Com Samuel Celestino

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Curtas do Poder

Curtas do poder

Juro que não quero falar de Gabrielli. Não nada pra falar mesmo. O que vale mesmo é saber como é que o propagandista de Doutô Otto vai resolver essa história de contradizer os padrinhos de campanha dele. Veja que o 'companheiro' Otto aparece como resolvedor do problema do ferry. E os barcos chegaram da Grécia e foram direto para a revisão. Como é que viajou o Atlântico sem revisar? Ou teve que ir pra compensar os marinheiros escalifando de março a agosto no mar? Não vou nem entrar nos boatos de parentesco que andam dizendo por aí. Vou é passar um Machado nessas relações, só preciso saber se vai ter resposta ou não para as minhas perguntas. Enquanto elas não chegam, não deixe de ler as Curtas do poder!

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"Vamos fundar a nova escola brasileira aqui na região Nordeste. Uma escola qualificada, escola que ensine, com currículo regionalizado, bem equipada e com professores valorizados"

Aécio Neves, candidato à Presidência da República pelo PSDB, durante campanha no sul da Bahia, ao falar dos seu plano de governo para a educação.

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Comentários

Imagem de Paulo Souto fica congelada na TV Oeste

Acreditar nessa história é o mesmo que acreditar em papai noel...palhaçada

18/09/2014 - 20:46

Ezequiel Martins

Imagem de Paulo Souto fica congelada na TV Oeste

lamentável, pura apelação, desespero de derrotado e crime eleitoral flagrante.

18/09/2014 - 19:10

antonio josé batista

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Entrevistas

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Foco na gestão pública. Esse é o principal lema do discurso do candidato ao governo do estado pelo PRTB, Rogério Tadeu da Luz. Em entrevista ao Bahia Notícias, Da Luz afirmou que todos os problemas do estado estão ligados a gestão e a valorização do funcionário público: “A gestão faz com que falte o recurso humano. Porque se gasta muito dinheiro alocado em áreas onde não tem a atividade final para a população... O servidor e os serviços públicos realmente precisam ser encarados como prioridade, para que eles possam prestar um bom serviço para a população, que é quem paga essa conta com os impostos”. Entre as propostas de Da Luz estão a criação do cartão saúde da família, que terá convênios com hospitais particulares para emergências, educação em período integral e o fim de secretarias como a Casa Civil e Relações Institucionais. “São dois grandes exemplos de secretarias que nada fazem para a população. Durante o governo PT na Bahia serão gastos nelas quase R$ 1,5 bilhão. Daria para construir 28 ‘Hospitais do Subúrbio”. Por fim, Da Luz diz estar preparado para assumir o cargo e pede uma chance para algo diferente no cenário político baiano.”Quero dizer ao povo da Bahia que eu não sou um sonhador, eu sou um lutador. A cada eleição eu venho me preparando para poder assumir esse estado, fazer uma gestão técnica, e resolver esses problemas que há 40 anos não se resolvem. Eles prometem, mas não cumprem. Me dê oportunidade que cumprirei”. Leia a entrevista completa.

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Quinta, 18 de Setembro de 2014 - 07:55

Coluna A Tarde: Sujeira e baixaria

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: Sujeira e baixaria
A campanha de baixíssimo nível que se observa no processo sucessório presidencial deixou um rastro negativo que foi captado pela pesquisa Ibope, divulgada na terça-feira à noite. Basicamente orientada pelo marketing do PT, para impulsionar a campanha de Dilma Rousseff e deixar a candidatura de Marina Silva em dificuldades, o tiro parece ter saído pela culatra. Acabou por favorecer Aécio Neves, que em apenas uma semana cresceu 4%, passando a ter 19%. Os insultos, inusitados e de baixo nível, levaram Dilma a perder três pontos e Marina Silva um, ou seja, no saldo das duas a candidata do PSB acabou favorecida, avançando dois pontos. Dilma desceu do patamar da semana passada, caindo de 39% para 36%. Para um provável segundo turno, se distanciou três pontos percentuais de Marina. O alvo do PT, portanto, acabou beneficiado.

Não foram somente os pontos perdidos ou ganhos. Dilma foi buscar na campanha de Collor, lá nos idos de 1989, a mesma fúria que aconteceu contra a candidatura Lula. Naquele ano deu certo porque o eleitorado brasileiro de há muito não sabia o que era eleição direta. Lutou e experimentou o medo durante 25 anos da ditadura militar. Assim, ainda havia o medo, à época, principalmente por se trata de um candidato de esquerda, como Lula. Isso quando o PT ainda era uma legenda de esquerda, tinha princípios e esconjurava a corrupção. Temia-se, então, o retorno do regime dos generais.

Houve, depois de tantos anos, uma mudança na sociedade brasileira que já não aceita baixarias, além das “mentiras” durante a campanha. O comitê de Dilma passou do limite e tentou combater Marina da forma mais vil, transformando uma educadora  - Neca Setúbal - em banqueira, quando era, pelo próprio PT, considerada educadora, isto quando ela participou da campanha do prefeito paulistano Haddad, do PT. A comida desapareceu nos filmetes do prato dos necessitados, assim como as letras, numa alusão à educação, também desapareceram, num acinte à inteligência, mas apresentado para engabelar a população mais necessitada. A propaganda foi tirada do ar pela justiça.

Deste modo, a mentira, como na alusão popular, segundo a qual o feitiço se volta contra o feiticeiro, desabou nesta última semana entre uma pesquisa e outra, atingindo a campanha de Dilma, que certamente não estaria de acordo com a propaganda engendrada pela “genialidade” do seu comitê de campanha. O projeto de Dilma era avançar semana atrás de semana até o final do primeiro turno. Ela, entretanto, caiu. Na verdade, foi a perdedora desta pesquisa Ibope, que foi ganha por Aécio Neves. O tucano mineiro soube usar bem o vácuo deixado pela baixaria.  

As pequenas mudanças observadas pelo Ibope podem ser, ou não, um sinal. Na reta de chegada para as urnas perder pontos é perigoso. Se for constante, adeus viola. No caso específico, o que mais vale é a ascensão de Aécio. Se ele subir mais e não conseguir passar para o segundo turno, a presunção é que o seu eleitorado se transferirá para apoio a Marina, porque o PSDB detesta o PT e vice-versa.


* Coluna publicada originalmente no jornal A Tarde desta quinta-feira (18)


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Terça, 16 de Setembro de 2014 - 00:07

Coluna A Tarde: Ó tempora, ó mores!

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: Ó tempora, ó mores!
Em reta final, há uma agressiva guerra de mentiras na campanha presidencial que envolve os três principais candidatos, basicamente com a carga pesada de Dilma contra Marina Silva e Aécio Neves contra as duas. Na última semana, após a pesquisa que apresentou um distanciamento de oito pontos entre as duas candidatas no primeiro turno, favorecendo Dilma, Marina resolveu devolver os petardos, transformando a campanha presidencial num jogo de ataque e defesa. Nada do que se diz é confiável. As promessas perdem o significado. Não se pode crer numa segunda gestão quando a primeira foi um desastre. Como cidadão, que sobrepõe à profissão de jornalista, o que marca este governo é uma brutal crise econômica. Assim, fica difícil acreditar em promessas. Soam vazias.

