigar o que ocorre no submundo do futebol. É possível que a débâcle do selecionado brasileiro, caindo aos pés da Alemanha numa memorável goleada, possa ajudar numa investigação sobre o que se verifica nas entranhas da Confederação Brasileira de Futebol.
 
Não há dúvida nenhuma, a esta altura, que o ocorrido na Copa do Mundo contaminou a campanha política, especialmente a presidencial. Há, sobre isso, uma guerra nos bastidores da política e, no centro dela, a presidente Dilma Rousseff, procura rotas de fuga para não sofrer impactos político-eleitorais maiores dos que ela já está a enfrentar. Aécio Neves a acusa de ter tentado se “apropriar da Copa do Mundo” no período em que o selecionado brasileiro ultrapassava, aos tropeços, adversários, até desmoronar vergonhosamente na semifinal. O alvo passou a ser, também, o técnico Felipão, mas o fato é que a engrenagem podre se vincula à cartolagem e aos desmandos que ocorre nos subterrâneos do esporte. 
 
Se a vergonhosa Copa do Mundo realizada no Brasil a custos monumentais terá influência nas eleições presidenciais, vulnerando o PT, ainda, é uma incógnita. O curioso, no entanto, é que a presidente tenta se justificar de todas as formas e diz abobrinhas a exemplo de os gastos com as arenas construídas em nove capitais “não foram dispendiosos”. Ao mesmo tempo se retrata com outra tolice, sugerindo que haja uma reforma no futebol brasileiro, de sorte que os jogadores de primeira grandeza sejam mantidos no País, consequentemente impedidos de jogar  em clubes do exterior. “Se tal acontecer - disse ela - as arenas ficarão sempre lotadas”. 
 
Quais? A de Manaus, construída para a realização de apenas três jogos? A de Cuiabá? A de Brasília? E como impedir o ir e vir dos jogadores para o exterior, fato que acontece em todos os países do mundo, inclusive na China? Como atropelar a Constituição impedindo o direito de locomoção? Curioso como a presidente prega reforma no futebol sem ter levantado um dedo sequer para, no seu governo, realizar uma reforma política no Brasil, de sorte a diminuir a corrupção e estabelecer formas modernas para eleger os ditos representantes do povo. Pelo contrário. Criou, com o antecessor, 39 ministérios para abrigar o fisiologismo, que, aliás, ocorreu às vistas no caso da retirada do baiano César Borges do ministério dos Transportes, abrindo caminho para negociar o cargo pelo apoio do PR à sua candidatura. Será este um exemplo de política correta? 
 
A Copa do Mundo passou a ser um engodo para os brasileiros. A mistura de futebol com a política não é mais indecente porque faz parte da cultura e de organizações erradas, tortas e imorais. Como a CBF, desde os tempos do quase eterno Havelange, que fez do seu genro Ricardo Teixeira seu sucessor. A corrupção explodiu. A CBF é uma arca do tesouro. Por que os presidentes das federações de futebol nos estados passam anos e anos à frente das entidades e não devolvem o osso? A verdade é que não há emprego melhor. Agora, a presidente Dilma sai a justificar e a ensinar como lotar as suas arenas sugerindo uma reforma para que os jogadores não possam sair do País e atuar em outros clubes mundo afora. Há, também, aforado no final da semana, um Projeto de Lei da Responsabilidade Fiscal do Esporte, pronta para ser votada pela Câmara dos Deputados. Mas o tempo é curto diante da campanha eleitoral e do recesso parlamentar.
 
Quem vai pagar, então, o pato serão os jogadores? Algum deles vai desejar se transferir para Manaus de sorte a lotar a arena de lá? E quem irá querer jogar no Brasiliense para, de igual maneira, arrastar torcedores para a arena Mané Garrincha, aquele monumento ao nada plantado no Planalto Central que, um dia (não duvidem), será palco de jogos para o entretenimento dos políticos. Vai ser Câmara versus Senado. Difícil entender, mas a realidade, fica estampada às claras no silogismo segundo o qual a política está para o futebol como o futebol está para a política. É uma dedução quase socrática. Qual dos dois e o mais corrupto? 

