Com Samuel Celestino

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Curtas do Poder

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Não é por nada, mas até hoje não me recuperei do susto que levei quando soube, na última sexta-feira, lá em Mar Grande, desse balaio de gato que fizeram na chapa do Soberano. Soube que Geddel indicou Joaci de pirraça, pois o sujeito não tem voto. Independentemente da motivação, só imagino o velho ACM se remexendo todo no caixão. Se estivesse vivo o senador daria um ataque, até porque a chapa de Wagner é mais fiel aos princípios carlistas do que a de Neto. Como ACM, o avô, não está mais entre nós, vai aí um conselho de camarada para o soberano: evite centro espírita, terreiro de candomblé ou coisa que o valha. É capaz de o velho baixar e o resultado é imprevisível. Confira mais notícias dos bastidores da política nas Curtas do Poder!

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Com a candidatura anunciada oficialmente quatro meses após a divulgação do nome petista para a concorrência à sucessão ao governo do Estado, o escolhido da “união das oposições”, o ex-governador Paulo Souto (DEM), considera “legítimas” as aspirações do ex-prefeito de Mata de São João, João Gualberto (PSDB), e do ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB) a encabeçar a chapa majoritária e acredita que o gestor de Salvador, ACM Neto (DEM), foi “um grande árbitro” na condução do processo de escolha. “Dificilmente se poderia desejar algo mais forte, mais robusto para disputar uma eleição: uma chapa que está reunindo os três maiores partidos da oposição”, defendeu, em entrevista ao Bahia Notícias. Souto nega haver um acordo tácito para que, caso seja eleito, não dispute a reeleição a fim de que Neto seja lançado ao cargo em 2018, embora admita a possibilidade de abrir caminho para o correligionário, a depender da avaliação futura do governo democrata.

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Sábado, 19 de Abril de 2014 - 10:40

Não foi greve, mas um motim

por Samuel Celestino

Não foi greve, mas um motim
Em seu blog na UOL, o competente analista Josias de Souza, um dos melhores do País, aborda a greve da Polícia Militar baiana por ângulos jurídico e político, numa veemente constatação do que se observa na Bahia. Não é de agora. Mas de uma greve realizada em 2001, outra em 2012 e agora mais este motim que aterroriza a população. Diz ele: “A Constituição Federal veda expressamente a greve de policiais militares. E não poderia ser diferente, pois a hierarquia e a disciplina são as bases que sustentam as organizações militares. Quando ocorrem fissuras nesses pilares, o que se vê é a desordem, o caos. Portanto, o que sucede na Bahia é uma afronta à lei e à ordem, praticada por uma tropa amotinada à margem da Constituição. Marco Prisco, o líder preso, é vereador pelo PSDB de Aécio Neves. Substituiu-o no papel de piromaníaco de tropa o Capitão Tadeu, deputado estadual pelo PSB de Eduardo Campos. A PM baiana promovera fuzarca semelhante em 2012. A tropa reincide no descalabro porque foi premiada com uma lei de anistia aprovada em votação simbólica no Congresso e sancionada por Dilma Rousseff, do PT, em 2 de agosto de 2013. Quer dizer: por omissão ou por ação os partidos dos três principais candidatos à Presidência da República são cúmplices do caos baiano. O motim de 2012 durou 12 dias. Nesse período, foram assassinadas 130 pessoas no Estado. A encrenca atual se arrasta há quatro dias. Só em Salvador, desceram à cova, por ora, 52 homicídios cadáveres. Num país em que os partidos políticos entregam a legenda a qualquer um, a presidente da República anistia maluco e governador rasga a Constituição para negociar com policiais à margem da lei, a prisão do tucano Prisco é um sopro na direção da restauração do Estado. Não há reivindicação, por mais justa que seja, que justifique a subversão da ordem democrática. Lugar de PM amotinado é mesmo na cadeia. Resta verificar se o xadrez não vai virar mais uma capitulação.”

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Quinta, 17 de Abril de 2014 - 09:00

Coluna A Tarde: A greve, as eleições e a Copa

Coluna A Tarde: A greve, as eleições e a Copa
O  governo estadual não esperava que, em ano eleitoral, tivesse que enfrentar um problema que toca profundamente a população de Salvador, uma cidade normalmente violenta, cuja greve tende a se espraiar pelo interior. O governo fala em ter sido surpreendido com a paralisação da Polícia Militar, mas isso ocorreu talvez por conta da incompetência, na medida em que os movimentos grevistas não surgem do nada e, sim, a partir de situações previsíveis, anunciadas. É certo que os policiais militares também se excederam ao anunciar o movimento que, aliás, foi considerado ilegal pela Justiça baiana.

Ficar refém de duas greves da PM e de uma longa paralisação dos professores estaduais que causaram imensas dificuldades em anos anteriores, convenhamos, é consequência da falta de interlocução correta, ao tempo em que transfere à população o sentimento do medo, do desconforto, de se sentir prisioneira em suas residências, refém das circunstâncias que não se sabe quanto tempo levará.

Tida como uma das cidades mais violentas do mundo, Salvador sangra e sangra, também, o governo diante de uma população estupefata. Novamente? Será que não existe ninguém nas 32 secretarias politizadas da administração que tenha, pelo menos, um interlocutor competente para dialogar com as categorias para evitar as greves? A interlocução é, convenhamos, difícil, mas é preciso que haja à exaustão.

Esta greve inesperada da Polícia Militar paralisa a cidade, causando além do medo, prejuízos incalculáveis ao comércio, com quebra-quebra de lojas comerciais, e mais do que isso, saques por todo o canto, arrastões, violências de toda ordem, enfim. O governo quer manter a ordem com a Força Nacional. Pode melhorar, sim, a situação, mas não resolve de todo. Informa-se que a Força deverá mandar para Salvador cinco mil homens. O problema é que  a cidade tem quase três milhões de habitantes. De resto, os soldados que aqui chegarem não têm conhecimento da realidade da Capital, e sua difícil topografia, desordenada por crescer sem planejamento, como são exemplos seus bairros, subúrbios, enfim, as suas franjas. Se a própria PM enfrenta dificuldades, imagine-se um agrupamento da Força Nacional estranha à cidade de Salvador.