Até Leonardo Boff, um dos fundadores do PT, que se desligou do partido ao perder suas esperanças em relação à legenda, entrou na guerra. Há algum tempo reside na Alemanha onde é professor de Teologia e Filosofia em Munique. Com saudades da sua Teoria da Libertação e da atual velha política do PT, que esqueceu os fundamentos da sua origem ao se tornar igual ao PMDB, semelhante ao PSDB, idêntico ao DEM, irmanado ao PCdoB e mergulhado em corrupção, que fora tão combatida e impensável na origem do partido. Foi o PT que permeou, com esperanças e sonhos, a juventude do início dos anos 80. Tornou-se, porém, idêntico, ou até pior, na velhice calhorda deste sistema partidário brasileiro.

Aqui na Bahia o quadro não difere. As agressões verbais já se estendem desde junho. Ganharam densidade neste setembro e se tornam mais fortes nesta reta de chegada, quando faltam 20 dias para as eleições, contando com o domingo, cinco de outubro, dia de votação. O que acontecerá até lá é uma incógnita. A última pesquisa conhecida estabelecia um distanciamento relativamente alto entre Souto e Rui Costa, sem levar em consideração, naturalmente, os números do Basbete (se eu não estiver trocando o nome pelo do extraordinário filme “A Festa de Babete”, sem o “s”) por ser uma pesquisa de fundo de quintal, que não merece a menor qualificação ou respeitabilidade.

Não se trata apenas deste “instituto”, que fica na Bahia, em local desconhecido, senão incerto. A realidade é que, embora os institutos de pesquisas nacionais tenham melhorado,  é comum errarem, daí porque para o jornalista o único que merece fé é o Datafolha. Aliás, por falar em pesquisas, o Ibope está em processo de transferência para um grupo de peso, embora a família que o fundou, lá pelos idos dos anos 40 do século passado, continuará à frente do seu comando, porque passará a ser cotista minoritário e assim fiou acertado.

No estado, esta etapa final da campanha eleitoral merece ser acompanhada (não as agressões e, quiça, xingamentos) com muita atenção porque nestas bandas acontecem mudanças inesperadas, até absurdas, como a vitória de Waldeck Ornelas sobre Waldir Pires para o Senado, no suspiro das últimas urnas apuradas. Ganhou com meros três mil votos de diferença. Aliás, por mais que se tentasse o Tribunal Superior Eleitoral (Ó tempora, ó mores – Cícero, senador romano, na polêmica com Catilina - “Ó tempos, ó costumes”) não se manifestou sequer sobre os recursos impetrados e quando o fez foi praticamente no fim do mandato senatorial. Não se pode esquecer, de igual modo, a virada nos últimos dias da eleição de Wagner sobre Souto, quando as consultas demonstravam outra realidade. As pesquisas erraram, e só revisaram, reconhecendo outra verdade, nas pesquisas feitas em boca de urna.

Assim posto, os momentos finais das campanhas são sempre eletrizantes. Aliás, nesta semana, é possível que venham à baila pesquisas sobre o processo eleitoral baiano e, duas ou três, sobre a campanha presidencial. Quem aplica na Bolsa de Valores ficará mais atento ainda, porque se Marina subir, a Bolsa sobe; se Dilma crescer, a bolsa entra em parafuso. Quem diria... Há uma forte ligação entre o mercado financeiro e a política. A Petrobras, por exemplo, sempre perde quando Dilma sobe. Faz parte do escândalo e em relação ao que se verifica na petroleira, antigo símbolo nacional, hoje cambaleante.

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Domingo, 14 de Setembro de 2014 - 07:55

Coluna A Tarde: Uma campanha indecente

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: Uma campanha indecente
Não há mais campanha e, sim, uma guerra instalada entre os candidatos. O sistema político brasileiro, ao invés de facilitar a escolha e demonstrar ao eleitor as carências da República, empenha-se na evidência de um confronto sujo que apenas leva à conclusão que quanto mais sujo, mas crescem nas pesquisas de opinião as imagens dos políticos que utilizam de tal expediente. Difícil é saber quem é o mais e o menos sujo. Na Bahia, o prefeito ACM Neto e o governador Wagner se enredaram num confronto, que ganha novos e maiores contornos a cada dia. Só lhes restam, presume-se, o último recurso: um falar mal da mãe do outro.

Antes de a campanha ganhar impulso, deste espaço elogiei algumas vezes o elevado e elegante relacionamento entre Neto e Wagner. Como pouquíssimas vezes aconteceram por estas bandas. Para lembrar apenas um episódio sujo, em pleno desfile do Dois de Julho, ACM era governador e Lídice da Mata, prefeita. O primeiro entendeu que deveria ir à frente do cortejo, quando a prioridade é da prefeita da cidade. Durante boa parte do percurso, um passava à frente do outro seguido pelo grupo que os acompanhava. A situação era mais hilariante do que deseducada e infantil. Lá para as tantas, ao ver que não teria sucesso, ACM desistiu. Pirraçou Lídice então, chamando-a, alto e em bom som, de feia e coisas que tais. A prefeita respondeu de imediato: “Desencarna, ACM, que sou mulher, mas sou filha de homem”. A guerra virou folclore.

ACM Neto e Wagner têm pais e mães. Tinham um relacionamento marcado pelas circunstâncias e elegância. Aconteceu tão-somente até a campanha para o governo estadual ter início, quando Paulo Souto partiu na frente de Rui Costa. Daí em diante começou o desentendimento. Alguns grosseiros, outros marcados pela mentira e deseducação, de lado a lado. O clima impulsionou  as temperaturas. Tão elevadas que os dois dificilmente voltarão a ter um relacionamento compatível com o cavalheirismo. Rui passou a atacar Souto e, nos últimos dias, surgiu nas redes de televisão no horário eleitoral um quadro que chama Paulo Souto de corrupto, uma agressão que pode levar, mas do que ao Tribunal Regional Eleitoral, a um processo civil e criminal. Trata-se de um desrespeito completo aos telespectadores e ao candidato, mas é fato, também, que acontece de parte a parte. Wagner, completamente mergulhado na campanha, também joga duro, assim como o grupo de Souto. Ou seja: as agressões acontecem dos dois lados. Um mais e outro menos, sem que se possa apontar que ataca mais e quem ataca menos.

No plano nacional, quando Marina Silva passou a assustar, o comitê eleitoral de Dilma Rousseff aumentou as agressões a Marina que passaram a cada dia a ser mais graves. A partir do início desta semana, Marina Silva entrou no jogo passando a responder, com petardos semelhantes, enquanto Aécio Neves disparava da terceira posição contra as duas.

O que se observa nestes trópicos não acontece nos países civilizados onde o nível da campanha mantém-se normalmente em nível elevado, lastreado em propostas, não de mudança, porque em alguns países do norte as democracias já estão consolidadas. Mas em novos projetos para beneficiar a população. Não há agressões, e sim apertos de mão e abraços quando os candidatos se encontram nos debates promovidos pelas redes nacionais de televisão. Num que aconteceu por estas bandas, Dilma Rousseff dirigiu-se a Aécio Neves, que não esperava, e disparou: “Você está querendo a minha cadeira, não é. Pois não vai ter não”. Foi tão surpreendente que Aécio não teve resposta.

