Quinta, 04 de Fevereiro de 2016 - 07:50

Coluna A Tarde: Um país em choque

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: Um país em choque
Foto: Acervo pessoal
O que fazer para que Lula deixe a enroscada em que está envolvido e que o coloca há cerca de quase uma semana nos vídeos das emissoras televisivas? Procura-se agora um porta-voz competente que funcionaria com uma espécie de assessor político de qualidade, que se incumbiria da interlocução com a mídia. Surgiu o nome de Nelson Jobim, que já ocupou o ministério da Justiça e de quem Lula é amigo há longo tempo. Jobim é um político marcante, mas parece estar em recesso.

Seria um bom nome, assim como poderia ser outro do mesmo gabarito. Lula não está em condições de fazer a sua defesa que envolve o sitio de Atibaia e o apartamento tríplex que teria sido comprado por Marisa Letícia e posteriormente devolvido à OAS, já no final do ano passado.

Neste retorno do recesso político, o que ocorreu na terça-feira (2), provavelmente o legislativo ainda ficará com pouca movimentação, embora o presidente do Senado, Renan Calheiros, já pretenda colocar projetos em votação, com possibilidade de quorum reduzido. Quorum se deu na teça, com a presença de Dilma no Congresso para a leitura da sua mensagem de início de ano. Desejava colocar pontos importantes, como a CPMF e a questão da aposentadoria que ela almeja ter o apoio da sua base aliada e, se possível, também de setores oposicionistas. São duas questões de relevo para tentar, ainda em 2016, reduzir a crise econômica. O retorno mesmo dos políticos ao Congresso é esperado para depois do Carnaval.

A ordem do dia até lá ficará a cargo de Lula e da sua defesa que envolve seus familiares. Há cerca de três meses surgia rumores de que o ex-presidente seria alcançado pelo Ministério Público e pelo Judiciário porque já havia sinais evidentes da compra do apartamento tríplex em Guarujá e o envolvimento dos seus filhos em diversas outras questões ganhando seguidamente páginas de revistas semanais, especialmente da Veja, além de estarem presentes nos principais jornais do país.

Ao ganhar corpo tais evidências, sabia-se que a qualquer momento o ex-presidente iria aparecer no cenário. Boa parte do PT já estava envolvida, principalmente em consequência da explosão dos escândalos na Petrobras pela desvairada corrupção que atingiu, em cheio, a maior estatal do país. Os escândalos que agora envolvem o ex-presidente já eram percebidos pelo Lava Jato e pelo Ministério Público, e certamente, Lula já teria tomado conhecimento da situação com antecedência antes, de se tornar pública.
 
Ele terá que ter explicações plausíveis e convincentes. O PT em processo de queda passou a ser o centro, justo pelos escândalos que atingem a legenda, sobretudo o seu fundador. O partido tem sido o alvo das investigações que abrangem parte da agremiação e das empreiteiras envolvidas que acabaram por levar muitos dos seus executivos à prisão. As investigações estão focadas no ex-presidente Lula, que passou a ser a bola da vez, e deverão ganhar corpo a não ser que explicações que até aqui não foram digeridas, por serem incertas, componham um mosaico favorável a ele. Todos os que foram ouvidos apresentam à justiça informações que vão de encontro o que a família do ex-presidente diz. A cada dia os sinais pioram.

A presidente Dilma agora determinou aos seus ministros que passem a fazer a defesa de Lula juntamente com os aliados dos partidos a que pertencem. É muito difícil, posto que no seu ministério não há nomes proeminentes e o governo está fragilizado. Principalmente a presidente da República cuja popularidade é fraquíssima. Como é do partido passa a ter a obrigação de conclamar quem está ao seu lado para somar em defesa do ex-presidente, que também está em queda de prestígio político.