Há nove meses que se discute – pelo que se informa – as reivindicações dos policiais militares, assim como as do funcionalismo de maneira geral, especialmente dos professores. O governo não revela, não diz claramente, mas a verdade é que o Estado está longe de poder atender às categorias insatisfeitas porque a administração atravessa um já longo período de dificuldades. Conta com o apoio da união, é certo, mas para obras direcionadas e não para o custeio da maquina governamental.
O governo baiano está contra a parede. Leva o desconforto de enfrentar um ano eleitoral que provavelmente será muito difícil para o PT baiano. Difícil e complicado. Questão curiosa é que o PT é oriundo do sindicalismo e  integrado, na sua militância, por sindicalistas. Não dá, desse modo, para entender as circunstâncias do partido, que cria dificuldades, justo para o governo que o representa.

Embora as negociações já estivessem ocorrendo há tempos, a greve desencadeada pelos policiais militares foi repentina. Arrepiou a população que terá uma Semana Santa de insatisfações aureolada pelo medo. A depender da duração do movimento paredista, o governo do estado, que tem uma chapa eleitoral definida, composta pelo PT e partidos da base de apoio, passa a enfrentar sérios e graves riscos. O futuro, em termos eleitorais já é, por natureza, incerto. Torna-se mais denso em termos de preocupação porque, decididamente, a cidade e sua população não podem estar feliz com o que acontece. Insatisfação que, logo, logo, chega ao interior como já se observa. O problema, no entanto, não é apenas este. A solução que se exige é uma decisão para o que ocorre. E que seja rápido. De resto, a Copa do Mundo está a se aproximar e os líderes da greve sabem que têm às mãos todos os instrumentos de manobra e pressão.

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Quarta, 16 de Abril de 2014 - 10:22

Greve: xeque-mate no governo

por Samuel Celestino

Greve: xeque-mate no governo
A inesperada greve da Polícia Militar que surpreendeu a população gerou em Salvador, uma cidade tida como das mais violentas do mundo, gerou uma situação convulsa e preocupante, além de disseminar o medo. Sem policiamento, com as eleições se aproximando, o governo Wagner foi atingido por uma flecha envenenada. A gestão atravessa dificuldades financeiras. Isso não significa nenhuma novidade. Mas é fato que, para a população de maneira geral, a greve da PM surpreendeu os moradores da cidade, e, ainda, há ameaças que rondam o Sindicato dos Professores, que reivindica melhores condições. Há um pânico disseminado, com boatos em sequência sobre quebra-quebra e saques em lojas. A maioria não se confirma. O governo não esperou, como nas greves anteriores, notadamente da PM, para solicitar a Força Nacional, o que não resolverá a questão porque temos uma cidade com quase três milhões de habitantes, que cresceu sem planejamento o que dificulta qualquer ação. Salvador parece antecipar a Semana Santa, que, por ora, nada tem de santa e, sim, do medo que se espraia pelos bairros com as escolas fechadas por prevenção. Ademais, o governador montou uma chapa eleitoral para a disputa de outubro e nada surpreenderá se seus candidatos forem atingidos pelas consequências do movimento grevista, dificultando-o na esperança de fazer seu sucessor. Trata-se, evidentemente, de uma suposição, mas nada fora de uma preocupação que também está presente no governo. Se a greve tiver um fim rápido, menos mal. Mas o governo terá que honrar o que for negociado sob pena de um novo movimento paredista explodir nas proximidades da Copa do Mundo, o que seria um desastre. A situação do governo baiano é mesmo difícil. As negociações acontecem há nada menos de nove meses. A situação é tão grave que na primeira assembleia dos policiais militares já não havia o que discutir, senão anunciar a greve geral que, mais uma vez, gera convulsão na cidade de Salvador.  

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Terça, 15 de Abril de 2014 - 09:00

Coluna A Tarde: Marina aposta em Campos

Coluna A Tarde: Marina aposta em Campos
Marina Silva que na eleição passada forçou o segundo turno surpreendendo com pouco mais de 20 milhões de votos - uma votação inesperada - assustou  Dilma Rousseff, então candidata do todo poderoso Lula. Marina, que não conseguiu registrar o seu partido em tempo hábil, em nova surpresa migrou para o PSB de Eduardo Campos. Passou, a partir de ontem, a ser a candidata a vice da chapa presidencial do governador de Pernambuco. Com a tomada desta posição, é possível que, em pesquisas futuras, Campos passe a ser o maior competidor de Dilma, sem que isso diminua Aécio Neves, que também será receptor de benefícios e disputará para chegar ao segundo turno.

Com Dilma atravessando um período político mergulhada em problemas que, pouco a pouco, passam a ser do conhecimento dos brasileiros de todos os cantões, é possível, apenas possível, que a presidente continue a sua trajetória de queda como já foi observado em pesquisa anterior do DataFolha. Se o processo perdurar, o sinal que já está amarelo no Palácio do Planalto torna-se vermelho. São muitas as possibilidades que isto ocorra. Dilma, cuja simpatia e capacidade de transferi-la para os eleitores são questionadas, enfrenta um dragão: a inflação piora.

É claro que somente as classes mais aculturadas conseguem entender o que se passa na economia brasileira, que de igual modo desce a ladeira. O povão não entende essas histórias de PIB, conta corrente, logística, importações e exportações, agronegócio, mas tem plena consciência do mal que a inflação representa. Por que sabe quanto custa os produtos básicos para alimentação, por mais pobre que seja, e as dificuldades para adquiri-la com o pouco dinheiro de que dispõe.

De outro modo, Marina Silva, com seu jeitito humilde de povo, é entendida pela base da pirâmide e tem a simpatia da classe média. Dilma transfere a imagem da durona, de uma comandante-em-chefe, quando ri na maioria das vezes o faz de forma forçada ou dizendo coisas sem a menor graça. Falta-lhe o humor que em Lula sobrava. Já Aécio Neves é naturalmente simpático. Político que vem da linhagem de Tancredo Neves, tenta se esforçar para ser um bom comunicador de programas  eleitorais, de sorte a dizer à população o que pensa.

Entre Eduardo Campos e Aécio há muito em comum: dialogam constantemente, têm um acordo para união no segundo turno – se houver – e um discurso parecido. São dois candidatos que pregam a mudança, a modernidade, e a transformação de aspectos políticos, como a reforma política, o que Dilma não conseguiu fazer em três anos e meio de mandato, mesmo quando esteve contra as cordas a partir das manifestações de junho do ano passado. Justo porque seu mandato foi e é um constante desentendimento com o Congresso.

