Com Samuel Celestino

Receba Notícias do BN

Nome
E-mail *

Pérola do dia

Luís Roberto Barroso

"Estou em crise de opiniões."

Novo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), ao se negar a comentar as notícias de que teria sido indicado para reverter o julgamento do mensalão, bem como se vai se declarar impedido de julgar a lei de divisão dos royalties do pré-sal, uma vez que foi advogado da causa dos estados produtores.

Veja mais

Entrevistas

Fabrizzio Müller

O superintendente de Trânsito e Transporte de Salvador, Fabrizzio Müller, anunciou, em entrevista ao Bahia Notícias, que, enfim, a Lei de Carga e Descarga será implantada na cidade. Segundo ele, o texto do decreto já está na fase final de redação e a grande novidade é a restrição de tráfego aos caminhões, mesmo vazios, em toda a capital baiana. "A minuta de decreto está pronta. Será passada para o prefeito para ser analisada e isso é para esse mês ainda", avisou, ao completar que tudo tem sido acertado com as empresas de logística: "Esse decreto não será apenas de carga e descarga, mas também de restrição de circulação. Não adianta liberar a carga e descarga, se os veículos continuarem circulando nos horários de pico. Vamos ter horários de restrição à circulação, que serão de 6h às 9h e de 16h às 20h". Müller ainda fez um balanço sobre a atual realidade da Transalvador, em que há déficit de pessoal e equipamentos, minimizou a greve de parte dos servidores, divulgou ações para coibir estacionamentos irregulares, negou a necessidade de rodízio de veículos e defendeu a realização de blitze diárias para combater o dueto álcool e direção. Ele repudiou a difusão de aplicativos nas redes sociais para que motoristas driblem as fiscalizações. "Eu lamento que existam pessoas que façam isso, porque a finalidade da blitz é salvar vidas. [...] A gente entende que não se educa um filho segunda, quarta e sexta. A educação é permanente e, como a Lei Seca é uma política até de governo para reduzir acidentes, a gente entende que ela também tem que ser permanente", avaliou. Apesar da falta de estrutura nas vias e da má qualidade do transporte público, no entendimento do gestor, o trânsito de Salvador tem solução. "Tem jeito, mas não é da noite para o dia. Não será em seis meses ou em um ano. O trânsito é dinâmico, complexo. As pessoas têm que ter um pouco de paciência, mas ele irá melhorar sim", concluiu.

Veja mais

Multimidia

Ewerton Teixeira, a nova promessa do MMA

Atleta fará a luta principal do Imperium MMA Pro III

Veja mais

  • Você está em:
  • Home
  • » Samuel Celestino

Sexta, 24 de Maio de 2013 - 09:23

Cresce o emprego formal no Brasil

por Samuel Celestino

De acordo com o IBGE o emprego informal está perdendo espaço crescente para o processo formal, com carteira de trabalho assinada e outras vantagens. Segundo o instituto, no mês de abril o emprego formal cresceu 3,1% em comparação com abril do ano passado. Em relação ao trabalho informal houve queda de 5,8%. "Há uma redução expressiva no contingente de trabalhadores sem carteira. É a informalidade saindo de cena", afirma Cimar Azeredo Pereira, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE. Embora o crescimento do setor da formalidade seja visível, ainda de acordo com o IBGE, cerca de 10% de trabalhadores continuam na informalidade no Brasil.

Comentar

   

Terça, 21 de Maio de 2013 - 10:43

Comissão Nacional da Tortura faz um ano

por Samuel Celestino

A Comissão Nacional da Verdade faz, na manhã de hoje  (21) uma sessão para analisar um ano de trabalho no qual realizou 15 audiências públicas e fez uma varredura no período das ações da ditadura, especialmente assassinatos e torturas. O trabalho da Comissão, que não se restringe ao Brasil, mas investiga também na Argentina, Chile e Uruguai, procurando desvendar o que aconteceu com os brasileiros desaparecidos e torturados nos anos de chumnbo da ditadura militar. Estuda, ainda, a possibilidade de revogar a Lei da Anistia para que se permita a punição de torturadores. Pouco a pouco a Comissão desvenda o acontecido, para oferecer à História o que de fato aconteceu no período em que o Doi-Codi estava atuando.

Comentar

   

Terça, 21 de Maio de 2013 - 09:44

Barbosa não diz quando o STF dará ponto final ao mensalão

por Samuel Celestino

Ainda não se tem notícia –nem ideia –de quando serão levados ao plenário do Supremo Tribunal Federal os recursos encaminhados pelos advogados dos mensaleiros condenados. Essa é a conclusão do procurador geral da República, Roberto Gurgel, que esteve com o presidente ministro Joaquim Barbosa e deixou a Corte como entrou: sem saber quando os embargos serão apreciados. De acordo com Gurgel, "O ministro Joaquim Barbosa não fez qualquer menção a calendário". Não houve referência de datas para o julgamento dos agravos interpostos. Disse o procurador “que o presidente se limitou a ouvir e não emitiu qualquer juízo”. Mas, de outro modo, considera-se que todo o processo com o mandado de prisão para os condenados acontecerá dentro de dois meses, no máximo, três. É esperar para ver.

Comentar

   

Terça, 21 de Maio de 2013 - 08:58

Coluna A Tarde: A agonia do Bahia


Político menor, incompetente, fracassado, parlamentar derrotado – ocupa uma suplência na Câmara Federal da qual deve ser afastado nos próximos dias com o retorno do titular - dele não se tem noticia da apresentação de um projeto sequer. Marcelo Feliciano, ou Marcelo Guimarães Júnior, ou Filho, como ele quiser em ambos os casos, insiste, na sua pequenez, em continuar presidindo, solitário e isolado, o E.C.Bahia. A história gloriosa do clube começou a ser sepultada antes da dinastia da sua família. Com ele, porém, ameaça chegar ao fim. Sem horizontes próprios, anuncia que não deixa o clube. Para justificar o fantástico movimento que o sufoca, e exige a sua saída, muda do esporte para alegar que se trata de “uma briga política”. Briga política com quem? Com ele? Ou com o PMDB que deveria tê-lo desfilado de há muito? Que importância política tem o ditador do clube?
       
Geddel Vieira Lima, que nada tem a ver com Marcelo e dele prefere guardar distância, como diz, sabe perfeitamente o mal que ele comete ao Bahia, também atinge o PMDB, que passou a ser um partido que perdeu qualquer vínculo com a imensa torcida do Bahia. O movimento “Bahia da Torcida”, lançado na Arena da Fonte Nova, não tem dono como pretende o cartola torto. Daí desviar o foco dos acontecimentos para a política, de modo a encontrar uma explicação que ele não consegue enxergar, até porque é difícil a quem não dispõe da sensatez para saber a exata hora de abandonar o barco que afunda.
       
