Quinta, 23 de Março de 2017 - 11:18

A política está no centro da crise

por Samuel Celestino

A política está no centro da crise
Foto: Agência Brasil

A Operação Carne Fraca tomou conta do País criando uma crise dentro de outra a partir de fiscais da Superintendência do Ministério da Agricultura. Foram eles, como sabido, os responsáveis pelas irregularidades e a corrupção que aconteceram nos frigoríficos do Paraná, que acabou por tirar o Brasil do circuito da carne para se tornar alvo de diversos países mundo a fora. Os fiscais estavam mancomunados com os frigoríficos, embora nem todos, o que levou a novas dificuldades que o País está a enfrentar, imergindo-o numa nova crise que acompanha a que já existe. O problema não é apenas este. A questão ganha corpo de tal maneira que o rebanho bovino poderá ficar sem compradores, ou seja, o gado perde o valor de venda gerando outra crise dentro das demais. Até parece que o País está sendo acompanhado por uma grande nuvem negra de azar. O governo federal tenta diversas saídas e quando surge uma luz no fim do túnel aparecem outros problemas que não permitem o crescimento que se deseja. Enquanto isso o governo não sabe mais o que e como fazer. Há um imenso número de desempregados Brasil a fora. Quando se imagina que 2017 seria o ano da retomada do crescimento ocorre justamente o contrário. E a nuvem negra reaparece. Enfim, a grande questão está na corrupção desenfreada que agora atinge todos os segmentos, a começar pelo político. É preciso que a sociedade tome decisões rigorosas para afastar esses bandidos, naturalmente com algumas exceções.  A saída é mesmo afastá-los pelo voto.

Segunda, 20 de Março de 2017 - 11:16

A guerra entre Rui e ACM Neto

por Samuel Celestino

A guerra entre Rui e ACM Neto
Foto: Max Haack/ Secom/ PMS

Um dos maiores urbanistas de Salvador é, sem a menor dúvida, o arquiteto Paulo Ormindo, também integrante da Academia de Letras da Bahia. O BN nesta segunda-feira procurou saber o que se esperar do BRT (veja aqui), já com projetos prontos e recursos assegurados pelo governo federal. Ormindo, que integra o Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU-BA), informou o que lhe compete fazer críticas ao projeto do BRT considerando-o “até certo ponto megalomaníaco”. A Prefeitura de Salvador deveria ter consultado os arquitetos ao invés de realizar projetos que poderão não ser adequados para a cidade e que irá de encontro a uma das avenidas mais bonitas da capital, a Juracy Magalhaes Jr. Pelo projeto municipal, o BRT passará pelo canteiro central da avenida, destruindo a verde. Além do mais ainda surgirão alguns viadutos, não se sabe quantos, até chegar à Estação da Lapa. Isso se não bastasse o que está a acontecer na Av. Paralela, cujo canteiro central, antes belíssimo, estará reservado ao metrô que chegará ao município de Lauro de Freitas. O que vai acontecer com Salvador passa a ser uma incógnita. De certa forma o que se vê é que os governos – estadual  e municipal – querem modernizar a cidade e o que está a acontecer entre prefeito ACM Neto e o governador Rui Costa é uma competição pelo governo do estado em 2018.

Quinta, 16 de Março de 2017 - 10:33

A 'Lista de Janot' chega ao público

por Samuel Celestino

A 'Lista de Janot' chega ao público
Foto: Carlos Moura/SCO/STF

A “lista de Janot” que assim foi batizada como referência à lista de Schindler, numa alusão feita pelo ministro da Justiça, Osmar Serraglio, que, em razão, não ficou bem na história, está causando furor entre os políticos por temerem que seus nomes cheguem à lista e, consequentemente, ao público, o que já está acontecendo. Como tudo vaza no país, mesmo que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, tenha silenciado e nada informou, os nomes da tal lista de pelo menos 83 nomes pouco a pouco chega ao conhecimento, e, agora, em sequência. De tal maneira que o presidente Michel Temer quer que a lista de Janot seja revelada, mas para isso dependerá do ministro Edson Fachin que, pelo que se sabe, somente tomará conhecimentos dos nomes na próxima semana e, até lá, a relação em 12 volumes ficará guardada no cofre do Supremo Tribunal Federal. O fato é que mesmo assim o vazamento ocorre no dia a dia, ou noite a noite, a partir do Jornal Nacional, espraiando-se para diversos informativos, como acontece neste Bahia Notícias. Em consequência existe um pandemônio no Congresso Nacional, inclusive aqui na Bahia, em relação aos deputados federais do estado que aparecem na tal lista que pouco a pouco é revelada. No Congresso o pânico é total e não há outra saída para aqueles que receberam propina e que passavam como figuras impolutas e sérias. A expectativa agora é o que acontecerá até 2018 com a eleição que pouco a pouco se aproxima, enquanto o país toma as rédeas e quer mudar a realidade de hoje para políticos melhores, pelo menos melhores, porque este Congresso que aí está é comprometido por receber propina de todas as formas. Os 77 delatores ex-executivos da Odebrecht também têm sua “lista”. Não é somente a de Janot.

