Terça, 01 de Setembro de 2015 - 09:57

Opinião: O orçamento deficitário

por Samuel Celestino

Opinião: O orçamento deficitário
Joaquim Levy e Nelson Barbosa apresentaram o rombo | Foto: Reprodução/ NBR
O governo, diante da reação do Congresso e dos diversos setores da economia em crise, entendeu que a CPMF não passaria na Câmara e preferiu não enfrentar a reação de segmentos variados. Supõe-se, agora, que estava com uma carta na manga, por saber que o imposto que pretendia ressuscitar não teria sucesso. Encaminhou então o orçamento para 2016 ao Congresso com um déficit de R$ 30 bilhões sem informar de onde iria ou irá buscar o superávit, a não ser com a venda de ativos que, se tudo vier a dar certo, chegaria a R$ 50 bilhões. O que na verdade fez foi transferir do executivo, a quem cabe apresentar o orçamento, para a responsabilidade do Congresso, que ficará em dificuldades para conseguir a solução que o Palácio do Planalto não encontrou. Ou seja: o corte de gastos para equilibrar o orçamento do próximo ano ficará a cargo não do Executivo, a quem caberia a missão, mas do Congresso que, desta maneira, terá que descobrir como tapar o buraco, que somente será possível com aumento de impostos. Agora a presidente quer ajuda do PMDB, que está a se afastar pouco a pouco do governo, embora não deseje perder os cargos que tem na gestão. O orçamento marcado pelo déficit poderá levar o país perder a condição de bom pagador a partir das agências internacionais de risco, piorando a situação que se agravou durante os últimos cinco anos pelos gastos excessivos do governo e por uma política econômica fora da realidade posta em prática por Dilma. Assim, o governo deixou o mandu sob a responsabilidade dos deputados e senadores. E lavou as mãos.
Segunda, 31 de Agosto de 2015 - 10:18

Opinião: Perdida no espaço

por Samuel Celestino

Opinião: Perdida no espaço
Foto: Reprodução/ Nasa
A presidente Dilma Rousseff já não sabe onde pisa e aonde vai. Há cerca de dez dias, para melhorar a arrecadação do governo, ressuscitou a velha CPMF sepultada no governo Lula, como mais um instrumento de extorsão ao segmento empresarial já asfixiado, principalmente o setor industrial que foi praticamente desmontado no país, na gestão da presidente. Aliás, a indústria brasileira começou a desabar no governo Lula e ganhou impulso negativo com Dilma. O Brasil dera, então, alguns passos para trás, em consequência da política adotada na era petista que se voltou para os países do continente, especialmente para a Venezuela e Cuba (que recebeu recursos do BNDES). Perdeu, num momento em que a economia evoluía, a oportunidade de expandir-se e estabelecer conversações com países do hemisfério norte no setor de exportações e importações. A presidente está perdida no seu espaço. Não sabe o que faz nem o que quer. Com a grita de diversos setores em relação ao retrocesso da CPMF (antes o imposto do cheque), ela manteve-se teimosamente no mesmo lugar, até que o Congresso Nacional - Câmara e Senado -  anunciou que não a aprovaria. Caiu em si neste domingo ao perceber que se encaminhasse qualquer projeto neste sentido ao Congresso o seu governo seria derrotado com larga margem de votos contra. Nem o que restou da sua base aliada aceitaria a imposição. Sem saída, bateu em retirada e desistiu do imposto, depois de se reunir com alguns ministros.  No próximo ano, anunciou o governo, as despesas serão maiores do que a receita. Óbvio. Com a economia em crise não há outra saída a não ser que o governo resolva cortar seus gastos. A solução está, portanto, na austeridade, no cortar a gastança e não na imposição de mais um imposto ao país, que está asfixiado.  
Domingo, 30 de Agosto de 2015 - 07:40

Coluna A Tarde: Lula ainda se acha

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: Lula ainda se acha
Com a economia em recessão, anunciada na sexta-feira (28), o que já era fato esperado, Lula toma a dianteira e anuncia que poderá vir a ser candidato à presidência da República em 2018. É o único nome disponível no partido que fundou e assim a ele caberá o timão da sua legenda, ora à deriva, com Dilma Rousseff em situação constrangedora. Ela assemelha a uma espécie de presidente de sistema parlamentarista que apenas representa o estado, mas não governa. O que no por ora de melhor faz é pedalar sua bicicleta. Lula anunciou um sonho. Poderá acontecer, ou não. Dependerá, segundo ele, da possibilidade - que no momento viável - de a oposição assumir o poder republicano na próxima eleição.

