Terça, 25 de Abril de 2017 - 11:06

O sistema político virou bagaço

por Samuel Celestino

O sistema político virou bagaço
Foto: Agência Brasil

Numa sequência de frases nesta terça-feira (25), Lula, que atravessa uma fase de muitas dificuldades, disse que não se preocupa com uma eventual delação do ex-ministro Antônio Palocci e rebateu: “Se ele cometeu algum erro, só ele sabe. Se ele cometeu delitos, só ele sabe. Se ele vai fazer delação contra mim, não me preocupa”. O ex-presidente deveria se preocupar, mas faz de conta que não. Isso porque o seu momento atual é visto como o pior da sua carreira política. Palocci, na sua última delação diante do juiz Sérgio Moro, pediu um adendo ao magistrado para afirmar que estava à disposição para relatar o que é do seu conhecimento, senão a ele, mas a quem determinasse. Enfim, estava à sua disposição em qualquer momento que Moro assim desejasse. Palocci transformou-se numa espécie de “homem bomba” que poderá vir a sacudir a República. Na sua situação nada tem a perder e faz questão de falar para diminuir a sua condenação. Já Lula – até os petistas assim entendem – poderá vir a ser preso dentro, supõe-se, de quatro meses. O PT não tem nomes que possam substituí-lo e, se acontecer o que parece previsível, a tendência do partido é entrar em processo de decadência, o que possivelmente será também o caminho do PSDB e do PMDB. Os três principais partidos do país foram marcados por delatores da Odebrecht e foi a partir destas denúncias que o ambiente partidário ganhou uma dimensão inesperada com corrupção desenfreada em todos os sentidos. O sistema político está em processo de decomposição, incluindo os principais nomes da República.

Quinta, 20 de Abril de 2017 - 10:31

Odebrecht mandava na República

por Samuel Celestino

Odebrecht mandava na República
Foto: Ricardo Stuckert / Instituto Lula

Chega a ser um absurdo o que agora se revela através da Uol. As propinas oriundas da Odebrecht teriam ultrapassado o Produto Interno Bruto (PIB) de nada menos do que 33 países. Naturalmente países menores, mas, por aí se vê a força da empreiteira entre os anos 2006 a 2014 quando teria derramado R$ 10,6 bilhões, exclusivamente para os políticos corruptos. A estrutura da Odebrecht vai muito além do que se imaginava. Todos esses valores que os políticos deles se locupletaram estavam distantes do conhecimento público e seguramente somente os partidos políticos, principalmente seus líderes, tinham informações concretas do que acontecia na calada da noite, ou do dia. Por aí se tem uma diminuta noção de como os inúmeros partidos políticos da República se enriqueciam a larga por baixo do pano. As empreiteiras, principalmente a Odebrecht, mandavam no país com conhecimento (supõe-se) de Lula, que recebia da empreiteira nada menos do que 200 milhões de dólares para fazer conferências nos países latino-americanos, do Caribe e da África, onde a empresa realizava negócios. Os 33 países listados acima estão de acordo com os dados do FMI. São países pequenos, muitos deles sem que haja conhecimento da maioria da população do planeta. De volta a Uol, o valor em dólar, excetuando os R$ 10,6 bilhões, ficou em torno de R$ 3,37 bilhões. Quem levou esses dados ao conhecimento foi o delator baiano Hilberto Mascarenhas, encarregado de realizar os pagamentos da empreiteira.

