Com Samuel Celestino

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Marcelo Guimarães Filho

"Não existe chance alguma de renunciar. Encaro os protestos e movimentos com muita serenidade"

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Entrevistas

Marina Silva

De olho no calendário eleitoral e no relógio, a ex-senadora Marina Silva tem rodado o Brasil com o objetivo de coletar assinaturas para a criação do partido Rede Sustentabilidade. Na última semana, a ex-verde esteve em Salvador, capital do estado onde conseguiu 10 mil assinaturas, de acordo com ela, e conversou com o Bahia Notícias sobre o caráter do movimento, que começou a ser discutido ainda em 2011, após sua saída do Partido Verde. “A experiência socialista no mundo causou a degradação ambiental no mesmo nível que a experiência capitalista. Então, a sustentabilidade está à frente destes dois modelos, igualmente insustentáveis do ponto de vista do equilíbrio do planeta. (...) Nós somos sustentabilistas. É uma palavra nova. Assim como esquerda e direita foram palavras novas na Revolução Francesa”, comparou. Ministra do Meio Ambiente ainda na gestão Lula, Marina criticou o governo Dilma pelo projeto que pretende dificultar o acesso de novas legendas a recursos do Fundo Partidário e tempo de propaganda, além de prometer entrar com uma ação de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal, caso o texto seja aprovado no Congresso. “É um projeto claramente direcionado à Rede. E eu digo mesmo. Claro que o governo e o PT sabem que as ideias novas, a palavra nova, têm força. E hoje nós estamos com 300 mil assinaturas, com três meses de criação. Para chegar a isso, a maioria dos partidos leva de oito meses a um ano”, disse. Além de reafirmar sua posição contrária ao casamento gay – e à realização de um plebiscito sobre o tema – Marina contou que o assunto será discutido, junto com a descriminalização do aborto e das drogas, em um congresso da Rede, provavelmente em setembro de 2014.

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Segunda, 16 de Julho de 2012 - 11:10

Publicado no jornal A Tarde, em 19 de junho de 1989 - O Perigo da Sucata

por Samuel Celestino

Já não há como mascarar o fracasso da política econômica. O presidente começa a pedir socorro pelo desastre criado pelo seu governo, convidando o Congresso a assumir postura de solidariedade e co-responsabilidade para levar a bom termo a transição e passar o poder ao seu sucessor que, em novembro, será eleito.

O Brasil assombra-se com o fantasma argentino e Sarney talvez esteja, no seu apelo, com o pensamento voltado para Alfonsín, que entregará o bastão ao eleito Carlos Menem no fim do mês, para evitar o desastre total e o rompimento completo social do País. A apreensão brasileira tem real sentido. E tanto é que também um grupo de 70 empresários, reunidos em São Paulo, defendeu um plano de emergência sob a coordenação do Congresso Nacional.

O temor é a ameaça de hiperinflação que, se acontecer, desagregará a sociedade com consequências desestabilizantes para as instituições democráticas. A camisa de força do Plano Verão não deu resultado e a incerteza voltou a ocupar o lugar de sempre, já que o governo, com o controle do sistema econômico praticamente perdido, não dispõe mais, em estoquem de remédios ou medidas paliativas. É provável que o País tenha que atravessar um duro período até a eleição.

As previsões já apontam para uma inflação em julho que oscilará entre 22 a 27%, um percentual inaceitável que colocará o Brasil à beira do abismo. Não há, é certo, perigo de um retrocesso institucional. Por ora. Mas não se pode afastar absolutamente nada quando o quadro é de incertezas e o governo não controla os rumos. O ministro da Fazenda, Maílson da Nóbrega, alerta para o agravamento do quadro econômico e explica a situação de forma pouco convincente. Chega a relacionar, entre fatores que geram a crise, o psicológico como se isso fosse uma coisa nova. Desde que a inflação fez deste País morada, os ministros que ocupam a cadeira da Fazenda falam nisso, assim como na inflação inercial.

Se a inflação disparar mesmo, embora o governo, como sempre, descarte, vai ser necessário um novo choque na economia, de sorte a aprisioná-la artificialmente, sem o que não se chegará, com o mínimo de tranqüilidade a novembro. E, no momento, está em jogo a sucessão presidencial. Ela está no centro desse painel feito de dúvidas. De um lado, a campanha sucessória é benéfica, pois é um fator diversionista, isto é, transfere para a expectativa da disputa parte das atenções da sociedade. É bom que se fale em Ulysses, em Collor, Lula e companheiros de sociedade política limitada Porque quebra a tensão e diminui o tal fator psicológico a que Sarney aludiu, ao convocar o Congresso Nacional à condição de co-responsável por este barco doido em que o País foi transformado pela incompetência governamental.

Fala-se em mudança da equipe responsável pela área econômica. Mas isso não resolve, porque dificilmente alguém dará solução à questão num período em que o governo entra na fase de crepúsculo. Sarney nada mais tem o que fazer ou solucionar. O que dele e do seu ministro agora se espera é que concluam o qüinqüênio sem permitir ameaças desestabilizantes. O pior é que não há perspectivas de solução a tomar como base as posturas dos candidatos à Presidência da República.

Até o momento, nenhuma apresentou um projeto, um plano de ação. Todos ficam a falar, a trocar farpas sempre com os olhos pregados nos resultados apresentados pelos institutos de pesquisas. Só Afif Domingues prometeu debater com a sociedade. Collor é vazio; Ulysses volta-se para dentro do PMDB; Brizola pensa na Austrália; Covas formou um grupo para estudo e, até agora, nada. Assim, a questão central fica mesmo em tentar encontrar uma fórmula para tocar o barco, sem permitir que ele afunde, oferecendo o mínimo de estabilidade político-institucional. Aí está o espelho da Argentina para facilitar a reflexão. O exemplo portenho tem que ser observado cuidadosamente pelo Brasil, porque os dois países correm no mesmo paralelo. Os problemas têm muito de semelhança.


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Gel Varela

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