Quinta, 05 de Maio de 2016 - 10:09

Fora de cena, Cunha responderá processos

por Samuel Celestino

Fora de cena, Cunha responderá processos
Foto: Lula Marques / Agência PT
Demorou, mas afinal desmoronou a “tranqüilidade” de Eduardo Cunha, por decisão em liminar do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Teori  Zavascki, que o apeou nesta quinta-feira (5) da condição de deputado e presidente da Câmara Federal. Seguramente, é e permanecerá sendo o político mais detestado da República pela sua arrogância, além de formar um grupo de seguidores de terceira categoria na Câmara, que fazia o que determinava. Tido como um dos maiores corruptos do País (dentre muitos) foi o procurador Geral da República, Rodrigo Janot, que encaminhou ao STF nada menos de 11 desvios por ele cometidos, passando a responder a processos em diversas instâncias. A queda de Cunha que era esperada para hoje à tarde, levou o ministro Zavascki a se adiantar por estar em suas mãos um pedido feito em dezembro de 2015 pela Procuradoria Geral da República. Distanciado do seu mandato de parlamentar e da presidência da Câmara, ele comandou o processo de impeachment de Dilma Rousseff, e nesta manhã acabou por fazer uma bondade inesperada ao possível presidente Michel Temer, que agora fica livre dele. Era tudo o que queria. Seria um estorvo para sua possível presidência, na medida em que Cunha era freqüentador assíduo do Palácio do Jaburu, onde constantemente era visto. A limpeza do País, assim, está sendo comandada pelo STF e certamente a derrocada do agora ex-presidente da Câmara terá repercussão internacional porque era exatamente o que se desejava. É um motivo a mais para se entender que este processo de limpeza, iniciado a partir da Lava-Jato, não tem volta. Falta ainda desmantelar a corrupção política dentro do Congresso que afronta a nação. Chegará a hora que acontecerá. 
Quarta, 04 de Maio de 2016 - 11:17

A estranha 'depressão' de Lula

por Samuel Celestino

A estranha 'depressão' de Lula
Foto: Rovena Rosa/ Agência Brasil
Vem da coluna de Mônica Bergamo uma informação, ainda não confirmada, segundo a qual o ex-presidente Lula estaria atravessando um período de depressão, o que teria sido o real motivo para que ele não acompanhasse a presidente Dilma Rousseff ao Anhangabaú, no Primeiro de Maio, Dia do Trabalhador. Lula alegou para não estar presente, uma rouquidão, e sem condições de discursar. Pareceu mesmo estranho, na medida em que a sua decisão foi de última hora. A questão presumivelmente, ainda de acordo com a coluna, seria um desentendimento entre ele e a presidente, ou alguma coisa como um desacordo. Por cima, D. Marisa quer distância de Dilma. As duas não se relacionam. Há alguns meses, Lula se afastara do Palácio do Planalto e só retornou diante das dificuldades da presidente como, também, em razão de ele necessitar de cobertura, como ministro da Casa Civil (o que não aconteceu), para não ser preso pela Lava-Jato. O caso acabou indo para o Supremo Tribunal Federal, escapando do juiz Sérgio Moro. Pode estar por aí a depressão na qual Lula estaria mergulhado. Como, supostamente, ele está envolvido com empreiteiros e com o caso da Petrobras, que foi saqueada, a sua situação está muito distante de ser boa. Sua prisão poderá voltar à baila a qualquer momento depois da saída de Rousseff, se isto vier a ocorrer, provavelmente na próxima semana. O fato é que Lula se distanciou da presidente nos últimos 15 dias. A informação teria sido levada à coluna de Bergamo por um amigo próximo do ex-presidente.
Terça, 03 de Maio de 2016 - 12:11

Para Janot, Dilma prevaricou

por Samuel Celestino

Para Janot, Dilma prevaricou
Foto: Lula Marques/ Agência PT
A presidente Dilma Rousseff chega ao final do seu mandato com problemas pessoais e políticos que terá dificuldades para deles se afastar. Mesmo assim, mantém-se altiva como nesta terça-feira (3) aconteceu, ao acender a tocha olímpica e dizer que a que a crise política não atrapalhará os Jogos. Não teria outra coisa a falar, senão isto. De certo modo, os Jogos já estão prejudicados pelo final do seu governo melancólico. Até aqui, quase três meses antes do acontecimento, as atenções estão voltadas exclusivamente para a crise. De tal sorte é que vazou para a mídia uma decisão do procurador Geral da República, Rodrigo Janot, em processá-la no Supremo Tribunal Federal (STF), juntamente com Lula, o ministro Aloizio Mercadante e o ministro Marcelo Navarro, este do STJ. Entende Janot que a presidente teria cometido crime de prevaricação ao tentar esconder os problemas envolvendo a Petrobras, relatados pelo delator Delcídio do Amaral, numa tentativa de favorecer os empreiteiros das fortíssimas empresas que comandaram o assalto. Por aí se vê a que ponto chegou a presidente. Ela poderá vir a responder processo no STF, se for acatada a abertura do inquérito. Enfim, Rousseff planeja deixar o governo, provavelmente no dia 12, descendo a rampa do Palácio do Planalto. Faz parte. Até porque ela só deixará de ser presidente se for julgada, e condenada, no prazo de 180 dias.
Segunda, 02 de Maio de 2016 - 10:36