Terça, 18 de Abril de 2017 - 11:09

Imbassahy não tem missão no Planalto

por Samuel Celestino

Imbassahy não tem missão no Planalto
Foto: Rogério Melo/PR

O ministro Antônio Imbassahy, que ocupa o cargo que foi de Geddel Vieira Lima, está completamente perdido no Palácio do Planalto e não sabe para onde vai ou para onde fica. O cargo de ministro parece ser ainda de Geddel, que mandava e desmandava no Palácio, por ser amigo íntimo de Michel Temer. Aliás, era um dos ministros que entrava no gabinete do presidente sempre que queria, enquanto que, no momento, quem dá as ordens é Moreira Franco. De acordo com informações do Palácio, Antônio Imbassahy é simplesmente um homem que fica alheio às informações, muito distante do que competia a Geddel. Por sinal, todos os funcionários do gabinete de Geddel, continuam exatamente como estavam e não se sabe quem Imbassahy levou. O mandachuva agora é Moreira Franco, cujo gabinete é próximo ao do presidente, de sorte que pode entrar e sair quando quiser e, principalmente, quando é chamado. Imbassahy ficaria melhor se estivesse no seu posto anterior, como líder do PSDB, onde “aparecia” muito mais do que ficar a vagar sozinho no seu gabinete, com pouca coisa a fazer porque não lhe transferem missões. No Palácio do Planalto o que vale é estar próximo ao presidente o que não acontece em relação ao político baiano. A escalada do político foi rápida e demorou a ser chamado para ocupar o cargo de ministro de Estado, ficando a espera do chamado pelo menos um mês e meio, até que o presidente lembrou-se dele. Portanto, o deputado da Bahia, ora ministro, está numa situação em que não é procurado.

Segunda, 17 de Abril de 2017 - 11:11

Lula se desmancha e está sem saída

por Samuel Celestino

Lula se desmancha e está sem saída
Foto: Reprodução/ Facebook

A situação de Lula se complicou a tal ponto que ele passou a ter dificuldades para sair da enroscada que ele próprio se envolveu ao receber propinas da Odebrecht. Ele e seu filho, a partir da delação dos ex-executivos da empreiteira e de terceiros. Não se imaginava que o operário que surgiu no ABC paulista passasse a se envolver com Emílio Odebrecht e, a partir daí, ganhou muito dinheiro, assim como aconteceu com grande parte dos petistas. Mas não somente o seu partido e sim as demais legendas, principalmente o PMDB, o PSDB e o PP, todos envolvidos na tramoia. O ex-presidente da República é quem parece estar pior, juntamente com o senador Aécio Neves que teria recebido no processo eleitoral de 2014 nada menos do que R$ 226 milhões de reais. Voltando à situação de Lula, ele está totalmente encalacrado e deverá assim ficar por muito tempo e se despedir da condição de político. As suas chances para uma nova eleição supõe-se que sejam nenhuma. Na verdade, ele levou o PT que fundou a um despenhadeiro sem retorno. Provavelmente ele será condenado mais cedo ou mais tarde. A ambição do ex-operário, hoje homem rico, levou-o a esta situação e agora não tem como dela sair. Foi-se, imagina-se, a bela história de um operário que construiu um partido e está sem saída. De tal maneira em tamanha dificuldade que poderá vir a ser preso, tal são os processos que irá enfrentar.   

Quarta, 12 de Abril de 2017 - 11:31

Corrupção total atinge políticos do país

por Samuel Celestino

Corrupção total atinge políticos do país
Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF

A política brasileira atravessa um cenário que já era esperado, pelo menos pelos corruptos que já o aguardavam, a espera da lista do ministro Edson Fachin, a partir dos inquéritos abertos por ele. A denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, foi muito além do que era esperado e manchou a República dos políticos que ficarão sem saída. Não há alternativa. Espera-se que mais tempo ou menos tempo haja uma vassourada em regra nos corruptos, o que é absolutamente necessário para as mudanças que o país aguarda, de modo que surja um novo cenário mais digno e limpo e aconteça uma transformação que de há muito se espera. Os políticos, embora estejam confusos com a decisão tomada pelo ministro Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, ficaram mais do que atônitos no fim da tarde de ontem, início da noite, porque não esperavam que o relator retirasse o sigilo dos pedidos de investigação, citando os seus nomes, além de, ao mesmo tempo, abrir inquéritos contra eles. Incapazes de explicações sobre o acontecido, passaram a usar explicações como “acredito na justiça; não tenho nada a temer; nada tenho com os fatos investigados; vou desmascarar as mentiras e demonstrar a minha conduta; os fatos divulgados são inteiramente falsos; estou tranquilo com a minha consciência” e por aí passaram a explicar o que não tem explicação. Enfim, o país aguardava que alguma coisa iria acontecer. Surgiu repentinamente, chegando ao conhecimento da população. A Bahia "contribuiu" para boa parte dos envolvidos com nada menos de dez deputados federais, entre os 49 citados, e mais uma senadora, no caso Lídice da Mata e, dentre outros, Jaques Wagner, ACM Neto, Geddel Vieira Lima. Outros certamente aparecerão.