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Quinta, 10 de Julho de 2014 - 09:54

Museu Nacional de Cultura Afro faz exposições

por Samuel Celestino

Afinal, o Museu Nacional da Cultura Afro Brasileira, dirigido pelo escritor, compositor e integrante da Academia de Letras da Bahia, José Carlos Capinam, estará reabrindo suas portas – ainda não é a inauguração, mas a retomada dos trabalhos de instalação, com quatro exposições: "Arte e História da Cultura Afro Brasileira", com seu acervo permanente composto de mais de 200 obras artísticas e documentos históricos;"Barbosa, um goleiro no imaginário popular"- cerca de 15 obras de grandes artistas, como tributo ao goleiro da Copa de 50, que injustamente foi apontado como culpado pela histórica perda da Copa - que foi perdida de maneira menos humilhante que a Copa atual, "Cabeças de Orixás" - doação de 7 esculturas em pedra sabão, representando "inkises", obra do artista plástico Antonio Miranda; e, ainda, "Pop Esporte Clube e suas Torcidas Organizadas ", obras coloridas, com material recolhido na rua, que tem como referência o mundo do futebol brasileiro e arte de reciclar, de  autoria de Antonio Miranda. O Museu, desta forma, retoma suas atividades culturais e educativas, como também dará continuidades às obras de reforma dos dois prédios que serão suas sedes, em pleno centro histórico da cidade. No início de agosto, será instalado o Gradil "Histórias de Ogum", de autoria de JCunha, uma bela peça que qualificará o entorno do Museu como um praça cultural, para atividades artísticas especiais. Acrecente--se que  todo este esforço tem o patrocínio da Petrobrás e o grande objetivo é reforçar o apoio do governo da Bahia e do Ibram para encaminhamento pelo Ministério da Cultura do pedido de Federalização do Muncab, que depende de um projeto de lei da Presidência da República. Este apelo, de apoio à Federação - completa Capinam - se dirige também à Prefeitura Municipal de Salvador, às entidades públicas e privadas e à nossa população. Aliás, a federalização do Muncab vai trazer a estabilidade funcional, com a garantia de sustentabilidade técnica, administrativa e financeira do Museu.

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Quinta, 10 de Julho de 2014 - 08:18

Coluna A Tarde: Quarta-feira de Cinzas

Coluna A Tarde: Quarta-feira de Cinzas
A presidente Dilma Rousseff afastara-se dos jogos da Copa logo após a abertura, quando foi vaiada no Itaquarão. Aos poucos, com o avanço, aos tropeços, da seleção brasileira, ela começou a endereçar flechadas na direção dos seus adversários políticos, chamando-os “pessimistas” e “urubus”, dentre outras coisas. Esquecera-se das vaias da abertura dos jogos e deixara distante as que a obsequiaram, também na abertura, da Copa das Confederações, na arena  Mané Garrincha, um monumento ao nada erigido no Planalto Central, a troco de gastos monumentais. Ressurgiu, no decorrer dos jogos, com plena alegria e força para dizer que a economia brasileira não atravessa qualquer das dificuldades relatadas à imprensa pelos economistas, a partir dos números divulgados.
 
Na verdade, a economia vai muito mal em todos os aspectos. A inflação cresce; o PIB está em processo minguante e pode chegar a 1% neste ano; a indústria mergulha em crise e  se observa uma ascensão do desemprego. Enfim, para ela, o hexa seria a salvação político-eleitoral. Embora não creio que a derrota do Brasil vá influenciar na eleição ou prejudicá-la. Não foi ela quem armou o time. Na terça feira negra para o selecionado - que jamais será esquecida - Dilma trancafiou-se no Palácio de Planalto e de lá assistiu, não se sabe se em lágrimas, ao desastre do futebol brasileiro. O maior da sua história. Sem ter o que dizer, lembrou-se de um samba antigo e mandou à nação em luto um estranho conselho: “Levanta, sacode a poeira e dá volta por cima.” Se não há bom futebol, ainda existe o samba. Não é fácil.
 
O fato é que no Brasil, dito País do futebol e do carnaval, não havia poeira na terça feira, mas sim, lágrimas de tristeza. Ontem, o País despertou se perguntando o que teria acontecido, se a desmoralização dos 7 X 1 não foi um sonho. Diante da realidade, todos começaram a se esforçar para esquecer a Copa.  Experimentamos uma estranha e plena quarta-feira de cinzas.  
 
