Com Samuel Celestino

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Pérola do dia

Luís Roberto Barroso

"Estou em crise de opiniões."

Novo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), ao se negar a comentar as notícias de que teria sido indicado para reverter o julgamento do mensalão, bem como se vai se declarar impedido de julgar a lei de divisão dos royalties do pré-sal, uma vez que foi advogado da causa dos estados produtores.

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Entrevistas

Fabrizzio Müller

O superintendente de Trânsito e Transporte de Salvador, Fabrizzio Müller, anunciou, em entrevista ao Bahia Notícias, que, enfim, a Lei de Carga e Descarga será implantada na cidade. Segundo ele, o texto do decreto já está na fase final de redação e a grande novidade é a restrição de tráfego aos caminhões, mesmo vazios, em toda a capital baiana. "A minuta de decreto está pronta. Será passada para o prefeito para ser analisada e isso é para esse mês ainda", avisou, ao completar que tudo tem sido acertado com as empresas de logística: "Esse decreto não será apenas de carga e descarga, mas também de restrição de circulação. Não adianta liberar a carga e descarga, se os veículos continuarem circulando nos horários de pico. Vamos ter horários de restrição à circulação, que serão de 6h às 9h e de 16h às 20h". Müller ainda fez um balanço sobre a atual realidade da Transalvador, em que há déficit de pessoal e equipamentos, minimizou a greve de parte dos servidores, divulgou ações para coibir estacionamentos irregulares, negou a necessidade de rodízio de veículos e defendeu a realização de blitze diárias para combater o dueto álcool e direção. Ele repudiou a difusão de aplicativos nas redes sociais para que motoristas driblem as fiscalizações. "Eu lamento que existam pessoas que façam isso, porque a finalidade da blitz é salvar vidas. [...] A gente entende que não se educa um filho segunda, quarta e sexta. A educação é permanente e, como a Lei Seca é uma política até de governo para reduzir acidentes, a gente entende que ela também tem que ser permanente", avaliou. Apesar da falta de estrutura nas vias e da má qualidade do transporte público, no entendimento do gestor, o trânsito de Salvador tem solução. "Tem jeito, mas não é da noite para o dia. Não será em seis meses ou em um ano. O trânsito é dinâmico, complexo. As pessoas têm que ter um pouco de paciência, mas ele irá melhorar sim", concluiu.

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Quarta, 16 de Maio de 2012 - 00:00

Mobilidade e caos urbano

por Adilson Fonsêca

Qual foi a última grande intervenção do poder público, estadual ou municipal no sistema viário de Salvador? Talvez respondendo a esta pergunta, e ao descobrirmos o alcance da sua resposta, possamos entender o caos diário que é trafegar, quer seja na condição de motorista ou de passageiro, em Salvador.

Data de dezembro de 2001, com a inauguração das avenidas Luiz Eduardo Magalhães e Gal Costa, ligando a Avenida San Martim à Avenida Paralela (LEM), e a Paralela à BR-324 (Gal Costa). Foi a última vez que se fez algo em termos de intervenção significativa no sistema viário da cidade, sendo que a Avenida Gal Costa, apesar de inaugurada, nunca foi concluída, e a Luís Eduardo Magalhães jamais teve a sua ligação efetiva com a BR-324.

Àquela época, Salvador tinha uma população, segundo dados do IBGE, de 2.443.107 habitantes, contra os atuais 2.675.650 (dados de 2011).  Na prática são 232 mil habitantes a mais para conviver no mesmo espaço de 11 anos atrás. É como se nesse período, toda a população de Camaçari  viesse a morar na capital, ocupando o pouco que ainda resta de espaço físico vazio e dividindo com os soteropolitanos os mesmos problemas.

Já a frota de veículos passou de  436.279 em 2001 para 726.430 em 2010, um aumento de nada menos que 290.121 novos carros circulando pelas mesmas ruas e avenidas. E, também, é como se toda a frota de veículos de Feira de Santana, a segunda maior cidade do estado, estivesse circulando pelas ruas de Salvador. Todos juntos ocupando os mesmos espaços. Fica fácil entender o porquê de tantos engarrafamentos, que resultam em estresses gerais, de quem dirige, de quem viaja e de quem anda a pé pela cidade.