Segunda, 13 de Março de 2017 - 10:57

Salvador, a violência e o desemprego

por Samuel Celestino

Salvador, a violência e o desemprego
Foto: Divulgação

A bandidagem está presente no país, principalmente no Rio de Janeiro, em Porto Alegre e nos demais estados, inclusive na Bahia, que está dentre os piores. Em Salvador a violência ganha corpo. Mas, por estas bandas há motivos: a falta de emprego que está também presente no Brasil torna-se maior por estas bandas porque a cada dia a pobreza se alastra. Uma cidade com três milhões de habitantes não tem a menor condição de gerar emprego. Por vários motivos,  dentre os quais a falta de indústrias, o que impede a procura de trabalho. A taxa de desemprego em Salvador é tida como a maior do país. De acordo com o IBGE, que mensurou a posição na região metropolitana em 2016, a RMS apresentava uma queda em torno de 17,4%, considerado alto com a média do país que está em torno de 11,4%. Assim, a taxa de desocupação diante da procura de emprego no segundo semestre passado foi a maior do país. Afastando a região metropolita citada acima, a taxa chega a 19,2%, a maior dentre as 18 capitais, ainda de acordo com o IBGE. Dessa forma, chega-se à conclusão de que a violência que ocorre na cidade de Salvador está entre as maiores capitais. Se for afastado o que se verifica nas favelas do Rio de Janeiro, a violência aqui está entre uma das maiores do Brasil e a cada dia tende a crescer, exatamente pela falta de emprego. A crise que ocorre no país - e se espera que ainda neste ano de 2017 haja uma tendência de queda - passa a ser um bom sinal. Mas, numa cidade de desemprego como Salvador fica difícil. Com 3 milhões de habitantes a situação é mesmo muito complicada. 

Terça, 07 de Março de 2017 - 10:57

A República sem saída

por Samuel Celestino

A República sem saída
Foto: Alan Santos/PR

Já era do conhecimento público que Michel Temer pedira dinheiro, ou, se quiserem, ajuda financeira a Marcelo Odebrecht, então presidente da empreiteira. Isso em 2014, num jantar do Palácio do Jaburu, cuja missão foi transferida a Melo Filho, um dos muitos intermediários da Odebrecht. Marcelo, na sua explosiva denúncia na semana passada, logo na quarta-feira de cinzas, preferiu dizer que nada sabia do pedido de dinheiro feito por Temer. Deixou esta missão para Melo Filho, um dos seus ex-executivos. O dinheiro foi repassado por ele para Eliseu Padilha, hoje ministro, em torno de R$ 10 milhões. Como na época Michel Temer era vice-presidente da República, e não poderia ter a percepção que chegaria à Presidência a partir da derrocada de Dilma Rousseff, supôs que estava a cavalheiro para realizar o pedido que fez. Aí vem outra história que atinge o presidente: ele sabia de tudo o que acontecia na República, como Dilma também sabia. Tudo aconteceu enquanto o PT comandava o país. Foi quando tudo começou com a corrupção desenfreada, à frente as empreiteiras e políticos. Daí a situação calamitosa que o país enfrenta, com a maior crise que se tem notícia, que  permanece. Ora, se Temer sabia de tudo, a pergunta que se faz é se ele teria condições de comandar a República. Não havia alternativa. Na condição de vice, teria mesmo que assumir. Com as informações que agora chegam sobre ele, por saber de tudo, já não dá para retirá-lo do poder. O único jeito é mesmo ir em frente, sabendo-se que não há outra alternativa e esperar que, em 2018, possa chegar ao comando alguém que tenha decência e competência. Porque Temer absolutamente não tem.

