Domingo, 20 de Maio de 2012 - 09:00
O PSDB é um partido charmoso, como charmoso é o seu símbolo, o tucano. É uma legenda que abriga a aristocracia política paulista, onde comanda o governo Estado. Quase feudo. Aqui na Bahia, o PSDB é uma agremiação nanica, que se movimenta sob orientação paulista e não por seus integrantes regionais. Não cresce nem conseguirá fazê-lo até entender que, para ter votos baianos, o partido terá que funcionar também no Estado e não ficar dependente dos interesses paulistas, aos quais serve.
Aqui, o PSDB apenas faz de conta e procurar zelar pelo charme que vem da paulicéia, que não é desvairada em política, pelo contrário. Sabe controlar e até tratar como colonizados os diretórios regionais nordestinos, especialmente nestas bandas. Se para SP o símbolo é o vistoso, multicolorido e tropicalíssimo tucano, para a Bahia o símbolo da legenda deveria ser o velho pau de arara. Que desembarca em São Paulo para servi-lo politicamente da forma e modo como for mandado. Nesse aspecto não é “pau de arara”, mas a velha forma de nomear aqueles que recebem ordem: pau mandado.
Foi lá, pelas bandas dos velhos bandeirantes quatrocentões, que o DEM arriou suas malas para fazer um trato de rolo com os votos tucanos baianos, na medida em que a Bahia é o último reduto e esperança do herdeiro do PFL, que foi herdeiro do PDS, que foi herdeiro da bisavó Arena dos generais da ditadura. Eles vão negar aos pés da santa cruz. Mas não colará. A verdade é que, de cima para baixo, rifaram a sucessão municipal baiana ao sufocar, num chega para lá, o sonho de Antônio Imbassahy voltar a ser prefeito.
Imbassahy se contorceu nas dores da traição. Não é assim, ressalve-se, que entende o PSDB. Para o partido, o que vale não é a prefeitura daqui, mas a prefeitura paulistana ser comandada por José Serra. Afinal, é uma prefeitura gorda que esnoba por ser o segundo orçamento do País.Terceiro, se contar o poder federal. Foi acordo sanfranciscano, na base do “toma lá-dá cá.”
O negocio foi feito desse modo: Serra e o PSDB de lá se acertaram como senador José Agripino, presidente do DEM nacional, ou lá quem o representou. O acerto de Serra: vocês, do DEM nacional, me apóiam aqui, em SP numa aliança em que usarei o horário de vocês no rádio e na televisão e, em contrapartida, o PSDB não lançará candidato à prefeitura de Salvador, passando a apoiar o candidato do DEM, ACM Neto. Fechado? Fechado. Tudo normal, porque política é mesmo uma arte de negociar que o eleitor pouco sabe. Tudo certo, então. Acontece, porém, que o tucanato daqui, melhor, o “pau de arara” baiano tinha em Antônio Imbassahy um pré-candidato forte. Foi decapitado na última sexta feira.
Até o final do processo de negociação o ex-prefeito e deputado federal insistiu em não acreditar, embora soubesse de tudo o que acontecia no breu das tocas paulistanas. Interessante é que, durante todo esse processo em que ele era julgado incompetente para concorrer à prefeitura de Salvador e caminhava para ser guilhotinado, sempre defendeu o deputado federal Jutahy Magalhães Jr., que comanda a regional do PSDB baiano.
Por que isso? Porque enquanto Jutahy enxerga o projeto nacional dos tucanos de lá, Imbassahy via (e não estava errado) a possibilidade de ganhar em Salvador onde as pesquisas internas o colocam em segundo lugar na preferência do eleitorado soteropolitano. Mais ainda: considera, também, que se o PSDB não participar de eleições com candidatos próprios,a tendência (e está certíssimo) é a legenda na Bahia minguar, minguar e se desidratar definitivamente. O partido já é nanico e não empolga. Se não disputa, adeus viola.
Já ACM Neto, que será o beneficiado com o acordo PSDB-DEM, também está certo. Ele e o seu presidente, senador José Agripino, estão com a visão exclusivamente voltada para seus interesses partidários. A eleição de Salvador pode ser a tábua de salvação da legenda, que chegou ao ponto de diminuir de tal maneira que pode sumir do mapa. Agripino disse isso aqui, na festa de lançamento de Neto. Para ele, o deputado e candidato a prefeito é a principal e última jóia da qual o DEM dispõe. Se o partido renascer, isso acontecerá a partir da Bahia, a partir de Salvador. Se Neto perder, o antigo Titanic, que surgiu na era dos generais, vai a pique, deixando apenas no rastro da sua popa uma história presente nos últimos 45 anos da política tupiniquim. Que pode ser contada assim, assim. Nem boa, nem ruim. As duas coisas ao mesmo tempo.