A última pesquisa sobre um confronto PT versus oposição demonstrou que, no caso de uma candidatura Lula, ele perderia a eleição no segundo turno. De mais a mais, a recessão que o país está imerso, com a queda no segundo trimestre de 1,9%, do PIB, não surpreende, certamente também a Lula, porque, no primeiro trimestre, a economia encolheu 0,7%, configurando-se à época uma recessão técnica. De acordo com a Fundação Getúlio Vargas a recessão técnica já se instalara desde o segundo trimestre de 2014. Significa dizer que a campanha eleitoral de Dilma que a levou ao segundo mandato foi toda ela alicerçada em discurso enganoso, fator que contaminaria o sonho de Lula.

O PT não terá outra saída, senão apresentar candidato em 2018 numa tentativa de soerguer a legenda e nela só há mesmo Lula como nome de destaque, embora também em processo  decadente. O ex-presidente perdeu o brilho. De tal maneira que ele próprio dissera se sentir impedido de frequentar restaurantes em São Paulo, com sua mulher, por temor de ser vaiado.

As figuras públicas estão mesmo sujeitas às vaias quando os fatos se invertem e o período de bonança desaparece. Não se imaginava que a incompetência petista, somada à corrupção que se alastrou como tsunami, levasse o país à situação deplorável que ora se encontra mergulhado numa recessão econômica. De qualquer maneira, se Dilma não ganhasse à eleição ela teria deixado para Aécio Neves um legado exatamente igual ao que se verifica no momento, com uma diferença mercante: como o legado seria uma herança (muito pior da que o PT diz ter recebido de Fernando Henrique Cardoso) o presidente eleito estaria à frente do comando para corrigir os erros e não na condição comparada no primeiro parágrafo deste texto como Dilma na condição de um presidente de sistema parlamentarista, apenas representando o estado e mais nada.

Como estava escrito que assim seria, a população paga um preço amargo e já se fala em novo imposto, a partir do retorno da CPMF, para assegurar recursos à saúde pública. Se  acontecer é possível que não somente a população, mas os setores da produção quase falidos (como o setor industrial, por exemplo) empurrem o governo para as cordas, e o imposto preconizado, piore a economia do Brasil como um todo. Presume-se que a reação à nova sangria tenha um eco maior do que o Palácio do Planalto imagina. A grita já está dentro do Congresso e dificilmente o imposto passará. Pelo menos esta é a reação que se observa entre os parlamentares.

As dificuldades para o governo Dilma só fazem aumentar. Com a recessão instalada e a ideia do novo imposto, o vice Michel Temer ficou não somente ficou indignado – até porque ele não tinha conhecimento do renascimento da CPMF -  que  o projeto, no seu entorno, foi logo batizado de “projeto do impeachment”. Enfim, complica-se a cada momento a situação do país, que poderá levar Dilma de roldão se as contas da sua campanha eleitoral forem dissecadas pelo Tribunal Superior Eleitoral, que já tem maioria a dos seus ministros (quatro contra três) favoráveis. Se o TSE esmiuçar as contas, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, reconduzido a novo período, acompanhará o processo.  Enfim, aí está outro problema para dificultar o desejo de Lula.


* Coluna publicada originalmente na edição deste domingo (30) do jornal A Tarde

Quinta, 27 de Agosto de 2015 - 07:40

Coluna A Tarde: A agonia de cada dia

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: A agonia de cada dia
A cada dia torna-se mais complicada a crise político-econômica do país. Assim posto, não há sinais visíveis de arrefecimento e deve continuar nesta batida até o segundo semestre do próximo ano, com probabilidade de que perdure por tempo maior. A crise está dentro do governo, que não soube detectá-la do início do ano passado, certamente para não prejudicar a reeleição. Agora avança para devorar - nunca se sabe - os mandatos de Dilma e Michel Temer, a partir do Tribunal Superior Eleitoral, que aceitou um dos quatro processos movidos pelo PSDB, deixando o governo em dificuldades.
 