De certo modo, não se deve levar em consideração que as agressões surgiram, ou nasceram com os candidatos. Talvez seja uma consequência da forma de ser e da educação dos brasileiros, isso quando há educação. Quando não há agressões, ou os chamados “pegas” entre os candidatos, costumam-se dizer, no dia seguinte, que o debate foi morno, que não despertou nada que agradasse e levou ao sono. É o que se verifica normalmente. É a forma de pensar do brasileiro.

As ofensas pelos jornais, pelas rádios, nas entrevistas extrapolam para um terreno movediço que leva à inimizade, como se a política fosse desenvolvida com conflitos entre os que a exercem. Diria que é cevada pela corrupção aberta e depravada, como se observa neste escândalo que emascula a maior empresa estatal brasileira, a Petrobras, com a presença de  32 políticos denunciados, a maior parte da base de sustentação congressual da presidente da República, que, segundo ela, não sabia de nada, como Lula também não sabia nadica de nada em relação ao mensalão.

Bem reparado, entre o baixo nível das campanhas políticas e a depravada corrupção que engole o dinheiro público, recolhido nos impostos escorchantes pagos pela população, talvez melhor seja digerir a grosseira da campanha e absolver o baixíssimo nível da campanha eleitoral brasileira. 

Já sobre os corruptos, se o Supremo Tribunal Federal quiser o lugar deles, a partir de penas longas, é na cadeia. Se vantagens e benefícios. Quando eles metem a mão no dinheiro público, as vítimas somos todos nós, os brasileiros que pagam impostos extorsivos.


* Publicada originalmente na edição deste domingo (14) do jornal A Tarde


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Quinta, 11 de Setembro de 2014 - 16:37

Morre ex-secretário Chico Benjamim

por Samuel Celestino

Morre ex-secretário Chico Benjamim
Foto: Arquivo pessoal
O ex-secretário de Transportes do governo Luís Viana Filho, ex-deputado federal, ex-presidente da Arena e depois, do PDS baiano, Francisco Benjamim de Carvalho, morreu repentinamente nesta tarde, provavelmente de infarto, em sua fazenda, no estado de Sergipe. Chico Benjamim, como era mais conhecido, marcou época com secretário dos Transportes e a ele coube implantar o sistema ferry-boat entre Salvador e Mar Grande. Construiu estradas, entre as quais a que corta a Ilha de Itaparica, e a Ponte do Funil, que liga Itaparica ao continente, além de outras obras importantes para o Estado. Abandonou a política cedo para cuidar das suas fazendas. Chico Benjamim morreu quando, na manhã de hoje (11 de setembro) assistia televisão em sua fazenda. Tinha mais dois irmãos, Bento Alvino de Carvalho, que foi deputado estadual em dois mandatos na Bahia, e Luiz Benjamim. Seu sepultamento séra as 11:00 horas no cemitério Santa Izabel em Aracajú. 

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Quinta, 11 de Setembro de 2014 - 10:37

Incêndio na campanha

por Samuel Celestino

Incêndio na campanha
Ilustração
Estabeleceu-se tanto na Bahia como no plano nacional uma corrida sucessória que tende a levar até seu final muita adrenalina para definir os resultados da eleição, tanto a presidencial, como a sucessão baiana. Mais. Para aumentar o gosto doce, ou amargo, da chegada, inclua-se a definição para o Senado baiano. Havia indícios, tanto no plano da República quando no estadual que haveria mudanças no quadro, não definitivas – por hora – mas mudanças concretas. De todos os candidatos, aqui e no plano nacional, quem ainda está em situação confortável (mas nem tanto) é o candidato do DEM, Paulo Souto, que avançou no Ibope, mas o petista Rui Costa cresceu muito mais. Já no caso presidencial, Dilma e Marina estão em empate técnico tanto para o primeiro como para o segundo turnos. Houve ao que parece, uma acomodação da comoção nacional logo em seguida à tragédia que matou Eduardo Campos, na primeira semana após a queda do jatinho. Depois, porque o luto não é eterno, começou a retroceder até chegar à pesquisa Datafolha ontem divulgada. Tudo indica que retornou à normalidade que demonstra, ao mesmo tempo, que a denúncia premiada de Paulo Roberto da Costa sobre a roubalheira na Petrobras não atinge Dilma, que estaria infensa. De outro modo, a campanha da presidente está em constantes mudanças – questão de marketing competente - atacando todos os flancos possíveis de Marina Silva. Pode ser passageiro ou não, com mais possibilidade de não ser. Assim, nesta reta final, as duas campanhas ganham em “frisson”, em emoção, e não será possível a estabelecer o que acontecerá, a não ser por palpites. Todos os candidatos citados, e mais os candidatos ao Senado na Bahia podem se eleger. Tudo dependerá de futuros acontecimentos, ou mudanças no voto, o que não é anormal, muito pelo contrário.

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Quinta, 11 de Setembro de 2014 - 08:00

Agora è Yousseff

por Samuel Celestino

Agora  è Yousseff
Foto: Reprodução
O doleiro Alberto Youssef está sendo pressionado, segundo a Folha de S.Paulo, a acompanhar Paulo Roberto da Costa e também se colocar à disposição para usar a delação premiada. A pressão viria da sua família, diante da prisão insalubre do doleiro, que estaria a enfrentar sérias dificuldades. Segundo o jornal, acomodado numa cela reduzida, com mais dois presos, onde o vaso sanitário é um buraco no chão e o banho é frio, quase gelado. Fica impedido de sair da cela a partir da sexta-feira até segunda, para um banho de sol. Quem viveu na grandeza, mergulhado em milhões de dólares e passa a ficar encarcerado em cubículo, sofre mais do que um preso comum. As autoridades desejam que ele se resolva pela delação premiada, que seria importante para fechar as pontas dos fios entre o que é denunciando Paulo Roberto da Costa e o que ele poderá declarar. O seu advogado é Kakay, que defende a maioria dos políticos em dificuldades. Ao que se sabe, ele é contrário. Crê que poderá anular o processo. É uma presunção. Como a pressão da família de Youssef é pesada, ele está entre a cruz e a caldeirinha. E como o processo deverá ser demorado, é possível que ceda para não ficar confinado na cela que o abriga.

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Quinta, 11 de Setembro de 2014 - 07:55

Coluna A Tarde: Estranhas pesquisas

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: Estranhas pesquisas
Observa-se um fato que tanto se manifesta nas sucessões estaduais como, e principalmente, na sucessão presidencial: a presença das pesquisas, guias incontestes dos movimentos dos candidatos, para cima ou para baixo, para frente ou para atrás. A política brasileira, por consequência, é determinada pelos institutos de avaliação de candidaturas em relação aos eleitores, comandando as campanhas eleitorais, forçando modificação dos comitês, conforme os resultados das consultas. Mais do que isso, os resultados que divulgam estabelecem mudanças de ascensão ou queda nos mercados de capitais.

De forma geral, não tenho motivos para acreditar nas pesquisas de opinião, embora seja obrigado a acompanhar seus movimentos porque elas passaram as conduzir as campanhas. De todas, a que mais dou crédito é o Datafolha, por ser um instituto que se vincula a um grupo jornalístico sério, o Folha de S.Paulo. Outras têm origens incertas e existem algumas que são consideradas de “fundo de quintal”, como a que ganha notoriedade na Bahia, a Babesp. Apura até quem pode ser eleito na disputa proporcional, à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa da Bahia.

