
"A culpa pelo tratamento preferencial é do PT, que opta pelos criminosos em detrimento das pessoas que trabalham. Bandido não é companheiro".
José Carlos Aleluia, deputado federal pelo DEM da Bahia, após prognóstico de que a violência na capital baiana é pior do que a guerra na Faixa de Gaza.
Maria Aparecida - Salvador (BA)
LINKS DO PODER
O PMDB entrou nas eleições de novembro como uma ampla frente política. Um partido casuístico, fruto de uma incorporação casuística para enfrentar um casuísmo maior: a legislação eleitoral imposta pelo poder, sobretudo a vinculação de votos, a queda do voto de legenda e outros penduricalhos.
Na Bahia, absorveu o PP de Roberto abrigou dessemelhantes para enfrentar o inimigo comum: o forte PDS do governador Antonio Carlos Magalhães. Muito antes do pleito, temia-se pela sorte do PMDB e havia quase um consenso nacional de que a grande frente esfacelaria depois do pleito para dar lugar a novas agremiações que representassem, legitimamente, as tendências políticas mais acentuadas que conviviam dentro do PMDB.
Deu-se o contrário, pelo menos até aqui. O Brasil, de Norte a Sul, demonstrou que não é um país de ideologias acentuadas, daí porque o PT – uma esperança plantada para se viabilizar a longo prazo – decepcionou. O PTB nem é bom falar e o PDT não foi partido, foi Brizola. Houve grande embate nacional PDS versus PMDB e, como resultado, além daquele expresso pelas urnas, emergiu o partido em lugar da frente. O PMDB soldou as suas peças montadas, às pressas, pela incorporação; freou os radicais e abriu um leque de moderados.
Na Bahia existia a Arena, que virou PDS. Mas desde 64 não tinha um partido de oposição, porque tal não era o falecido MDB regional. Em 82, batido nas urnas, o PMDB, no entanto, se constituiu e se fez partido, com uma estrutura organizacional e com possibilidades de crescimento, a partir do avanço que obteve nas suas representações legislativas e no número de prefeituras conquistadas.
Waldir Pires pensa assim. Já debruçado sobre as causas da derrota oposicionista, com uma ampla visão da realidade baiana, o político sequer desaqueceu da estafante campanha eleitoral que empreendeu: Esta na luta, “na minha luta”, como diz, porque acredita na causa e na guerra que são as razões de sua atividade política, ainda segundo ele, desde a campanha ao governo em 62: “a libertação da Bahia”.
No bolso do casaco, Waldir trazia uma relação de currais eleitorais classificados por unidade e dezena, de acordo com a votação do PMDB. Uma relação de 20 municípios, que começava com Abaré – 3.738 votos a 8 – passava por Malhada (4.942 votos a oito) fazia uma parada em Iburapitanga (4212 a três) e se estendia pelas dezenas: Baixa Grande, 5.096 a 18; Chorrochó, 4015 a 12; Jussiape, 3.356 a 11; Ibitiitá, 5.847 a 18 e por aí ia. Era uma amostragem do comportamento eleitoral do interior baiano, que o político classificava de “servos da gleba” e “prisioneiros do obscurantismo”.
Naquela relação, pedaço da derrota do seu partido, Waldir Pires afirma estar sua luta.
Com a convicção de que o PMDB é o futuro, e otimista com sua guerra, o político oferece a impressão de ter dado, na linguagem do povo, a volta por cima.
E já se prepara, com seu grupo político, para evitar qualquer dispersão de forças, dentro do PMDB baiano.
Que, se antes era uma frente, agora, de fato, virou partido.
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