Dos sete ministros do TSE, quatro - a maioria, portanto - votaram contra a presidente e o vice.  Em posição contrária ficou a relatora, ministra Maria Tereza. O presidente do Tribunal, Dias Toffoli, ainda não votou (será o último a fazê-lo), e a ministra Luciana Lóssio pediu vistas ao processo.
 
Portanto, com quatro votos a favor do processo pronunciados pelos ministros Gilmar Mendes, João Otávio Noronha, Luiz Fux e Henrique Neves, contra três, cabe a minoria tentar ganhar tempo. A maioria, no entanto, está fechada. Para Dilma significa que poderá haver cassação. Mais ainda: o ministro Gilmar Mendes pediu, também, a investigação da campanha eleitoral da presidente pelo Ministério Público, Polícia Federal e pelo próprio TSE.
 
Desconfia Mendes que a campanha tenha sido financiada, em parte, por recursos oriundos da corrupção a partir do “petrolão” e, pelo menos, uma das empresas financiadoras foi apontada como fantasma. O governo se defende. Alega que o TSE já tinha aprovado as conta. É um argumento que pode não ter significado, na medida em que as contas podem ser reabertas em razão dos processos movidos pelo PSDB.
 
Assim, sai de pauta o impeachment que a Câmara dos Deputados, a partir do presidente denunciado pelo procurador-geral da República deseja votar, e entra em cena o Tribunal Superior Eleitoral. O TSE poderá vir – é uma presunção  –  anular a eleição de outubro, levando os mandatos  da presidente Dilma Rousseff e do seu vice, Michel Temer, que seria o beneficiário no caso do impeachment,  como aconteceu na ascensão de Itamar Franco à presidência, no episódio que derrubou do poder o atual senador Collor de Mello.
 
É uma  situação muito complicada. Só de imaginar que, no caso de anulação, ascenderia o terceiro na linha sucessória do poder, justo o deputado presidente da Câmara, Eduardo Cunha  (se até lá não for cassado), causa arrepio em qualquer cristão.
 
Gilmar Mendes teria encontrado irregularidades na prestação de contas da campanha presidencial e, já com maioria de votos no tribunal, competirá à defesa (no caso Dilma e Michel) apresentar provas que contestem a posição do ministro. Observe-se que a crise está no executivo e no legislativo. Não em alguns tribunais superiores do judiciário brasileiro com a missão de julgar. O Supremo Tribunal Federal, STF, espera o seu momento para entrar em cena, que virá a partir das denúncias do procurador-geral, Rodrigo Janot, em relação aos 52 parlamentares que pretende denunciar. Enquanto isso no Paraná o juiz Sérgio Moro é o único bastião, por ora, em defesa da ética e moralidade públicas.
 
 A acareação entre o doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto, primeiro aceitar a delação premiada, levou Youssef a declarar, por provocação de um parlamentar, que o ex-presidente Lula e a presidente Dilma Rousseff  tinham conhecimento do que acontecia na Petrobrás. Também denunciou o recebimento de propina por Aécio Neves, contestada na manhã de ontem pelo PSDB.
 
Todo este caudal de denúncias envolvendo corrupção,  somado à crise, dá uma triste dimensão do Brasil de hoje.
 
* Coluna originalmente publicada na edição desta quinta-feira (27) do jornal A Tarde
Terça, 25 de Agosto de 2015 - 09:59

Opinião: O jantar do horror

por Samuel Celestino

Opinião: O jantar do horror
Foto: Reprodução/ GShow
Na noite desta segunda-feira (25), de acordo com informações captadas pelo jornalista de 'Folha de S. Paulo', Josias de Souza, numa reunião do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PDMB-RJ), com líderes partidários, ele teria dito que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), será alcançado pela Lava Jato, por novas delações. É possível que tenha razão. Cunha foi denunciado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Calheiros não é flor que se cheire. Supõe-se mesmo que esteja enrolado, mas, em outra hipótese, pergunta-se por que Cunha colocou Calheiros na alça da sua mira. Como a conversa ocorreu num jantar na residência oficial da Câmara, talvez ele esteja torcendo para que o fato venha a acontecer de sorte a não ficar sozinho no cenário da corrupção, o que ficará claro se o STF aceitar a denúncia de Janot e ele passar à condição de réu de um processo que, provavelmente, o levará a deixar a presidência da Câmara. Cunha disse na reunião que Renan Calheiros e Dilma Rousseff, ainda segundo o jornalista, fizeram um trato para “garantir proteção mútua”. Também pode ser. Afinal, o presidente do Senado inesperadamente juntou-se à presidente Dilma e passou a ser dela um aliado, alijando Eduardo Cunha que perdeu a força que antes detinha. O parlamentar teria falado como se “dispusesse de informações privilegiadas” e disse mais que “outros líderes peemedebistas” ficarão também em situação complicada. Como não consta que o deputado Eduardo Cunha tenha um oráculo particular, presume-se que ele tenha dito por ter rompido suas relações com Calheiros. De qualquer maneira, ofereceu um jantar do qual seus convidados de lá saíram atemorizado com as revelações que poderão alcançá-los. Jantar do horror.
Domingo, 23 de Agosto de 2015 - 07:40