Ademais, eles pressentem que o petismo mudou tanto que se observa cansaço em diversos segmentos sociais. Os escândalos que rondam a presidente neste ano eleitoral são muitos, todos de dimensão espantosa, como a operação Lava Jato, envolvendo a lavagem de R$10 bilhões, como os problemas que envolvem a empresa mais emblemática para os brasileiros, a Petrobras, da qual Dilma foi presidente do Conselho Deliberativo.

Normalmente, em política, a palavra mudança tem uma conotação mágica porque se opõe à mesmice. É, no entanto, entre esses dois conceitos, que haverá, no horário eleitoral, o grande embate da campanha, além dos erros cometidos. Enfim, o que não falta às oposições é discurso.

O fato novo é que Marina Silva será vice. Com isso, passa a ser a grande eleitora de Eduardo Campos, que tanto ele como Aécio forma o novo na corrida presidencial.  

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Segunda, 14 de Abril de 2014 - 09:50

Morre jurista Aquinoel Neves Borges

por Samuel Celestino

Morre jurista Aquinoel Neves Borges
Morreu nesta segunda-feira (14) o jurista Aquinoel Neves Borges. Advogado, militante deste abril de 1947, pertenceu à Escola de Advogados, assim como Gilberto Valente, Josafá Marinho e tantos outros ilustres baianos. Superintendente adjunto da Leste brasileira, chefe da assessoria jurídica da Federação do Comércio e juiz eleitoral do TRE/BA, foi atuante nas áreas cível, família e comercial. Também presidiu diversas instituições, a exemplo da Academia de Letras Jurídicas da Bahia, Instituto dos Advogados do Brasil – Seção Bahia e o Lions Clube. Aquinoel deixa a viúva Vitória Borges, os filhos Eliene, Aquinoel Filho, Lúcia Marina e Maria das Graças, a cunhada Regina, genros e muitos netos. Deixa também saudades em todos nós. O sepultamento será realizado no cemitério Jardim da Saudade, nesta segunda, às 17h.

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Domingo, 13 de Abril de 2014 - 07:45

Coluna A Tarde: Três chapas com Dilma

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: Três chapas com Dilma
São três chapas, todas competitivas, para as eleições de outubro na Bahia: a oposicionista, novíssima, de Paulo Souto, para o governo, Joacy para vice, e Geddel Vieira Lima para o Senado; a  governista, do PT, com Rui Costa, governador, João Leão na vice e Otto Alencar para o Senado. A da terceira via, representando o PSB do pré-candidato à Presidência Eduardo Campos, leva Lídice com candidata ao governo e Eliana Calmon para o Senado. Resta escolher quem será o vice.
 
Três chapas representativas do atual espectro político baiano, com destaque para a da oposição e a do PT, onde, provavelmente, acontecerá o confronto, embora, segundo consultas (apenas para balizar os partidos) Souto aparece  bem à frente, seguida de Geddel Vieira Lima, Lídice em terceiro e Rui Costa em quarto. Consultas não para o público, porque não foram registradas como determina a lei, e, sim, para os partidos. Ademais, algumas são antigas e sem critérios técnicos. Daí a ausência, por ser também ilegal, de percentuais. Desse modo, passam à categoria de meros palpites.
 
 Abstraindo a competitividade das três chapas, o que valerá, a partir de agora, são as pesquisas oficiais que costumam balizar todo o processo eleitoral e ainda correm o risco de errar, como já aconteceu em outras eleições. Essas vão exibir o quadro político-eleitoral, assim mesmo, reforço, com ressalvas – pelo menos para mim. Ademais, para se ter um quadro mais confiável, é necessário acompanhar a agonia da presidente Dilma Rousseff que anda desabando nas pesquisas, embora seus adversários não cresçam. Isso não importa muito, porque não temo conhecimento público de Dilma.
 
É fato, porém, que a presidente está em queda e, mais ainda: Dilma experimenta um processo agônico, distanciada do PT, cujos políticos integrantes da legenda torcem o nariz para ela e fazem muitas ressalvas e queixas ao tratamento que dela recebem. Além das suas dificuldades com o amontoado de escândalos envolvendo a sua gestão e o seu partido, com um ex-diretor da Petrobrás preso, sócio de um doleiro enjaulado, enfim um massacre nacional envolvendo corrupção.
 
 As perguntas que ficam no ar são: Dilma conseguirá se safar dos escândalos? A economia brasileira que está em parafuso se recuperará? Os ecos que chegam do exterior, inclusive com a manchete do Financial Time, um dos veículos mais conceituados do mundo, estampando “Economia marcada de morte”? O que ela fará com o embrulho que fez na sua gestão? É mesmo um poste sem luz que Lula plantou com elogios espantosos sobre a sua capacidade de administrar? O que dirá com o novo pibinho que está a caminho e com a inflação desatada que atinge, particularmente, as camadas de menor renda da população? Lula se arriscará a voltar, a partir do movimento “volta Lula”, a exemplo do “queremismo” dos anos 5O que trouxe  Getúlio Vargas de volta ao poder? Enfim, é tudo isso e muito mais.
 
O fato é que as circunstâncias nacionais influenciam nas eleições estaduais, especialmente no PT. Apresentar uma candidata presidencial no auge, como aconteceu quando Lula o fez com Dilma é uma coisa; a partir de um governo decepcionante e mergulhado em corrupção é outra, se bem que ela não esteja mergulhada nesta lama, mas passa a ser responsável por aparelhar seu governo, criando  ministérios para realizar favorecimentos, mas, ao mesmo tempo, demonstrando distância dos políticos, sem com eles estabelecer interlocução, o que é essencial entre os poderes Executivo e Legislativo.
 
Esta postura distanciada levou-a à agonia que agora experimenta. O certo é  que os acontecimentos no Palácio do Planalto refletem nos estados, nas eleições Brasil afora, dificultando o poder e dando discursos novos à oposição, que vai trabalhar eleitoralmente exatamente em cima dos problemas gerados, dos equívocos cometidos, de uma economia reconhecidamente errada que gera uma inflação que teima e retornar lembrando velhos tempos. É bom entender que a população da base da pirâmide já sente na pele, no bolso e no fogão.
 
De que, afinal, vale o bolsa família com uma inflação que corroi?  