De resto, o DEM ficou bem com o acordo que maltratou Imbassahy, mas o PSDB vai pagar o preço, a prenda, lá o que seja. Se Neto porventura ganhar a Prefeitura, dará lugar aos paus de arara na administração municipal. E daí? De mais a mais, Imbassahy acatou a decisão do PSDB em silêncio, com um cavalheiro. Fica sabendo porém e desde já que ele é bom para ser deputado. Nada mais, como na roleta do jogo, onde o crupier dá as cartas e recolhe o botim dos perdedores.
*Coluna de Samuel Celestino publicada no jornal A Tarde deste domingo (20).
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Quinta, 17 de Maio de 2012 - 09:55
por Samuel Celestino

Composição: Tiago Melo | Bahia Notícias
Seguramente, o governador Jaques Wagner foi informado pela presidente Dilma Rousseff do convite formulado ao ex-senador e ex-governador César Borges para ocupar a vice-presidência de governo do Banco do Brasil como, de igual maneira, acontece em relação à nomeação de Geddel Vieira Lima para a vice-presidência de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica. Se, no segundo caso, não houve maiores ruídos, na indicação de César a zoada foi ensurdecedora. Diante de tamanha movimentação (que me levou a um erro numa entrevista por mim feita com o deputado do PR, Elmar Nascimento, corrigida a tempo) é necessário esclarecer a forma como tudo aconteceu. Não foi de agora, nem de ontem. A promessa foi feita por Dilma antes de chegar à Presidência, justo entre o primeiro e o segundo turnos, num momento em que a luz amarela das pesquisas acendeu nos arraiais petistas. César e Geddel Vieira Lima tinham sido derrotados nas eleições baianas. O primeiro para o governo e, o segundo, para o Senado. Aconteceu em momentos separados. Ambos com testemunhas, entre os quais Antônio Palocci. Com Geddel num encontro em que estava presente o presidente do PMDB, Michel Temer, hoje presidente; e com César na presença do presidente do PR, Alfredo Nascimento, ex-ministro dos Transportes demitido por Dilma.
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Quinta, 17 de Maio de 2012 - 09:50
por Samuel Celestino
Nos atos dos convites, já que o PMDB de Geddel apoiava Dilma na Bahia e o PR presidido regionalmente por César Borges de igual modo, a então candidata Dilma firmou seu compromisso. A indicação de Geddel saiu no início do governo, por não haver atrito, pelo contrário, com o PMDB nacional. Mas a de César demorou, justo pelos problemas que giraram em torno do PR nacional, envolvido no que a presidente chama de “malfeito’ (corrupção, numa palavra mais objetiva) que atingiu o presidente da legenda, Alfredo Nascimento. A insatisfação do PR rolou e ainda perdura. Agora com a situação mais calma, a presidente honrou a promessa e fez o convite ao ex-senador para ser vice-presidente do BB. Parou por ai. O zunzunzum do convite deu margem a uma boataria sem tamanho envolvendo cargos no governo de Wagner para o PR baiano. Como normalmente acontece, o ruído se espalhou pela imprensa (contaminou esta coluna que agora repõe os pesos e as medidas dos dois fatos). Assim, nem Geddel chegou, nem César chegará a cargos federais por fatos aqui gerados envolvendo o governo baiano. Tudo tem a ver com a campanha presidencial. A esse assunto só volto, a partir das revelações que ora faço, se surgiram fatos novos e concretos. Por hora, ponto final e a Inês é morta.
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Quinta, 17 de Maio de 2012 - 09:00

Há cerca de 30 dias a CPI Mista foi constituída. Está diariamente na mídia, com larga exposição, mas, desde o inicio e até aqui só conseguiu ouvir dois depoimentos, justo delegados da Polícia Federal, aliás, com bons resultados. Esperava-se pelo depoimento do foco da Comissão, o contraventor Carlinhos Cachoeira, mas, numa manobra jurídica do seu advogado, Márcio Thomas Bastos, bateu às portas do Supremo Tribunal Federal com um pedido de habeas-corpus. Alegava que o réu não poderia depor sobre assuntos e documentos que não conhecia, porque a CPI não lhe permitira. A decisão foi favorável porque, de fato, ninguém pode responder sobre documentos que não teve acesso. Mas, agora vai. A CPI distribuiu os documentos de que dispõe com os parlamentares que a compõe. Estão também ao alcance do advogado de Cachoeira. Não tem do que reclamar.
Assim posto, o contraventor será novamente convocado a depor e, presume-se, nada tem mais a alegar. Só lhe resta demonstrar que o atraso, via STF, foi uma mera chicana jurídica, isso se o bicheiro mantiver silêncio e não responder às perguntas que lhe serão feitas. Essa é uma alternativa. A outra, parlamentares, empresas, policiais e governadores envolvidos, de acordo com os grampos, tremem só em pensar na possibilidade. É se Cachoeira resolveu falar e abrir o jogo, jogo que é, sabidamente, da sua seara e conhecimento.