Não tem outra explicação. Suponho, apenas suponho, que o cartola é um homem que está em prisão domiciliar por não ter condições de frequentar as ruas da cidade.  Nesse caso, mesmo que necessite de proteção, de pouco valem os seguranças que o acompanham. São eles, na verdade, alguns dos poucos interlocutores que tem. Outros são os cartolas que sobrevivem à custa do Bahia, como é o caso do presidente do Conselho Deliberativo, Ruy Accioly que, pelo que consta, nada faz. É apenas amigo da família do cartola e sabe-se que é  bem remunerado. Lamenta-se que tal Conselho, onde pont uam alguns conselheiros dignos, não tenha renunciado aos postos, deixando o presidente a lamber sabão.
         
O movimento que ainda dá forças ao Bahia, liderado pelo publicitário Sidônio Palmeira, Fernando Schmidt e outros homens sérios, como estão distantes em dignidade do presidente tricolor, recebeu dele diatribes que não merecem citá-las por ausência de valor na origem. Usar a política como defesa é tão absurdo quanto primário. Denota falta de argumentos. Poupou ACM Neto e, aí, ele agiu na esperança de apoios futuros a partir do PMDB, que também está, como já citado, baleado com o ricocheteio que acabou alvejando também a legenda.
       
Fez, no entanto, críticas de igual modo primárias ao governador Jaques Wagner e aos petistas de maneira geral, ao dizer, como relata o site “Bahia Noticias”: "Eles deveriam dar explicações sobre os mensaleiros do PT, condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Eu não vi eles pedirem a saída dessas pessoas, pelo contrário, vi defendendo. Eu não pedi intervenção do governo [da Bahia] quando da greve da PM e quando os alunos ficaram sem aulas com a greve dos professores. (...) Nelson Pelegrino precisa explicar as mortes na Secretaria de Saúde, que até hoje não tiveram explicações. (...) Lídice da Mata, que é conhecida com a ‘Prefeita dos Ratos (.. .)” “(...) Tudo isso [o movimento] eu vejo como um proselitismo político”. ”Não se deve misturar política com futebol”. Curioso é  Marcelo falar de mensaleiros...
       
Primeiro, ele não tem a menor autoridade para pedir intervenção em nada, como greves, e, de resto, a sua resposta demonstra o baixo nível que adorna a sua cabeça minúscula. O governador rebateu:  “Não há melhor julgador do que aqueles que fazem o sucesso do time, que é a torcida, que enche estádios.” (...) “Então, não tem nada a ver com política. Eu poderia simplesmente dizer que não me meteria, mas eu não estou me metendo como torcedor do Bahia, mas como torcedor do futebol baiano. É claro e nítido que a diretoria do Vitória é uma diretoria muito mais consistente, com muito mais permeabilidade de opiniõe s do que a diretora atual do Bahia.” A diferença entre o lixo e a elegância é abissal.
       
É pena que o clube de futebol de maior torcida na Bahia atravesse uma fase marcada pela incompetência, justo quando a cidade ganha um estádio como a Arena da Fonte Nova. De certo modo, embora torcedor, acompanho a trajetória do Bahia sem ir ao estádio. Prefiro resguardar as minhas emoções e assistir aos jogos pela televisão. Mas, como jornalista, tenho informações sobre a situação financeira que o clube atravessa. Trata-se de um período crítico, com a antecipação de quotas publicitárias, e gastos efetuados pela diretoria que ninguém tem conhecimento, a exemplo de quanto ganha o presidente do clube e o presidente do Conselho Deliberativo. Não creio que Ma rcelo tenha a humildade e a altivez de entregar o cargo. Prefere chegar ao fim. Dele, na sua teimosia, e do antes glorioso Esporte Clube Bahia.

*Coluna de Samuel Celestino publicada no jornal A Tarde desta terça-feira (21)  

Comentar

   

Segunda, 20 de Maio de 2013 - 16:43

PMDB paga preço por Marcelinho

por Samuel Celestino

Uma crônica de Matheus Araujo, no site "ecbahia.com.br", revela, de forma clara, como a torcida do Bahia está a ver os integrantes do PMDB, que não foram preferiram ficar distantes à concentração da torcida na Arena da Fonte Nova, ocorrida na sexta-feira última. Tudo o que está a acontecer e atinge o PMDB é da responsabilidade do presidente do Bahia, Marcelo Guimarães Filho, ou Jr., que, para arranjar uma escapatória, preferiu politizar uma questão esportiva, embora de grande dimensão por ser o tricolor baiano uma nação. O trecho do articulista que trata da política transcrevo-o na íntegra, com as aspas que requer: "Acredito que nunca houve outra oportunidade na nossa história em que uma frente tão abrangente e apartidária como esta foi formada em prol do bem comum. Só faltou a presença de representantes do PMDB baiano para que todas as correntes políticas estivessem representadas nesta luta da torcida do Bahia. O PMDB da luta pelas diretas na época da ditadura militar não esteve presente, uma pena! Fica a dúvida: o PMDB apoia a forma como o Bahia é gerido ou sua ausência no evento foi apenas fruto da conjuntura? Isso precisa ficar claro para a torcida. De que lado está o PMDB baiano? O lado da torcida ou do outro lado?"


Comentar

   

Domingo, 19 de Maio de 2013 - 11:50

Coluna A Tarde: Portos, o fim do atraso


As complicadas votações, na Câmara e no Senado, principalmente na Câmara, da Medida  Provisória da modernização dos portos, determinaram as ações políticas da semana. Mais do que isso, demonstraram que o Congresso Nacional não é regido pelos partidos políticos e sim por interesse empresariais que contaminam boa parte do Legislativo, com força superior à dos partidos.
 
A difícil aprovação da MP, que somente aconteceu no último dia da sua validade, na quinta-feira, ofereceu também uma realidade a ser refletida: a base política de Dilma Rousseff está minada e ela própria fragilizada em relação aos partidos da sua suposta base de apoio.
     
Os articuladores políticos do Palácio do Planalto não têm força, a começar pela ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti,
que não parece simpática aos deputados e senadores para coordenar votações de matérias importantes como a MP dos Portos. Para inviabilizar a votação, que acabou não acontecendo, políticos governistas e oposicionistas estabeleceram um acordo de revezamento na tribuna, em discursos, muitos dos quais inócuos; discussões de baixo nível e, assim, tentaram inviabilizar a Medida Provisória que aconteceria à meia-noite da quinta-feira. A votação que a aprovou só foi possível cinco horas antes de o tempo se esgotar.
 
Mesmo assim, os congressistas impuseram ao Palácio do Planalto artigos que não estavam no texto, de tal modo que é possível que Dilma vete até cinco artigos. Não se sabe ao certo.  Segundo o Palácio, os enxertos desvirtuam a MP. Talvez não o faça porque, se a demora e as manobras parlamentares já foram uma visível derrota da presidente Dilma Rousseff, qualquer veto poderá ser pior em votações futuras. A modernização dos portos é uma boa medida. A sua imposição ao Congresso, porém, demonstra que a base de sustentação política da presidente na Câmara e no Senado não oferece segurança, garantias. Os partidos políticos pouco comandam. Os parlamentares se orientam por interesses pessoais ou interesses do grande em presariado brasileiro que não estava de acordo, ou não tinha interesse, em mudanças na regulamentação dos portos do País.