Coluna A Tarde: A crise só começou

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: A crise só começou
O que se observou na final da tarde de quinta-feira (20) no Congresso Nacional, a partir das denúncias do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao STF, contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e o incorrigível senador Fernando Collor de Mello, havia, embutido, um toque de jogo político. As denúncias poderiam ter sido feitas na quarta. Já estavam prontas, mas Janot mirou em mais dois alvos:  1- segurou a repercussão até o final da tarde de quinta por saber que, como sempre acontece, na sexta-feira o Congresso se esvaziaria e o retorno dos parlamentares, como sempre, só acontecerá na próxima terça-feira, tempo suficiente para diminuir o impacto da denúncia; 2- na quarta-feira desta semana ele será sabatinado no Senado e provavelmente será questionado sobre o acontecimento. As denúncias já terão, então, sido digeridas.

A sabatina de Janot será eletrizante. Não haverá registro sobre outra igual, até então. Ele a enfrentará mais do que nunca ciente das suas responsabilidades de procurador-geral da República. Afinal, soltou as denúncias no final da tarde de quinta-feira, muito antes, portanto, da sabatina, de modo a enfrentar as perguntas dos senadores de cabeça erguida. O assunto orbita agora na expectativa de uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Fez o que lhe competia e lavou a alma.

Demonstrou grandeza para continuar no cargo ao enfrentar o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e o desastrado Fernando Collor, um marco indecente na democracia brasileira. Bem provavelmente, o ex-presidente que renunciou depois do impeachment, e voltou à cena política supõe-se para continuar saqueando a República. Collor é a figura política nacional do desprezo, da malandragem, capaz de ocupar a tribuna do Senado para pronunciar um discurso e, de lá xingar baixinho, quase sibilante,  a mãe do procurador. Ao fazê-lo no sibilo dos covardes, demonstrou o que o país sabe o que ele é: um personagem menor.  

O final da semana que passou agitou a República imersa em crise política e econômica e abriu espaço para os novos fatos desta semana que chega. A sabatina de Rodrigo Janot provavelmente o terá como vencedor. Faz parte do jogo questionamentos que a ele serão feitos. Serão perguntas da oposição sobre os motivos que teria para não denunciar, também, o presidente do Senado, Renan Calheiros, e alguns petistas, assim como os “companheiros” de Collor irão tentar fustigá-lo. Tanto numa questão como noutra Janot poderá safar-se dizendo que não poderia enfrentar os sabatinadores sem, antes, entregar ao Supremo as denúncias contra Cunha e Collor. As demais seguirão já no seu segundo mandato na procuradoria-geral da República, na medida em que na quinta-feira teve início a fase  - esperada - que alcançará os políticos, quando presumivelmente o país ferverá diante de tanta corrupção.

Esta segunda fase colocará o Congresso em ebulição. Como o número de políticos que serão denunciados roça os 50, pelo menos foi o que Janot adiantou, ficará uma pergunta no ar: se tantos se beneficiaram das negociatas envolvendo a Petrobras, como o governo poderá manter a sua postura segundo a qual não sabia de nada sobre o “petrolão”?  E o que fará o Senado e a Câmara com os parlamentares que serão denunciados? Os encaminhará à guilhotina para que percam seus mandatos e possa-se fazer uma limpeza “básica” na política nacional? Ou as duas casas deixarão o tempo correr temendo o pior?