Com um mês em trabalho para ouvir apenas dois delegados, a CPI está sob fogo dos críticos e se defende dizendo, através do seu relator, que “o seu trabalho não é somente a oitiva dos supostos envolvidos, mas organizar os documentos que lhe foram enviados pelo Supremo Tribunal Federal.” Não se pode a ele negar razão. É fato, porém, que esta CPI, que é uma bomba que pode explodir, não ofereceu, até aqui, as emoções esperadas pela imprensa e por quem gosta de tais investigações, positiva para o processo de limpeza tupiniquim.
Na verdade, CPI só é boa mesmo quando aparece oferecendo-se para depor uma mulher traída; um sócio de suspeito que se julgue ludibriado ou, e aí é o máximo, uma cafetina, tipo Jane Mary Corner, que deixou metade dos maridos brasilienses, sobretudo parlamentares, com o coração batendo em desespero, ameaçando estraçalhar casamentos.
*Coluna de Samuel Celestino publicada no jornal A Tarde desta quinta-feira (17).
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Quarta, 16 de Maio de 2012 - 12:10
por Samuel Celestino

Foto: Tiago Melo / Bahia Notícias
O deputado Antônio Imbassahy, que pretende a candidatura do PSDB à prefeitura de Salvador, está em fase de muda. Não abre o bico. Aguarda a consolidação, ou não, de uma aliança entre o DEM e o PSDB para saber exatamente como fica. Políticos a ele vinculados nada falam sobre os planos futuros de Imbassahy, mas não escondem que ele estaria em desacordo com a aliança, que beneficiaria a ACM Neto em detrimento da sua postulação. Ainda mais diante das pesquisas internas dos partidos, que o colocam em situação privilegiada na preferência do eleitorado da capital. Tudo o que se afirmar sobre ele no momento não passaria de mera especulação diante do seu silêncio.
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Quarta, 16 de Maio de 2012 - 09:55
por Samuel Celestino
A Ferrovia Oeste-leste (Fiol), que nasceu de um sonho e da tenacidade do falecido deputado federal baiano Vasco Neto, nunca soube o que são trilhos. Está fora deles em razão de uma série de atrasos e complicações na construção da principal obra federal que se realiza na Bahia. Talvez agora ande. A carimbada Delta Engenharia, que já saiu de cena, na semana passada comunicou que está fora do consórcio. Era dela o maior contrato do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que de crescimento não apresenta nada. O contrato é em torno de R$ 574 milhões. No último dia 8, a empresa SPA Engenharia, sócia da Delta, comunicou à Valec – estatal encarregada das ferrovias – que assumiu a parte que competia à tal Delta, que mudou de nome. Quem sabe agora a Oeste-Leste não dá sinais de que está viva?
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Terça, 15 de Maio de 2012 - 16:18
por Samuel Celestino

Foto: Fernando Duarte / Tudo FM
O deputado estadual pelo PR, Elmar Nascimento, um dos mais combativos integrantes do grupo dos 18 que compõem a oposição na Assembleia Legislativa, revelou que há amplas possibilidades de compor o bloco governista, caso seja este o caminho do seu partido, cujo presidente regional, César Borges, irá ocupar a vice-presidência de Governo do Banco do Brasil. Elmar afirmou que o convite partiu da presidente Dilma, em contato telefônico com César, mas tem certeza de que o governador Wagner foi consultado antes que o convite fosse efetuado e foi favorável. Elmar disse que é homem de partido e acompanha César. Considera que o caminho está aberto para um entendimento entre o ex-senador e o governador. “A oposição na Bahia é feita por 18 parlamentares na Assembleia, e só. Combatemos o que consideramos errado, sem qualquer outro sentido. Na verdade, a oposição baiana não tem qualquer objetivo do que pretende, e sequer comando. Ninguém se entende, não se conversa, e a falta de entendimento está aí, exposta, com os desencontros nas conversas envolvendo a sucessão municipal”, afirma. O parlamentar considera-se bem à vontade porque as suas posições e combates não se vinculam à pessoa ou às pessoas que estão no governo. "Se houver um acordo entre César Borges e o governador Jaques Wagner, não serei empecilho, pelo contrário. Marcho com o meu partido", avisou. As declarações foram feitas em entrevista a mim concedida no programa Bahia Notícias no Ar, da Tudo FM, no início da tarde desta terça-feira (15).
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Terça, 15 de Maio de 2012 - 09:00

O contraventor Carlinhos Cachoeira era senhor de um reino. Reino de Valparaíso, cidadezinha de Goiás, de onde monitorava uma bancada congressual, liderada pelo, até aqui, senador Demóstenes Torres, alguns deputados, pelo menos dois governadores, Marconi Perillo, cujo poder político no estado não invadia as fronteiras do reino cachoeirano, ao contrário, e o do Distrito Federal, Agnelo Queiroz. Além disso, empresas, policiais civis e militares dentre outras autoridades e asseclas de nível variado.