A presidente errou ao criticar seus adversários que concorrem à Presidência como se estivessem torcendo para que houvesse um desastre da seleção do Felipão e do Galvão Bueno, com o seu “É gol! É gol!  É gol!”. O céu do hexa, cujo título seria capitalizado pela Rede Globo, ficou no caminho. Esta engabelação passou a inexistir após o desastre.
 
Dilma Rousseff tentou faturar ao menos a organização da Copa, que aconteceu corretamente. Esqueceu, porém, que desde que os brasileiros descobriram o futebol como paixão nacional, política e futebol se entrelaçam. A corrupção está tanto entranhada na política como nas federações de futebol e na CBF. O fisiologismo percorre as duas práticas, emascula os sentimentos de legitimidade de um e de outro. Em junho do ano passado, os brasileiros foram às ruas em diversas capitais protestar contra os gastos da Copa e exigir que os recursos fossem destinados às carências do País, como os setores da educação e a saúde. Pediram mudanças na política. No primeiro susto, o Palácio do Planalto estremeceu. Dilma usou, então, a rede de rádio e televisão para prometer realizar o que as ruas pediam. Prometeu também uma reforma política; falou em assembléia constituinte; em realizar mais, tanto construindo hospitais como escolas; em acelerar as obras do PAC.  Quando o clima ficou ameno, esqueceu de tudo. O governo, ao contrário,  passou a gastar mais, gerando um déficit nas contas.
 
Os gastos para realizar a Copa do Mundo no Brasil foram uma exigência da FIFA à qual o Palácio do Planalto se dobrou em joelhos. Joseph Blatter se tronou primeiro-ministro da República tropical. Exigiu nove arenas caríssimas, transporte de primeira, mobilidade urbana, hotelaria de qualidade. A República quase explode o tesouro nacional para cumprir as exigências. Mas, em contraprestação, ofereceu a segurança exigida pela FIFA. Agora, o que fazer com algumas arenas como a de Brasília, a de Cuiabá, a de Manaus? “Quem pagará o enterro e as flores” já que este País não morrerá de amores? A presidente Dilma? Aécio Neves? Eduardo Campos? Enfim, quem herdará o espólio?        

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Terça, 08 de Julho de 2014 - 08:30

Coluna A Tarde: O que significa alto nível?

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: O que significa alto nível?
Como esperado, o Brasil, pelo menos até o meio da semana, e se a sorte nos for favorável até domingo próximo - com direito a estender as comemorações, se Deus for mesmo brasileiro e torcedor da nossa seleção - a política estará na berlinda. Para quê política se o assunto é futebol e o fechamento da Copa do Mundo (que seja com o hexa) não permite outro assunto? Ademais, pensando bem, a política anda chata nesses tempos onde a bola reina prometendo esquentar no final do mês e nos seguintes, agosto e setembro.
 
Comprovam as frases e as afirmações de Dilma Rousseff e de Aécio Neves, ambos postulando que a campanha seja de alto nível. É, de fato, o que se espera. A presidente Dilma, ao inaugurar o seu site oficial, disse que, “Ao contrário do que pensam alguns, acho que esta vai ser uma das campanhas mais politizadas da nossa história. Espero que essa politização se dê em torno da discussão das grandes reformas que o Brasil precisa fazer para caminhar melhor e mais rápido".  Muito bem. Fica, no entanto, uma pergunta no ar: por que ela não utilizou os seus quatro anos de governo, que está a se expirar, para promover as reforma “que o Brasil precisa para caminhar  melhor e mais rápido”?
 
Já Aécio Neves, do PSDB, por ora principal adversário de Dilma, disse exatamente a mesma coisa:  “Campanha para mim não é uma guerra. Vamos fazer uma campanha decente, propositiva e de alto nível, acreditando na capacidade de as pessoas discernirem aquilo que é correto e aquilo que não é.”  A partir daí ele passou a falar de Copa do Mundo, mas politizando o futebol.  “Vejo uma tentativa de certa apropriação desses eventos para o campo político.”  E concluiu na mesma linha: “Acho que o Brasil vai vencer a Copa do Mundo e vai vencer em cinco de outubro, iniciando um novo ciclo de desenvolvimento e de decência na vida pública brasileira”. É de alto nível? É. Se assim não fosse teríamos uma política de freiras dentro de mosteiros.
 