Opinião: Últimos suspiros do governo Dilma

por Samuel Celestino

Opinião: Últimos suspiros do governo Dilma
Foto: Valter Campanato/ Agência Brasil
Esta semana será decisiva para que o Senado determine a sorte de Dilma Rousseff, mas somente na outra – lá para quarta ou quinta-feira – ela poderá ser apeada da Presidência da República. Em torno dos dias 11 e 12. Chega-se ao fim de uma era marcada pelo petismo, prevendo-se uma mudança radical, a partir de novas ideias e novos comandos. A evolução democrática é determinada por projetos diferenciados de partidos no poder e o PT cumpre a sua fase de 13 anos e meio, com Lula e Dilma. Para uma democracia nova, como a brasileira, dois impeachments em 24 anos é um fato constrangedor, ambos envolvidos com questões economiacas , principalmente éticas e morais. Mesmo assim, o processo democrático marca força porque mantém o seu ritmo, quando, no exterior, havia dúvidas em relação a distúrbios, a partir das manifestações de rua que aconteceram dentro da absoluta normalidade. A presença de um novo governo é esperada com a manutenção da ordem econômica, mas, sobretudo, com apoios políticos que possam levar o País a outros caminhos, o que não aconteceu com Rousseff, que imergiu no desgoverno desde o início do ano passado. Esperam-se mudanças que recuperem o processo de crise que assola o País, que atingem indiscriminadamente todas as classes sociais.
Sexta, 29 de Abril de 2016 - 11:04

Opinião: Muda a governabilidade petista

por Samuel Celestino

Opinião: Muda a governabilidade petista
José Serra é cotado para Relações Exteriores | Foto: Wagner Ramos/SEI
Como que estava previsto, o futuro presidente Michel Temer deve dar ampla prioridade ao setor econômico, atraindo países do primeiro mundo para investimentos no Brasil a partir de acordos comerciais, e não aos países emergentes, política que foi adotada pelo petismo iniciado por Lula, com sequência no governo Dilma. Isso não significa que os emergentes da America Latina fiquem de fora, mas não estarão como foco principal. Com a economia brasileira em parafuso, talvez seja este um caminho acertado para que, ao atrair os investidores externos, o setor econômico passe a reagir positivamente. Temer está mergulhado na formação de um ministério com 25 nomes, e não os 32 que existem no momento, daí porque se centrou na sua equipe principal, que será o seu ponto de apoio do governo. Ele definiu os quatro nomes mais importantes: o ministério da Fazenda estará com Henrique Meireles; Romero Jucá no Planejamento; Moreira Franco (seu aliado de há muito) numa supersecretaria importantíssima, e o tucano José Serra no ministério de Relações Exteriores. Nos dois governos petistas, principalmente no que se finda com Dilma Rousseff, este último ministério ficou escondido, mas será importantíssimo com Serra no comando. Ele ficará encarregado de trazer investidores de países desenvolvidos. Enfim, o ministério de Relações Exteriores mudará as suas funções que passarão a ter foco na economia e não de simples relacionamento. Trata-se de um jogo de comando que poderá ter sucesso. Se tal vier a ocorrer, a mudança de governabilidade ficará centrada nestes quatro ministérios que terão grande força, sem se esquecer, naturalmente, dos ministérios da Saúde e da Educação, básicos em qualquer circunstância. A mudança na forma de governar não terá nada a ver, portanto, como a era petista.
Quinta, 28 de Abril de 2016 - 10:28