Quinta, 30 de Março de 2017 - 11:11

As dificuldades de Dilma e Temer

por Samuel Celestino

As dificuldades de Dilma e Temer
Foto: Lula Marques / AGPT

A próxima semana, a partir da terça-feira (4), será de extrema dificuldade para o presidente Michel Temer e para a ex-presidente Dilma Rousseff, quando poderá ter início o processo da cassação da chapa dos dois, principalmente para Dilma e menos para o presidente que, por ora, se afasta do assunto. Será a partir da terça que o ministro Gilmar Mendes, presidente do Superior Tribunal Eleitoral (TSE), deverá dar início à abertura do processo, cabendo ao ministro Herman Benjamin, também do TSE, ficar à frente do caso. A informação que chega através do UOL é de que, embora Benjamin estivesse disposto a votar favorável à cassação da chapa, ao mesmo tempo é contrário a deixá-los inelegíveis. Entende, ainda, que “houve flagrantes  irregularidades na campanha de 2014”, mas até aqui não foram encontradas provas determinantes para o caso. De outro modo, também de acordo com as informações, para que ocorra culpa flagrante dos dois candidatos é necessário que haja provas cabais. Na delação feita por Marcelo Odebrecht, ele teria dito que Dilma sabia do caixa dois em 2014, mas também não apresentou provas decisivas para o que dissera. Embora a delação tenha sido  forte, abriu espaço para o que está acontecendo no setor político no momento. O Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, a partir das delações dos 78 ex-executivos da Odebrecht, abriu fortíssimas dificuldades para o que está acontecendo no país, com intensos problemas para os políticos de maneira geral.

Quinta, 23 de Março de 2017 - 11:18

A política está no centro da crise

por Samuel Celestino

A política está no centro da crise
Foto: Agência Brasil

A Operação Carne Fraca tomou conta do País criando uma crise dentro de outra a partir de fiscais da Superintendência do Ministério da Agricultura. Foram eles, como sabido, os responsáveis pelas irregularidades e a corrupção que aconteceram nos frigoríficos do Paraná, que acabou por tirar o Brasil do circuito da carne para se tornar alvo de diversos países mundo a fora. Os fiscais estavam mancomunados com os frigoríficos, embora nem todos, o que levou a novas dificuldades que o País está a enfrentar, imergindo-o numa nova crise que acompanha a que já existe. O problema não é apenas este. A questão ganha corpo de tal maneira que o rebanho bovino poderá ficar sem compradores, ou seja, o gado perde o valor de venda gerando outra crise dentro das demais. Até parece que o País está sendo acompanhado por uma grande nuvem negra de azar. O governo federal tenta diversas saídas e quando surge uma luz no fim do túnel aparecem outros problemas que não permitem o crescimento que se deseja. Enquanto isso o governo não sabe mais o que e como fazer. Há um imenso número de desempregados Brasil a fora. Quando se imagina que 2017 seria o ano da retomada do crescimento ocorre justamente o contrário. E a nuvem negra reaparece. Enfim, a grande questão está na corrupção desenfreada que agora atinge todos os segmentos, a começar pelo político. É preciso que a sociedade tome decisões rigorosas para afastar esses bandidos, naturalmente com algumas exceções.  A saída é mesmo afastá-los pelo voto.

Segunda, 20 de Março de 2017 - 11:16

A guerra entre Rui e ACM Neto

por Samuel Celestino

A guerra entre Rui e ACM Neto
Foto: Max Haack/ Secom/ PMS

Um dos maiores urbanistas de Salvador é, sem a menor dúvida, o arquiteto Paulo Ormindo, também integrante da Academia de Letras da Bahia. O BN nesta segunda-feira procurou saber o que se esperar do BRT (veja aqui), já com projetos prontos e recursos assegurados pelo governo federal. Ormindo, que integra o Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU-BA), informou o que lhe compete fazer críticas ao projeto do BRT considerando-o “até certo ponto megalomaníaco”. A Prefeitura de Salvador deveria ter consultado os arquitetos ao invés de realizar projetos que poderão não ser adequados para a cidade e que irá de encontro a uma das avenidas mais bonitas da capital, a Juracy Magalhaes Jr. Pelo projeto municipal, o BRT passará pelo canteiro central da avenida, destruindo a verde. Além do mais ainda surgirão alguns viadutos, não se sabe quantos, até chegar à Estação da Lapa. Isso se não bastasse o que está a acontecer na Av. Paralela, cujo canteiro central, antes belíssimo, estará reservado ao metrô que chegará ao município de Lauro de Freitas. O que vai acontecer com Salvador passa a ser uma incógnita. De certa forma o que se vê é que os governos – estadual  e municipal – querem modernizar a cidade e o que está a acontecer entre prefeito ACM Neto e o governador Rui Costa é uma competição pelo governo do estado em 2018.