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Quinta, 10 de Abril de 2014 - 09:30

Coluna A Tarde: A crise e uma dose de gim

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: A crise e uma dose de gim
Em suas reflexões, que envolvem consultas aos amigos e a políticos a ele próximos, o ex-ministro Geddel Vieira Lima vai montando o seu quebra-cabeça para decidir que decisão toma em relação à chapa da oposição ao governo baiano e ao Senado Federal. Avança nas suas meditações e não está fora de cogitação que ele venha aceitar a candidatura ao Senado, de modo a fortalecer, na dobradinha, a candidatura de Paulo Souto ao governo. Por ora, não há uma decisão concreta a respeito desta possibilidade, mas é fato que ela existe.

Ele medita, ainda, sobre o papel que lhe cabe no processo, e não pretende que, mais adiante, na possibilidade de uma derrota, seja ele apontado como um dos responsáveis pelos acontecimentos futuros, até porque entende que, mais de uma vez, lhe foi prometido, com palavra empenhada e, de repente, houve mudanças, quebra do compromisso que o assustaram. Ademais, o presidente do PMDB, neste período, contratou pesquisas para suas reflexões pessoais, exclusivamente pessoais, e os resultados encontrados foram positivos.

Ele se dá tempo para a conclusão do que está a refletir, mas não está distanciado de uma resposta, porque também não é do seu propósito protelar definições que estão, a partir de acordos, enfeixadas nas mãos do prefeito ACM Neto, a quem cabe dar conhecimento público sobre o resultado das consultas, quaisquer que sejam elas. Crê que não está muito distante, mas quer concluir e fechar o que reflete, envolvendo também as suas consultas, para que não restem problemas ou dúvidas. O ex-ministro está tranquilo, assim se diz, apenas reúne informações indispensáveis à sua tomada de decisões. Não quer errar nem agir com emoções.

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Quinta, 10 de Abril de 2014 - 09:30

Crise e uma dose de Gim - I

A crise que atordoa Dilma e o Palácio do Planalto inteiro não esmaece. O Senado mais uma vez derrapa no cinismo do seu presidente, Renan Calheiros, que não consegue realizar o seu trabalho de presidente com a neutralidade que o cargo requer, como no caso da CPI da Petrobrás, que afinal, chegou ao Supremo Tribunal Federal, pelas mãos da oposição, e na CPI proposta pelo governo para bagunçar tudo, inclusive, segundo oposicionistas, um ataque à Constituição e ao Regimento Interno da instituição. Até quando isso vai rolar não se sabe, mas quanto mais isso acontecer será pior para a presidente Dilma, que começa a perder pontos em pesquisa, como aconteceu na consulta do DataFolha. Para complicar mais ainda, puseram no Senado uma forte dose de Gim. Gim Argello, um senador que está na Casa sem ter um só voto sequer (era suplente)  que agora deseja integrar o Tribunal de Contas da União, TCU.

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Quinta, 10 de Abril de 2014 - 09:30

Crise e uma dose de Gim - II

Lula tem medo que o seu PT – é dele e de mais ninguém – seja impregnado pela crise. Mas já está, porque esta crise está dentro do PT, um partido que já foi o que hoje já não é. A tentativa de ascensão a Gim Argello ao TCU surgiu dentro do Palácio do Planalto, com o aberto apoio da presidente de Dilma, que remeteu o mandu para Renan Calheiros, o topa tudo, que quer que o Senado discuta e aprove a designação do senador sem votos para o cargo vitalício do Tribunal, o mais rápido possível. Estão passando com uma motoniveladora sobre os seis processos que o senador responde no Supremo Tribunal Federal, um deles já na bica para a decisão. Qual o conhecimento que Argello tem de economia e, para ampliar, o que verdade é, de qualquer outra coisa? Acontece que o Brasil é um País que deixou a máscara cair lá atrás, e já não dá importância à escolha de nomes certos para lugares certos. Mandam para cargos vitalícios, os “amigos”, as figuras que podem interessar ao partido que no momento estiver no poder e ponto final. E assim, com Renan vaquejando alguns senadores, quer pressa para sabatinar o Gim com gelo e fazer o que o Palácio do Planalto está empenhado. Dessa forma, o Brasil vai perdendo as noções de princípios, os mais básicos que uma Nação deve ter.

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Quarta, 09 de Abril de 2014 - 10:50

Ambições e egos andam à solta no Yacht

por Samuel Celestino

Ambições e egos andam à solta no Yacht
Uma inusitada disputa na recente eleição de 1º de março dos conselheiros do Yatch Club  da Bahia, com direito a trabalho de mídia pela oposição e esclarecimentos da diretoria, evidencia, com antecedência de um ano, a feroz contenda a ser deflagrada para a eleição do próximo comodoro. Único remanescente dos outrora grandes clubes, o Yacht Club da Bahia, continua despertando a cobiça dos candidatos a comodoro, tendo em vista o elevado conceito e o prestígio social que continua desfrutando. O atual comodoro, reeleito para um segundo mandato, vem realizando importantes obras, como a bela nova entrada,  em aço e vidro temperado, projeto do arquiteto Carlos Luz, melhorias na estrutura da Sede Náutica, implantação de mais um elevador para carga e descarga, desenvolvimento do projeto de incêndio, reforma da estação elevatória de resíduos, entre outras, alem de regularizar todo o passivo referente a impostos e manter e o "caixa" em alta, com uma disponibilidade financeira, em 28 de fevereiro, de R$ 5.402.536,46.

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Terça, 08 de Abril de 2014 - 10:30

Coluna A Tarde: República Convulsionada

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: República Convulsionada
Enquanto por estas bandas se aguarda um desfecho da novela oposicionista, envolvendo o anúncio oficial da candidatura de Paulo Souto ao governo e uma definição sobre o futuro de Geddel Vieira Lima, o PT nacional esbarra em dificuldades diante da última pesquisa que aponta queda da presidente Dilma no projeto da reeleição. Mais: ela está em visível desamparo dentro do próprio PT. A presidente está quase sozinha. O PT baiano, pelo contrário, está tranquilo em relação ao processo sucessório, mas não foge do movimento “esvazia Dilma”. Estão todos a olhar para Lula esperando que ele se manifeste de forma clara sobre as circunstâncias que envolvem a presidente, ou se ele assumirá a candidatura.