Com PIB suficiente para distribuir propinas e agrados para todos - detentor de 30% do lucro do jogo que comandava - o rei Carlos Cachoeira deverá estar, hoje, diante da CPIM que investiga sua grande quadrilha. Se responderá ás perguntas que lhe serão feitas, ou se ficará em silêncio, só o seu advogado, Márcio Thomas Bastos, um dos melhores do País, poderá responder.
Num documento sigiloso que obteve da Policia Federal com exclusividade, o jornalista da UOL, Josias de Souza, informa que a PF ``confirma uma suspeita que vem inquietando parte dos membros da CPI do Cachoeira: os diálogos transcritos no inquérito da Operação Monte Carlo representam apenas uma ínfima parte das escutas telefônicas captadas durante a investigação.`` Tudo porque para transcrever o que conseguiu, nem o efetivo da PF de todo o Pais seria capaz de fazê-lo, a não ser se houvesse paciência da CPIM para aguardar anos e anos.
Soube-se, pelo documento, que o reino tinha total proteção de sorte que “qualquer veículo ou pessoa suspeita que circule pelas redondezas da pequena Valparaiso, é imediatamente investigada pelos policiais cooptados pela quadrilha.” Seguramente, não sabiam disso o ex-presidente Lula nem o presidente do PT, Rui Falcão, que impulsionaram a CPI. Imaginavam (poe Dirceu nesta história) que, caso instalada, lançaria sobre o julgamento do mensaláo uma nebulosa. Se soubessem, não teriam cometido o erro que acabou gerando mais problemas para o partido. Ao invés de atrasar o julgamento, a CPIM ativou-a e o julgamento ainda este ano passou a ser uma exigência da opinião pública. A Polícia Federal também revela que a Operação Monte Carlo nada tem a ver com a Operação Vegas, que não chegou a ser enviada para o Supremo, supostamente por ter documentos insuficientes para denúncia da grande quadrilha, cuja dimensão era desconhecida. A PF, ainda segundo os documentos recebidos por Josias de Souza, informa que essa segunda operação nasceu de “diversas denúncias anônimas” e de uma requisição da 3a Promotoria de Justiça de Valparaíso. Informa, ainda, que ``não há menção a nenhum pedido da Procuradoria da República.``
Diz o documento que o jornalista tem em mãos que “a partir da análise das centenas de diálogos transcritos, comprovamos que o verdadeiro chefe de toda organização criminosa é Carlinhos Cachoeira, que literalmente manda nos policiais civis e militares [...] mediante paga de propinas regulares, escreveu a PF no texto de março do ano passado. Foi por conta do envolvimento dos policiais goianos que a Polícia Federal foi acionada pela Promotoria de Vaparaíso.
Se Cachoeira é “uma alma que quer falar”, não se sabe. Espera-se que sim e que seja breve, se possível hoje na CPMI. Se ele vier a falar e quando falar espalhará tanta lama que o Centro-Oeste desta República virará um imenso brejo. Em tempo: ao fechar esta coluna o STF ainda não decidido sobre o habeas-corpus para adiar o depoimento de Carlos Cachoeira na CPMI.
*Coluna de Samuel Celestino publicada no jornal A Tarde desta terça-feira (15).
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Terça, 15 de Maio de 2012 - 08:56
por Samuel Celestino
Nada do que está acontecendo na pré-campanha da sucessão municipal estava previsto. Os partidos oposicionistas tentaram ao extremo a união deles para enfrentar os governistas, que terão como candidato o deputado Nelson Pelegrino. Falaram, falaram e falaram entre eles até ficarem exaustos. Só não sabiam que a aliança seria possível contanto que fosse construída em torno de ACM Neto, do DEM. O PSDB aceitou por decisão nacional, embora Neto negue que houve tal acordo. É sua palavra contra as circunstâncias e o que setores tucanos confirmam. Imbassahy foi rifado. Quem quiser negar o óbvio tem todo o direito democrático de fazê-lo. Das legendas grandes da oposição está de fora, a ver a paisagem, o PMDB que terá que se definir com Mario Kertész. Ou não.
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Terça, 15 de Maio de 2012 - 08:50
por Samuel Celestino
Se embolam os planos oposicionista, também nesta situação, de igual modo ficam os do situacionismo comandado pelo governador Jaques Wagner. Em dezembro, para ocupar logo o espaço, o PT se definiu por Nelson Pelegrino. Só não contava que o tradicional aliado, o PCdoB, entrasse no tablado disposto a brigar pela Prefeitura de Salvador que é limão amargo, mas todos querem. O presidente regional da legenda, deputado Daniel Almeida, garante que a candidatura da deputada Alice Portugal está mantida. Quer espaço próprio e não apenas fazer sombra para o PT. Mas diz que é aliado de Wagner e não tem quem modifique esta posição. Difícil, mas tem todo o direito. Pelas regras do jogo, talvez as regras antigas, quem vai ao combate tem que usar luvas e isso significa, para explicitar a imagem talvez imprópria, descer do tablado da gestão estadual. Ou não.