* Coluna publicada originalmente na edição desta quinta-feira (4) do jornal A Tarde

Quinta, 04 de Fevereiro de 2016 - 07:50

A situação de Pinheiro

por Samuel Celestino

A situação de Pinheiro
Foto: Lucas Franco/ Bahia Notícias
O senador Walter Pinheiro, que antes estava com um pé fora do PT e agora não se sabe se continuará no mesmo diapasão, não quer nem pensar em ser candidato do partido à prefeitura de Salvador. Está fora do seu foco. Quem se coloca é Juca Ferreira, também do partido, que já tentou chegar ao cargo. É um bom nome, mas a questão é que o partido não dispõe de outros possíveis candidatos que possam se ombrear com ele numa disputa dentro da legenda. Ele passa a ter, então, a preferência petista. Já o prefeito ACM Neto está em grande vantagem para a sua reeleição pelo trabalho que tem conseguido realizar em Salvador. É o candidato preferencial com possibilidades fortes de enfrentar o governador Rui Costa em 2018. Rui será candidato à reeleição e vai bem na sua gestão. Se Neto for à disputa com o governador estará com 40 anos de idade, já com grande experiência política e de comando. Walter Pinheiro é bem votado em Salvador, mas não tem o menor interesse na disputa eleitoral deste ano. De certa maneira, não se sabe também se Pinheiro mantém a ideia de se afastar do PT para se engajar em outra legenda, como era do seu propósito. O PT baiano pode ter como candidato à senatoria em 2018 (serão dois senadores eleitos). A presunção é que sejam candidatos Pinheiro e o ministro chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, que tem duas opções: ou a senatoria pela Bahia, ou a candidatura à presidência da República, já que não há nomes no PT (até aqui) para competir. Lula parece fora de circuito.
Terça, 02 de Fevereiro de 2016 - 11:57

Opinião: O desgaste de Lula

por Samuel Celestino

Opinião: O desgaste de Lula
Foto: Heinrich Aikawa/ Instituto Lula
O desgaste do ex-presidente Lula complica não somente a ele como atinge, em cheio, o PT, no que pese ainda continuar como o partido mais popular do país. O sítio de Atibaia onde, segunda a revista Época ele teria “visitado” 111 vezes desde 2013, soma-se ao condomínio Solaris, onde teria um tríplex. Este somatório explosivo o leva à desmoralização da sua imagem a partir das denúncias seguidas da mídia, que dispõe de informações que se chocam com o que ele e o seu advogado não conseguiram até agora explicar de forma conveniente. O sítio é considerado da sua propriedade. Um dos seus, filhos, Cláudio, aparece com um dos sócios e a questão permanece confusa. Sobre o apartamento da OAS a empreiteira silencia. Não lhe diz respeito informar sobre os compradores do prédio Solaris, a não ser que a justiça o exija. O advogado destacado para dar informações aceitáveis, somente complicou, aumentando as dificuldades do ex-presidente e o enriquecimento dele e dos seus familiares. Com isso, o PT possivelmente tentará, supõe-se, se distanciar do imbróglio, assim como tem ocorrido com a presidente Dilma Rousseff. Ela nada tem a ver com a questão e não irá tomar partido para não piorar a situação de crise política e econômica que tenta debelar, além da sua imagem completamente desgastada. O Partido dos Trabalhadores desce a ladeira. Até que ponto não se sabe.
Domingo, 31 de Janeiro de 2016 - 07:50

Coluna A Tarde: O condomínio Solaris

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: O condomínio Solaris
Foto: Divulgação
A Operação Lava Jato focou suas investigações num condomínio em Guarujá, o Solaris, onde havia desconfiança de que a família do ex-presidente Lula era, ou é, possuidora de um apartamento tríplex. Não é fato novo. Já havia muitas especulações sobre tal condomínio envolvendo a mulher de Lula, Marisa Letícia, e os filhos do casal, também recaindo suspeitas sobre eles. A explosão do caso atraiu todas as atenções da mídia sobre o fundador do PT.

Volta e meia o círculo fecha sobre seus familiares, principalmente sobre os filhos. O próprio Lula respondia pessoalmente às acusações que lhe eram feitas, mas desta vez se valeu de um advogado porque não teria mesmo que ser sua a missão explicativa. A Lava Jato deve ter informações sólidas sobre o caso, é o que se imagina. Não é improvável que chegue ao ex-presidente. Seus dois períodos de comando da república foram marcados por sérios problemas entre os quais o “Mensalão”, que complicou o seu primeiro mandato. Dá-se conta de que a Polícia Federal tem em foco uma suspeita “de alto grau de titularidade dos imóveis”, o que parece possível.