Um exemplo claro foi possível observar na semana passada, quando o pré-candidato Rui Costa assumiu o seu mandato de deputado federal. A bancada baiana do PT e deputados aliados à base do governador Wagner fizeram uma homenagem ao pré-candidato, com direito a discursos dos líderes e de figuras ditas importantes. A homenagem foi para ele, Rui, e tão somente. Dilma não foi sequer lembrada. A não ser pelo ministro dos Transportes, César Borges, do PR, que a citou com elogios na medida em que é candidata à reeleição. O PT aposta que Lula pode surgir na esquina. Se acontecer o “volta Lula” terá que ser nos próximos 60 dias, porque o mês de junho está reservado, no calendário eleitoral, como época das convenções partidárias para oficializar suas chapas em todo o País. Então, é preciso que ele se defina.

Tempos confusos. O vice-presidente da Câmara, André Vargas, balança na corda bamba, envolvido em corrupção com o doleiro Alberto Youssef. É outro complicador que alcança em cheio PT. A imagem do deputado petista pelo Paraná está em todas as mídias, cada dia com uma novidade que o empurra mais um pouco para o lodo. Sem outra saída, o PT tomou uma decisão para tentar tirá-lo do noticiário, o que dificilmente ocorrerá: afastá-lo da cena do crime. A estratégia urdida o convenceu a se licenciar da Câmara dos Deputados por 60 dias, de sorte que seu retorno ocorra justo na época da  Copa do Mundo, o que desviaria, supostamente, as atenções do eleitorado. O parlamentar aceitou a proposta do seu partido e entregou o pedido de licença no início da tarde de ontem. 

Não se pode adiantar que a fuga dará certo. É bem provável que não. As provas contra André Vargas são desnorteantes, envolvendo ligações entre ele e o doleiro Youssef, sobre os “negócios” que intermediavam em ministérios, principalmente o da Saúde. O ponta de lança era o parlamentar. A oposição, porém, atenta, resolveu entrar junto à Câmara com um pedido de abertura de investigação no Conselho de Ética sobre quebra de decoro parlamentar, o que poderá levá-lo a ter o mandato cassado. Com a licença, ele se afasta da vice-presidência da Câmara. Sua situação fica mais grave na medida em que, em ano eleitoral, será difícil para o PT se expor em sua defesa. A imagem do partido ficará manchada. Se é que já não está.

Para completar o redemoinho por que se observa na República, a Folha de S.Paulo divulgou também ontem que nos últimos três anos a Petrobras, que está convulsionada, assinou contratos no valor de 90 bilhões sem licitação. A petroleira se apoia numa liminar dos anos 90, que permite este tipo de contratação, embora o TCU - Tribunal de Contas da União – seja contrário e mais de uma vez alertou a Petrobras sobre o seu desacordo.

Sem licitação, afasta-se a concorrência, e sem concorrência é difícil controlar os preços contidos nos contratos feitos. Mel puro, portanto, para a corrupção se instalar.

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Domingo, 06 de Abril de 2014 - 08:23

Coluna A Tarde: Geddel medita, Neto espera

Coluna A Tarde: Geddel medita, Neto espera
De certo modo, ou de modo inteiro, recaiu sobre o prefeito ACM Neto uma das tarefas mais difíceis para a união da oposição baiana: escolher entre Paulo Souto e Geddel Vieira Lima, líderes das pesquisas até aqui conhecidas, quem será o candidato. Como liderança nascente na política estadual, com um longo caminho ainda a percorrer, não poderia recusar a causa, porque era o único que estava em condições de coordenar. Mais do que isso. A sua tarefa não era simplesmente escolher entre dois nomes, mas sim entre duas soluções – as que existem – para a oposição baiana. A recusa seria, então, inaceitável.
 
Não esperava, no entanto, que a missão fosse tão complicada embora as idas e vindas na política sejam normais, especialmente quando a equação envolve critérios como foram surgindo na postulação de Souto e de Geddel. De início, o ex-governador ficou indeciso, e sua cabeça girou entre concorrer ou não concorrer. Observando a indecisão visível, Geddel, cuja habilidade é incontestável, colocou para Souto um novo problema: “Se você disser que será candidato a governador neste momento, lhe direi que abro mão e serei candidato a senador”. Diante da sinuca, Souto silenciou e manteve-se internamente como seu dilema que, pouco a pouco se desanuviou, principalmente com os pedidos de figuras do DEM e clara preferência do terceiro partido, o PSDB.  
 
No vai não vai o ex-governador se definiu por “eu vou” e aí todos olharam na direção de ACM Neto. O que fazer? O prefeito só tinha uma saída: conversar, conversar e conversar com ambos. Por mais que se reunisse com os dois, a solução não se apresentava. A dupla já estava decidida a concorrer. As pressões se avolumaram. Se os dois não se decidiam, cabia a ele fazê-lo e não poderia ser por critério subjetivo. Geddel a ele dissera que seu momento passara e não aceitava mais ser candidato a senador. Somou-se a esta divisão um motivo, no seu caso subjetivo. Geddel não gosta de Brasília, fez toda a sua trajetória política por lá e ainda tem uma razão maior para ficar nestas bandas. É muito apegado à família, especialmente ao pai, de quem cuida com extremo carinho, Afrisio Vieira Lima. Quando se trata do pai, Geddel se emociona fácil e chora por qualquer motivo. Como chorou no aniversário de 15 anos de sua filha, quando Afrisio lhe dissera que não se sentia em condições de dançar a valsa com a neta. Chorou copiosamente.
 
Esta demora na escolha do candidato da oposição ao governo não se constitui num problema, pelo contrário, pode ser uma vantagem. Isso porque o governador Jaques Wagner decidiu lançar Rui Costa no final de outubro do ano que passou, enquanto Lídice se decidiu um pouco antes, lançado a sua pré-candidatura. A partir daí as atenções se voltaram para a oposição, que ganhou notícias diárias na mídia enquanto todos passaram a especular quem seria dos dois o candidato. Na capital e no interior, o que pode ser um ganho eleitoral.
 