Complica-se a situação. Por ora, Rodrigo Janot ao remeter ao STF as cabeças de figurões importantes, fez a sua parte. O que virá dependerá do Supremo. Se cair o presidente da Câmara, como é muito possível que aconteça os parlamentares que serão listados em outras denúncias não ficarão de pé. É o que se espera.


* Coluna originalmente publicada na edição deste domingo (23) do jornal A Tarde

Quinta, 20 de Agosto de 2015 - 07:50

Coluna A Tarde: O Brasil é muito maior

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: O Brasil é muito maior
Depois das manifestações do último domingo (16) nas grandes capitais do país, o Palácio do Planalto fez o que já deveria ter feito nos movimentos anteriores. Acossado, o governo Dilma passou a entender, mesmo quando a presidente Rousseff e Lula foram os principais alvos dos manifestantes, que se tratava de uma questão própria da democracia. O governo silenciou e, pelo silêncio tentou, com relativo sucesso (por ora), não medir forças com o grito das ruas. Reconheceu que o melhor a fazer seria ficar na defensiva. Lula desapareceu, o PT se encolheu e esperou que a democracia corrigisse os erros e as crises que se espraiaram pela combalida economia e pelo segmento político complicado. A economia vai demorar a restabelecer o seu caminho, mas a crise política só dependia do Senado e da Câmara. Enfim, do Congresso Nacional.

É isso o que no momento está a ocorrer. Os políticos entenderam o recado das manifestações do último domingo e trataram de se ajustar durante esta semana nas duas casas congressuais. De certo modo, a correção teria que vir exatamente do segmento político, porque Dilma Rousseff se transformou numa marionete com pouco significado, na medida em que os equívocos partiram justamente dos erros e das mentiras cometidos durante o período da sua campanha presidencial que a levou ao segundo mandato. Foram ela e o PT que geraram a crise e a depravada corrupção que colocou o Brasil nas manchetes de primeira página da grande mídia internacional.

Os partidos de oposição passaram também a entender que a democracia brasileira não depende de impeachment nem da renúncia da presidente, mas justamente o contrário do que se imaginava: o sistema terá que ficar inteiro. Se existe uma marionete, que ela permaneça sem cometer ruídos no Palácio do Planalto, com seus ministros também calados. Quanto menos movimento vindo do executivo melhor, porque de certo modo quem cuidará da correção serão o Legislativo e o Judiciário.

Observa-se uma lavagem sem precedentes na corrupção desmedida, através da Operação Lava Jato, graças a um acordo que somou um juiz até bem pouco desconhecido, Sérgio Moro, a Polícia Federal, o Ministério Público e seus procuradores e agora se espera, na fase dos políticos que se iniciará mais adiante, que o Supremo Tribunal Federal cumpra o papel que lhe cabe, já iniciado no mensalão do governo Lula e que acabou enveredando pelo “petrolão”.

Enfim, as linhas tortas escritas por uma presidente incompetente poderão ser corrigidas pelo cumprimento da Constituição de 1988 que transformou o país numa democracia moderna. É por aí que o país terá que se impor ao mundo para afirmar que, apesar de tudo, o Brasil seguirá adiante. O seu futuro terá que ser muito maior do que isso que hoje se observa.


* Coluna originalmente publicada na edição desta quinta-feira (19) do jornal A Tarde