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Domingo, 13 de Maio de 2012 - 09:00
por Samuel Celestino
O reaparecimento do ex-governador César Borges no cenário político baiano acontece em grande estilo, deixando no passado uma cicatriz resultante de uma decisão errada, mas na época, compreensível porque pessoal. O governador Jaques Wagner dava como certo o apoio do PR à sua candidatura à sua reeleição e, em contrapartida, César teria assegurada a candidatura ao Senado em sua chapa. O ex-governador recuou e, com isso, Wagner acabou elegendo Walter Pinheiro e Lídice da Mata. Borges perdeu a aposta e o Senado. Agora, com praticamente assegurada sua resposta positiva a um convite da presidente Dilma para ocupar a vice-presidência de Governo do Banco do Brasil, o presidente regional do PR desembarcaria na administração para compor a base já elástica do governador, possivelmente levando dois ou três cargos de importância, um deles a Secopa. São postos hoje ocupados pelo PCdoB, que não estaria confortável no governo. O problema maior para César são dois deputados combativos da oposição que fecham com ele na Assembleia. São Elmar Nascimento e Sandro Régis.
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Domingo, 13 de Maio de 2012 - 09:00
por Samuel Celestino
O que está posto acima ainda não foi concretizado. São informações vazadas para os bastidores, com amplas possibilidades de confirmação nesta semana que se inicia. É fato que o PR e César Borges não pretendem apoiar a candidatura de ACM Neto, do DEM. Até porque, o ex-governador foi o primeiro naipe forte a deixar o então PFL, pai do DEM. Quer do partido distância, assim também ocorreu quando Borges não aceitou participar da chapa de Wagner como candidato ao Senado. Já o PCdoB decididamente se distancia, pelo menos na Bahia, do PT, embora integre o governo. Comanda greves, como a dos professores, tem candidato próprio à prefeitura, com a deputada federal Alice Portugal, e se absteve de votar o projeto de aumento dos professores, recentemente, na Assembleia. O desconforto cruzado e visível.
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Domingo, 13 de Maio de 2012 - 08:45

Há fundadas desconfianças de que a tentativa de envolver o procurador geral da República, Roberto Gurgel, no escândalo patrocinado pela ação de Carlos Cachoeira, que abriu espaço para a CPMI, tem tudo a ver com o processo do mensaläo que, provavelmente, entrará em pauta no STF para julgamento ainda este semestre. Foi Gurgel que apresentou denúncia contra os 38 réus e será ele que sustentará a acusação contra a quadrilha.
A carga pesada em sua direção é bancada no Congresso por parte do PT, principalmente pelo ex-líder na Câmara, Cândido Vacarezza. A presidente Dilma Rousseff preferiu ficar distante do que acontece (Lula também se afastou), porque, de fato, a postura que lhe compete é deixar os dois poderes – Legislativo e Judiciário – se desincumbirem das suas missões, a CPMI e o julgamento no Supremo. O PT tentou, em diversos momentos, dificultar as duas ações, não somente através de parlamentares como do presidente da legenda, Rui Falcão.
Até aqui tudo o que fizeram foi acertar os próprios pés. Aliás, o PT não consegue formar boas cúpulas diretivas. Tanto nacional como em alguns estados, como aqui na Bahia, por exemplo. Foi na cúpula do PT, com José Genoíno, então presidente da legenda, e mais alguns patetas do mal, como Silvinho, que passou a ser conhecido como “Land Rover” e Delúbio Soares que o escândalo do mensaläo explodiu.
A diretriz estabelecida para o funcionamento da CPMI até aqui parece acertada, com depoimentos iniciais de dois delegados da Policia Federal. Na quinta feira, ao deslindar fatos da operação Monte Carlo, o delegado Matheus Rodrigues respondeu a perguntas durante oito horas e complicou especialmente o governador de Goiás, Marconi Perillo, e o do Distrito Federal, Agnelo Queiros. Ambos deverão depor na CPI e seus mandatos, ao que tudo indica, irão para o brejo, como aconteceu com o de José Roberto Arruda, também governador do DF. Não só. Pela primeira vez emergiu a informação de que nada menos de 81 autoridades aparecem nas gravações da PF. Segundo o delegado, a Polícia Federal acumulou 250 mil horas de conversas interceptadas em ligações feitas pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira e integrantes da sua organização criminosa.
As autoridades relacionadas entre os 81 nomes publicados pela imprensa não estão necessariamente vinculadas á organização do bicheiro. Surgiram nas conversas grampeadas o que, de outro modo, demonstra o poder do contraventor e asseclas em se relacionar e se imiscuir em diversos segmentos dos poderes republicanos.