Uma fisgada, no entanto,  de leve. Nada para marcar falta. É fato, porém, que a campanha vai esquentar até o clima do possível. Os tucanos, por exemplo, não deixarão de fazer críticas à gestão da presidente da República, que terá um ano ruim na economia. Além da inflação que, por ora, rodopia,  além da queda do emprego, vem aí um PIB (Produto Interno Bruto) indecente, um dos mais baixos da história recente do Brasil. Imaginava-se algo em torno de 3,5%, e foi caindo, caindo, e, agora, os economistas dão sinais de que o PIB ficará em 1%, o que significa para o País um ano perdido. O tucanato irá, também, martelar  nas indecências praticadas contra a Petrobrás, já que a CPI mista não terá condições de apurar nada nos dois meses (excluindo este julho) que antecedem as eleições. Isso eles já disseram, aliás.
 
O governo sabe disso e não é sem razão que Lula a cada dia se aproxima da sua candidata, para não deixá-la perder a reeleição e não dificultar as campanhas do PT nos estados. Aqui na Bahia, por exemplo, não se tem uma idéia atualizada do que acontece no interior do estado. A última pesquisa do Ibope  ofereceu um panorama de dificuldades para Rui Costa  (9%), Lídice (11%) enquanto Paulo Souto aparecia com 42%.
 
O governador Jaques Wagner afirma que há mudanças e crescimento da candidatura de Rui ao governo, assim como a de Otto Alencar ao Senado. Ambos estariam se aproximando de Souto e Geddel Vieira Lima, segundo Wagner. Para tirar a prova dos nove, a propaganda eleitoral no rádio e tevê poderia ter início com uma nova pesquisa.  Para se saber a paisagem de antes e a de depois.

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Domingo, 06 de Julho de 2014 - 08:30

Coluna A Tarde: A Copa e os votos

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: A Copa e os votos
A última pesquisa do Datafolha, divulgada quando aqui se festejava o Dois de Julho que, este ano, foi uma festa mais política do que cívica, ofereceu um resultado que demonstra uma ascensão de quatro pontos para a presidente Dilma Rousseff. Subiu de 34 para 38 pontos. Foi motivo suficiente para melhorar o humor do PT. Segundo a mídia pode ser uma constatação de que os eleitores (e a população) estão mais eufóricos em conseqüência da Copa do Mundo. Não creio nisso. Futebol é futebol, voto é voto. 
 
Como os candidatos da oposição também conseguiram uma ascensão, a de Eduardo Campos (dois pontos) maior do que a de Aécio (um ponto), no conjunto houve empate e, supõe-se, que se a questão estiver vinculada à euforia da Copa, teremos desempate com a cobrança de pênaltis. Nervos, portanto, à flor da pele, com direito a choro, muito choro dos políticos, como aconteceu com os jogadores brasileiros. Por ora, as cobranças ocorrerão no segundo turno eleitoral, se o quadro se mantiver como está.
 
Nos últimos 30 dias a oscilação para mais e para menos, não ocorreu como num pêndulo, na medida em que não mudou muito o cenário eleitoral.Passada a fase das convenções, este mês será destinado ao registro das candidaturas no tribunal eleitorais. Findam-se, então, as primeiras fases da “Copa” dos votos. Porque o jogo, na verdade, começará mesmo em agosto para concluir em setembro, com a propaganda eleitoral nas emissoras de rádio e TV. É o que aguardam os candidatos oposicionistas à Presidência da República, e também aqui na Bahia, tanto em relação a Paulo Souto quanto o petista Rui Costa. Incluo neste jogo também Lídice da Mata.
 
De fato, os eleitores tomam conhecimento sobre os candidatos no horário eleitoral. Somente nas grandes cidades e no Sul e Sudeste do País também nos municípios médios. Já no Nordeste a situação é diferente. Souto, por exemplo, leva vantagem porque já foi governador duas vezes e seu nome  é conhecido, mas Rui Costa vai necessitar da ajuda do tempo de propaganda  destinado ao seu partido, o PT e seus aliados, durante os dois meses onde a propaganda será massiva. Isso não significa que Souto perca pontos, porque embora seu nome seja conhecido, no interior da Bahia é normal que  não se tenha conhecimento de que ele é candidato, mais uma vez , ao governo baiano.
 