As complicações para Lula pioraram na última sexta-feira quando, pela primeira vez, foram intimados ele e sua mulher para deporem no Ministério Público na “condição de investigados”, o que é muito diferente de “convidados”. Como a OAS aparece como proprietária do condomínio Solaris, o dono da empresa, Léo Pinheiro, assim como o engenheiro que teria reformado o tríplex, Igor Pontes, de igual modo foram intimados. Piorou ainda quando o promotor declarou que pretende oferecer denúncia à justiça contra Lula.

Observa-se que a cada manobra das investigações da operação centralizada no Paraná  a situação piora para o ex-presidente e para o próprio PT. A legenda já imagina realizar, no final de fevereiro, nos dias 26 ou 27, época do aniversário do partido, um ato de apoio e desagravo a Lula. As dificuldades do partido estão espraiadas. São numerosas. Não é apenas a complicada situação de Luiz Inácio, mas de maneira geral, os problemas que o Partido dos Trabalhadores enfrenta numa fase difícil que coloca em xeque o governo Dilma, envolvendo-o numa crise sem precedentes em relação à política e à economia do país.

O que mais parece é que o país caminha para o imponderável. Não há quaisquer sinais de melhora embora nesta semana que se findou a presidente resolveu reunir – o que não acontecia desde 2014 – o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social para discutir uma tentativa de reviravolta, principalmente com o uso dos bancos oficias para injetar 83 bilhões de reais em crédito diversificado em setores da economia que está completamente sufocada.

Pode ser que, a partir desta medida, haja uma melhora favorecendo o país de maneira geral. Por estar envolvida com a questão do impeachment, a presidente demorou demasiadamente para reunir o “Conselhão” e adotar providências de sorte a minorar a situação econômica. Espera-se que as suas decisões tenham respostas positivas, na medida em que perdeu todo o ano passado preocupada com a sua própria crise que estava centrada dentro do Palácio do Planalto.

* Coluna publicada originalmente na edição deste domingo (31) do jornal A Tarde

Domingo, 31 de Janeiro de 2016 - 07:50

O Pierrot e a Colombina

por Samuel Celestino

O Pierrot e a Colombina
Foto: Reprodução / Opinião e Notícia
O governador Rui Costa e o prefeito ACM Neto se desentenderam sobre o carnaval baiano, que ficou na berlinda a partir da denúncia de Neto sobre “calote” do governo do estado em relação à sua cota que não teria sido paga no carnaval passado. De um lado Rui usou o ano eleitoral (eleição das prefeituras) para dizer que o prefeito expandiu a folia para bairros não previstos e a partir daí houve o troco. Em época carnavalesca isto é bem normal que aconteça quando o governo e a prefeitura se desentendem e quando os dois poderes são comandados por partidos diferentes. Faz parte da época dos festejos momescos. Tudo acaba na quarta-feira de cinzas ou até pode continuar, como ocorreu em Salvador, que espichou a folia por mais três dias e caiu nas graças do povo. Ora, se até o pierrot e a colombina se desentenderam, por que não em plena época que se aproxima do carnaval? Afinal, em ano de eleições municipais e Neto candidato à reeleição, é natural a arrelia entre ambos. Foi um duelo político, não pessoal. Deve-se entender assim e nada mais. Se o pierrot chorou e a colombina não viu, tudo vira apenas uma batalha de confetes. Como acontecia nos carnavais do passado.
Quinta, 28 de Janeiro de 2016 - 07:40

Coluna A Tarde: País espera contenção da crise

por por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: País espera contenção da crise
Foto: Acervo Pessoal
A presidente Dilma Rousseff não parece estar encaminhando seu governo na direção que se imaginava correto neste período de fim de recesso político. Por ora parece esperar o que acontecerá pós-carnaval para se livrar dos problemas que ainda estão presentes, entre eles o impeachment que dá a impressão – espera-se - que já se trata de fogo morto. O Supremo Tribunal Federal permanece indeciso em como encaminhar o pedido oferecido pelo procurador-geral de Justiça, Rodrigo Janot, sobre o afastamento, ou não, do complicado Eduardo Cunha da presidência da Câmara.
 