Neto se decidiu por Paulo Souto, mas Geddel continua entrincheirado. Sabe ele que dificilmente o quadro pró-Souto mudará. Neto está tentando convencê-lo por ser um quadro importantíssimo no xadrez político-eleitoral. Geddel tem recebido muitas visitas, e parece estar meditado sobre a situação. Pensou em lançar sua candidatura representando o PMDB de forma independente, mas sabe que talvez não seja por aí. Esta é a razão de o prefeito elastecer seu tempo até meados, mais para o início, desta semana que entra. O presidente do PMDB tem contas a acertar nas eleições de outubro. Quer impor uma derrota ao governador Jaques Wagner. Entre os dois há um acerto político marcado. Uma pendência.
 
De outra forma, ainda há o problema nacional da candidatura de Dilma à reeleição. A oposição baiana, inclusive o PMDB, apoiará Aécio Neves e, no segundo turno – se houver – quem ficar para a disputa final,  seja Aécio ou Eduardo Campos. O problema aí está no PT e na necessidade, que será uma marca da campanha presidencial, de uma mudança, de uma renovação, para que haja alternância no poder. Entendem que há um cansaço, que parece enfraquecer Dilma. A oposição não quer um governo petista de 16 anos.

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A Associação Bahiana de Imprensa, ABI, realizou na manhã desta quinta feira uma explanação de jornalistas sobre o golpe militar de 31 de março de 1964, que derrubou o presidente João Goulart do poder e desencadeou uma brutal ditadura, afinal derrotada pelas manifestações da sociedade civil brasileira, depois de permanecer no poder ao longo de 21 anos. Cinco generais comandaram o Pais, numa sequência que começou com o marechal Humberto Castelo Branco e se findou com o general João Figueiredo. Contaram as suas experiências e vivências ao longo do deste período de trevas os jornalistas Walter Lessa, que relatou a tentativa da derrubada do então governador da Bahia, Lomanto Jr., impedida pelo comandante do IV Exército, Justino Alves; Nelson Cerqueira, sobre a invasão do Jornal da Bahia por tropas do Exército, na madrugada do dia 1º. de abril; Emiliano José, preso e torturado nos anos 70, detentor de uma larga visão sobre o período,  e Samuel Celestino, que se manifestou sobre a quartelada, o cerco da Faculdade Direito e outros momentos da ditadura militar. Também relataram fatos o acadêmico João Eurico Mata, chefe da Casa Civil do governo Lomanto Jr., e o jornalista Ernesto Marques. O presidente da ABI, Walter Pinheiro, conduziu a reunião, relatando, também,  as dificuldades da Tribuna da Bahia na época dos anos de chumbo. O encontro aconteceu no auditório Samuel Celestino, que esteve lotado, e foi organizado por Guilherme Pontes Tavares.  

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Quinta, 03 de Abril de 2014 - 10:00

Coluna A Tarde: O poderoso Renan

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: O poderoso Renan
Com a CPI da Petrobras cambaleante há a possibilidade de se criar outra para que o governo tenha também a sua e não somente a oposição. Esta mais ampla, de sorte a apurar o que houve com os trens de São Paulo e do Distrito Federal em gestões tucanas (de SP) e a refinaria Abreu e Lima, em Recife, quer alcançar o candidato Eduardo Campos. A pizza congressual desta vez chegou antecipada. Não no decorrer de investigações, como costuma acontecer, mas para embrulhar já as apurações e não prejudicar o ano eleitoral causando problemas à reeleição que a presidente Dilma Rousseff persegue.

O Congresso é assim mesmo. Ou quem haveria de supor que o presidente do Senado, Renan Calheiros, iria mudar a sua personalidade para agir de outra forma? Basta uma ida ao Palácio do Planalto, ser puxado do elevador para uma conversinha com o chefe da Casa Civil, Aloízio Mercadante, e ponto final. Sua voz suave desapareceu e surgiram os uivos do lobisomem político. Ora, ora. Ninguém muda seu instinto, sua personalidade, para passar a ter a respeitabilidade que o cargo de presidente do Senado supostamente requer. Faz parte da essência do colegiado que forma o Congresso Nacional. Nenhuma novidade nisso.

Era o que estava a acontecer na noite de terça, com a brigalhada que a CPI da Petrobras gerou, levando o governo a encomendar outra para apurar, de cambulhada, a Petrobras, os trens e os metrôs paulistas e do DF e a refinaria pernambucana. Assim como o Congresso não muda a sua imagem, o Brasil se molda à sua forma, generalizando a corrupção como nunca. Uma corrupção moderna,  é certo, de falcatruas grandiosas, que atingem qualquer setor onde haja dinheiro e a presença fisiologista de políticos com gotas de saliva escorrendo pelos cantos da boca, aguardando o naco a que terão direito.

É possível que da CPI da Petrobras reste apenas o ex-diretor internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, um dos responsáveis pelos acertos da compra, à Astra Oil, de 50% da refinaria de Pasadena. A empresa belga comprou-a por US$42 milhões – nunca é demais relembrar – e um ano depois repassou metade para a petroleira brasileira por algo (já corrigido) em torno de US$460 milhões. A negociação acabou com a estatal verde-amarela ficando com tudo por mais de US$1,3 bilhão. Até hoje os belgas riem do trambolho que transferiram para a petroleira brasileira. É assim mesmo. Diziam, no passado, que mineiro era vidrado em bonde. Um deles, conta o folclore, teria comprado um. Usado como Pasadena. Nada contra os mineiros. Vá ver que o comprador, ladino, repassou a trolha à Petrobras.

Nestor Cerveró foi dirigir a BR Distribuidora e, há 15 dias, foi demitido pela presidente Dilma, que afirmou não ter conhecimento do contrato com todas as cláusulas. O ex-diretor está doido para falar no Senado. Mandou mensagem neste sentido por seu advogado. E mais: afirmou que todos os conselheiros, inclusive a presidente, na época chefe da Casa Civil, tinham conhecimento de todas as cláusulas contratuais por que estavam à disposição do Conselho. E daí? Daí, nada. Foi a presidente Dilma que acordou o leão ao dizer que as cláusulas contratuais tinham erros técnicos e jurídicos e se delas tivesse conhecimento não aprovava a compra da refinara de Pasadena. Agora é fácil dizer, quando se sabe que a Petrobras levou um monumental tombo de mais de US$1 bilhão.

Já não dá mais para retroceder. O que acontece no Congresso com a guerra das CPIs é resultado da nota presidencial. A partir daí, a imprensa começou a desnudar a questão e a cada momento surgem informações que só fazem piorar a novela Pasadena. Enfim, quando esta coluna era fechada, não havia uma decisão do poderoso, do magistral senador Renan Calheiros, mas se esperava que, dentre alternativas, ele poderia “melar” os pedidos da oposição e do governo para formar CPIs. É tudo o que o governo deseja.