De certo modo, mais do que os partidos, os grupos, comandam o Congresso com interesses variados, a exemplo dos evangélicos. Basta esse agrupamento para demonstrar a força que tem, como comprova o caso do pastor Marco Feliciano que enfrentou, ironizando, movimentos populares realizados nas ruas de algumas capitais, entre as quais Salvador; na internet; e na própria comissão que ele preside na Câmara dos Deputados. Enfim, o próprio Feliciano provocava por entender que tinha sustentação evangélica e, ademais, eleitoralmente ficou numa posição invejável. Dificilmente perderá eleições futuras e sequer necessitará pedir votos.
 
Os religiosos das igrejas pentecostais o elegerão, assim como a direita radical, saudosa dos anos da ditadura, até hoje elege o deputado Jair Bolsanaro com folga. O único trabalho de Bolsanaro é sempre que possível provocar a esquerda, de igual forma radical. São dois segmentos ultrapassados, distante de épocas pretéritas quando a esquerda mundial tinha um chame especial e Che Guevara era um ídolo de diversas gerações. Sem esquecer ídolos menores, com Daniel Cohen-Bendit, alemão que liderou o movimento de maio de 1968, em Paris, e praticamente derrubou o governo francês. Foi necessário o retorno de Charles De Gaulle  para por ordem na casa.    
Embora tenha obtido o resultado desejado, a presidente Dilma deve contabilizar o resultado como uma derrota. Não dá para confiar na coalizão governista, boa parte da qual tentava prolongar a discussão de modo a não votar para que o tempo de validade da MP chegasse ao fim. A nova regulamentação dos portos brasileiros significa, é certo, um avanço. Os grupos que tiverem hoje concessão de portos podem continua operando por mais 25 anos, contanto que passem a investir para modernizá-los.
     
Enquanto isso, fica aberta à iniciativa privada operar portos particulares, também observando as novas regras. Em artigo que escrevi há cerca dez anos, ou mais, rotulei o porto de Salvador de “Porto do Atraso”, o que gerou uma polêmica saudável. Era do atraso à época e continua sendo hoje. Pode ser que, com a nova regulamentação, tenhamos um novo e moderno impulso, o que facilitará o desenvolvimento econômico baiano e será fator de atração de novas empresas para o Estado.

*Coluna de Samuel Celestino publicada no jornal A Tarde deste domingo (19).

Comentar

   

Sexta, 17 de Maio de 2013 - 15:42

Senadores votaram a MP constrangidos

por Samuel Celestino

Em apenas cinco horas, depois das complicações para aprovar na Câmara  dos Deputados a MP dos Portos, os senadores disseram “sim” a uma matéria que sequer conheciam. Embora tramitasse de há muito no Congresso, o governo demorou para realizar conversações e conseguir o apoio necessário à sua aprovação. O Palácio do Planalto impôs ao Senado engolir goela abaixo a MP, o que causou um profundo mal estar. Segundo consta, eram convocados a votar, iam, diziam “sim” e davam a questão como missão cumprida. Mas, na sala do cafezinho, depois da votação, boa parte curtia um constrangimento poucas vezes observado numa Casa acostumada à malandragem e a escândalos.

Comentar

   

Quinta, 16 de Maio de 2013 - 08:58

Coluna A Tarde: MP fragiliza Dilma


Mesmo mobilizando boa parte dos seus ministros e todas as lideranças possíveis da sua base aliada na Câmara, a resistência parlamentar contrária à MP dos Portos, marco regulatório que, presumivelmente, os modernizará, acabando com o gargalo que prejudica as exportações (principalmente) e importações, a Câmara passou 18 horas reunidas, encerrando os trabalhos às 4 horas da manhã de ontem. Assim mesmo, com votos das lideranças e uma enxurrada de emendas. Foram cinco sessões extraordinárias. A MP no entanto não foi votada por inteiro, restando diversas emendas para serem apreciadas. Já no final da madrugada não havia quorum para votar mais nada e, dessa forma funesta , a última sessão teve fim.
               
As sessões da Câmara demonstram, sem sombra de dúvida, que de pouco adianta a ampla base da presidente, embora a MP seja um instrumento que, legalizado, irá favorecer o processo de modernização dos portos brasileiros. A ministra de Relações Institucionais do Palácio, Ideli Salvatti, é considerada fraquíssima, além de ser antipatizada por boa parte das bancadas dos partidos que, teoricamente, dariam respaldo ao governo. As votações sequenciadas da terça feira demonstram justo o contrário, na medida em que os parlamentares agem conforme os seus intereses e, em segundo plano, ficam os interesses do governo.
         
A presidente Dilma é uma governante que demonstra força diante da opinião pública, como bem revelam as pesquisas de opinião, mas o mesmo não acontece com o segmento político-parlamentar.
Aconteceu de tudo nas sessões extraordinárias. Praticamente os parlamentares se engalfinharam, numa troca de “amabilidades” sem limites. Variaram de  “frouxo,” “Chefe de quadrilha” – dirigida a Anthony Garatinho que respondeu que não se importava ser chadado de quadrilheiro, o que talvez tenha se pautado pela coerência - e até uma confusão ensaiada com uma faixa que nada tinha a ver com a sessão, exposta em plenário por um deputado mineiro, Toninho Pinheiro. Basta esse fato para demonstrar que na Câmara há parlamentares para gostos variados.
       
O Palácio do Planalto está agora entre a cruz e a caldeirinha. Os deputados federais voltaram a se reunir ontem, para complementar a votação (restavam 18 emendas), na medida em que a sessão da madrugada foi encerrada a pedido do PSDB, e acatado por falta de quorum, quando uma que boa parte dos parlamentares debandou.       
         
O texto-base da MP foi aprovado, mas diversas emendas o desfiguraram para ficar de acordo e ao gostos de grupos parlamentares a serviço de interesse extra-Câmara . É fato que, depois derrotas sequenciadas no Congresso, a presidente Dilma Rousseff  não está confortável com a sua equipe de negocoiação com o Poder Legislativo. Ela, segundo a “Folha”, vem sofrendo pressão para substituir sua equipe de negociação. Lembra-se que cinco das últimas dez propostas encaminhadas pelo governo ao Parlamento foram rejeitadas. Neste caso da MP dos Portos a situação chegou a climax, em consequência da importância da Medida Provisória.
       
Ela terá que ser aprovada, no Senado, até esta quinta feira,  caso contrário perderá a sua validade. O problema é que, diante de interesses fortíssimos extra-Congresso, os parlamentares não permitiram que ela tramitasse, opondo-se através de diversos expedientes de obstrução em plenário As negociações dos interlocutores do Palácio do Planalto foram infrutíferas, daí existir um movimento para a substituição de tais lideranças.
     
Portanto, esta quinta-feira será fatal para a MP, que move com muitos interesses de grupos empresariais em relação aos portos brasileiros, absolutamente arcaicos. Como é, por exemplo, o de Salvador. Basta observar o número de navios ancorados ao largo da Baía de Todos os Santos, esperando, por ordem de chegada, o momento de carda ou descarregar.
       