Aguarda-se que haja uma definição depois do recesso parlamentar porque razões, e muitas, continuam, e Cunha é um estorvo que dificulta um possível e esperado fim desta crise política que se soma à da economia, está muito mais difícil para conter. Sem que haja uma mudança de rumo do Executivo a situação do país tende a piorar. O STF está ainda indefinido, como ocorre com a maioria dos colegiados, mas o que se imaginava seria que, por solicitação de Janot, o presidente da Câmara fosse afastado logo após o recesso. Naturalmente após entrar em pauta no Supremo e contando com a definição de votos de, pelo menos, seis ministros.
 
 Ninguém desconhece que situação de Cunha é complicadíssima. De tal sorte que poderá levá-lo à perda do mandato por decisão da Corte, ou  deixe a presidência para lutar pelo mandato, o que também parecer improbabilíssimo. Neste último caso ele teria que arregimentar seus seguidores para tentar impedir que venha a ser cassado no Conselho de Ética. Os seus espaços, como se observa, se tonam cada vez mais curtos. O STF parece estar em dificuldades para agir. A sinalização chegou ao governo sob a alegação de que “não há elementos pára afastá-lo da presidência da Câmara”. O portador teria sido o próprio presidente do colegiado, o ministro Ricardo Lewandowsky, segundo a Folha de S.Paulo.
 
Portanto, a situação do Brasil continua complicada. É necessário que haja um movimento político coletivo para afastar a crise do segmento, de sorte que o governo possa se debruçar exclusivamente sobre a economia para reencontrar saídas para a normalidade, o que não parece fácil. A responsabilidade sobre o que está presente é inteiramente do governo que não teve competência para agir como deveria lá no início do primeiro mandato de Dilma. Não há nenhuma novidade sobre esta assertiva. Os erros aconteceram lá atrás sem que houvesse medidas concretas para dizimar a crise que se avizinhava e ganhando impulso de 2014 para cá, justo quando a presidente desperdiçou o ano para cuidar da sua reeleição.
 
Não há o menor sinal de que o governo esteja tomando as providências que são do seu dever. Muito pelo contrário. A crise poderá melhorar neste 2016, mas até agora nada se fez. O que aflora são mais dificuldades, com expectativas (torce-se que não) que haja piora neste primeiro semestre. Se não houver reação, as dificuldades tendem a ser impulsionadas e com isso os problemas ganharão corpo como acentuam os economistas e o FMI que a presidente Dilma Rousseff não deu trela. O país atravessa uma situação inimaginável. Não há sinais positivos à frente.
 
* Coluna publicada originalmente na edição desta quinta (28) do jornal A Tarde
Domingo, 24 de Janeiro de 2016 - 07:40

Coluna A Tarde: Dificuldades do país aumentam

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: Dificuldades do país aumentam
Foto: Acervo pessoal
Com o recesso parlamentar, consequentemente com a política adormecida, Dilma Rousseff ganhou espaço para procurar entendimentos que antes não podia fazer porque estava acossada pela possibilidade do impeachment. Agora, com o fantasma que a perseguia afastado, até quando não se sabe, ela fica livre para, sem dar conta a ninguém, procurar se entender com segmentos políticos, entre eles a oposição. Assim ela pensa, mas não parece fácil. Já sinalizou para alguns dos seus ministros que quer ampliar seus diálogos.

Um relacionamento com a oposição é difícil e não há a menor razão para isso. Cada partido tem o seu objetivo. Ela já interferiu no PMDB, ao apoiar o seu ministro Leonardo Picciani para liderar a legenda na Câmara. No final desta semana que se foi Dilma procurou o vice-presidente Michel Temer que, em dezembro, divulgou uma dura carta a ela dirigida que alcançou larga repercussão. Não estavam rompidos, tão somente afastados.

Observa-se que a presidente está em movimento. Ao fazê-lo, denota que não pretende ficar como em 2015, cercada de dificuldades políticas e econômicas, principalmente esta que derruba o país e o lança em sérias complicações, principalmente com uma inflação que não se sabe até onde chegará. O desemprego já lança milhões de brasileiros em dificuldades para sustentar as suas famílias, principalmente aqui em Salvador, uma capital com três milhões de habitantes e com mais de 20% desempregados.
   
