
“E não é porque somos da base aliada que iremos esconder nossa insatisfação na segurança que continua a mesma de cinco anos atrás.”
Vereador Moisés Rocha (PT), ao justificar seu projeto de implantação de câmeras em viaturas e alfinetar o próprio governo do seu partido.
Inconcebível, inacreditável, execrável a negociação da prefeitura com os vereadores da Base governista, seguramente excluídos os do PDT, conforme a reportagem do jornal A Tarde e do Bahia Notícias, de oferecer asfaltamento de ruas aos edis, como moeda de troca para evitar a instalação da Comissão Especial de Inquérito (CEI).
Hari Alexandre Brust - Salvador (BA)
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Havia uma generalizada crítica envolvendo a oposição, especialmente os tucanos, sobre a letargia em torno do seu provável candidato, José Serra, por ora manietado por estar à frente do governo paulista. Enquanto Dilma Rousseff, a "boneca de ventríloquo", segundo Fernando Henrique Cardoso, que "não é líder de nada" e que corre os estados em campanha não tão disfarçada assim. O PSDB assiste, ou assistia, silencioso à ministra se aproximar nas pesquisas de Serra. FHC então tomou as rédeas da reação e, em um contundente artigo publicado em diversos jornais no domingo, não poupou adjetivos e conceitos sobre Lula, seu governo, o dele, estabelecendo comparações. Lembrou, sem citar, o Rei Sol, da França, Luiz XIV, o mais brilhante déspota monárquico que se resumiu em uma frase, "Le État c'est moi". E colocou sobre Lula o extremo egocentrismo que acabará por dizer que "O Brasil sou eu". De domingo para cá, FHC marcou um novo ritmo da sucessão presidencial. Dilma não gostou, mas não soube responder. Lula não disse palavra, e alguns petistas saíram em defesa. Assim, foi quebrada a mesmice política da sucessão, com a devolução do ex-presidente ao palco, onde só estava o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, a disparar sua artilharia incerta, com petardos coerentes, outros não. O que o tucano-mór quer? Colocar Dilma na defensiva e testá-la politicamente, na medida em que ela ficará sozinha mais tarde, quando Lula não estiver no palanque. Assim, terá que se virar sozinha. De outro modo, Ciro caiu indiretamente em cima da ministra da Casa Civil, anunciando que não desiste por ser "um imperativo moral". E que irá à campanha mesmo que, no programa eleitoral, não tenha apoios partidários e "zero minuto" para falar. Para confundir, os petista lançaram José Alencar como candidato a governador de Minas. Alencar, no entanto, ainda não está curado e os médicos e seus familiares entendem que ele não pode sustentar tamanha responsabilidade. Ficou ruim para os petistas (foi Lula quem lançou) e começou a passar a impressão de que, para segurar um forte palanque para Dilma em Minas Gerais, chega-se ao ponto de sacrificar Alencar, de saúde frágil. Lula desconheceu, também, os dois candidatos que disputam a legenda petista, Patrus Ananias e Fernando Pimentel. Enfim, José Alencar é ótimo, ganhou o respeito dos brasileiros, mas talvez não possa, por não ter condições de saúde, segurar o fardo de uma campanha e um governo como o de Minas Gerais. Complicou. FHC mexeu na panela sucessória, abrindo espaço para a espera de Serra, enquanto Ciro vem aí com um program na tevê no dia 18. Vai atacar Serra, mas se afirmar candidato sem dizer abertamente que é, por ser proibido fazê-lo.
(Samuel Celestino)
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