Excluindo os resultados que a tal Babesp apresenta, melhorando ou piorando a situação dos candidatos, pode correr o risco de perder a sua pouca importância, que, no meu caso pessoal, não tem. Ela é quase uma empresa, se empresa for, fantasma, que até bem pouco ninguém sabia como nasceu, quem são seus sócios, de tal maneira que chegou a ser denominada de DataNilo. De certo modo pegou. Nilo não desgostou.

Ao que se sabe não tem sede. Não se tem conhecimento da sua metodologia. Somente em tempo recente surgiam nomes que poderiam ser seus diretores. Os que assim vieram à luz são pessoas basicamente desconhecidas, provavelmente uma geração espontânea ou, talvez, fantasmas, portanto a eles me refiro com parcimônia e usando suposições. Até porque não sou também de acreditar em fantasma. Não importa se o tal Babesp apresenta números que favorecem a Paulo Souto, Rui Costa, a Lídice da Mata, enfim a quem quer que seja. É o de menos embora seja a razão da qualquer pesquisa.

Como acreditar numa consulta que garimpa números ou percentuais para o governo do Estado, para a campanha presidencial, e ousa fazê-lo o que nenhum instituto, que pode ser chamado de instituto, faz, como mensurar quem pode ganhar ou perder para deputado estadual ou federal e deixa de lado a campanha majoritária do Senado na Bahia? Ora, depois do governo, o que mais importa para o público é o Senado, mas, neste caso a Babesp não deu importância.

Volto a dizer, por ter uma longa caminhada como jornalista político, que já tropecei nas pesquisas, daí guardar delas distância regulamentar, exceção, já dita, do Datafolha, embora seja levado a tecer comentários sobre os resultados dos institutos mais importantes, dentre eles o Ibope – um dos primeiros do País – e o Sensus. Mas não dá, decididamente não dá para comentar percentuais de um “instituto”, lá o que seja,  que não tem sede, ou tem e ninguém sabe onde, provavelmente, repito, montada em fundo de quintal.

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Terça, 09 de Setembro de 2014 - 09:56

Questão de caráter no Planalto Central

por Samuel Celestino

Questão de caráter no Planalto Central
Foto: Charge do Amarildo / A Gazeta (ES) / Reprodução
É certo que a presidente Dilma está no centro de uma guerra petroleira, com lama para todo o lado e ela procura se defender como pode. Tem feito, aliás, um esforço imenso na tentativa de não ser alvejada pelo lodo. Acabou por alvejar seu próprio governo, demitindo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, pela imprensa, o que levou Mantega a pedir demissão. Por ora, ele se transformou num  zumbi do Planalto Central. O curioso é que, ontem, em mais uma tentativa de se desvencilhar, a presidente disse "que não dará à imprensa o caráter que ela não tem". No que um jornalista emendou "Nem a imprensa dará a Dilma o caráter que ela não tem". Isso faz parte. Numa democracia, embora suja, tem dessas.

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Terça, 09 de Setembro de 2014 - 09:09

Não se mistura João Ubaldo com Wilson Lins

por Samuel Celestino

Não se mistura João Ubaldo com Wilson Lins
Foto: Reprodução
Há informações oriundas da prefeitura municipal, que já tentara, sem êxito, vender a Praça Wilson Lins (antigo local do Clube Português, na Pituba) de que agora o Executivo procura um espaço para homenagear o extraordinário escritor baiano João Ubaldo Ribeiro. A informação é que seria, em primeiro, colocado um busto de Ubaldo, que bem merece e, seguramente, mais do que um busto, uma praça inteira, sem a necessidade de desvestir um santo para vestir outro. O “Romano coletor de impostos”, Mauro Ricardo, secretário da Fazenda municipal, seria um dos articuladores, mas não se sabe ao certo. Não dá para misturar João Ubaldo com Wilson Lins, ambos escritores baianos, o segundo também político oriundo das barrancas do São Francisco. Assim posto, não combina misturar na mesma praça o “Sargento Getúlio”, de Ubaldo, com os “Cabras do Coronel”, de Lins.  

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Terça, 09 de Setembro de 2014 - 07:30

Coluna A Tarde: O país dos vendilhões

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: O país dos vendilhões
O Palácio do Planalto - leia-se Dilma e seus principais assessores – está entre a cruz e a caldeirinha com o escândalo da Petrobras, ora mergulhada em lama que sacode, mais uma vez, o País para alvejar  a sucessão presidencial e, com maior intensidade, a candidata do PT à reeleição. O governo tem pleno conhecimento de que a candidata centraliza o foco da delação do ex-diretor da petroleira, Paulo Roberto Costa, embora Dilma diga que “não atinge o seu governo”, numa  “inocente”  tentativa de não ser prejudicada.

Enquanto pensa assim, seu partido e o PSB anunciam a disposição de exigir que tenham acesso ao relato feito pelo delator, numa manobra política que empurra, mais ainda, o Palácio do Planalto para as cordas. O PT, pelo que se informa, entende que deve aguardar o fim do interrogatório. O problema, no caso, é que os documentos oficiais dificilmente serão liberados antes da eleição. Se as legendas oposicionistas conseguirem acesso, o governo ficará muito mal diante das circunstâncias, enquanto aumentarão os problemas da candidatura da presidente. Não só. A maracutaia teria iniciada no governo Lula, com Dilma na presidência do Conselho da estatal, e se estendeu até o segundo ano do mandato atual. A base de sustentação do governo no Congresso estava então inteiramente mergulhada no que ora é denominado de “mensalão 2”.
 
A pergunta que fica no ar é como Dilma, ministra de Minas e Energia, presidente do Conselho da petroleira, ministra Chefe da Casa Civil no governo Lula, depois presidente da República, tenha ficado aluada em relação à roubalheira que começou em 2004, e teria acabado somente em 2012. Se assim foi, se ela não sabia de nada, demonstra que não tinha competência para gerenciar o país. Enfim, como teria passado este longo período na mais absoluta “inocência” enquanto a Petrobras era saqueada por um esquema de corrupção que engolfou mais de 60 parlamentares entre deputados e senadores? Estava no mundo da lua? Não tinha sequer informações, que fatalmente vazariam a partir do Congresso e chegaria à sua presidência?
 
Pela delação, o PT estava centralizando a roubalheira. Mais uma vez com um secretário-geral do partido, a exemplo do acontecido no mensalão 1, neste caso João Vaccari Neto. Seria, segundo o delator, quem estava no comando para que a propina fosse distribuída a partir dos contratos com empreiteiras superfaturados. Mas o secretário garante que também não sabia nadica de nada. Outros partidos  que compunham a quadrilha de assalto à estatal, dentre eles, o PMDB – aliado do PT na condução da base de sustentação e apoio ao governo – e,  ainda, o PSB, que teria participado com Eduardo Campos, candidato a presidente morto no mês passado. O centro da tormenta recai principalmente sobre Dilma porque ela  supostamente teria obrigação de, desde a época como presidente do Conselho,   ter conhecimento do que estaria acontecendo com a Petrobras.
 