Opinião: A reeleição pode acabar

por Samuel Celestino

Opinião: A reeleição pode acabar
Os três últimos presidentes foram reeleitos | Foto: Reprodução/ Jornal GGN
Quando a reeleição foi implantada no País no governo Fernando Henrique Cardoso, que pretendia ficar – e ficou – oito anos no poder, o sistema jamais deu certo. Se seus primeiros quatro anos foram positivos, os seguintes, não. FHC, portanto, errou. Veio o governo Lula que, logo no início ele próprio o atropelou com o “mensalão” que abalou o seu mandato. Dilma fez o primeiro quadriênio, se reelegeu, mas está de saída, como ela própria reconhece, isolada que está no Palácio do Planalto, enquanto a República fica à deriva. Não completará o seu mandato. Temer fará o complemento se o impeachment acontecer. Oito anos de mandato nunca foi uma tradição por estas bandas, daí porque volta e meia a questão vem à baila, como agora ocorre. Por ter um mandato curto, Temer poderá reimplantar a tradição, não com quatro anos, mas sim com cinco para o Poder Executivo. Em conversas com aliados é o que está propondo. Até para agradar o PSDB, que deverá integrar o seu ministério de modo a facilitar a governabilidade. Chega a bom tempo se levar à frente. Como será necessário realizar reformas estruturantes em diversas áreas, as possibilidades de mudanças ficam abertas, modificando pontos constitucionais. Michel Temer terá apoios político-partidários, o que Dilma perdeu. Fica, assim, muito mais fácil para ele governar o País em crise, até chegar ao fim do seu período em 2018. Tem todas as condições de realizar um mandato que deixe marcas, porque pior do que está é praticamente impossível, diante da realidade que o Brasil enfrenta, sem se afastar do processo democrático, o que demonstra um grau de amadurecimento do País. O PT pretende fazer oposição sistemática, depois de sair do comando, o que é do seu direito. Dilma vai se afastar, mas continuará como presidente da República por 180 dias, até que seu processo seja julgado. As possibilidades não são grandes para o seu retorno, principalmente se o possível futuro governo der certo. Parte do princípio que terá apoios políticos, como já se observa, mas a tarefa maior será cuidar da economia e diminuir, através dela, o desemprego que se alastra em todos os estados federativos.
Quarta, 27 de Abril de 2016 - 10:27

Mariz perde ministério por falar demais

por Samuel Celestino

Mariz perde ministério por falar demais
Foto: Divulgação/ STF
Depois que a 'Folha de S. Paulo' estampou na sua manchete de primeira página desta quarta-feira (27) que o advogado Antônio Mariz de Oliveira, candidato sondado para ocupar o Ministério da Justiça, dissera, em entrevista na noite de segunda, que “a Polícia Federal não deveria ficar centrada em delações premiadas e procurar outros focos para combater a corrupção”, nesta manhã o provável sucessor de Dilma, Michel Temer, tomou a sua primeira decisão em relação ao seu ministério: “ele está fora da equipe”. E mandou que fosse avisado. Se a equipe ainda não foi formada e há, por ora, apenas ensaios sobre ela, Mariz entendeu que ele seria o ministro da Justiça. Colocou-se no cargo antecipadamente e fez uma declaração que não o competia. Temer dissera à imprensa que iria ficar em silêncio até que houvesse uma decisão do Senado, que apenas começa a analisar o processo de impeachment e deve concluí-lo lá para o dia 6 de maio. O ex-futuro ministro escorregou na sua antecipada declaração e perdeu o posto que imaginava ser seu. Os antigos costumavam dizer que “política é boca fechada e pé ligeiro”. Não houve, no caso, nem uma coisa nem outra. Temer tem popularidade baixa, não é simpático (Dilma também não), mas é considerado um político competente. A sua primeira missão é formar um ministério de peso e governá-lo para tentar tirar o País da crise. Demonstra, agora, que toma decisões imediatas e isto é positivo, como ocorreu em relação ao boquirroto advogado Antônio Mariz. Convém esperar o que virá adiante.
Terça, 26 de Abril de 2016 - 10:13

Opinião: Tirar o País da lama só com reformas

por Samuel Celestino

Opinião: Tirar o País da lama só com reformas
Foto: Lula Marques / Agência PT
Apenas como peça de retórica, o PT mantém a tese de virar o jogo do impeachment mesmo que poucos, muito poucos, integrantes da legenda pensem desta forma. Ao contrário, entendem que o jogo está chegando ao fim e lá para o dia 15 de maio, a presidente deixará o Palácio do Planalto, afastada por 180 dias, para cumprir o seu exílio político, provavelmente para nunca retornar. É o que parece estar escrito. Surgem diversas teses sobre o que ocorrerá com a queda de Dilma. Em primeira hipótese, a primeira votação dos integrantes do Senado, justo lá para o dia 15, os votos da maioria determinarão o afastamento de Rousseff e Michel Temer chegará ao poder. Não se pode crer que o mandato do novo presidente venha ser pior do que este. O governo está paralisado, envolto em crises econômica e política avassaladoras. O desemprego avança, a indústria desaba, o comércio segue no mesmo ritmo, enfim estamos todos mergulhados no caos como cidadãos de um País endividado. O governo está desarrumado, aliás, não se pratica governo, até porque Dilma está pensando, exclusivamente, no que a rodeia. Já não tem nome de destaque num ministério de terceiro escalão, e até Lula entrega os pontos. Saídas já não existem. A presidente pensou atrasada na possibilidade de enviar ao Congresso uma proposta de eleições nacionais em outubro, juntamente com as eleições municipais, mas já não há como, na medida em que teria que ocorrer eleições também para deputados federais e senadores. A proposta gorou lá atrás. No momento, o PT imagina estabelecer uma estratégia para azucrinar o provável governo Michel Temer. A idéia surgiu dentro da legenda. Seria a formação de uma espécie de “governo paralelo”. Ora, se num governo legítimo como o de Dilma que ainda o é, embora quebrado, o que ela faria a partir deste “tal governo paralelo?" Seria montado dentro do Palácio Alvorada, onde ela possivelmente ficará enquanto "exilada"?. Não dá para acreditar numa proposta sem o menor sentido. O novo governo que surgirá, supõe-se com um ministério capaz, poderá consertar os erros cometidos pelo petismo, de sorte a dar ao País reformas necessárias - fiscais e estruturais - para reverter a situação na qual o Brasil se perdeu.
Segunda, 25 de Abril de 2016 - 11:08