*Coluna de Samuel Celestino publicada no jornal A Tarde deste domingo (13).
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Quinta, 10 de Maio de 2012 - 09:00

De largada, a CPMI iniciou seus trabalhos em bom estilo. Revelou, já no primeiro dia de trabalho efetivo, que se seguir este ritmo fará muitas vítimas. No depoimento do delegado da Polícia Federal, Raul Alexandre Souza, que, durante sete horas, ele conseguiu espalhar brasas suficientes para queimar o senador Demóstenes Torres, que, presumo, já esteja com seu mandato incinerado no Conselho de Ética do Senado. Disse que Torres usou seu mandato a serviço do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Era uma espécie de pau mandado mediante “agrados”.
Demóstenes já não gera frisson. É uma dessas figuras que agem com dupla personalidade. Ao ser desmascarado, atraiu a repulsa dos seus companheiros do Senado, o que leva a crer que ou renuncia o mandato para não ficar inelegível e com direitos políticos suspensos, ou será cassado, mesmo com o voto secreto, processo que camufla traidores. O voto deveria ser, em todos os colegiados, aberto, transparente.
A novidade do primeiro dia é que entrou na dança o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, o deputado Protógenes, ex-delegado da Polícia Federal, dois deputados – Sandes Jr. e Loréia, que já haviam aparecido nas investigações e nas transcrições de grampos da PF. De acordo com o depoente, Gurgel teria recebido o relatório da Operação Vegas, anterior à Operação Monte Carlo, em 15 de setembro de 2009 e, simplesmente, silenciou. Nada fez. Como é do conhecimento, quando já havia muitos ruídos acerca das ações à sombra (nem tanto) de Carlos Cachoeira. Gurgel pediu abertura de inquérito contra Demóstenes no Supremo Tribunal Federal (STF) em 27 de março deste ano. Segundo o jornal O Globo, isso aconteceu cinco dias depois de o veículo revelar “o conteúdo das ligações entre o senador e Cachoeira.” Essa Operação Vegas teria gravado mais de mil horas de conversas entre Demóstenes e o bicheiro. É muito tempo. Se isso de fato aconteceu, o ex-senador do DEM seria o tentáculo mais importante da organização criminosa. O depoimento do delegado da Polícia Federal, Raul Alexandre Souza, complicou o procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Diz o jornal que “Pelo menos dois parlamentares que integram a CPI, e não são da base governista, mudaram de opinião em relação ao procurador depois de ouvir o delegado.”
O que Gurgel fará? Ele havia se negado a depor na CPI, alegando a sua participação como denunciante, mas, a partir da revelação, terá que esclarecer a acusação ou ficará muito mal. Em dúvida, no caso, não é “pro réu”, pela posição que ele ocupa na República. Vê-se, portanto, que esta CPI poderá expor uma teia criminosa no Centro-Oeste maior do que se esperava.
*Coluna de Samuel Celestino publicada no jornal A Tarde desta quinta-feira (10).
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Quinta, 10 de Maio de 2012 - 08:55
por Samuel Celestino
A decisão do PSDB em apoiar a candidatura de ACM Neto, do DEM, à Prefeitura de Salvador deixou em dificuldades o pré-candidato tucano Antônio Imbassahy, que vê o seu chão partidário fugir dos pés e deixa o PMDB num cipoal de dar gosto, na medida em que, por mais que se negue, a pré-candidatura de Mário Kertész desliza na corda banda. Se perguntarem a Geddel Vieira Lima se Mário será o candidato do partido, ele dirá que sim, e de igual modo responderá o apresentador da Metrópole. Respondem assim pela obrigação política de fazê-lo, porque até a oficialização dos candidatos em convenção, tudo ainda pode acontecer. Menos, é o que dizem, mudar o apoio do PSDB ao DEM, o que vale como uma vitória na Bahia do prefeiturável tucano paulistano, José Serra. Dessa maneira, Salvador e São Paulo se entrelaçam num estranho caminho, que não deveria ser –e de fato não é- um “caminho natural”.