Depois, como presidente da República, o seu dever seria zelar, e não ficar alheia e “inocente” ao que se passava na república, principalmente na sua maior empresa estatal, símbolo do antigo nacionalismo de Vargas e do processo de crescimento econômico, na visão dos brasileiros. Está aí o que sobrou da Petrobras. Provavelmente, o maior escândalo que chega ao conhecimento do Brasil até agora. Outros poderão surgir, mas não tão emblemático como este. Os governos petistas, não há como negar, são detentores dos maiores escândalos que chegam ao conhecimento da população, transformando o de Collor numa mera miudeza.
 
O governo tenta sair por onde não tem porta, ou seja, dizer como a presidente o faz, que é ele que está comandando a denúncia, a partir da Polícia Federal, como se a PF fosse petista. Na verdade, o governo está no meio de fogo cruzado. Uma solução que aflora é o que já está em pauta de há muito e que fora, até, uma das reivindicações das manifestações do ano passado, nas ruas e praças de diversas capitais: a necessidade urgente de uma reforma política, porque é mesmo preciso colocar o país de ponta-cabeça para que haja uma limpeza total, a começar pela forma de governar e dos partidos que apóiam a governabilidade em troca de roubos e saques.
 
A reforma política é uma exigência das ruas que a cada dia ganha maior apoio da população enojada da politicalha lodenta. De resto, tudo indica que Paulo Roberto da Costa só denunciou uma parte dos vendilhões. Ele terá, para que tenha o prêmio da delação, de oferecer provas e são em relação a elas que os canalhas se estremecem, assim como o Palácio do Planalto.
 
Enfim a canalhada - praticamente todos os nomes citados - nega sem colocar a mão sobre a bíblia, que “são inocentes”, que não sabem de nada, e que é tudo invenção. É, pode ser.

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Domingo, 07 de Setembro de 2014 - 08:00

No subúrbio

por Samuel Celestino

No subúrbio
Foto: Divulgação
O deputado federal Marco Medrado tem sua base eleitoral mais importante no subúrbio ferroviário de Salvador. Acha que mais uma vez arrastará os votos suburbanos e faz uma aposta. Disse: “Na eleição do prefeito, apoiei Nelson Pelegrino e ganhei de ponta a ponta. Nesta eleição estou apoiando Rui Costa e mais uma vez sairei de lá vitorioso”. Bem, o comício na Praça da Revolução, em Periperi, com a presença de Lula não foi o que se esperava. Vale como um sinal. De qualquer modo, não convém contestar Medrado. Ele, de fato, costuma sair-se bem na área, como aconteceu na eleição municipal.

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Domingo, 07 de Setembro de 2014 - 08:00

Coluna A Tarde: As suposições da campanha

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: As suposições da campanha
Normalmente é assim. Há curiosidades que acompanham os processos eleitorais e, de certa forma, geram perplexidade. Por comoção em razão da tragédia aérea em parte, Marina Silva em pouco tempo colou em Dilma Rousseff. Nas pesquisas estão tecnicamente empatadas. A partir daí alardeia-se que a intensa propaganda do governo teria sido incapaz de estabelecer um lastro firme para a campanha de Dilma à reeleição, o que levaria a crer numa fadiga em relação à presença do PT no poder, assim como ocorreria, de igual maneira, com o PSDB. Na verdade, o mais correto seria afirmar que a presidente é desprovida de carisma e não agrada no governo que faz. Os dois partidos comandam a república há 20 anos. O tucano Aécio Neves desaba até no estado que ele governou por dois períodos, Minas Gerais, e isso, por ora, é fato. Trata-se, evidentemente, de uma mera suposição a tal fadiga. Não há forma de mensurar a presunção a não ser pela manifestação do eleitor.

A suposição passaria a ser, então, que o eleitor de hoje está mais esclarecido em consequência do avanço dos meios de comunicação, com exceção do Norte e Nordeste, que continuam com um pé, senão os dois, no atraso. Há alguns sinais que embaçam também este entendimento. Os dois maiores estados em que o PT detém governos são a Bahia e o Rio Grande do Sul. Um no Nordeste e outro na politizada unidade de fronteira, palco de diversas revoluções que eclodiram no final do século XIX e na República Velha, onde houve um corte institucional, justo em 1930, com a revolução que levou um gaúcho, Getúlio Vargas, ao poder e que assim se manteve até o seu suicídio – um ato de revolucionário - nos anos 50 do século passado.

Nestes dois estados diferenciados politicamente, emitem-se sinais de que o PT poderá perder as eleições de outubro. Mesmo se Dilma se mantiver no poder. Sem as duas grandes unidades comandadas pelo Partido dos Trabalhadores, a derrota será um retrocesso para a legenda de Lula. Aqui na Bahia, desde que se iniciaram as pesquisas, o candidato Rui Costa tem estado a uma distância considerável de Paulo Souto, segundo as consultas de opinião. Mais uma vez há de se acrescentar a palavra “suposição”. Souto não representa uma continuidade do carlismo, que definitivamente ficou no passado, mas suas origens políticas se vinculam ao longo período em que ACM marcou o poder na Bahia. Foi ele que revelou Souto. Avô do prefeito da cidade, o cacique também se distanciaria pela modernidade de ACM Neto. São as mudanças do tempo.

O PT, aqui, pode deixar o poder estadual como detentor de dois mandatos em sequência de Jaques Wagner e voltar à planície baiana, naturalmente com mudanças estruturais na máquina governamental. De certo modo os fatos não ficam distantes da realidade nordestina. Queira-se ou não, a Bahia é o maior estado da região, e tem as mesmas características das unidades do Nordeste: o atraso, principalmente na imensa região do semiárido.

Em relação ao Rio Grande do Sul, lá o PT sentou praça e vem elegendo governadores. Mas, agora, mesmo com Dilma à frente das pesquisas na unidade de fronteira, porque tem suas raízes por lá, Tarso Genro, que tenta a reeleição, está em dificuldades. Ana Amélia, sua adversária direta, tem 39% das intenções de votos contra 31% de Genro.

Assim posto, se Dilma porventura ultrapassar Marina no segundo turno ou cair ainda no primeiro, o que não parece provável, ela governará o País sem contar (também provável) com aliados nos governos do RGS, Bahia, São Paulo, Minas, Distrito Federal, Paraná, Pernambuco, o confuso Rio de Janeiro e outros mais. Será, certamente, uma presidente sem presença nas maiores unidades da federação. Ela poderá, então, rotular-se como uma “presidente federativa”.

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Sábado, 06 de Setembro de 2014 - 11:17

Delação balança campanha presidencial

por Samuel Celestino

O Brasil é novamente sacudido por um escândalo que envolve a Petrobras e diversos políticos da Câmara e do Senado, dentre eles os presidentes das duas casas, Renan Calheiros e Henrique Eduardo Alves, ambos do PMDB, o ministro das Minas e Energia, Edson Lobão, além de governadores (veja os nomes na nota postada abaixo pelo BN). A delação premiada de Paulo Roberto Costa balança a campanha eleitoral do País, justo quando entra na sua reta final e, certamente, causará danos insanáveis, com a possibilidade de os políticos citados, caso haja provas consistentes oferecidas pelo delator, venham  a ser, mais adiante, excluídos da política por decisão do Supremo Tribunal Federal. A delação chegou ao conhecimento público na tarde de ontem, e, com detalhes, na revista Veja que está a circular. Alguns nomes citados, como o de Renan Calheiros, eram de fato esperados em qualquer delação que se fizesse envolvendo um número espantoso de políticos, mas outros surpreendem como o de Eduardo Campos, candidato à Presidência que perdeu a vida na tragédia aérea de Santos. Para que o delator tenha direito às vantagens da delação, terá que oferecer provas dos nomes por ele entregues e, como sabe deste requisito, acredita-se mesmo que as tenha. O novo escândalo de certa forma era esperado, mas chega para balançar a mídia e ocupar, talvez, o primeiro plano do noticiário, dividindo com  a campanha eleitoral, sobretudo dos presidenciáveis que atinge o patamar da indecisão entre Dilma e Marina Silva. Atores de vulto da campanha de Dilma já admitem que a delação poderá abalar a campanha da candidata.