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Quarta, 02 de Abril de 2014 - 17:18

Supremo barra doação de empresas privadas para campanhas políticas

por Samuel Celestino

O Supremo Tribunal Federal (STF) está reunido para dar sequência a uma sessão iniciada em dezembro do ano passado para apreciar uma ação de inconstitucionalidade apresentada pela OAB. Sete ministros já votaram, sendo seis favoráveis à inconstitucionalidade e um contra. Isso significa dizer que já há maioria para impedir que empresas privadas doem recursos para as campanhas eleitorais, que passará a valer já em outubro deste ano. Desta forma, é muitíssimo provável que as campanhas serão pobres e os tribunais eleitorais serão obrigados a ficarem vigilantes para impedir gastos oriundos de fontes desconhecidas. É uma forma de divorciar interesses políticos de interesses empresariais, e os pedido de doações que costumam acontecer para engordar campanhas e até gerar sobras que enriquecem políticos. Significa ainda o fim das campanhas milionárias no País.

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Terça, 01 de Abril de 2014 - 09:00

Coluna A Tarde: Contra a Parede

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: Contra a Parede
Até amanhã será possível saber se terá futuro a CPI da Petrobras protocolada pela oposição, se as 29 assinaturas serão inarredáveis; se será possível conseguir-se número (171) para a desejada CPMI, a partir da Câmara dos Deputados; ou se o governo Dilma, que enxerga menos do que uma cabra cega, conseguirá melar o movimento, tanto no Senado quanto na Câmara, convencendo trânsfugas da sua base de apoio a retirar suas assinaturas de ambas as CPIs. É difícil. Terá que convencer três senadores que, caso recuem, ficarão muito mal perante a opinião pública. Afinal, a Petrobras é um símbolo nacional, aparelhado basicamente pelo PT e PMDB  que preencheram, em comum acordo, os cargos da diretoria ora na berlinda.
 
Por ser uma empresa que nasceu popular a partir de uma campanha nacional na era Vargas, a visibilidade da petroleira é total. Diferentemente da Eletrobrás, embora ambas estejam asfixiadas com preços irreais, tanto dos combustíveis como da energia, por força da decisão do governo de não aumentar os preços enquanto não acontecerem as eleições de outubro. O voto, para o Planalto, é mais importante do que o Brasil. O problema é que quando vier o aumento – e terá que acontecer seja lá quem for o presidente eleito – para equilibrar os preços e evitar que a inflação se descontrole, será um Deus nos acuda. Aliás, os preços já estão desalinhados e a inflação já desponta como uma realidade. Por ter convivido longos ano com uma inflação depravada, a população sabe perfeitamente bem o mal que ela significa.
 
Acontece que é difícil imaginar o que acontecerá até outubro na economia brasileira. Tudo o que Dilma quer é a sua reeleição que, se tiver sucesso, ela terá que estabelecer aumentos em diversos setores, principalmente nas duas empresas citadas. Isso poderá liberar o dragão devolvendo a inflação. Esse é o grande temor do represamento de preços. A solução  será tentar asfixiá-la com medidas duras. Estão aí os exemplos, para citar dois vizinhos, o populismo que empobreceu a Argentina e a Venezuela, esta última conflagrada pelas manifestações contra o regime. Ambas com a economia em rodopio.

De certa forma, o Palácio do Planalto abriga a crise das duas estatais que foram transformadas em joguete. Com dificuldades para corrigir os seus erros, a presidente pede auxílio a Lula, que por seu lado não cansa de criticá-la pela forma como conduz a política e os entraves que enfrenta. Mas é ele que tem que laçar a boia de socorro, se isso for possível, porque foi ele o criador de Dilma. Não tem, porém, o carisma de Lula e, de certo modo, perde conceitos como o que se pregaram, vendendo-a com uma boa gestora. A última pesquisa Ibope demonstra que está em queda, mas é necessário esperar por outras consultas para saber se é exatamente isso, ou não.

Os seus competidores pela Presidência, Aécio Neves e Eduardo Cunha, passaram a ganhar oxigênio. Aécio por ter sido o pai da CPI do Senado, que deve aguardar até amanhã para ver se prevalece; e Campos aposta na propaganda eleitoral ao lado de Marina Silva, muito boa por sinal, que apresentou em forma de diálogo entre ambos na semana passada para ganhar pontos no eleitorado. Já Dilma terá nova semana difícil, complicada por vários fatores, desde a política até a economia.

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Terça, 01 de Abril de 2014 - 09:00

Semana Decisiva I

por Samuel Celestino

Segundo ACM Neto, desta semana não possa o cumprimento da sua complicada e dolorosa missão de decidir, entre Paulo Souto e Geddel Vieira Lima, quem será o candidato oposicionista ao governo do Estado. A demora complicou a escolha. Agora, existem dois candidatos que não estão dispostos a arredar o pé, principalmente Geddel Vieira Lima que tem lá os seus motivos. De tal maneira que ele passou a conjecturar que será até um candidato independente, quebrando a “união” oposicionista, que está propositadamente entre aspas para ajudar a compreensão do quadro. Como os dois, Souto em primeiro e Geddel em segundo, lideram as pesquisas, tudo pode acontecer porque na área governista houve também uma fratura: saem candidatos Rui Costa e Lídice da Mata, que era da base de Wagner. Nos dois casos, com quatro nomes, um tira votos do outro, porque voto não se inventa e passou a época do voto mapeado na Justiça Eleitoral. Naturalmente, isso é uma mera hipótese.

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Terça, 01 de Abril de 2014 - 09:00

Semana Decisiva II

por Samuel Celestino

Para decidir quem seria o candidato a vice de Rui Costa, Wagner garante que usou o método “objetivo”: contou o número de deputados estaduais, dos deputados federais e das prefeituras do PP e do PDT e anunciou a vitória de Leão. É complicado, mas teria sido assim, como poderia ser pelo antigo “uma pulga na balança deu um pulo e foi à França”. Agora, qual o método de escolha que ACM Neto utilizará para anunciar o candidato da oposição? Será um ou serão dois candidatos? No caso de um segundo turno com Rui, Lídice disputando, ambos se unem, com Eduardo Campos disputando ou aliado a Aécio num imaginária disputa com Dilma? E como ficará o PT na hipótese, mera hipótese, de o segundo turno ser feito por Souto e Geddel? Qualquer que seja o quadro haverá reflexos na eleição presidencial no estado.