O conhecimento do candidato leva praticamente, a reboque, a chapa toda,  mas,  neste caso, nem sempre se vinculam os nomes  do candidato ao governo ao  do candidato ao Senado. Quando o governador Jaques Wagner se elegeu para o seu o seu primeiro mandato, ele arrastou o senador João Durval. Aí valeu a vinculação das candidaturas. De igual modo, Souto perdeu, e com ele, foi a reboque, o candidato à senatoria, Rodolpho Tourinho. Não se trata de uma regra. Aliás, sob este aspecto houve, em torno da derrota, rumores segundo os quais o então PFL teria dado prioridade à massificação do nome de Rodolpho, na suposição de que  Paulo Souto, segundo as pesquisas da época, estaria praticamente eleito. 
 
Como conseqüência, observou-se que o candidato a senador teve mais votos do que o candidato a governador. Estabeleceu-se então a dúvida sobre as circunstâncias e se a queda estaria vinculada a uma suposta prioridade, até porque Tourinho nunca tinha sido candidato a cargo eletivo. Sempre foi e continua sendo um excelente técnico. 
 
De resto, melhor esquecer a chatice dos dois meses da propaganda eleitoral e o País continuar  focado na bela Copa do Mundo que até surpreende.

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Quinta, 03 de Julho de 2014 - 08:25

Coluna A Tarde: PT muda suas diretrizes

Coluna A Tarde: PT muda suas diretrizes
Os partidos políticos que compõem a coligação da presidente Dilma Rousseff  colocaram um pé no freio e sugeriram (com petistas) modificações no seu programa de governo que foi aprovado há, apenas, dois meses. Não há, ainda, uma decisão definitiva. Nomes expressivos da campanha estão de acordo, mas outros – também expressivos -  como é o caso do chefe da Casa Civil, Aloísio Mercadante, discordam .
 
As propostas que foram adotadas no programa teriam – é o que se presume - dificuldades para serem aprovadas no próximo Congresso pelos partidos hoje integrantes da aliança, dentre as quais o financiamento público das campanhas político-eleitorais. E, ainda, o que rotulam de “democratização da mídia,” que muitos setores nele enxergam a adoção da censura à imprensa, semelhante ao que acontece na Venezuela chavista.
 
Alguns petistas, no entanto,  defendem o programa anterior, como é o caso do ex-ministro (de Lula) Franklin Martins e do presidente do PT, Rui Falcão. Martins quer o fim do monopólio no setor da comunicação, o que é difícil de ser aprovado pelo poder das cadeias nacionais, como são os casos das Redes Globo, SBT e a Record.
 
Essas propostas sobre a mídia, aliás, circulam desde o final do governo Lula, que não as mandou para apreciação do Congresso, mas elas continuam vivas. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, que teve conhecimento das propostas, “no texto aprovado há dois meses, os petistas sugeriam que, num segundo mandato, o governo discutisse ações para impedir "práticas monopolistas" da mídia, sem que isso implique qualquer forma de censura, limitação ou controle de conteúdo". Este trecho, que aparecia no conteúdo do programa dado a conhecer há dois meses, também foi afastado.
 
De outro modo, continuam intactos os polêmicos “conselhos populares”, considerados um “aprofundamento da democracia” na concepção petista de “democracia”.  Causaram forte polêmica em diversos  segmentos da sociedade quando dados a conhecer. Os conselhos  permaneceram no texto. Esta nova versão ainda não está completa e certamente sofrerá outras mudanças, porque terá que ser analisada mais profundamente, inclusive pela presidente Dilma, o que leva à suposição de que poderá ser modificada. Não é, portanto, definitiva, mas por aí se tem uma idéia do que poderá ser proposto no caso de um novo governo da atual presidente.
 
Quando concluso e na sua forma definitiva,  as diretrizes passarão pelo crivo, o que deverá acontecer até o final da semana, do Tribunal Superior Eleitoral. O TSE terá também que fazer o registro da candidatura de Dilma, após a aprovação feita na convenção petista.
 
Algumas idéias esdrúxulas caíram por terra, como a que foi apresentada pela presidente quando dos movimentos de junho do ano passado, inclusive em programa da Presidência, na televisão. Ela propôs uma estranha Assembléia Nacional Constituinte para a aprovação de uma reforma política, que caiu por terra. Tal reforma deverá  (sem a Constituinte) acontecer, porque o sistema político brasileiro está a cada dia gerando maiores insatisfações na opinião pública. Boa parte do PT reconhece a sua necessidade, até para  evitar a venda do horário político por legendas marcadas pelo fisiologismo, como aconteceu recentemente no processo de negociação do apoio do PR à candidatura de Dilma Rousseff à reeleição.