Sexta, 03 de Março de 2017 - 11:46

Temer poderá ficar na corda bamba

por Samuel Celestino

Temer poderá ficar na corda bamba
Foto: Beto Barata/PR

A situação de o presidente Michel Temer não é nada satisfatória a partir do depoimento de Marcelo Odebrecht na última quarta-feira (1º). É de tal sorte constrangedora que poderá leva-lo até a perda do mandato o que, se porventura acontecer, não será nada bom para o País. Não se trata de Temer em si, mas das dificuldades que o país atravessará ao estabelecer uma inconstância no comando da República. Com Marcelo foram ouvidos mais dois ex-executivos da Odebrecht e outros dois estão previstos para serem sabatinados pelo relator do processo contra a chapa de Dilma Rousseff e Michel Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Herman Benjamim. Dificilmente parará por aí, porque ao todo poderá chegar aos 77 ex-executivos da empreiteira, o que não é previsível. De outro modo, Benjamim poderá convocar para depor pessoas que foram citadas pelos delatores de Odebrecht. Citadas, diga-se, nos depoimentos que fizeram. É muito provável que haja esta convocação para vincular, no mesmo caldo, delator e nomes de quem poderá vir a ter culpa no cartório. Estamos, assim, numa nova fase da Operação Lava Jato que coloca lado a lado Dilma Rousseff e Michel Temer, embora Dilma tenha dito, através de nota à imprensa, que nunca participou da tramoia republicana. Difícil acreditar que tenha acontecido o que ela diz. O ciclo que começou com o PT lá no mensalão ganhou tamanha força que nesta nova fase citada acima deverá alcançar os políticos corruptos. É o que se espera e o que o país deseja. 

Quinta, 02 de Março de 2017 - 11:12

Um bobo na corte dos bandidos

por Samuel Celestino

Um bobo na corte dos bandidos
Foto: Bloomberg

No depoimento feita nesta quarta-feira, Marcelo Odebrecht se entendeu como “o bobo da corte” ao entrar em projetos que não desejava, e bancar repasses que também não desejava “sem receber contrapartidas que considerava necessárias”. Bancou campanhas e, se assim foi, como disse, passou a ser “o otário do governo”. Essa foi a forma como Marcelo se expressou por ter repassado 4/5 de doações para a campanha de Dilma Rousseff e, por consequência, também para o atual presidente, Michel Temer, através do caixa 2, que o marqueteiro baiano João Santana ficou encarregado de realizar, a grande parte dos recursos destinados à campanha presidencial. O que Marcelo disse no seu depoimento desta quarta-feira de cinzas ainda poderá vir a público, porque só uma parte chegou ao conhecimento. Entre outras coisas dissera a então presidente Dilma Rousseff, numa viagem ao México quando ambos se encontraram, que todo o dinheiro que a Odebrecht remetia para a campanha passava em primeiro, por ele, em seguida em espécie para o marqueteiro, daí para o também então ministro da Fazenda Guido Mantega. Nesta ocasião, dissera também a Dilma, para que tomasse conhecimento, que os pagamentos efetuados por Santana estavam de certo modo contaminados porque “serviam para pagamentos de propina” e, mais ainda, que o grupo Odebrecht fizera um acordo para liberar para a campanha de 2014 nada, menos do que R$ 150 milhões. As primeiras conversas em relação ao governo petista teriam ocorrido com o ex-ministro Antônio Palocci, em 2008, que foi quem primeiro o procurou para realizar pedidos de doações para campanhas municipais. A empreiteira dissera que não atuava neste cenário e, sim, nas campanhas presidenciais. Como se observa, o esquema montado entre o PT, o governo Dilma, aí estendendo também o governo atual de Temer, que havia solicitado R$ 10 milhões para a sua campanha de 2014, na condição de vice. O roubo, portanto, era total. De um lado e de outro. Assim, não há santo que valha neste andor político.