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Quinta, 04 de Setembro de 2014 - 09:16

O tic-tic nervoso dos políticos

por Samuel Celestino

O tic-tic nervoso dos políticos
Na verdade, os ataques que os políticos, candidatos ou apoiadores, dirigem uns aos outros não passam de uma questão de nervos. Normal. Na medida em que os concorrentes avançam na preferência popular e estabelecem vantagens nas pesquisas de opinião, surgem os tais ataques nervosos que é uma maneira de tentar diminuir o avanço. Acabam não funcionando bem assim. Tem acontecido na campanha presidencial. Dilma foi orientada a atacar Marina Silva. Errou em vários pontos. Primeiro, exibiu seu estado de nervos no debate do SBT e terminou sem marcar os pontos que ela necessitava. No dia subsequente, terça-feira, voltou ao ataque e comparou Marina a Collor e a Jânio Quadros e esqueceu da sua própria trajetória. Na quarta, Marina deu o troco: “Eu comecei a minha carreira como vereadora, fui deputada, duas vezes senadora e ministra do Meio Ambiente. Ela nunca se elegeu a nada. A sua única eleição foi para presidente.” Arrematou ainda que Collor faz parte da base aliada da candidata petista. Não precisou falar de Jânio, que renunciou à Presidência, com o propósito de golpear a República, lá em 1961, portanto já se passaram 53 anos. Praticamente os brasileiros já não sabem quem foi Jânio. Errou o alvo mais uma vez. O tic-tic nervoso também se manifestou na campanha eleitoral baiana. De forma idêntica, nada anormal em campanha eleitoral, mas surpreendeu por partir do governador Jaques Wagner, por não ser do seu costume e que marca a sua trajetória política pela elegância. Disse ele que Paulo Souto é “funcionário de uma família” em alusão a ter sido revelado pelo ex-governador e senador ACM e que (não está no sentido literal) cumpria ordens (de Neto), além de acentuar que o seu candidato venceria as eleições. Disse mais que o prefeito usava as obras do seu governo. No dia subsequente veio a resposta, em primeiro de Neto, que lembrou que seu avô foi um formador de quadros e que Souto foi o mais importante e competente de todos, enquanto o candidato Rui Costa era “há oito anos é funcionário do governador”. Já Souto rebateu dizendo que “Wagner tem um perfil ditatorial”. Também errou porque este perfil não existe no petista. Enfim, toda esta encrencada nacional e baiana é consequência do jogo político absolutamente desnecessário. Mas, como sempre, perdem-se os controles nas campanhas, utiliza-se de frases que não levam a nada, a não ser ao desgaste da já desgastada classe política.

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Quinta, 04 de Setembro de 2014 - 08:50

Coluna A Tarde: O fantasma da sucessão

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: O fantasma da sucessão
O fantasma que ronda e atordoa a candidatura Dilma Rousseff, que não é o de Eduardo Campos, mas da sua substituta, Marina Silva, poderá levar – é uma hipótese, ou suposição,  concreta (a partir exclusivamente da pesquisa realizada em S. Paulo e Rio de Janeiro pelo Ibope, na terça feira) – a decisão presidencial não para o segundo turno, mas já para o primeiro, se os resultados das pesquisas estiverem corretos. Da forma como os percentuais são apresentados à população eles acentuam o fenômeno e as dificuldades que a candidata petista enfrenta, nesta extraordinária virada que se verifica na corrida presidencial.

Se já não bastasse o empate nacional cravado entre Dilma e Marina em 34%, de acordo com o Datafolha – que provavelmente apresentará uma nova pesquisa sobre a sucessão nesta sexta-feira – o Ibope, na terça à noite, divulgou a pesquisa realizada para os governos dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, ampliado para a corrida presidencial. Foi neste último aspecto que se manifestou, mais uma vez, o fantasma Marina, atordoando Dilma, e, praticamente, zerando as possibilidades de Aécio Neves, candidato do PSDB.

São Paulo e Rio são, pela ordem, o primeiro e o terceiro colégios eleitorais do País. Em segundo lugar aparece Minas Gerais. Juntos os dois primeiros equivalem a 32% do eleitorado brasileiro. De acordo com o Ibope, em São Paulo, Marina dispara com 39% das intenções de voto contra 23% de Dilma e, no Rio de Janeiro onde a presidente estava absoluta em primeiro lugar, a virada coloca um pedra na caminho do PT. Foram 38% contra 32% uma diferença em pouco mais de uma semana de 6%, desarrumando o eleitorado do estado. Marina em SP aumentou 4%, tirando votos de Aécio Neves e dos eleitores indefinidos. Aécio caiu para 17%. O entendimento que se tem é o de que eleitores indefinidos estão se posicionando favoráveis à candidata do PSB.

Se, na pesquisa Datafolha o empate em primeiro turno das duas candidatas já preocupava o comitê petista, seus marqueteiros e o partido, há uma suposição de que se Marina continuar avançando, a decisão do pleito presidencial poderá ser decidida logo no dia 5 de outubro, portanto em primeiro turno. O Datafolha já apontava para o segundo turno uma frente de Marina em 10%.( contraditado nas pesquisas Ibope e Datafolha de ontem, onde houve uma queda de Marina)). Acontece que a presidente não tem sido feliz nos debates, com muito nervosismo, em contraste com a serenidade de Marina Silva. Talvez a tática de atacá-la não seja a melhor, na medida em que sendo uma candidata zen, que parece sempre estar em meditação, os ataques a ela acabam por retornar, como bumerangue, para quem o faz, parta de Rousseff ou Aécio.

Aliás, no último debate realizado pelo SBT, Dilma, demonstrando descontrole, voltou-se contra Aécio no intervalo e, sem motivo, disparou “Você está querendo a minha cadeira, não é? Desista, porque ela continuará comigo”. O mineiro não respondeu talvez porque fora colhido pela surpresa da pergunta incabível. Se ainda fosse dirigida à Marina... O fato demonstra um descontrole descabido, embora de certo modo presente.

Ademais, a presidente pela primeira vez nas entrevistas à Rede Globo, deixou de ir a um programa na terça-feira à noite, deixando os seus entrevistadores à espera. William Waack e Cristiane Pelajo que comandariam a entrevista, resolveram dar a resposta no ar ao dizer que a entrevista estava marcada com antecipação prevista e, depois, passou a ler as perguntas que a ela seriam feitas e que ficaram no ar.