Se as obstruções dos parlamentares prevalecerem, o que é pouco provável, será uma derrota histórica para Dilma Rousseff. Mas não se deve contar com isso. A expectativa é de que se façam acordos e a MP saia, mesmo que cedendo, e muito, aos interesses empresariais. O que ocorre, em síntese, não é interesse político e sim interesses monetários. Como sempre.

*Coluna de Samuel Celestino publicada no jornal A Tarde desta quinta-feira (16)

Comentar

   

Terça, 14 de Maio de 2013 - 10:58

Lula diz que não existe político com moral e ética

por Samuel Celestino

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva talvez tenha, pela primeira vez, concordado com o estado putrefato da política brasileira. Durante um debate sobre os dez anos de governos petistas disse que não existe político "irretocável do ponto de vista do comportamento moral e ético". Todos portanto, na sua compreensão, são amorais e aéticos, e, dessa forma, têm o direito de meter a mão em cofres públicos, ou realizarem as maracutaias que bem entenderem por fazer parte da espécie. Não creio que todos os políticos pensem assim, e não sei se, de outro modo, Lula realizou uma autodefesa em consequência do emaranhado de denúncias em que está, no momento, envolvido. Particularmente, discordo dele. Nem todo político é imoral, nem todo político é desprovido de ética. Incontinente, após dizer sua asneira, atacou a imprensa: disse “ que a imprensa nacional tenta vender a imagem de que existem políticos ideais, que não existem”. Assim, a imprensa, felizmente, ainda acredita que seja possível que haja uma solução para os políticos, coisa que o ex-presidente não crer. Prefere ficar com a com a imoralidade pública.

Comentar

   

Terça, 14 de Maio de 2013 - 09:01

Deputados rejeitam Dilma

por Samuel Celestino

Por falta de quorum na sessão de ontem ficou para hoje a votação da MP dos Portos. O Palácio do Planalto não está bem na história, nem a sua base aliada, que parece não nutrir pela presidente Dilma nenhuma boa vontade nem simpatia e esses problemas são debitados à forma como ela se relaciona com o Congresso. É absolutamente necessário que a votação seja hoje. O Planalto pretende retaliar quem não votar a favor, na medida em que serão tratados a pão e água, principalmente em relação às emendas dos parlamentares. As ameaças prioraram a situação. Houve uma inversão: ao invés da concessão, em primeiro, do açucar, ofereceu-se vinagre. O açucar só depois da votação. Os ministros da presidente estão todos mobilizados para que aconteça a votação, caso contrário a MP dos Portos não fará mais sentido depois de amanhã. Seu prazo terminará. Hoje é dia decisivo para que amanhã tenha nova votação. Os parlamentares estão arredios e a imagem da presidnte piora no Congresso Nacional.


Comentar

   

Terça, 14 de Maio de 2013 - 08:58

Coluna A Tarde: Lídice abre o jogo


Normalmente os governadores têm papel de destaque nos processos sucessórios. Mas, aqui, Jaques Wagner se transformou no pião a girar tendo, em torno, os pretensos candidatos cujo número cresce visivelmente. A oposição não tem pressa. Por ora, está imóvel. Há muitas razões: a primeira delas é que o principal nome deste segmento, ACM Neto, do DEM, pelo menos em relação à gestão municipal, é parceiro do governador; o PR de César Borges tornou-se aliado do PT. Enfim, de maneira geral, Wagner conseguiu atrair os principais nomes da política baiana que passaram a satelitizar em torno dele. Enquanto os governistas contam com muitos nomes, a oposição não se preparou ou, de outro modo, aguardou o desgaste dos seus adversários para apresentar um ou dois nomes para dar opção à escolha.
         
Semana passada, desse espaço havia tocado, por duas vezes, na questão sucessória, na medida em que ela corre solta no plano federal, onde há oposição formada, por ora, por três nomes, Eduardo Campos, Aécio Neves e Marina Silva. A inflação de nomes situacionistas na Bahia pode ser boa para Wagner ou, em determinado momento, lá na frente, criar-lhe dores de cabeça no momento em que tiver de fazer uma escolha ou aguardar que um dos nomes que compõe a sua orquestra se projete (para ele seria a melhor alternativa) nas pesquisas, deixando à margem os demais. Como o governador é de fácil diálogo e expert na ação política, embora não tenha acontecido desta forma na disputa do seu segundo mandato, está em condições favoráveis para comandar o processo.
         
Ele tem um problema visível. Como houve uma precipitação desnecessária de nomes do PT-nada menos de quatro – tais pré-candidatos ficaram ao sol, chuva (pouca, em função da seca) e sereno. Isso significa desgaste na medida em que surgem outros nomes de peso. A senadora Lídice da Mata apareceu no cenário (antes era citada, mas ela negava) há dois meses quando ela afirmou, na Tudo FM, a sua pretensão na disputa. O mais novo nome é César Borges, ministro dos Transportes, além do presidente da Assembleia, deputado Marcelo Nilo, do PDT, que se afirma sozinho.
         
Imaginava-se que a senadora pusesse o seu nome na medida em que Eduardo Campos, presidente do PSB, sua legenda, coloca-se à sua candidatura ao Palácio do Planalto. Agora, ela afirma que poderá ser, diante do seu currículo político, mesmo que Campos prefira tentar a Presidência em 2018, o que não seria novidade. Ela poderá sê-lo independentemente de tal situação. Informa que já conversou inclusive com Jaques, durante a sucessão municipal de Salvador, e que ele está ciente do seu interesse. Ela formula um problema que tem lastro. Ao conversar sobre o assunto da candidatura, disse ao governador que não era justo apoiar Pelegrino, do PT, apoiar candidato do PT a governador, voltar a apoiar, enfim, o alvo seria somente PT e nenhum outro partido da base de apoio. Nada mais c orreto. Como o PT nacional, com seu alvo voltado para Dilma, admite que nos estados o partido apoie candidatos de outras legendas, ela fica, automaticamente, dentro do processo.
         
Disse mais, em entrevista a este jornal: “Só se fala em candidato do PT? Não é possível, senão nós começamos a entrar num contexto que não é de criação coletiva. E repetiremos ACM e sua metodologia. E Wagner tem o mesmo entendimento que eu. Por isso acho que posso ser a sua candidata. Ele é destituído desses limites de pensamento partidário.”
         
De fato, ACM não escolhia candidato ao governo. Ele determinava quem deveria sê-lo. Aliás, quando prefeita de Salvador, Lídice teve sérias dificuldades a partir das ações de Antônio Carlos. Dentre as quais não receber recursos federais (ele era muito forte nesta área) e os problemas foram de tal sorte complexos que chegou ao ponto de, nos três últimos meses do mandato de Lídice, o então governador, que mandava e determinava  no Judiciário baiano submisso, que agia conforme o seu desejo, conseguiu bloquear as receitas da prefeitura. Com o bloqueio, e então prefeita ficou impossibilitada de pagar empresários, prestadores de serviços e até os funcionários públicos municipais.
         