Diante do recesso do período a presidente tenta manobras. Com o chegar de fevereiro, a política retorna a todo vapor, embora o início do mês lhe seja ainda favorável pela semana de carnaval que lhe possibilitará um curto período de férias. Depois, é muito provável que seus problemas aumentem substancialmente. Ela terá complicações consecutivas. O segmento político ganhará impulso e será cobrada pelo péssimo governo que realiza.

A princípio, o próprio PT pretende afastá-la, juntamente com Lula, da propaganda político-eleitoral na expectativa de preservar a ambos. No ano passado sempre que os dois apareciam no vídeo para explicações, quaisquer que fossem, havia panelaços nas principais capitais do país e presumivelmente assim continuará a ocorrer porque, de lá para cá, nada aconteceu de positivo para o país. Muito pelo contrário. São grandes as possibilidades de que este 2016 continue na mesma batida do ano anterior. Pelo menos é assim que o FMI entende imaginando que a recuperação da economia só aconteça em 2018, justo no ano em que Rousseff deixará o poder. Se assim for, entregará a presidência com uma das piores gestões que se tem notícia na história.

O retorno do recesso será um período de agito, a começar pela possibilidade de que o Supremo Tribunal Federal (STF) retire da presidência da Câmara o deputado Eduardo Cunha, um nome marcado pela corrupção embora continue tendo muitos seguidores na Câmara a ele obedientes por lhe deverem favores. A pedido do procurador-geral da Justiça, Rodrigo Janot, o STF somente não o afastou no final de ano porque também entrou em recesso, mas não lhe restará outra opção até porque ele responde a processo no próprio Tribunal. Terá duas opções: ou ele se afastará da presidência, permanecendo com seu mandato parlamentar, ou será cassado, levando-o à situação do senador Delcídio do Amaral que desde novembro está preso, embora ainda senador da República, onde não ficará muito tempo. Aliás, Delcídio pode preferir a delação premiada, na medida em que foi esquecido pelos seus companheiros do PT.
Espera-se, portanto que este início de ano após recesso parlamentar a política se inflame com as cobranças que alcançarão Dilma Rousseff. A cada momento o Brasil é empurrado para sarjeta, juntamente com a China, cujo crescimento está aquém do que dela se esperava. Nós estamos muito pior.


* Coluna publicada originalmente na edição deste domingo (24) do jornal A Tarde

Quinta, 21 de Janeiro de 2016 - 07:40

Coluna A Tarde: A Petrobras desaba

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: A Petrobras desaba
Foto: Acervo pessoal
A mais importante estatal brasileira, a Petrobras, está a descer a ladeira mais rápido do que se imaginava. Não se trata tão-somente da crise econômica, mais, principalmente, da crise política resultante da incompetência gerencial nos dois períodos do PT no governo, basicamente o governo Dilma Rousseff que ditava as ordens para seu então ministro da Fazenda, Guido Mantega. Ele as cumpria cegamente. Crise política porque a presidente usou a petroleira para reduzir o preço do combustível, mantê-lo congelado e chegar à reeleição. Agora, diante da crise do petróleo com a queda dos preços, enquanto os principais países o deixam flutuar, no Brasil dá-se o inverso.

Os preços consequentemente se estabilizam nas alturas enquanto a população paga um valor que não deveria, além da inflação e das dificuldades da economia que derruba o emprego e empobrece o país. O valor do petróleo desabou a um patamar absurdo. A petroleira se endivida enquanto a corrupção manchou de tal ordem a estatal que gerou a Lava Jato. Chega-se agora à conclusão, de acordo com o juiz substituto da 3ª Vara Federal do Rio de janeiro, ao aceitar a denúncia do Ministério Público Federal sobre o pagamento de propina, que a extorsão vinha de longe. Alcançou o governo Fernando Henrique Cardoso, em 1999, o de Lula e o de Dilma Rousseff.

Os réus citados pelo juiz são nomes conhecidos, todos envolvidos com  propinas, entre eles Pedro Barusco, Jorge Zelada, Renato Duque e Paulo Roberto Costa. Somam-se a eles funcionários da petroleira, os representantes da empresa holandesa SBN Offshore, Júlio Faerman e Luis Eduardo Campos Barbosa. O que a Petrobras, totalmente endividada está agora a experimentar é resultado de uma situação que vem de longo tempo, mais ganhou corpo nos últimos anos. Seria impossível que seus diretores e presidentes da estatal durante tal período não soubessem o que acontecia, porque eram inúmeros funcionários que participavam da corrupção. Dilma Rousseff foi presidente do Conselho Deliberativo. Como não sabia? Os presidentes que se iniciaram lá atrás também não podem dizer que desconheciam o que acorria. Só se fossem cegos e muitos podem dizer até que eram. Seria muito improvável que assim fosse.