Não dá para entender, a não ser a partir de problemas no seu comitê eleitoral ou, senão for por aí, por estar com nervos à flor da pele, o que não seria um fato condenável diante das circunstâncias que a candidata enfrenta. Desta maneira, as possibilidades de uma definição em primeiro turno, que antes parecia ser favorável  à Rousseff foi invertida pelo destino e, agora, há uma ventania na sucessão presidencial que agita o panorama com muitos quilômetros por hora. Em Tempo - Este comentário foi escrito na tarde de quarta feira, antes, portanto, da divulgação, à noite, das novas pesquisas do Ibope e Datafolha, com empate técnico no primeiro turno entre Dilma e Marina.


* Coluna publicada originalmente no jornal A Tarde desta terça-feira (2).


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Quarta, 03 de Setembro de 2014 - 10:30

Uma virada inédita

por Samuel Celestino

Uma virada inédita
Não era esperado, embora não surpreendesse, a pesquisa do Ibope realizada em São Paulo e no Rio de Janeiro, divulgada na noite desta terça-feira (2) pelo BN. O cenário da consulta envolve nada menos de 32% dos eleitores brasileiros, na medida em que São Paulo é o primeiro colégio eleitoral do País e o Rio é o terceiro. Entre um e outro, ou na segunda posição, está Minas Gerais, que ainda não se tem informações sobre pesquisas presidenciais. A diferença em SP é de 39% para Marina e 23% para Dilma, com queda mais expressiva para Aécio Neves, que parece estar fora de combate que se trava entre as duas mulheres, fato inédito na história política do Brasil. No Rio, numa rapidez estonteante, Marina, que logo após a morte de Eduardo Campos estava em terceiro lugar, deu um salto para o primeiro, colocando seis pontos percentuais à frente de Rousseff, com 38% das intenções de votos contra 32%. É possível que nesta sexta feira (5) o Datafolha apresente uma consulta nacional ampla, que dará a justa medida de como se desenvolve a disputa. Rousseff tem errado, e um dos seus erros é atacar Marina. O problema é que enquanto a presidente denota nervosismo nos debates, Marina parece um personagem zen, o que certamente descontrola, mais ainda, quem já está no limite da explosão, como é o caso de Dilma. Um resultado negativo na sexta-feira será comprometedor: ficarão faltando 30 dias para o primeiro turno, que acontecerá no dia 5 de outubro. É pouco, mas de certo modo suficiente para haver uma virada, o que por hora não se manifesta, a não ser um processo de ascensão vulcânico da candidata do PSB. Se a virada se mantiver e a decisão eleitoral ocorra em primeiro turno, será um fato inédito nas eleições presidenciais, e uma resposta do eleitorado para presidente e, talvez, também ao PT, porque a gestão que hoje se observa definitivamente é comprometedora para o país, especialmente no setor da economia. O fato ainda cresce de importância porque o eleitorado indefinido está, em peso, tomando posição favorável ao voto em Marina Silva. De fato, há um descontentamento dos brasileiros em relação ao governo e a mudança, a partir do projeto de uma “nova política” que tocou no eleitorado, cansado de observar um mar de corrupção que coloca o Brasil entre as nações mais corruptas do planeta. Pior, sem que haja punição.

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Terça, 02 de Setembro de 2014 - 09:00

Coluna A Tarde: Promessas vazias

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: Promessas vazias
O processo sucessório baiano está a se transformar num torneio de promessas vazias na tentativa de cativar o eleitor. O esforço para a catequese é mais visível – e de certo modo estonteante – a partir do PT e do seu candidato Rui Costa. Não é difícil explicar. Desde que a campanha foi iniciada o candidato patina nas pesquisas. O maior índice que conseguiu alcançar foi no último Ibope em que marcou 15% das intenções de voto, enquanto Paulo Souto, que nos últimos programas eleitorais tem tentado evitar as promessas, fica além do patamar de 40%. Prenúncio de uma possível vitória em primeiro turno.

Lídice da Mata usa promessas com parcimônia. Prefere ir ao ataque para deixar a terceira posição nas pesquisas eleitorais, onde retornou a um dígito ao ser ultrapassada por Rui. Os candidatos de partidos pequenos não têm mostrado expressão, ou conhecimentos para apresentar ao eleitor, à exceção de Marcos Mendes que, pela sua formação, expõe idéias com conhecimento do que está a dizer. Além de ser mordaz, como demonstrou no debate realizado pela Band.

O petista Rui Costa preparou-se para a candidatura e conhece as dificuldades do Estado e as suas carências. Como secretário, ficou à frente dos grupos de análises e de apresentações de propostas sobre as dificuldades da Bahia, grupo que se reunia em diversos municípios, principalmente em Feira de Santana. Passou, assim a ser conhecedor das deficiências que o Estado enfrenta, e se tornou o estuário de informações sobre as necessidades baianas. Além do mais, tornou-se também a detentor das informações sobre obras realizadas no governo Wagner. Somando uma visão à outra, chegou – presumo - à conclusão das exatas necessidades do Estado. Em outra visão, o governo atual o preparou para ser o candidato do PT. Antes, era um secretário que não dispunha de grande visibilidade da população. Daí as incertezas que o rondaram até ser lançado por Jaques Wagner à sua sucessão.

Uma coisa é ter conhecimento da realidade estadual, outra é extrapolar realizando uma campanha marcada por promessas. A Bahia, de estado mediano, embora antes fosse uma unidade federativa que integrava o grupo dos ricos, pouco a pouco perdeu a dimensão de antes – em todos os sentidos – e passou a ser uma unidade marcada pela pobreza, com um parque industrial reduzido; e grande parte do seu território incrustado na região do semiárido, com 60% da sua população na pobreza, parte dela mergulhada na pobreza absoluta, daí estar aqui o maior número de beneficiários do Bolsa Família do País. A ausência de emprego é uma triste realidade nesta região.

A partir destas considerações, as promessas constantes do candidato Rui Costa extrapolam a realidade, tomando-se em consideração as possibilidades do tesouro estadual. Não se pode prometer muito quando se tem pouco. Ele, porém, ficou contra a parede, embora conhecedor dos problemas estaduais. Provavelmente o maior que agora enfrenta é o fenômeno inesperado de Marina Silva que sobrepuja Dilma Rousseff no segundo turno e poderá vir até a ganhar a eleição presidencial já no primeiro turno, se fenômeno do PSB continuar na mesma marcha. Isso acarretará um terremoto no PT, que perderá a Presidência e, possivelmente, muitos governos estaduais, inclusive o da Bahia, pelo menos a partir das observações de agora. Será para o partido fundado por Lula um desastre total, na medida em que as consequências deverão se espraiar para as eleições proporcionais, Câmara e Senado.

O candidato Paulo Souto também se mantinha na formulação de promessas. Nos últimos programas reduziu drasticamente tais propostas por entender a mudança dos ventos, o que Rui não poderá fazer. Passou a fazer críticas mais intensas ao candidato petista, evitando ataques a Lídice da Mata que, por perder o segundo lugar nas pesquisas, voltou a sua artilharia também para o candidato governista que, assim, ficou no meio de uma artilharia cruzada.


* Coluna publicada originalmente no jornal A Tarde desta terça-feira (2).