Quinta, 20 de Agosto de 2015 - 07:50

O PT pirou

por Samuel Celestino

O PT pirou
Foto: Divulgação
É muito provável que o prefeito ACM Neto esteja a rir com a estranha decisão, desconexa em todos os sentidos, do diretório do municipal do PT que foi buscar na sua sacola de candidatos seis nomes para a escolha de um deles e lançá-lo candidato a prefeito de Salvador nas eleições do próximo ano. A estranha e esdrúxula decisão surpreendeu. Em plena crise nacional do partido que coloca em xeque Lula e Dilma, como se observou nas manifestações de domingo em praticamente todas as capitais. Houve exceções, claro. Uma delas sobrou para o diretório municipal de Salvador. A legenda parece ter pirado de vez. Dos sete nomes pinçados, alguns foram derrotados nas últimas eleições, como Yulo Oiticica. Nelson Pelegrino parece ter desistido de vez do sonho de ser prefeito. Já o senador Walter Pinheiro está prestes a chutar a barraca petista. Outros mais foram listados sem a menor possibilidade de, sequer, se apresentar como candidatos em condições mínimas de derrotar o atual prefeito. De ponta cabeça não está apenas o PT de Lula, enfrentando dificuldades inimagináveis (para ele), mas o agrupamento de Salvador, que, por não sabe o que fazer – perdoa-se, portanto. Arrebanhou o seu saco de gatos a demonstrar que, pelo menos nesta capital entendem – é o que se supõe – que eles, os gatos, estão vivos. Não só. O PT municipal sequer consultou seus aliados. Ora, disputar a prefeitura de Salvador não se resume num projeto ridículo, fora de tempo, que deve ter causado espanto no governador Rui Costa, que aparece bem nas pesquisas de opinião. Pelo que se sabe, ele trabalha para, se possível, conseguir eleger aliados (independente do PT ou não) nos principais municípios da Bahia onde acontecerão dois turnos nas eleições municipais do próximo ano. Se o PT municipal não consultou o governador, deveria tê-lo feito, para que ele não se arrepiasse com os integrantes da legenda na capital. Interne-os, portanto, num manicômio apropriado a políticos banzos.
Terça, 18 de Agosto de 2015 - 07:21

Cidade: Piedade à Praça

por Samuel Celestino

Cidade: Piedade à Praça
Foto: Bahia Notícias
É certo que o prefeito ACM Neto tem se preocupado em recuperar o centro histórico da antiga Salvador, mas não há justificativa para o aparente desprezo à Praça da Piedade, que surgiu no século XVII e já foi a principal da Salvador de outros tempos. Hoje, embora haja uma preocupação com a recuperação da Avenida Sete, que corta a cumeeira da cidade alta, da Praça Castro Alves, antiga Praça do Teatro, na direção do Corredor da Vitória, seguindo em direção à Ladeira da Barra, a Praça da Piedade está tomada pelos ambulantes.  Já não se enxerga a sua beleza porque já não é visível a quem toma o caminho da Rua Chile e da Sé. Não se justificativa a indolência. A Piedade, com suas duas igrejas – a de São Pedro e a de Nossa Senhora da Piedade - quer contar a sua história. Foi lá que os quatro mártires da Conjuração Baiana foram enforcados, esquartejados e expostos, nos idos de 1799. Na ligação entre a rua Carlos Gomes para chegar à bela praça, onde estão o Instituto Geográfico e Histórico da Bahia e o Gabinete Português de Leitura, passaram os conjurados numa rua que ganhou o nome de Rua da Forca, onde se concentram também os ambulantes. A preservação da história de Salvador não permite, mesmo que seja por pouco tempo,  que nossa história fique escondida, sem a visão de monumentos como o chafariz que centraliza a praça, preservada pelo gradil do artista plástico Caribé, argentino de nascimento, mas baiano como Jorge Amado. Tirem de lá quem a ocupa e a esconde, em respeito à tradição e os que lá foram sacrificados por enforcamento, esquartejados e expostos ao público. Nem que a prefeitura possa vir a dizer que a ocupação será por curto período. Nem pouco, nem muito. Respeito à história, antes de tudo.
Segunda, 17 de Agosto de 2015 - 15:03

Financial fala em 'grande incompetência de Dilma'

por Samuel Celestino

Financial fala em 'grande incompetência de Dilma'
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil
O jornal britânico Financial Times abre espaço nesta segunda-feira (17) para dar ampla visibilidade à crise brasileira a partir das manifestações deste domingo (16) em diversas capitais brasileiras. Diz a edição, em editorial, que “um esquema de corrupção alastrado na Petrobras e investigado por procuradores independentes com admirável vigor, tem revelado quão venais são os políticos brasileiros, especialmente do Partido dos Trabalhadores”. Em sequência lembra “que mais de US$ 2 bilhões foram desviados” para destacar a fraqueza da presidente Dilma na condução da república. Acentua: “Como a senhora Rousseff era presidente do conselho (deliberativo da petroleira) quando muito dessa corrupção teve lugar, ela pode ser culpada pelo menos de grande incompetência”. Informa ainda, entre diversas análises que “não há nenhuma acusação contra a presidente.” Arremata mais adiante “que há acusações de desrespeito às regras de financiamento eleitoral e maquiagem das contas públicas” e que as duas acusações poderiam levar a um impeachment, “mas tudo isso aconteceu no primeiro mandato”.

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