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Quinta, 10 de Maio de 2012 - 08:50
por Samuel Celestino
Se mantido for o acordo de apoio recíproco, aqui e em São Paulo, num fogo cruzado do DEM e do PSDB, ou seja, num autêntico “toma lá dá cá”, Antônio Imbassahy será crucificado, mesmo aparecendo em segundo lugar nas pesquisas internas. Ficará literalmente chupando limão, observando o bonde que era seu partir com outro passageiro a bordo: o deputado federal ACM Neto. O PMDB, por seu turno, ficará isolado. O que Geddel Vieira Lima e seu irmão Lúcio poderão fazer? Manterão Mário Kertész, que perde a densidade que começava a ganhar (ainda segundo tais pesquisas), mesmo que não tenha êxito no primeiro turno? E num caso, bem provável, de Nelson Pelegrino passar com Neto para o segundo turno numa disputa final, como agirá o PMDB? Fechará com o DEM ou se divide com o partido do qual é adversário na Bahia, o PT de Pelegrino, embora seja o lastro mais importante de Dilma no plano nacional? De qualquer maneira, a oposição esperava se unir nas eleições de Salvador para impor uma derrota ao governo petista e armar uma equação para tentar conquistar o governo em 2014. O primeiro projeto, começar uma estrutura por Salvador, dá sinais evidentes de fracasso. Com relação a 2014, faltam nomes para a oposição, mas, como sempre, nunca se sabe nem eu sou oráculo para arriscar. O que sei e todos sabem é que a aliança oposicionista foi apenas um sonho que começou no início do verão e foi sepultado no outono.
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Quarta, 09 de Maio de 2012 - 16:21
por Samuel Celestino
Nem a população nem a prefeitura municipal pode se queixar sobre inteligências luminosas que povoam, como "técnicos", a Transalvador. Com trânsito caótico, os tais "técnicos" ajudam a complicar com fantásticas ideias que, um dia, darão um nó indissoluvel no trânsito da cidade. São gênios. Tal fato já está a acontecer na Av. Paulo VI em direção à Rua das Espatódias, que lança trânsito volumoso na Av. Tancredo Neves. Pois lá, entre o final da Paulo VI com a Espatódias, colocaram um semáfaro maluco que determinou o completo caos. Como a Transalvador está ausente, sequer sabe que não há retorno de quem sobe a Espatódias, vindo da Av. Magalhães Neto e deseja retornar à Paulo VI. Os motoristas utilizam, então, na tora e na raça, a primeira rua que sobe na direção à parte alta do Caminho das Árvores e retornam 30 metros depois ladeira abaixo para entrar no fluxo de reforno à avenida. Aí para quem sobe e para quem desce. Todos ficam com cara de paisagem (os mais tranquilos) ou irritadíssimos (os nervosos) diante da incompetência geral da Transalvador. É complicado descrever o que se passa. Mais complicado é, porém, vivenciar a burrice consagrada dos luminares municipais. Esta cidade está a se transformar em um "paraíso". Mas só para o prefeito João Henrique.
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Quarta, 09 de Maio de 2012 - 09:07
por Samuel Celestino

Foto: Fellipe Sampaio/SCO/STF
Diferentemente da época de Franklin Martins, no governo Lula e do incentivo à tropa radical do PT, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) resolveu criar um Fórum Nacional do Poder Judiciário e Liberdade de Imprensa para barrar as tentativas de impor censuras e processos à ação da imprensa, a partir de decisões judiciais contrárias à liberdade de imprensa. Não se trata de um avanço, embora também o seja, mas um pulo à frente do Judiciário brasileiro em defesa de um principio constitucional que é basilar para a existência do Estado Democrático de Direito. A proposta surgiu, nada mais nada menos, do presidente do CNJ, Ayres Britto, também presidente do Supremo Tribunal Federal, que inaugura no Judiciário – e já era em tempo – uma era de iluminismo para combater as trevas que se desejava que recaíssem sobre a liberdade de imprensa, patrocinadas por figuras radicais e integrantes especialmente do PT, envolvendo funcionários e ex-funcionários do governo. Ayres Britto manda um aviso sobre a missão do Fórum: acompanhar o cumprimento da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que julgou ser incompatível com a Constituição a Lei de Imprensa aprovada ainda no governo militar e que, de acordo com o STF, criava embaraços para o livre exercício da liberdade de imprensa. As aves de agouro e os que querem se escudar em malfeitos em decisões judiciais se fragilizam. Cresce o Judiciário.
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Terça, 08 de Maio de 2012 - 11:02
por Samuel Celestino
Vai gorar a tentativa dos governadores Sérgio Cabral, do PMDB, e Agnelo Queiroz, do PT, que querem que seus partidos os blindem para não deporem na CPMI. Também entraria na jogada Marconi Perillo, do PSDB, que governa Goiás. As legendas estão em dificuldades e não se responsabilizarão pela missão que, se tentada, os agravaria e eles perderiam qualquer confiabilidade, se é que resta alguma. Os partidos rejeitam a missão, feita no breu das tocas, e não abertamente. O PMDB, de qualquer sorte, não vê motivos para a convocação de Cabral, mas a dança de Agnelo e de Perillo é tão desencontrada quanto a de Cabral, companheiro de viagem do ex-presidente da Delta para uma farra em Paris, embora eles digam “que foram trabalhar”. O PT sabe que Agnelo Queiroz está rifado e por seu mandato não dá um tostão furado. Da mesma maneira entende o PSDB em relação a Perillo. Assim, o PMDB ficaria isolado em qualquer tentativa para blindar o governador do Rio. Por ora, vale o velho bordão: “o pau que dá em Chico dá em Francisco”.