Quinta, 16 de Março de 2017 - 10:33

A 'Lista de Janot' chega ao público

por Samuel Celestino

A 'Lista de Janot' chega ao público
Foto: Carlos Moura/SCO/STF

A “lista de Janot” que assim foi batizada como referência à lista de Schindler, numa alusão feita pelo ministro da Justiça, Osmar Serraglio, que, em razão, não ficou bem na história, está causando furor entre os políticos por temerem que seus nomes cheguem à lista e, consequentemente, ao público, o que já está acontecendo. Como tudo vaza no país, mesmo que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, tenha silenciado e nada informou, os nomes da tal lista de pelo menos 83 nomes pouco a pouco chega ao conhecimento, e, agora, em sequência. De tal maneira que o presidente Michel Temer quer que a lista de Janot seja revelada, mas para isso dependerá do ministro Edson Fachin que, pelo que se sabe, somente tomará conhecimentos dos nomes na próxima semana e, até lá, a relação em 12 volumes ficará guardada no cofre do Supremo Tribunal Federal. O fato é que mesmo assim o vazamento ocorre no dia a dia, ou noite a noite, a partir do Jornal Nacional, espraiando-se para diversos informativos, como acontece neste Bahia Notícias. Em consequência existe um pandemônio no Congresso Nacional, inclusive aqui na Bahia, em relação aos deputados federais do estado que aparecem na tal lista que pouco a pouco é revelada. No Congresso o pânico é total e não há outra saída para aqueles que receberam propina e que passavam como figuras impolutas e sérias. A expectativa agora é o que acontecerá até 2018 com a eleição que pouco a pouco se aproxima, enquanto o país toma as rédeas e quer mudar a realidade de hoje para políticos melhores, pelo menos melhores, porque este Congresso que aí está é comprometido por receber propina de todas as formas. Os 77 delatores ex-executivos da Odebrecht também têm sua “lista”. Não é somente a de Janot.

Segunda, 13 de Março de 2017 - 10:57

Salvador, a violência e o desemprego

por Samuel Celestino

Salvador, a violência e o desemprego
Foto: Divulgação

A bandidagem está presente no país, principalmente no Rio de Janeiro, em Porto Alegre e nos demais estados, inclusive na Bahia, que está dentre os piores. Em Salvador a violência ganha corpo. Mas, por estas bandas há motivos: a falta de emprego que está também presente no Brasil torna-se maior por estas bandas porque a cada dia a pobreza se alastra. Uma cidade com três milhões de habitantes não tem a menor condição de gerar emprego. Por vários motivos,  dentre os quais a falta de indústrias, o que impede a procura de trabalho. A taxa de desemprego em Salvador é tida como a maior do país. De acordo com o IBGE, que mensurou a posição na região metropolitana em 2016, a RMS apresentava uma queda em torno de 17,4%, considerado alto com a média do país que está em torno de 11,4%. Assim, a taxa de desocupação diante da procura de emprego no segundo semestre passado foi a maior do país. Afastando a região metropolita citada acima, a taxa chega a 19,2%, a maior dentre as 18 capitais, ainda de acordo com o IBGE. Dessa forma, chega-se à conclusão de que a violência que ocorre na cidade de Salvador está entre as maiores capitais. Se for afastado o que se verifica nas favelas do Rio de Janeiro, a violência aqui está entre uma das maiores do Brasil e a cada dia tende a crescer, exatamente pela falta de emprego. A crise que ocorre no país - e se espera que ainda neste ano de 2017 haja uma tendência de queda - passa a ser um bom sinal. Mas, numa cidade de desemprego como Salvador fica difícil. Com 3 milhões de habitantes a situação é mesmo muito complicada. 

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