Como os tempos são outros, pelo menos na Bahia de democracia suave (gestão é outra coisa) a senadora tem amplas condições de ser a candidata. Aliás, dos três senadores baianos, dois estão no páreo: ela e Walter Pinheiro, este do PT.

*Coluna de Samuel Celestino publicada no jornal A Tarde desta terça-feira (14)

Comentar

   

Segunda, 13 de Maio de 2013 - 15:15

O Bahia dos Infames

por Samuel Celestino

O Bahia dos Infames
Foto: Max Haack/ Ag. Haack/ Bahia Notícias

O que está a se passar com o E.C. Bahia não surpreende a ninguém ou, talvez, a poucos. O clube, de grandes tradições, tornou-se um aglomerado de jogadores medíocres, supostamente bem remunerados, ou com intermediários bem remunerados para trazer para o clube jogadores inqualificáveis. A direção do Bahia não passa de uma dinastia provinciana, sem princípio nem métodos, talvez merecedora de adjetivos mais pesados que prefiro não citar. De pai para filho, numa sucessão que começou lá atrás, apoiada num conselho de medíocres. Os resultados dos jogos do velho tricolor, antes de aço, é consequência  de uma velhacaria que se assenhoreou do clube, a princípio imaginando ter acesso à política com os votos dos seus torcedores, hoje nem assim. O atual presidente, de modos grosseiros, ocupa provisoriamente, na condição de suplente, uma vaga de deputado federal ofertada pelo PMDB a partir do afastamento do titular, João Carlos Bacelar. Envolvido num emaranhado de mal feitos, aconselharam a Bacelar solicitar licença do mandato para não ser cassado, porque provavelmente o seria. Deixou a vaga de lado e voou para a Califórnia a pretexto de “estudar inglês”. O presidente, detestado pela torcida e por quem mais tenha o desprazer de conhecê-lo, juntou uma camarilha para, a partir desse agrupamento, destruir o Bahia, como está a fazer. As largas tradições que remontam a 1931, quando o clube foi fundado, estão hoje imersas no lamaçal produzido pelos incompetentes. Se princípios emoldurassem o presidente do clube e a sua diretoria, teriam todos renunciado para, em lugar, iniciar-se uma renovação total a partir de homens corretos que fariam um grupo sério, de modo a tentar o renascimento do velho tricolor. A vergonha que os diretores atuais deveriam estar – mas cara para isso não têm com os resultados escandalosos, com as derrotas abjetas, é incorporada pelos seus tristes torcedores. Este Bahia, o deles, é o da vergonha, dos incapazes, dos deletérios, enfim, dos infames.


Comentar

   

Segunda, 13 de Maio de 2013 - 09:00

Dilma pressiona pela MP dos Portos

por Samuel Celestino

 O governo da União está mobilizado no sentido de garantir, a partir da sua base no Congresso, a votação da Medida Provisória, MP, que regulamenta os portos, porque na próxima quinta feira a MP, engavetada, perderá a sua validade. A regulamentação dos portos é um passo à frente para melhorar a mobilidade e logística, garganta das exportações brasileiras, e para derrubar, em parte, o chamado “custo Brasil” que dificulta a competitividade  dos produtos brasileiros no exterior, por encarecê-los. A presidente Dilma entrou pessoalmente no processo de pressão, depois de reunir, na semana passada, suas principais alavancas no Legislativo. Há, complicando a MP, a chamada emenda Eduardo Cunha. Trata-se da ação de fogo amigo, na medida em que Cunha é o líder do PMDB na Câmara. Ele quer, com sua emenda, a prorrogação por mais dez anos das concessões das áreas portuárias, medida de visível interesse empresarial. Com Dilma à frente, o governo vai à guerra e tentará testar a sua base de apoio.

Comentar

   

Domingo, 12 de Maio de 2013 - 09:30

Coluna A Tarde: Sucessão ganha novos atores

por Samuel Celestino

     

        Aos poucos, os quatro pré-candidatos do PT ao governo baiano estão a enfrentar dificuldades. A consequência natural, e até esperada, do erro está na precipitação do comando estadual da legenda. Dos quatros, um está completamente fora: o ex-prefeito de Camaçari, Luiz Caetano. Ainda nesta sexta feira foi flechado, certeiramente, pelo conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios, Paolo Marconi, com severas denúncias. O senador Walter Pinheiro observa a paisagem e Rui Costa nada diz, mas é, ou seria, o preferido do governador Jaques Wagner. Já José Sérgio Gabrielli não nega suas pretensões, mas não encontrou, até aqui, a sua trilha.
 
        À margem dos quatro surgem nomes fortes. Os pré-existentes: Otto Alencar, do PSD, só depende de uma decisão sua que, astuto, nada diz sobre a possibilidade de ser candidato. Prefere que a manifestação nesse sentido seja de outros segmentos políticos e da larga base de políticos amigos que tem no interior baiano. A senadora Lídice da Mata, do PSB, necessita de uma decisão no cenário nacional, especialmente do presidente da sua sigla, Eduardo Campos, que, se entrar na corrida presidencial, necessitará ter Lídice com palanque organizado para dar sustentação ao seu nome na Bahia.
 
       O novo no processo é o ex-deputado, ex-senador, ex-governador e agora ministro dos Transportes, César Borges, que conhece bem a Bahia, seus problemas e suas possibilidades. O ministro fez uma boa aliança pessoal com Wagner. Integra a sua base política, e embora nada antecipe, respondeu a uma pergunta sobre a questão com um versinho de uma música popular: “Quem é do mar não enjoa”. Portanto, estaria disposto a navegar. Aliás, o versinho pode ter duplo sentido porque César Borges é do mar. Não é marinheiro, mas é mestre arraes. Sempre velejou. Se encontrar vento de popa estende as suas velas, segura o timão e marca o ponto de chegada. Nada mais divertido e prazeroso.
 
       O ministro é o novo nome em cena e passa a ser mais um quadro no espaço ocupado por Wagner. Recentemente o PT nacional, visando maior facilidade –se houver facilidade – para reeleger Dilma, ou mesmo dificuldade, praticamente declarou o cenário aberto para que aliados do PT possam ser candidatos aos governos estaduais. Isso significa que a legenda entendeu que já não pode se fechar em si mesmo, formar aliados, mas os candidatos continuarem a ser exclusivamente do partido, deixando para traz a velha tese de aceitar alianças sem que tenha que apoiar aliados. É uma evolução, sem dúvida, importante, contanto que o partido tenha nas mãos a Presidência da República. Naturalmente.
 
       O PT parece ter chegado à conclusão de que o tempo se encarregou de aluir a sua imagem. Nasceu no início dos anos 80 com uma pregação de renovação política e ética do País e, pouco a pouco, foi perdendo quadros importantes e recebendo políticos viciados, oriundos de outros partidos, até desaguar no mensalão e numa série de escândalos que corroí a imagem da legenda de esquerda. Terminou, ou está terminando, completamente contaminada por vícios.
 