*Coluna de Samuel Celestino publicada no A Tarde desta quinta-feira (3)

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Quinta, 03 de Julho de 2014 - 08:04

Coluna A Tarde: Corrupção começa na eleição

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: Corrupção começa na eleição
Quando política já não desperta interesse e naufraga na corrupção e nos “jogos” dos partidos para obter vantagens, tal como aconteceu na última sexta feira quando Dilma Rousseff entregou ao PR o ministério dos Transportes, rifando César Borges, para que a sua candidatura ganhasse reles 62 segundos na propaganda eleitoral, passam a ter razão os jovens entre 16 e 17 votos em preferir se distanciar das urnas. Isso acontece  na Bahia, conforme matéria de A TARDE ontem publicada. Mas não se enganem: a decepção está no País inteiro. 
 
O direito ao voto da juventude aconteceu no final da década de 80 para a de 90, e como a Constituição de 1988 estava novíssima, havia uma euforia pela democratização do País. Esta euforia contagiou os adolescentes. Afinal, era um direito cívico conquistado. Logo depois eles sentiram a primeira dor, reflexo do voto obtido: Fernando Collor de Mello com as suas estripulias e com o clima de corrupção que se instalou na República. A juventude entendeu que o voto não era apenas uma festa democrática, mas, também, uma arma para consertar o que estivesse errado. Foram, então, às ruas e praças, do sul ao norte, comandando eles próprios o marcante movimento cívico dos caras-pintadas.
 
Festejaram quando o impeachment derrubou o primeiro presidente eleito livremente, depois de um longo período 21 anos sob o silêncio e a sombra cinzenta da ditadura militar.  Pouco a pouco, com o passar do tempo, entenderam que o voto não era exatamente a festa livre dos cidadãos porque o Brasil era também coberto pelo manto sujo da corrupção. Hoje, eles já não querem mais votar. Não dá mesmo para assistir à presidente Dilma negociar com a Papuda utilizando intermediários do PR, até conseguir saber o que o mensaleiro condenado, Valdemar da Costa Neto, queria em troca dos seus segundos para uso do PT na propaganda política. Costa Neto é presidente e é quem manda no partido.
 
O ministro que ela dizia ser inarredável, César Borges, foi então deslocado para a secretaria dos Portos. E Paulo Sérgio Passos, foi o escolhido pela Papuda para o seu lugar. Passos já fora excluído do mesmo cargo pela própria Dilma. Foi, então devolvido ao posto pelo presidiário. Ponto. Vitória da Papuda! Parece-me uma grande humilhação (uma exigência do PR) na medida em que se realizou uma negociata que emascula qualquer imagem de seriedade. De qualquer sorte, Sérgio Passos tem pouco tempo no cargo. Mas, certamente, muito que fazer, “malfeitos”, talvez.  Porque é assim que se pratica política nas terras de Pindorama. São negócios para todos os lados. 
 
Com 32 partidos, o absurdo fica claríssimo quando as campanhas nos estados se transformam em sacos de gatos. Nenhum partido tem significado, nem, muito menos, princípios éticos e morais. Iguala-se em gênero, número e grau. O que mais os aproximam é a descarada roubalheira, a corrupção praticada à larga, enfim é exatamente isso que desanima a juventude, é o que afasta os jovens das urnas. Se eles terão que exercer, por ser obrigatório, o direito do voto, já não querem fazê-lo antes dos 18 anos. A festa da esperança que brotou no fim da década de 80, início dos 90, está morrendo pouco a pouco. Se não se fizer uma reforma política e decente neste País, se não se der fim aos partidos (hoje são todos) que vivem da negociata, o sonho da juventude será sepultado e a política será a cada mês, a cada escândalo, mas desdenhada.  
 