Opinião: O PT joga a toalha

por Samuel Celestino

Opinião: O PT joga a toalha
Foto: Reprodução/ Godllywood
O provável futuro presidente, Michel Temer, terá maioria no Senado. A Comissão Especial inicia na tarde desta segunda-feira (25) o processo de votação do presidente e do relator, já indicados. Serão respectivamente Raimundo Lyra (PMDB) e Antônio Anastasia (PSDB), mas a Comissão só começará, de fato, a trabalhar amanhã, como já anunciado. Temer está com um olho no Senado e outro na organização do seu governo que, por ora, não encontra facilidades, principalmente com dois partidos, o PSDB e o PSB. Ambos preferem ficar de fora, mas acontece que a improbabilidade é muito maior. Desejar é uma coisa e ficar é outra. O que o PSDB quer é retornar ao poder em 2018. Sobre o PSB não se sabe. Acontece que o tucano José Serra é cotado para ser ministro do Planejamento de Temer. O futuro governo procura melhores quadros para os cargos importantes, por ter a obrigação de tirar o País do lamaçal e é tudo o que se almeja, para que não haja um desastre total da República. Serra, assim, pode fazer uma dobradinha com o ministro da Fazenda, ainda não definido, e criar condições parar o soerguimento nacional. Como até o PT está jogando a toalha em relação ao impeachment de Dilma, por saber que não há escapatória - decisão que é prevista internamente entre os senadores - cuja maioria aumenta a cada dia. A tendência do partido, ora no governo, é murchar e passar a ser oposição. Mesmo assim não ficará bem na fita, por estar a descer a ladeira, envolvido na corrupção que alcança até o seu líder máximo, Lula. Esta segunda-feira foi aberta com a possibilidade de que ele poderá vir a ser preso envolvido com tramoias que teria se iniciado lá no Mensalão e imbicou no Petrolão.
Quarta, 20 de Abril de 2016 - 10:28

Os planos de um espertalhão

por Samuel Celestino

Os planos de um espertalhão
Processo de impeachment chega ao Senado | Foto: Jane de Araújo/ Agência Senado
A comissão do Senado para análise do pedido de impeachment, que dará a largada na próxima segunda-feira (25), deixa a presidente Dilma Rousseff (PT) sem saída. A oposição terá a maioria dos seus integrantes na comissão. Se assim for, quem a segue não terá forças para ajudá-la na decisão, que será por maioria simples de votos (metade mais um). Era mesmo de se esperar, tal como aconteceu na Câmara dos Deputados, lá por maioria absoluta. O impeachment será fatal, a não ser que haja mudanças no seu curso durante os embates no Senado, com chances pequenas de ocorrer. O problema maior se vincula agora ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que passa a ameaçar Michel Temer (PMDB), não diretamente e, sim, através de seus seguidores. A alegação é de que ele o ajudou na decisão do impeachment no domingo, e quer, em troca, que o provável presidente fique em silêncio em relação à Comissão Ética da Casa, que tenta cassar o seu mandato. Temer, até chegar à Presidência, não tem mesmo o que dizer, até porque até lá ele ficará em silêncio, como já declarou. Esta briga não é de agora. Cunha encontrou uma forma, através do seu vice-presidente, Waldir Maranhão, de amordaçar a Comissão e a briga passa a ser aí, criando dificuldades de todos os tipos para a cassação do seu mandato. O presidente da Câmara tem um processo em curso no Supremo Tribunal Federal. O ministro Teori Zavascki não sabe quando o colocará em pauta para o julgamento na Corte. Seus planos estão, como se observa, de vento popa. Trata-se de um espertalhão.

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