Agora está aí a estatal do petróleo, principal empresa brasileira que se tornara, ao passar dos tempos, uma empresa sadia e agora está em frangalhos e com dificuldades de tal maneira que já não se sabe o que com ela acontecerá, posto que está sem condições de pagar as suas dívidas. Tida com uma das dez mais importantes do mundo, há pouco tempo orgulhosa com a descoberta do pré-sal que no momento passa a ser inviável, soma dificuldades sobre dificuldades.

Tudo isso é resultado da incompetência governamental. Dilma escapou do impeachment, cujos motivos não eram suficientes para apeá-la do poder, mas a suas gestões são as piores que se tem notícia a partir da redemocratização do país. Está a levar o país ao caos. Para completar, quando se esperava que a situação econômica brasileira pudesse ter uma melhora pequena neste 2016, o FMI revela que o Brasil só melhorará em 2017, ou 2018 quando, afinal, ela deixará o governo. Serão mais três anos perdidos embora se espera que assim não seja.


* Coluna publicada originalmente na edição desta quinta-feira (21) do jornal A Tarde

Terça, 19 de Janeiro de 2016 - 10:34

Opinião: Neto não tem dilema

por Samuel Celestino

Opinião: Neto não tem dilema
Foto: Valter Pontes/ Agecom
A forma de pensar de um político não me leva a crer que o prefeito ACM Neto esteja meditando se vale, ou não, candidatar-se à prefeitura mais uma vez ou se descompatibilizará do cargo em 2018 e bater chapa com o governador Rui Costa. Raríssimos políticos raciocinam desta forma. Ademais, Neto foi recentemente considerado o melhor prefeito das capitais do país e, de fato, a sua gestão é marcada pelas ações positivas que empreende. Mesmo que a situação econômica da prefeitura de Salvador se complique, como já está a acontecer com a crise econômica que varre a República de ponta a ponta, consequência das gestões dos dois governos petistas, principalmente o de Dilma Rousseff, Neto certamente não desistirá da reeleição para decidir com o governador em 2018. Por ora, ele é disparadamente um candidato para competir e marcar, ainda novo, as sua ações administrativas, de sorte a enfrentar o governador que experimenta, tanto quanto o prefeito, o desastre econômico brasileiro que, de acordo com FMI, hoje divulgado, somente mudará a cena e retomará o crescimento justo nas eleições governamentais. Será justamente aí que Neto decidirá qual o caminho que tomará: se deixará a prefeitura depois de dois anos (após a reeleição) para o enfrentamento, ou se permanecerá no posto. Dependerá basicamente do quadro político em 2018. Assim, os interlocutores da prefeitura que lançam esta equação, estão a soltar simplesmente um balão que apenas rodopiará, mas não terá força para subir.
Segunda, 18 de Janeiro de 2016 - 12:35

Governos sacam contas judiciais

por Samuel Celestino

Governos sacam contas judiciais
Foto: Rafael Neddermeyer / Fotos Públicas
As dificuldades do país são tais que pelo menos 11 governadores estaduais apelaram para saques judiciais (sob a guarda do Judiciário) de sorte a pagar parte da dívida com a União. Dentre os estados que utilizaram dos recursos para impedir rombos nas suas contas, a Bahia está fora, segundo informações do CNJ. Os depósitos judiciais, ou sob custódia dos tribunais, resultantes de recursos do governo, de empresas ou pessoas físicas em litígios que envolvem contas administrativas pela justiça até que haja, ou ocorra, decisão final da contenda. Atualmente estão sob custódia dos diversos tribunais R$ 127 bilhões e, deste total, 13% foram sacados pelos 11 estados federativos. Quem mais sacou - algo em torno de sete bilhões - foi o Rio de Janeiro, que atravessa situação difícil em consequência da queda do valor do petróleo. Resta saber como os estados devolverão ao Judiciário os recursos sacados para atender as suas dificuldades.

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