Não dá para imaginar, quando falamos de acessibilidade urbana, copa do mundo e das confederações, metrôs, etc., um cidadão passar de duas a duas horas e meia dentro de um ônibus no trajeto de casa para o trabalho, e fazer esse mesmo percurso e tempo, no retorno para casa. Na prática cinco das suas horas diárias esse cidadão passa dentro de um ônibus. Estresse total. Ou horas presos em engarrafamentos que aparentemente não teriam razão de existir. A tensão aumenta nos dias que antecedem uma possível greve dos rodoviários, que invariavelmente ocorrem todos os anos durante o mês de maio. Tem sido assim invariavelmente todos os anos, sem maiores perspecti9vas de mudança.

Hoje o estrangulamento do sistema viário se espalha por toda a cidade, do centro à periferia, dos locais mais centrais como o Iguatemi, a inimagináveis há alguns anos, como Águas Claras. Duas importantes avenidas – Gal Costa e a Via Regional – permanecem com obras inconclusas. A Avenida Gal Costa foi inaugurada em dezembro de 2001, e custou à época R$ 18 milhões, e deveria fazer a ligação da Avenida Paralela à BR-324. De um lado, termina a pouco mais de 200 metros da Paralela – nos portões da Estação Elevatória de Tratamento de Esgoto da Embasa, em Pituaçu. Do outro lado, chega até a Estrada da Mata Escura, a cerca de um quilômetro da rodovia BR324. Não foi concluída.

Já a Via Regional, cuja função era a de ligação da Avenida Paralela, através da Avenida San Rafael, à BR-324, na altura do bairro de Águas Claras, teve as obras paralisadas em 1985. Faltam pouco mais de 500 metros para chegar à BR-324. Abandonada, teve o seu leito asfáltico ocupado por cerca de 400 casas. hoje o acesso à BR-324 tem que ser feito por uma via estreita que passa por dentro do bairro de Águas Claras. A Via Regional chegou mesmo a ser incluída nos projetos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) para Salvador. Em 2007. Nada mais se falou sobre o assunto.

Uma terceira avenida, batizada de 29 de março e/ou Via Atlântico, ligando a BR-324 à Paralela e desta até a Orla, está nos planos mirabolantes tanto da Prefeitura colmo do Estado. Mas continua no papel. Como no papel ou nas concepções futuristas, continuam os projetos do metrô (este desde 2000), e do trem suburbano/metropolitano, que depois de décadas ligando Salvador a todo o interior do estado, foi literalmente “barrado” no bairro de Paripe, a 13 quilômetros da sua linha inicial, na Calçada, onde os trilhos foram arrancados e um portão fechado indica que ali o trem não tem como passar.

Temos ai, por baixo, pelo menos 11 anjos de atraso no nosso sistema viário, com grandes reflexos no cotidiano da população. Mas mesmo assim teremos, daqui a pouco mais de dois anos, o maior evento esportivo do mundo que exigirá mobilidade urbana moderna, mas também mobilidade dos nossos gestores para desengavetar projetos e tocar obras necessárias à cidade. Enquanto isso não chega, vivemos os problemas do dia a dia nos ônibus, nos automóveis ou andando a pé por esta cidade, entre o mundo virtual das  idéias e projetos, e o mundo real do estresse e do caos.


* Adilson Fonsêca é jornalista


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Artigos

Heraldo Rocha

25/05/2013 00:00

O descontingenciamento e o boato

Muito curioso que, alguns dias depois da crise que levou milhares de pessoas às agências da Caixa Econômica Federal com medo do fim do programa federal Bolsa Família, o governo anuncie um contingenciamento do Orçamento da União da ordem de R$28 bilhões. Não quero – e não vou - ser leviano, como foram alguns ministros que acusaram a Oposição de iniciar o boato, mas essa situação vale uma reflexão: será que essa boataria não foi um balão de ensaio para o próprio governo ver a reação da população em caso de cortes no Orçamento em áreas sociais, inclusive no Bolsa Família? Não acredito.

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Viagem no tempo

Samuel Celestino, anos atrás

20/05/2013 08:47

Publicado no Jornal a Tarde em 5 de junho de 1989 - A Verdade da Mentira

Esta onda de moralização da Câmara Federal, a partir de ações desencadeadas por inspiração do presidente da Casa, deputado Paes de Andrade, soa tão falso quanto as pregações do candidato Fernando Collor de Mello, líder inconteste de todas as pesquisas eleitorais. Aliás, qualquer campanha de cunho moralizante neste país não oferece credibilidade. É mesmo para se desconfiar. É tal a crise ética e a desestruturação de princípios que tudo parece ter aspectos de mentira.

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