       Assim, nomes de outros partidos, mais integrantes da aliança de base da legenda, podem ser candidatos aos governos dos estados. É por aí que navega César Borges. Além disso, o ministro anunciou algumas obras importantes para a Bahia, que estão paralisadas de há muito, como o edital da duplicação da BR-101 da fronteira de Sergipe até Feira de Santana e, em outro trecho, da fronteira do Espírito Santo até Eunápolis. O trecho de Eunápolis a Feira de Santana poderá ser tocado mediante concessão.
 
      De resto, Wagner e ACM Neto estão em plena lua de mel, o que é bastante positivo para Salvador onde o governo do Estado pretende realizar obras importantes para a Capital. Isso é positivo para o governador que, visivelmente, está recuperando a sua imagem pública. Já a sucessão nas bandas da oposição não há, por ora, sinais. Como disse o secretário de Transportes do município, José Carlos Aleluia, este assunto ficará para depois do Carnaval do próximo ano. Aliás, o Carnaval sempre foi um marco político para decisões na Bahia.
 
*Coluna de Samuel Celestino publicada no jornal A Tarde deste domingo (12).

Comentar

   

Quinta, 09 de Maio de 2013 - 08:58

Coluna A Tarde: Sofrimento do pós-seca


É  certo que seca no interior baiano, especialmente na região de semiárido ainda não chegou ao fim, mas em muitas regiões choveu bem. Isso, no entanto, não resolve totalmente os problemas da região que ficou sob o flagelo, porque o prejuízo causado à população interiorana, aos municípios e ao Estado da Bahia por ora é incalculável,  mas, dentro em breve, será possível se saber o tamanho do desastre. A população se empobreceu; os municípios perderam receita; o comércio na região atingida pouco funcionou, sofrendo prejuízos inestimáveis; e os bancos reconhecem que ficaram paralisados dada a impossibilidade de real izar transações e empréstimos.
     
Isso não significa, ainda, que a seca chegou ao fim. Mas é fato que choveu e choveu muito em diversas regiões, em diversos municípios. O rastro do prejuízo ficou. Tão cedo o interior baiano não se recuperará de um flagelo previsível, não somente aqui, mas em toda a região nordestina.
     
O grande problema agora, nas regiões em que as chuvas se precipitaram, é o pós-seca que deixa um prejuízo imenso para a recuperação dessas regiões. Sabe-se que do rebanho a Bahia perdeu nada menos do que um milhão de cabeças de gado sem se falar em outras criações que não se tem, ainda, uma estimativa sobre o prejuízo.
       
O problema agora é como repor o rebanho dizimado pela falta de água e de alimentos para os animais. Dá-se o seguinte: no ano passado, o flagelo da seca já estava instalado no semiárido. Aconteceu que, na estação das chuvas, que começa em outubro, os sertanejos respiraram aliviados porque elas chegaram, com atraso mas a tempo e em razoável quantidade. Antes, o pasto estava estorricado em toda a região, mas, com as chuvas, novamente ficou verde, se tornou viçoso.
       
Deu-se, ainda, que quase de imediato, a chuvas cessaram e a seca voltou com o sol incandescente destruindo plantações, matando rebanhos e secando aguadas. As barragens, também atingidas, são poucas. Agora, com o presumível fim da seca, o capim não nasce mais. As sementes ressuscitam apenas uma vez. O que está surgindo em lugar das pastagens é mato, principalmente tiririca, que é uma praga verde. O que fazer?
       
A situação se agrava com a ausência de crédito para os criadores. O Banco do Brasil é a instituição financeira que banca o crédito. De duas formas: 1- com a garantia do penhor agrícola, quando ele assume o risco de a safra não vingar e, 2- ou com a garantia real, no caso o penhor recai sobre a propriedade. Nos dois casos a situação fica crítica. É difícil uma boa safra e com a seca o valor das propriedades desabaram.
       
O lamento é que o semiárido e todo o interior baiano antes da seca chegaram atravessar um período de esplendor para os trabalhadores da roça, que tinham emprego, e para os criadores e agricultores que atravessavam tempos de vacas gordas. Ao inverso do ditado “depois da tempestade vem a bonança”, no caso do interior baiano “depois da bonança (as vacas gordas) veio a desgraça”
     
Essa é a questão sem dúvida alguma mais importante para a economia baiana, cuja industrialização é pequena em comparação com a de outros estados federativos. O governo federal fica na obrigação de encontrar uma fórmula, uma saída, para beneficiar o sertão, uma maneira de garantir financiamento para a recuperação da região flagelada onde hoje, ao invés do capim, só nasce tiririca. E como recuperar a criação bovina dizimada pelo sol escaldante, sem água e sem comida?
     
O governo baiano tem além de tudo outro problema para se preocupar. O semiárido do baiano pode estar a caminho da desertificação, o que já se observa. Para que não aconteça, são necessárias medidas urgentes, soluções técnica com aplicação de recursos. Não custa lembrar os cacauais do sul baiano, principalmente de Ilhéus e Itabuna, os municípios mais ricos. o cacau assegurava a receita do governo do Estado e, de tão próspero, era a garantia do pagamento dos salários dos servidores públicos. Repentinamente, não se sabe como, a praga da vassoura-de-bruxa instalou-se na lavoura e a dizimou, levando à miséria aos trabalhadores da região, alem de destruir as fortunas acumuladas pelos coronéis do cacau presentes nas obras de Jorge Amado. Como fazer com o semiárido?

*Coluna de Samuel Celestino publicada no jornal A Tarde desta quinta-feira (9)

Comentar

   

Terça, 07 de Maio de 2013 - 08:58

Coluna A Tarde: Ampla, geral e irrestrita


Dentre as entrevistas que o jornal A Tarde publicou até aqui, em página inteira, sempre nas segundas-feiras, envolvendo a sucessão na Bahia, de longe a que o ex-deputado federal e secretário municipal de Transportes e Urbanismo, José Carlos Aleluia, concedeu, publicada na edição de ontem, foi a mais clara e elucidativa. Outras também apresentaram informações valiosíssimas. O entrevistado não descarta sua candidatura ao governo, nem a afirma, por tudo depender das circunstâncias.
           
Fala do excelente relacionamento entre o governador Jaques Wagner e o prefeito ACM Neto, da possibilidade de que uma candidatura de Otto Alencar possa acarretar uma aliança entre governo e oposição e citar Paulo Souto como “um nome que não pode ser descartado em hipótese nenhuma. Ele não mencionou que dispõe a sê-lo (candidato), mas ninguém se dispõe sem ter uma proposta.” E assegura: “Ele está no jogo.”
         
O secretário pontua a política sempre de forma inteligente. Considera que as oposições não vão lançar candidatura apenas para preencher o espaço com representante do contrário, ou do jogo de confronto. Em outras palavras, apenas para marcar posição. Entende ele que e a Bahia tem uma vinculação histórica com a política nacional e é necessário observar o que acontecerá nesse plano até porque não convém à oposição lançar candidato aqui, apenas para preencher um espaço. Aliás, isso aconteceu no passado, desde, praticamente, a fundação do PT quando o partido mantinha candidatos nas unidades federativas, apenas para constar ou para firmar a sua presença.
         