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Segunda, 01 de Setembro de 2014 - 10:23

Novo PMDB fica com Marina; Geddel na liderança

por Samuel Celestino

Novo PMDB fica com Marina; Geddel na liderança
O PMDB é um partido que se divide em duas alas. Uma delas, comandada pelo vice-presidente Michel Temer, onde atuam Sarney e Renan Calheiros (Fernando Collor não é do partido, mas liga-se ao grupo), está fechada com Dilma Rousseff. Agora, passa a estar na corda bamba diante do avanço estonteante de Marina Silva. A ala minoritária que, no momento, apóia Aécio Neves, com grande influência do candidato a senador pela Bahia Geddel Vieira Lima, somente aguarda o fechamento das urnas do primeiro turno para declarar apoio a Marina, arrebentando de vez a força pragmática do PMDB, que atua em torno das vantagens oferecidas pelo Palácio do Planalto. Provavelmente, o líder desta facção em caso de vitória de Marina Silva será Geddel, empurrando o outro grupo para a oposição, estabelecendo-se, assim, um nítido divisor de águas no partido. Este grupo hoje minoritário, pensa num novo PMDB e já se fala que ele poderá dar sustentação à Marina no Congresso Nacional, deixando o velho PMDB junto com o PT na oposição. O movimento está vivo, mas não se manifestará por ora. 

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Domingo, 31 de Agosto de 2014 - 09:00

Coluna A Tarde: O gatilho dos bacanas

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: O gatilho dos bacanas
Convém considerar que este país tropical é mesmo fantástico. Praticamente paralisado pela campanha eleitoral, o Supremo Tribunal Federal não poderia escolher melhor momento para anunciar um aumento em torno de 22% - para mais ou para menos como nas pesquisas do voto. A decisão, numa sessão sem a presença de TV, não gerou maiores repercussões, neste país onde os salários são baixos, principalmente para os trabalhadores que observam da planície, olhando com inveja para cima o que por lá acontece. Pior não é o aumento dos ministros, mas o que acarreta o percentual que incidirá sobre os seus vencimentos.

Eles puxam todo o judiciário brasileiro, que seguramente precisa ganhar melhor e, em gatilho ou cascata, cerca de duas ou três dezenas de categorias, incluindo os parlamentares do Congresso Nacional e das assembleias legislativas, advogados da união ou dos estados, procuradores, enfim, são categorias que automaticamente acompanham o percentual concedido ao STF, se o Congresso confirmar, o que certamente fará.

A outro fato a observar: uma crise se abate sobre a economia do País, que entrou oficialmente em recessão técnica, com o PIB desabando para 0,6%. Somente Dilma Rousseff nega e não vê. Ela e o seu desastrado ministro da Fazenda, Guido Mantega, que ninguém mais dá importância sobre o que fala. Cinicamente, eles negam. Entendem que a crise está nos países desenvolvidos e não nestes trópicos que apenas sofre as consequências. Esquecem-se de outros países  deste continente ao sul do equador que arrumaram as suas economias, exceção da decadente Argentina.

O sufoco da crise econômica brasileira atinge todos os setores. Se a inflação deu, nos últimos dois meses, uma espécie de refresco, não está vinculada a nenhuma medida tomada pelo governo da República, principalmente o aumento dos juros pelo Banco Central. Mas, sim, é consequência da economia que não dá sinais de crescimento, pelo contrário, desaba. O balanço de pagamentos está trôpego, com muita importação e pouca exportação (consequência dos preços); a indústria perdeu o ímpeto anterior; o PIB, como dito, está em recessão. A salvação está tão-somente no agronegócio, porque o Brasil é mais agrícola do que industrial.

Mesmo em situação como tal anuncia-se um aumento consistente nos salários dos ministros que estão no andar de cima, em detrimento da planície onde a única saída são as greves para forçar a recomposição de ganhos, a exemplo dos professores e médicos, para lembrar dois itens que estão na pauta de todos os candidatos desta campanha eleitoral - a educação e a saúde. Mas, como será possível cumprir promessas eleitorais se não se leva em conta, antes dos aumentos siderais, o que se passa na economia brasileira? O governo da República e os governos estaduais têm condições de bancar tais ganhos? Não seria melhor aumentar os recursos para o Judiciário, de sorte que transformem a justiça brasileira de empilhadora de processo em um poder eficiente na rapidez dos julgamentos dos feitos?

O percentual do aumento foi anunciado, mas ainda não decidido. Irá ao Congresso. Dilma nada disse sobre a questão porque se o fizesse haveria um grita que atingiria, mais do que os ventos da tragédia de Santos, a sua perspectiva de ter sucesso eleitoral. Sua candidatura iria definitivamente por água abaixo, ou o chamado beleleu. Ao mesmo tempo, este o governo anunciou o aumento do salário mínimo que passa a viger em janeiro.  Será um pouquinho maior do que 8%. A disparidade entre o aumento dos bacanas e do trabalhador é imensa, senão abissal.

Aí está, de forma claríssima, a desigualdade que existe neste País. Entre o salário do topo e o salário da base. Isso se não bastasse há milhões de brasileiros que vivem na pobreza absoluta, abaixo da linha da miséria, em muitos casos. Observe-se o semi-árido baiano onde estão 60% da nossa população, agora, segundo o IBGE, de 15 milhões de pessoas. Observem a penúria da população de Salvador, terceira cidade mais populosa do País. Assim é em todo o Nordeste.

Enfim, o que parece mesmo que há por estas bandas é uma equação que não combina. No planalto dos bacanas, o gatilho do aumento. Na planície dos necessitados, o inverso: o gatilho é o da violência que, de resto, é uma consequência da ausência de um sistema educacional de melhor qualidade, do desemprego e do alastramento da miséria.


*Coluna publicada originalmente na edição deste domingo (31) do jornal A Tarde


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Sábado, 30 de Agosto de 2014 - 10:35

E se Lula voltar ao palco?

por Samuel Celestino

E se Lula voltar ao palco?
Ilustração
Há três dias aqui do BN chamei atenção sobre a possibilidade do retorno da campanha  “volta Lula” para que o seu PT não venha  entrar em derrocada diante das dificuldades que Dilma Rousseff e do seu governo enfrentam,  agora com a economia em recesso técnico,  Guido Mantega à frente do ministério da Fazenda. Ainda está viva a idéia. Só que, agora, com a disparada de Marina Silva, se Lula tentar uma reviravolta terá que pensar dez vezes. Se Dilma perder a eleição  o teto cai sobre o PT, mas se acontecer com o líder e fundador do partido será muito diferente. Com ele comandando a campanha, o que já acontece na República e nos estados, e se vier a tomar o lugar que é ocupado por Dilma e não houver uma reviravolta e ele perder as eleições, o PT corre o risco de virar uma lembrança, porque jamais encontrará um líder com é Luiz Inácio. Nos altos escalões do PT o “volta Lula” é ainda uma realidade, que poderá desaparecer com a última pesquisa Datafolha em que há um empate cravado  no primeiro turno e uma sova no segundo turno, com Marina colocando 10% dos votos à frente de Dilma. Pode-se, no entanto, observar, aqui mesmo no BN, a declaração feita pelo governador Jaques Wagner ao jornal A Tarde, recomendando esperar mais cinco, seis dias. O que acontecerá até lá, a não ser a possibilidade de um retorno ao voto de Lula, cuja data mágica é o sete de setembro? Há sinais, sim. Mas é fato que a pesquisa Datafolha trouxe uma realidade que o PT não esperava. Aí surge o dilema: vale a pena Lula voltar – se for o caso - e apostar todo o seu prestígio de líder carismático?

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