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Terça, 08 de Maio de 2012 - 08:30

A CPI Mista do Congresso que promete (só promete) devassar o esquema corrupto montado pelo contraventor Carlos Cachoeira começa a trabalhar, efetivamente, hoje. Em foco, o envolvimento de parlamentares, três governadores, a empresa Delta e suas ramificações, funcionários públicos, inclusive da Policia Federal. O primeiro a ser ouvido na Comissão é o delegado da PF, Raul Alexandre Marques, que esteve à frente da Operação Vegas. Começa com depoimentos que podem facilitar a armação do xadrez que, ao findar, poderá, ou não, desvendar fatos que ampliarão o escândalo para proporções inimagináveis.
De início, a CPI é um enigma. Tenta-se evitar – é o caso do governador do Rio, Sérgio Cabral – que os integrantes da comissão sejam condescendentes e favoreça os corruptos, com a proteção dos partidos que integram. Nesse caso está o PMDB, que abriga Cabral. O governador quer convencer a cúpula da sua legenda que impeça a sua presença para depor. Suas relações com a Delta Engenharia foram demasiadamente expostas, daí a incógnita que carcará a CPI. Ademais, a imprensa estará, seguramente, com todos os holofotes voltados para os trabalhos da Comissão.
Mais do que isso. O Supremo encaminhou documentos contendo gravações e transcrições à CPI com a orientação para que não deixe vazar para o público. Uma missão quase impossível. Um colegiado composto por senadores e deputados federais é quase um fator de impossibilidade para o cumprimento da recomendação. O que marcará, possivelmente, esta CPI, impelindo-a a agir com rigor, é justamente um esquema oculto que vaza para a imprensa, a conta-gotas, informações sobre trechos das gravações.
De outro modo, o Palácio do Planalto dá sinais de que não pretende usar o seu poder para favorecer qualquer tipo de pizza. A presidente Dilma Rousseff entrou numa rota que leva à compreensão de que não pretende se movimentar para encobrir absolutamente nada. O Congresso é forte, mas sozinho também não arriscará facilidades. Nos últimos dez dias, a presidente resolveu agir como nenhum outro presidente teve coragem de fazê-lo: enfrentar os poderosos banqueiros e suas entidades, denunciando-os pelo excessivo lucro nas suas operações, em detrimento da população.
Como ela disse neste final de semana, prejudicando trabalhadores e empresários como juros extorsivos que impedem a expansão do crédito. Foi hábil. Juntamente com o discurso, usara, antes, os bancos oficiais para escudar sua (possível) briga com os banqueiros, derrubando os juros na certeza (o que aconteceu) de que os bancos privados teriam que acompanhar a ordem que partia da Presidência da República. Aliás, neste aspecto Dilma parece que permanecerá derrubando os juros, usando os instrumentos do Banco Central.
Ora, quem age desta forma não vai dissipar os ganhos que amealha defendendo políticos na CPI, blindando-os com ajuda dos partidos de sua base de sustentação. Se as legendas oficiais procederem de forma contrária, assumirão o ônus. Os partidos de oposição oferecem sinais de que exigirão punições. É o caminho que a eles se impõe em ano eleitoral. Da sua parte, a presidente disse que os funcionários públicos que estejam comprovadamente envolvidos serão demitidos. Há sinal mais forte do que esse sobre a posição que a presidente adotará no caso específico? O que transparece é outra verdade: ela tomou gosto pelo caminho que escolheu, o de dizimar a corrupção, pelo menos em atos que estejam ao seu alcance. Como resposta, as pesquisas demonstram que rapidamente Dilma se torna popular, sem que, para isso, tenha que fazer concessões ao populismo. Uma atitude diametralmente oposta a de Lula, que usava o palanque enquanto evitava enfiar a mão na cumbuca e deixava a barca correr, “sem saber de nada, sem ver de nada e sem ouvir nada.”.
Os principais partidos estão densamente envolvidos no escândalo. Começou com Demóstenes Torres que, de Catão do DEM se viu obrigado a deixar a legenda. Aparecem entrelaçados, o PT com o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz; o PSDB, como o de Goiás, Marconi Perillo; o PMDB, com o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, além de alguns parlamentares de partidos diversos, empresários, empresas e funcionários públicos.
Hoje é só o começo. O enigma que virá a seguir tende a não se encaminhar para a proteção aos envolvidos no escândalo, porque é o Congresso e só ele, na medida em que o Palácio dá claros sinais de que não se envolverá e o Judiciário, pelo STF, apressa-se para julgar os mensaleiros, embasado exclusivamente pelos princípios da Justiça.
*Coluna de Samuel Celestino publicada no jornal A Tarde desta terça-feira (8).
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