Para ele, “não se pode dissociar uma eleição local da nacional, assim como não se pode uma eleição da Bahia vinculada a de Salvador”. Isso significa que, embora Salvador seja o farol eleitoral do Estado, não dá para pensar uma eleição que possa sofrer a influência exclusiva da Capital. “Os problemas da Bahia são maiores, ou pelo menos diferentes das dificuldades enfrentadas por Salvador.” Cita a seca como um exemplo visível que atinge a Bahia, mas não a capital baiana. Aleluia fez diversos mandatos como deputado federal e, em todos ou quase todos, ficou entre as dez mais brilhantes cabeças da Câmara Federal.
         
Posteriormente, entendeu que cansara de Brasília e necessitava de uma nova experiência, mas não lhe foi dado (na época de ACM) instrumentos para ser candidato ao governo do Estado. Na segunda eleição de Wagner, candidatou-se ao Senado e perdeu. A Bahia experimentava uma nova realidade política com o PT no Poder. Nos últimos meses, basicamente após a eleição de ACM Neto, houve uma aproximação entre o governador e o prefeito, com decisões que irão favorecer Salvador. O campo político se tornou mais ameno, como deve ser, na medida em que os partidos podem estabelecer  adversidades, mas nada impede – e esse é o certo – que haja uma relação civilizadas entre eles.
     
O próprio Aleluia se refere desse modo ao ex-carlista Otto Alencar, vice-governador e secretário de Jaques Wagner. Na entrevista, explicita que “tem carinho” por Otto. “Fomos aliados, ele tem muitas qualidades”. Nesse ponto faz uma revelação importantíssima, que nada mais representa senão a união da Bahia, ao dizer que “ele é um candidato que até poderia facilitar alguma aliança.” Não me recordo, no jornalismo político, de uma aliança ampla entre governo e oposição. Havia, com hoje, os adesistas, é certo.
         
Em 1989, o então ex-ministro Antonio Carlos Magalhães chegou a sugerir, através de intermediários, uma aliança com seu arquiadversário Roberto Santos, numa composição na qual Santos ficaria como candidato ao governo e ele ao Senado. Roberto Santos descartou liminarmente. Antônio Carlos venceu a eleição para governado e realizou o seu terceiro mandato.
         
Retornando a Otto Alencar, Aleluia afirma que ele conversa muito “com nossos amigos, nossos aliados no interior” e diz que “não negar o passado para ele é uma ato de inteligência. O vice-governador não poderia negar o passado, pois foi tudo no passado”.
           
De maneira geral, a entrevista de José Carlos Aleluia tocou em todos os pontos que o repórter Biaggio Talento o inquiriu. Em todas as perguntas, não fez uma só acusação política a quem quer que seja e ampliou seus pontos de vista para alcançar as ideias que estão postas em relação às eleições governamentais do próximo ano. Disse que candidato a governador da oposição só após o Carnaval, portanto cumprindo o calendário sem a precipitação que ora observa. Não descarta uma aliança com Dilma Rousseff (o DEM está com dificuldades para manter o relacionamento histórico com o PSDB) e afirmou que a candidatura de Geddel Vieira Lima não está descartada; que ele deu apoio à candidatura de ACM Neto e participa do governo municipal.
           
Assim, a entrevista do secretário Municipal dos Transpores foi a mais ampla e aberta dentre as que A TARDE até aqui realizou. Foi uma entrevista com um forte aspecto de anistia aos políticos baianos dos diversos segmentos, portanto “ampla, geral e irrestrita”

*Coluna de Samuel Celestino publicada no jornal A Tarde desta terça-feira (7)

Comentar

   

Domingo, 05 de Maio de 2013 - 10:25

Veja denuncia tentativa de ministro para blindar Rosemary

por Samuel Celestino

Uma denúncia pesada de Veja, que está a circular neste domingo, denuncia a participação do ministro da Secretaria-Geral da Presidencia, Gilberto Carvalho, que manobra nos bastidores e que teria articulado para a apuração que vem sendo realizada contra a ex-fucionária e “amiga” de Lula, Rosemary Noronha. De acordo com a revista, partidos oposicionistas se mobilizam para, nesta semana que entra, exigirem explicações formais de Carvalho sobre um instauração de investigação paralela sobre as ações de Rosemary. O líder do PMDB na Câmara  vê uma tentativa de blindagem da ex-funcionária e chegou a cogitar num pedido formal de afastamento de Gilberto Carvalho da Secretaria-Geral da Presidência. De acordo ainda com Veja a apuração paralela serviria depois como munição “para que a defesa de Rosemary questionasse a competência da Comissão de Sindicância da Casa Civil” e, com isso, tentar anular as acusações que pesam contra ela.

Comentar

   

Domingo, 05 de Maio de 2013 - 08:59

Coluna A Tarde: A exumação de Jango


João Goulart, ou Jango como era popularmente chamado, foi o último presidente civil antes da ditadura. Seu governo, que sequenciou o de Jânio Quadros, transcorreu entre 1961 e 1964, quando os militares golpearam, quebraram a ordem institucional e implantaram a ditadura no Brasil. Jango morreu em 1976 em consequência de um suposto ataque cardíaco, quando estava no exílio, na Argentina. Esta tese nunca foi aceita de forma concludente. Há uma forte suposição de que ele teria sido assassinado com a ingestão de veneno a mando, também presumido, pela ditadura militar brasileira ou pela “Operação Condor” criada pelas ditaduras do Cone Sul para caçar inimigos dos regimes (especialmente Chile, Argentina e Brasil) e matá-los. Sempre houve dúvida sobre a morte de Jango. Agora ela será apura da.

Trata-se de uma decisão da Comissão Nacional da Verdade, em comum acordo com o Ministério Público do Rio Grande do Sul, onde João Goulart está sepultado (no cemitério de São Bórgia) para dirimir dúvidas como ocorreu com a morte do poeta chileno Pablo Neruda. Com a presença de familiares, o corpo de Neruda foi exumado e, na última quinta-feira saiu o resultado. O poeta não foi envenenado pela ditadura de Augusto Pinochet. Morreu de causa natural, a partir de um câncer na próstata que se espalhara em metástase pelo corpo. Com relação a Jango, sua família de há muito luta pela exumação por entender que houve envenenamento e que as autoridades brasileiras da época disseminaram com causa da morte o ataque cardíaco, fato que não foi contestado pela mordaça da censura e pela perseguição qu e ocorria em 1976.

O governo de Jango, derrubado pelos militares com participação do governo americano, como ficou recentemente comprovado, foi marcado por intensa polêmica ideológica numa época em que a democracia era respeitada, mas as forças militares detinham grande poder. Governou num período de grande discórdia a partir teses sociais recusadas pela direita, como as reformas de base, que hoje não só são naturais como muitas foram implantadas, como a reforma agrária, que, no entanto, não conseguiu se firmar no que pese a ação intensa do MST.