O saco de gatos que acima aludi é possível observar com a mistura nefasta envolvendo interesses. A miscelânea partidária está em, praticamente, todos os estados, a partir, naturalmente, do Palácio do Planalto e do Congresso Nacional. Em São Paulo, Geraldo Alckmin, que tenta a reeleição para o governo, é tucano, mas, além de Aécio Neves, também dá apoio a Eduardo Campos. No Rio de Janeiro vê-se o cenário do absurdo: Dilma tem três candidatos. São o petista Lindbergh Farias, Luiz Fernando Pezão, do PMDB, e para completar a maracutaia, Anthony Garotinho. Pezão apóia também Aécio Neves e Lindbergh escorrega para namorar  Aécio ou Eduardo 
 
Como sempre, quem dá o melhor exemplo negativo é o Maranhão que está se vendo livre da família Sarney. O PCdoB lançou candidato ao governo e para não se complicar, vai com Dilma, Aécio Neves e Eduardo Campos. Aposta tripla, sem erro. Quem diria... O velho PCdoB já não é mais aquele.   

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Domingo, 29 de Junho de 2014 - 09:00

Coluna A Tarde: Wagner e a propaganda eleitoral

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: Wagner e a propaganda eleitoral
O governador Jaques Wagner não dá sinais de preocupação com a vantagem de Paulo Souto sobre Rui Costa. Embora não tenha informações sobre pesquisas, porque não foi divulgada nenhuma após a última do Ibope, faz suposições baseado nas suas duas vitórias sobre Souto, principalmente na primeira, em 2006, quando surpreendeu ao vencer no primeiro turno. Segundo ele, as observações que faz sobre a campanha do seu candidato no interior baiano levam a crer que a distância entre os dois principais candidatos está a diminuir, mas não chega ao ponto de concluir que haja uma vitória em primeiro turno. Na sua concepção, a partir da sua experiência pessoal, acha que Rui vencerá no segundo turno, daí a sua tranquilidade, o que, aliás, é uma característica da sua personalidade.
       
O PT fez uma convenção na sexta feira, no Parque de Exposições, com a presença de grande número de petistas (segundo a PM foram 20 mil) a maior parte vinda do interior baiano. Antes da convenção, cerca de 200 prefeitos se reuniram com Lula, no Hotel Stella Maris, onde o ex-presidente se hospedou. Compreende o governador Jaques Wagner que as eleições se decidirão nos dois meses (agosto e setembro) quando se abrem espaços e horário para a propaganda partidária. Aliás, sobre o tempo para a propaganda eleitoral, o governador é contrário à forma atual de repartir o horário com os partidos políticos.
    
Para ele, mais correto seria se o tempo fosse usado apenas pelos partidos que apresentassem candidatos majoritários. Aqueles que não o fizessem não poderiam usar o horário eleitoral como uma espécie de moeda, o que acaba por criar problemas éticos, como tem acontecido, e é possível se observar na pré-campanha eleitoral deste ano. Em síntese, a legenda que apresentar candidato tem direito de usar o horário eleitoral; o partido que não apresentar não poderia usufruir e, como isso, ficaria impedido de comercializar seu tempo para a propaganda, como tem ocorrido.
    
Não deixa de ser uma ideia com substância. É um dos muitos males do sistema partidário brasileiro, que se dá ao luxo de apresentar 32 partidos e ainda há mais um em processo de formação. O político que consegue registrar uma agremiação política, não tem apenas um partido, mas uma empresa lucrativa, o que, consequentemente, emascula o sistema político do país. Tudo isso depende, portanto de uma ampla reforma política, que os congressistas não têm o menor interesse em fazê-la e, até agora, evitam discutir esta necessidade, que iniciaria a limpeza do processo político do país. Ademais, nada que se refira a uma reforma apareceu nos discursos dos candidatos a presidente. Por ora, todos estão silenciosos.
          
Aliás, um dos malefícios do fatiamento do horário eleitoral com os partidos existentes aconteceu nesta última semana envolvendo a presidente Dilma e o PR, que é presidido pelo presidiário Valdemar da Costa Neto, residente e domiciliado na Papuda. O PR exigiu, para ceder seu horário a Dilma, e, consequentemente apoiá-la ( concedendo exatos 62 segundos), que o ministro dos Transportes, o ex-governador e ex-senador baiano César Borges fosse afastado do cargo, por ser “persona non grata” aos republicanos. A presidente acabou por conceder e transferiu César para a Secretaria dos Portos, que existe apenas virtualmente. Para o seu lugar voltou ao Ministério dos Transportes Paulo Sérgio Passos. Feito o acordo, o PR, vitorioso na chantagem, anunciou o apoio.
        