Terça, 21 de Fevereiro de 2017 - 11:21

Menezes reconduzido ao Conselho de Ética

por Samuel Celestino

Menezes reconduzido ao Conselho de Ética
Foto: Reprodução/ RM & Advogados

Indicado pela então presidente Dilma Rousseff, o presidente da Comissão de Ética da Presidência da República, o baiano Mauro Menezes, foi reconduzido ao cargo por decisão unânime dos conselheiros que, agora, passarão a apurar se ministros teriam interferido também na Bolsa de Valores. Esta decisão foi tomada por uma informação oriunda de um pedido vinculado a uma secretaria do Ministério do Planejamento. A Comissão de Ética da Presidência abrirá ainda processo para analisar se o ministro chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, teria cometido infrações. Padilha está envolvido em situações comprometedoras, a partir da sua empresa Explorer Call Center, que teria recebido R$ 13 milhões da estatal gaúcha Companhia  Rio-grandense de Saneamento (Corsan), cujos contratos estão sendo investigados por serviços não prestados. Esta empresa é da propriedade de Eliseu Padilha e da sua mulher, a advogada Simone Camargo, que seria sócia. O fato é que o ministro chefe da Casa Civil volta e meia aparece no noticiário em situação constrangedora. O curioso é que Padilha e Moreira Franco foram os dois primeiros nomes pinçados pelo presidente Michel Temer e são exatamente eles que mais aparecem no noticiário político envolvidos em complicações e comprometem o presidente da República.

Quinta, 16 de Fevereiro de 2017 - 11:08

Com Velloso, Temer acertou na mosca

por Samuel Celestino

Com Velloso, Temer acertou na mosca
Foto: José Cruz/ Agência Brasil

Depois de muita procura por um nome para ficar à frente do Ministério da Justiça, tudo passa a crer que o presidente Michel Temer encontrou, afinal, quem se encaixa com perfeição no posto. Trata-se do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Velloso, um nome reconhecido e com estatura para comandar a pasta. Enquanto isso, volta e meia surgem divergências em relação ao seu ex-ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, indicado como numa espécie de vice-versa para integrar o Supremo, na vaga deixada por Teori Zavaste. Moraes tem estatura para integrar o STF, não há o que se negar, mas sobre ele surgem questões que envolvem suspeição de que tenha copiado textos integrais de autores estrangeiros para emoldurar os livros que produziu sem citar os direitos autorais de quem de direito. O ex-ministro do Supremo, Carlos Velloso, é visto como um homem adequado para o ministério da Justiça. Já com 81 anos, está em plena forma como se observa nas suas declarações que na verdade não são muitas. Integra o PSDB, mas não fica nem à esquerda nem à direita. Assim, ao que parece, Michel Temer parece ter acertado na indicação que agora somente depende da aceitação de Velloso. Para o presidente está definido. Achou um nome que vai além da equipe do seu ministério que, por sinal, tem muitos senões. E não são poucos.

Quarta, 15 de Fevereiro de 2017 - 11:32

O ganha pão dos ex-governadores

por Samuel Celestino

O ganha pão dos ex-governadores
Foto: Arquivo
Com informação do BN, afinal a pensão vitalícia para os ex-governadores da Bahia foi derrubada por determinação da Vara da Fazenda Pública (veja aqui). Na verdade, não havia a menor razão para que os ex-governadores tivessem tal privilégio para continuarem recebendo vantagens vitalícias. Esta decisão ocorreu quando o então deputado estadual Newton Macêdo Campos, já falecido, apresentou um projeto de lei na Assembleia Legislativa da época, que acabou por ser aprovado. O então ex-governador Régis Pacheco (1951-1955) médico em Vitória da Conquista, de onde saíra para ocupar a vaga do candidato Laurindo Régis, que morrera num desastre de avião no início dos anos 50. O que Macêdo Campos propunha com o seu projeto era permitir que Régis Pacheco, na época em que os políticos eram honestos, atravessava sérias dificuldades para sobreviver, depois de ter sido governador da Bahia. A sua proposta dizia respeito exclusivamente à situação de Régis. Com o tempo, a Assembleia tomou uma decisão segundo a qual todos os ex-governadores baianos teriam direito a receber seus proventos, ou salários, vitaliciamente e assim foi feito. Os deputados não estavam interessados em comprar briga com ex-governadores e deu-se a manobra que terminou favorecendo todos os ex de cambulhada, transformando-se numa festa com a população passando a pagar o custo pela vitaliciedade. Portanto, a partir de Régis Pacheco houve uma decisão legislativa para atender a todos, com o povo sendo responsável pelo pagamento. E assim ficou. Espera-se que a decisão tomada pela Vara da Fazendo Pública se mantenha porque não há nada mais absurdo do que a manutenção de salários para ex-governadores do estado. Eles não precisam.

Histórico de Conteúdo