De outro modo, a presença do PT no poder abriu espaço para melhorar as classes mais necessitadas como o Bolsa Família e outros programas marcados pelo êxito. A corrupção, no entanto, se espraiou pelo setor público como é exemplo o Mensalão, cujo julgamento transcorreu de forma democrática e aberta, com a transmissão pública pela televisão durante as 53 sessões do STF que acabou por condenar diversos petistas, entre os quais o segundo mais importante deles (no partido), José Dirceu.   

Embora a morte de Jango esteja no plano das hipóteses, daí a necessidade da exumação para comprovar se há, ou não, traços de veneno nos restos mortais do ex-presidente, a família assegura que há mais do que indícios. Dentre outros, a confissão do ex-agente uruguaio Mário Neira Barreto que, após ser preso no Rio Grande do Sul confessou que participou como cúmplice do assassinato, com a utilização de veneno, na Argentina.

Os parentes de Jango garantem que ele foi envenenado por ordens do ex-delegado Sérgio Fleury, um dos principais carrascos da ditadura brasileira que acabou morrendo num estranho acidente na sua lancha. O então general Orlando Geisel também teria tomado conhecimento do complô. Consta que uma cápsula de veneno foi misturada aos remédios que João Goulart usava diariamente num hotel de Buenos Aires onde estava hospedado. A autorização para a exumação do corpo foi dada, com conhecimento da família, pelo neto do ex-presidente. João Goulart foi anistiado e sua família deverá ser indenizada retroativamente a partir da sua deposição da Presidência da República.

Aliás, o ex-presidente assumiu o poder a contragosto dos militares, com a renúncia de Jânio. Por coincidência, na condição de vice-presidente ele se encontrava na China comunista  e retornou ao Brasil entrando  pelo Rio Grande do Sul porque poderia ser preso. Para que assumisse, quebrou-se pela primeira vez a ordem institucional. Com a participação positiva de Tancredo Neves. Foi apresentada aos militares a fórmula do regime parlamentarista, com Jango na Presidência, mas o comando do País com o primeiro ministro. Tancredo foi um deles. Assegurou-se que, posteriormente, haveria um plebiscito para que a população escolhesse entre o parlamentarismo e o presidencialismo. Venceu a tradição presidencialista o que devolveu o poder integral a João Goulart que governou até a sua deposição em março de 1964 e o Brasil entrou, então, na obscuridade. A ditadura militar que iria derrubar os direitos individuais com o Ato Institucional No.5 e estabelecer a censura total em 13 de dezembro de 1968.

*Coluna de Samuel Celestino publicada no jornal A Tarde deste domingo (05)

Comentar

   

Sábado, 04 de Maio de 2013 - 13:34

Globo critica política econômica

por Samuel Celestino

Em editorial hoje publicado, O Globo tece críticas à política econômica da presidente Dilma, com enfoque na inflação, marcadamente as contradições ditas por ela. Com o título “Governo gasta ignorando combate à inflação”, jornal diz, na introdução da sua opinião: “No pronunciamento a propósito do Dia do Trabalho, em cadeia de rádio e televisão, a presidente Dilma afirmou que o combate à inflação é “uma preocupação imutável, permanente”, do governo. O comentário da presidente, assim como outros recentes, significa uma mudança de tom, pois antes Dilma criticava aqueles que chamavam atenção para a perigosa trajetória dos índices de preços. A inflação pode ser um dos principais adversários da presidente nas eleições gerais do ano que vem, e desse modo o tema entrou para o cardápio da política. Mas entre o discurso e a prática parece existir uma razoável distância. No primeiro trimestre, o governo conduziu as contas públicas ignorando a inflação. Não fosse isso, voltaria a ser comedido com as despesas. Em decorrência da queda do ritmo da atividade econômica no ano passado e das desonerações tributárias (muitas das quais saudáveis, por sinal), houve um recuo na arrecadação federal nos três primeiros meses de 2013. Em relação a igual período de 2012, a perda foi de 2,55% em termos reais. Já os gastos aumentaram 4,6%, e, infelizmente, isso não decorreu somente do incremento, positivo, dos investimentos. Devido a esse descompasso na evolução das receitas e despesas, o superávit primário do governo vem encolhendo, em termos nominais e relativos, o que torna cada vez mais difícil atingir as metas traçadas para o ano. As autoridades econômicas anunciaram, desta vez até com antecedência, que voltarão a desconsiderar no cálculo do superávit primário alguns gastos classificados como investimentos. Mas trata-se de uma questão contábil, cujos efeitos macroeconômicos não serão percebidos no combate à inflação, por exemplo.”

Comentar

   

Sábado, 04 de Maio de 2013 - 10:21

Presidente do STF diz que Justiça privilegia políticos e poderosos

por Samuel Celestino

 Para o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa, há um excesso de recursos judiciais que beneficiam condenados, além de ocorrer um tratamento privilegiado que a Justiça concede aos políticos. Para ele, as chances são desiguais entre o que os poderosos tem ao seu alcance em comparação com os pobres e negros. Barbosa disse que os abastados ficam impunes. Por fim afirmou que “O Brasil, como a maior parte da América Latina, tem problemas culturais para resolver que impactam no Judiciário. Por exemplo, a concepção equivocada de igualdade. As pessoas são tratadas de forma diferente de acordo com seu status, sua cor de pele e o dinheiro que têm. Tudo isso tem um papel enorme no sistema judicial e, especialmente, na impunidade".
 

Comentar

   
Carregando...

Histórico de Conteudo

Site Auditado pelo IVC - Bahia Noticias

Enquete

Marcelo Guimarães Filho deve deixar o comando do E.C.Bahia?

Artigos

Heraldo Rocha

25/05/2013 00:00

O descontingenciamento e o boato

Muito curioso que, alguns dias depois da crise que levou milhares de pessoas às agências da Caixa Econômica Federal com medo do fim do programa federal Bolsa Família, o governo anuncie um contingenciamento do Orçamento da União da ordem de R$28 bilhões. Não quero – e não vou - ser leviano, como foram alguns ministros que acusaram a Oposição de iniciar o boato, mas essa situação vale uma reflexão: será que essa boataria não foi um balão de ensaio para o próprio governo ver a reação da população em caso de cortes no Orçamento em áreas sociais, inclusive no Bolsa Família? Não acredito.

Veja mais

Viagem no tempo

Samuel Celestino, anos atrás

20/05/2013 08:47

Publicado no Jornal a Tarde em 5 de junho de 1989 - A Verdade da Mentira

Esta onda de moralização da Câmara Federal, a partir de ações desencadeadas por inspiração do presidente da Casa, deputado Paes de Andrade, soa tão falso quanto as pregações do candidato Fernando Collor de Mello, líder inconteste de todas as pesquisas eleitorais. Aliás, qualquer campanha de cunho moralizante neste país não oferece credibilidade. É mesmo para se desconfiar. É tal a crise ética e a desestruturação de princípios que tudo parece ter aspectos de mentira.

Veja mais