Outro episódio envolvendo negociata com o tempo de televisão foi praticada pelo PP. O presidente da legenda, senador Ciro Nogueira, vestiu a carapuça de ditador da legenda e resolveu decidir pessoalmente a aliança que o partido fará. Simplesmente entendeu que esta decisão será exclusivamente dele, sem os votos dos convencionais. Temia uma derrota pessoal. Assim posto, estabeleceu que a decisão passasse a ser da executiva nacional do PP. Portanto, ele decidiria como presidente, e acabou deixando a reunião sob vaias estrepitosas, dos convencionais que gritavam “vendidos, vendidos”. E há dúvida nisso? Enquanto a política for decidida a partir de decisões de partidos-empresas, as decisões serão tomadas pelos que comandam a legenda em troca, naturalmente, de “vantagens”.
      
Enfim, sem uma reforma política profunda, ampla, correta, com o fim até das eleições proporcionais, nós seremos sempre uma república torta, corrupta e mentirosa.

*Coluna de Samuel Celestino publicada no jornal A Tarde deste domingo (29).

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Sábado, 28 de Junho de 2014 - 09:53

Oposição tenta minar PT no Nordeste

por Samuel Celestino

Oposição tenta minar PT no Nordeste
Enquanto a presidente Dilma Rousseff, acompanhada do ex-presidente Lula participava da convenção do PT na Bahia que tem à frente o deputado Rui Costa, nesta sexta feira, os dois outros candidatos que com ela competem, Aécio Neves e Eduardo Campos, tentavam quebrar a hegemonia petista no Nordeste. Campos tem Pernambuco, como principal reduto, mas participou, junto com Aécio, numa aposta ao candidato do PMDB do Piauí. Aécio entrou no Ceará, apoiando Eunício Oliveira, que lançou como candidato ao Senado Tarso Jereissati. O Ceará está confuso. Os irmãos Gomes, Cid e Ciro, entraram no Pros e lançarão candidatos. Já Eunício, embora aliado de Dilma em Brasília, apóia o PSDB no Ceará, comandando o PMDB e está com o tucano. A aposta do petismo continua em torno do Bolsa Família, mas já não é como antes, a exemplo das eleições de 2010, quando Dilma saiu da região com uma expressiva votação. O Nordeste está, no momento, minado pela oposição. É a segunda região em eleitores do País, depois do Sudeste, e nela os oposicionistas estão apostando, não para derrotar Dilma, mas para miná-la. Se conseguirão é outra coisa. Mas é fato que o PSDB e o PSB de Aécio e Eduardo Campos estão apostando fichas.

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Sexta, 27 de Junho de 2014 - 14:40

Convenção do PT extrapola expectativa

por Samuel Celestino

Convenção do PT extrapola expectativa
Foto: Elias Dantas/ Ag. Haack/ Bahia Notícias
A euforia tomou conta do PT que realizou na manhã desta sexta-feira (27) a convenção da legenda na Bahia para sacramentar a chapa do partido. O governador Jaques Wagner esperava em torno de seis mil presentes e, de acordo com informações do partido, o evento chegou a receber cerca de 20 mil pessoas, superando todas as expectativas do governador. Além de Lula e da presidente Dilma, falaram o governador Wagner e os candidatos Rui Costa, Otto Alencar e João Leão (ver notas abaixo). Antes disso, o ex-presidente Lula se reuniu no Hotel Stella Maris onde estava hospedado, com algo em torno de duas centenas de prefeitos interioranos que participaram, posteriormente, da convenção. Durante o evento, foram tomadas assinaturas dos presentes para que venha ser apresentada uma proposta de origem popular ao Congresso Nacional para determinar que haja uma modificação no sistema político brasileiro, através de uma reforma política que, até aqui, os congressistas não tiveram interesse de fazê-la. Este é um dos pontos capitais para mudar todo o sistema político do país, que atravessa um período de repulsão da sociedade, de maneira geral, aos políticos que transmitem uma imagem muito além de negativa, se é que isso é possível. Aliás, foi desta forma que aconteceu a Lei da Ficha Limpa. Os congressistas não se interessavam em fazê-la tramitar na Câmara e no Senado e foi necessário que houvesse uma manifestação popular, através de arrecadação de assinaturas, para que fosse possível o avanço.  

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