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Domingo, 30 de Março de 2014 - 07:30

Coluna A Tarde: Redemoinho de Dificuldades

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: Redemoinho de Dificuldades
A presidente Dilma Rousseff irá lembrar-se com amargura deste mês de março que amanhã se vai. Errou como nunca e, por isso, está a pagar um grave preço. Os erros, a bem da verdade, não são de agora. Vem de há muito refletindo na política econômica, na queda seguida do Produto Interno Bruto (PIB), em programas sociais, nos gastos excessivos do governo, vendo a inflação transformar-se num fantasma. Enfim, ela perdeu a coroa de boa gestora. No setor político vem errando desde o início do governo.
 
     A princípio, a presidente fez, no primeiro ano, uma limpa no ministério, afastando alguns ministros que teriam praticado “malfeitos”, mas isso ficou lá atrás. Os ganhos que conseguiu com as medidas se diluíram ao longo do tempo. Depois, para compensar o não saber, usou o caminho fácil, mas lodoso, ao praticar o fisiologismo para agradar a sua base de apoio congressual, que logo notou que, não sendo ela do ramo, também não poderia impor as suas vontades. Mais do que isso: ao tempo em que usou o toma-lá-dá-cá, tratou os parlamentares com desprezo e sem o diálogo necessário que deve acontecer entre o Executivo e o Legislativo.
 
   Para a presidente, a queda que começou lá em junho do ano passado, quando seu prestigio desabou para 31%. Jamais voltou ao patamar anterior às manifestações populares, embora tenha melhorado. Na semana que se encerrou, despencou 7% em relação a dezembro e 3% em relação a fevereiro. Dilma cansou de errar. Ela própria se expôs ao dizer que não sabia de nada sobre as cláusulas da compra da refinaria de Pasadena, “porque a súmula do contrato continha falhas técnicas e jurídicas” sem duas cláusulas importantíssimas. O ex-presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, que foi por ela demitido, contestou. Estava tudo lá, era do seu dever como presidente do Conselho Deliberativo requisitar, se quisesse, a íntegra do contrato antes de aprová-lo levando os conselheiros a acompanhar seu voto. Isso lá em 2006, quando era chefe da Casa Civil do governo Lula. Ficou sozinha nas suas explicações.
 
    Ela própria ressuscitou o caso da Pasadena. Mas a verdade é que no seu governo a Petrobrás se transformou em marionete, aparelhada que foi para dar espaço a políticos. A estatal perdeu seu valor de mercado, suas ações desabaram. Errou ao não dar a atenção devida aos parlamentares e viu nascer um blocão independente na Câmara dos Deputados, que impôs ao Palácio do Planalto uma série de derrotas em sequência. Voltou a errar quando resolveu dialogar, mas não aceitou, com desnecessária empáfia, o líder do PMDB, deputado Eduardo Cunha, comandante do blocão, isso depois de recusar-se a se reunir também com outros parlamentares, que ficaram num domingo à noite esperando no Palácio do Jaburu para saber o que aconteceu na reunião entre ela e o vice-presidente Michel Temer.
 
    Os parlamentares esperaram silenciosos para dar o troco. O encontro que era para estabelecer a paz acendeu a guerra. Depois do tropeço sobre Pasadena, Aécio Neves (com o deputado baiano Antônio Imbassahy como interlocutor) levantou a bandeira da CPI mista e o Palácio do Planalto não deu a importância que devia. Imaginava que sua base de apoio barraria a iniciativa. A CPI ganhou corpo no Senado e arrancou 29 assinaturas das 27 necessárias. Agora, a Inês é morta. Ao mesmo tempo, os deputados de oposição e os independentes trabalham na Câmara recolhendo assinaturas. Se conseguirem 171 apoios, formarão a CPMI, que dará mais visibilidade ao caso. As entranhas da Petrobrás sobre  Pasadena poderão vir à tona, assim como a propina que funcionários da Petrobrás teriam recebido de uma empresa estrangeira.
 
    Os erros da presidente Dilma têm acontecido de forma sequenciada num período em que a economia brasileira se contorce e ela se prepara de modo a deflagrar, depois da Copa do Mundo, sua campanha à reeleição. É possível que encontre muitas pedras no caminho. Seus assessores já temem o retorno do refrão “volta Lula”. Os sinais não são positivos, inclusive a volta das manifestações nas ruas do País.  
 
   De outro modo, a presidente será pressionada a gastar menos e liberar preços represados, como o dos combustíveis e da energia, que contribuíram para a queda dos preços da Petrobrás e da Eletrobrás, que também vai mal. Aliás, a presidente, que não dava atenção à crise do setor elétrico, já sente a corda apertar no pescoço. Dela e do seu ministro de Minas e Energia, Edson Lobão. Não está fora de cogitação que apagões ocorram no País lá para o mês de junho e julho, justo na época da Copa. O setor energético foi deixado de lado pelo governo. Agora, querem que, nesses meses, haja racionamento da energia pela população.
 
   O quadro que se tem à frente é desfavorável à presidente Dilma Rousseff. Os sinais são todos negativos, principalmente se a CPI ou a CPMI for instalada. Num ano eleitoral, tudo fica difícil quando o governo entra num redemoinho de dificuldades.

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Quinta, 27 de Março de 2014 - 11:16

Reação: Bolsa sobe com a queda de Dilma

por Samuel Celestino

Assim que foi divulgada a queda da aprovação do governo Dilma Rousseff em 7%  pelo CNI/Ibope, ocorreu um fato singular no segmento empresarial, especialmente na Bolsa de Valores que entrou em euforia e, repentinamente, o índice Bovespa se elevou acima dos 2% e as ações da Petrobrás imbicaram para o patamar de 4%. O curioso é a sintonia de tais segmentos com os acontecimentos políticos é um claro indício de que  a presidente está fraca na área empresarial do País. Na semana passada, houve um movimento desta ordem quando surgiu o boato de que uma pesquisa mostraria Dilma em queda. Não se confirmou.  Mas agora, o fenômeno voltou a acontecer e se materializou na Bolsa de Valores.

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